ESTRELA SOLIDÁRIA
DO FOGÃO E DO NEY
De solitária no Maracanã ontem, na final da Taça Guanabara, só mesmo a estrela a bater no peito dos botafoguenses. Porque os 75 mil nas arquibancadas renovaram o compromisso de fé e a grandeza desse time, muitas vezes esquecida por causa de equívocos históricos e alguns dirigentes destemperados.
A vitória foi inapelável, clássica. Resultado de um time reformulado meio que a toque de caixa. Também resultado do trabalho de um treinador de fala mansa e trabalho sério. Ney Franco não goza do prestígio natural que é conferido a alguns técnicos pelo simples fatos de os mesmos terem sido boleiros conhecidos, terem uma carreira de destaque como jogadores.
Seu trabalho é mais consistente que o do Cuca, por exemplo. Mas Cuca foi incensado à categoria de maior revelação entre os técnicos de futebol do Brasil por boa parte dos meus colegas que militam no Rio de Janeiro. Acho Cuca bom, mas vejo Ney Franco muito mais revelação do que ele. E também muito mais confirmação.
Ney Franco trabalha, estuda, começou por baixo, foi trilhando caminhos pouco comuns ao estereótipo do boleiro brasileiro ou, no caso, do treineiro: aquele que acha que só porque jogou bola está pronto para exercer qualquer função no futebol, além da de jogador.
Além de consolidar o sucesso profissional de Ney Franco, a vitória do Botafogo apresentou um time solidário, brigador, sem grandes estrelas, mas digno e competitivo. Vista em campo por 75 mil pessoas, a vitória também mostra o acerto do sistema de disputa do Estadual do Rio de Janeiro. E renova o compromisso daqueles que, como eu, adoram uma final de campeonato, o clima, a emoção, a energia de um estádio cheio em uma partida decisiva.
PARASITAS
São seres que estabelecem relação de benefício unilateral com organismos de diferentes espécies (apenas um tem vantagem com a relação).
Esta é uma das muitas definições para a praga que grassa em nossa sociedade. Seja na política, no esporte, na televisão, no dito humor escrachado e, também, no ambiente de trabalho, na família.
Sou do tempo em que fazer humor nesse País era coisa de gente como Chico Anísio, por exemplo. Sou do tempo em que se trabalhava para conseguir alguma coisa sem precisar derrubar alguém, sem precisar usar a imagem de outras pessoas, de forma ilegal, para conseguir uns cliques ou meio ponto de audiência fácil.
Felizmente, meu neurônios são exigentes e ainda têm atividade natural, não se deixam levar por produções que apelam para a exloração da imagem ou da miséria das pessoas.
Aceito qualquer tipo de crítica ao meu trabalho desde que ela seja feita no âmbito profissional e enquanto estou trabalhando, no ar.
Não faço parte do time de oportunistas que dá plantão em casa noturna para tirar foto de jogador, que bajula dirigente, puxa o saco de jogador, que é repórter um dia e assessor de imprensa de entrevistado meia hora depois. Ou que grita como independente em determinado microfone e posa de gatinho manso em outro, de alcance maior.
Felizmente faço parte de um time profissional de pessoas que se divertem estando juntas, têm prazer no que fazem e dão boas risadas. Isso talvez incomode certas pessoas até mesmo mais perto do que possamos supor.
Já fui chamado de torcedor de todos os times. É um reflexo do pensamento raso da maioria que infesta o futebol. Se você fala bem do time dele, presta. Se fala do adversário, torce para outro time. Lamentável.
Lembro de um e-mail que recebi de um torcedor do Corinthians, em 2005, citando um comentário que fiz sobre o Tevez. Eu havia dito que quem não considerava o Tevez bom de bola só poderia ser duas coisas: ou não gostava de futebol ou não gostava de argentino. O cara só faltou me chamar de gênio, coisa que eu jamai serei. Meses depois, critiquei o comportamento dos dirigentes do Corinthians e do time na campanha do rebaixamento em 2007. O mesmo torcedor me chamou de parcial, de são-paulino, santista, palmeirense. Cobri o título mundial do Inter no Japão, o que bastou para alguns gremistas me associarem ao Colorado. Gremistas que também se manifestaram no blog quando eu falei do trabalho do time no ano passado, escreveram que eu era um dos poucos que não era bairrista etc. Ou seja, tudo ao sabor do vento, da paixão.
Falei bem da Arena da Baixada e um torcedor do Coxa disse que sou atleticano. Elogiei o Cruzeiro e um atleticano mineiro ficou revoltado.
Enfim, quem gosta de futebol, quer apenas ver um bom jogo, bons jogadores. O torcedor decente, normal, sabe que um dia se ganha, outro se perde e a vida continua. O que sofre de patologias vê inimigos em toda parte, complôs etc. Opinião cada um tem a sua. Meu trabalho é falar sobre esporte em geral, na maior parte do tempo sobre futebol. As pessoas têm o direito de achar o que quiserem sobre este trabalho quando ele é trabalho. E ponho minhas mãos no fogo pelo meu. Pode-se achar fraco, ruim, patético, mas é honesto, sério e comprometido com apenas uma coisa: a emissora que me paga.
O que faço fora do ar, o que penso fora do ar só diz interesse a mim, Não sou comentarista da vida alheia.
Infelizmente, tem gente que por falta de capacidade de criar piadas ou bons programas, vive como parasita dos outros. Que surrupia imagens e tira conclusões sobre pessoas mesmo elas não aparecendo ou, pior, escreve coisas que a imagem surrupiada mostra que a pessoa não falou. Para esses talvez só exista um caminho: a lei. Mesmo em baixa, num País que teima em maltratá-la, ainda acredito na Justiça e nas pessoas de bem. Porque quem precisa se retratar são os parasitas.
segunda-feira, março 02, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Os dilemas de K9 e R9
e de Verdão e Timão
Definitivamente, não é fácil ser técnico e dirigente de futebol. Os casos de dois artilheiros, em situações muito distintas, mostram esse drama cotidiano.
Keirrison, o K9, está gastando a bola no Palmeiras. Joga muito, sem dúvida. Keirrison é o produto brasileiro de exportação por excelência. Pé-de-obra extremamente qualificado, diria meu amigo Mauro Beting. Claro que seus empresários, os donos de seus direitos federativos e econômicos olham para o garoto e sabem que estão montados numa mina de ouro.
Ronaldo Fenômeno, o R9, vive montado numa mina de ouro. Tudo com que sonha Keirrison ele já conseguiu. Suas carreiras vivem momentos distintos. Uma ainda começa, a outra se aproxima do fim. Ambos ainda têm algo a provar e, com certeza, muita bola para jogar.
Tento me colocar no posto dos dirigentes do Palmeiras e do técnico do Corinthians, Mano Menezes.
O Palmeiras tem apenas 20% dos direitos federativos de Keirrison. Está ajudando o garoto a aparecer pelo mundo com a força de sua camisa. Sabe-se que como todo clube brasileiro, o Palmeiras não nada em dinheiro, pelo contrário. Já se especulou que Keirrison valeria no mínimo R$ 75 milhões. Desses, R$ 15 seriam do Palmeiras. Mas acredita-se que o talento do garoto possa alcançar o valor de R$ 90 milhões, o que daria ao Verdão R$ 18 milhões.
O que fazer numa situação dessas? Claro que se continuar jogando bem, Keirrison pode até ser valorizado ao ponto de ultrapassar esses valores. Se for à Copa, provavelmente terá seu preço multiplicado. Mas diria o pessimista de plantão: se não vender agora, pode desvalorizar, se machucar etc. Faz parte do risco, é como aplicar na bolsa. Se tivesse dinheiro em caixa, acho que o Palmeiras deveria comprar mais um percentual dos direitos federativos de Keirrison, aumentando sua parcela no negócio. Algo como 70 e 30 ou 60 e 40.
Ao que tudo indica, Palmeiras e sua parceira teriam chegado a um acordo de que o valor para a venda de Keirrison seria de 50 milhões de euros. Algo em torno de R$ 150 milhões. Nos moldes atuais, seriam R$ 30 milhões para os cofres verdes. Se alguém fizer essa oferta, Keirrison deve deixar o Palestra Itália, é inevitável.
O caso de Ronaldo é de tirar o sono de Mano Menezes. Já pensaram no que deve ser a pressão em cima de um treinador que tem ali ao lado um dos maiores jogadores de todos os tempos, sem jogar há um ano, clinicamente recuperado, e uma engrenagem de marketing que está emperrada justamente porque o garoto-propaganda não joga?
Mano sabe que qualquer erro no planejamento pode ser fatal. Uma precipitação pode comprometer todo o projeto. Também sabe que o time anda emperrado, óbvio, e que um fora-de-série, mesmo longe da melhor forma física, resolve muitos problemas. Com Ronaldo jogando, aposto que o Corinthians arruma um patrocinador no dia seguinte. E com certeza Mano já deve ter ouvido isso dos dirigentes, que estão sofrendo para pagar salários etc.
Por isso que técnico de futebol precisa ganhar bem para ser bem cobrado e, também por isso, dirigente de futebol precisa ser profissional, estudar administração, economia etc.
e de Verdão e Timão
Definitivamente, não é fácil ser técnico e dirigente de futebol. Os casos de dois artilheiros, em situações muito distintas, mostram esse drama cotidiano.
Keirrison, o K9, está gastando a bola no Palmeiras. Joga muito, sem dúvida. Keirrison é o produto brasileiro de exportação por excelência. Pé-de-obra extremamente qualificado, diria meu amigo Mauro Beting. Claro que seus empresários, os donos de seus direitos federativos e econômicos olham para o garoto e sabem que estão montados numa mina de ouro.
Ronaldo Fenômeno, o R9, vive montado numa mina de ouro. Tudo com que sonha Keirrison ele já conseguiu. Suas carreiras vivem momentos distintos. Uma ainda começa, a outra se aproxima do fim. Ambos ainda têm algo a provar e, com certeza, muita bola para jogar.
Tento me colocar no posto dos dirigentes do Palmeiras e do técnico do Corinthians, Mano Menezes.
O Palmeiras tem apenas 20% dos direitos federativos de Keirrison. Está ajudando o garoto a aparecer pelo mundo com a força de sua camisa. Sabe-se que como todo clube brasileiro, o Palmeiras não nada em dinheiro, pelo contrário. Já se especulou que Keirrison valeria no mínimo R$ 75 milhões. Desses, R$ 15 seriam do Palmeiras. Mas acredita-se que o talento do garoto possa alcançar o valor de R$ 90 milhões, o que daria ao Verdão R$ 18 milhões.
O que fazer numa situação dessas? Claro que se continuar jogando bem, Keirrison pode até ser valorizado ao ponto de ultrapassar esses valores. Se for à Copa, provavelmente terá seu preço multiplicado. Mas diria o pessimista de plantão: se não vender agora, pode desvalorizar, se machucar etc. Faz parte do risco, é como aplicar na bolsa. Se tivesse dinheiro em caixa, acho que o Palmeiras deveria comprar mais um percentual dos direitos federativos de Keirrison, aumentando sua parcela no negócio. Algo como 70 e 30 ou 60 e 40.
Ao que tudo indica, Palmeiras e sua parceira teriam chegado a um acordo de que o valor para a venda de Keirrison seria de 50 milhões de euros. Algo em torno de R$ 150 milhões. Nos moldes atuais, seriam R$ 30 milhões para os cofres verdes. Se alguém fizer essa oferta, Keirrison deve deixar o Palestra Itália, é inevitável.
O caso de Ronaldo é de tirar o sono de Mano Menezes. Já pensaram no que deve ser a pressão em cima de um treinador que tem ali ao lado um dos maiores jogadores de todos os tempos, sem jogar há um ano, clinicamente recuperado, e uma engrenagem de marketing que está emperrada justamente porque o garoto-propaganda não joga?
Mano sabe que qualquer erro no planejamento pode ser fatal. Uma precipitação pode comprometer todo o projeto. Também sabe que o time anda emperrado, óbvio, e que um fora-de-série, mesmo longe da melhor forma física, resolve muitos problemas. Com Ronaldo jogando, aposto que o Corinthians arruma um patrocinador no dia seguinte. E com certeza Mano já deve ter ouvido isso dos dirigentes, que estão sofrendo para pagar salários etc.
Por isso que técnico de futebol precisa ganhar bem para ser bem cobrado e, também por isso, dirigente de futebol precisa ser profissional, estudar administração, economia etc.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
OS ANOS DOURADOS DO

CARNAVAL EM BARIRI
Com o desfile rolando solto na Sapucaí, preferi sintoninar na TNT e acompanhar a cerimônia de entrega de prêmio do Oscar. Fui vencido pelo sono. Algo que há 25 anos era impossível de se pensar. Carnaval era uma palavra mágica, representava muito mais do que quatro dias de festa, samba, marchinhas e quilômetros rodados, sempre no sentido horário, em volta do salão do Umuarama Clube de Campo de Bariri.
Tempos de glória absoluta e imbatível do Ghererê, o maior bloco de carnaval de que a Milionária do Vale já teve notícia. Tetracampeão do Carnaval. Só não fomos mais porque - perdão, concorrência - resolvemos parar por cima e já não dava graça.
O Ghererê era, na verdade, uma confraria, quase uma irmandade. Uma galera de mais ou menos umas 30, 40 pessoas que vivia junta o tempo todo nas férias e que, na época do Carnaval se multiplicava. Para virar bloco foi, com o perdão do trocadilho, um pulo. Lembro-me que lá pelos idos de 83 ou 84 o Purga (Dirceu Contador) fez um desenho de uma camisa para o bloco. Era um bando de malucos pichando uma nuvem no céu. Dali pintou uma fantasia de louco, outra de espantalho e por ali fomos. Era uma diversão mais sadia. Claro que sempre tinha um fogo aqui, um pileque acolá, um coma alcóolico. Mas era tudo mais ingênuo e sincero do que acontece hoje.
Ou pelo menos parecia mais ingênuo e sincero para mim, no auge dos meus 17 anos. Hoje sequer me imagino brincando o Carnaval. Meus filhos já foram às suas matinês e espero que possam se divertir tanto quanto eu me divertia com os meus grandes amigos do Ghererê na minha querida Bariri. É tanta gente que, para não esquecer os nomes de ninguém, deixo duas fotos daquela época. E aviso aos proprietários das fotos, meus grandes amigos Mozart Marciano e Carla Chaim, que estão muito bem guardadas e serão devolvidas em breve, quando pudermos visitar a metrópole.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Cruzeiro sereno.
Mas e o Kléber?
Foi categórico o triunfo do Cruzeiro sobre o Estudiantes, confirmando a grande fase e o favoritismo do clube mineiro em seu grupo na Libertadores. O time já tem uma cara, uma cadência, um jeito de jogar. O Cruzeiro segue fiel a sua tradição de bom toque de bola, de estilo elegante e com a bola rolando de pé em pé.
Resta saber como será a mistura desse Cruzeiro sereno com a inconstância emocional do atacante Kléber. Muito bom joador, a ponto de fazer 2 gols em menos de 15 minutos. Mas também incontrolável ao ponto e ser expulso logo depois por uma falta desncessária e de força desproporcional em cima de Verón.
Questiono apenas, isso em tese, os cartões que são dados para comemorações de gol. Ali celebra-se a alegria, o êxtase, e acho que em alguns casos os cartões são o anti-clímax. É muito fácil para um árbitro aplicar o cartão quando um jogador tira ou quase tira a camisa. Não é tão fácil punir o jogo violento ou o antijogo. No caso de Kléber, ele mereceu o cartão amarelo pela falta em Verón, e caberá a Adílson Batista controlar o ímpeto de seu atacante. No Palmeiras ele foi muito útil, virou ídolo, mas passou muito tempo suspenso e arrumou muita encrenca dentro de campo. O Palestra mineiro tem o desafio de domar a fera. Se conseguir, terá um atacante muito eficiente.
Mas e o Kléber?
Foi categórico o triunfo do Cruzeiro sobre o Estudiantes, confirmando a grande fase e o favoritismo do clube mineiro em seu grupo na Libertadores. O time já tem uma cara, uma cadência, um jeito de jogar. O Cruzeiro segue fiel a sua tradição de bom toque de bola, de estilo elegante e com a bola rolando de pé em pé.
Resta saber como será a mistura desse Cruzeiro sereno com a inconstância emocional do atacante Kléber. Muito bom joador, a ponto de fazer 2 gols em menos de 15 minutos. Mas também incontrolável ao ponto e ser expulso logo depois por uma falta desncessária e de força desproporcional em cima de Verón.
Questiono apenas, isso em tese, os cartões que são dados para comemorações de gol. Ali celebra-se a alegria, o êxtase, e acho que em alguns casos os cartões são o anti-clímax. É muito fácil para um árbitro aplicar o cartão quando um jogador tira ou quase tira a camisa. Não é tão fácil punir o jogo violento ou o antijogo. No caso de Kléber, ele mereceu o cartão amarelo pela falta em Verón, e caberá a Adílson Batista controlar o ímpeto de seu atacante. No Palmeiras ele foi muito útil, virou ídolo, mas passou muito tempo suspenso e arrumou muita encrenca dentro de campo. O Palestra mineiro tem o desafio de domar a fera. Se conseguir, terá um atacante muito eficiente.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
O SPORT É O BRASIL
NA LIBERTADORES
Tudo bem que primeira rodada não serve para projeções e análises que se proponham definitivas. Mas quando se esperava muito dos badalados São Paulo e Palmeiras foi o Sport o brasileiro que brilhou na abertura da Libertadores. Galvão Bueno não teria problemas em bradar que o Sport é o Brasil na Libertadores.
O Leão do Nordeste conseguiu um resultado histórico em Santiago, batendo o Colo Colo, campeão chileno. Resultado que só deve reforçar a paixão da gigante torcida rubro-negra pernambucana. O Sport se firma como o maior time do Nordeste brasileiro e briga contra o quase absurdo e permanente descaso que a maioria da mídia tem para com o futebol que se pratica longe dos grandes centros. Porque o Sport é, sim, um grande time do Brasil.
Seus torcedores merecem curtir esse momento e têm o dever de passar a energia que costumam transferir para o time na Ilha do Retiro. Com essa vitória no Chile e a tendência de manutenção dos ótimos resultados em Recife, o Sport já se projetou como favorito ao primeiro lugar do grupo. Pode parecer precipitação afirmar isso com apenas uma rodada. Mas é apenas tendência. Se vencer seus três jogos em casa o Leão chega a 12 pontos e se classifica, no mínimo, em segundo lugar. Claro que é preciso vencê-los e isso não será fácil. Mas o Sport mostrou que pode.
Infelizmente não consegui ver o jogo do Sport aqui em São Paulo. Por isso analiso apenas o resultado e seu impacto na sequência do grupo 1 da Libertadores.
O VÍCIO SÃO-PAULINO
Foi um Tom e Jerry do futebol, o jogo do gato caçando o rato. E por pouco o rato não levou a melhor. O empate com sabor amargo para o São Paulo por pouco não se transformou em tragédia - se virasse derrota. Mesmo assim, obriga o Tricolor a buscar pontos em Cáli e em Montevidéu nas próximas rodadas.
O jogo foi um bombardeio e não seria absurdo se o placar terminasse em 4, 5 a zero para o time brasileiro. Mas chance perdida não conta ponto. O que conta são as análises e observações que podem vir do que se observou.
O São Paulo confia tanto na eficiencia de sua força aérea que se tornou um time viciado em cruzamentos para a área. Isso desde há muito tempo. Foi assim com Adriano e já era antes dele. A equipe de Muricy Ramalho tem no subconsciente uma orientação para cruzar bolas em busca de alguém que as cabeceie ou empurre para a rede. O problema é que mesmo quando não é a jogada mais indicada, a que se desenha, o São Paulo quase sempre opta pelo chuveirinho, ou aposta num escanteio para que Jorge Wagner jogue o pânico para dentro da área inimiga.
Com Dagoberto e Borges o time fica com os pés e a bola no chão, mais leve, com mais opções. Washington é muito bom, mas se movimenta menos e limita o raio de ação do time quando este enfrenta uma marcação mais forte e um adversário retrancado. O gol de empate surge quando Dagoberto foge do estilo bitolado da bola levantada para a área. Ele cruza a meia altura e Borges faz numa meia-bicicleta inspirada. Inspiração, aliás, que anda faltando a esse São Paulo eficiente mas ainda condicionado a fazer de sua principal arma a única.
NA LIBERTADORES
Tudo bem que primeira rodada não serve para projeções e análises que se proponham definitivas. Mas quando se esperava muito dos badalados São Paulo e Palmeiras foi o Sport o brasileiro que brilhou na abertura da Libertadores. Galvão Bueno não teria problemas em bradar que o Sport é o Brasil na Libertadores.
O Leão do Nordeste conseguiu um resultado histórico em Santiago, batendo o Colo Colo, campeão chileno. Resultado que só deve reforçar a paixão da gigante torcida rubro-negra pernambucana. O Sport se firma como o maior time do Nordeste brasileiro e briga contra o quase absurdo e permanente descaso que a maioria da mídia tem para com o futebol que se pratica longe dos grandes centros. Porque o Sport é, sim, um grande time do Brasil.
Seus torcedores merecem curtir esse momento e têm o dever de passar a energia que costumam transferir para o time na Ilha do Retiro. Com essa vitória no Chile e a tendência de manutenção dos ótimos resultados em Recife, o Sport já se projetou como favorito ao primeiro lugar do grupo. Pode parecer precipitação afirmar isso com apenas uma rodada. Mas é apenas tendência. Se vencer seus três jogos em casa o Leão chega a 12 pontos e se classifica, no mínimo, em segundo lugar. Claro que é preciso vencê-los e isso não será fácil. Mas o Sport mostrou que pode.
Infelizmente não consegui ver o jogo do Sport aqui em São Paulo. Por isso analiso apenas o resultado e seu impacto na sequência do grupo 1 da Libertadores.
O VÍCIO SÃO-PAULINO
Foi um Tom e Jerry do futebol, o jogo do gato caçando o rato. E por pouco o rato não levou a melhor. O empate com sabor amargo para o São Paulo por pouco não se transformou em tragédia - se virasse derrota. Mesmo assim, obriga o Tricolor a buscar pontos em Cáli e em Montevidéu nas próximas rodadas.
O jogo foi um bombardeio e não seria absurdo se o placar terminasse em 4, 5 a zero para o time brasileiro. Mas chance perdida não conta ponto. O que conta são as análises e observações que podem vir do que se observou.
O São Paulo confia tanto na eficiencia de sua força aérea que se tornou um time viciado em cruzamentos para a área. Isso desde há muito tempo. Foi assim com Adriano e já era antes dele. A equipe de Muricy Ramalho tem no subconsciente uma orientação para cruzar bolas em busca de alguém que as cabeceie ou empurre para a rede. O problema é que mesmo quando não é a jogada mais indicada, a que se desenha, o São Paulo quase sempre opta pelo chuveirinho, ou aposta num escanteio para que Jorge Wagner jogue o pânico para dentro da área inimiga.
Com Dagoberto e Borges o time fica com os pés e a bola no chão, mais leve, com mais opções. Washington é muito bom, mas se movimenta menos e limita o raio de ação do time quando este enfrenta uma marcação mais forte e um adversário retrancado. O gol de empate surge quando Dagoberto foge do estilo bitolado da bola levantada para a área. Ele cruza a meia altura e Borges faz numa meia-bicicleta inspirada. Inspiração, aliás, que anda faltando a esse São Paulo eficiente mas ainda condicionado a fazer de sua principal arma a única.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Assim é que se
trata La Pelota
A Libertadores está aí, pulsando, mexendo com os corações latino-americanos. Hora certa para recomendar um blog que deve ser leitura - não de cabeceira, claro - de notebooks, deskotps, iphones, smartphones e afins.
O La Pelota é um blog seminal sobre o futebol cucaracha, tão esquecido, tão abandonado pela mídia, mesmo estando aí do lado.
Capitaneado por três grandes jornalistas esportivos que você não vê nas telinhas, nem ouve nas ondas de rádio, mas com certeza vai ler muito e já ouviu muita gente boa ler o que eles escrevem. Cauê Dias, Bruno de Almeida e Leonardo Habibi compartilham da mesma paixão que eu nutro pela pelota que rola pelas "calles", "potreros", "semilleros" e afins de nossos vizinhos.
A esta paixão adicionam pesquisa, conhecimento, contatos e grandes sacadas.
Ao clicar essa Pelota você certamente sairá muito mais informado e preparado para as discussões de "boliches", "bodegas" e outros com os hermanos.
trata La Pelota
A Libertadores está aí, pulsando, mexendo com os corações latino-americanos. Hora certa para recomendar um blog que deve ser leitura - não de cabeceira, claro - de notebooks, deskotps, iphones, smartphones e afins.
O La Pelota é um blog seminal sobre o futebol cucaracha, tão esquecido, tão abandonado pela mídia, mesmo estando aí do lado.
Capitaneado por três grandes jornalistas esportivos que você não vê nas telinhas, nem ouve nas ondas de rádio, mas com certeza vai ler muito e já ouviu muita gente boa ler o que eles escrevem. Cauê Dias, Bruno de Almeida e Leonardo Habibi compartilham da mesma paixão que eu nutro pela pelota que rola pelas "calles", "potreros", "semilleros" e afins de nossos vizinhos.
A esta paixão adicionam pesquisa, conhecimento, contatos e grandes sacadas.
Ao clicar essa Pelota você certamente sairá muito mais informado e preparado para as discussões de "boliches", "bodegas" e outros com os hermanos.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Muito mais defeitos que
virtudes na derrota do
Palmeiras na Libertadores
O Palmeiras tem muitas lições para tirar de sua estréia na fase de grupos da Libertadores. A primeira delas é que Campeonato Paulista não serve de parâmetro para competições internacionais. Como diria o filósofo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Outro aspecto é que em jogo internacional os erros têm um peso muito maior. E o Palmeiras errou demais, principalmente em seu sistema defensivo. Erros individuais e principalmente táticos. Que podem passar despercebidos contra um Mogi Mirim, mas ficam evidentes em jogos contra equipes mais gabaritadas e experientes.
Os gols surgiram de erros individuais provocados por equívocos táticos. Pierre ficou (e geralmente fica) sobrecarregado na marcação do meio-campo, o que deu muto espaço ao meio-campo da LDU. Espaço que o esperto argentino Manso aproveitou. O Palmeiras precisa mais de um segundo volante para marcar ao lado de Pierre do que de um terceiro zagueiro. Mesmo porque os alas palmeirenses não são jogadores que façam a diferença que justifique a última linha de três defensores.
Desde o início do Paulistão que a defesa palmeirense mostra problemas nas bolas cruzadas para a área. Exceto Edmílson, os outros zagueiros do time são, quando muito, apenas razoáveis e têm problemas de recuperação. Marcos, que voltou fora de ritmo, demonstra claramente que não confia na defesa e se precipita em algumas saídas por causa disso. O lance do segundo gol da LDU foi a prova disso. Dois campeoes mundiais na bola e erro duplo.
A juventude do time cobrou seu preço, o que serve de experiência e aprendizado. Keirrison jogou mal e foi mal aproveitado pelo time. Cleiton Xavier não assumiu a responsabilidade de organizar o meio-campo, assim como Diego Souza. Mesmo contra um adversário inferior tecnicamente e visivelmente assustado no início do segundo tempo, o Palmeiras não soube se impor. E houve alguns exageros em faltas desnecessárias, provocadas por erros infantis de passes, como o de Marquinhos, que originou a jogada que culminou no terceiro gol equatoriano.
O time mostrou potencial para evoluir e se classifcar, mas há questões táticas e técnicas a serem resolvidas. Contra adversários um pouco melhores ficou claro que o time marca mal no meio-campo e se expõe demais quando sai com os alas. O que evidencia a falta de equilíbrio do time, que é leve, ofensivo, insinuante, mas ainda está longe de ser confiável.
virtudes na derrota do
Palmeiras na Libertadores
O Palmeiras tem muitas lições para tirar de sua estréia na fase de grupos da Libertadores. A primeira delas é que Campeonato Paulista não serve de parâmetro para competições internacionais. Como diria o filósofo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Outro aspecto é que em jogo internacional os erros têm um peso muito maior. E o Palmeiras errou demais, principalmente em seu sistema defensivo. Erros individuais e principalmente táticos. Que podem passar despercebidos contra um Mogi Mirim, mas ficam evidentes em jogos contra equipes mais gabaritadas e experientes.
Os gols surgiram de erros individuais provocados por equívocos táticos. Pierre ficou (e geralmente fica) sobrecarregado na marcação do meio-campo, o que deu muto espaço ao meio-campo da LDU. Espaço que o esperto argentino Manso aproveitou. O Palmeiras precisa mais de um segundo volante para marcar ao lado de Pierre do que de um terceiro zagueiro. Mesmo porque os alas palmeirenses não são jogadores que façam a diferença que justifique a última linha de três defensores.
Desde o início do Paulistão que a defesa palmeirense mostra problemas nas bolas cruzadas para a área. Exceto Edmílson, os outros zagueiros do time são, quando muito, apenas razoáveis e têm problemas de recuperação. Marcos, que voltou fora de ritmo, demonstra claramente que não confia na defesa e se precipita em algumas saídas por causa disso. O lance do segundo gol da LDU foi a prova disso. Dois campeoes mundiais na bola e erro duplo.
A juventude do time cobrou seu preço, o que serve de experiência e aprendizado. Keirrison jogou mal e foi mal aproveitado pelo time. Cleiton Xavier não assumiu a responsabilidade de organizar o meio-campo, assim como Diego Souza. Mesmo contra um adversário inferior tecnicamente e visivelmente assustado no início do segundo tempo, o Palmeiras não soube se impor. E houve alguns exageros em faltas desnecessárias, provocadas por erros infantis de passes, como o de Marquinhos, que originou a jogada que culminou no terceiro gol equatoriano.
O time mostrou potencial para evoluir e se classifcar, mas há questões táticas e técnicas a serem resolvidas. Contra adversários um pouco melhores ficou claro que o time marca mal no meio-campo e se expõe demais quando sai com os alas. O que evidencia a falta de equilíbrio do time, que é leve, ofensivo, insinuante, mas ainda está longe de ser confiável.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
O PERCENTUAL DE IMBECILIDADE
QUE AMEAÇA O NOSSO FUTEBOL
Imagine-se na seguinte situação. Você vai ao estádio ver um grande jogo de futebol. Comprou seu ingresso com antecedência, pagou caro, chegou cedo e o mínimo que espera é tranquilidade e segurança para você, mulheres e crianças que o acompanham.
Mas eis que na entrada do setor para o qual você havia comprado ingresso muito antes e pagando muito caro há um corredor polonês de torcedores violentos e provocativos da equipe adversária. Para chegar ao seu lugar no estádio você precisa passar por eles e tem que ouvir, calado, de cabeça baixa, com mulheres e crianças ao seu lado, qualquer sorte de ameaças, ofensas e xingamentos. Isso rezando para que não sejam agredidos, você, mulheres e crianças.
Pois ouvi esse relato de um amigo que foi ao Morumbi ver São Paulo x Corinthians. O clássico de pouco futebol e muita imbecilidade, dentro e fora de campo, que escancarou o amadorismo e a precariedade das pessoas que cuidam do esporte mais popular do País e o despreparo emocional de boa parte dos que o praticam.
Cheio de boas intenções, nas quais realmente acredito, o promotor Paulo Castilho resolveu agora colocar o argumento na frente dos fatos. Cismou que reduzindo o número de torcedores adversários na casa do mandante reduzirá a violência. Não foi o que se viu no clássico deste domingo. Porque sendo 10% ou 5%, no atual modelo em que os torcedores mais violentos são privilegiados na venda de ingressos, serão sempre os briguentos que irão a campo. Talvez até infiltrados entre uma maioria que quer apenas ver um jogo de futebol.
O argumento de que na Argentina isso foi tentado com sucesso não se sustenta. Em 26 de janeiro de 2009 um torcedor do Boca Juniors foi assassinado diante de sua família por um outro torcedor do Boca, por causa de rixas internas entre as torcidas. Pode não se matar dentro do estádio (o que continua ocorrendo, vide o ocorrido em um Arsenal x River de 2008, quando uma briga entre torcedores do River provocou cenas de agressão com correntes, facas e tudo mais). Vejam neste vídeo.
Acontece que se mata mais nas cercanias, como aconteceu com o torcedor assassinado em Minas antes de Cruzeiro x Atlético. E mesmo com as melhores intenções, nossas autoridades insistem em empurrar a sujeira para baixo do tapete e não atacam a impunidade. Preferem cercear o direito sagrado de ir e vir, de ir a um jogo de futebol pelo simples prazer de ir a um jogo de futebol. Querem restringir o número de torcedores, mesmo sabendo que só irão os mais violentos, porque estes têm privilégio junto à direção dos clubes. Direção de clubes que, quase sobre boquirrota, contribui para acender o pavio da violência e da insanidade, como este mesmo blog alertou recentemente.
O que há de positivo na ação do promotor Castilho é um trabalho de bastidores para mudar a lei, para torná-la menos branda e permissiva e devolver o futebol ao torcedor que quer apenas gritar o gol. Antes que ele seja dominado pelos que chamam pela morte.
QUE AMEAÇA O NOSSO FUTEBOL
Imagine-se na seguinte situação. Você vai ao estádio ver um grande jogo de futebol. Comprou seu ingresso com antecedência, pagou caro, chegou cedo e o mínimo que espera é tranquilidade e segurança para você, mulheres e crianças que o acompanham.
Mas eis que na entrada do setor para o qual você havia comprado ingresso muito antes e pagando muito caro há um corredor polonês de torcedores violentos e provocativos da equipe adversária. Para chegar ao seu lugar no estádio você precisa passar por eles e tem que ouvir, calado, de cabeça baixa, com mulheres e crianças ao seu lado, qualquer sorte de ameaças, ofensas e xingamentos. Isso rezando para que não sejam agredidos, você, mulheres e crianças.
Pois ouvi esse relato de um amigo que foi ao Morumbi ver São Paulo x Corinthians. O clássico de pouco futebol e muita imbecilidade, dentro e fora de campo, que escancarou o amadorismo e a precariedade das pessoas que cuidam do esporte mais popular do País e o despreparo emocional de boa parte dos que o praticam.
Cheio de boas intenções, nas quais realmente acredito, o promotor Paulo Castilho resolveu agora colocar o argumento na frente dos fatos. Cismou que reduzindo o número de torcedores adversários na casa do mandante reduzirá a violência. Não foi o que se viu no clássico deste domingo. Porque sendo 10% ou 5%, no atual modelo em que os torcedores mais violentos são privilegiados na venda de ingressos, serão sempre os briguentos que irão a campo. Talvez até infiltrados entre uma maioria que quer apenas ver um jogo de futebol.
O argumento de que na Argentina isso foi tentado com sucesso não se sustenta. Em 26 de janeiro de 2009 um torcedor do Boca Juniors foi assassinado diante de sua família por um outro torcedor do Boca, por causa de rixas internas entre as torcidas. Pode não se matar dentro do estádio (o que continua ocorrendo, vide o ocorrido em um Arsenal x River de 2008, quando uma briga entre torcedores do River provocou cenas de agressão com correntes, facas e tudo mais). Vejam neste vídeo.
Acontece que se mata mais nas cercanias, como aconteceu com o torcedor assassinado em Minas antes de Cruzeiro x Atlético. E mesmo com as melhores intenções, nossas autoridades insistem em empurrar a sujeira para baixo do tapete e não atacam a impunidade. Preferem cercear o direito sagrado de ir e vir, de ir a um jogo de futebol pelo simples prazer de ir a um jogo de futebol. Querem restringir o número de torcedores, mesmo sabendo que só irão os mais violentos, porque estes têm privilégio junto à direção dos clubes. Direção de clubes que, quase sobre boquirrota, contribui para acender o pavio da violência e da insanidade, como este mesmo blog alertou recentemente.
O que há de positivo na ação do promotor Castilho é um trabalho de bastidores para mudar a lei, para torná-la menos branda e permissiva e devolver o futebol ao torcedor que quer apenas gritar o gol. Antes que ele seja dominado pelos que chamam pela morte.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
VASCO, SANTOS E SUAS CRISES
Será que haveria um ponto comum nas crises por que passam dois dos maiores times do Brasil, Vasco e Santos?
Talvez sim. Porque são clubes que sofrem os efeitos maléficos de administrações personalistas e prologadas, cujos defeitos e vícios acabam refletindo, cedo ou tarde, no desempenho do time de futebol.
O Vasco foi dirigido como um feudo por Eurico Miranda durante muito, muito tempo. Teve grandes momentos, grandes times, mas sempre havia uma pergunta, um questionamento quanto aos métodos utilizados por seu, digamos, dono à época. Tenho um amigo vascaíno que sempre defendia os métodos do Eurico afirmando que ele lutava pelo Vasco. Recentemente mudou de ideia.
O que se lê e ouve é que o Vasco virou terra arrasada. A bomba estourou em Roberto Dinamite, que agora tem sua biografia de maior ídolo do clube sendo contestada por um início de administração conturbado. O Vasco não caiu por causa de Roberto. Mas há perguntas que Roberto precisa responder, tais como empregar um sobrinho no clube. Para quem defendeu as ideias que defendeu, ele não pode fazer tal coisa.
Também parece impensável que um clube futebol profissional possa perder seis pontos porque inscreveu de maneira irregular um atleta. Em pleno século 21 isso é inadmissível.
O Vasco precisa de pacificação, da união dos vascaínos, de uma lavagem cerebral para apagar os métodos que fizeram até alguns vascaínos, como o amigo anteriormente citados, aceitarem os absurdos que eram praticados simplesmente porque o time vencia.
O caso do Santos tem diferenças, mas, talvez, o vício seja o mesmo. O clube tem um dono, seu presidente. Que, isso é sabido, emprestou dinheiro das suas empresas para o clube em momentos complicados. Em troca assumiu o monopólio político/administrativo. O Santos é administrado como uma empresa familiar. Está longe da situação quase pós-guerra do Vasco, tem um patrimônio, cresceu, mas será que é saudável que seja sempre a mesma família a mandar num clube tão importante?
O último capítulo da crise santista foi a demissão do técnico Márcio Fernandes. Tratado como herói por ter livrado o clube do rebaixamento no Brasileiro de 2008, Márcio virou o inocente útil. Ganha muito menos que os principais jogadores, aceita tudo que o clube impõe, não reclama, nõa bate de frente. Mas se o time ganha, é o alvo perfeito para que se jogue a culpa.
Mas o que dizer da atuação de Roni contra o Marília? De sua saída com sorriso irônico no rosto? Ou de um Molina que pouco correu atrás da bola mas teve fôlego para tentar chutar por trás um adversário. De jogadores que viram as costas para o time ao primeiro passe errado?
Porque uma coisa é técnico sem comando. Outra é direção de clube que não banca o comando do treinador. E uma terceira é jogador que zomba de técnico sem comando.
Só sei que vascaínos e santistas não merecem o que têm passado. Muito porque é a vontade de um que se impõe sobre o sentimento coletivo. E cedo ou tarde isso desaba.
Será que haveria um ponto comum nas crises por que passam dois dos maiores times do Brasil, Vasco e Santos?
Talvez sim. Porque são clubes que sofrem os efeitos maléficos de administrações personalistas e prologadas, cujos defeitos e vícios acabam refletindo, cedo ou tarde, no desempenho do time de futebol.
O Vasco foi dirigido como um feudo por Eurico Miranda durante muito, muito tempo. Teve grandes momentos, grandes times, mas sempre havia uma pergunta, um questionamento quanto aos métodos utilizados por seu, digamos, dono à época. Tenho um amigo vascaíno que sempre defendia os métodos do Eurico afirmando que ele lutava pelo Vasco. Recentemente mudou de ideia.
O que se lê e ouve é que o Vasco virou terra arrasada. A bomba estourou em Roberto Dinamite, que agora tem sua biografia de maior ídolo do clube sendo contestada por um início de administração conturbado. O Vasco não caiu por causa de Roberto. Mas há perguntas que Roberto precisa responder, tais como empregar um sobrinho no clube. Para quem defendeu as ideias que defendeu, ele não pode fazer tal coisa.
Também parece impensável que um clube futebol profissional possa perder seis pontos porque inscreveu de maneira irregular um atleta. Em pleno século 21 isso é inadmissível.
O Vasco precisa de pacificação, da união dos vascaínos, de uma lavagem cerebral para apagar os métodos que fizeram até alguns vascaínos, como o amigo anteriormente citados, aceitarem os absurdos que eram praticados simplesmente porque o time vencia.
O caso do Santos tem diferenças, mas, talvez, o vício seja o mesmo. O clube tem um dono, seu presidente. Que, isso é sabido, emprestou dinheiro das suas empresas para o clube em momentos complicados. Em troca assumiu o monopólio político/administrativo. O Santos é administrado como uma empresa familiar. Está longe da situação quase pós-guerra do Vasco, tem um patrimônio, cresceu, mas será que é saudável que seja sempre a mesma família a mandar num clube tão importante?
O último capítulo da crise santista foi a demissão do técnico Márcio Fernandes. Tratado como herói por ter livrado o clube do rebaixamento no Brasileiro de 2008, Márcio virou o inocente útil. Ganha muito menos que os principais jogadores, aceita tudo que o clube impõe, não reclama, nõa bate de frente. Mas se o time ganha, é o alvo perfeito para que se jogue a culpa.
Mas o que dizer da atuação de Roni contra o Marília? De sua saída com sorriso irônico no rosto? Ou de um Molina que pouco correu atrás da bola mas teve fôlego para tentar chutar por trás um adversário. De jogadores que viram as costas para o time ao primeiro passe errado?
Porque uma coisa é técnico sem comando. Outra é direção de clube que não banca o comando do treinador. E uma terceira é jogador que zomba de técnico sem comando.
Só sei que vascaínos e santistas não merecem o que têm passado. Muito porque é a vontade de um que se impõe sobre o sentimento coletivo. E cedo ou tarde isso desaba.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
São Paulo x Corinthians:
estão brincando com fogo
Todo mundo tem razão na mais recente picuinha envolvendo dirigentes de São Paulo e Corinthians. Como atestou Tiago Leifert no Globo Esporte de hoje, um está certo e o outro também, e não se chegará nunca a um acordo nos termos atuais da discussão.
O dono do estádio cuida de seu espaço como bem entende e faz cumprir a regra que vale para destinar espaço ao visitante. Como cada vez mais o mando de campo parece ser decisivo no futebol atual, então a regra vale para todos.
Pode não ser o mais inteligente, e parece não ser mesmo. Os três grandes da capital paulista e mais o Santos, o grande do Litoral, deveriam procurar atuar muito mais em conjunto, para multiplicar a força que cada um tem isoladamente. Podem ser adversários, devem e continuarão sendo. Mas poderiam ser parceiros em assuntos que lhe interessam. Como promover melhor seus jogos e tratar melhor seus clientes, os torcedores.
No caso em questão, os dirigentes de ambas as partes uma vez mais pecaram pelo pouco cuidado com as palavras, fossem faladas ou escritas. Pisam em terreno minado quando utilizam termos e frases que podem atiçar os bandidos que agem infiltrados em grupos uniformizados. Gente que usa o futebol como pretexto para brigar, para matar.
Para esse tipo de gente, uma palavra fora de ordem pode desencadear uma pancadaria, gerar emboscadas e tragédias.
Pois uma vez mais isso foi feito. Em vez de agirem juntos, de buscarem o entendimento, de agirem como profissionais do esporte, alguns dirigentes soam cada vez mais amadores, apenas no sentido de agradar a torcida e contabilizar interesses políticos.
Pensemos na seguinte hipótese: que mal haveria em clubes como os que se enfrentarão domingo decidirem, por exemplo, que os tricolores ficariam com 70% da carga dos ingressos e os corintianos com 30%? Os donos da casa ainda seriam maioria e os visitantes teriam mais espaço e conforto.
O mesmo vale para o Santos quando manda seus jogos na Vila, ou para o Palmeiras no Palestra. Já passou da hora de diminuir a temperatura entre os torcedores mais fanáticos para preservar a vida e valorizar o esporte, a disputa sadia.
Por isso, boa sorte e que os céus olhem por quem precisa ou quer ir ao São Paulo x Corinthians de domingo.
estão brincando com fogo
Todo mundo tem razão na mais recente picuinha envolvendo dirigentes de São Paulo e Corinthians. Como atestou Tiago Leifert no Globo Esporte de hoje, um está certo e o outro também, e não se chegará nunca a um acordo nos termos atuais da discussão.
O dono do estádio cuida de seu espaço como bem entende e faz cumprir a regra que vale para destinar espaço ao visitante. Como cada vez mais o mando de campo parece ser decisivo no futebol atual, então a regra vale para todos.
Pode não ser o mais inteligente, e parece não ser mesmo. Os três grandes da capital paulista e mais o Santos, o grande do Litoral, deveriam procurar atuar muito mais em conjunto, para multiplicar a força que cada um tem isoladamente. Podem ser adversários, devem e continuarão sendo. Mas poderiam ser parceiros em assuntos que lhe interessam. Como promover melhor seus jogos e tratar melhor seus clientes, os torcedores.
No caso em questão, os dirigentes de ambas as partes uma vez mais pecaram pelo pouco cuidado com as palavras, fossem faladas ou escritas. Pisam em terreno minado quando utilizam termos e frases que podem atiçar os bandidos que agem infiltrados em grupos uniformizados. Gente que usa o futebol como pretexto para brigar, para matar.
Para esse tipo de gente, uma palavra fora de ordem pode desencadear uma pancadaria, gerar emboscadas e tragédias.
Pois uma vez mais isso foi feito. Em vez de agirem juntos, de buscarem o entendimento, de agirem como profissionais do esporte, alguns dirigentes soam cada vez mais amadores, apenas no sentido de agradar a torcida e contabilizar interesses políticos.
Pensemos na seguinte hipótese: que mal haveria em clubes como os que se enfrentarão domingo decidirem, por exemplo, que os tricolores ficariam com 70% da carga dos ingressos e os corintianos com 30%? Os donos da casa ainda seriam maioria e os visitantes teriam mais espaço e conforto.
O mesmo vale para o Santos quando manda seus jogos na Vila, ou para o Palmeiras no Palestra. Já passou da hora de diminuir a temperatura entre os torcedores mais fanáticos para preservar a vida e valorizar o esporte, a disputa sadia.
Por isso, boa sorte e que os céus olhem por quem precisa ou quer ir ao São Paulo x Corinthians de domingo.
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Enfim, um grande jogo
da Seleção Brasileira
Goste-se ou não do trabalho de Dunga, é preciso ser isento na análise. Depois da vitória sobre a Argentina, na final da Copa América, finalmente a Seleção fez um grande jogo, contra um adversário de primeira linha.
O Brasil jogou bem em todos os setores, foi firme, organizado, criativo e mostrou o melhor toque de bola desde muito tempo. Talvez até desde a Copa das Confederações de 2005.
Os destaques foram Robinho, que no mano a mano é fora-de-série, e Ronaldinho Gaúcho, que fez uma partida de líder, de camisa dez, de jogador que é referência para o time.
Há tempos eu acho que o jogador brasileiro tem essa coisa meio blasè de só gostar de jogar grandes jogos, contra grandes adversários. Cada vez mais me convenço disso.
da Seleção Brasileira
Goste-se ou não do trabalho de Dunga, é preciso ser isento na análise. Depois da vitória sobre a Argentina, na final da Copa América, finalmente a Seleção fez um grande jogo, contra um adversário de primeira linha.
O Brasil jogou bem em todos os setores, foi firme, organizado, criativo e mostrou o melhor toque de bola desde muito tempo. Talvez até desde a Copa das Confederações de 2005.
Os destaques foram Robinho, que no mano a mano é fora-de-série, e Ronaldinho Gaúcho, que fez uma partida de líder, de camisa dez, de jogador que é referência para o time.
Há tempos eu acho que o jogador brasileiro tem essa coisa meio blasè de só gostar de jogar grandes jogos, contra grandes adversários. Cada vez mais me convenço disso.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
John Hollins critica Felipão.
Mas quem é John Hollins?
Leio que um treinador inglês chamado John Hollins afirmou que Felipão, recém demitido do Chelsea, não sabe treinar clubes. Mas quem seria John Hollins, me perguntei, já que não sou letrado em futebol inglês.
Pois fui ao pai dos burros da era digital, o espetacular Google. John Hollins foi jogador do Chelsea nos anos 60 e 70. Se aposentou e treinou equipes de grande tradição no mundo como Stockport, Rochdale, Swansea, Queens Park Rangers.
Ah, antes disso treinou o Chelsea pré-Abramovich. Comandou os Blues em 134 jogos, tendo vencido 49, perdido 48 e empatado 37, entre 1985 e 1988. Espetacular rendimento de uma vitória a mais que uma derrota no geral.
Seu único título foi a valorosíssima Full Members Cup de 1986, vencendo o Manchester City por 5 a 4, após estar ganhando por 5 a 1.
Foi demitido do Chelsea em 1988 após QUATRO MESES sem vencer um jogo da liga.
Com este currículo, John Hollins diz que Felipão, bicampeão da Libertadores, campeão brasileiro, da Copa do Brasil não sabe treinar clubes.
Mas quem é John Hollins?
Leio que um treinador inglês chamado John Hollins afirmou que Felipão, recém demitido do Chelsea, não sabe treinar clubes. Mas quem seria John Hollins, me perguntei, já que não sou letrado em futebol inglês.
Pois fui ao pai dos burros da era digital, o espetacular Google. John Hollins foi jogador do Chelsea nos anos 60 e 70. Se aposentou e treinou equipes de grande tradição no mundo como Stockport, Rochdale, Swansea, Queens Park Rangers.
Ah, antes disso treinou o Chelsea pré-Abramovich. Comandou os Blues em 134 jogos, tendo vencido 49, perdido 48 e empatado 37, entre 1985 e 1988. Espetacular rendimento de uma vitória a mais que uma derrota no geral.
Seu único título foi a valorosíssima Full Members Cup de 1986, vencendo o Manchester City por 5 a 4, após estar ganhando por 5 a 1.
Foi demitido do Chelsea em 1988 após QUATRO MESES sem vencer um jogo da liga.
Com este currículo, John Hollins diz que Felipão, bicampeão da Libertadores, campeão brasileiro, da Copa do Brasil não sabe treinar clubes.
Felipão fracassou? Ou faltou
paciência ao dono do Chelsea?
Leio que Felipão foi demitido do Chelsea. Vejo de duas maneiras a medida tomada pelo time do bilionário Abramovich. A primeira: Felipão fracassou. A outra: o dono Chelsea não teve paciência.
Prefiro a segunda hipótese. O Chelsea está em quarto lugar na Liga Inglesa, sete pontos atrás do líder. O time não venceu nenhum clássico e a pressão das arquibancadas foi tipicamente brasileira, em nada lembrando a fleuma britânica.
Considero Felipão um baitatécnico, um dos melhores do mundo. Ao seu estilo, do seu jeito. Ele precisa confiar nos jogadores e ter a confiança dos mesmos, assim como precisa que a direção do clube ou seleção em que trabalhe acredite nele. Não creio que tenha acontecido isso no Chelsea.
Aliás, o Chelsea é um caso à parte. Um time que eu definiria como um adolescente querendo conquistar a maioridade no futebol meio que na marra. Abramovich quer fazer do seu brinquedo o maior clube do futebol mundial e com isso multiplicar a fortuna que ali investiu. Mas as coisas não são assim tão simples. Manchester e Liverpool, por exemplo, também tinham muito dinheiro - até a quebradeira mundial -, só que com muito mais história e tempo de trabalho e sucesso.
Também pesou contra Felipão o marketing virulento do português José Mourinho. Sempre forçando as comparações, sempre se colocando um patamar acima do treinador que o sucedeu no Chelsea e havia ocupado o lugar dos seus sonhos: o comando da seleção portuguesa.
Felipão quase sempre dá resultados, mas isso a médio e longo prazo. Trabalhos meteóricos como aquele no Cruzeiro ficam no meio termo. Segundo os argumentos de seu assessor de imprensa, Felipão queria rejuvenescer o elenco do Chelsea e não conseguiu. O que azedou de vez sua relação com a direção do clube foi o fracasso na compra de Robinho. Por uma bobagem de um marqueteiro qualquer do Chelsea que botou o nome do atacante na camisa do clube e mandou para a loja sem que o negócio estivesse fechado.
Em suma, acho que o Chelsea agiu mal. De quebra, Dunga agora ganha um concorrente de peso se Felipão ficar muito tempo no mercado e a Seleção Brasileira continuar jogando esse futebolzinho sem graça.
Com Felipão à solta o Brasil x Itália desta terça ganha uma outra importância.
paciência ao dono do Chelsea?
Leio que Felipão foi demitido do Chelsea. Vejo de duas maneiras a medida tomada pelo time do bilionário Abramovich. A primeira: Felipão fracassou. A outra: o dono Chelsea não teve paciência.
Prefiro a segunda hipótese. O Chelsea está em quarto lugar na Liga Inglesa, sete pontos atrás do líder. O time não venceu nenhum clássico e a pressão das arquibancadas foi tipicamente brasileira, em nada lembrando a fleuma britânica.
Considero Felipão um baitatécnico, um dos melhores do mundo. Ao seu estilo, do seu jeito. Ele precisa confiar nos jogadores e ter a confiança dos mesmos, assim como precisa que a direção do clube ou seleção em que trabalhe acredite nele. Não creio que tenha acontecido isso no Chelsea.
Aliás, o Chelsea é um caso à parte. Um time que eu definiria como um adolescente querendo conquistar a maioridade no futebol meio que na marra. Abramovich quer fazer do seu brinquedo o maior clube do futebol mundial e com isso multiplicar a fortuna que ali investiu. Mas as coisas não são assim tão simples. Manchester e Liverpool, por exemplo, também tinham muito dinheiro - até a quebradeira mundial -, só que com muito mais história e tempo de trabalho e sucesso.
Também pesou contra Felipão o marketing virulento do português José Mourinho. Sempre forçando as comparações, sempre se colocando um patamar acima do treinador que o sucedeu no Chelsea e havia ocupado o lugar dos seus sonhos: o comando da seleção portuguesa.
Felipão quase sempre dá resultados, mas isso a médio e longo prazo. Trabalhos meteóricos como aquele no Cruzeiro ficam no meio termo. Segundo os argumentos de seu assessor de imprensa, Felipão queria rejuvenescer o elenco do Chelsea e não conseguiu. O que azedou de vez sua relação com a direção do clube foi o fracasso na compra de Robinho. Por uma bobagem de um marqueteiro qualquer do Chelsea que botou o nome do atacante na camisa do clube e mandou para a loja sem que o negócio estivesse fechado.
Em suma, acho que o Chelsea agiu mal. De quebra, Dunga agora ganha um concorrente de peso se Felipão ficar muito tempo no mercado e a Seleção Brasileira continuar jogando esse futebolzinho sem graça.
Com Felipão à solta o Brasil x Itália desta terça ganha uma outra importância.
domingo, fevereiro 08, 2009
Velocidade palmeirense
deixa Santos atordoado
A velocidade do jovem time palmeirense foi o fator determinante para a vitória sobre o Santos no primeiro clássico do Paulistão.
Não seria absurdo se o Palmeiras tivesse feito cinco gols nos primeiros 20 minutos de jogo, enquanto o time do Santos assistia, atônito, às arrancadas de Keirrisson, Williams e Kleiton Xavier.
Mas não fez. Os dois marcados aconteceram graças a uma falha de Fábio Costa e, depois, a um pênalti que foi lance de pura interpretação. Fábio Costa toca em Keirrison, mas será que o suficiente para derrubá-lo? O juiz acho que sim. Acho que não foi absurdo marcar e também não seria o fim do mundo não marcar. Absurda, sim, foi a falha de Adaílton
O Santos se equilibrou, conseguiu acertar a saída de bolas e levou perigo ao final do primeiro tempo. Mas quando Lúcio Flávio começava a jogar, não voltou para o segundo tempo. Com 44 segundos, Keirrison, impedido, fez 3 a 0. Kléber Pereira ainda diminuiu, mas o cansaço palmeirense também se verificava entre os santsitas, que correram atrás do resultado durante todo o segundo tempo. No final, Cleiton Xavier brilhou, com inteligência e talento, levando os donos da casa aos 4 a 1. Resultado que não reflete a superioridade verde no primeiro tempo e também não faz justiça à luta alvinegra na segunda etapa.
Conclusões: o Palmeiras é rápido, insinuante e tem elenco para poupar suas estrelas para a Librtadores. Apenas a zaga ainda não se acertou nas bolas aéreas. Edmílson compensa a insegurança de Jeci.
O Santos ainda não se encontrou taticamente. Mas tem time para jogar melhor. No entanto, falta elenco, faltam opções para mudar um jogo, alterar o sistema tático. E a zaga precisa de alguém para jogar ao lado de Fabiano Eller, o único confiável.
deixa Santos atordoado
A velocidade do jovem time palmeirense foi o fator determinante para a vitória sobre o Santos no primeiro clássico do Paulistão.
Não seria absurdo se o Palmeiras tivesse feito cinco gols nos primeiros 20 minutos de jogo, enquanto o time do Santos assistia, atônito, às arrancadas de Keirrisson, Williams e Kleiton Xavier.
Mas não fez. Os dois marcados aconteceram graças a uma falha de Fábio Costa e, depois, a um pênalti que foi lance de pura interpretação. Fábio Costa toca em Keirrison, mas será que o suficiente para derrubá-lo? O juiz acho que sim. Acho que não foi absurdo marcar e também não seria o fim do mundo não marcar. Absurda, sim, foi a falha de Adaílton
O Santos se equilibrou, conseguiu acertar a saída de bolas e levou perigo ao final do primeiro tempo. Mas quando Lúcio Flávio começava a jogar, não voltou para o segundo tempo. Com 44 segundos, Keirrison, impedido, fez 3 a 0. Kléber Pereira ainda diminuiu, mas o cansaço palmeirense também se verificava entre os santsitas, que correram atrás do resultado durante todo o segundo tempo. No final, Cleiton Xavier brilhou, com inteligência e talento, levando os donos da casa aos 4 a 1. Resultado que não reflete a superioridade verde no primeiro tempo e também não faz justiça à luta alvinegra na segunda etapa.
Conclusões: o Palmeiras é rápido, insinuante e tem elenco para poupar suas estrelas para a Librtadores. Apenas a zaga ainda não se acertou nas bolas aéreas. Edmílson compensa a insegurança de Jeci.
O Santos ainda não se encontrou taticamente. Mas tem time para jogar melhor. No entanto, falta elenco, faltam opções para mudar um jogo, alterar o sistema tático. E a zaga precisa de alguém para jogar ao lado de Fabiano Eller, o único confiável.
DEU MERDA!
Perdoem o título, mas não consegui encontrar outra expressão que representasse o que presenciei neste sábado, em Santo André. O time da casa e o Marília tentavam fazer um jogo pela Primeira Divisão do Campeonato Paulista quando veio a chuva. Torrencial, anormal. Gramado encharcado, jogo paralisado. Até aí, tudo certo.
Mas o que se seguiu foi nojento, repugnante, revoltante. Os vestiários de Santo André e Marília, então, foram invadidos por um mar de esgoto e água barrenta. Os jogadores, profissionais de futebol, tiveram de correr para salvar seus pertences e, para isso, se expuseram ao risco de doenças ao pisar naquele mar de sujeira - havia fezes boiando e ratos nadando.
Funcionários da prefeitura de Santo André informaram aos repórteres do SporTV Marcos Peres e Edgar Alencar que seriam necessárias 48 horas para tirar a água dos vestiários. Se eles sabem que leva todo esse tempo para tirar a água suja, então sabe-se que o vestiário inunda e que, literalmente (de novo me perdoem a expressão), a merda brota.
Aí eu pergunto como é que um estádio nessas condições é aprovado pela Federação Paulista de Futebol em sua vistoria?
Os jogadores de futebol, os verdadeiros donos do espetáculo, ficam ali, expostos à imundície em seu local de trabalho. O torcedor é tratado como gado. Isso na divisão principal do campeonato do estado mais rico do País.
Há estádios no Interior de São Paulo onde chove mais na cabine do que no campo. Outros em que as goteiras são gigantes. Nos corredores de acesso dos torcedores percebem-se infiltrações gigantescas, muitas delas que permitem ver até os ferros por que há por trás do concreto. Os banheiros são imundos em 90% dos casos.
Mas esgoto invadindo vestiário foi a primeira vez que eu vi.
Se os homens da Fifa que estão no País vistoriando cidades candidatas a receber jogos da Copa do Mundo viram tudo que aconteceu ontem, certamente sairão assustados do Brasil.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Respeito ao trabalho
no Japão seduz Caio Jr.
Caio Jr. é um dos mais promissores técnicos de futebol da nova geração brasileira. Ainda não deu o salto definitivo para o grupo dos que estão no topo, ainda não conquistou um título importante, mas tem bons trabalhos no currículo, alguns deles que impressionam, como levar o Paraná Clube à Libertadores, deixando para trás gigantes do futebol nacional.
Atualmente Caio é o técnico do Vissel Kobe, do Japão. Ele está na paradisíaca ilha de Guam, no Oceano Pacífico, em plena pré-temporada, com outras três equipes japonesas e uma sul-coreana.
No primeiro jogo-treino, Kobe venceu o Omiya por 5 a 2. Antes do segundo jogo-treino, contra o Sapporo, da segunda divisão japonesa, Caio Jr. respondeu algumas perguntas do Blog do Nori.
BN - Qual sua primeira avaliação desta aventura japonesa?
CJ - Surpreendente, não imaginava que fosse me adaptar tão rápido.
BN - Quais as principais diferenças entre Brasil e Japão para um treinador de futebol?
CJ- A principal é o respeito, depois o planejamento e a estrutura.
BN - A crise económica já afetou o futebol japonês?
CJ - Em principio não, mas o comentário é que vai afetar.
BN - No momento em que você estava conseguindo espaço em grandes clubes optou por sair do País. Não teme ficar esquecido no mercado brasileiro?
CJ- Sempre quis trabalhar no Japão e achei que era a hora certa. Fiz um contrato de 3 anos que se cumprir voltarei para o Brasil mais tranquilo, com experiência internacional e acredito que deixei as portas abertas no Brasil.
BN- De longe, como você avalia o início de temporada no Brasil? Quais os times que despontam como os favoritos para os títulos em 2009?
CJ - Estadual é bem diferente do que Brasileiro, mas os 5 primeiros do ano passado continuam como favoritos e mais o Internacional.
no Japão seduz Caio Jr.
Caio Jr. é um dos mais promissores técnicos de futebol da nova geração brasileira. Ainda não deu o salto definitivo para o grupo dos que estão no topo, ainda não conquistou um título importante, mas tem bons trabalhos no currículo, alguns deles que impressionam, como levar o Paraná Clube à Libertadores, deixando para trás gigantes do futebol nacional.
Atualmente Caio é o técnico do Vissel Kobe, do Japão. Ele está na paradisíaca ilha de Guam, no Oceano Pacífico, em plena pré-temporada, com outras três equipes japonesas e uma sul-coreana.
No primeiro jogo-treino, Kobe venceu o Omiya por 5 a 2. Antes do segundo jogo-treino, contra o Sapporo, da segunda divisão japonesa, Caio Jr. respondeu algumas perguntas do Blog do Nori.
BN - Qual sua primeira avaliação desta aventura japonesa?
CJ - Surpreendente, não imaginava que fosse me adaptar tão rápido.
BN - Quais as principais diferenças entre Brasil e Japão para um treinador de futebol?
CJ- A principal é o respeito, depois o planejamento e a estrutura.
BN - A crise económica já afetou o futebol japonês?
CJ - Em principio não, mas o comentário é que vai afetar.
BN - No momento em que você estava conseguindo espaço em grandes clubes optou por sair do País. Não teme ficar esquecido no mercado brasileiro?
CJ- Sempre quis trabalhar no Japão e achei que era a hora certa. Fiz um contrato de 3 anos que se cumprir voltarei para o Brasil mais tranquilo, com experiência internacional e acredito que deixei as portas abertas no Brasil.
BN- De longe, como você avalia o início de temporada no Brasil? Quais os times que despontam como os favoritos para os títulos em 2009?
CJ - Estadual é bem diferente do que Brasileiro, mas os 5 primeiros do ano passado continuam como favoritos e mais o Internacional.
O livro do Menon não
é para ser lido apenas
pelos corinthianos
Vá lá que o fato de o Menon, vulgo Luís Augusto Simon, ser um dos meus melhores amigos interfira na análise. Mas a gente precisa ser isento, o que é diferente de ser imparcial. E sendo isento, recomendo a leitura do primeiro livro do Menon, A Saga Corintiana. Não apenas para corintianos que são, claro, o público-alvo.
Há várias maneiras de se encarar o livro. Como lembrança da passagem do Timão pela Série B, como arquivo histórico, como diversão, entre outras. Eu acho que a melhor maneira de encará-lo é como uma autêntica aula de como se contar histórias em linguagem jornalística de alto nível.
Sem querer ser pedante, acadêmico ou mesmo professoral, o Menon sabe como poucos resumir o que foi um jogo, dada sua enorme capacidade de ver um jogo de futebol. Também tem um raro senso de localização de personagens. Isso feito, resume precisamente o que foram aqueles dias para uma das maiores torcidas do Brasil.
O livro do Menon derruba uma tese das mais absurdas que circula pelas arquibancadas e redações, de que é preciso torcer para um time para falar sobre ele. Porque este A Saga Corintiana captura a alma do time da Fiel com tanta ou mais sensibilidade do que um corintiano o faria.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
NÃO TEM EXPLICAÇÃO
Fico imaginando um ET, se é que existem (eu acho que sim) analisando o Brasil de algum quadrante do Universo. Que pensaria esse ET se soubesse que a novidade no Congresso são as eleições - de novo - de José Sarney e Michel Temer?
Que Sarney, cuja história política sempre foi tudo contra o que lutou o presidente Lula, hoje é seu aliado?
Ou como tentaria compreender esse ET o seguinte: um lutador de boxe cubano é repatriado ao seu país pelo Governo brasileiro porque queria sair de Cuba; um acusado de terrorismo na Itália ganha exílio no Brasil. Como agiria o Governo se um acusado de terrorismo em Cuba fosse preso no Brasil, e um lutador de boxe italiano pedisse asilo político em Brasília?
Fico imaginando um ET, se é que existem (eu acho que sim) analisando o Brasil de algum quadrante do Universo. Que pensaria esse ET se soubesse que a novidade no Congresso são as eleições - de novo - de José Sarney e Michel Temer?
Que Sarney, cuja história política sempre foi tudo contra o que lutou o presidente Lula, hoje é seu aliado?
Ou como tentaria compreender esse ET o seguinte: um lutador de boxe cubano é repatriado ao seu país pelo Governo brasileiro porque queria sair de Cuba; um acusado de terrorismo na Itália ganha exílio no Brasil. Como agiria o Governo se um acusado de terrorismo em Cuba fosse preso no Brasil, e um lutador de boxe italiano pedisse asilo político em Brasília?
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
AS PATADAS DOS "PROFESSORES" E
A FALTA DE COMANDO DOS CLUBES
Repercutiu - muito e mal - o caso das patadas do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, nos jornalistas durante a entrevista coletiva após a derrota do seu time para o Santo André. Não é novidade, nem exclusividade do Muricy.
Vejo a coisa da seguinte forma: ninguém está ali para saber o que pensa o cidadão Muricy Ramalho sobre a vida, o tempo, a crise global e mesmo sua visão sobre o futebol. As pessoas se reúnem ali após os jogos para entrevistar o técnico do São Paulo Futebol Clube que calha De ser hoje Muricy Ramalho. Houve muitos outros antes e haverá muitos outros depois dele. O clube permanecerá. Como no Corinthians é o Mano Menezes, no Palmeiras o Luxemburgo, no Inter o Tite, no Fluminense o Renê Simões.
Acima dos "professores", muito acima, estão as instituições para as quais eles trabalham. O técnico de um desses clubes não dá entrevista para fulano ou cicrano, mas para os milhões de torcedores dos seus clubes. Como um ministro de Estado não fala para o jornalista de determinado veículo, mas para mim, para você, para o contribuinte, o cidadão.
Acontece que, muito por culpa de um vício recente do jornalismo esportivo, os treinadores viraram celebridades. Falam mais do que deviam e por isso, muitas vezes, falam demais por não ter nada a dizer, como cantou um dia Renato Russo. Viraram estrelas de primeira grandeza e gostaram disso.
Ao serem colocados num pedestal para dar suas entrevistas enfadonhas e repetitivas (recheadas de perguntas enfadonhas e repetitivas) eles se sentem naturalmente superiores e se acham no direito de distribuir coices a torto e a direito. Alguns o fazem como teste. Luxemburgo, por exemplo, apenas repete o bate e assopra que foi eternizado pelo mestre Oswaldo Brandão. Primeiro uma patada para saber se o repórter pipocava ou não. Depois, um afago.
Mano Menezes é, atualmente, um dos mais educados entre os treinadores, assim como Renê Simões e Caio Jr. Ambos pensam antes de responder, até polemizam, mas com critério.
Muricy - e falo isso porque gosto dele e de seu trabalho e me dou bem com ele - é mais pavio curto, menos sofisticado. A embalagem pode ser vendida com autenticidade, mas o resultado acaba sendo falta de educação mesmo, em muitas situações.
O que ele e outros não entendem é que seria muito mais complicado se os clubes resolvessem, por hipótese, adotar a via direta de comunicação. Em vez de atender aos jornalistas, os treinadores todos os dias receberiam os torcedores para responder aos seus questionamentos. Por que é o torcedor do São Paulo que quer saber - e tem direito - qual será a nova dupla de ataque do time.
Isso tudo acontece porque as diretorias dos clubes são ausentes, na maioria dos casos. Porque as grosserias e patadas acontecem com os distintivos dos clubes e as marcas de seus patrocinadores como pano de fundo. Ou até nos bonés e camisetas. Quem está sendo indelicado é o sujeito que ocupa o cargo de treinador do clube e só é famoso e bem remunerado porque é treinador daquele clube, que oferece a ele as condições de trabalhar e ser reconhecido por isso, através de sua capacidade. O técnico não é dono do time, muito menos do clube.
Para um clube que faz questão de valorizar e divulgar sua fama de moderno e organizado, o São Paulo deveria mostrar a Muricy Ramalho que a ordem das coisas é um pouco diferente do que aparece creditado pela imprensa. É o treinador do São Paulo, Muricy Ramalho. Não Muricy Ramalho, o treinador do São Paulo. Pega mal para a imagem da instituição.
LUTO NO BASQUETE
Duas mortes abalaram o mundo do basquete. O passado de glórias representado pelo pivô Adílson, figura importante dos anos 70 e 80, de jogos memoráveis pelas quadras do mundo. E um futuro de esperanças representado pela pivô Michelle Spliter, de apenas 19 anos. Derrotados por doenças, eles foram vitoriosos na vida difícil, de batalhas, e nas quadras.
A FALTA DE COMANDO DOS CLUBES
Repercutiu - muito e mal - o caso das patadas do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, nos jornalistas durante a entrevista coletiva após a derrota do seu time para o Santo André. Não é novidade, nem exclusividade do Muricy.
Vejo a coisa da seguinte forma: ninguém está ali para saber o que pensa o cidadão Muricy Ramalho sobre a vida, o tempo, a crise global e mesmo sua visão sobre o futebol. As pessoas se reúnem ali após os jogos para entrevistar o técnico do São Paulo Futebol Clube que calha De ser hoje Muricy Ramalho. Houve muitos outros antes e haverá muitos outros depois dele. O clube permanecerá. Como no Corinthians é o Mano Menezes, no Palmeiras o Luxemburgo, no Inter o Tite, no Fluminense o Renê Simões.
Acima dos "professores", muito acima, estão as instituições para as quais eles trabalham. O técnico de um desses clubes não dá entrevista para fulano ou cicrano, mas para os milhões de torcedores dos seus clubes. Como um ministro de Estado não fala para o jornalista de determinado veículo, mas para mim, para você, para o contribuinte, o cidadão.
Acontece que, muito por culpa de um vício recente do jornalismo esportivo, os treinadores viraram celebridades. Falam mais do que deviam e por isso, muitas vezes, falam demais por não ter nada a dizer, como cantou um dia Renato Russo. Viraram estrelas de primeira grandeza e gostaram disso.
Ao serem colocados num pedestal para dar suas entrevistas enfadonhas e repetitivas (recheadas de perguntas enfadonhas e repetitivas) eles se sentem naturalmente superiores e se acham no direito de distribuir coices a torto e a direito. Alguns o fazem como teste. Luxemburgo, por exemplo, apenas repete o bate e assopra que foi eternizado pelo mestre Oswaldo Brandão. Primeiro uma patada para saber se o repórter pipocava ou não. Depois, um afago.
Mano Menezes é, atualmente, um dos mais educados entre os treinadores, assim como Renê Simões e Caio Jr. Ambos pensam antes de responder, até polemizam, mas com critério.
Muricy - e falo isso porque gosto dele e de seu trabalho e me dou bem com ele - é mais pavio curto, menos sofisticado. A embalagem pode ser vendida com autenticidade, mas o resultado acaba sendo falta de educação mesmo, em muitas situações.
O que ele e outros não entendem é que seria muito mais complicado se os clubes resolvessem, por hipótese, adotar a via direta de comunicação. Em vez de atender aos jornalistas, os treinadores todos os dias receberiam os torcedores para responder aos seus questionamentos. Por que é o torcedor do São Paulo que quer saber - e tem direito - qual será a nova dupla de ataque do time.
Isso tudo acontece porque as diretorias dos clubes são ausentes, na maioria dos casos. Porque as grosserias e patadas acontecem com os distintivos dos clubes e as marcas de seus patrocinadores como pano de fundo. Ou até nos bonés e camisetas. Quem está sendo indelicado é o sujeito que ocupa o cargo de treinador do clube e só é famoso e bem remunerado porque é treinador daquele clube, que oferece a ele as condições de trabalhar e ser reconhecido por isso, através de sua capacidade. O técnico não é dono do time, muito menos do clube.
Para um clube que faz questão de valorizar e divulgar sua fama de moderno e organizado, o São Paulo deveria mostrar a Muricy Ramalho que a ordem das coisas é um pouco diferente do que aparece creditado pela imprensa. É o treinador do São Paulo, Muricy Ramalho. Não Muricy Ramalho, o treinador do São Paulo. Pega mal para a imagem da instituição.
LUTO NO BASQUETE
Duas mortes abalaram o mundo do basquete. O passado de glórias representado pelo pivô Adílson, figura importante dos anos 70 e 80, de jogos memoráveis pelas quadras do mundo. E um futuro de esperanças representado pela pivô Michelle Spliter, de apenas 19 anos. Derrotados por doenças, eles foram vitoriosos na vida difícil, de batalhas, e nas quadras.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
SOLIDARIEDADE BRASILEIRA
COM O BRASIL DE PELOTAS
Tenho uma modesta coleção de camisas de times de futebol. Gosto das menos óbvias. Duas das mais bonitas são uma preta da Áustria e uma vermelha da Suíça. Tenho especial apreço por uma que ganhei do presidente do São José de Porto Alegre, o simpático Zequinha. Outra do Noroeste de Bauru. Estou tentando comprar uma do Brasil de Pelotas, porque peguei ainda mais simpatia por esse clube vendo a reação solidária de sua fanática torcida à tragédia que vitimou o clube recentemente. Vejo que o torcedor brasileiro está solidário com o Brasil. Não consigo achar uma camisa do Brasil em lojas pela Internet. Tudo esgotado.
Não importa o tamanho do time, gosto das torcidas que adotam suas camisas. Não das torcidas que só aparecem em dia de final, em época de glória. Torcedor, citando ao contrário o que o Nélson Rodrigues disse para irritar o Otto Lara Resende, tem que ser solidário até no câncer.
COM O BRASIL DE PELOTAS
Tenho uma modesta coleção de camisas de times de futebol. Gosto das menos óbvias. Duas das mais bonitas são uma preta da Áustria e uma vermelha da Suíça. Tenho especial apreço por uma que ganhei do presidente do São José de Porto Alegre, o simpático Zequinha. Outra do Noroeste de Bauru. Estou tentando comprar uma do Brasil de Pelotas, porque peguei ainda mais simpatia por esse clube vendo a reação solidária de sua fanática torcida à tragédia que vitimou o clube recentemente. Vejo que o torcedor brasileiro está solidário com o Brasil. Não consigo achar uma camisa do Brasil em lojas pela Internet. Tudo esgotado.
Não importa o tamanho do time, gosto das torcidas que adotam suas camisas. Não das torcidas que só aparecem em dia de final, em época de glória. Torcedor, citando ao contrário o que o Nélson Rodrigues disse para irritar o Otto Lara Resende, tem que ser solidário até no câncer.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
A MAGIA DOS CAMPEÕES
MUNDIAIS DE BASQUETE

Foi, seguramente, uma das mais emocionantes e gratificantes jornadas de minha carreira como jornalista. Sábado, 31 de janeiro, em Brasília, apresentei o programa especial que o SporTV preparou para homenagear os campeões mundiais de basquete de 1959. Uma geração espetacular, que colocou o Brasil sempre entre os melhores do mundo de 1954 até 1970 e preparou o terreno para as gerações posteriores.
Estiveram em Brasília Wlamir Marques, Waldir Boccardo, Pecente, Jathyr e Edison Bispo.
Além de Saulo Souza, filho do inesquecível Carmo de Souza, o Rosa Branca. Amaury Passos não foi. Incrível como 50 anos depois os jogadores ainda vivos mantêm espírito jovial e se tratam como se ainda fossem atletas.
Destaco o desabafo de Wlamir Marques, um dos maiores de todos os tempos, citando as rivalidades bobocas e as tentativas infrutíferas de diminuir o valor de uma conquista histórica e inesquecível.
Na foto, da esquerda para a direita, estão Saulo, eu, Wlamir, o amigo Rodrigo Alves, profundo conhecedor de basquete do Globoesporte.com, Waldir, Edison Bispo e Pecente. Jathyr não aparece na foto.
RONALDO, ROBINHO E
A TENTAÇÃO DA BOLA
Chocante a foto publica pela revista Veja desta semana, em matéria sobre os meninos farristas do futebol. Ronaldo aparece com a cabeça entrelaçada por um par de pernas femininas numa boate paulistana. Talvez de melhor estilo, mas de reputação duvidosa como aquela frequentada por Robinho em Leeds.
Cada um faz da sua vida o que bem entende, não estou aqui para julgar ou criticar. Acontece que jogadores de futebol e quase todas as pessoas que circulam por esse meio acham que estão acima do bem e do mal e do andar normal das carruagens. O jogador de futebol padrão acha que as regras para ele não existem e que o fato de portar uma chuteira e uma camisa de prestígio dá entrada vip para qualquer coisa na vida. Entendem que todas as mulheres querem sair com eles e que são importantes para qualquer segmento. Ainda que exista uma legião de oportunistas prontas para vender o útero pensando em uma polpuda aposentadoria, algumas podem não sentir nada por um boleiro. E tem muita gente que não liga a mínima pra futebol.
E o boleiro com alguns neurônios deveria perceber que na maioria das vezes o que essas moças querem é fazer um filho com ele e viver de renda. Mas a história é antiga e talvez não tenha solução jamais. Porque atrás de um boleiro com dinheiro no bolso sempre haverá um cordão de puxa-sacos para carregar sacolas, atender telefones, pedir dinheiro emprestado, tocar um pagode e, claro, uma oportunista pronta a encomendar uma aposentadoria integral que demora nove meses para chegar.
A TENTAÇÃO DA BOLA
Chocante a foto publica pela revista Veja desta semana, em matéria sobre os meninos farristas do futebol. Ronaldo aparece com a cabeça entrelaçada por um par de pernas femininas numa boate paulistana. Talvez de melhor estilo, mas de reputação duvidosa como aquela frequentada por Robinho em Leeds.
Cada um faz da sua vida o que bem entende, não estou aqui para julgar ou criticar. Acontece que jogadores de futebol e quase todas as pessoas que circulam por esse meio acham que estão acima do bem e do mal e do andar normal das carruagens. O jogador de futebol padrão acha que as regras para ele não existem e que o fato de portar uma chuteira e uma camisa de prestígio dá entrada vip para qualquer coisa na vida. Entendem que todas as mulheres querem sair com eles e que são importantes para qualquer segmento. Ainda que exista uma legião de oportunistas prontas para vender o útero pensando em uma polpuda aposentadoria, algumas podem não sentir nada por um boleiro. E tem muita gente que não liga a mínima pra futebol.
E o boleiro com alguns neurônios deveria perceber que na maioria das vezes o que essas moças querem é fazer um filho com ele e viver de renda. Mas a história é antiga e talvez não tenha solução jamais. Porque atrás de um boleiro com dinheiro no bolso sempre haverá um cordão de puxa-sacos para carregar sacolas, atender telefones, pedir dinheiro emprestado, tocar um pagode e, claro, uma oportunista pronta a encomendar uma aposentadoria integral que demora nove meses para chegar.
PAULISTÃO PRECISA DE RECICLAGEM
Sou caipira com orgulho e aprendi a gostar de futebol através do Campeonato Paulista. Mas contra fatos não há argumentos. O modelo atual do campeonato, com 20 clubes, está esgotado. Não tem sustentação econômica e futebolística. Qualquer devaneio de grandeza até de um paulista de família quatrocentona dura uma fração de segundo se confrontado com a realidade. É impossível fazer um campeonato estadual com 20 times. Com algum esforço talvez houvesse 12 times em condições de disputar esse torneio, analisando tecnicamente.
O que ocorre com 20 times? O Paulistão começa muito antes do que deveria e atropela a pré-temporada dos principais clubes, que são aqueles que disputam as Séries A e B do Brasileiro. Com duas semanas de treino, as vezes com menos, os times entram na ciranda de jogos a cada 48 horas, o que impede que os treinamentos sejam bem realizados. Quando os times começam a entrar nos eixos, unindo desempenho físico e técnico, o campeonato acaba.
Acho que nunca se deve renegar o passado e esquecer as raízes. Os grandes paulistas são o que são por causa do campeonato estadual. As rivalidades nasceram e viscejaram (bonito isso!) ali. Só que o mundo muda e não há politica que resista aos fatos. Com esse modelo, o Campeonato Paulista não se sustenta por muito tempo.
O excelente comentarista Paulo Calçade escreveu algo sobre isso em sua coluna de estréia no Estadão de hoje.
Bola rolando, o torneio é de poucas surpresas em quatro rodadas. Dos pequenos, Barueri, São Caetano, Santo André e Mirassol mostraram alguma qualidade. De resto, os grandes estão alguns degraus acima. Entre os grandes, se destacam Palmeiras e Corinthians. O Palmeiras pelo raro e rápido entrosamento mostrado por um time jovem e veloz. E o Corinthians pela boa base que veio de 2008, somada a contratações que chegaram mostrando serviço. O São Paulo ainda está em ritmo de pré-temporada e, assim como no ano passado, tenta se moldar a um estilo de jogador (era Adriano, agora é Washington). Parece que a lógica de jogadores que se moldam ao estilo do time deve prevalecer novamente pelos lados do Morumbi. Senão o Muricy ainda vai soltar um palavrão daqueles em plena coletiva. O Santos se mostrou algo preguiçoso contra o Ituano, apesar da trave no meio do caminho. E com Fabão e Adaílton na zaga fica complicado.
Sou caipira com orgulho e aprendi a gostar de futebol através do Campeonato Paulista. Mas contra fatos não há argumentos. O modelo atual do campeonato, com 20 clubes, está esgotado. Não tem sustentação econômica e futebolística. Qualquer devaneio de grandeza até de um paulista de família quatrocentona dura uma fração de segundo se confrontado com a realidade. É impossível fazer um campeonato estadual com 20 times. Com algum esforço talvez houvesse 12 times em condições de disputar esse torneio, analisando tecnicamente.
O que ocorre com 20 times? O Paulistão começa muito antes do que deveria e atropela a pré-temporada dos principais clubes, que são aqueles que disputam as Séries A e B do Brasileiro. Com duas semanas de treino, as vezes com menos, os times entram na ciranda de jogos a cada 48 horas, o que impede que os treinamentos sejam bem realizados. Quando os times começam a entrar nos eixos, unindo desempenho físico e técnico, o campeonato acaba.
Acho que nunca se deve renegar o passado e esquecer as raízes. Os grandes paulistas são o que são por causa do campeonato estadual. As rivalidades nasceram e viscejaram (bonito isso!) ali. Só que o mundo muda e não há politica que resista aos fatos. Com esse modelo, o Campeonato Paulista não se sustenta por muito tempo.
O excelente comentarista Paulo Calçade escreveu algo sobre isso em sua coluna de estréia no Estadão de hoje.
Bola rolando, o torneio é de poucas surpresas em quatro rodadas. Dos pequenos, Barueri, São Caetano, Santo André e Mirassol mostraram alguma qualidade. De resto, os grandes estão alguns degraus acima. Entre os grandes, se destacam Palmeiras e Corinthians. O Palmeiras pelo raro e rápido entrosamento mostrado por um time jovem e veloz. E o Corinthians pela boa base que veio de 2008, somada a contratações que chegaram mostrando serviço. O São Paulo ainda está em ritmo de pré-temporada e, assim como no ano passado, tenta se moldar a um estilo de jogador (era Adriano, agora é Washington). Parece que a lógica de jogadores que se moldam ao estilo do time deve prevalecer novamente pelos lados do Morumbi. Senão o Muricy ainda vai soltar um palavrão daqueles em plena coletiva. O Santos se mostrou algo preguiçoso contra o Ituano, apesar da trave no meio do caminho. E com Fabão e Adaílton na zaga fica complicado.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
JOGAR NA ALTITUDE É UM DIREITO
DE QUEM NASCEU E VIVE LÁ NO ALTO
O Palmeiras atropelou o Potosí e praticamente garantiu sua passagem à fase de grupos da Libertadores. Terá que enfrentar os temíveis 4 mil metros de Potosí no jogo de volta. O que reanima a discussão sobre a realização de jogos em cidades que fiquem acima de 2,5 mil metros do nível do mar. Eu defendo o direito que os povos e times dessas cidades têm de jogar futebol. Pelo princípio da universalidade do jogo, que faz do futebol o esporte mais popular do mundo. Não se pode simplesmente impedir que se jogue futebol em Potosí, na Cidade do México, em Oruro ou La Paz ou Quito. Opinião pessoal, que busco avalizar com pesquisas e citando artigos científicos.
Como, por exemplo, uma pesquisa citada pelo jornal boliviano La Razón, em junho de 2007. O estudo, chamado "La Pelota No Dobla: Altitud y Resultados en el Fútbol Sudamericano, é de autoria de três economistas do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Fidel Jaramillo (equatoriano), Carlos Scartascini (argentino) e Gabriela Andrade (equatoriana). Entre 1996 e 2006 os economistas analisaram os resultados de 252 partidas realizadas pelas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo. De acordo com o que pesquisaram, obtiveram os seguintes números:
- 59 partidas foram realizadas em cidades situadas em grandes altitudes.
- destas, 33 foram vencidas pelas equipes locais, aproveitamento de 56%
- o percentual de aproveitamento das equipes que jogam em cidades situadas em locais em que a altitude não interfere no desempenho atlético foi de 57%.
A pesquisa também cita o caso do Equador. A seleção nacional equatoriana manda a maioria de seus jogos na altitude de Quito. Como mandante, o Equador tem aproveitamento de 73% e fica em quarto lugar na média de aproveitamento, à frente de países como Uruguai, Colômbia e Chile. Como visitante, sem o apoio da altitude, o Equador ocupa o quinto lugar em aproveitamento, apenas uma posição atrás. Ou seja: importa mais a qualidade do futebol do que a altitude.
Também há um estudo na Universidade de Oxford que aponta perda e ganho de desempenho na altitude em jogos de futebol. Segundo o estudo, feito com base em 1.460 jogos do arquivo da Fifa num período de 100 anos, um time baseado em grandes altitudes vê suas possibilidades de vitória subirem de 53% para 82% quando recebe uma equipe que costuma jogar ao nível do mar.
Outro artigo, que já citei anteriormente aqui no blog, foi publicado pelo jornal El Deber. O médico Jorge Flores Aguillera, que estuda o tema da altitude no futebol há décadas, cita argumentos para derrubar a tese da proibição de jogos no topo do mundo. A conclusão básica da pesquisa de Aguillera é de que a altitude não afeta a saúde e, sim, os resultados. Eu, que não sou cientista, acredito que jogar às 15 horas em Manaus ou numa tarde ensolarada de fevereiro no Rio de Janeiro também afeta os resultados e pode, sim, afetar a saúde.
O estudo de Aguillera aborda 2.748 partidas de futebol profissional na Bolívia, a partir de 1977. A conclusão médica foi de que não houve relatos de danos ao organismo nos aspectos respiratório, cardíaco, vascular cerebral e também no que se refere a desidratação. Sobre os prejuízos no desempenho físico, estão citados no estudo os seguintes:
- diminuição da capacidade aeróbica (resistência) e, principalmente, anaeróbica (reação, velocidade)
- aumento da frequência cardíaca
- acumulação de lactato, que provoca alcalose respiratória (A alcalose respiratória é uma situação em que o sangue é alcalino devido a que a respiração rápida ou profunda tem como resultado uma baixa concentração de anidrido carbónico no sangue. Uma respiração rápida e profunda, também chamada hiperventilação, provoca uma eliminação excessiva de anidrido carbónico do sangue. A causa mais frequente de hiperventilação, e portanto de alcalose respiratória, é a ansiedade. As outras causas de alcalose respiratória são a dor, a cirrose hepática, baixos valores de oxigénio no sangue, febre e sobredose de aspirina).
A conclusão final do estudo é que se pode jogar na altitude, desde que com uma adequada preparação física, sociológica e técnica.
Os debates seguirão. Eu acho que o correto seria dar mais tempo de preparação para equipes que precisam jogar em grandes altitudes, adaptando o calendário. Nada de outro mundo, mas que interfere em questões políticas e comerciais que são, em última análise, o que realmente faz girar o mundo da bola.
DE QUEM NASCEU E VIVE LÁ NO ALTO
O Palmeiras atropelou o Potosí e praticamente garantiu sua passagem à fase de grupos da Libertadores. Terá que enfrentar os temíveis 4 mil metros de Potosí no jogo de volta. O que reanima a discussão sobre a realização de jogos em cidades que fiquem acima de 2,5 mil metros do nível do mar. Eu defendo o direito que os povos e times dessas cidades têm de jogar futebol. Pelo princípio da universalidade do jogo, que faz do futebol o esporte mais popular do mundo. Não se pode simplesmente impedir que se jogue futebol em Potosí, na Cidade do México, em Oruro ou La Paz ou Quito. Opinião pessoal, que busco avalizar com pesquisas e citando artigos científicos.
Como, por exemplo, uma pesquisa citada pelo jornal boliviano La Razón, em junho de 2007. O estudo, chamado "La Pelota No Dobla: Altitud y Resultados en el Fútbol Sudamericano, é de autoria de três economistas do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Fidel Jaramillo (equatoriano), Carlos Scartascini (argentino) e Gabriela Andrade (equatoriana). Entre 1996 e 2006 os economistas analisaram os resultados de 252 partidas realizadas pelas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo. De acordo com o que pesquisaram, obtiveram os seguintes números:
- 59 partidas foram realizadas em cidades situadas em grandes altitudes.
- destas, 33 foram vencidas pelas equipes locais, aproveitamento de 56%
- o percentual de aproveitamento das equipes que jogam em cidades situadas em locais em que a altitude não interfere no desempenho atlético foi de 57%.
A pesquisa também cita o caso do Equador. A seleção nacional equatoriana manda a maioria de seus jogos na altitude de Quito. Como mandante, o Equador tem aproveitamento de 73% e fica em quarto lugar na média de aproveitamento, à frente de países como Uruguai, Colômbia e Chile. Como visitante, sem o apoio da altitude, o Equador ocupa o quinto lugar em aproveitamento, apenas uma posição atrás. Ou seja: importa mais a qualidade do futebol do que a altitude.
Também há um estudo na Universidade de Oxford que aponta perda e ganho de desempenho na altitude em jogos de futebol. Segundo o estudo, feito com base em 1.460 jogos do arquivo da Fifa num período de 100 anos, um time baseado em grandes altitudes vê suas possibilidades de vitória subirem de 53% para 82% quando recebe uma equipe que costuma jogar ao nível do mar.
Outro artigo, que já citei anteriormente aqui no blog, foi publicado pelo jornal El Deber. O médico Jorge Flores Aguillera, que estuda o tema da altitude no futebol há décadas, cita argumentos para derrubar a tese da proibição de jogos no topo do mundo. A conclusão básica da pesquisa de Aguillera é de que a altitude não afeta a saúde e, sim, os resultados. Eu, que não sou cientista, acredito que jogar às 15 horas em Manaus ou numa tarde ensolarada de fevereiro no Rio de Janeiro também afeta os resultados e pode, sim, afetar a saúde.
O estudo de Aguillera aborda 2.748 partidas de futebol profissional na Bolívia, a partir de 1977. A conclusão médica foi de que não houve relatos de danos ao organismo nos aspectos respiratório, cardíaco, vascular cerebral e também no que se refere a desidratação. Sobre os prejuízos no desempenho físico, estão citados no estudo os seguintes:
- diminuição da capacidade aeróbica (resistência) e, principalmente, anaeróbica (reação, velocidade)
- aumento da frequência cardíaca
- acumulação de lactato, que provoca alcalose respiratória (A alcalose respiratória é uma situação em que o sangue é alcalino devido a que a respiração rápida ou profunda tem como resultado uma baixa concentração de anidrido carbónico no sangue. Uma respiração rápida e profunda, também chamada hiperventilação, provoca uma eliminação excessiva de anidrido carbónico do sangue. A causa mais frequente de hiperventilação, e portanto de alcalose respiratória, é a ansiedade. As outras causas de alcalose respiratória são a dor, a cirrose hepática, baixos valores de oxigénio no sangue, febre e sobredose de aspirina).
A conclusão final do estudo é que se pode jogar na altitude, desde que com uma adequada preparação física, sociológica e técnica.
Os debates seguirão. Eu acho que o correto seria dar mais tempo de preparação para equipes que precisam jogar em grandes altitudes, adaptando o calendário. Nada de outro mundo, mas que interfere em questões políticas e comerciais que são, em última análise, o que realmente faz girar o mundo da bola.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Assisti a esse filme ontem. Tocante, intrigante, provocador. Tem alguma coisa de Forrest Gump, outra de o Show de Truman, alguma mais de Em Algum Lugar do Passado. O principal é que nos faz pensar no tempo. No que fazemos com ele, em como o aproveitamos e de que maneira interagimos com as pessoas que compartilham do mesmo tempo conosco.
Para mim, uma das grandes cenas do filme é o momento em que Benjamin Button, já regredindo em sua jornada pelo tempo, na qual seu relógio anda para trás, afirma para sua amada Daisy que ele tem a sensação de haver vivido uma vida da qual não se lembra. É uma criança de 80 e poucos anos que fala isso para uma senhora de 70 e poucos, o amor de sua vida, que se dedica a cuidar de uma criança cujo invólucro rejuvenesce enquanto o interior se deterioriza a cada segundo. Essa criança é o pai de sua filha.
Enfim, um filme que faz pensar, diverte e emociona. A fotografia é memorável e a trilha sonora, belíssima.
Assisti a esse filme ontem. Tocante, intrigante, provocador. Tem alguma coisa de Forrest Gump, outra de o Show de Truman, alguma mais de Em Algum Lugar do Passado. O principal é que nos faz pensar no tempo. No que fazemos com ele, em como o aproveitamos e de que maneira interagimos com as pessoas que compartilham do mesmo tempo conosco.
Para mim, uma das grandes cenas do filme é o momento em que Benjamin Button, já regredindo em sua jornada pelo tempo, na qual seu relógio anda para trás, afirma para sua amada Daisy que ele tem a sensação de haver vivido uma vida da qual não se lembra. É uma criança de 80 e poucos anos que fala isso para uma senhora de 70 e poucos, o amor de sua vida, que se dedica a cuidar de uma criança cujo invólucro rejuvenesce enquanto o interior se deterioriza a cada segundo. Essa criança é o pai de sua filha.
Enfim, um filme que faz pensar, diverte e emociona. A fotografia é memorável e a trilha sonora, belíssima.
O CORINTHIANS E A BASE
Recebi uma simpática mensagem, que não consigo encontrar por aqui, de um leitor falando sobre um comentário que fiz no Bom Dia, São Paulo de segunda-feira. Era sobre o trabalho do Corinthians nas categorias de base, após a conquista do sétimo título na Copa São Paulo. Meu comentário foi basicamente esse: o Corinthians é, entre os grandes paulistas, o que trabalha melhor a base. Mesmo sem ter a melhor estrutura física para isso. Não apenas pelos sete títulos, mas pela quantidade de jogadores criados no clube, no extinto Terrão, que chegam ao time principal. Desde antes de Rivellino, passando por muitos outros, como Casagrande, Viola, Jô, Dentinho, Lulinha e dezenas, cujos nomes não me lembro.
Não tenho como avaliar quem trabalha melhor a base em termos nacionais. Acredito que, historica e numericamente, nenhum clube tenha revelado tantos jogadores como o Flamengo. Assim como Internacional, Cruzeiro e São Paulo também revelaram muitos jogadores. Sobre revelar, acho que há duas vertentes. A dos clubes que criam jogadores para que eles se tornem grandes jogadores do próprio clube, como o Flamengo fez com a maravilhosa geração de 1981, por exemplo. Ou até como fez o Santos lá nos anos 50, com Lula, que tinha olhos de lince para pinçar garotos como Coutinho e Pepe, por exemplo. Ou o São Paulo de Cilinho em 1985, e o Inter glorioso dos anos 70, com Falcão, Caçapava, Cláudio Duarte, todos criados na base do clube. E há equipes como o Cruzeiro que, atualmente, revela e vende muito rápido. E o Palmeiras, que sempre foi comprador, nunca revelou em quantidade suficiente e corre, agora, para tirar o atraso. Acho que me expliquei melhor.
Recebi uma simpática mensagem, que não consigo encontrar por aqui, de um leitor falando sobre um comentário que fiz no Bom Dia, São Paulo de segunda-feira. Era sobre o trabalho do Corinthians nas categorias de base, após a conquista do sétimo título na Copa São Paulo. Meu comentário foi basicamente esse: o Corinthians é, entre os grandes paulistas, o que trabalha melhor a base. Mesmo sem ter a melhor estrutura física para isso. Não apenas pelos sete títulos, mas pela quantidade de jogadores criados no clube, no extinto Terrão, que chegam ao time principal. Desde antes de Rivellino, passando por muitos outros, como Casagrande, Viola, Jô, Dentinho, Lulinha e dezenas, cujos nomes não me lembro.
Não tenho como avaliar quem trabalha melhor a base em termos nacionais. Acredito que, historica e numericamente, nenhum clube tenha revelado tantos jogadores como o Flamengo. Assim como Internacional, Cruzeiro e São Paulo também revelaram muitos jogadores. Sobre revelar, acho que há duas vertentes. A dos clubes que criam jogadores para que eles se tornem grandes jogadores do próprio clube, como o Flamengo fez com a maravilhosa geração de 1981, por exemplo. Ou até como fez o Santos lá nos anos 50, com Lula, que tinha olhos de lince para pinçar garotos como Coutinho e Pepe, por exemplo. Ou o São Paulo de Cilinho em 1985, e o Inter glorioso dos anos 70, com Falcão, Caçapava, Cláudio Duarte, todos criados na base do clube. E há equipes como o Cruzeiro que, atualmente, revela e vende muito rápido. E o Palmeiras, que sempre foi comprador, nunca revelou em quantidade suficiente e corre, agora, para tirar o atraso. Acho que me expliquei melhor.
terça-feira, janeiro 27, 2009
A IMPORTÂNCIA DA
VITÓRIA DE BELLUZZO
PARA NOSSO FUTEBOL
Há alguns meses participei do Arena Sportv, que teve como convidados o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e o Luiz Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians. Ambos falavam de uma união entre os clubes grandes para reformular o futebol brasileiro e, juntos, criarem uma nova era de cooperação e prosperidade. Ambos citaram como colaboração fundamental, se possível, a de Luiz Gonzaga Belluzzo, que era, então, diretor de planejamento do Palmeiras.
Economista respeitado em escala mundial, dirigente que reúne, como os dois citados acima, em doses exatas conhecimento e paixão pelo clube que representa, Belluzzo teve sua eleição festejada até por alguns dos rivais. Por que representa uma mudança de mentalidade em um dos gigantes do futebol brasileiro. E isso é positivo para os outros gigantes. Por que provocará reações no sentido de colaborar onde é possível e de trabalhar para que o adversário não os supere. É a lógica da competição sadia.
Com Belluzzo o Palmeiras estará mais sintonizado com as idéias de Juvêncio, Rosemberg, de Fernando Carvalho, do Inter, da nova gestão do Grêmio. Talvez até com Roberto Dinamite no Vasco e com o Flamengo, apesar de alguns tropeços da gestão de Márcio Braga. Todos esses clubes reunidos em um pensamento comum (exceção feita à competição) têm uma força descomunal. Podem propor e executar ações de marketing e propor alterações políticas de maneira conjunta.
Ninguém tem a certeza de que Belluzzo será um grande presidente. Ele, como qualquer outro, depende de resultados. Mas suas ideias representam um avanço considerável para um clube que até outro dia vivia nas trevas e era administrado como um restaurante pequeno.
É hora, por exemplo, de Palmeiras, São Paulo e Corinthians deixarem de picuinhas idiotas e unirem suas forças no que isso é possível, para melhores condições de calendários e patrocínios, por exemplo. Valorizarem suas marcas. Porque R$ 15 milhões por ano, convenhamos, é uma ninharia para a importância desses clubes, e também dos grandes do Rio, do Sul e de Minas. Ouvir isso de um economista que é reconhecido como um dos mais brilhantes do mundo faz muita diferença em torno de uma mesa de reunião.
50 ANOS DA GLÓRIA DE 1959
Sábado, às 17 horas, o SporTV fará uma homenagem aos heróis da conquista do Mundial de Basquete de 1959. Terei a honra e o prazer de conduzir uma mesa redonda com alguns desses monstros sagrados, como Amaury Passos, Wlamir Marques, Jatyr Schall, Édson Bispo. Nunca vi nenhum deles jogar, mas aprendi a admirá-los ouvindo os relatos de meu querido pai e mestre, Luiz Noriega, que narrou muitas exibições deles e é grande amigo de vários. Será uma jornada emocionante, para lembrar os tempos de glória do nosso basquete. Uma geração que foi vice-campeã mundial em 1954, campeã em 59 e 63 e ainda, já com mudanças, vice em 1971. Geniais.
VITÓRIA DE BELLUZZO
PARA NOSSO FUTEBOL
Há alguns meses participei do Arena Sportv, que teve como convidados o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, e o Luiz Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians. Ambos falavam de uma união entre os clubes grandes para reformular o futebol brasileiro e, juntos, criarem uma nova era de cooperação e prosperidade. Ambos citaram como colaboração fundamental, se possível, a de Luiz Gonzaga Belluzzo, que era, então, diretor de planejamento do Palmeiras.
Economista respeitado em escala mundial, dirigente que reúne, como os dois citados acima, em doses exatas conhecimento e paixão pelo clube que representa, Belluzzo teve sua eleição festejada até por alguns dos rivais. Por que representa uma mudança de mentalidade em um dos gigantes do futebol brasileiro. E isso é positivo para os outros gigantes. Por que provocará reações no sentido de colaborar onde é possível e de trabalhar para que o adversário não os supere. É a lógica da competição sadia.
Com Belluzzo o Palmeiras estará mais sintonizado com as idéias de Juvêncio, Rosemberg, de Fernando Carvalho, do Inter, da nova gestão do Grêmio. Talvez até com Roberto Dinamite no Vasco e com o Flamengo, apesar de alguns tropeços da gestão de Márcio Braga. Todos esses clubes reunidos em um pensamento comum (exceção feita à competição) têm uma força descomunal. Podem propor e executar ações de marketing e propor alterações políticas de maneira conjunta.
Ninguém tem a certeza de que Belluzzo será um grande presidente. Ele, como qualquer outro, depende de resultados. Mas suas ideias representam um avanço considerável para um clube que até outro dia vivia nas trevas e era administrado como um restaurante pequeno.
É hora, por exemplo, de Palmeiras, São Paulo e Corinthians deixarem de picuinhas idiotas e unirem suas forças no que isso é possível, para melhores condições de calendários e patrocínios, por exemplo. Valorizarem suas marcas. Porque R$ 15 milhões por ano, convenhamos, é uma ninharia para a importância desses clubes, e também dos grandes do Rio, do Sul e de Minas. Ouvir isso de um economista que é reconhecido como um dos mais brilhantes do mundo faz muita diferença em torno de uma mesa de reunião.
50 ANOS DA GLÓRIA DE 1959
Sábado, às 17 horas, o SporTV fará uma homenagem aos heróis da conquista do Mundial de Basquete de 1959. Terei a honra e o prazer de conduzir uma mesa redonda com alguns desses monstros sagrados, como Amaury Passos, Wlamir Marques, Jatyr Schall, Édson Bispo. Nunca vi nenhum deles jogar, mas aprendi a admirá-los ouvindo os relatos de meu querido pai e mestre, Luiz Noriega, que narrou muitas exibições deles e é grande amigo de vários. Será uma jornada emocionante, para lembrar os tempos de glória do nosso basquete. Uma geração que foi vice-campeã mundial em 1954, campeã em 59 e 63 e ainda, já com mudanças, vice em 1971. Geniais.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
PARA CERTOS CARAS
O GOL FICA ENORME
Eles têm a chave, a senha, a palavra mágica que faz do futebol o que é. Para certos caras fazer um gol é tão simples como acordar e ir ao banheiro lavar o rosto, tocar uma campainha, fritar um ovo. Para outros é um dilema, requer manuais, fórmulas e teorias complicadas. Mas é para os artilheiros de verdade, aqueles que têm um pacto diabólico com a bola e as redes, que o gol parece ser sempre enorme, o espaço entre as duas traves é um latifúndio.
Assim é com Keirrison, com Washington, com Kléber Pereira e, porque não, com Pedrão, do Barueri. Esperemos um pouco mais para saber se Tiago Silvi, do Botafogo de Ribeirão Preto, é dessa rara estirpe. Porque em breve Ronaldo Fenômeno deve fazer lembrar a todos que esse negócio de gol sempre será com ele.
Embora já não tenha o brilho de outrora e seja um campeonato pretensioso para sua real importância, políticamente anabolizado com 20 clubes onde não cabem tanto, o Paulistão tem goleadores às pencas para renovar o gosto do povo pela arte de estufar as redes. Keirrison é veloz, esperto, sempre ligado, faz da leveza dos seus 21 anos sua grande arma. Washington é um carrasco que gosta do jogo pelo alto e não se sente descolado quando a bola desce para o gramado. Une força e técnica para finalizar e sabe ser o garçom quando faz a parede. Kléber Pereira é daqueles que quando dá um tapa e põe a bola à frente do marcador o estádio já sabe que vem gol por aí. Alguns argumentam que ele perde muitos gols, mas quem não perde?
Borges é o ator coadjuvante que, muitas vezes, acaba salvando o filme. Falta charme, mas gol também é com ele. Pedrão não tem o nome, nem a fama dos outros quatro. Está mais para um trabalhador do gol, daqueles que não pode se dar ao luxo de recusar serviço, seja em Barueri ou na Coréia do Sul. Mas o resultado é quase sempre satisfatório.
Essa turma é garantia de muito trabalho para meus colegas narradores.
TÉCNICO DE JUIZ? FAÇA-ME O FAVOR.
Grande entrevista do brilhante repórter Victorino Chermont no Tá Na Área de ontem mostrou a novidade da arbitragem no Campeonato Carioca. Criaram a figura do técnico do juiz. O Vitu entrevistou um cara que parecia saído da caserna, cheio de termos militarescos para definir sua função: ser bedel do trio de arbitragem. Ora, se esse cara vai ficar orientando durante o jogo, corrigindo posicionamento, alertando para erros, ele torna-se, de fato, um quarto ou quinto árbitro e terá interferência no andamento do jogo. Suas opiniões influenciarão o trio de arbitragem. Fico me perguntando o que disse o técnico de arbitragem ao bandeirinha Luiz Antônio Muniz de Oliveira que, grosseiramente, anulou um gol pra lá de legítimo de Victor Hugo, do Friburguense, contra o Flamengo. Esse professor já está com o cargo a perigo. Tem cada uma.
AS HORDAS SEGUEM IMPUNES
Jogo de Copa São Paulo sempre traz lembranças de como os estádios de futebol eram lugares mais calmos e seguros. No interior o ritmo ainda é outro, é possível que os torcedores assistam aos jogos misturados, num mar de camisas que são apenas adversárias, jamais inimigas. Mas ao final de um desses jogos, uma facção dessas que apavoram os estádios reuniu uma pequena turba de delinquentes para tentar agredir um único funcionário do clube em cujo estádio o jogo foi disputado. Eram uns 20, 30. O mais velho deles talvez não tivesse 20 anos. 20, 30 para bater em um. Destes, um delinquente conseguiu se infiltrar covardemente e por trás agrediu o tal funcionário, que só pode se defender atrás de uma bancada de cimento. Quando a polícia chegou, os 20, 30 que pareciam um pelotão, se transformaram em adolescentes medrosos, gritando "tio, eu não fiz nada". Fizeram, sim. E continuarão fazendo enquanto não houver medidas duras para devolver aos estádios os verdadeiros torcedores.
Numa estrada federal torcedores desceram de seus ônibus para, em vez de comemorar a vitória de seu time, apavorar motoristas e suas famílias que voltavam para casa promovendo um quebra-quebra.
Nada tenho contra quem decide formar uma torcida organizada. Tudo tenho contra quem é bandido e se esconde atrás dessas torcidas. Enquanto isso, os clubes permitem que eles agridam, até matem, ostentando os distintivos das agremiações em suas camisas.
O passado nostálgico virou presente trágico até num simples jogo de Copa São Paulo no outrora pacato interior.
A COTAÇÃO DO CRUZEIRO
Recebo uma pergunta sobre o Cruzeiro. Taí um belo time. Gosto do estilo de jogo, da proposta do Adílson, que o Felipão já tinha dito, lá atrás, que seria um bom treinador. Guilherme e Ramires são duas feras. Talvez a defesa ainda seja um pouco reticente e falte ao time, como um todo, aquela faísca que propague o incêndio em jogos decisivos. Mas tem tudo para fazer uma ótima Libertadores.
O GOL FICA ENORME
Eles têm a chave, a senha, a palavra mágica que faz do futebol o que é. Para certos caras fazer um gol é tão simples como acordar e ir ao banheiro lavar o rosto, tocar uma campainha, fritar um ovo. Para outros é um dilema, requer manuais, fórmulas e teorias complicadas. Mas é para os artilheiros de verdade, aqueles que têm um pacto diabólico com a bola e as redes, que o gol parece ser sempre enorme, o espaço entre as duas traves é um latifúndio.
Assim é com Keirrison, com Washington, com Kléber Pereira e, porque não, com Pedrão, do Barueri. Esperemos um pouco mais para saber se Tiago Silvi, do Botafogo de Ribeirão Preto, é dessa rara estirpe. Porque em breve Ronaldo Fenômeno deve fazer lembrar a todos que esse negócio de gol sempre será com ele.
Embora já não tenha o brilho de outrora e seja um campeonato pretensioso para sua real importância, políticamente anabolizado com 20 clubes onde não cabem tanto, o Paulistão tem goleadores às pencas para renovar o gosto do povo pela arte de estufar as redes. Keirrison é veloz, esperto, sempre ligado, faz da leveza dos seus 21 anos sua grande arma. Washington é um carrasco que gosta do jogo pelo alto e não se sente descolado quando a bola desce para o gramado. Une força e técnica para finalizar e sabe ser o garçom quando faz a parede. Kléber Pereira é daqueles que quando dá um tapa e põe a bola à frente do marcador o estádio já sabe que vem gol por aí. Alguns argumentam que ele perde muitos gols, mas quem não perde?
Borges é o ator coadjuvante que, muitas vezes, acaba salvando o filme. Falta charme, mas gol também é com ele. Pedrão não tem o nome, nem a fama dos outros quatro. Está mais para um trabalhador do gol, daqueles que não pode se dar ao luxo de recusar serviço, seja em Barueri ou na Coréia do Sul. Mas o resultado é quase sempre satisfatório.
Essa turma é garantia de muito trabalho para meus colegas narradores.
TÉCNICO DE JUIZ? FAÇA-ME O FAVOR.
Grande entrevista do brilhante repórter Victorino Chermont no Tá Na Área de ontem mostrou a novidade da arbitragem no Campeonato Carioca. Criaram a figura do técnico do juiz. O Vitu entrevistou um cara que parecia saído da caserna, cheio de termos militarescos para definir sua função: ser bedel do trio de arbitragem. Ora, se esse cara vai ficar orientando durante o jogo, corrigindo posicionamento, alertando para erros, ele torna-se, de fato, um quarto ou quinto árbitro e terá interferência no andamento do jogo. Suas opiniões influenciarão o trio de arbitragem. Fico me perguntando o que disse o técnico de arbitragem ao bandeirinha Luiz Antônio Muniz de Oliveira que, grosseiramente, anulou um gol pra lá de legítimo de Victor Hugo, do Friburguense, contra o Flamengo. Esse professor já está com o cargo a perigo. Tem cada uma.
AS HORDAS SEGUEM IMPUNES
Jogo de Copa São Paulo sempre traz lembranças de como os estádios de futebol eram lugares mais calmos e seguros. No interior o ritmo ainda é outro, é possível que os torcedores assistam aos jogos misturados, num mar de camisas que são apenas adversárias, jamais inimigas. Mas ao final de um desses jogos, uma facção dessas que apavoram os estádios reuniu uma pequena turba de delinquentes para tentar agredir um único funcionário do clube em cujo estádio o jogo foi disputado. Eram uns 20, 30. O mais velho deles talvez não tivesse 20 anos. 20, 30 para bater em um. Destes, um delinquente conseguiu se infiltrar covardemente e por trás agrediu o tal funcionário, que só pode se defender atrás de uma bancada de cimento. Quando a polícia chegou, os 20, 30 que pareciam um pelotão, se transformaram em adolescentes medrosos, gritando "tio, eu não fiz nada". Fizeram, sim. E continuarão fazendo enquanto não houver medidas duras para devolver aos estádios os verdadeiros torcedores.
Numa estrada federal torcedores desceram de seus ônibus para, em vez de comemorar a vitória de seu time, apavorar motoristas e suas famílias que voltavam para casa promovendo um quebra-quebra.
Nada tenho contra quem decide formar uma torcida organizada. Tudo tenho contra quem é bandido e se esconde atrás dessas torcidas. Enquanto isso, os clubes permitem que eles agridam, até matem, ostentando os distintivos das agremiações em suas camisas.
O passado nostálgico virou presente trágico até num simples jogo de Copa São Paulo no outrora pacato interior.
A COTAÇÃO DO CRUZEIRO
Recebo uma pergunta sobre o Cruzeiro. Taí um belo time. Gosto do estilo de jogo, da proposta do Adílson, que o Felipão já tinha dito, lá atrás, que seria um bom treinador. Guilherme e Ramires são duas feras. Talvez a defesa ainda seja um pouco reticente e falte ao time, como um todo, aquela faísca que propague o incêndio em jogos decisivos. Mas tem tudo para fazer uma ótima Libertadores.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
BOLA ROLANDO
NO PAULISTÃO
Comentei dois jogos do Paulista até agora. A vitória do Palmeiras sobre o Santo André e o empate entre Corinthians e Barueri. Vi os melhores momentos do empate do São Paulo e trechos da derrota da Lusa para o Guarani. Não vi Santos x Guará.
Nada pode ser dito em termos mais abrangentes por apenas um jogo. Palmeiras e Santo André foi muito eequilibrado e qualquer resultado poderia ter acontecido. O Palmeiras criou boas oportunidades, o Santo André mandou duas bolas na trave. Para os palmeirenses a boa notícia foi a desenvoltura de Cleiton Xavier.
O São Paulo empatou mas poderia ter vencido fácil. Nada que abale o time, cujo planejamento visa a Libertadores. Lusa e Guarani poderia ter acabado em empate. A Portuguesa já começou o ano trocando de técnico, repetindo os erros que redundaram no rebaixamento para a Série B. Parecem não aprender as lições. Trocar Estevam Soares por Mário Sérgio não quer dizer, atualmente, absolutamente coisa alguma.
Corinthians e Barueri foi um grande jogo. O time do Barueri é bem montado, tem jogadores experientes e boas revelações. Não está para brincadeira e sua história mostra isso. O Corinthians perdeu a criação com Douglas bem marcado e aceitando a marcação. Sobrou vontade e faltou inspiração. Os dois times tiveram chances para matar o jogo e pararam em grandes defesas dos goleiros.
Eu achei que os dois pênaltis marcados existiram. O do Chicão foi claríssimo para mim, ele foi precipitado na jogada. Assim como o Ralph levantou o pé e acertou o ombro do William, que levava vantagem na jogada. Tem gente que achou que nenhum pênalti foi, alguns acham que o do Chicão não houve e o do Ralph foi marcado corretamente, outros mais pensam que as duas penalidades aconteceram. Questão de opinião e todas merecem respeito. O que valeu foi o jogo, vibrante, emocionante, bem jogado.
RECADO AO RAFAEL MACHADO
Sua mensagem foi publicada, como todas as bem escritas e sem maldades ou xingamentos são. O que eu acho cômico é quem não consegue respeitar a opinião dos outros e sempre acha que uma coisa não fica bem porque vive suspeitando de tudo e de todos. Muda alguma coisa na cotação do dólar se eu achei uma coisa e você outra? Só nossas opiniões valem? Eu estou sempre errado e você sempre certo? Velho, assim não vale a pena debater, não tem graça. Volte sempre, mas de espírito desarmado. Abração.
NO PAULISTÃO
Comentei dois jogos do Paulista até agora. A vitória do Palmeiras sobre o Santo André e o empate entre Corinthians e Barueri. Vi os melhores momentos do empate do São Paulo e trechos da derrota da Lusa para o Guarani. Não vi Santos x Guará.
Nada pode ser dito em termos mais abrangentes por apenas um jogo. Palmeiras e Santo André foi muito eequilibrado e qualquer resultado poderia ter acontecido. O Palmeiras criou boas oportunidades, o Santo André mandou duas bolas na trave. Para os palmeirenses a boa notícia foi a desenvoltura de Cleiton Xavier.
O São Paulo empatou mas poderia ter vencido fácil. Nada que abale o time, cujo planejamento visa a Libertadores. Lusa e Guarani poderia ter acabado em empate. A Portuguesa já começou o ano trocando de técnico, repetindo os erros que redundaram no rebaixamento para a Série B. Parecem não aprender as lições. Trocar Estevam Soares por Mário Sérgio não quer dizer, atualmente, absolutamente coisa alguma.
Corinthians e Barueri foi um grande jogo. O time do Barueri é bem montado, tem jogadores experientes e boas revelações. Não está para brincadeira e sua história mostra isso. O Corinthians perdeu a criação com Douglas bem marcado e aceitando a marcação. Sobrou vontade e faltou inspiração. Os dois times tiveram chances para matar o jogo e pararam em grandes defesas dos goleiros.
Eu achei que os dois pênaltis marcados existiram. O do Chicão foi claríssimo para mim, ele foi precipitado na jogada. Assim como o Ralph levantou o pé e acertou o ombro do William, que levava vantagem na jogada. Tem gente que achou que nenhum pênalti foi, alguns acham que o do Chicão não houve e o do Ralph foi marcado corretamente, outros mais pensam que as duas penalidades aconteceram. Questão de opinião e todas merecem respeito. O que valeu foi o jogo, vibrante, emocionante, bem jogado.
RECADO AO RAFAEL MACHADO
Sua mensagem foi publicada, como todas as bem escritas e sem maldades ou xingamentos são. O que eu acho cômico é quem não consegue respeitar a opinião dos outros e sempre acha que uma coisa não fica bem porque vive suspeitando de tudo e de todos. Muda alguma coisa na cotação do dólar se eu achei uma coisa e você outra? Só nossas opiniões valem? Eu estou sempre errado e você sempre certo? Velho, assim não vale a pena debater, não tem graça. Volte sempre, mas de espírito desarmado. Abração.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
FRED E O (ATÉ QUANDO?)
ELDORADO DA EUROPA
Em meio ao zumzum das fofocas e informações desencontradas, o Arena SporTV desta quarta-feira, com a apresentação sempre precisa e elegante de Milton Leite, trouxe uma esclarecedora entrevista do atacante Fred. Citado como sonho de clubes brasileiros, entre eles Palmeiras e Fluminense, Fred foi de uma sinceridade rara. Não fez média e deixou claro que seu projeto de vida é continuar na Europa enquanto ainda tem mercado por lá. Assim que se esclarecem dúvidas e se estouram balões de ensaio: com bom jornalismo e boas entrevistas.
Fred faz gols às pencas e sabe que isso o valoriza no mercado europeu. Resta saber até quando o Velho Continente se sustentará como o Eldorado do futebol. A insolvência financeira vai bater às portas dos clubes europeus e aqueles que não tiverem mecenas do tipo bilionário russo ou magnata italiano das comunicações terão sérios problemas.
GANÂNCIA PODE ATRAPALHAR O CORINTHIANS
Por aqui, onde o dinheiro nunca jorrou de fontes assim tão abastadas e o crédito anda apertado, eu me pergunto como os clubes vão se virar. Os dirigentes reconhecem que pagam mais do que podem para não perder um jogador. Vejamos o caso do Corinthians. Excelente estratégia de marketing, ousadia para contratar Ronaldo e o desejo, legítimo, de lucrar com isso. Agora, me parece absurdo cobrar R$ 150,00 por um ingresso de numerada para jogos do Campeonato Paulista. E sem Ronaldo. Uma família de quatro pessoas pagaria, portanto, R$ 600,00 só para entrar no estádio. A realidade tromba com o sonho pelo simples fato de o Corinthians, mesmo tendo sido preciso e ágil no marketing, não ter conseguido ainda um patrocinador para sua valorizada camisa. Não adianta, na era do aperto, sonhar com cifras milionárias. Muito menos tentar encaixar valores e propostas de Primeiro Mundo em bolsos do Terceiro.
BOLA ROLANDO
Estive em Ribeirão Preto para comentar Santo André e Palmeiras pelo PFC. Jogo divertido. Longe ainda do ideal, o Verdão teve Cleiton Xavier como destaque. Williams será muito útil, assim como Marquinhos. Com Keirrison e Armero o time ganhará corpo e mais velocidade. Resta saber a condição física de Edmílson e o momento de Diego Souza. Mas certamente será um Palmeiras muito competitivo.
No Morumbi, o São Paulo foi muito superior e perdeu grandes chances de vencer o Ituano. O empate não muda nada. O Tricolor segue forte e vai crescer muito até a estréia na Libertadores.
A Lusa não jogou mal contra o Guarani, mas segue pecando demais nas finalizações. Hoje estreiam Corinthians e Santos.
CRAQUES E LEMBRANÇAS DO PASSADO
Tive a alegria de encontrar dois craques do passado no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Juninho Fonseca, ex-zagueiro de Corinthians, Ponte e Seleção Brasileira, e Mauricinho, arisco ponta que brilhou no Comercial, no Vasco. Duas figuras simpáticas, humildes e alegres. Juninho assumiu o futebol da Francana, do interior paulista, e Mauricinho cuida do Votoraty. Boa sorte a ambos. Também vi no aeroporto e no vôo até Ribeirão o craque do basquete Dodi, Washington Joseph, ex-Sírio e Seleção Brasileira. Boas lembranças do tempo de garoto, quando aprendia a admirar o esporte e os grandes atletas.
ELDORADO DA EUROPA
Em meio ao zumzum das fofocas e informações desencontradas, o Arena SporTV desta quarta-feira, com a apresentação sempre precisa e elegante de Milton Leite, trouxe uma esclarecedora entrevista do atacante Fred. Citado como sonho de clubes brasileiros, entre eles Palmeiras e Fluminense, Fred foi de uma sinceridade rara. Não fez média e deixou claro que seu projeto de vida é continuar na Europa enquanto ainda tem mercado por lá. Assim que se esclarecem dúvidas e se estouram balões de ensaio: com bom jornalismo e boas entrevistas.
Fred faz gols às pencas e sabe que isso o valoriza no mercado europeu. Resta saber até quando o Velho Continente se sustentará como o Eldorado do futebol. A insolvência financeira vai bater às portas dos clubes europeus e aqueles que não tiverem mecenas do tipo bilionário russo ou magnata italiano das comunicações terão sérios problemas.
GANÂNCIA PODE ATRAPALHAR O CORINTHIANS
Por aqui, onde o dinheiro nunca jorrou de fontes assim tão abastadas e o crédito anda apertado, eu me pergunto como os clubes vão se virar. Os dirigentes reconhecem que pagam mais do que podem para não perder um jogador. Vejamos o caso do Corinthians. Excelente estratégia de marketing, ousadia para contratar Ronaldo e o desejo, legítimo, de lucrar com isso. Agora, me parece absurdo cobrar R$ 150,00 por um ingresso de numerada para jogos do Campeonato Paulista. E sem Ronaldo. Uma família de quatro pessoas pagaria, portanto, R$ 600,00 só para entrar no estádio. A realidade tromba com o sonho pelo simples fato de o Corinthians, mesmo tendo sido preciso e ágil no marketing, não ter conseguido ainda um patrocinador para sua valorizada camisa. Não adianta, na era do aperto, sonhar com cifras milionárias. Muito menos tentar encaixar valores e propostas de Primeiro Mundo em bolsos do Terceiro.
BOLA ROLANDO
Estive em Ribeirão Preto para comentar Santo André e Palmeiras pelo PFC. Jogo divertido. Longe ainda do ideal, o Verdão teve Cleiton Xavier como destaque. Williams será muito útil, assim como Marquinhos. Com Keirrison e Armero o time ganhará corpo e mais velocidade. Resta saber a condição física de Edmílson e o momento de Diego Souza. Mas certamente será um Palmeiras muito competitivo.
No Morumbi, o São Paulo foi muito superior e perdeu grandes chances de vencer o Ituano. O empate não muda nada. O Tricolor segue forte e vai crescer muito até a estréia na Libertadores.
A Lusa não jogou mal contra o Guarani, mas segue pecando demais nas finalizações. Hoje estreiam Corinthians e Santos.
CRAQUES E LEMBRANÇAS DO PASSADO
Tive a alegria de encontrar dois craques do passado no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Juninho Fonseca, ex-zagueiro de Corinthians, Ponte e Seleção Brasileira, e Mauricinho, arisco ponta que brilhou no Comercial, no Vasco. Duas figuras simpáticas, humildes e alegres. Juninho assumiu o futebol da Francana, do interior paulista, e Mauricinho cuida do Votoraty. Boa sorte a ambos. Também vi no aeroporto e no vôo até Ribeirão o craque do basquete Dodi, Washington Joseph, ex-Sírio e Seleção Brasileira. Boas lembranças do tempo de garoto, quando aprendia a admirar o esporte e os grandes atletas.
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