AS PATADAS DOS "PROFESSORES" EA FALTA DE COMANDO DOS CLUBESRepercutiu - muito e mal - o caso das
patadas do técnico do São Paulo,
Muricy Ramalho, nos jornalistas durante a entrevista
coletiva após a derrota do seu
time para o Santo André. Não é novidade, nem exclusividade do
Muricy.
Vejo a coisa da seguinte forma: ninguém está ali para saber o que pensa o cidadão
Muricy Ramalho sobre a vida, o tempo, a crise global e mesmo sua visão sobre o futebol. As pessoas se reúnem ali após os jogos para entrevistar o técnico do São Paulo Futebol Clube que calha De ser hoje
Muricy Ramalho. Houve muitos outros antes e haverá muitos outros depois dele. O clube permanecerá. Como no
Corinthians é o Mano Menezes, no Palmeiras o Luxemburgo, no
Inter o
Tite, no Fluminense o
Renê Simões.
Acima dos "professores", muito acima, estão as instituições para as quais eles trabalham. O técnico de um desses clubes não dá entrevista para fulano ou
cicrano, mas para os milhões de torcedores dos seus clubes. Como um ministro de Estado não fala para o jornalista de determinado veículo, mas para mim, para você, para o contribuinte, o cidadão.
Acontece que, muito por culpa de um vício recente do jornalismo
esportivo, os treinadores viraram celebridades. Falam mais do que deviam e por isso, muitas vezes, falam demais por não ter nada a dizer, como cantou um dia Renato Russo. Viraram estrelas de primeira grandeza e gostaram disso.
Ao serem colocados num pedestal para dar suas entrevistas enfadonhas e repetitivas (recheadas de perguntas enfadonhas e repetitivas) eles se sentem naturalmente superiores e se acham no direito de distribuir coices a torto e a direito. Alguns o fazem como teste. Luxemburgo, por exemplo, apenas repete o bate e assopra que foi eternizado pelo mestre
Oswaldo Brandão. Primeiro uma patada para saber se o repórter pipocava ou não. Depois, um afago.
Mano Menezes é,
atualmente, um dos mais educados entre os treinadores, assim como
Renê Simões e Caio
Jr. Ambos pensam antes de responder, até polemizam, mas com critério.
Muricy - e falo isso porque gosto dele e de seu
trabalho e me dou bem com ele - é mais pavio curto, menos sofisticado. A embalagem pode ser vendida com autenticidade, mas o resultado acaba sendo falta de educação mesmo, em muitas situações.
O que ele e outros não entendem é que seria muito mais complicado se os clubes resolvessem, por hipótese,
adotar a via
direta de comunicação. Em vez de atender aos jornalistas, os treinadores todos os dias receberiam os torcedores para responder aos
seus questionamentos. Por que é o torcedor do São Paulo que quer saber - e tem direito - qual será a nova dupla de ataque do
time.
Isso tudo acontece porque as
diretorias dos clubes são ausentes, na maioria dos casos. Porque as
grosserias e
patadas acontecem com os distintivos dos clubes e as marcas de seus patrocinadores como pano de fundo. Ou até nos bonés e camisetas. Quem está sendo indelicado é o sujeito que ocupa o cargo de treinador do clube e só é famoso e bem remunerado porque é treinador daquele clube, que oferece a ele as condições de trabalhar e ser reconhecido por isso, através de sua capacidade. O técnico não é dono do time, muito menos do clube.
Para um clube que faz questão de valorizar e divulgar sua fama de moderno e organizado, o São Paulo deveria mostrar a
Muricy Ramalho que a ordem das coisas é um pouco diferente do que aparece creditado pela imprensa. É o treinador do São Paulo,
Muricy Ramalho. Não
Muricy Ramalho, o treinador do São Paulo. Pega mal para a imagem da instituição.
LUTO NO BASQUETEDuas mortes abalaram o mundo do
basquete. O passado de glórias representado pelo
pivô Adílson, figura
importante dos anos 70 e 80, de jogos memoráveis pelas quadras do mundo. E um futuro de esperanças representado pela
pivô Michelle Spliter, de apenas 19 anos. Derrotados por doenças, eles foram vitoriosos na vida difícil, de batalhas, e nas quadras.