sexta-feira, fevereiro 06, 2009
O livro do Menon não
é para ser lido apenas
pelos corinthianos
Vá lá que o fato de o Menon, vulgo Luís Augusto Simon, ser um dos meus melhores amigos interfira na análise. Mas a gente precisa ser isento, o que é diferente de ser imparcial. E sendo isento, recomendo a leitura do primeiro livro do Menon, A Saga Corintiana. Não apenas para corintianos que são, claro, o público-alvo.
Há várias maneiras de se encarar o livro. Como lembrança da passagem do Timão pela Série B, como arquivo histórico, como diversão, entre outras. Eu acho que a melhor maneira de encará-lo é como uma autêntica aula de como se contar histórias em linguagem jornalística de alto nível.
Sem querer ser pedante, acadêmico ou mesmo professoral, o Menon sabe como poucos resumir o que foi um jogo, dada sua enorme capacidade de ver um jogo de futebol. Também tem um raro senso de localização de personagens. Isso feito, resume precisamente o que foram aqueles dias para uma das maiores torcidas do Brasil.
O livro do Menon derruba uma tese das mais absurdas que circula pelas arquibancadas e redações, de que é preciso torcer para um time para falar sobre ele. Porque este A Saga Corintiana captura a alma do time da Fiel com tanta ou mais sensibilidade do que um corintiano o faria.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
NÃO TEM EXPLICAÇÃO
Fico imaginando um ET, se é que existem (eu acho que sim) analisando o Brasil de algum quadrante do Universo. Que pensaria esse ET se soubesse que a novidade no Congresso são as eleições - de novo - de José Sarney e Michel Temer?
Que Sarney, cuja história política sempre foi tudo contra o que lutou o presidente Lula, hoje é seu aliado?
Ou como tentaria compreender esse ET o seguinte: um lutador de boxe cubano é repatriado ao seu país pelo Governo brasileiro porque queria sair de Cuba; um acusado de terrorismo na Itália ganha exílio no Brasil. Como agiria o Governo se um acusado de terrorismo em Cuba fosse preso no Brasil, e um lutador de boxe italiano pedisse asilo político em Brasília?
Fico imaginando um ET, se é que existem (eu acho que sim) analisando o Brasil de algum quadrante do Universo. Que pensaria esse ET se soubesse que a novidade no Congresso são as eleições - de novo - de José Sarney e Michel Temer?
Que Sarney, cuja história política sempre foi tudo contra o que lutou o presidente Lula, hoje é seu aliado?
Ou como tentaria compreender esse ET o seguinte: um lutador de boxe cubano é repatriado ao seu país pelo Governo brasileiro porque queria sair de Cuba; um acusado de terrorismo na Itália ganha exílio no Brasil. Como agiria o Governo se um acusado de terrorismo em Cuba fosse preso no Brasil, e um lutador de boxe italiano pedisse asilo político em Brasília?
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
AS PATADAS DOS "PROFESSORES" E
A FALTA DE COMANDO DOS CLUBES
Repercutiu - muito e mal - o caso das patadas do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, nos jornalistas durante a entrevista coletiva após a derrota do seu time para o Santo André. Não é novidade, nem exclusividade do Muricy.
Vejo a coisa da seguinte forma: ninguém está ali para saber o que pensa o cidadão Muricy Ramalho sobre a vida, o tempo, a crise global e mesmo sua visão sobre o futebol. As pessoas se reúnem ali após os jogos para entrevistar o técnico do São Paulo Futebol Clube que calha De ser hoje Muricy Ramalho. Houve muitos outros antes e haverá muitos outros depois dele. O clube permanecerá. Como no Corinthians é o Mano Menezes, no Palmeiras o Luxemburgo, no Inter o Tite, no Fluminense o Renê Simões.
Acima dos "professores", muito acima, estão as instituições para as quais eles trabalham. O técnico de um desses clubes não dá entrevista para fulano ou cicrano, mas para os milhões de torcedores dos seus clubes. Como um ministro de Estado não fala para o jornalista de determinado veículo, mas para mim, para você, para o contribuinte, o cidadão.
Acontece que, muito por culpa de um vício recente do jornalismo esportivo, os treinadores viraram celebridades. Falam mais do que deviam e por isso, muitas vezes, falam demais por não ter nada a dizer, como cantou um dia Renato Russo. Viraram estrelas de primeira grandeza e gostaram disso.
Ao serem colocados num pedestal para dar suas entrevistas enfadonhas e repetitivas (recheadas de perguntas enfadonhas e repetitivas) eles se sentem naturalmente superiores e se acham no direito de distribuir coices a torto e a direito. Alguns o fazem como teste. Luxemburgo, por exemplo, apenas repete o bate e assopra que foi eternizado pelo mestre Oswaldo Brandão. Primeiro uma patada para saber se o repórter pipocava ou não. Depois, um afago.
Mano Menezes é, atualmente, um dos mais educados entre os treinadores, assim como Renê Simões e Caio Jr. Ambos pensam antes de responder, até polemizam, mas com critério.
Muricy - e falo isso porque gosto dele e de seu trabalho e me dou bem com ele - é mais pavio curto, menos sofisticado. A embalagem pode ser vendida com autenticidade, mas o resultado acaba sendo falta de educação mesmo, em muitas situações.
O que ele e outros não entendem é que seria muito mais complicado se os clubes resolvessem, por hipótese, adotar a via direta de comunicação. Em vez de atender aos jornalistas, os treinadores todos os dias receberiam os torcedores para responder aos seus questionamentos. Por que é o torcedor do São Paulo que quer saber - e tem direito - qual será a nova dupla de ataque do time.
Isso tudo acontece porque as diretorias dos clubes são ausentes, na maioria dos casos. Porque as grosserias e patadas acontecem com os distintivos dos clubes e as marcas de seus patrocinadores como pano de fundo. Ou até nos bonés e camisetas. Quem está sendo indelicado é o sujeito que ocupa o cargo de treinador do clube e só é famoso e bem remunerado porque é treinador daquele clube, que oferece a ele as condições de trabalhar e ser reconhecido por isso, através de sua capacidade. O técnico não é dono do time, muito menos do clube.
Para um clube que faz questão de valorizar e divulgar sua fama de moderno e organizado, o São Paulo deveria mostrar a Muricy Ramalho que a ordem das coisas é um pouco diferente do que aparece creditado pela imprensa. É o treinador do São Paulo, Muricy Ramalho. Não Muricy Ramalho, o treinador do São Paulo. Pega mal para a imagem da instituição.
LUTO NO BASQUETE
Duas mortes abalaram o mundo do basquete. O passado de glórias representado pelo pivô Adílson, figura importante dos anos 70 e 80, de jogos memoráveis pelas quadras do mundo. E um futuro de esperanças representado pela pivô Michelle Spliter, de apenas 19 anos. Derrotados por doenças, eles foram vitoriosos na vida difícil, de batalhas, e nas quadras.
A FALTA DE COMANDO DOS CLUBES
Repercutiu - muito e mal - o caso das patadas do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, nos jornalistas durante a entrevista coletiva após a derrota do seu time para o Santo André. Não é novidade, nem exclusividade do Muricy.
Vejo a coisa da seguinte forma: ninguém está ali para saber o que pensa o cidadão Muricy Ramalho sobre a vida, o tempo, a crise global e mesmo sua visão sobre o futebol. As pessoas se reúnem ali após os jogos para entrevistar o técnico do São Paulo Futebol Clube que calha De ser hoje Muricy Ramalho. Houve muitos outros antes e haverá muitos outros depois dele. O clube permanecerá. Como no Corinthians é o Mano Menezes, no Palmeiras o Luxemburgo, no Inter o Tite, no Fluminense o Renê Simões.
Acima dos "professores", muito acima, estão as instituições para as quais eles trabalham. O técnico de um desses clubes não dá entrevista para fulano ou cicrano, mas para os milhões de torcedores dos seus clubes. Como um ministro de Estado não fala para o jornalista de determinado veículo, mas para mim, para você, para o contribuinte, o cidadão.
Acontece que, muito por culpa de um vício recente do jornalismo esportivo, os treinadores viraram celebridades. Falam mais do que deviam e por isso, muitas vezes, falam demais por não ter nada a dizer, como cantou um dia Renato Russo. Viraram estrelas de primeira grandeza e gostaram disso.
Ao serem colocados num pedestal para dar suas entrevistas enfadonhas e repetitivas (recheadas de perguntas enfadonhas e repetitivas) eles se sentem naturalmente superiores e se acham no direito de distribuir coices a torto e a direito. Alguns o fazem como teste. Luxemburgo, por exemplo, apenas repete o bate e assopra que foi eternizado pelo mestre Oswaldo Brandão. Primeiro uma patada para saber se o repórter pipocava ou não. Depois, um afago.
Mano Menezes é, atualmente, um dos mais educados entre os treinadores, assim como Renê Simões e Caio Jr. Ambos pensam antes de responder, até polemizam, mas com critério.
Muricy - e falo isso porque gosto dele e de seu trabalho e me dou bem com ele - é mais pavio curto, menos sofisticado. A embalagem pode ser vendida com autenticidade, mas o resultado acaba sendo falta de educação mesmo, em muitas situações.
O que ele e outros não entendem é que seria muito mais complicado se os clubes resolvessem, por hipótese, adotar a via direta de comunicação. Em vez de atender aos jornalistas, os treinadores todos os dias receberiam os torcedores para responder aos seus questionamentos. Por que é o torcedor do São Paulo que quer saber - e tem direito - qual será a nova dupla de ataque do time.
Isso tudo acontece porque as diretorias dos clubes são ausentes, na maioria dos casos. Porque as grosserias e patadas acontecem com os distintivos dos clubes e as marcas de seus patrocinadores como pano de fundo. Ou até nos bonés e camisetas. Quem está sendo indelicado é o sujeito que ocupa o cargo de treinador do clube e só é famoso e bem remunerado porque é treinador daquele clube, que oferece a ele as condições de trabalhar e ser reconhecido por isso, através de sua capacidade. O técnico não é dono do time, muito menos do clube.
Para um clube que faz questão de valorizar e divulgar sua fama de moderno e organizado, o São Paulo deveria mostrar a Muricy Ramalho que a ordem das coisas é um pouco diferente do que aparece creditado pela imprensa. É o treinador do São Paulo, Muricy Ramalho. Não Muricy Ramalho, o treinador do São Paulo. Pega mal para a imagem da instituição.
LUTO NO BASQUETE
Duas mortes abalaram o mundo do basquete. O passado de glórias representado pelo pivô Adílson, figura importante dos anos 70 e 80, de jogos memoráveis pelas quadras do mundo. E um futuro de esperanças representado pela pivô Michelle Spliter, de apenas 19 anos. Derrotados por doenças, eles foram vitoriosos na vida difícil, de batalhas, e nas quadras.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
SOLIDARIEDADE BRASILEIRA
COM O BRASIL DE PELOTAS
Tenho uma modesta coleção de camisas de times de futebol. Gosto das menos óbvias. Duas das mais bonitas são uma preta da Áustria e uma vermelha da Suíça. Tenho especial apreço por uma que ganhei do presidente do São José de Porto Alegre, o simpático Zequinha. Outra do Noroeste de Bauru. Estou tentando comprar uma do Brasil de Pelotas, porque peguei ainda mais simpatia por esse clube vendo a reação solidária de sua fanática torcida à tragédia que vitimou o clube recentemente. Vejo que o torcedor brasileiro está solidário com o Brasil. Não consigo achar uma camisa do Brasil em lojas pela Internet. Tudo esgotado.
Não importa o tamanho do time, gosto das torcidas que adotam suas camisas. Não das torcidas que só aparecem em dia de final, em época de glória. Torcedor, citando ao contrário o que o Nélson Rodrigues disse para irritar o Otto Lara Resende, tem que ser solidário até no câncer.
COM O BRASIL DE PELOTAS
Tenho uma modesta coleção de camisas de times de futebol. Gosto das menos óbvias. Duas das mais bonitas são uma preta da Áustria e uma vermelha da Suíça. Tenho especial apreço por uma que ganhei do presidente do São José de Porto Alegre, o simpático Zequinha. Outra do Noroeste de Bauru. Estou tentando comprar uma do Brasil de Pelotas, porque peguei ainda mais simpatia por esse clube vendo a reação solidária de sua fanática torcida à tragédia que vitimou o clube recentemente. Vejo que o torcedor brasileiro está solidário com o Brasil. Não consigo achar uma camisa do Brasil em lojas pela Internet. Tudo esgotado.
Não importa o tamanho do time, gosto das torcidas que adotam suas camisas. Não das torcidas que só aparecem em dia de final, em época de glória. Torcedor, citando ao contrário o que o Nélson Rodrigues disse para irritar o Otto Lara Resende, tem que ser solidário até no câncer.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
A MAGIA DOS CAMPEÕES
MUNDIAIS DE BASQUETE

Foi, seguramente, uma das mais emocionantes e gratificantes jornadas de minha carreira como jornalista. Sábado, 31 de janeiro, em Brasília, apresentei o programa especial que o SporTV preparou para homenagear os campeões mundiais de basquete de 1959. Uma geração espetacular, que colocou o Brasil sempre entre os melhores do mundo de 1954 até 1970 e preparou o terreno para as gerações posteriores.
Estiveram em Brasília Wlamir Marques, Waldir Boccardo, Pecente, Jathyr e Edison Bispo.
Além de Saulo Souza, filho do inesquecível Carmo de Souza, o Rosa Branca. Amaury Passos não foi. Incrível como 50 anos depois os jogadores ainda vivos mantêm espírito jovial e se tratam como se ainda fossem atletas.
Destaco o desabafo de Wlamir Marques, um dos maiores de todos os tempos, citando as rivalidades bobocas e as tentativas infrutíferas de diminuir o valor de uma conquista histórica e inesquecível.
Na foto, da esquerda para a direita, estão Saulo, eu, Wlamir, o amigo Rodrigo Alves, profundo conhecedor de basquete do Globoesporte.com, Waldir, Edison Bispo e Pecente. Jathyr não aparece na foto.
RONALDO, ROBINHO E
A TENTAÇÃO DA BOLA
Chocante a foto publica pela revista Veja desta semana, em matéria sobre os meninos farristas do futebol. Ronaldo aparece com a cabeça entrelaçada por um par de pernas femininas numa boate paulistana. Talvez de melhor estilo, mas de reputação duvidosa como aquela frequentada por Robinho em Leeds.
Cada um faz da sua vida o que bem entende, não estou aqui para julgar ou criticar. Acontece que jogadores de futebol e quase todas as pessoas que circulam por esse meio acham que estão acima do bem e do mal e do andar normal das carruagens. O jogador de futebol padrão acha que as regras para ele não existem e que o fato de portar uma chuteira e uma camisa de prestígio dá entrada vip para qualquer coisa na vida. Entendem que todas as mulheres querem sair com eles e que são importantes para qualquer segmento. Ainda que exista uma legião de oportunistas prontas para vender o útero pensando em uma polpuda aposentadoria, algumas podem não sentir nada por um boleiro. E tem muita gente que não liga a mínima pra futebol.
E o boleiro com alguns neurônios deveria perceber que na maioria das vezes o que essas moças querem é fazer um filho com ele e viver de renda. Mas a história é antiga e talvez não tenha solução jamais. Porque atrás de um boleiro com dinheiro no bolso sempre haverá um cordão de puxa-sacos para carregar sacolas, atender telefones, pedir dinheiro emprestado, tocar um pagode e, claro, uma oportunista pronta a encomendar uma aposentadoria integral que demora nove meses para chegar.
A TENTAÇÃO DA BOLA
Chocante a foto publica pela revista Veja desta semana, em matéria sobre os meninos farristas do futebol. Ronaldo aparece com a cabeça entrelaçada por um par de pernas femininas numa boate paulistana. Talvez de melhor estilo, mas de reputação duvidosa como aquela frequentada por Robinho em Leeds.
Cada um faz da sua vida o que bem entende, não estou aqui para julgar ou criticar. Acontece que jogadores de futebol e quase todas as pessoas que circulam por esse meio acham que estão acima do bem e do mal e do andar normal das carruagens. O jogador de futebol padrão acha que as regras para ele não existem e que o fato de portar uma chuteira e uma camisa de prestígio dá entrada vip para qualquer coisa na vida. Entendem que todas as mulheres querem sair com eles e que são importantes para qualquer segmento. Ainda que exista uma legião de oportunistas prontas para vender o útero pensando em uma polpuda aposentadoria, algumas podem não sentir nada por um boleiro. E tem muita gente que não liga a mínima pra futebol.
E o boleiro com alguns neurônios deveria perceber que na maioria das vezes o que essas moças querem é fazer um filho com ele e viver de renda. Mas a história é antiga e talvez não tenha solução jamais. Porque atrás de um boleiro com dinheiro no bolso sempre haverá um cordão de puxa-sacos para carregar sacolas, atender telefones, pedir dinheiro emprestado, tocar um pagode e, claro, uma oportunista pronta a encomendar uma aposentadoria integral que demora nove meses para chegar.
PAULISTÃO PRECISA DE RECICLAGEM
Sou caipira com orgulho e aprendi a gostar de futebol através do Campeonato Paulista. Mas contra fatos não há argumentos. O modelo atual do campeonato, com 20 clubes, está esgotado. Não tem sustentação econômica e futebolística. Qualquer devaneio de grandeza até de um paulista de família quatrocentona dura uma fração de segundo se confrontado com a realidade. É impossível fazer um campeonato estadual com 20 times. Com algum esforço talvez houvesse 12 times em condições de disputar esse torneio, analisando tecnicamente.
O que ocorre com 20 times? O Paulistão começa muito antes do que deveria e atropela a pré-temporada dos principais clubes, que são aqueles que disputam as Séries A e B do Brasileiro. Com duas semanas de treino, as vezes com menos, os times entram na ciranda de jogos a cada 48 horas, o que impede que os treinamentos sejam bem realizados. Quando os times começam a entrar nos eixos, unindo desempenho físico e técnico, o campeonato acaba.
Acho que nunca se deve renegar o passado e esquecer as raízes. Os grandes paulistas são o que são por causa do campeonato estadual. As rivalidades nasceram e viscejaram (bonito isso!) ali. Só que o mundo muda e não há politica que resista aos fatos. Com esse modelo, o Campeonato Paulista não se sustenta por muito tempo.
O excelente comentarista Paulo Calçade escreveu algo sobre isso em sua coluna de estréia no Estadão de hoje.
Bola rolando, o torneio é de poucas surpresas em quatro rodadas. Dos pequenos, Barueri, São Caetano, Santo André e Mirassol mostraram alguma qualidade. De resto, os grandes estão alguns degraus acima. Entre os grandes, se destacam Palmeiras e Corinthians. O Palmeiras pelo raro e rápido entrosamento mostrado por um time jovem e veloz. E o Corinthians pela boa base que veio de 2008, somada a contratações que chegaram mostrando serviço. O São Paulo ainda está em ritmo de pré-temporada e, assim como no ano passado, tenta se moldar a um estilo de jogador (era Adriano, agora é Washington). Parece que a lógica de jogadores que se moldam ao estilo do time deve prevalecer novamente pelos lados do Morumbi. Senão o Muricy ainda vai soltar um palavrão daqueles em plena coletiva. O Santos se mostrou algo preguiçoso contra o Ituano, apesar da trave no meio do caminho. E com Fabão e Adaílton na zaga fica complicado.
Sou caipira com orgulho e aprendi a gostar de futebol através do Campeonato Paulista. Mas contra fatos não há argumentos. O modelo atual do campeonato, com 20 clubes, está esgotado. Não tem sustentação econômica e futebolística. Qualquer devaneio de grandeza até de um paulista de família quatrocentona dura uma fração de segundo se confrontado com a realidade. É impossível fazer um campeonato estadual com 20 times. Com algum esforço talvez houvesse 12 times em condições de disputar esse torneio, analisando tecnicamente.
O que ocorre com 20 times? O Paulistão começa muito antes do que deveria e atropela a pré-temporada dos principais clubes, que são aqueles que disputam as Séries A e B do Brasileiro. Com duas semanas de treino, as vezes com menos, os times entram na ciranda de jogos a cada 48 horas, o que impede que os treinamentos sejam bem realizados. Quando os times começam a entrar nos eixos, unindo desempenho físico e técnico, o campeonato acaba.
Acho que nunca se deve renegar o passado e esquecer as raízes. Os grandes paulistas são o que são por causa do campeonato estadual. As rivalidades nasceram e viscejaram (bonito isso!) ali. Só que o mundo muda e não há politica que resista aos fatos. Com esse modelo, o Campeonato Paulista não se sustenta por muito tempo.
O excelente comentarista Paulo Calçade escreveu algo sobre isso em sua coluna de estréia no Estadão de hoje.
Bola rolando, o torneio é de poucas surpresas em quatro rodadas. Dos pequenos, Barueri, São Caetano, Santo André e Mirassol mostraram alguma qualidade. De resto, os grandes estão alguns degraus acima. Entre os grandes, se destacam Palmeiras e Corinthians. O Palmeiras pelo raro e rápido entrosamento mostrado por um time jovem e veloz. E o Corinthians pela boa base que veio de 2008, somada a contratações que chegaram mostrando serviço. O São Paulo ainda está em ritmo de pré-temporada e, assim como no ano passado, tenta se moldar a um estilo de jogador (era Adriano, agora é Washington). Parece que a lógica de jogadores que se moldam ao estilo do time deve prevalecer novamente pelos lados do Morumbi. Senão o Muricy ainda vai soltar um palavrão daqueles em plena coletiva. O Santos se mostrou algo preguiçoso contra o Ituano, apesar da trave no meio do caminho. E com Fabão e Adaílton na zaga fica complicado.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
JOGAR NA ALTITUDE É UM DIREITO
DE QUEM NASCEU E VIVE LÁ NO ALTO
O Palmeiras atropelou o Potosí e praticamente garantiu sua passagem à fase de grupos da Libertadores. Terá que enfrentar os temíveis 4 mil metros de Potosí no jogo de volta. O que reanima a discussão sobre a realização de jogos em cidades que fiquem acima de 2,5 mil metros do nível do mar. Eu defendo o direito que os povos e times dessas cidades têm de jogar futebol. Pelo princípio da universalidade do jogo, que faz do futebol o esporte mais popular do mundo. Não se pode simplesmente impedir que se jogue futebol em Potosí, na Cidade do México, em Oruro ou La Paz ou Quito. Opinião pessoal, que busco avalizar com pesquisas e citando artigos científicos.
Como, por exemplo, uma pesquisa citada pelo jornal boliviano La Razón, em junho de 2007. O estudo, chamado "La Pelota No Dobla: Altitud y Resultados en el Fútbol Sudamericano, é de autoria de três economistas do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Fidel Jaramillo (equatoriano), Carlos Scartascini (argentino) e Gabriela Andrade (equatoriana). Entre 1996 e 2006 os economistas analisaram os resultados de 252 partidas realizadas pelas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo. De acordo com o que pesquisaram, obtiveram os seguintes números:
- 59 partidas foram realizadas em cidades situadas em grandes altitudes.
- destas, 33 foram vencidas pelas equipes locais, aproveitamento de 56%
- o percentual de aproveitamento das equipes que jogam em cidades situadas em locais em que a altitude não interfere no desempenho atlético foi de 57%.
A pesquisa também cita o caso do Equador. A seleção nacional equatoriana manda a maioria de seus jogos na altitude de Quito. Como mandante, o Equador tem aproveitamento de 73% e fica em quarto lugar na média de aproveitamento, à frente de países como Uruguai, Colômbia e Chile. Como visitante, sem o apoio da altitude, o Equador ocupa o quinto lugar em aproveitamento, apenas uma posição atrás. Ou seja: importa mais a qualidade do futebol do que a altitude.
Também há um estudo na Universidade de Oxford que aponta perda e ganho de desempenho na altitude em jogos de futebol. Segundo o estudo, feito com base em 1.460 jogos do arquivo da Fifa num período de 100 anos, um time baseado em grandes altitudes vê suas possibilidades de vitória subirem de 53% para 82% quando recebe uma equipe que costuma jogar ao nível do mar.
Outro artigo, que já citei anteriormente aqui no blog, foi publicado pelo jornal El Deber. O médico Jorge Flores Aguillera, que estuda o tema da altitude no futebol há décadas, cita argumentos para derrubar a tese da proibição de jogos no topo do mundo. A conclusão básica da pesquisa de Aguillera é de que a altitude não afeta a saúde e, sim, os resultados. Eu, que não sou cientista, acredito que jogar às 15 horas em Manaus ou numa tarde ensolarada de fevereiro no Rio de Janeiro também afeta os resultados e pode, sim, afetar a saúde.
O estudo de Aguillera aborda 2.748 partidas de futebol profissional na Bolívia, a partir de 1977. A conclusão médica foi de que não houve relatos de danos ao organismo nos aspectos respiratório, cardíaco, vascular cerebral e também no que se refere a desidratação. Sobre os prejuízos no desempenho físico, estão citados no estudo os seguintes:
- diminuição da capacidade aeróbica (resistência) e, principalmente, anaeróbica (reação, velocidade)
- aumento da frequência cardíaca
- acumulação de lactato, que provoca alcalose respiratória (A alcalose respiratória é uma situação em que o sangue é alcalino devido a que a respiração rápida ou profunda tem como resultado uma baixa concentração de anidrido carbónico no sangue. Uma respiração rápida e profunda, também chamada hiperventilação, provoca uma eliminação excessiva de anidrido carbónico do sangue. A causa mais frequente de hiperventilação, e portanto de alcalose respiratória, é a ansiedade. As outras causas de alcalose respiratória são a dor, a cirrose hepática, baixos valores de oxigénio no sangue, febre e sobredose de aspirina).
A conclusão final do estudo é que se pode jogar na altitude, desde que com uma adequada preparação física, sociológica e técnica.
Os debates seguirão. Eu acho que o correto seria dar mais tempo de preparação para equipes que precisam jogar em grandes altitudes, adaptando o calendário. Nada de outro mundo, mas que interfere em questões políticas e comerciais que são, em última análise, o que realmente faz girar o mundo da bola.
DE QUEM NASCEU E VIVE LÁ NO ALTO
O Palmeiras atropelou o Potosí e praticamente garantiu sua passagem à fase de grupos da Libertadores. Terá que enfrentar os temíveis 4 mil metros de Potosí no jogo de volta. O que reanima a discussão sobre a realização de jogos em cidades que fiquem acima de 2,5 mil metros do nível do mar. Eu defendo o direito que os povos e times dessas cidades têm de jogar futebol. Pelo princípio da universalidade do jogo, que faz do futebol o esporte mais popular do mundo. Não se pode simplesmente impedir que se jogue futebol em Potosí, na Cidade do México, em Oruro ou La Paz ou Quito. Opinião pessoal, que busco avalizar com pesquisas e citando artigos científicos.
Como, por exemplo, uma pesquisa citada pelo jornal boliviano La Razón, em junho de 2007. O estudo, chamado "La Pelota No Dobla: Altitud y Resultados en el Fútbol Sudamericano, é de autoria de três economistas do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Fidel Jaramillo (equatoriano), Carlos Scartascini (argentino) e Gabriela Andrade (equatoriana). Entre 1996 e 2006 os economistas analisaram os resultados de 252 partidas realizadas pelas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo. De acordo com o que pesquisaram, obtiveram os seguintes números:
- 59 partidas foram realizadas em cidades situadas em grandes altitudes.
- destas, 33 foram vencidas pelas equipes locais, aproveitamento de 56%
- o percentual de aproveitamento das equipes que jogam em cidades situadas em locais em que a altitude não interfere no desempenho atlético foi de 57%.
A pesquisa também cita o caso do Equador. A seleção nacional equatoriana manda a maioria de seus jogos na altitude de Quito. Como mandante, o Equador tem aproveitamento de 73% e fica em quarto lugar na média de aproveitamento, à frente de países como Uruguai, Colômbia e Chile. Como visitante, sem o apoio da altitude, o Equador ocupa o quinto lugar em aproveitamento, apenas uma posição atrás. Ou seja: importa mais a qualidade do futebol do que a altitude.
Também há um estudo na Universidade de Oxford que aponta perda e ganho de desempenho na altitude em jogos de futebol. Segundo o estudo, feito com base em 1.460 jogos do arquivo da Fifa num período de 100 anos, um time baseado em grandes altitudes vê suas possibilidades de vitória subirem de 53% para 82% quando recebe uma equipe que costuma jogar ao nível do mar.
Outro artigo, que já citei anteriormente aqui no blog, foi publicado pelo jornal El Deber. O médico Jorge Flores Aguillera, que estuda o tema da altitude no futebol há décadas, cita argumentos para derrubar a tese da proibição de jogos no topo do mundo. A conclusão básica da pesquisa de Aguillera é de que a altitude não afeta a saúde e, sim, os resultados. Eu, que não sou cientista, acredito que jogar às 15 horas em Manaus ou numa tarde ensolarada de fevereiro no Rio de Janeiro também afeta os resultados e pode, sim, afetar a saúde.
O estudo de Aguillera aborda 2.748 partidas de futebol profissional na Bolívia, a partir de 1977. A conclusão médica foi de que não houve relatos de danos ao organismo nos aspectos respiratório, cardíaco, vascular cerebral e também no que se refere a desidratação. Sobre os prejuízos no desempenho físico, estão citados no estudo os seguintes:
- diminuição da capacidade aeróbica (resistência) e, principalmente, anaeróbica (reação, velocidade)
- aumento da frequência cardíaca
- acumulação de lactato, que provoca alcalose respiratória (A alcalose respiratória é uma situação em que o sangue é alcalino devido a que a respiração rápida ou profunda tem como resultado uma baixa concentração de anidrido carbónico no sangue. Uma respiração rápida e profunda, também chamada hiperventilação, provoca uma eliminação excessiva de anidrido carbónico do sangue. A causa mais frequente de hiperventilação, e portanto de alcalose respiratória, é a ansiedade. As outras causas de alcalose respiratória são a dor, a cirrose hepática, baixos valores de oxigénio no sangue, febre e sobredose de aspirina).
A conclusão final do estudo é que se pode jogar na altitude, desde que com uma adequada preparação física, sociológica e técnica.
Os debates seguirão. Eu acho que o correto seria dar mais tempo de preparação para equipes que precisam jogar em grandes altitudes, adaptando o calendário. Nada de outro mundo, mas que interfere em questões políticas e comerciais que são, em última análise, o que realmente faz girar o mundo da bola.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Assisti a esse filme ontem. Tocante, intrigante, provocador. Tem alguma coisa de Forrest Gump, outra de o Show de Truman, alguma mais de Em Algum Lugar do Passado. O principal é que nos faz pensar no tempo. No que fazemos com ele, em como o aproveitamos e de que maneira interagimos com as pessoas que compartilham do mesmo tempo conosco.
Para mim, uma das grandes cenas do filme é o momento em que Benjamin Button, já regredindo em sua jornada pelo tempo, na qual seu relógio anda para trás, afirma para sua amada Daisy que ele tem a sensação de haver vivido uma vida da qual não se lembra. É uma criança de 80 e poucos anos que fala isso para uma senhora de 70 e poucos, o amor de sua vida, que se dedica a cuidar de uma criança cujo invólucro rejuvenesce enquanto o interior se deterioriza a cada segundo. Essa criança é o pai de sua filha.
Enfim, um filme que faz pensar, diverte e emociona. A fotografia é memorável e a trilha sonora, belíssima.
Assisti a esse filme ontem. Tocante, intrigante, provocador. Tem alguma coisa de Forrest Gump, outra de o Show de Truman, alguma mais de Em Algum Lugar do Passado. O principal é que nos faz pensar no tempo. No que fazemos com ele, em como o aproveitamos e de que maneira interagimos com as pessoas que compartilham do mesmo tempo conosco.
Para mim, uma das grandes cenas do filme é o momento em que Benjamin Button, já regredindo em sua jornada pelo tempo, na qual seu relógio anda para trás, afirma para sua amada Daisy que ele tem a sensação de haver vivido uma vida da qual não se lembra. É uma criança de 80 e poucos anos que fala isso para uma senhora de 70 e poucos, o amor de sua vida, que se dedica a cuidar de uma criança cujo invólucro rejuvenesce enquanto o interior se deterioriza a cada segundo. Essa criança é o pai de sua filha.
Enfim, um filme que faz pensar, diverte e emociona. A fotografia é memorável e a trilha sonora, belíssima.
O CORINTHIANS E A BASE
Recebi uma simpática mensagem, que não consigo encontrar por aqui, de um leitor falando sobre um comentário que fiz no Bom Dia, São Paulo de segunda-feira. Era sobre o trabalho do Corinthians nas categorias de base, após a conquista do sétimo título na Copa São Paulo. Meu comentário foi basicamente esse: o Corinthians é, entre os grandes paulistas, o que trabalha melhor a base. Mesmo sem ter a melhor estrutura física para isso. Não apenas pelos sete títulos, mas pela quantidade de jogadores criados no clube, no extinto Terrão, que chegam ao time principal. Desde antes de Rivellino, passando por muitos outros, como Casagrande, Viola, Jô, Dentinho, Lulinha e dezenas, cujos nomes não me lembro.
Não tenho como avaliar quem trabalha melhor a base em termos nacionais. Acredito que, historica e numericamente, nenhum clube tenha revelado tantos jogadores como o Flamengo. Assim como Internacional, Cruzeiro e São Paulo também revelaram muitos jogadores. Sobre revelar, acho que há duas vertentes. A dos clubes que criam jogadores para que eles se tornem grandes jogadores do próprio clube, como o Flamengo fez com a maravilhosa geração de 1981, por exemplo. Ou até como fez o Santos lá nos anos 50, com Lula, que tinha olhos de lince para pinçar garotos como Coutinho e Pepe, por exemplo. Ou o São Paulo de Cilinho em 1985, e o Inter glorioso dos anos 70, com Falcão, Caçapava, Cláudio Duarte, todos criados na base do clube. E há equipes como o Cruzeiro que, atualmente, revela e vende muito rápido. E o Palmeiras, que sempre foi comprador, nunca revelou em quantidade suficiente e corre, agora, para tirar o atraso. Acho que me expliquei melhor.
Recebi uma simpática mensagem, que não consigo encontrar por aqui, de um leitor falando sobre um comentário que fiz no Bom Dia, São Paulo de segunda-feira. Era sobre o trabalho do Corinthians nas categorias de base, após a conquista do sétimo título na Copa São Paulo. Meu comentário foi basicamente esse: o Corinthians é, entre os grandes paulistas, o que trabalha melhor a base. Mesmo sem ter a melhor estrutura física para isso. Não apenas pelos sete títulos, mas pela quantidade de jogadores criados no clube, no extinto Terrão, que chegam ao time principal. Desde antes de Rivellino, passando por muitos outros, como Casagrande, Viola, Jô, Dentinho, Lulinha e dezenas, cujos nomes não me lembro.
Não tenho como avaliar quem trabalha melhor a base em termos nacionais. Acredito que, historica e numericamente, nenhum clube tenha revelado tantos jogadores como o Flamengo. Assim como Internacional, Cruzeiro e São Paulo também revelaram muitos jogadores. Sobre revelar, acho que há duas vertentes. A dos clubes que criam jogadores para que eles se tornem grandes jogadores do próprio clube, como o Flamengo fez com a maravilhosa geração de 1981, por exemplo. Ou até como fez o Santos lá nos anos 50, com Lula, que tinha olhos de lince para pinçar garotos como Coutinho e Pepe, por exemplo. Ou o São Paulo de Cilinho em 1985, e o Inter glorioso dos anos 70, com Falcão, Caçapava, Cláudio Duarte, todos criados na base do clube. E há equipes como o Cruzeiro que, atualmente, revela e vende muito rápido. E o Palmeiras, que sempre foi comprador, nunca revelou em quantidade suficiente e corre, agora, para tirar o atraso. Acho que me expliquei melhor.
terça-feira, janeiro 27, 2009
A IMPORTÂNCIA DA
VITÓRIA DE BELLUZZO
PARA NOSSO FUTEBOL
Há alguns meses participei do Arena Sportv, que teve como convidados o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e o Luiz Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians. Ambos falavam de uma união entre os clubes grandes para reformular o futebol brasileiro e, juntos, criarem uma nova era de cooperação e prosperidade. Ambos citaram como colaboração fundamental, se possível, a de Luiz Gonzaga Belluzzo, que era, então, diretor de planejamento do Palmeiras.
Economista respeitado em escala mundial, dirigente que reúne, como os dois citados acima, em doses exatas conhecimento e paixão pelo clube que representa, Belluzzo teve sua eleição festejada até por alguns dos rivais. Por que representa uma mudança de mentalidade em um dos gigantes do futebol brasileiro. E isso é positivo para os outros gigantes. Por que provocará reações no sentido de colaborar onde é possível e de trabalhar para que o adversário não os supere. É a lógica da competição sadia.
Com Belluzzo o Palmeiras estará mais sintonizado com as idéias de Juvêncio, Rosemberg, de Fernando Carvalho, do Inter, da nova gestão do Grêmio. Talvez até com Roberto Dinamite no Vasco e com o Flamengo, apesar de alguns tropeços da gestão de Márcio Braga. Todos esses clubes reunidos em um pensamento comum (exceção feita à competição) têm uma força descomunal. Podem propor e executar ações de marketing e propor alterações políticas de maneira conjunta.
Ninguém tem a certeza de que Belluzzo será um grande presidente. Ele, como qualquer outro, depende de resultados. Mas suas ideias representam um avanço considerável para um clube que até outro dia vivia nas trevas e era administrado como um restaurante pequeno.
É hora, por exemplo, de Palmeiras, São Paulo e Corinthians deixarem de picuinhas idiotas e unirem suas forças no que isso é possível, para melhores condições de calendários e patrocínios, por exemplo. Valorizarem suas marcas. Porque R$ 15 milhões por ano, convenhamos, é uma ninharia para a importância desses clubes, e também dos grandes do Rio, do Sul e de Minas. Ouvir isso de um economista que é reconhecido como um dos mais brilhantes do mundo faz muita diferença em torno de uma mesa de reunião.
50 ANOS DA GLÓRIA DE 1959
Sábado, às 17 horas, o SporTV fará uma homenagem aos heróis da conquista do Mundial de Basquete de 1959. Terei a honra e o prazer de conduzir uma mesa redonda com alguns desses monstros sagrados, como Amaury Passos, Wlamir Marques, Jatyr Schall, Édson Bispo. Nunca vi nenhum deles jogar, mas aprendi a admirá-los ouvindo os relatos de meu querido pai e mestre, Luiz Noriega, que narrou muitas exibições deles e é grande amigo de vários. Será uma jornada emocionante, para lembrar os tempos de glória do nosso basquete. Uma geração que foi vice-campeã mundial em 1954, campeã em 59 e 63 e ainda, já com mudanças, vice em 1971. Geniais.
VITÓRIA DE BELLUZZO
PARA NOSSO FUTEBOL
Há alguns meses participei do Arena Sportv, que teve como convidados o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e o Luiz Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians. Ambos falavam de uma união entre os clubes grandes para reformular o futebol brasileiro e, juntos, criarem uma nova era de cooperação e prosperidade. Ambos citaram como colaboração fundamental, se possível, a de Luiz Gonzaga Belluzzo, que era, então, diretor de planejamento do Palmeiras.
Economista respeitado em escala mundial, dirigente que reúne, como os dois citados acima, em doses exatas conhecimento e paixão pelo clube que representa, Belluzzo teve sua eleição festejada até por alguns dos rivais. Por que representa uma mudança de mentalidade em um dos gigantes do futebol brasileiro. E isso é positivo para os outros gigantes. Por que provocará reações no sentido de colaborar onde é possível e de trabalhar para que o adversário não os supere. É a lógica da competição sadia.
Com Belluzzo o Palmeiras estará mais sintonizado com as idéias de Juvêncio, Rosemberg, de Fernando Carvalho, do Inter, da nova gestão do Grêmio. Talvez até com Roberto Dinamite no Vasco e com o Flamengo, apesar de alguns tropeços da gestão de Márcio Braga. Todos esses clubes reunidos em um pensamento comum (exceção feita à competição) têm uma força descomunal. Podem propor e executar ações de marketing e propor alterações políticas de maneira conjunta.
Ninguém tem a certeza de que Belluzzo será um grande presidente. Ele, como qualquer outro, depende de resultados. Mas suas ideias representam um avanço considerável para um clube que até outro dia vivia nas trevas e era administrado como um restaurante pequeno.
É hora, por exemplo, de Palmeiras, São Paulo e Corinthians deixarem de picuinhas idiotas e unirem suas forças no que isso é possível, para melhores condições de calendários e patrocínios, por exemplo. Valorizarem suas marcas. Porque R$ 15 milhões por ano, convenhamos, é uma ninharia para a importância desses clubes, e também dos grandes do Rio, do Sul e de Minas. Ouvir isso de um economista que é reconhecido como um dos mais brilhantes do mundo faz muita diferença em torno de uma mesa de reunião.
50 ANOS DA GLÓRIA DE 1959
Sábado, às 17 horas, o SporTV fará uma homenagem aos heróis da conquista do Mundial de Basquete de 1959. Terei a honra e o prazer de conduzir uma mesa redonda com alguns desses monstros sagrados, como Amaury Passos, Wlamir Marques, Jatyr Schall, Édson Bispo. Nunca vi nenhum deles jogar, mas aprendi a admirá-los ouvindo os relatos de meu querido pai e mestre, Luiz Noriega, que narrou muitas exibições deles e é grande amigo de vários. Será uma jornada emocionante, para lembrar os tempos de glória do nosso basquete. Uma geração que foi vice-campeã mundial em 1954, campeã em 59 e 63 e ainda, já com mudanças, vice em 1971. Geniais.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
PARA CERTOS CARAS
O GOL FICA ENORME
Eles têm a chave, a senha, a palavra mágica que faz do futebol o que é. Para certos caras fazer um gol é tão simples como acordar e ir ao banheiro lavar o rosto, tocar uma campainha, fritar um ovo. Para outros é um dilema, requer manuais, fórmulas e teorias complicadas. Mas é para os artilheiros de verdade, aqueles que têm um pacto diabólico com a bola e as redes, que o gol parece ser sempre enorme, o espaço entre as duas traves é um latifúndio.
Assim é com Keirrison, com Washington, com Kléber Pereira e, porque não, com Pedrão, do Barueri. Esperemos um pouco mais para saber se Tiago Silvi, do Botafogo de Ribeirão Preto, é dessa rara estirpe. Porque em breve Ronaldo Fenômeno deve fazer lembrar a todos que esse negócio de gol sempre será com ele.
Embora já não tenha o brilho de outrora e seja um campeonato pretensioso para sua real importância, políticamente anabolizado com 20 clubes onde não cabem tanto, o Paulistão tem goleadores às pencas para renovar o gosto do povo pela arte de estufar as redes. Keirrison é veloz, esperto, sempre ligado, faz da leveza dos seus 21 anos sua grande arma. Washington é um carrasco que gosta do jogo pelo alto e não se sente descolado quando a bola desce para o gramado. Une força e técnica para finalizar e sabe ser o garçom quando faz a parede. Kléber Pereira é daqueles que quando dá um tapa e põe a bola à frente do marcador o estádio já sabe que vem gol por aí. Alguns argumentam que ele perde muitos gols, mas quem não perde?
Borges é o ator coadjuvante que, muitas vezes, acaba salvando o filme. Falta charme, mas gol também é com ele. Pedrão não tem o nome, nem a fama dos outros quatro. Está mais para um trabalhador do gol, daqueles que não pode se dar ao luxo de recusar serviço, seja em Barueri ou na Coréia do Sul. Mas o resultado é quase sempre satisfatório.
Essa turma é garantia de muito trabalho para meus colegas narradores.
TÉCNICO DE JUIZ? FAÇA-ME O FAVOR.
Grande entrevista do brilhante repórter Victorino Chermont no Tá Na Área de ontem mostrou a novidade da arbitragem no Campeonato Carioca. Criaram a figura do técnico do juiz. O Vitu entrevistou um cara que parecia saído da caserna, cheio de termos militarescos para definir sua função: ser bedel do trio de arbitragem. Ora, se esse cara vai ficar orientando durante o jogo, corrigindo posicionamento, alertando para erros, ele torna-se, de fato, um quarto ou quinto árbitro e terá interferência no andamento do jogo. Suas opiniões influenciarão o trio de arbitragem. Fico me perguntando o que disse o técnico de arbitragem ao bandeirinha Luiz Antônio Muniz de Oliveira que, grosseiramente, anulou um gol pra lá de legítimo de Victor Hugo, do Friburguense, contra o Flamengo. Esse professor já está com o cargo a perigo. Tem cada uma.
AS HORDAS SEGUEM IMPUNES
Jogo de Copa São Paulo sempre traz lembranças de como os estádios de futebol eram lugares mais calmos e seguros. No interior o ritmo ainda é outro, é possível que os torcedores assistam aos jogos misturados, num mar de camisas que são apenas adversárias, jamais inimigas. Mas ao final de um desses jogos, uma facção dessas que apavoram os estádios reuniu uma pequena turba de delinquentes para tentar agredir um único funcionário do clube em cujo estádio o jogo foi disputado. Eram uns 20, 30. O mais velho deles talvez não tivesse 20 anos. 20, 30 para bater em um. Destes, um delinquente conseguiu se infiltrar covardemente e por trás agrediu o tal funcionário, que só pode se defender atrás de uma bancada de cimento. Quando a polícia chegou, os 20, 30 que pareciam um pelotão, se transformaram em adolescentes medrosos, gritando "tio, eu não fiz nada". Fizeram, sim. E continuarão fazendo enquanto não houver medidas duras para devolver aos estádios os verdadeiros torcedores.
Numa estrada federal torcedores desceram de seus ônibus para, em vez de comemorar a vitória de seu time, apavorar motoristas e suas famílias que voltavam para casa promovendo um quebra-quebra.
Nada tenho contra quem decide formar uma torcida organizada. Tudo tenho contra quem é bandido e se esconde atrás dessas torcidas. Enquanto isso, os clubes permitem que eles agridam, até matem, ostentando os distintivos das agremiações em suas camisas.
O passado nostálgico virou presente trágico até num simples jogo de Copa São Paulo no outrora pacato interior.
A COTAÇÃO DO CRUZEIRO
Recebo uma pergunta sobre o Cruzeiro. Taí um belo time. Gosto do estilo de jogo, da proposta do Adílson, que o Felipão já tinha dito, lá atrás, que seria um bom treinador. Guilherme e Ramires são duas feras. Talvez a defesa ainda seja um pouco reticente e falte ao time, como um todo, aquela faísca que propague o incêndio em jogos decisivos. Mas tem tudo para fazer uma ótima Libertadores.
O GOL FICA ENORME
Eles têm a chave, a senha, a palavra mágica que faz do futebol o que é. Para certos caras fazer um gol é tão simples como acordar e ir ao banheiro lavar o rosto, tocar uma campainha, fritar um ovo. Para outros é um dilema, requer manuais, fórmulas e teorias complicadas. Mas é para os artilheiros de verdade, aqueles que têm um pacto diabólico com a bola e as redes, que o gol parece ser sempre enorme, o espaço entre as duas traves é um latifúndio.
Assim é com Keirrison, com Washington, com Kléber Pereira e, porque não, com Pedrão, do Barueri. Esperemos um pouco mais para saber se Tiago Silvi, do Botafogo de Ribeirão Preto, é dessa rara estirpe. Porque em breve Ronaldo Fenômeno deve fazer lembrar a todos que esse negócio de gol sempre será com ele.
Embora já não tenha o brilho de outrora e seja um campeonato pretensioso para sua real importância, políticamente anabolizado com 20 clubes onde não cabem tanto, o Paulistão tem goleadores às pencas para renovar o gosto do povo pela arte de estufar as redes. Keirrison é veloz, esperto, sempre ligado, faz da leveza dos seus 21 anos sua grande arma. Washington é um carrasco que gosta do jogo pelo alto e não se sente descolado quando a bola desce para o gramado. Une força e técnica para finalizar e sabe ser o garçom quando faz a parede. Kléber Pereira é daqueles que quando dá um tapa e põe a bola à frente do marcador o estádio já sabe que vem gol por aí. Alguns argumentam que ele perde muitos gols, mas quem não perde?
Borges é o ator coadjuvante que, muitas vezes, acaba salvando o filme. Falta charme, mas gol também é com ele. Pedrão não tem o nome, nem a fama dos outros quatro. Está mais para um trabalhador do gol, daqueles que não pode se dar ao luxo de recusar serviço, seja em Barueri ou na Coréia do Sul. Mas o resultado é quase sempre satisfatório.
Essa turma é garantia de muito trabalho para meus colegas narradores.
TÉCNICO DE JUIZ? FAÇA-ME O FAVOR.
Grande entrevista do brilhante repórter Victorino Chermont no Tá Na Área de ontem mostrou a novidade da arbitragem no Campeonato Carioca. Criaram a figura do técnico do juiz. O Vitu entrevistou um cara que parecia saído da caserna, cheio de termos militarescos para definir sua função: ser bedel do trio de arbitragem. Ora, se esse cara vai ficar orientando durante o jogo, corrigindo posicionamento, alertando para erros, ele torna-se, de fato, um quarto ou quinto árbitro e terá interferência no andamento do jogo. Suas opiniões influenciarão o trio de arbitragem. Fico me perguntando o que disse o técnico de arbitragem ao bandeirinha Luiz Antônio Muniz de Oliveira que, grosseiramente, anulou um gol pra lá de legítimo de Victor Hugo, do Friburguense, contra o Flamengo. Esse professor já está com o cargo a perigo. Tem cada uma.
AS HORDAS SEGUEM IMPUNES
Jogo de Copa São Paulo sempre traz lembranças de como os estádios de futebol eram lugares mais calmos e seguros. No interior o ritmo ainda é outro, é possível que os torcedores assistam aos jogos misturados, num mar de camisas que são apenas adversárias, jamais inimigas. Mas ao final de um desses jogos, uma facção dessas que apavoram os estádios reuniu uma pequena turba de delinquentes para tentar agredir um único funcionário do clube em cujo estádio o jogo foi disputado. Eram uns 20, 30. O mais velho deles talvez não tivesse 20 anos. 20, 30 para bater em um. Destes, um delinquente conseguiu se infiltrar covardemente e por trás agrediu o tal funcionário, que só pode se defender atrás de uma bancada de cimento. Quando a polícia chegou, os 20, 30 que pareciam um pelotão, se transformaram em adolescentes medrosos, gritando "tio, eu não fiz nada". Fizeram, sim. E continuarão fazendo enquanto não houver medidas duras para devolver aos estádios os verdadeiros torcedores.
Numa estrada federal torcedores desceram de seus ônibus para, em vez de comemorar a vitória de seu time, apavorar motoristas e suas famílias que voltavam para casa promovendo um quebra-quebra.
Nada tenho contra quem decide formar uma torcida organizada. Tudo tenho contra quem é bandido e se esconde atrás dessas torcidas. Enquanto isso, os clubes permitem que eles agridam, até matem, ostentando os distintivos das agremiações em suas camisas.
O passado nostálgico virou presente trágico até num simples jogo de Copa São Paulo no outrora pacato interior.
A COTAÇÃO DO CRUZEIRO
Recebo uma pergunta sobre o Cruzeiro. Taí um belo time. Gosto do estilo de jogo, da proposta do Adílson, que o Felipão já tinha dito, lá atrás, que seria um bom treinador. Guilherme e Ramires são duas feras. Talvez a defesa ainda seja um pouco reticente e falte ao time, como um todo, aquela faísca que propague o incêndio em jogos decisivos. Mas tem tudo para fazer uma ótima Libertadores.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
BOLA ROLANDO
NO PAULISTÃO
Comentei dois jogos do Paulista até agora. A vitória do Palmeiras sobre o Santo André e o empate entre Corinthians e Barueri. Vi os melhores momentos do empate do São Paulo e trechos da derrota da Lusa para o Guarani. Não vi Santos x Guará.
Nada pode ser dito em termos mais abrangentes por apenas um jogo. Palmeiras e Santo André foi muito eequilibrado e qualquer resultado poderia ter acontecido. O Palmeiras criou boas oportunidades, o Santo André mandou duas bolas na trave. Para os palmeirenses a boa notícia foi a desenvoltura de Cleiton Xavier.
O São Paulo empatou mas poderia ter vencido fácil. Nada que abale o time, cujo planejamento visa a Libertadores. Lusa e Guarani poderia ter acabado em empate. A Portuguesa já começou o ano trocando de técnico, repetindo os erros que redundaram no rebaixamento para a Série B. Parecem não aprender as lições. Trocar Estevam Soares por Mário Sérgio não quer dizer, atualmente, absolutamente coisa alguma.
Corinthians e Barueri foi um grande jogo. O time do Barueri é bem montado, tem jogadores experientes e boas revelações. Não está para brincadeira e sua história mostra isso. O Corinthians perdeu a criação com Douglas bem marcado e aceitando a marcação. Sobrou vontade e faltou inspiração. Os dois times tiveram chances para matar o jogo e pararam em grandes defesas dos goleiros.
Eu achei que os dois pênaltis marcados existiram. O do Chicão foi claríssimo para mim, ele foi precipitado na jogada. Assim como o Ralph levantou o pé e acertou o ombro do William, que levava vantagem na jogada. Tem gente que achou que nenhum pênalti foi, alguns acham que o do Chicão não houve e o do Ralph foi marcado corretamente, outros mais pensam que as duas penalidades aconteceram. Questão de opinião e todas merecem respeito. O que valeu foi o jogo, vibrante, emocionante, bem jogado.
RECADO AO RAFAEL MACHADO
Sua mensagem foi publicada, como todas as bem escritas e sem maldades ou xingamentos são. O que eu acho cômico é quem não consegue respeitar a opinião dos outros e sempre acha que uma coisa não fica bem porque vive suspeitando de tudo e de todos. Muda alguma coisa na cotação do dólar se eu achei uma coisa e você outra? Só nossas opiniões valem? Eu estou sempre errado e você sempre certo? Velho, assim não vale a pena debater, não tem graça. Volte sempre, mas de espírito desarmado. Abração.
NO PAULISTÃO
Comentei dois jogos do Paulista até agora. A vitória do Palmeiras sobre o Santo André e o empate entre Corinthians e Barueri. Vi os melhores momentos do empate do São Paulo e trechos da derrota da Lusa para o Guarani. Não vi Santos x Guará.
Nada pode ser dito em termos mais abrangentes por apenas um jogo. Palmeiras e Santo André foi muito eequilibrado e qualquer resultado poderia ter acontecido. O Palmeiras criou boas oportunidades, o Santo André mandou duas bolas na trave. Para os palmeirenses a boa notícia foi a desenvoltura de Cleiton Xavier.
O São Paulo empatou mas poderia ter vencido fácil. Nada que abale o time, cujo planejamento visa a Libertadores. Lusa e Guarani poderia ter acabado em empate. A Portuguesa já começou o ano trocando de técnico, repetindo os erros que redundaram no rebaixamento para a Série B. Parecem não aprender as lições. Trocar Estevam Soares por Mário Sérgio não quer dizer, atualmente, absolutamente coisa alguma.
Corinthians e Barueri foi um grande jogo. O time do Barueri é bem montado, tem jogadores experientes e boas revelações. Não está para brincadeira e sua história mostra isso. O Corinthians perdeu a criação com Douglas bem marcado e aceitando a marcação. Sobrou vontade e faltou inspiração. Os dois times tiveram chances para matar o jogo e pararam em grandes defesas dos goleiros.
Eu achei que os dois pênaltis marcados existiram. O do Chicão foi claríssimo para mim, ele foi precipitado na jogada. Assim como o Ralph levantou o pé e acertou o ombro do William, que levava vantagem na jogada. Tem gente que achou que nenhum pênalti foi, alguns acham que o do Chicão não houve e o do Ralph foi marcado corretamente, outros mais pensam que as duas penalidades aconteceram. Questão de opinião e todas merecem respeito. O que valeu foi o jogo, vibrante, emocionante, bem jogado.
RECADO AO RAFAEL MACHADO
Sua mensagem foi publicada, como todas as bem escritas e sem maldades ou xingamentos são. O que eu acho cômico é quem não consegue respeitar a opinião dos outros e sempre acha que uma coisa não fica bem porque vive suspeitando de tudo e de todos. Muda alguma coisa na cotação do dólar se eu achei uma coisa e você outra? Só nossas opiniões valem? Eu estou sempre errado e você sempre certo? Velho, assim não vale a pena debater, não tem graça. Volte sempre, mas de espírito desarmado. Abração.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
FRED E O (ATÉ QUANDO?)
ELDORADO DA EUROPA
Em meio ao zumzum das fofocas e informações desencontradas, o Arena SporTV desta quarta-feira, com a apresentação sempre precisa e elegante de Milton Leite, trouxe uma esclarecedora entrevista do atacante Fred. Citado como sonho de clubes brasileiros, entre eles Palmeiras e Fluminense, Fred foi de uma sinceridade rara. Não fez média e deixou claro que seu projeto de vida é continuar na Europa enquanto ainda tem mercado por lá. Assim que se esclarecem dúvidas e se estouram balões de ensaio: com bom jornalismo e boas entrevistas.
Fred faz gols às pencas e sabe que isso o valoriza no mercado europeu. Resta saber até quando o Velho Continente se sustentará como o Eldorado do futebol. A insolvência financeira vai bater às portas dos clubes europeus e aqueles que não tiverem mecenas do tipo bilionário russo ou magnata italiano das comunicações terão sérios problemas.
GANÂNCIA PODE ATRAPALHAR O CORINTHIANS
Por aqui, onde o dinheiro nunca jorrou de fontes assim tão abastadas e o crédito anda apertado, eu me pergunto como os clubes vão se virar. Os dirigentes reconhecem que pagam mais do que podem para não perder um jogador. Vejamos o caso do Corinthians. Excelente estratégia de marketing, ousadia para contratar Ronaldo e o desejo, legítimo, de lucrar com isso. Agora, me parece absurdo cobrar R$ 150,00 por um ingresso de numerada para jogos do Campeonato Paulista. E sem Ronaldo. Uma família de quatro pessoas pagaria, portanto, R$ 600,00 só para entrar no estádio. A realidade tromba com o sonho pelo simples fato de o Corinthians, mesmo tendo sido preciso e ágil no marketing, não ter conseguido ainda um patrocinador para sua valorizada camisa. Não adianta, na era do aperto, sonhar com cifras milionárias. Muito menos tentar encaixar valores e propostas de Primeiro Mundo em bolsos do Terceiro.
BOLA ROLANDO
Estive em Ribeirão Preto para comentar Santo André e Palmeiras pelo PFC. Jogo divertido. Longe ainda do ideal, o Verdão teve Cleiton Xavier como destaque. Williams será muito útil, assim como Marquinhos. Com Keirrison e Armero o time ganhará corpo e mais velocidade. Resta saber a condição física de Edmílson e o momento de Diego Souza. Mas certamente será um Palmeiras muito competitivo.
No Morumbi, o São Paulo foi muito superior e perdeu grandes chances de vencer o Ituano. O empate não muda nada. O Tricolor segue forte e vai crescer muito até a estréia na Libertadores.
A Lusa não jogou mal contra o Guarani, mas segue pecando demais nas finalizações. Hoje estreiam Corinthians e Santos.
CRAQUES E LEMBRANÇAS DO PASSADO
Tive a alegria de encontrar dois craques do passado no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Juninho Fonseca, ex-zagueiro de Corinthians, Ponte e Seleção Brasileira, e Mauricinho, arisco ponta que brilhou no Comercial, no Vasco. Duas figuras simpáticas, humildes e alegres. Juninho assumiu o futebol da Francana, do interior paulista, e Mauricinho cuida do Votoraty. Boa sorte a ambos. Também vi no aeroporto e no vôo até Ribeirão o craque do basquete Dodi, Washington Joseph, ex-Sírio e Seleção Brasileira. Boas lembranças do tempo de garoto, quando aprendia a admirar o esporte e os grandes atletas.
ELDORADO DA EUROPA
Em meio ao zumzum das fofocas e informações desencontradas, o Arena SporTV desta quarta-feira, com a apresentação sempre precisa e elegante de Milton Leite, trouxe uma esclarecedora entrevista do atacante Fred. Citado como sonho de clubes brasileiros, entre eles Palmeiras e Fluminense, Fred foi de uma sinceridade rara. Não fez média e deixou claro que seu projeto de vida é continuar na Europa enquanto ainda tem mercado por lá. Assim que se esclarecem dúvidas e se estouram balões de ensaio: com bom jornalismo e boas entrevistas.
Fred faz gols às pencas e sabe que isso o valoriza no mercado europeu. Resta saber até quando o Velho Continente se sustentará como o Eldorado do futebol. A insolvência financeira vai bater às portas dos clubes europeus e aqueles que não tiverem mecenas do tipo bilionário russo ou magnata italiano das comunicações terão sérios problemas.
GANÂNCIA PODE ATRAPALHAR O CORINTHIANS
Por aqui, onde o dinheiro nunca jorrou de fontes assim tão abastadas e o crédito anda apertado, eu me pergunto como os clubes vão se virar. Os dirigentes reconhecem que pagam mais do que podem para não perder um jogador. Vejamos o caso do Corinthians. Excelente estratégia de marketing, ousadia para contratar Ronaldo e o desejo, legítimo, de lucrar com isso. Agora, me parece absurdo cobrar R$ 150,00 por um ingresso de numerada para jogos do Campeonato Paulista. E sem Ronaldo. Uma família de quatro pessoas pagaria, portanto, R$ 600,00 só para entrar no estádio. A realidade tromba com o sonho pelo simples fato de o Corinthians, mesmo tendo sido preciso e ágil no marketing, não ter conseguido ainda um patrocinador para sua valorizada camisa. Não adianta, na era do aperto, sonhar com cifras milionárias. Muito menos tentar encaixar valores e propostas de Primeiro Mundo em bolsos do Terceiro.
BOLA ROLANDO
Estive em Ribeirão Preto para comentar Santo André e Palmeiras pelo PFC. Jogo divertido. Longe ainda do ideal, o Verdão teve Cleiton Xavier como destaque. Williams será muito útil, assim como Marquinhos. Com Keirrison e Armero o time ganhará corpo e mais velocidade. Resta saber a condição física de Edmílson e o momento de Diego Souza. Mas certamente será um Palmeiras muito competitivo.
No Morumbi, o São Paulo foi muito superior e perdeu grandes chances de vencer o Ituano. O empate não muda nada. O Tricolor segue forte e vai crescer muito até a estréia na Libertadores.
A Lusa não jogou mal contra o Guarani, mas segue pecando demais nas finalizações. Hoje estreiam Corinthians e Santos.
CRAQUES E LEMBRANÇAS DO PASSADO
Tive a alegria de encontrar dois craques do passado no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Juninho Fonseca, ex-zagueiro de Corinthians, Ponte e Seleção Brasileira, e Mauricinho, arisco ponta que brilhou no Comercial, no Vasco. Duas figuras simpáticas, humildes e alegres. Juninho assumiu o futebol da Francana, do interior paulista, e Mauricinho cuida do Votoraty. Boa sorte a ambos. Também vi no aeroporto e no vôo até Ribeirão o craque do basquete Dodi, Washington Joseph, ex-Sírio e Seleção Brasileira. Boas lembranças do tempo de garoto, quando aprendia a admirar o esporte e os grandes atletas.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
KAKÁ E UM MUNDO
QUE ESTÁ MALUCO
Antes de mais nada, que fique claro: nada tenho contra o Kaká e tomara que ele possa ser sempre cada vez mais bem remunerado pelo seu trabalho e tenha muito sucesso. O que vou escrever é uma análise particular, uma visão de mundo tendo como pano de fundo essa absurda proposta do Manchester City pelo craque brasileiro.
Vivemos em um mundo absurdamente desigual e com uma economia, um sistema de vida, que ruiu. Baseado em riquezas inexistentes, fortunas virtuais e um desejo sem precedentes pelo fausto, pelo luxo, pelo inútil, em última análise. Mas há também o que eu chamo de boa economia, do mundo decente dos negócios, de gente que investe querendo ter lucro - o que é um direito sagrado - mas que produz algo, acrescenta, movimenta o mundo.
Fico pensando no que motiva alguém a oferecer R$ 360 milhões por um jogador de futebol. R$ 3,5 milhões por mês, leio no Globo Esporte. A conta não fecha nunca. Ou é prejuízo na certa ou é lavagem de dinheiro.
Eu penso o seguinte: nenhum ser humano merece ganhar R$ 3,5 milhões por mês de salário. É um acinte. Ninguém é assim tão importante que justifique uma brutal diferença em relação aos outros. Seja em qualquer ramo de atividade. Assim cria-se monstros. Como disse o grande amigo Léo Júnior, no Gama, quando trabalhando juntos em Goiás x São Paulo: maior do que a instituição, só houve um: Pelé.
Esporte é legal, bacana, mas é apenas esporte. Num mundo em que a estupidez suprema da guerra ainda acontece e no qual populações são dizimadas pela fome e pelo ódio étnico na África, um sujeito que tem dinheiro aos borbotões deveria fazer melhor uso do mesmo. Esse sheik que aposta essa fortuna no Kaká poderia, sim, apostar algo no craque, mas dentro de um valor que, mesmo sendo alto, fosse normal.
Posso estar ultrapassado, fora da ordem mundial, mas esse lance todo do Kaká só prova que o futebol é uma ilha de loucuras num mundo sem rumo. Um esporte fantástico, apaixonante, mas que opera no vermelho, troca barulho por dívidas e transforma gente com currículo pra lá de suspeito em donos de instituições esportivas centenárias.
Prefiro o futebol do jogo Brasil x Haiti, dos amigos do Zidane contra os amigos do Ronaldo, do craque que levantou a camisa em favor da Palestina. O esporte mais popular do mundo tem todo o direito de enriquecer e levar riqueza a seus maiores astros. Só não pode ofender ao ponto em que está chegando. A bolha pode estourar e levar junto o próprio jogo.
QUE ESTÁ MALUCO
Antes de mais nada, que fique claro: nada tenho contra o Kaká e tomara que ele possa ser sempre cada vez mais bem remunerado pelo seu trabalho e tenha muito sucesso. O que vou escrever é uma análise particular, uma visão de mundo tendo como pano de fundo essa absurda proposta do Manchester City pelo craque brasileiro.
Vivemos em um mundo absurdamente desigual e com uma economia, um sistema de vida, que ruiu. Baseado em riquezas inexistentes, fortunas virtuais e um desejo sem precedentes pelo fausto, pelo luxo, pelo inútil, em última análise. Mas há também o que eu chamo de boa economia, do mundo decente dos negócios, de gente que investe querendo ter lucro - o que é um direito sagrado - mas que produz algo, acrescenta, movimenta o mundo.
Fico pensando no que motiva alguém a oferecer R$ 360 milhões por um jogador de futebol. R$ 3,5 milhões por mês, leio no Globo Esporte. A conta não fecha nunca. Ou é prejuízo na certa ou é lavagem de dinheiro.
Eu penso o seguinte: nenhum ser humano merece ganhar R$ 3,5 milhões por mês de salário. É um acinte. Ninguém é assim tão importante que justifique uma brutal diferença em relação aos outros. Seja em qualquer ramo de atividade. Assim cria-se monstros. Como disse o grande amigo Léo Júnior, no Gama, quando trabalhando juntos em Goiás x São Paulo: maior do que a instituição, só houve um: Pelé.
Esporte é legal, bacana, mas é apenas esporte. Num mundo em que a estupidez suprema da guerra ainda acontece e no qual populações são dizimadas pela fome e pelo ódio étnico na África, um sujeito que tem dinheiro aos borbotões deveria fazer melhor uso do mesmo. Esse sheik que aposta essa fortuna no Kaká poderia, sim, apostar algo no craque, mas dentro de um valor que, mesmo sendo alto, fosse normal.
Posso estar ultrapassado, fora da ordem mundial, mas esse lance todo do Kaká só prova que o futebol é uma ilha de loucuras num mundo sem rumo. Um esporte fantástico, apaixonante, mas que opera no vermelho, troca barulho por dívidas e transforma gente com currículo pra lá de suspeito em donos de instituições esportivas centenárias.
Prefiro o futebol do jogo Brasil x Haiti, dos amigos do Zidane contra os amigos do Ronaldo, do craque que levantou a camisa em favor da Palestina. O esporte mais popular do mundo tem todo o direito de enriquecer e levar riqueza a seus maiores astros. Só não pode ofender ao ponto em que está chegando. A bolha pode estourar e levar junto o próprio jogo.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
QUAL É A MELHOR CONTRATAÇÃO?
Como consumidor de notícia não gosto do período de entressafra do futebol. Tem muito chute, dirigente querendo aparecer e pouca notícia de fato. Além disso, tem uma praga que grassa entre os blogs jornalísticos e de torcedores que tratam do tema: bater o bumbo em cima do furo. Ninguém leva bola nas costas. Fulano fala em novembro que jogador x será contratado pelo clube y. Em janeiro se confirma e o cara toca corneta dizendo assim: "conforme eu havia antecipado" etc. Chato isso.
Outra coisa que não me agrada muito como consumidor de informação e que evito fazer como comentarista é ficar avaliando contratações. O sucesso, dizem, tem muitos pais, e o fracasso sempre é filho bastardo. Essa linha de comentários que abomino, de convocar os louros de qualquer acerto sem recordar os fracassos. É tudo teoria. Quem pode afirmar que Ronaldo dará ou não resultados ao Corinthians? Ou que Washington fará muitos gols pelo São Paulo e Keirrison pelo Palmeiras? E, se concretizada a negociação, Fred será um sucesso no Fluminense?
Prefiro pensar nos porquês das contratações, nos motivos que levam um clube a buscar esse ou aquele atleta para determinada posição.
O caso do São Paulo com o Washington é muito claro. Sem Adriano e sem Aloísio o time não tinha no elenco um jogador de referência, um centroavante que chamasse a marcação. Melhor que isso, Washington é técnico, sabe jogar de costas para a defesa adversária. Um ataque com ele e Borges pode ser bastante eficiente. Será? Quem pode saber?
No caso palmeirense, Marquinhos e Williams são jogadores de velocidade, penetração, leveza, coisa que a equipe perdeu com a saída de Valdívia e nunca teve com Lenny, por exemplo.
Idem para o Corinthians, com Souza e Jorge Henrique, uma composição de ataque diferente, com jogadores de características distintas àquelas com as quais Mano Menezes contava.
Quem sabe o Santos, com menos badalação que os rivais, também não pode "encaixar" um time eficiente e competitivo?
Falo mais dos clubes paulistas porque é o estadual mais importante e o que começa primeiro entre os mais importantes.
Existem inúmeros fatores que contribuem para o sucesso ou o fracasso de um time. No Brasil, sucesso é apenas o título, o que muitas vezes não confere o valor devido a trabalhos muito bem feitos. No papel existem times fantásticos, mas uma equipe que funcione não depende apenas de capacidade técnica e conhecimento tático. É preciso haver uma certa química, comprometimento, caráter para enfrentar situações adversas. Muitas vezes o processo acaba sendo acelerado se existem jogadores inteligentes taticamente, que saibam ler o jogo e percebam rapidamente como está se desenhando uma equipe, quais os atalhos etc.
Quando o Brasileirão estiver para começar virão muitas respostas e os cabotinos de plantão estarão dizendo que eles acertaram tudo em janeiro.
TRAGÉDIA XAVANTE
Triste notícia chega do Sul, a tragédia com o ônibus do Brasil de Pelotas, com o falecimento de três pessoas, entre elas o atacante uruguaio Claudio Milar, ídolo da torcida. Meus sinceros pêsames às famílias dos falecidos e força à brava gente de Pelotas para recuperar o ânimo e a motivação e reverenciar a memória dos que se foram dando sequência à história de glórias do Brasil.
Como consumidor de notícia não gosto do período de entressafra do futebol. Tem muito chute, dirigente querendo aparecer e pouca notícia de fato. Além disso, tem uma praga que grassa entre os blogs jornalísticos e de torcedores que tratam do tema: bater o bumbo em cima do furo. Ninguém leva bola nas costas. Fulano fala em novembro que jogador x será contratado pelo clube y. Em janeiro se confirma e o cara toca corneta dizendo assim: "conforme eu havia antecipado" etc. Chato isso.
Outra coisa que não me agrada muito como consumidor de informação e que evito fazer como comentarista é ficar avaliando contratações. O sucesso, dizem, tem muitos pais, e o fracasso sempre é filho bastardo. Essa linha de comentários que abomino, de convocar os louros de qualquer acerto sem recordar os fracassos. É tudo teoria. Quem pode afirmar que Ronaldo dará ou não resultados ao Corinthians? Ou que Washington fará muitos gols pelo São Paulo e Keirrison pelo Palmeiras? E, se concretizada a negociação, Fred será um sucesso no Fluminense?
Prefiro pensar nos porquês das contratações, nos motivos que levam um clube a buscar esse ou aquele atleta para determinada posição.
O caso do São Paulo com o Washington é muito claro. Sem Adriano e sem Aloísio o time não tinha no elenco um jogador de referência, um centroavante que chamasse a marcação. Melhor que isso, Washington é técnico, sabe jogar de costas para a defesa adversária. Um ataque com ele e Borges pode ser bastante eficiente. Será? Quem pode saber?
No caso palmeirense, Marquinhos e Williams são jogadores de velocidade, penetração, leveza, coisa que a equipe perdeu com a saída de Valdívia e nunca teve com Lenny, por exemplo.
Idem para o Corinthians, com Souza e Jorge Henrique, uma composição de ataque diferente, com jogadores de características distintas àquelas com as quais Mano Menezes contava.
Quem sabe o Santos, com menos badalação que os rivais, também não pode "encaixar" um time eficiente e competitivo?
Falo mais dos clubes paulistas porque é o estadual mais importante e o que começa primeiro entre os mais importantes.
Existem inúmeros fatores que contribuem para o sucesso ou o fracasso de um time. No Brasil, sucesso é apenas o título, o que muitas vezes não confere o valor devido a trabalhos muito bem feitos. No papel existem times fantásticos, mas uma equipe que funcione não depende apenas de capacidade técnica e conhecimento tático. É preciso haver uma certa química, comprometimento, caráter para enfrentar situações adversas. Muitas vezes o processo acaba sendo acelerado se existem jogadores inteligentes taticamente, que saibam ler o jogo e percebam rapidamente como está se desenhando uma equipe, quais os atalhos etc.
Quando o Brasileirão estiver para começar virão muitas respostas e os cabotinos de plantão estarão dizendo que eles acertaram tudo em janeiro.
TRAGÉDIA XAVANTE
Triste notícia chega do Sul, a tragédia com o ônibus do Brasil de Pelotas, com o falecimento de três pessoas, entre elas o atacante uruguaio Claudio Milar, ídolo da torcida. Meus sinceros pêsames às famílias dos falecidos e força à brava gente de Pelotas para recuperar o ânimo e a motivação e reverenciar a memória dos que se foram dando sequência à história de glórias do Brasil.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
INVASÃO DE EMPRESÁRIOS
MARCA A COPA SÃO PAULO
Confesso que fiquei assustado. Sabia que era assim, até postei algo sobre isso, mas o nível a que a coisa chegou é alarmante. Estávamos em Hortolândia, interior de São Paulo, toda a equipe do SporTV, Linhares Jr., Alê Oliveira, Edison Souza e Estevão Nunes, e antes de a bola rolar para o sensacional Fortaleza 5 x 4 Flamengo, nossa cabine recebeu a vistia de três pessoas falando espanhol e procurando as escalações dos dois times. No intervalo apareceram mais três. Vejam bem: seis estrangeiros para um jogo sub-18 do futebol brasileiro numa cidade há cerca de 100km de São Paulo. Todos empresários ou representantes de empresários, de olho no talento nascente do nosso futebol.
Havia também olheiros de vários times brasileiros, gente do Atlético Paranaense, claro que interessada no adversário da próxima fase.
O que me deixa curioso é saber se existe alguma maneira de proteger esse talento, de evitar que empresários invadam o País em busca de pé-de-obra, citando Mauro Beting, ainda em gestação. Haveria algo a ser feito? Ou é a roda da vida e temos que assistir impassíveis as suas revoluções?
NOVA ORTOGRAFIA
Acho que ainda vai levar um tempo até que eu me acostume. Como disse o amigo Marcelo Barreto no Redação SporTV de hoje, ler estreia e não estréia ainda bem estranho.
COPINHA ELITISTA
Recebi mensagem gentil e muito bem escrita do Bruno, dizendo que alguns críticos, como eu, têm uma visão elitista da Copa São Paulo. O Bruno acha legal que sejam muitos clubes para que a garotada do Norte e do Nordeste tenha uma chance de aparecer. É um ponot de vista. Mas será válido cruzar o País para levar de 10 a 0? É para se pensar.
RÁDIO GENESIS
Humberto sugere que eu crie uma rádio Genesis no site, com as músicas da banda. Não domino ainda a tecnologia para fazê-lo, Humberto, mas vou me informar e prometo adotar a ótima sugestão.
MARCA A COPA SÃO PAULO
Confesso que fiquei assustado. Sabia que era assim, até postei algo sobre isso, mas o nível a que a coisa chegou é alarmante. Estávamos em Hortolândia, interior de São Paulo, toda a equipe do SporTV, Linhares Jr., Alê Oliveira, Edison Souza e Estevão Nunes, e antes de a bola rolar para o sensacional Fortaleza 5 x 4 Flamengo, nossa cabine recebeu a vistia de três pessoas falando espanhol e procurando as escalações dos dois times. No intervalo apareceram mais três. Vejam bem: seis estrangeiros para um jogo sub-18 do futebol brasileiro numa cidade há cerca de 100km de São Paulo. Todos empresários ou representantes de empresários, de olho no talento nascente do nosso futebol.
Havia também olheiros de vários times brasileiros, gente do Atlético Paranaense, claro que interessada no adversário da próxima fase.
O que me deixa curioso é saber se existe alguma maneira de proteger esse talento, de evitar que empresários invadam o País em busca de pé-de-obra, citando Mauro Beting, ainda em gestação. Haveria algo a ser feito? Ou é a roda da vida e temos que assistir impassíveis as suas revoluções?
NOVA ORTOGRAFIA
Acho que ainda vai levar um tempo até que eu me acostume. Como disse o amigo Marcelo Barreto no Redação SporTV de hoje, ler estreia e não estréia ainda bem estranho.
COPINHA ELITISTA
Recebi mensagem gentil e muito bem escrita do Bruno, dizendo que alguns críticos, como eu, têm uma visão elitista da Copa São Paulo. O Bruno acha legal que sejam muitos clubes para que a garotada do Norte e do Nordeste tenha uma chance de aparecer. É um ponot de vista. Mas será válido cruzar o País para levar de 10 a 0? É para se pensar.
RÁDIO GENESIS
Humberto sugere que eu crie uma rádio Genesis no site, com as músicas da banda. Não domino ainda a tecnologia para fazê-lo, Humberto, mas vou me informar e prometo adotar a ótima sugestão.
terça-feira, janeiro 13, 2009
COPINHA COM HORMÔNIOS
PERDE MUITO DO CHARME
Volto ao trabalho como comentarista do SporTV nesta quarta, na transmissão de Flamengo x Fortaleza, pela Copa São Paulo de Juniores, com os companheiros Linhares Jr, Alê Oliveira, Rodrigo Garavini e Estevão Nunes. A Copinha, com carinhosamente ficou conhecida, hoje é muito diferente do torneio proposto pelo Fábio Lazzari na virada dos anos 60 para os 70. Foi inchada por interesses políticos e perdeu um pouco do charme. Parece aqueles bombados de academia, que ficam parecendo o Schwarzzeneger da barriga para cima e têm pernas de corredor queniano.
Ainda assim, é uma vitrine interessante, uma amostra do que se produz ainda nas categorias de base do futebol brasileiro. Mostra também que muitos clubes ainda não sabem trabalhar na revelação de jogadores e que os empresários são muito mais rápidos e espertos para localizar e contratar jovens talentos. Pululam times e camisas de aluguel. Ano passado, a cada jogo que comentava eu recebia muitos cartões de gente que apresentava como agente Fifa, agente, empresário, olheiro. Resta saber o que virá desta edição. Vi alguns lances do Camacho, camisa dez do Flamengo, e esse garoto parece que é do ramo. Conferimos amanhã, 20h30, pelo Canal Campeão.
PERDE MUITO DO CHARME
Volto ao trabalho como comentarista do SporTV nesta quarta, na transmissão de Flamengo x Fortaleza, pela Copa São Paulo de Juniores, com os companheiros Linhares Jr, Alê Oliveira, Rodrigo Garavini e Estevão Nunes. A Copinha, com carinhosamente ficou conhecida, hoje é muito diferente do torneio proposto pelo Fábio Lazzari na virada dos anos 60 para os 70. Foi inchada por interesses políticos e perdeu um pouco do charme. Parece aqueles bombados de academia, que ficam parecendo o Schwarzzeneger da barriga para cima e têm pernas de corredor queniano.
Ainda assim, é uma vitrine interessante, uma amostra do que se produz ainda nas categorias de base do futebol brasileiro. Mostra também que muitos clubes ainda não sabem trabalhar na revelação de jogadores e que os empresários são muito mais rápidos e espertos para localizar e contratar jovens talentos. Pululam times e camisas de aluguel. Ano passado, a cada jogo que comentava eu recebia muitos cartões de gente que apresentava como agente Fifa, agente, empresário, olheiro. Resta saber o que virá desta edição. Vi alguns lances do Camacho, camisa dez do Flamengo, e esse garoto parece que é do ramo. Conferimos amanhã, 20h30, pelo Canal Campeão.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
O SER HUMANO TERIA FRACASSADO?
Sempre me pego perguntando isso a mim mesmo. Seria a nossa raça uma experiência que não deu certo? Alguém por aí, muito mais capacitado do que eu certamente, já fez essa afirmação. Sou um otimista por vocação e humanista por natureza e formação. Mas tem horas em que eu acho que nós, humanos, temos defeitos de projeto que são difíceis de corrigir.
Como entender que israelenses e palestinos, cuja origem é fundamentalmente a mesma, se metam nessa briga tribal há milênios? Ou aceitar que tanta gente morra por nada, por uma simples discussão de trânsito, por exemplo?
Fui a um observatório chamado Mamalluca, em Vicuña, Norte do Chile, durante as férias. Noite maravilhosa de lua cheia, lugar mágico, ar limíssimo, nebulosas se exibindo, galantes. São centenas de milhões de estrelas e, consequentemente, centenas mais de milhões de planetas espalhados pelo Universo. Com certeza há de existir uma raça melhor por aí. Por mais virtudes que tenha a humana, ela esgota suas possibilidades a cada dia num festival de horrores, desrespeito, poluição, futilidades. Acho que só nos resta mesmo vasculhar o céu.
Tell Me Why é uma canção pouco conhecida do Genesis, do álbum We Can´t Dance, de 1991. Mas, além de ser legal, tem perguntas que certamente cada um de nós faz quando se depara com a debilidade moral e intelectual do que somos. Abaixo:
Mothers crying in the street
Children dying at their feet, tell me why
People starving everywhere
There's too much food but none to spare, tell me why
Can you see that shaft of sunlight
Can you see it in my eyes
I can feel the fire that's burning
Anger and hope so deep
So deep within my heart
Before my eyes
For some it's too late
It seems there's no-one listening
People sleeping in the streets
No roof above, no food to eat, tell me why
See the questions in their eyes
Listen to their children's cries, tell me why
If there's a God
Is he watching
Can he give a ray of hope
So much pain and so much sorrow
Tell me what does he see
When he looks at you
When he looks at me
What would he say
It seems there's no-one listening
Who would think it still could happen
Even in this time and place
Politicians, they may save themselves
But they won't save their face
Just hope against hope
It's not too late
You say there's nothing you can do
Is there one rule for them and one for you
Tell me why
Listen can you see that shaft of sunlight
Can you see it in my eyes
I can feel the fire that's burning
Anger and hope so deep
So deep within my heart
Before my eyes
For some it's too late
It seems there's no-one listening
Hurry for me, hurry for me, they cry
Sempre me pego perguntando isso a mim mesmo. Seria a nossa raça uma experiência que não deu certo? Alguém por aí, muito mais capacitado do que eu certamente, já fez essa afirmação. Sou um otimista por vocação e humanista por natureza e formação. Mas tem horas em que eu acho que nós, humanos, temos defeitos de projeto que são difíceis de corrigir.
Como entender que israelenses e palestinos, cuja origem é fundamentalmente a mesma, se metam nessa briga tribal há milênios? Ou aceitar que tanta gente morra por nada, por uma simples discussão de trânsito, por exemplo?
Fui a um observatório chamado Mamalluca, em Vicuña, Norte do Chile, durante as férias. Noite maravilhosa de lua cheia, lugar mágico, ar limíssimo, nebulosas se exibindo, galantes. São centenas de milhões de estrelas e, consequentemente, centenas mais de milhões de planetas espalhados pelo Universo. Com certeza há de existir uma raça melhor por aí. Por mais virtudes que tenha a humana, ela esgota suas possibilidades a cada dia num festival de horrores, desrespeito, poluição, futilidades. Acho que só nos resta mesmo vasculhar o céu.
Tell Me Why é uma canção pouco conhecida do Genesis, do álbum We Can´t Dance, de 1991. Mas, além de ser legal, tem perguntas que certamente cada um de nós faz quando se depara com a debilidade moral e intelectual do que somos. Abaixo:
Mothers crying in the street
Children dying at their feet, tell me why
People starving everywhere
There's too much food but none to spare, tell me why
Can you see that shaft of sunlight
Can you see it in my eyes
I can feel the fire that's burning
Anger and hope so deep
So deep within my heart
Before my eyes
For some it's too late
It seems there's no-one listening
People sleeping in the streets
No roof above, no food to eat, tell me why
See the questions in their eyes
Listen to their children's cries, tell me why
If there's a God
Is he watching
Can he give a ray of hope
So much pain and so much sorrow
Tell me what does he see
When he looks at you
When he looks at me
What would he say
It seems there's no-one listening
Who would think it still could happen
Even in this time and place
Politicians, they may save themselves
But they won't save their face
Just hope against hope
It's not too late
You say there's nothing you can do
Is there one rule for them and one for you
Tell me why
Listen can you see that shaft of sunlight
Can you see it in my eyes
I can feel the fire that's burning
Anger and hope so deep
So deep within my heart
Before my eyes
For some it's too late
It seems there's no-one listening
Hurry for me, hurry for me, they cry
segunda-feira, janeiro 05, 2009
SI VAS PARA CHILE
Passo as férias com a família no Chile, mais precisamente em La Serena, IV Región. Sou casado com dona Isabel, presente maravilhoso que o Chile me deu, e vim conhecer uma parte da família. Gente muito boa, especial, cheia de bom-humor.
Tem uma música famosa do cancioneiro popular chileno que se chama Si Vas Para Chile. Aproveito a mesma para deixar algumas dicas.
La Serena é uma cidade colada a Coquimbo, as duas se unem em frente a uma bonita baía banhada pelo Pacífico. Lugar calmo, bonito, simpático, onde chilenos e argentinos veraneiam. As cadeias montanhosas chilenas chegam perto do mar e formam belas paisagens.
Perto de La Serena, quando se dirige para o interior, rumo à fronteira com a Argentina, existe um lugar sensacional chamado Vale do Elqui. O rio que dá nome ao vale traz abundância a uma pequena faixa de terra em meio a uma paisagem seca, quase lunar, que anuncia o deserto próximo, mais ao Norte. Há vinhedos espetaculares e vistas maravilhosas, além de observatórios que vasculham o Universo aproveitando o ar limpíssimo da área, sempre com os céus estrelados.
O vinho é sempre bom, a gente é hospitaleira, as paisagens, muito diferentes das nossas. Enfim, uma linda viagem.
Passo as férias com a família no Chile, mais precisamente em La Serena, IV Región. Sou casado com dona Isabel, presente maravilhoso que o Chile me deu, e vim conhecer uma parte da família. Gente muito boa, especial, cheia de bom-humor.
Tem uma música famosa do cancioneiro popular chileno que se chama Si Vas Para Chile. Aproveito a mesma para deixar algumas dicas.
La Serena é uma cidade colada a Coquimbo, as duas se unem em frente a uma bonita baía banhada pelo Pacífico. Lugar calmo, bonito, simpático, onde chilenos e argentinos veraneiam. As cadeias montanhosas chilenas chegam perto do mar e formam belas paisagens.
Perto de La Serena, quando se dirige para o interior, rumo à fronteira com a Argentina, existe um lugar sensacional chamado Vale do Elqui. O rio que dá nome ao vale traz abundância a uma pequena faixa de terra em meio a uma paisagem seca, quase lunar, que anuncia o deserto próximo, mais ao Norte. Há vinhedos espetaculares e vistas maravilhosas, além de observatórios que vasculham o Universo aproveitando o ar limpíssimo da área, sempre com os céus estrelados.
O vinho é sempre bom, a gente é hospitaleira, as paisagens, muito diferentes das nossas. Enfim, uma linda viagem.
terça-feira, dezembro 23, 2008
FOI-SE ROSA BRANCA, UM
MITO DO NOSSO BASQUETE
Abro o jornal e leio, estarrecido, a notícia da morte de Carmo de Souza, o Rosa Branca, um dos mitos do basquetebol brasileiro. Tive a honra de conhecer o Rosa. A última vez em que estive com ele foi durante o Mundial Feminino de Basquete, em 2006, no Ibirapuera. Nos intervalos entre os programas que apresentava para o SporTV, tinha sempre encontro marcado com o Rosa, seu sorriso franco, o bom humor constante, e muitas aulas de basquete e de vida.
Para a minha geração, os bicampeões mundiais de basquete eram autênticos deuses do olimpo. Eu nunca vi jogar o Rosa Branca, o Amaury Passos, o Wlamir Marques. Mas seus feitos eram transmitidos até nós, que começávamos a gostar do esporte, pelos que tiveram o privilégio de vê-los em ação. Sempre acompanhando meu pai, Luiz Noriega, nas muitas transmissões de basquete, fui conhecendo esses personagens fantásticos e suas histórias maravilhosas.
Eram tempos em que o basquete era amado de fato pelos brasileiros, havia grandes jogos, grandes atletas, equipes fortíssimas e o Brasil encarava todo mundo de igual para igual.
Carmos de Souza ganhou o apelido de Rosa Branca, segundo conta a história, porque o preparador físico Júlio Mazzei o achava parecido com um jogador americano chamado White Rose. Não sei sobre o Rose, mas o Rosa, contam os que o viram, era tão bom que jogava como pivô, armador e ala. Sempre bem, seja pela Seleção, pelo Palmeiras ou pelo Corinthians.
Que lá do andar de cima o Rosa possa inspirar as pessoas que comandam o basquete brasileiro para que elas possam honrar a história que ele e seus companheiros escreveram com dois títulos mundiais e dois bronzes olímpicos.
MITO DO NOSSO BASQUETE
Abro o jornal e leio, estarrecido, a notícia da morte de Carmo de Souza, o Rosa Branca, um dos mitos do basquetebol brasileiro. Tive a honra de conhecer o Rosa. A última vez em que estive com ele foi durante o Mundial Feminino de Basquete, em 2006, no Ibirapuera. Nos intervalos entre os programas que apresentava para o SporTV, tinha sempre encontro marcado com o Rosa, seu sorriso franco, o bom humor constante, e muitas aulas de basquete e de vida.
Para a minha geração, os bicampeões mundiais de basquete eram autênticos deuses do olimpo. Eu nunca vi jogar o Rosa Branca, o Amaury Passos, o Wlamir Marques. Mas seus feitos eram transmitidos até nós, que começávamos a gostar do esporte, pelos que tiveram o privilégio de vê-los em ação. Sempre acompanhando meu pai, Luiz Noriega, nas muitas transmissões de basquete, fui conhecendo esses personagens fantásticos e suas histórias maravilhosas.
Eram tempos em que o basquete era amado de fato pelos brasileiros, havia grandes jogos, grandes atletas, equipes fortíssimas e o Brasil encarava todo mundo de igual para igual.
Carmos de Souza ganhou o apelido de Rosa Branca, segundo conta a história, porque o preparador físico Júlio Mazzei o achava parecido com um jogador americano chamado White Rose. Não sei sobre o Rose, mas o Rosa, contam os que o viram, era tão bom que jogava como pivô, armador e ala. Sempre bem, seja pela Seleção, pelo Palmeiras ou pelo Corinthians.
Que lá do andar de cima o Rosa possa inspirar as pessoas que comandam o basquete brasileiro para que elas possam honrar a história que ele e seus companheiros escreveram com dois títulos mundiais e dois bronzes olímpicos.
domingo, dezembro 21, 2008
ALGUNS ELOGIOS QUE FAZEM A GENTE
ESQUECER ATÉ AS CRÍTICAS MAIS TOLAS
Críticas e elogio fazem parte, usando um termo da galerinha atual. Qualquer problema que ocorre com um conhecido seu, é certeza que, na valorosa tentativa de ajudar, pinte um faz parte. Desde que me meti a trabalha com opinião de futebol e esportes na TV eu sabia que precisava estar pronto para todo tipo de crítica e de análise sobre o meu trabalho. Felizmente, tenho colhido mais opiniões positivas do que negativas nessa caminhada, que muitas vezes é árdua, com fardos que não são nada fáceis de carregar e situações que a própria razão parece desconhecer. Mas, sacumé, faz parte.
Nos últimos dias fui agraciado com dois elogios que me deixaram muito feliz, os quais compartilho com os leitores do blog. Estava eu em Marília, na última rodada da Série B, para MAC e Ceará. Acaba o jogo, estou descendo as escadas de um triste Abreuzão quando ouço um chamado: "garoto, vem cá". Era o Cláudio Adão. Ele tinha ido a Marília ver o filho, Felipe Adão, jogar. O time do filho tinha acabado de cair para a terceira divisão, e ele teve a educação de me chamar. E trouxe a esposa, Paula Barreto, para o papo. " Paula, o que eu falo lá em casa?" Ela responde: "Que ele é o comentarista que você mais gosta porque ele vê o jogo".
Ouvir isso do Cláudio Adão, que pra quem não sabe ou não lembra, jogava muita bola e chegou a ser apontado como um substituto do Pelé, valeu demais, me deixou feliz e consciente de que estou trabalhando de maneira séria e correta. Isso sem contar o prazer de bater um papo com um cara simpático e gente fina como o Adão e também com sua esposa, uma pessoa extremamente educada e elegante.
Semana passada fui ao Museu do Futebol para um evento com blogueiros do SporTV, uma galera esperta, que escreve bem pacas. Encontro com o professor José Teixeira, um dos maiores estudiosos do futebol. Pra quem não sabe ou não lembra, José Teixeira foi treinador, preparador físico e pensador do futebol em grandes times e na Seleção Brasileira. Um de seus trabalhos mais conhecidos foi todo o mapeamento da crise do Corinthians nos 22 anos sem título, que ajudou o clube a conquistar o título de 1977. Cumprimento o professor e ele me devolve um "parabéns, você está muito bem" que me deixou desconcertado, partindo de quem partiu. Acima de tudo um homem sério e educado. Ganhei o dia.
Escrevo isso, também, porque a gente toma muita porrada quando escolhe esse caminho na vida. Óbvio que existem críticas construtivas, que apontam os erros que, claro, todos nós cometemos. Mas algumas críticas são tão descabidas que machucam, magoam. Dia desses li uma num site que se pretendia humorístico, na qual um cara disse que eu tinha a capacidade de errar o esquema tático dos times com cinco minutos de jogo. Crítica maldosa, preconceituosa. Essa dói.
Coisas assim chateiam. Mas faz parte.
Por isso é legal receber elogios de pessoas com as quais você não tem amizade, praticamente não conhece, e que tentam analisar seu trabalho sem o peso da paixão ou do preconceito. Felizmente, isso também faz parte.
ESQUECER ATÉ AS CRÍTICAS MAIS TOLAS
Críticas e elogio fazem parte, usando um termo da galerinha atual. Qualquer problema que ocorre com um conhecido seu, é certeza que, na valorosa tentativa de ajudar, pinte um faz parte. Desde que me meti a trabalha com opinião de futebol e esportes na TV eu sabia que precisava estar pronto para todo tipo de crítica e de análise sobre o meu trabalho. Felizmente, tenho colhido mais opiniões positivas do que negativas nessa caminhada, que muitas vezes é árdua, com fardos que não são nada fáceis de carregar e situações que a própria razão parece desconhecer. Mas, sacumé, faz parte.
Nos últimos dias fui agraciado com dois elogios que me deixaram muito feliz, os quais compartilho com os leitores do blog. Estava eu em Marília, na última rodada da Série B, para MAC e Ceará. Acaba o jogo, estou descendo as escadas de um triste Abreuzão quando ouço um chamado: "garoto, vem cá". Era o Cláudio Adão. Ele tinha ido a Marília ver o filho, Felipe Adão, jogar. O time do filho tinha acabado de cair para a terceira divisão, e ele teve a educação de me chamar. E trouxe a esposa, Paula Barreto, para o papo. " Paula, o que eu falo lá em casa?" Ela responde: "Que ele é o comentarista que você mais gosta porque ele vê o jogo".
Ouvir isso do Cláudio Adão, que pra quem não sabe ou não lembra, jogava muita bola e chegou a ser apontado como um substituto do Pelé, valeu demais, me deixou feliz e consciente de que estou trabalhando de maneira séria e correta. Isso sem contar o prazer de bater um papo com um cara simpático e gente fina como o Adão e também com sua esposa, uma pessoa extremamente educada e elegante.
Semana passada fui ao Museu do Futebol para um evento com blogueiros do SporTV, uma galera esperta, que escreve bem pacas. Encontro com o professor José Teixeira, um dos maiores estudiosos do futebol. Pra quem não sabe ou não lembra, José Teixeira foi treinador, preparador físico e pensador do futebol em grandes times e na Seleção Brasileira. Um de seus trabalhos mais conhecidos foi todo o mapeamento da crise do Corinthians nos 22 anos sem título, que ajudou o clube a conquistar o título de 1977. Cumprimento o professor e ele me devolve um "parabéns, você está muito bem" que me deixou desconcertado, partindo de quem partiu. Acima de tudo um homem sério e educado. Ganhei o dia.
Escrevo isso, também, porque a gente toma muita porrada quando escolhe esse caminho na vida. Óbvio que existem críticas construtivas, que apontam os erros que, claro, todos nós cometemos. Mas algumas críticas são tão descabidas que machucam, magoam. Dia desses li uma num site que se pretendia humorístico, na qual um cara disse que eu tinha a capacidade de errar o esquema tático dos times com cinco minutos de jogo. Crítica maldosa, preconceituosa. Essa dói.
Coisas assim chateiam. Mas faz parte.
Por isso é legal receber elogios de pessoas com as quais você não tem amizade, praticamente não conhece, e que tentam analisar seu trabalho sem o peso da paixão ou do preconceito. Felizmente, isso também faz parte.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
segunda-feira, dezembro 15, 2008
RETROSPECTIVA BLOG DO NORI
DO FUTEBOL 2008. VEM AÍ 2009
Hora de dar um tempo com o trabalho e curtir amigos e família, recarregar as baterias e voltar com tudo para 2009. Agradeço a todos que por aqui passaram e, na medida do possível, deixarei algum post nesse perído, até a segunda quinzena de janeiro.
Deixo agora uma retrospectiva do que o blog viu, curtiu, gostou e não gostou em 2008.
O MELHOR TIME DE FUTEBOL FOI A ESPANHA, campeã européia. Tive o privilégio de ver de perto a segunda conquista da Fúria na Eurocopa. Foi o que vi de melhor em futebol na temporada. Um time muito bem montado pelo Luís Aragonés, com jogadores de talento como Xavi e Iniesta, um espetacular Marcos Senna no meio-campo e um esquema de jogo moderno e pouco retranqueiro para os padrões espanhóis.
A MELHOR SURPRESA de 2008 no futebol foi o SPORT campeão da Copa do Brasil. Grande trabalho de Nelsinho Baptista e excelente reposicionamento do futebol nordestino. Muita gente olha com desdém e esquece, mas Sport, Santa, Bahia, Náutico, Vitória são todos times grandes, sim, do futebol brasileiro.
A CONFIRMAÇÃO de 2008 foi, obviamente, a supremacia do São Paulo no Campeonato Brasileiro. O time compensou um primeiro semestre desastroso, carregado de soberba e idéias equivocadas, com uma reta final de Brasileirão impressionante. No reino da incompetência, muito bem representado por Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo, o Tricolor paulista mostrou que mesmo sem ser brilhante ainda é rei.
A ESPERANÇA de que 2009 pode ser melhor, para mim, fica com os vascaínos. Pode parecer absurdo, já que o time foi rebaixado. Mas após décadas de uma adminstração viciada, ultrapassada e que arrancou as entranhas do clube, há um fio de esperança com Roberto Dinamite. O Vasco pode estar se reconstruindo e voltar ainda mais forte em 2010. Parece que, mesmo rebaixado, o clube tem mais credibilidade do que tinha.
O SINAL AMARELO para 2009 fica para o Palmeiras. O espectro do atraso ronda a política do clube. Os corneteiros não se entendem na briga pelo poder e o racha político pode atingir o futebol. Lembremos que em 32 anos o Palmeiras só conseguiu ser campeão de algo importante com dois técnicos: Felipão e Luxemburgo. Prova de que falta trabalho administrativo e de planejamento de seus dirigentes.
AS PROMESSAS de 2009 ficam para os grandes gaúchos. O Grêmio na Libertadores e o Inter com a promessa de um grande time. No Sul se trabalha com rara competência a questão do sócio-torcedor e a reconstrução financeira e administrativa se deu de forma consistente. Na cola dos irmãos do Sul vem o Cruzeiro, que fraquejou na hora de decidir em 2008, e também o Galo, que foi mal em seu centenário e precisa se reposicionar em 2009.
A DÚVIDA de 2009 fica para três gigantes do futebol brasileiro locados no Rio. Flamengo, Fluminense e Botafogo tiveram histórias muito distintas em 2008. O Flu bateu às portas do céu e do inferno. Ainda não encontrou o ponto de equilíbrio. O Flamengo frustrou seus milhões de fiéis, e o Botafogo luta para sobreviver a cada temporada, uma luta muitas vezes inglória.
A EXPECTATIVA de 2009 não poderia ser outra que não Ronaldo Fenômeno no Corinthians. O mundo do futebol estará de olho, para saber uma resposta que só Ronaldo pode fornecer: ainda dá para ele ou não?
A MEDALHA DE OURO esportiva fica para um time e e uma atleta. O time é o de vôlei feminino, capitaneado com maestria por José Roberto Guimarães, treinador que fez história com dois ouros olímpicos, no masculino e no feminino. O símbolo dessa equipe é a levantadora Fofão, exemplo de simplicidade, competência e espírito de equipe numa modalidade marcada por alguns arroubos de individualismo estelar.
DO FUTEBOL 2008. VEM AÍ 2009
Hora de dar um tempo com o trabalho e curtir amigos e família, recarregar as baterias e voltar com tudo para 2009. Agradeço a todos que por aqui passaram e, na medida do possível, deixarei algum post nesse perído, até a segunda quinzena de janeiro.
Deixo agora uma retrospectiva do que o blog viu, curtiu, gostou e não gostou em 2008.
O MELHOR TIME DE FUTEBOL FOI A ESPANHA, campeã européia. Tive o privilégio de ver de perto a segunda conquista da Fúria na Eurocopa. Foi o que vi de melhor em futebol na temporada. Um time muito bem montado pelo Luís Aragonés, com jogadores de talento como Xavi e Iniesta, um espetacular Marcos Senna no meio-campo e um esquema de jogo moderno e pouco retranqueiro para os padrões espanhóis.
A MELHOR SURPRESA de 2008 no futebol foi o SPORT campeão da Copa do Brasil. Grande trabalho de Nelsinho Baptista e excelente reposicionamento do futebol nordestino. Muita gente olha com desdém e esquece, mas Sport, Santa, Bahia, Náutico, Vitória são todos times grandes, sim, do futebol brasileiro.
A CONFIRMAÇÃO de 2008 foi, obviamente, a supremacia do São Paulo no Campeonato Brasileiro. O time compensou um primeiro semestre desastroso, carregado de soberba e idéias equivocadas, com uma reta final de Brasileirão impressionante. No reino da incompetência, muito bem representado por Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo, o Tricolor paulista mostrou que mesmo sem ser brilhante ainda é rei.
A ESPERANÇA de que 2009 pode ser melhor, para mim, fica com os vascaínos. Pode parecer absurdo, já que o time foi rebaixado. Mas após décadas de uma adminstração viciada, ultrapassada e que arrancou as entranhas do clube, há um fio de esperança com Roberto Dinamite. O Vasco pode estar se reconstruindo e voltar ainda mais forte em 2010. Parece que, mesmo rebaixado, o clube tem mais credibilidade do que tinha.
O SINAL AMARELO para 2009 fica para o Palmeiras. O espectro do atraso ronda a política do clube. Os corneteiros não se entendem na briga pelo poder e o racha político pode atingir o futebol. Lembremos que em 32 anos o Palmeiras só conseguiu ser campeão de algo importante com dois técnicos: Felipão e Luxemburgo. Prova de que falta trabalho administrativo e de planejamento de seus dirigentes.
AS PROMESSAS de 2009 ficam para os grandes gaúchos. O Grêmio na Libertadores e o Inter com a promessa de um grande time. No Sul se trabalha com rara competência a questão do sócio-torcedor e a reconstrução financeira e administrativa se deu de forma consistente. Na cola dos irmãos do Sul vem o Cruzeiro, que fraquejou na hora de decidir em 2008, e também o Galo, que foi mal em seu centenário e precisa se reposicionar em 2009.
A DÚVIDA de 2009 fica para três gigantes do futebol brasileiro locados no Rio. Flamengo, Fluminense e Botafogo tiveram histórias muito distintas em 2008. O Flu bateu às portas do céu e do inferno. Ainda não encontrou o ponto de equilíbrio. O Flamengo frustrou seus milhões de fiéis, e o Botafogo luta para sobreviver a cada temporada, uma luta muitas vezes inglória.
A EXPECTATIVA de 2009 não poderia ser outra que não Ronaldo Fenômeno no Corinthians. O mundo do futebol estará de olho, para saber uma resposta que só Ronaldo pode fornecer: ainda dá para ele ou não?
A MEDALHA DE OURO esportiva fica para um time e e uma atleta. O time é o de vôlei feminino, capitaneado com maestria por José Roberto Guimarães, treinador que fez história com dois ouros olímpicos, no masculino e no feminino. O símbolo dessa equipe é a levantadora Fofão, exemplo de simplicidade, competência e espírito de equipe numa modalidade marcada por alguns arroubos de individualismo estelar.
terça-feira, dezembro 09, 2008
RONALDO NO CORINTHIANS, UMA
GRANDE SACADA DE MARKETING
Ninguém sabe se Ronaldo dará certo como jogador do Corinthians. Como diz o Wanderley Nogueira, da Rádio Jovem Pan, ao final do contrato, aparecerão muitos "engenheiros de obra pronta" dizendo que sabiam que não daria certo, ou tinham certeza que daria.
Eu torço para que dê certo, porque o Ronaldo é um dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos. A única coisa possível de se afirmar agora é que o Corinthians fez um golaço na área do marketing, que vem sendo capitaneada com muita habilidade pelo Luiz Paulo Rosenberg. Dois dias após a conquista do sexto título brasileiro pelo São Paulo o Corinthians toma as manchetes quando o momento é todo do rival. Certamente fará um bom dinheiro com a camisa 9 do Fenômeno sendo vendida para a Fiel. Fenômeno que, não por coincidência, é patrocinado pela mesma empresa que veste o Corinthians, a Nike.
O Campeonato Paulista passa a ganhar muita visibilidade com a chegada de Ronaldo ao Corinthians, com o São Paulo dono do Brasil e com o Palmeiras abastecido pela parceria com a Traffic. O Santos pode encontrar no dono da rede Sonda de supermercados um bom parceiro.
Acho que nem na época da Democracia Corintiana o time do Parque São Jorge soube utilizar tão bem as ferramentas do marketing aplicadas ao futebol. Finalmente o time parece ter aprendido a explorar de maneira positiva a paixão e a fidelidade do seu torcedor.
GRANDE SACADA DE MARKETING
Ninguém sabe se Ronaldo dará certo como jogador do Corinthians. Como diz o Wanderley Nogueira, da Rádio Jovem Pan, ao final do contrato, aparecerão muitos "engenheiros de obra pronta" dizendo que sabiam que não daria certo, ou tinham certeza que daria.
Eu torço para que dê certo, porque o Ronaldo é um dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos. A única coisa possível de se afirmar agora é que o Corinthians fez um golaço na área do marketing, que vem sendo capitaneada com muita habilidade pelo Luiz Paulo Rosenberg. Dois dias após a conquista do sexto título brasileiro pelo São Paulo o Corinthians toma as manchetes quando o momento é todo do rival. Certamente fará um bom dinheiro com a camisa 9 do Fenômeno sendo vendida para a Fiel. Fenômeno que, não por coincidência, é patrocinado pela mesma empresa que veste o Corinthians, a Nike.
O Campeonato Paulista passa a ganhar muita visibilidade com a chegada de Ronaldo ao Corinthians, com o São Paulo dono do Brasil e com o Palmeiras abastecido pela parceria com a Traffic. O Santos pode encontrar no dono da rede Sonda de supermercados um bom parceiro.
Acho que nem na época da Democracia Corintiana o time do Parque São Jorge soube utilizar tão bem as ferramentas do marketing aplicadas ao futebol. Finalmente o time parece ter aprendido a explorar de maneira positiva a paixão e a fidelidade do seu torcedor.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
POR QUE O SÃO PAULO É DIFERENTE?
Certamente existem dezenas de teses para definir ou tentar explicar a supremacia do São Paulo no futebol brasileiro. Permito-me apresentar a minha.
Acredito que alguns pontos explicam a hegemonia. Vou listá-los abaixo.
1 - O São Paulo prioriza a competência humana na gestão do futebol. Banca o profissional mais competente nas áreas de apoio e permite ao treinador ficar com a cabeça voltada apenas para o que ele deve fazer: treinar o time. Mais que a estrutura física, é o pensamento voltado para a excelência que faz do São Paulo um time, hoje, diferente. Porque a estrutura física era ótima entre 95 e 2004, e o time ficou dez anos sem chegar à Libertadores, por exemplo. E hoje há estruturas físicas até mais completas, como a do Cruzeiro.
2 - O clube conseguiu blindar o futebol da questão política com muito sucesso. Há oposição, há cornetagem, denúncias, escândalos, mas todos estão unidos em um aspecto: todos querem ver o time campeão. Não há gente que torce pela derrota do time, como acontece em outros clubes.
3- Há uma mistura interessante entre modernidade e passado no clube. O sistema de gestão do futebol profissional é moderno, mas existe a figura do poderoso-chefão, do presidente manda-chuva, como era no passado, o cartolão. Isso apressa algumas tomadas de decisão e evita que a vaidade entre cartolas menores em busca de holofote atrapalhe o dia-a-dia.
4 - O presidente do clube gosta e entende de futebol. Isso é fudamental. Assim como o caso do Internacional. Quem cuida do futebol gosta de ver futebol, de ir ao futebol, de falar sobre futebol. Na hora de peitar um treinador mais saidinho, isso faz a diferença.
5 - O São Paulo nunca se descuida nos bastidores, o que é importante num futebol como o brasileiro.
6 - O marketing do São Paulo é excelente, consegue a proeza - o que em termos de marketing é fundamental - de cravar "verdades" que não são verdadeiras. Por exemplo: o Corinthians e o Flamengo, historicamente, revelaram mais jogadores que o São Paulo, que é quem tem a fama de ser o grande revelador de jogadores. Fora isso, explora muito bem a questão de camisas especiais, de datas históricas etc.
7 - Idéias arejadas. A versão atual do São Paulo, que é dos anos 30, é a mais jovem entre os grandes times brasileiros, o que possibilita o acesso de novas idéias de uma maneira mais rápida e eficiente. O que atrai torcedores mais jovens.
8 - A revitalização financeira do Morumbi. O estádio chegou a ser um elefante branco, que não gerava a receita que o clube esperava. A construção de camarotes, lojas e restaurantes fez com que o estádio gerasse receita mesmo quando não estivesse lotado ou cedido para shows.
9 - Ídolo. Rogério Ceni é fundamental para a identificação dos jogadores e dos torcedores com o clube. Seguramente, é o jogador mais importante da história do São Paulo.
10 - Sorte. Não adianta fugir disso.Todo grande time em grande fase, tem uma boa dose de sorte. Aliada à competência, forma uma dupla imbatível.
Certamente existem dezenas de teses para definir ou tentar explicar a supremacia do São Paulo no futebol brasileiro. Permito-me apresentar a minha.
Acredito que alguns pontos explicam a hegemonia. Vou listá-los abaixo.
1 - O São Paulo prioriza a competência humana na gestão do futebol. Banca o profissional mais competente nas áreas de apoio e permite ao treinador ficar com a cabeça voltada apenas para o que ele deve fazer: treinar o time. Mais que a estrutura física, é o pensamento voltado para a excelência que faz do São Paulo um time, hoje, diferente. Porque a estrutura física era ótima entre 95 e 2004, e o time ficou dez anos sem chegar à Libertadores, por exemplo. E hoje há estruturas físicas até mais completas, como a do Cruzeiro.
2 - O clube conseguiu blindar o futebol da questão política com muito sucesso. Há oposição, há cornetagem, denúncias, escândalos, mas todos estão unidos em um aspecto: todos querem ver o time campeão. Não há gente que torce pela derrota do time, como acontece em outros clubes.
3- Há uma mistura interessante entre modernidade e passado no clube. O sistema de gestão do futebol profissional é moderno, mas existe a figura do poderoso-chefão, do presidente manda-chuva, como era no passado, o cartolão. Isso apressa algumas tomadas de decisão e evita que a vaidade entre cartolas menores em busca de holofote atrapalhe o dia-a-dia.
4 - O presidente do clube gosta e entende de futebol. Isso é fudamental. Assim como o caso do Internacional. Quem cuida do futebol gosta de ver futebol, de ir ao futebol, de falar sobre futebol. Na hora de peitar um treinador mais saidinho, isso faz a diferença.
5 - O São Paulo nunca se descuida nos bastidores, o que é importante num futebol como o brasileiro.
6 - O marketing do São Paulo é excelente, consegue a proeza - o que em termos de marketing é fundamental - de cravar "verdades" que não são verdadeiras. Por exemplo: o Corinthians e o Flamengo, historicamente, revelaram mais jogadores que o São Paulo, que é quem tem a fama de ser o grande revelador de jogadores. Fora isso, explora muito bem a questão de camisas especiais, de datas históricas etc.
7 - Idéias arejadas. A versão atual do São Paulo, que é dos anos 30, é a mais jovem entre os grandes times brasileiros, o que possibilita o acesso de novas idéias de uma maneira mais rápida e eficiente. O que atrai torcedores mais jovens.
8 - A revitalização financeira do Morumbi. O estádio chegou a ser um elefante branco, que não gerava a receita que o clube esperava. A construção de camarotes, lojas e restaurantes fez com que o estádio gerasse receita mesmo quando não estivesse lotado ou cedido para shows.
9 - Ídolo. Rogério Ceni é fundamental para a identificação dos jogadores e dos torcedores com o clube. Seguramente, é o jogador mais importante da história do São Paulo.
10 - Sorte. Não adianta fugir disso.Todo grande time em grande fase, tem uma boa dose de sorte. Aliada à competência, forma uma dupla imbatível.
SOBRE O FLUMINENSE E XERÉM
Recebi um educado posto de um torcedor do Fluminense que reproduzo abaixo:
gosto dos seus comentarios, pq sao quase sempre imparciais e inteligentes. acontece que ontem no "Troca de Passes" vc falou algo que precisa ser consertado. Desmereceu Xerem.... quem Xerem deu pro Flu nesse tempo todo? eu te digo: FH (titular) Rafael(titular Manchester)Thiago Silva (Sim ele veio de la!)Rodolfo (Russia) e MArcelo (Real MAdrid); Roberto Brum (Santos) Arouca, Diego Souza (palmeiras)e Roger (Qatar , que rendeu U$ 7,5 milhoes liquidos em 2000); Carlos Alberto (3,3 milhoes de Euros) e Tiui (Sporting-Portugal)... fora outros menos cotados... um time de respeito nao eh? sem Xerem, o Flu nao seria nada, pq a Unimed so paga salarios de jogadores. portanto, procure se informar antes de falar. E outra!... Vc falou em Miranda como melhor Zagueiro do Brasil; depois ainda falou em Andre Dias... ai vc nao foi imparcial.. pq TODOS sabem que Thiago Silva eh o melhor disparado. mas nesse caso, como se trata apenas de opiniao.. cada um tem a sua ne? e eu respeito.Abracos e parabens pelo trabalho.
Legal debater em alto nível. Onde errei, que seja feita a correção com justiça. Agora, vamos analisar a questão do Fluminense no aspecto macro. De Xerém saíram também Rodrigo Tiuí, Alex Terra, Juliano, Esquerdinha, Alan, Arílson, Rodolfo Soares, Amarildo, Fernando, Luizinho e Madson. Que retorno financeiro teve o clube com os mesmos. O dinheiro foi para o Fluminense ou para o patrocinador? Ou para empresários? Porque o técnico Renê Simões disse que o time do Fluminense não podia treinar em Xerém, que não havia condição? Por que o dinheiro da venda de tantos jogadores não é reinvestido em Xerém, ou nas Laranjeiras? O Fluminense tem condições de sobreviver sem sua parceira? Nem questiono a qualidade de alguns jogadores citados.
Sobre Thiago Silva, excelente jogador, é questão de opinião. Eu acho que ele é ótimo, e certamente será melhor que o André Silva e o Miranda. Ainda não é.
Abs
Recebi um educado posto de um torcedor do Fluminense que reproduzo abaixo:
gosto dos seus comentarios, pq sao quase sempre imparciais e inteligentes. acontece que ontem no "Troca de Passes" vc falou algo que precisa ser consertado. Desmereceu Xerem.... quem Xerem deu pro Flu nesse tempo todo? eu te digo: FH (titular) Rafael(titular Manchester)Thiago Silva (Sim ele veio de la!)Rodolfo (Russia) e MArcelo (Real MAdrid); Roberto Brum (Santos) Arouca, Diego Souza (palmeiras)e Roger (Qatar , que rendeu U$ 7,5 milhoes liquidos em 2000); Carlos Alberto (3,3 milhoes de Euros) e Tiui (Sporting-Portugal)... fora outros menos cotados... um time de respeito nao eh? sem Xerem, o Flu nao seria nada, pq a Unimed so paga salarios de jogadores. portanto, procure se informar antes de falar. E outra!... Vc falou em Miranda como melhor Zagueiro do Brasil; depois ainda falou em Andre Dias... ai vc nao foi imparcial.. pq TODOS sabem que Thiago Silva eh o melhor disparado. mas nesse caso, como se trata apenas de opiniao.. cada um tem a sua ne? e eu respeito.Abracos e parabens pelo trabalho.
Legal debater em alto nível. Onde errei, que seja feita a correção com justiça. Agora, vamos analisar a questão do Fluminense no aspecto macro. De Xerém saíram também Rodrigo Tiuí, Alex Terra, Juliano, Esquerdinha, Alan, Arílson, Rodolfo Soares, Amarildo, Fernando, Luizinho e Madson. Que retorno financeiro teve o clube com os mesmos. O dinheiro foi para o Fluminense ou para o patrocinador? Ou para empresários? Porque o técnico Renê Simões disse que o time do Fluminense não podia treinar em Xerém, que não havia condição? Por que o dinheiro da venda de tantos jogadores não é reinvestido em Xerém, ou nas Laranjeiras? O Fluminense tem condições de sobreviver sem sua parceira? Nem questiono a qualidade de alguns jogadores citados.
Sobre Thiago Silva, excelente jogador, é questão de opinião. Eu acho que ele é ótimo, e certamente será melhor que o André Silva e o Miranda. Ainda não é.
Abs
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