ALGUNS ELOGIOS QUE FAZEM A GENTE
ESQUECER ATÉ AS CRÍTICAS MAIS TOLAS
Críticas e elogio fazem parte, usando um termo da galerinha atual. Qualquer problema que ocorre com um conhecido seu, é certeza que, na valorosa tentativa de ajudar, pinte um faz parte. Desde que me meti a trabalha com opinião de futebol e esportes na TV eu sabia que precisava estar pronto para todo tipo de crítica e de análise sobre o meu trabalho. Felizmente, tenho colhido mais opiniões positivas do que negativas nessa caminhada, que muitas vezes é árdua, com fardos que não são nada fáceis de carregar e situações que a própria razão parece desconhecer. Mas, sacumé, faz parte.
Nos últimos dias fui agraciado com dois elogios que me deixaram muito feliz, os quais compartilho com os leitores do blog. Estava eu em Marília, na última rodada da Série B, para MAC e Ceará. Acaba o jogo, estou descendo as escadas de um triste Abreuzão quando ouço um chamado: "garoto, vem cá". Era o Cláudio Adão. Ele tinha ido a Marília ver o filho, Felipe Adão, jogar. O time do filho tinha acabado de cair para a terceira divisão, e ele teve a educação de me chamar. E trouxe a esposa, Paula Barreto, para o papo. " Paula, o que eu falo lá em casa?" Ela responde: "Que ele é o comentarista que você mais gosta porque ele vê o jogo".
Ouvir isso do Cláudio Adão, que pra quem não sabe ou não lembra, jogava muita bola e chegou a ser apontado como um substituto do Pelé, valeu demais, me deixou feliz e consciente de que estou trabalhando de maneira séria e correta. Isso sem contar o prazer de bater um papo com um cara simpático e gente fina como o Adão e também com sua esposa, uma pessoa extremamente educada e elegante.
Semana passada fui ao Museu do Futebol para um evento com blogueiros do SporTV, uma galera esperta, que escreve bem pacas. Encontro com o professor José Teixeira, um dos maiores estudiosos do futebol. Pra quem não sabe ou não lembra, José Teixeira foi treinador, preparador físico e pensador do futebol em grandes times e na Seleção Brasileira. Um de seus trabalhos mais conhecidos foi todo o mapeamento da crise do Corinthians nos 22 anos sem título, que ajudou o clube a conquistar o título de 1977. Cumprimento o professor e ele me devolve um "parabéns, você está muito bem" que me deixou desconcertado, partindo de quem partiu. Acima de tudo um homem sério e educado. Ganhei o dia.
Escrevo isso, também, porque a gente toma muita porrada quando escolhe esse caminho na vida. Óbvio que existem críticas construtivas, que apontam os erros que, claro, todos nós cometemos. Mas algumas críticas são tão descabidas que machucam, magoam. Dia desses li uma num site que se pretendia humorístico, na qual um cara disse que eu tinha a capacidade de errar o esquema tático dos times com cinco minutos de jogo. Crítica maldosa, preconceituosa. Essa dói.
Coisas assim chateiam. Mas faz parte.
Por isso é legal receber elogios de pessoas com as quais você não tem amizade, praticamente não conhece, e que tentam analisar seu trabalho sem o peso da paixão ou do preconceito. Felizmente, isso também faz parte.