domingo, março 15, 2015

Os perigos do 4-2-3-1 à brasileira

Não sou um comentarista prancheteiro. Gosto de tática, mas acho que ver o futebol só pela tática é uma visão míope.

Mas falarei um pouco de tática.

Inspirados (ou seria tentados?) pelo que costumam ver na Europa - mais precisamente na Inglaterra), muitos dos treinadores que atuam no Brasil transformaram-se em adeptos do 4-2-3-1, o tal esquema da moda.

Que em alguns casos ganha uma versão numericamente distinta, o 4-1-4-1.

Antes permito-me diferenciar esquema tático de sistema de jogo. Sistema de jogo é o que o treinador escolher, a dança dos números. Sistema tático é como o time se distribui em campo e se movimenta.

Quem avança, quem cobre, quem arma, quem desarma.

Muitas vezes o treinador "vende" o 4-2-3-1, mas leva a campo, por exemplo, um time com 4 jogadores de defesa, 4 jogadores de meio-campo e 2 atacantes.

O problema do 4-2-3-1 à brasileira é ter jogadores que possam fazer as funções que esse sistema pede. Principalmente o tal do 1. No Corinthians funciona porque Guerrero sabe fazer esse 1. Ele sabe jogar de costas para a zaga, sabe esperar a aproximação dos e que chegam do meio e sabe quando é a hora de ir para a área finalizar.

Depende mais do jogador do que do treinador, penso eu.

Não adianta tentar o 4-2-3-1 se o 1 mata de canela, não consegue virar uma jogada e fica isolado dos outros números da prancheta o tempo todo.

O esquema tático e o sistema de jogo de um time devem sempre ser adotados em função dos jogadores, não da ideia do treinador. O bom treinador é aquele que percebe quando sua ideia não dá certo porque não há jogadores capazes de executá-la. O grande treinador é aquele que consegue encontrar um esquema tático que tire o máximo da capacidade individual de seus jogadores.

Para jogar nesse 4-2-3-1 dos sonhos - ou da moda - além desse 1 qualificado, é preciso ter atacantes de lado de campo que possam voltar para marcar ou atuar como meias, ou meias que tenham velocidade suficiente para se deslocar e atuar eventualmente como atacantes pelo lado de campo.

Pelo que tenho visto pelo mundo, em times estrelados como Real Madrid, Bayern e Barcelona, há alternativas.

O Real tem esse modelo que pode ser definido como 4-2-3-1, mas tem um fora-de-série pelo lado do campo, Cristiano Ronaldo, e outro extremamente veloz e qualificado: Bale.

O Bayern tem oferecido a Lewandowski uma companhia de luxo à frente, o Thomas Muller. O Barça tem, em minha visão, uma linha de 3 atacantes.

Enfim, é papo para prancheteiros.

Só acho que muitos treinadores podem estar colocando a prancheta na frente dos bois no Brasil.

Aconteceu algo parecido após a vitória da seleção brasileira na Copa de 2002. O sucesso da linha de três defensiva de Felipão inspirou imitações de quinta categoria.


quarta-feira, março 11, 2015

Atleta profissional e redes sociais


Não adianta correr, fugir. As redes sociais fazem parte de nossas vidas, estão inseridas no contexto do mundo atual.

Elas se multiplicam por plataformas, interesses, afinidades. Tem rede social para pegação, para devassidão, diversão e jogar conversa fora.

Há um lado psicológico irresistível nas redes sociais. A oportunidade de publicar o que se quer, sem intermediários. Comunicação direta. Também há o lado perigoso. Falta edição, alguém mais experiente para ler seu texto, ver seu vídeo, conferir se algo está errado, fora do tom, se é informação coerente, checada ou fofoca, se é opinião, análise etc.

Essas ferramentas tentadoras é claro que seriam adotadas pelos atletas profissionais. Muitos deles adeptos da desculpa esfarrapada da má interpretação. Não estou defendendo minha classe profissional, a do jornalista formado, que anda em péssima fase. Mas fato é que atleta profissional adora posar de mal interpretado quando o que fala gera repercussão negativa. Raros são aqueles que sustentam suas opiniões e, mais raros, aqueles que reconhecem quando falam bobagem. Reitero: na minha área, do meu lado do balcão a coisa anda feia, o nível caiu muito.

Mas voltemos às redes sociais. São instrumentos hoje adotados por muitos atletas profissionais, que são gente como a gente, Muitos deles jovens, ainda formando seus caráteres e posicionamentos. Muitos deles jovens e ricos, graças aos seus talentos.

A combinação de fama e dinheiro, sem filtro, é perigosa.

Em um ramo da atuação dos atletas profissionais descamba para a ostentação pura e simples, com algumas pitadas de irresponsabilidade.

O que muitos atletas profissionais não entendem - e em muitos casos seus clubes e empregadores não informam ou se omitem - é que ninguém segue o Jádson, o Pato, o Valdívia, o Réver, o Adriano  (para citar alguns envolvidos em situações recentes) como pessoas físicas, pais de família, filhos, irmão, síndicos de condomínios. Esses caras são seguidos porque são os jogadores de futebol dos times. Tudo que publicarem será lido e interpretado como o Pato do São Paulo, o Adriano Imperador, o Valdívia do Palmeiras.

Como publicam textos, fotos e vídeos sem passar pela "edição" de ninguém ou então passando por amigos que engrossam o cordão dos puxa-sacos e chupins que orbitam em torno do dinheiro dos jogadores de futebol, quase sempre o resultado cheira mal.

Todos têm o direito de fazer o que bem entenderem em suas redes sociais, inclusive os atletas. Acho cruel a opinião de que atleta tem que ser exemplo. Bobagem. Atleta tem que ser bom atleta, exemplo você tem em casa, na família. Existem atletas de comportamento exemplar em campo e canalha fora dele. E vice-versa.

O que falta no mundo altamente profissional do esporte de hoje é competência e coragem de clubes e confederações para entender que os atletas sob contrato, assim como ganham dinheiro vendendo suas imagens, precisam assumir responsabilidades junto aos seus empregadores. A repercussão de uma postagem de um jogador de futebol, basquete, voleibol, um ginasta importante não é brincadeira. É a questão da pessoa física e jurídica.

Que tal os clubes, federações etc. passarem a incluir em seus contratos o fato de que a imagem do atleta, enquanto atleta de uma instituição, precisa ser administrada pelo próprio clube ou, ao menos, em conjunto? A ferramenta pode gerar inúmeros benefícios pessoais e profissionais.

Certamente pouparia atletas e empregadores de boas dores de cabeça, embora afastasse postagens potencialmente populares, algumas engraçadas e outras grotescas, do universo das redes sociais.

sábado, fevereiro 21, 2015

Coerência x torcedor

Torcedor será sempre torcedor.

Que não se cobre desta categoria racionalidade e análise isenta.

Lembro-me de ler e ouvir severas críticas a Tite em 2013, acusando-o de formar um Corinthians retranqueiro, que não sabia atacar, que jogava para trás.

Agora é saudado como moderno, eficiente e mestre nas estratégias defensivas. Uai, caras-pálidas, não era assim em 2012? Não foi em 2013 apenas porque não ganhou?

Muricy livrou o São Paulo de um rebaixamento que parecia certo em 2013. Foi saudado com libelos que atacavam sua anterior saída do time e pediam sua permanência eterna, como legítimo herdeiro do legado de Telê.

Ano passado o fato de a equipe mostrar bom toque de bola foi motivo para mais elogios. Lembro-me particularmente de um Majestoso no Morumbi no qual Maicon atuou como segundo volante e marcou Paulinho, que estava no auge, com precisão. Agora o treinador é chamado de ultrapassado e sem motivação.

Não tem jeito. Torcedor só acredita numa coisa: vitória.

Não vê futebol, vê a vitória a qualquer preço. Todo treinador é burro e o time quase sempre parece melhor do que realmente é aos olhos do apaixonado.

A maioria não sabe dizer o que é uma linha de três zagueiros, diferenciar sistema de jogo de esquema tático ou identificar um jogador em sua posição.

Mas acham que sabem mais do que os treinadores e os jogadores, todos juntos.

Fazem parte do mundinho da bola.

Entendem que porque fazem um golzinho na pelada com os barrigudos no fim-de-semana podem treinar e até jogar no Real Madrid.

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Ecos do dérbi paulista

Foi um jogo de razoável para bom o dérbi paulista.

A rigor, em termos de oportunidades, foi igual, exceto pela falha do zagueiro palestrino Victor Hugo, que tem potencial e não deve ser crucificado.

Prass fez duas grandes defesas, em tiros de Bruno Henrique e Mendoza. Cássio fez uma, em cabeçada de Victor Hugo, e Walter outra, em chute cara-a-cara de Lucas. Em duas cabeçadas perigosas, Danilo e Victor Hugo poderiam ter marcado.

Claro que há uma diferença óbvia de padrão de jogo. O Corinthians tem sequências de bons trabalhos sendo aproveitados por Tite e Mano, Mano e Tite, sucessivamente. A equipe é praticamente a mesma da temporada passada, que foi boa. É um time que confia e acredita em seu trabalho e na sequência dele.

No Palmeiras praticamente nada tem sido aproveitado de uma temporada para outra e de 2014 para 2015 nada foi. Nada mesmo. É um time novo, com jogadores que ainda serão incorporados. Até equalizar condição física e conseguir padrão técnico e tático vai um bom tempo.

Fora isso, o Corinthians se preparou para jogar uma decisão em mata-mata de Libertadores e está num padrão físico superior, além da questão tática.

Individualmente, dois jogadores se destacaram: Danilo e Petros. Danilo é um dos jogadores mais inteligentes do futebol brasileiro, lê e entende o jogo como poucos e sabe o que precisa fazer. Frio, discreto e decisivo. Petros é mais explosivo, não tem a técnica de Danilo, mas mostra boa leitura tática e condição física e se destacou.

O Palmeiras mostrou uma dupla de zagueiros que é vigorosa e deve evoluir. Com Arouca o meio terá mais proteção e consistência, Cleiton Xavier pode dar poder de fogo ao meio-campo, assim como Valdívia, se ficar, o toque de criatividade. Não se pode julgar Dudu por um jogo. Falta um atacante que assuste a zaga adversária, como Guerrero. E o clube não pode repetir a burrada de 2014, que foi dar peso demais ao Paulistão e deixar de trabalhar a temporada. Talvez não seja um time para conquistar títulos imediatamente, mas certamente não passará sufoco se o trabalho for mantido.

O Corinthians seguirá sendo muito forte na defesa e se tiver em Jadson um armador mais consistente e ligado em todos os jogos, será candidato potencial a conquistas. Principalmente se mantiver Guerrero, seu melhor jogador.

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Truques e pegadinhas das regras

Embora pareçam simples, as regras do futebol são cheias de complicações e truques e pegadinhas.

Principalmente porque permitem interpretações e os árbitros são orientados interpretar os lances de acordo com a International Board.


No jogo de ontem entre Corinthians e Once Caldas um desses lances cheios de truques aconteceu, no gol anulado do time colombiano.


Em princípio achei que estava correta a anulação.


Por quê?

Porque havia um jogador em impedimento e participando da jogada, Penco, do Once Caldas.
Acontece que a orientação atual da Board, na tentativa de diminuir a subjetividade das interpretações, é para que as situações de "participar da jogada" ou "interferir no adversário" sejam em lances de efetiva disputa de bola.

É complicado.

Se colocarmos dez árbitros de futebol numa sala, duvido que os dez tenham a mesma interpretação.

Revendo a jogada, no intervalo, analisei a distância do Ralf em relação ao jogador colombiano para avaliar se há disputa de lance. Ralf parece longe demais para estar disputando a bola.

Outra questão: será que Ralf vai na bola porque sabe que o jogador colombiano está atrás dele ou simplesmente vai na bola para evitar que ela chegue até a pequena área?

No intervalo mudei meu conceito e achei que o gol foi mal anulado. Mas admito, não estou convicto nem de uma coisa e nem de outra.

O que parece é que o juiz anulou o gol porque o bandeirinha achou que quem tocou na bola foi um jogador do time colombiano. Porque de onde estava, com visão encoberta, ele não poderia ver quem tocou com clareza.

Nessas horas faz falta um árbitro auxiliar atrás do gol, o que não existe na Libertadores.

E a regra continua fazendo um trevo em nossas cabeças.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Doping é a suprema covardia no esporte


O doping é a suprema covardia no esporte.

Também é uma das maiores covardias do ser humano.

É querer não superar os limites, mas enganar, fraudar limites.

É um dos maiores traços de arrogância do ser humano, porque tenta trapacear não somente o adversário, mas também a natureza.

Basicamente, quem opta pelo doping é porque não sabe perder.

Não aceita um fato que deveria nortear a vida de um esportista: reconhecer que alguém pode ser melhor.

O que seria pior? Ganhar uma disputa comprando o árbitro, o adversário ou usando de doping? Existe o pior nisso tudo?

Quem usa doping, além de não saber perder, também não sabe ganhar.

Como será que acorda um campeão, um vencedor, que olha para o espelho no dia seguinte à disputa sabendo que ganhou sem merecer?

Não sou ingênuo ao ponto de achar que o esporte deva ser encarado como era nos tempos do amadorismo romântico. O esporte hoje é profissional, movimenta uma indústria milionária. Assim como um grande ator ou cantor, que arrastam multidões para espetáculos artísticos, um grande atleta merece ser muito bem remunerado.

O problema está na credibilidade.

O esporte como um todo perde a credibilidade a cada caso de doping.

Claro que é preciso oferecer o benefício da dúvida, esperar contraprova, defesa.

Por isso não cito nomes.

Mas todos sabemos que o doping está presente em nossas vidas. É possível comprá-lo pela Internet, com entrega em casa. Se bobear até dão brinde.

Todos sabemos que há gente sem escrúpulos no esporte. Empresários, treinadores, atletas, patrocinadores, jornalistas, torcedores.

A questão, como em quase todas as coisas, está na consciência.

Fui criado de uma forma que me faz perder o sono se devo um real a um amigo que me emprestou para comprar um chiclete. Entro em pânico se me esqueci de pagar uma conta. Na pelada com os amigos acuso toda falta que sei que fiz e toda vez em que a bola resvala em mim e sai em escanteio contra o meu time.

Alguém já deve ter dito por aí que mais importante do que ganhar é a forma como se ganha.

Acrescentaria que ainda mais importante é saber que em uma competição esportiva você fez o seu melhor, foi até onde você poderia ter ido, desenvolveu todo seu potencial, trabalhou bem, treinou bem, se aprimorou. Mesmo assim, se o adversário foi melhor, paciência.

Desde que ele tenha sido de fato melhor.

Quem faz uso do doping deve achar bonito fazer o adversário de bobo.

É o pior caso de corrupção que pode existir. É a autocorrupção.

Trouxa.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

Pequeno, grande e médio


Acompanho com interesse as discussões e debates em torno da regulamentação econômica do futebol no Brasil. O veto do Governo à proposta de mais farra dos clubes é algo interessante e inovador em se tratando de Brasil. Assim como algumas das propostas do Bom Senso Futebol Clube.

É preciso ampliar o debate. Não faço parte de grupo algum de discussão sobre isso, apenas auto como analista, sem me envolver com clube, movimento, federação, governos.

Não acredito em solução única, em caminha exclusivo. Tampouco acho que exista apenas um grupo de pessoas que tenha o monopólio das soluções e indicação de caminhos.

O Brasil é complexo, o futebol é complexo. Uma boa solução para a França ou para a Inglaterra pode ser uma tragédia para o Brasil.

A defesa intransigente de interesses não agrega, só divide.

Todos têm argumentos e pontos de vista. É preciso que todos sejam ouvidos.

A única solução que não me agrada é aquela que prevê participação maior do Governo Federal no esporte de alto rendimento, em especial no mais popular deles, o futebol. Vejo o Governo como um grande órgão fiscalizador. Desde que as Leis sejam cumpridas, os esportes precisam ter suas regras e regulamentos próprios, encontrar seus caminhos em busca da sustentabilidade.

Haverá sempre os esportes mais populares e os menos populares. Em cada canto do mundo.

A escolha do atleta não deve ser em busca de fama e fortuna, mas sim da realização de seu sonho particular. O atleta não pode ser tratado sempre como um coitadinho, um injustiçado e tampouco como um herói que serve sua Nação. Esse conceito de patriotada aplicado ao esporte me causa asco. O cidadão escolhe ser atleta, não é convocado para servir a Nação, não é soldado, nem funcionário público concursado.

No caso específico do futebol, que por ser o mais popular, serve como um tipo de parâmetro, sempre haverá times grandes, médios e pequenos. As realidades, aspirações e conjecturas são diferentes.

O que não deve existir é o canibalismo. Os grandes não podem querer o negócio apenas para eles, porque um deles se transformará em médio, outro em pequeno com o passar do tempo.

O modelo está errado faz tempo, por uma série de aspectos, e os clubes são os grandes culpados isso tudo porque não conseguem pensar e agir em conjunto. A competição tem que ocorrer dentro de campo, na disputa esportiva. Fora, é preciso agir em conjunto, respeitando as diferenças, em busca do melhor para o torneio, o negócio. Penso desta forma.

Claro que os times grandes são os motores propulsores e merecem receber mais porque atraem mais. Um torneio estadual sem os grandes não tem propósito. O que deveria acontecer é que a divisão da fatia poderia conceder algo a mais para os médios e pequenos. Porque tanto dinheiro para Federações e Confederações? Em vez disso, mais dinheiro para médios e pequenos.

Os próprios grandes deveriam criar um fundo para financiar médios e pequenos. Parte de seus lucros deveria ser investida na divulgação dos torneios e na estruturação dos adversários menos favorecidos. Fazer girar a roda. Os pequenos e médios sempre abasteceram os grandes, foram a horta, o celeiro. Hoje produzem para empresários e times do exterior, por encomenda.

A velha história de uma Liga nunca sai do papel. E pouco acrescentaria se fosse formada com a mentalidade atual. Seria apenas mudar de nome. O resultado seria o mesmo: divisão e interesses particulares prevalecendo sobre o coletivo.

Vejo a busca da solução passando por uma adequação às necessidades de um País de dimensões continentais, clima variado e difícil, infra-estrutura precária e péssima divisão de renda. É fácil fazer 6, 7 divisões na Inglaterra, minúscula geograficamente, mas de infra-estrutura poderosa, boa distribuição de renda, transporte farto e diversificado. A realidade européia pode ser um chamariz, mas será que ficaria confortável nos pés brasileiros?

Como fazer com os times do Norte e do Nordeste? Como cuidar de transporte numa região como a Amazônica, onde rios são estradas?

Adequar o calendário europeu ao nosso seria o Santo Graal? Apenas para satisfazer uma dificuldade de mercado? Ou seria melhor que o futebol andasse no mesmo ritmo e calendário do resto do País mas se fortalecesse econômica e administrativamente a ponto de poder abrir mão da venda fácil de talentos para sobreviver?

Lembro que nunca houve tanto investimento no futebol como nos últimos 20 anos, e os clubes seguem mal das pernas economicamente, com algumas federações e a CBF ricos.

Será que jogar no dia 2 de janeiro ou 26 de dezembro mudará nossa história? Porque será que não se joga no alto verão europeu ou no alto inverno? Porque o futebol nas grandes ligas europeias segue o calendário escolar e parlamentar?

Houve algumas evoluções, tímidas ainda. A pré-temporada aumentou. Os estaduais ainda comem muito tempo do ano, sem atrativos esportivos condizentes, no entanto.

Outra discussão que cabe e não se faz: treinamos bem? Será que treinamos demais e exaurimos os atletas física e mentalmente?

Os atletas cumprem seu dever na divulgação da marca dos clubes e no que se refere à responsabilidade social?

A TV, que é a grande financiadora do negócio futebol, como faz em todo mundo, também tem seus interesses, paga por eles. A busca por um caminho passa muito longe do debate de arquibancada que se faz hoje. Basta lembrarmos que há jogos em dias e horários pouco convencionais no futebol europeu, no futebol e no soccer americano, no basquete, no beisebol. Falta a noção de que o futebol concorre hoje com o cinema, o showbiz, e muitas vezes perde para esses rivais em interesse.

É preciso encontrar um termo em que negócio e espetáculo possam andar juntos, o que não é tão difícil, penso eu, se houver profissionalismo.

Comportamento dos atletas em campo é proativo, acrescenta para combater a violência e a falta de educação dos torcedores?

Os ex-atletas se preparam devidamente para exercer funções administrativas nos clubes e transferir toda sua experiência?

A desigualdade econômica no futebol profissional brasileiro faz eco entre os atletas? Existe uma preocupação em criar mecanismos de defesa?

Porque os clubes têm tanto medo de dialogar com os atletas?

Como se comportam os treinadores em relação ao seu trabalho e ao negócio?

Enfim, um tema longo, complexo e com algumas lacunas.

Não tenho solução, apenas levanto alguns pontos de vista na tentativa de colaborar para o debate.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Brasil despreza esporte como educação


Ao indicar políticos sem qualquer elo consistente com o esporte para cuidar das pastas que teoricamente deveriam responder por essa área, a presidente do Brasil e o governador do estado mais rico e importante da Federação deixam claro que o esporte é assunto de terceira divisão no País.

Há tempos que o brasileiro sabe que a formação de um Ministério ou Secretariado responde a interesses que trafegam pela rede de esgoto da política. Mas até para isso há limites.

O governo federal adora posar de apoiador do esporte nas redes sociais. A cada resultado que gere repercussão na mídia a presidente posta um comentário carregado de orgulho oportunista. O governador dos paulistas adora falar em esporte e cita sempre a mesma conexão: seu amor pelo Santos.

Quando o assunto é esporte, Brasília e São Paulo pensam da mesma forma: que o ufanismo sirva de propaganda. Ideias, propostas, um movimento que possa fazer com que o esporte seja uma alternativa à falta de educação que contamina todos os quadrantes da sociedade? Isso não existe.

O governo federal financia o esporte de alto rendimento. Um de seus bancos sustenta o voleibol há um longo rali, com o perdão do trocadilho. Voleibol envolto em escândalos que ameaçam manchar a boa reputação de quem trabalha, treina e sua dentro da quadra. Outro banco bancava (opa, outro vício de linguagem) o basquete, que perdeu a corrida para o atletismo, que foi ultrapassado pelo futebol. Os Correios investem nos esportes aquáticos. O Comitê Olímpico Brasileiro conta com vastos recursos oriundos do governo. Sem contar as isenções de impostos. O bolsa-atleta tem abastecido outras bolsas, segundo denúncias.

Mas e o plano de trabalho? Ou como dizem alguns professores do futebol, e o projeto?

Como o esporte funciona como educação? Qual a contrapartida para a sociedade? Quem controla o currículo de educação física nas escolas? Quantas escolas nem sequer têm uma quadra decente ou até mesmo um professor para cuidar dessa área?

O esporte sempre seduziu os governos, fossem eles de direita, esquerda, centro, ditaduras de qualquer orientação. Todo mandatário adora posar para fotografia ao lado de um medalhista, de um troféu, da Copa do Mundo.

A orientação politica do governo federal facilita a leitura do que esperar do campo esportivo. A sedução do modelo socialista de esporte, da propaganda que financiava vitórias olímpicas faz brilhar os olhos de ministros e candidatos a ministros que ainda acreditam no modelo comunista, há muito sepultado pela realidade. Nem o apelo educacional desses modelos (um dos pontos que diferenciam uma ditadura de esquerda por uma de direita é o apreço pela educação, ainda que doutrinada, da esquerda, contra o investimento total na ignorância patrocinado pelas ditaduras de direita) foi copiado pelos políticos brasileiros.

O esporte é um contrapeso sem importância para os governos brasileiros. Os ministros falam mais de Copa do Mundo e Olimpíada do que acesso universal, capacitação de professores, iniciação, aperfeiçoamento e treinamento especializado. Isso não dá holofote, convite para programa de TV, nem foto com atleta famoso em rede social.

A crise do esporte brasileiro é grave e séria. Talvez pouca gente resista ao pós-2016.

Mas o que importa é pagar dívidas eleitorais e compor ministérios e secretariados de fancaria.

Ou então propor aposentadoria vitalícia para uma atleta que sofreu um grave acidente quando tentava praticar um esporte de alta periculosidade apenas para cumprir o devaneio de um país tropical na olimpíada de inverno.


sexta-feira, dezembro 12, 2014

12

Praticamente fui criado dentro de uma emissora de TV. No caso a TV Cultura, quando acompanhava meu pai em muitos dias de trabalho dele naquela memorável equipe esportiva.

Lembro-me com carinho de ter visto gravações e apresentações ao vivo do Vila Sésamo, do É Proibido Colar, do Quem Sabe, Sabe. E, claro, É  Hora de Esporte, Esporte Opinião, Esportevisão etc.

Mesmo assim, naqueles tempos e quando decidi estudar Jornalismo eu jamais, jamais, pensei ou imaginei que trabalharia um dia na TV.

Eu tinha a saudade das frequentes viagens do meu pai, dos finais de semana e das festas em que ele não podia estar, embora sempre tenha feito de tudo e mais um pouco por nós e para nós.

Parei para fazer umas contas e realizei que em agosto fez 12 anos que trabalho em TV, à frente das câmeras, diretamente.

Foi em agosto de 2002 que comecei a trabalhar como comentarista no SporTV.  Numa terça-feira, 13 de agosto de 2002, meu amigo Eduardo Moreno teve a paciência de aturar minha falta de experiência e nervosismo num entediante União São João de Araras 0 x 0 Caxias, pela Série B do Brasileiro. Na coordenação, Idival Marcusso e estou quase certo que o repórter era Carlos Cereto. Uma equipe de luxo para um estreante nervoso e tímido.

Muita água rolou debaixo dessa ponte. Muitos jogos. Alguns malucos tiveram a ousadia de me colocar para apresentar programas no SporTV. Apresentei todos da grade do canal, exceto o SporTV News e os programas mais novos da programação.

Vieram Copas, Pan, Mundiais, Euros, Libertadores, Sul-americanas.

Tive muitas mãos amigas. Felizmente muitas mais do que os pés sorrateiros que sempre passam pelos nossos caminhos. Surpresas positivas e decepções profundas vieram.

Doze anos é muito tempo.

Tenho a felicidade de trabalhar com amigos que fiz pela vida, muito antes de entrar na lida televisiva.
Alguns são meus gurus até hoje, como Ledio Carmona, Marcelo Barreto, Mario Jorge Guimarães.

Jornalistas que eu via ou lia com admiração e respeito e jamais poderia imaginar que um dia seriam meus colegas de trabalho.

Narradores que eu assistia como fã, como Jota Júnior, Milton Leite, Luiz Carlos Jr., João Guilherme Carvalho, meu parceiro nas primeiras viagens que fiz pelo canal, assim como outro grande dessa arte e companheiro de muitas viagens pelo País, Sérgio Maurício.  Hoje posso dizer que são meus amigos, acima de tudo.

Os inúmeros colegas que não aparecem na telinha mas que são a alma da telinha, nos ensinam diariamente os truques dessa caixa mágica e sedutora, em especial  Alfredo Descragnolle Taunay.

Parei para refletir em tudo isso, quando mais um ano termina.

O que mais me faz falta são os conselhos, a crítica e a avaliação precisa de meu pai. Durante dez desses 12 anos ele sempre foi meu maior crítico e ao mesmo tempo um dos maiores incentivadores.

Que puta saudade, meu papai Luiz Noriega!. A força vem sermpre de minha família, minha mãe dona Ângela, minha vovó Olinda,minhas irmãs Ferdi Mauricio Noriega e Renata Noriega De Thomaz e minha maior parceira, Isabel Urrutia e meus tesouros Clara Noriega e Rafael. E a alegria dos inúmeros primos e tios espalhados pelo mundo.

12 anos é muito tempo! Provocam reflexões!

Mas quando se faz o que se gosta, muitos outros devem vir.

segunda-feira, dezembro 08, 2014

A nova cara do Brasileirão

Mais um Brasileirão terminou. Sem grande brilho, como tem sido nos últimos anos.

O Cruzeiro sobrou. Não foi ameaçado em nenhum momento pela concorrência.

Disputa de verdade houve apenas por vagas na Libertadores e permanência na Série A.

O nível técnico despenca a cada ano.

Um modelo de performance vai sendo desenhado.

Os campeões brasileiros mais recentes são times que largam na frente, com uma arrancada poderosa, e acumulam pontos suficientes para administrar essa situação no final da temporada.

Cruzeiro e Atlético Mineiro se destacaram na turma. Em termos de futebol bem jogado, foram os melhores do torneio, na minha maneira de ver o jogo.

O Galo deu uma desligada em algumas rodadas em função da Copa do Brasil, e foi um time reinventado em plena disputa. Tenho a convicção de que seria o único adversário capaz de disputar o título com o Cruzeiro no Brasileirão.

Marcelo Oliveira e Levir Culpi mostraram que é possível propor equipes que tentem jogar bom futebol. Também mostraram que é possível a um treinador brasileiro falar mais de futebol e menos de arbitragem. São protagonistas mas não querem o estrelato

O São Paulo foi longe muito graças ao seu treinador. Muricy conhece como poucos o Brasileirão de pontos corridos e trabalha seu time para tirar o máximo da fórmula. Treina a bola parada à exaustão e sabe usar o fator mandante. Se tivesse em mãos um elenco mais equilibrado e que tivesse mais opções do meio para trás, talvez disputasse o título.

Inter, Corinthians e Fluminense não tinham time, nem elenco para pleitear o título. Chegaram à Libertadores, entre os três, os dois melhores.

O Grêmio tentou lutar, mas está muito abaixo desse trio acima citado em termos técnicos.

Esse grupo se destaca daqueles que participaram sem grandes pretensões e vê de longe o grupo cada vez maior de equipes que apenas lutam para permanecer na Série A.

Parece ser uma tendência do Brasileirão. Pouquíssimos clubes lutam pelo título, dois ou três. Mais dois entram na briga pela Libertadores. O restante participa e muitos sofrem.

A conferir nos próximos anos. 

segunda-feira, dezembro 01, 2014

Fischer e Ferretti

Fischer e Ferreti. Essa foi a minha primeira dupla de ataque no futebol de botão. Comecinho dos anos 1970. A sonoridade dos nomes da dupla que meu saudoso pai, Luiz Noriega, tinha narrado em um jogo que não consigo precisar na memória, me fascinava. Lembro que era do Botafogo, porque não esqueço de Fischer e Ferreti.
Via os melhores momentos, os gols e tentava imitar aquilo no meu Estrelão ou mesmo no chão de casa, pintando os contornos do "gramado" com giz.
Aos poucos passei a ler - e muito sobre futebol e esporte. Aprendi a importância das grandes instituições, dos grandes clubes. Do basquete de Franca, do vôlei de Santo André, da natação do Pinheiros e por aí vai.
Claro, aprendi o que era o Botafogo, a Estrela Solitária, Nilton, Biriba, Carlito Rocha, Jair, Zagallo. Tanta gente.
Botafogo, Palmeiras, Vasco, Corinthians, São Paulo, Santos, Grêmio, Inter, Galo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense e todas as grandes instituições do futebol brasileiro.
Sempre que faço uma análise, uma crítica, um elogio eu me recordo das histórias que aprendi, de como o futebol brasileiro se transformou no que é graças à força dessas instituições, dos clubes, suas histórias, seus craques, as pessoas que fizeram esse alicerce hoje cambaleante.
Acordei pensando na dupla Fischer e Ferretti, nos clássicos do futebol de botão, nos golaços da dupla narrados pela voz do meu pai e das belas imagens emolduradas em preto e branco.
Sou um fanático pelos grandes clubes do futebol brasileiro, pelas grandes marcas. Foram eles, não as federações e a CBF, que fizeram essa história gloriosa.
As pessoas e os jogadores passam, mas as instituições ficam. Todas elas. Essas gigantescas que citei acima e as enormes forças de expressão regional que temos aos montes.
Quando um gigante é ferido a Terra de Gigantes sofre como um todo.
Não há sotaque, regionalismo, clubismo.
Há o fascínio despertado em um garoto nascido caipira paulista vivendo na extinta Terra da Garoa que aprendeu a admirar e respeitar os grandes clubes, as grandes marcas do futebol nacional, sem se importar para sotaques.
Vou buscar em alguma gaveta os botões de Fischer e Ferretti. Limpá-los, dar um brilho, lixar. Ver se as fotografias (sim, são daqueles com fotografias) não estão amareladas.
Tenho certeza que ainda batem um bolão.

sexta-feira, novembro 28, 2014

A queda

Brasileirão resolvido, com resultado merecido e previsível. Pouca emoção resta na briga pelas vagas à Libertadores. Muito desespero para quem ainda luta pela permanência na Série A.

A perspectiva de queda apavora milhões de torcedores. Termos como vergonha, vexame, humilhação circulam de boteco em boteco, casa em casa, arquibancada em arquibancada.

Mas o que seria pior: queda ou falta de perspectiva, ausência de ideias?

Rebaixamento não significa o fim do mundo. Em muitos casos o rebaixamento ou a simples ameaça significaram pontos de virada, de reinvenção de clubes de futebol.

Quem leu o livro "De Belém a Yokohama", do ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, sabe do que escrevo. Ele conta como uma ideia salvou um clube que escapou do rebaixamento contra o Paysandu e não tinha meia dúzia de jogadores para pensar a temporada 2003. O Inter hoje é uma potência como sempre deveria ser.

O Corinthians caiu em 2007 e voltou chutando para longe o mofo que perigosamente se apoderava do clube, ditando regra em termos de marketing e recursos.

O Galo pós-rebaixamento é forte e vingador.

Enfim, há casos e casos. Cada clube tem seu tamanho, importância, história.

Mas todos que passaram sufoco, chegaram ao fundo do poço e ressurgiram mais fortes, tiveram ideias e pessoas capazes de viabilizá-las.

Por isso que afirmo que cair pode ser a festa dos rivais, o pesadelo das piadinhas, mas não é o fim dos tempos.

O Apocalipse futebolístico é a falta de ideias e de gente capaz para pensar e executar futebol profissional.

Não existe mais espaço para aventureiros e torcedores no futebol moderno.

Cartolas à moda antiga podem até conseguir um título aqui, outro ali, mas em termos gerais esse tipo de dirigente não leva seu clube a lugar algum, a não ser para o atraso.

Temos exemplos vigorosos de falta de ideias e capacidade no futebol brasileiro.

Vasco, Palmeiras, Botafogo. Marcas e patrimônios futebolísticos gigantescos entregues sucessivamente a dirigentes amadores e sem qualquer condição de dar sequência às histórias que herdaram. Costumo dizer que esse trio caiu e ainda não voltou, mesmo disputando a Série A. Porque não retornaram como Palmeiras, Vasco e Botafogo. São cópias ruins do que foram.

Outras equipes menos tradicionais, mas nem por isso menos importantes, vivem às turras com a realidade do sobe-e-desce. Contam com menos recursos mas em alguns casos conseguem mostrar mais capacidade na administração desse pequeno bolo, enquanto outros desperdiçam uma doceria.

O que mais assusta no futebol brasileiro é a falta de ideias e perspectivas da maioria dos clubes e dirigentes.

Não é por acaso que as agremiações que tem projetos e propostas se destacam e vão abrindo corpos. Cruzeiro e Atlético Mineiro estão aí para provar que é possível fazer bom futebol sem o poder econômico e político do eixo Rio-SP. Conseguem recursos, se estruturam e vencem. No Sul, Inter e Grêmio optaram pela fidelidade de seus torcedores. Mais bem resolvido politicamente, o Colorado colhe frutos, enquanto o Grêmio amarga uma longa fila de títulos importantes, embora esteja buscando seu caminho.

O Corinthians tirou riqueza da popularidade, coisa que o Flamengo não consegue fazer por absoluta incompetência administrativa.

O Fluminense terceirizou seu futebol para o patrocinador, o que blinda o time da situação financeira deplorável do clube.

O São Paulo ainda não deixou que sua política canibal contaminasse o time, embora esteja partindo para um caminho perigoso de rápido endividamento.

O Atlético Paranaense tem números modestos, mas se equilibra. Se não alça voos longos, tem conseguido pavimentar o caminho para que isso possa acontecer um dia.

O Santos entrou nessa onda de dívidas e consegue negócios inexplicáveis, como comprar Damião por valor de estrela da Champions League e ver o dinheiro da venda de Neymar escorrer pelas mãos.

Os times de estados menos favorecidos economicamente também buscam seus caminhos, alguns com sucesso, outros fracassando. A dupla Ba-Vi não acompanha a paixão de seus simpatizantes no quesito administração do futebol. O Sport conseguiu uma boa temporada com recursos limitados. Os catarinenses são força emergente, apesar do Criciúma e do sufoco de Chapecoense e Figueirense.

Quem tem uma ideia, uma análise, um projeto estratégico pode até ser rebaixado que se recupera e projeta dias melhores.

Quem não tem nada disso pode até escapar que não vai se livrar da maldição da incompetência.

sexta-feira, novembro 21, 2014

Brasileirão do Século 21

O Campeonato Brasileiro de Futebol do século 21 tem um perfil muito bem definido. Praticamente não há disputa por título. Um time se destaca, abre distância no início e faz a manutenção dessa superioridade até o final.
Um grupo cada vez menor de equipes joga para tentar uma vaga na Libertadores, o que nos últimos anos tem sido sinônimo de fracasso para os times nacionais.
Outro grupo, também reduzido, fica numa zona de conforto que não quer dizer absolutamente nada.
E uma quantidade cada vez maior de equipes disputa a permanência na Série A. Essa turma da gangorra é a que mais cresce. Equipes que ficarão num eterno sobe-desce. Jogarão a Série A num ano para voltar à B no outro, sem qualquer continuidade.
Nessa caminhada, teses de "especialistas" tais como a espanholização do futebol brasileiro vão sendo desconstruídas pelos fatos.
No esporte de alto rendimento, verdadeiramente profissional, dinheiro não compra felicidade, muito menos competência.
Com a queda de importância dos torneios estaduais, o Brasil tende a reduzir drasticamente o número de times que são chamados de grandes. As equipes de verdadeira importância e hierarquia nacional são poucas e tendem a diminuir.
Tristes daqueles que observam um jogo tão fascinante como o futebol apenas pelos olhos dos números, da matemática pura e simples.
O ingrediente humano ainda é o fator preponderante.
No Brasil o amadorismo é a regra no comando dos clubes de futebol.
Não há estatística que sirva para transformar jogador ruim em jogador bom. Não há média que transforme em leão um jogador que pareça precisar de fraldas para entrar em campo num jogo decisivo.
O jogador não tem culpa de ser fraco. Culpado é quem contrata um jogador fraco por indicação de um dirigente amador ou de um empresário oportunista.
O termo jogador de time grande está cada vez mais desgastado no Brasil. Atualmente há um rosário de atletas que atuam em times grandes mas não possuem qualquer requisito técnico, tático e emocional para isso.
Emoção nas rodadas finais, como sempre tem acontecido, fica reservada para o desespero daqueles que lutam para sobreviver, o que em muitos casos pode ser traduzido como subsistir.

domingo, agosto 31, 2014

Gigantes desnorteados


Acompanho futebol desde os anos 1970. Não tenho receio algum em afirmar que ontem, 30 de agosto de 2014, Vasco e Palmeiras foram a campo com os piores times de suas gloriosas e centenárias histórias.

Como se isso não bastasse, os milhões e milhões de vascaínos e palmeirenses espalhados pelo Brasil precisam colocar as bandeiras de molho, porque o risco de ficar pior é tão grande quanto as instituições.

Vi os melhores momentos de Palmeiras x Inter e Vasco x Avaí. Alguns instantes são dignos de sentir pena dos torcedores alviverdes e cruzmaltinos. Porque eles não desistem. Havia 31 mil pessoas no Pacaembu e perto de dez mil em São Januário.

Uma coisa é cristalina: Inter e Avaí têm times muito superiores a Palmeiras e Vasco. Mesmo estando longe de ir a campo com equipes que se aproximem das melhores de suas histórias. No caso do Inter, desfalcado de seu melhor jogador, D´Alessandro, e com uma dupla de zaga e outra de volantes, no mínimo, reticente. O Avaí recentemente foi eliminado pelo Palmeiras da Copa do Brasil sem oferecer resistência.

O fato que estarrece é que Inter e Avaí nem precisaram fazer força para vencer. Bastou que esperassem o rosário de erros dos adversários. Se foi 5 a 0 na Colina Histórica poderia ter sido 5 a 2 no Pacaembu. Porque o nível de erros dos jogadores do Vasco e do Palmeiras beira o amadorismo.

Há fatores históricos que ajudam a entender porque Vasco e Palmeiras chegaram ao patamar de vexames atual.

Os dirigentes do Palmeiras escolheram esse caminho em 2002, quando o time caiu pela primeira vez. Em vez de voltarem fortes, imponentes como canta o hino, optaram por retornar à meia força, com a tal política do bom e barato, jogadores e treinadores de segundo escalão. Como o time nunca teve base e jamais soube revelar jogadores, ficou escravo dessa fórmula e da contaminada política das alamedas do Palestra Itália. Tem uma sombra de um dirigente que, mesmo de longe, ainda manda no clube: Mustafá Contursi.

O Vasco fez algo parecido. Quando caiu, ensaiou uma volta forte com a conquista da Copa do Brasil, mas ficou no ensaio. Tem uma política tão contaminada quanto à do co-irmão paulista e o espectro de um dirigente que manda nos bastidores: Eurico Miranda. Tinha uma boa base, mas a tragédia econômica dilapidou esse patrimônio. Quando se esperava que Roberto Dinamite, do patamar de maior craque da história do clube, saneasse o Vasco, o que se viu foi que a contaminação é resistente aos mais fortes antibióticos.

Houve títulos esporádicos no meio do caminho para palmeirense se vascaínos. Acidentes de percurso, é preciso dizer. Pontos fora da curva decadente. O Palmeiras ainda teve um lampejo de humildade ao reconhecer sua incompetência e procurar a Parmalat, que despejou jogadores e títulos nos anos 1990, e em 2008 montou um bom time com a ajuda da Traffic. Terceirizou e se deu bem. Ganhou uma Copa do Brasil Deus sabe como em 2012. O Vasco tinha um bom patrocinador que perdeu pela insanidade de alguns torcedores, enterrando uma possibilidade de reconstrução.

Claro que há tempo para que o Palmeiras evite o terceiro rebaixamento em pouco mais de dez anos e o Vasco escape da vergonha de permanecer na Série B.

Mas a pergunta que fica é a seguinte: isso vai mudar alguma coisa?

Acho pouco provável. Palmeiras e Vasco tratam doenças sérias com placebo. Não combatem a causa, apenas atenuam os sintomas.

Quem deve abrir o olho para não ser puxado para essa centrífuga é o Grêmio.

Entre os grandes do Brasil o Tricolor gaúcho é o que está há mais tempo sem ganhar algo de importante. Desde 2001, na Copa do Brasil, com Tite, que o gigante gaúcho não comemora um título de expressão.

Tem experiência em rebaixamentos, uma política complicada e ainda lida com a ala radical de sua torcida, que está, inclusive, representada no Conselho Deliberativo do clube, e pode provocar a exclusão da Copa do Brasil.

A chance de ganhar algo em 2014 é mínima. Tem elenco e treinadores caros e, como Vasco e Palmeiras, ainda recorre a figuras que nunca deixaram de mandar, mesmo fora do poder oficial, como Fábio Koff.

São tristes retratos do amadorismo que contaminou nosso futebol.


terça-feira, agosto 26, 2014

Parabéns, Palmeiras, a Eterna Academia!


Não há fase que suplante uma história.

Por pior que seja o time atual, o Palmeiras que hoje é centenário será sempre a Eterna Academia.

Não há gol perdido bisonhamente que supere os feitos de um Heitor, um Tupãzinho, um César, um Leivinha, um Evair.

Não há passe errado que apague a carreira divina de um Ademir, a elegância de Alex, a magia de um Julinho.

Não há frango que apague os milagres de um Marcos, um Leão, um Valdir, um Oberdan.

Não há bico torto de zagueiro que ofusque uma saída de bola de um Waldemar Fiúme, um Djalma Dias, um Luís Pereira.

Não há troca de técnico que risque os títulos de Cambom, Brandão, Filpo, Minelli, Travaglini, Luxemburgo, Felipão.

Não há rebaixamento que desmereça a coleção de glórias e conquistas acumuladas em um século de vida.

Por mais maltratado que esteja sendo pelos dirigentes herdeiros de sua fantástica história, o Palestra da palavra grega escolhida por italianos que virou o brasileiríssimo Palmeiras está eternizado no coração não apenas dos palestrinos e palmeirenses, mas de todos aqueles, inclusive dos rivais, que amam o futebol.

Porque o Palmeiras é sinônimo de futebol bem jogado, de craques, de estilo, de talento e eficiência. Futebol como arte.

Foi assim que este nome se espalhou pelo mundo acadêmico da bola.

É por isso que se entende a revolta do palestrino palmeirense ao ver times que não honram essa história e perpetuem esse legado.

O torcedor do Verdão é mal acostumado, um eterno insatisfeito. Ele não aceita apenas vitórias, ele quer cátedras. Foi assim que aprendeu a gostar de futebol, pela excelência, pelo alto nível.

Em cem anos de vida o Palmeiras se transformou por completo. Nasceu como opção para a enorme colônia italiana em São Paulo. Não custa lembrar que houve um período da história em que a população paulistana era formada por mais italianos do que brasileiros.

A paixão foi sendo cultivada pelos descendentes, pelos oriundi, espalhou-se pelo interior do estado paulista, semeada por sobrenomes peninsulares em cada canto. Germinou forte e rompeu a barreira do sangue, abraçando brasileiros de todas as raças, descendências e regiões.

A história do clube é bela como a de todas essas grandes instituições que transformaram o futebol brasileiro no que ele é hoje. No caso do Palestra que virou Palmeiras, há a questão da Arrancada Heróica, um libelo contra o preconceito, uma resposta belíssima dos italianos brasileiros ao que acontecia na Segunda Guerra e no próprio Brasil naqueles tempos bicudos.

Quem gosta de esporte e de futebol aprende desde cedo a admirar as grandes instituições e suas histórias.

O Palmeiras respira futebol, mas não é apenas isso.

É também parte da preservação da cultura do imigrante italiano. O Palmeiras dos Periquitos em Revista. O Palmeiras onde Oscar, Ubiratan, Carioquinha e tantos outros jogaram basquete. O Palmeiras palco de competições dos Jogos Pan-americanos de 1963. O Palmeiras em cujo velho ginásio floresceu o culto à música negra e aos bailões funk. O Palmeiras em cujo antigo gramado legiões de metaleiros viram shows lendários de heavy metal.

O futebol que hoje procura um rumo para milhões e milhões de apaixonados sempre foi marcado pelo pioneirismo. Foi no Palmeiras que Brandão inventou a função de preparador de goleiros para Valdir de Morais. Foi no Palmeiras que nos anos 70 chegou a primeira máquina de musculação para reforçar atletas. Foi no Palmeiras que a Parmalat testou com sucesso um modelo de co-gestão.

Aos milhões de palmeirenses de todas as gerações fica essa singela homenagem a um dos maiores clubes de futebol do mundo, um dos pilares da construção do futebol cinco vezes campeão do mundo.

Parabéns ao clube que nasceu italiano mas sabe ser brasileiro.

Cem vezes parabéns!

terça-feira, agosto 19, 2014

Neymar tomou gosto pelo gol agora ou sempre teve, Dunga?

Dunga disse em coletiva, ao convocar a seleção pela primeira vez em sua segunda passagem como técnico, que Neymar tomou gosto pelo gol.

É preciso cuidado com certo tipo de colocação, porque muitas informações podem desmentir certo tipo de análise.

Dunga não levou Neymar à Copa de 2010 e agora sabe que depende dele.

Mas vamos ao que foi dito.

Ao afirmar que Neymar tomou gosto pelo gol, entende-se que, na avaliação de Dunga, ele não tinha gosto antes. Resumindo: não fazia muitos gols ou não tinha gosto por fazer.

Fui à página oficial de Neymar buscar números.

Em 2010 ele fez 44 gols.

Em 2011 foram 40.

2012? 56.

2013 a marca foi de 37.

Neste ano de 2014 o craque fez apenas 14 gols.

Ou seja: Neymar já surgiu com gosto pelo gol, ele sempre fez muitos gols. Inclusive mais gols no início da carreira do que no momento atual.

Questão de gosto.

segunda-feira, agosto 18, 2014

Palestras extremos

O Brasileirão 2014 expõe duas realidades dramaticamente opostas no grupo dos times históricos.

Dois irmãos de origem, que nasceram das colônias italianas para capturar paixões pelo País e se transformar na preferência de milhões de torcedores.

Construíram belas histórias cultivando uma tradição comum: o gosto pelo bom futebol e a formação de grandes times.

As semelhanças entres os Palestras, que há alguns anos eram muitas, atualmente ficam por aí. 

O que virou Palmeiras e foi seguramente o grande time do País entre o final dos anos 60 e início dos anos 70 do século passado entrou numa espiral de decadência que soa irreversível. O que adotou o Cruzeiro e deixou um pouco de lado as raízes italianas ensaia um domínio que pode sinalizar a ocupação do espaço em termos de repercussão nacional que já foi do antigo xará. Sempre fiel ao seu estilo de futebol bem jogado.

Os números atuais gritam.

O Palestra mineiro desfila superioridade. Vem da conquista com facilidade do Nacional de 2013 e já soma 33 pontos em 2014, com 32 gols marcados, 13 sofridos, dez vitórias em 15 jogos, sendo três triunfos e dois empates nas cinco partidas mais recentes.

O Palestra paulista veio da Série B e soma esquálidos 14 pontos em 15 jogos, tomou 21 gols e fez apenas 12, tendo vencido somente 4 jogos em 15. Nas últimas cinco partidas perdeu quatro e empatou uma.

A questão macro parece ainda mais promissora para os mineiros e desesperadora para os paulistas.

O Cruzeiro é um clube politicamente moderno, apaziguado, com um programa de sócio-torcedor que cresce diariamente, um patrimônio modernizado, centros de treinamento de excelência e um trabalho de base que abastece frequentemente e com qualidade o time principal. Fora isso, estabeleceu-se como clube poliesportivo, com um grande time de vôlei e equipes de corrida de rua e de pista competitivas.

O Palmeiras vive uma confusão política perene, com uma orquestra de corneteiros, divisões políticas históricas. Nunca soube trabalhar a base, acumula dívidas, comlra mal e vende pior, fez uma parceria para reformar seu velho e ultrapassado estádio mas vive  às turras com o parceiro. Até suas jovens lideranças manifestam pensamentos mofados e ultrapassados pelo passar do tempo. A tradição poliesportiva tenta ser retomada por um time de basquete que apenas luta na parte do meio das tabelas.

O Palestra paulsta recita de cor e salteado aquele velho mantra popular do Pai Rico, Filho Nobre e Neto Pobre.

O Palestra mineiro não vive dos devaneios do passado como o irmão de sangue italiano, que vive lutando por reconhecimento de títulos que a história já havia reconhecido, apenas por questão de nomenclatura.

O Cruzeiro, sete anos mais jovem, vislumbra o futuro no horizonte.

O Palmeiras centenário olha para o passado e nele fica, nostálgico, letárgico.

Pouca coisa sugere que este cenário seja alterado em curto prazo. Parece mais provável que num prazo de dez anos o Cruzeiro esteja ocupando o lugar que hoje é do Palmeiras no G-4 dos times mais populares do Brasil.

A conferir.








quinta-feira, agosto 14, 2014

Nosso futebol premia a derrota

O mérito é algo que deve ser sempre premiado quando se fala em esporte de alto rendimento.

É preciso buscar o resultado pensando em algo que possa realmente ser considerado um prêmio. Quando uma derrota na Copa do Brasil, uma competição nacional, "classifica" uma equipe para uma competição internacional, portanto hierarquicamente superior, o mérito vai para a lata do lixo.

Essa é uma das muitas correções mais importantes a serem feitas no calendário do futebol brasileiro, muito mais importante do que o mantra patoteiro de adequação de calendário às grandes ligas da Europa.

Repito o meu mantra sobre o tema, sem querer agredir gratuitamente. O patoteiro é uma provocação brincalhona.

O futebol brasileiro tem que se adequar à vida brasileira, ao calendário nacional, às particularidades do País.
A solução do calendário deve passar por um estudo nesse sentido, penso eu.

Como sempre digo, será que vai melhorar a segurança do trânsito no Brasil se adotarmos a mão inglesa?

Os clubes deixarão de vender jogador se o calendário nacional for macaca de auditório dos grandes campeonatos europeus?

Agora, faz todo sentido racionalizar, desinchar estaduais (não sou favorável à extinção dos mesmos, mas a uma adequação, aí, sim, à realidade de cada região), criar uma janela para torneios internacionais realizados aqui ou excursões.

Enfim, há muito o que ser discutido e não existe solução definitiva. A verdade não tem dono.
Mas enquanto a derrota for premiada fica difícil pensar em algo melhor no futuro.

sexta-feira, agosto 08, 2014

Brandão Eterno

Não sou escritor. Sou um jornalista que se aventurou a escrever livros. Foram quatro até agora. O mais recente deles, uma ousadia: um perfil biográfico de Oswaldo Brandão.
Não chamo de biografia porque não tenho formação para escrever uma biografia, não estudei História, não domino as técnicas dos historiadores.
Sou jornalista, gosto de escrever e tento aprender desde que comecei nisso, há bastante tempo para ter aprendido melhor.
O sonho de todo jornalista é contar bem histórias.
Confesso que por ser um autor pouco conhecido, não ser um escritor celebridade e nem mesmo uma celebridade, meu temor era de que o livro não sobrevivesse ao lançamento.
Porque lançamento de livro é um "me engana que eu gosto".
Graças a Deus, tenho muitos amigos, e amigos é para essas coisas tipo lançamento de livro de amigo.
Uma boa oportunidade de rever a turma, dar boas risadas, recordar histórias. O livro serve como desculpa. Não me iludo quanto a isso.
Fico feliz em saber que Oswaldo Brandão-Libertador Corintiano, Herói Palmeirense sobreviveu ao lançamento.
Fui informado pela editora que o livro, lançado em abril, vendeu mais do que o dobro do que foi vendido no lançamento desde então. Quase o triplo. O que não considero pouco, porque o lançamento estava bem cheio.
Para um sobrevivente dessa profissão seriamente ameaçada de extinção que é o Jornalismo, fico sinceramente lisonjeado.
Espero que o livro continue vivo para que eu possa, numa segunda edição, reparar alguns erros que foram impressos por terem passado por minha revisão e por algumas fontes equivocadas que consultei. Também espero que esses vacilos desse autor não tenham maculado a história desse personagem fantástico que foi Oswaldo Brandão.

segunda-feira, agosto 04, 2014

A torcida dos sem-time

Se houvesse vontade dos dirigentes do futebol brasileiro em debater o futuro do esporte, eles olhariam com atenção para a pesquisa recém-divulgada pelo Data Folha sobre as torcidas dos clubes do País.

Mais do que a discussão rasa sobre quem tem mais torcedores, time A ou B, há um dado que é alarmante: 23% dos entrevistados não torcem para time algum.

Esse contingente é maior do que as torcidas dos dois clubes mais populares do País: Flamengo e Corinthians, que têm números de 18% e 14%, com margem de erro de 2% para mais ou para menos.

Esse contingente é muito maior do que o percentual de clubes como São Paulo, Palmeiras, Vasco, Grêmio, que convivem num empate técnico com índices que vão de 8% a 4%.

Termos como País do Futebol, Esporte das Multidões parecem cada vez mais fora de propósito.

Não que se deva desprezar números de clubes que amealham mais seguidores que a população de muitos países.

O que deveria ser estudado é porque o futebol não fala para 23% dos brasileiros.

E o que fazem os clubes para seduzir esses 23% e convencê-los de que vale a pena torcer por alguém?

Como o nível técnico atual, a violência nos estádios e a audiência em queda, se houvesse gente séria e interessada no futuro da modalidade, a pesquisa teria acendido o sinal vermelho.

Mas....