terça-feira, abril 30, 2013


 

20 É DEMAIS!


Eis que a Federação Paulista de Futebol anuncia que reduzirá o número de datas do Campeonato Estadual de 2014. A medida foi tomada em virtude do aperto no calendário que será provocado pela realização da Copa do Mundo.

A tal redução será inócua pois, na prática, reduzirá o torneio em uma ou duas datas, se muito. O maior problema segue sendo o absurdo número de participantes. Vinte clubes para um torneio estadual é uma teimosia que só se explica porque são pelo menos 20 votos assegurados. Mais: sob a ótica das equipes que disputam as divisões de acesso e sonham com uma das quatro vagas na Série A-1 a cada ano, esse número se multiplica em termos eleitorais.

O argumento da pujança econômica de São Paulo e de seus 136 clubes, utilizado pela Federação, não dura um minuto de discussão. Nem os clubes mais tradicionais do interior têm conseguido se sustentar. Temos aí o Guarani em situação lamentável, o Paulista de Jundiaí com sérios problemas. São clubes de duas das cidades mais ricas do estado.

O que existe hoje é um núcleo de times que são bancados ou por empresários, ou por prefeituras, com claros objetivos financeiros de um lado e políticos de outro.

Mas a questão técnica nunca é vista em primeiro plano.

O problema do Paulistão não vem de hoje. Ele começou quando atingiu o auge a disputa política entre Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, e Eduardo Farah, presidente da Federação Paulista. Na disputa pelo poder no futebol brasileiro, criou-se uma típica lenda urbana, por parte de Farah, tentando vender a ideia de que o Paulistão era o torneio mais forte do País, mais até que o Brasileirão. bobagem das grossas. Estadual algum paga placê para o Brasileirão. O Paulistão foi ficando anabolizado, disforme, fora da realidade.

O torneio paulista sempre foi interessante porque realmente o interior do estado era - e é - forte economicamente e havia equipes de tradição, identificadas com suas cidades, que revelavam jogadores importantes e faziam rodar a engrenagem do futebol, abastecendo os quatro poderosos da Capital e de Santos.

Mas o mundo mudou rapidamente. O futebol encareceu, os custos subiram, jogadores são estrelas milionárias, treinadores também. Bancar um time de futebol requer orçamentos que são impossíveis de assumir para a maioria dos clubes pequenos e médios. Há casos viáveis como o da Ponte Preta, por exemplo, que se sustenta na Séria A Nacional e na A-1 Paulista, o que torna sua existência economicamente plausível.

Mas como tocar um time que joga o Paulista e fica parado no resto da temporada, ou vai jogar a Série D? A resposta mais rápida é alugar a camisa para um grupo de empresários, que cedem os jogadores esperando que uma boa campanha no estadual, com cobertura pela TV, traga interessados em contratar seus produtos para o Brasileirão em suas quatro divisões.

Tecnicamente é impossível fazer um bom campeonato estadual com vinte times, porque não há vinte bons times entre os tais 136 federados em São Paulo. Se houver 14 já é lucro. Tiremos os quatro grandes dessa disputa. Talvez haja dez, doze equipes que podem sobreviver, com projetos bem definidos, estrutura, categoria de base, planejamento e viabilidade financeira para jogar uma divisão especial.

Qual seria a saída?

Não tenho a chave para todos os problemas, até porque meu interesse não é político, não é ganhar voto de clube. Meu interesse é avaliar jogos e ter um espetáculo interessante para oferecer ao telespectador que assiste as transmissões de que participo.

E posso afirmar sem erro: a maioria das transmissões do estadual paulista tem pouco ou nenhum atrativo. Times fracos, estádios precários, iluminações e gramados péssimos. A média de público traduz o desinteresse.

Para melhorar será preciso qualificar.

A Federação tem muito dinheiro, e os grandes jogam os estaduais porque recebem ótimas cotas para isso. Mas o dinheiro que chega para médios e pequenos é irrisório.

Minha sugestão: reduzir o número de clubes para 14. Fazer com que a Série A-1 banque financeiramente as divisões de acesso, que sairão fortalecidas. Obrigar as equipes que cheguem à primeira divisão a ter categorias de base ativas por pelo menos cinco temporadas. Ampliar a premiação em dinheiro por desempenho. Exigir que os estádios sejam minimamente confortáveis, bem iluminados, com bons gramados e seguros.

Cobrar preços de ingressos compatíveis com a realidade de cada espetáculo. Não adianta cobrar preço de clássico ou de jogo de Brasileirão. Transformar o torneio numa grande festa de pré-temporada, ainda que para alguns clubes seja classificatório. Os grandes seriam vitalícios, não poderiam ser rebaixados.

Enfim, há muitas ideias, mas nem Einstein conseguiria encaixar uma sacada genial para um estadual com 20 times. É impossível.

Reduzir as datas não adianta. É como a administradora de uma estrada dizer que vai reduzir de 15 para dez o número de praças de pedágio em um trecho de 300 km. Mas ao final da viagem o preço pago será o mesmo, mas com a cobrança em dez e não mais 15 paradas.

 

quinta-feira, abril 25, 2013



Jogo veloz


Um conceito que muita gente confunde no futebol é o de velocidade. Jogo veloz não é aquele em que um cara dá um chutão lá da defesa para um maluco sair em disparada atrás da bola. Jogo veloz é o que fazem os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa, a troca rápida de passes com o time evoluindo em volta da bola.

Até o Chile, que não tem uma grande seleção, registre-se, fez um jogo veloz contra o Brasil, que insiste em jogar na base do chutão dos zagueiros para ver se lá na frente alguém resolve sozinho.

O futebol brasileiro se perde a cada dia em busca de uma solução para um problema cuja constatação é evidente: paramos no tempo e já não produzimos tantos craques como antes.

Nosso futebol sempre foi técnico e habilidoso. Muitas vezes mais habilidoso, mas quase sempre técnico.

Atualmente o jogador brasileiro padrão tem horror a posse de bola, tem paúra de dominar e tocar. Muitos jogadores profissionais precisam de dois, três toques para controlar uma bola. Ato que deve ser automático para um profissional dessa área. Dominar e tocar redondo, um passe preciso, então, é ainda mais raro.

Sem querer ser nostálgico e já sendo, até meados dos anos 90 ainda era assim.

Mas hoje, após anos e anos, de preparação física em excesso, luta incessante pelo resultado a qualquer custo, hoje o futebol brasileiro paga um alto preço por isso.

Não quero escrever com isso que o Brasil é carta fora do baralho na Copa de 2014. Mas temos poucos coringas e a mão é fraca. Para buscar uma canastra suja será difícil, que dizer de uma real.

Até nossos melhores jogadores andam óbvios.

Para buscar um sistema de jogo, acho que o treinador não deve impor seus conceitos. Tem que usar de sua capacidade e experiência par tirar o melhor de cada jogador dentro do que ele pode render e do que está acostumado a fazer em seu clube.

Acho inócuas as tentativas de colocar um Oscar, um Jádson para atuar do lado do campo, em posição fixa o tempo todo, apenas porque na Europa se faz assim em muitos clubes e seleções.

Neymar jogando enfiado no lado esquerdo, parado, com acesso fácil para qualquer marcador, é um pecado. Melhor é que ele esteja livre para criar, para rodar o campo, tabelar, driblar em velocidade.

Ronaldinho Gaúcho rende muito mais no Galo porque existe um sistema que funciona corretamente há muito tempo e que supre as carências do meia. Bernard corre por ele, os volantes correm por ele. E em termos nacionais o jogo é mais lento.

Em jogo internacional a coisa é muito mais complicada, e a velocidade com que a bola circula já complica até para um superdotado tecnicamente como Ronaldinho.

Que a Copa das Confederações seja utilizada para buscar uma maneira de jogar, para mudar conceitos, não apenas para vencer em busca de revanchismo e um ufanismo sem propósito.

 

terça-feira, abril 23, 2013



O tal do calendário



Um dia ainda desenvolverei esse tema num texto mais elaborado. Mas jogo aqui porque sei que vem pancada dos patoteiros. Mas cabe a discussão.

Sou contra essa ideia de se adequar o calendário do futebol brasileiro ao das grandes ligas nacionais europeias.

Parece aquele tipo de solução de patota mesmo, de turminha que acha que tem a resposta para tudo. Embora existam profissionais absolutamente sérios e competentes que defendam essa tese,  como  Mauro Beting , Amir Somoggi e outros.

Eu penso diferente. Acho que não se pode comparar realidades de países que estão em hemisférios diferentes e têm culturas diferentes.

Na Espanha o futebol segue o calendário escolar e parlamentar, simples assim. Porque é o futebol espanhol, que interessa para a Espanha e é jogado na Espanha.

Sem contar a Inglaterra, menina dos olhos de muitos torcedores brasileiros.

Adequar seria a melhor solução? Acho que não.

Parece complicado pegar uma realidade e encaixar em outro país, outra cultura.

Se fácil fosse, bastaria mudar a mão de direção de automóveis para o lado direito para reduzir o número de acidentes, certo? Porque certamente na Inglaterra o trânsito é menos violento.
Muitos patoteiros dirão que defendo interesses patronais, a frase preferida de certo tipo de patrulheiro que adota a tática do morde e assopra.

Eu acho que o Brasil tem que mudar seu calendário futebolístico, sim, mas para buscar uma solução que seja boa para o Brasil, para o torcedor brasileiro, os clubes brasileiros.

Pouca gente lembra que a Alemanha interrompe seu torneio por quase um mês no alto inverno, porque é impraticável jogar em virtude da neve e do frio.

Seria de bom tom jogar no Brasil, por exemplo, em 26 de dezembro ou 2 de janeiro? No auge do verão e do período de férias escolares.

Será que na Itália não se joga no alto verão por que acham bacana? Ou é lógico dada a rotina do próprio país?

Fora isso, os atletas têm direito a passar seu período de férias com seus filhos, que também estão em férias simultaneamente.

Sinceramente, acho que não resolveria o mais grave dos problemas do futebol brasileiro, que é a péssima administração dos clubes.

Seguimos exportando jogadores como ninguém, ganhando dinheiro como nunca se ganhou com futebol (os clubes) e as dívidas só aumentam.

Enfiar a realidade europeia de datas e rotina de sopetão mudaria isso?

Claro que tem que melhorar muita coisa. Reduzir estaduais, preservar datas Fifa, etc.

Mas simplesmente copiar eu discordo. Até porque não sou partidário do modelo de alguns clubes europeus que têm proprietários que administram fortunas de origem suspeitas e deixam o dinheiro limpinho via futebol.

Ou alguém acha que para curtir o verdadeiro espírito de Natal seria preciso nevar em dezembro no Brasil?

quinta-feira, abril 18, 2013



Diversão e intensidade



Não ouvi a declaração de Ronaldinho Gaúcho afirmando que o Atlético Mineiro tinha ido ao Morumbi para se divertir.

Ouvi e li reproduções desta frase. Não acredito que repórteres sérios a inventariam apenas para polemizar. Parto da suposição de que ela foi realmente dita, até que eu encontre o áudio em alguma parte.

Também não acredito que uma frase de um jogador sirva para explicar o comportamento de um time. Principalmente quando essa frase vem à tona em um intervalo ou após uma partida.

Acredito e analiso em cima do que vejo e do que se apresenta em uma competição esportiva.

Vira e mexe nós, comentaristas, e também jogadores e treinadores utilizam a palavra intensidade para analisar um jogo, uma equipe.

Apoio-me novamente nessa palavra para escrever sobre o que vi do jogo quente disputado no frio Morumbi, entre São Paulo e Atlético Mineiro.

Desde a entrada em campo foi fácil perceber uma energia distinta entre as equipes. O São Paulo elétrico, o Atlético mais tranquilo. Muitas vezes isso não se reflete na disposição quando a bola rola. E não faltou disposição ao Atlético, nem vontade. Longe disso. É que sobrou ao São Paulo. Transbordou. A equipe jogou uma final, contra um adversário que não conseguiu reagir a essa postura.

O Atlético segue tendo uma equipe de melhor desempenho que a do São Paulo. Mas o futebol sul-americano é muito parelho, as distâncias são curtas, e ninguém sobra tecnicamente. Por isso a tal da intensidade muitas vezes decide jogos e até campeonatos.

Mas que diabos seria essa tal intensidade?

Eu a definiria como uma mistura de entrega, concentração e superação, movida a um excelente preparo físico.

A maioria das equipes profissionais brasileiras está apta a executar isso. Poucas executam, e só o fazem em algumas oportunidades. Muitas vezes conseguem na primeira etapa e não conseguem na segunda.

Numa linguagem mais direta é correr sempre mais, chegar antes nas divididas, antecipar a marcação, incomodar o adversário, tirá-lo de seu padrão normal e não deixar de disputar uma bola sequer. Além de buscar o jogo, o resultado, assumir uma postura de quem deseja ganhar e lutará por isso.

O São Paulo se comportou assim a partir do primeiro segundo do jogo. O Atlético tentou igualar, mas quando foi à luta já não dava mais tempo, a distância de intensidade aplicada ao jogo já era muito difícil de ser compensada.

Além disso - ou talvez por isso - o desempenho técnico e tático do Galo foi muito inferior à média. Ronaldinho, se estava a fim de se divertir ou não, jogou mal, não foi protagonista. Luan esteve perdido, Leandro Donizeti jogou muito menos do que pode. Claro que Bernard fez falta, assim como Tardelli.

Mas Jádson e Luís Fabiano também fizeram falta ao São Paulo. A diferença: o time não se deixou levar pelas dificuldades impostas pelas ausências técnicas e as compensou com dedicação de sobra.

Ganso jogou, pensou, roubou bolas, esteve ligado o tempo todo. Osvaldo idem.

O Atlético poderia ter resolvido em uma partida o que precisará agora de duas.

Não é bom negócio para equipe alguma enfrentar o São Paulo em um mata-mata de Libertadores. Claro que não é impossível derrota-lo. O São Paulo, assim como já ganhou, também perdeu a Libertadores em casa em mais de uma oportunidade. Classificou-se e foi eliminado.

A diferença está no fato de que o mata-mata é um torneio à parte. O Galo teve a chance de um mata. Tinha um adversário fragilizado tecnicamente em campo, jogando por um resultado que ainda poderia depender de outra partida. Mesmo assim, deixou que o São Paulo colocasse a intensidade no jogo e retornasse para uma disputa na qual o jogo está zero a zero e ninguém entra classificado.

Não tenho bola de cristal nem gosto de palpite.

Sigo entendendo que o Atlético é melhor como time, como trabalho coletivo.

Mas o São Paulo conseguiu despertar sua torcida e até mesmo alguns jogadores que andavam apáticos. O ambiente, que era tenso, desanuviou.

A realidade de um jogo se desdobrou em três, com o time paulista jogando dois seguidos em casa.

É aquela história de pagar à vista com desconto ou parcelar em dólar. O Galo optou pelo parcelamento, mesmo sabendo que poderia haver uma supervalorização da moeda. Não é impossível de pagar, claro, mas pode custar muito mais caro.

O São Paulo aplicou no mercado futuro e já conseguiu zerar o prejuízo.

Cenas dos próximos capítulos no Morumbi e no Horto.

terça-feira, abril 16, 2013


A suprema covardia


O ser humano é capaz de atos nojentos aos montes.

Mas entre todos esses dejetos da nossa condição de experiência que insiste em não dar certo, o que considero de suprema covardia é o terrorismo.

Duvido que exista entre outros animais encontrados na natureza esse tipo de atitude. Escrevo outros animais porque é isso que somos, um grupo a mais nessa escala evolutiva. Tendemos a acreditar que estamos no topo, mas alguns comportamento nos remetem ao último lugar na fila.

A covardia do ato terrorista, entre outras coisas, reside na condenação sumária de inocentes, na promulgação de mortes por atacado sem chance de defesa, unindo como alvo dessa medida abjeta homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, independentemente de credo, raça, origem.

O terrorismo é a estupidez por atacado.

Nada justifica atitudes terroristas.

Principalmente porque os alvos quase sempre são inocentes, já que o terrorista, que no fundo é um grande covarde, teme encarar seu verdadeiro alvo de frente, e prefere espalhar o pânico entre os indefesos.

Assim como são grandes covardes os terroristas suicidas, os que pensar estar se martirizando, os que acreditam ser instrumentos de vingança, mas que não passam de peões inúteis num xadrez comandado por reis e rainhas estúpidos e ainda mais covardes.

As bombas que explodiram na Maratona de Boston remetem ao ato terrorista de Munique, em 1972.

Com uma pitada a mais de crueldade, se é que pode ser possível em casos como esse.

Programadas para explodir quando os pelotões amadores estivessem passando, muito após a chegada dos atletas de elite, as bombas tinham como objetivo a destruição em maior escala, atingindo atletas amadores e amigos, parentes e apoiadores que estivessem por perto.

Se existe algum consolo nesse caso, é saber que se existe alguma consciência em quem pratica tal ato de covardia, esse remorso o acompanhará por toda a sua existência, em qualquer forma que possa existir de vida.

 

terça-feira, abril 09, 2013



Descaso olímpico


Inaugurado em julho de 1978, homenageando o jornalista Júlio de Lamare, morto no acidente com um avião da Varig em Paris, cinco anos antes, o parque aquático anexo ao estádio do Maracanã, no Rio, era um dos raros espaços públicos voltados para o esporte olímpico no Brasil. Escrevo era porque o local está condenado, será demolido para a construção de um estacionamento para a Copa do Mundo de 2014.
O vizinho estádio de atletismo Célio de Barros também teve o mesmo fim destinado ao parque aquático Júlio de Lamare. Com essas demolições virarão pó anos de história do atletismo, natação, pólo aquático e nado sincronizado brasileiros. Mais do que isso, cerca de dez mil pessoas, entre atletas e participantes de projetos sociais, ficarão sem um espaço sagrado para treinar e buscar integração e recuperação. Existe a promessa de construção de novos espaços. Promessa.

Tombado em 2002, o espaço que abrigava os atletas foi reformado para os Jogos Pan-americanos de 2007, ao custo de R$ 10 milhões. O tombamento foi revertido, e das piscinas e pistas surgirão restaurantes e estacionamentos para o estádio de futebol.

Essa situação triste para o país sede das Olimpíadas de 2016 motivou uma rara ação conjunta de atletas, inclusive jogadores do futebol, que assinaram um manifesto protestando contra a demolição dos complexos esportivos. Rara porque atleta no Brasil pensa somente em causa própria na maior parte do tempo e só costuma reclamar de falta de patrocínio. Casos como os de Paula, Ana Moser, Flávio Canto, Raí, Cafu, Deco são, infelizmente, exceções.

Infelizmente, o governo brasileiro, em todos os níveis, teima em não entender o papel fundamental do esporte como educação e instrumento de inclusão social. Em vez de investir no fomento e na popularização da prática esportiva geral, o Brasil dedica fortunas à construção de estádios de futebol, muitos deles particulares, e demonstra uma falta de sensibilidade ímpar. É dolorida a constatação de que a política esportiva no Brasil seja voltada muito mais para empreiteiros e construtores do que para esportistas.

quinta-feira, abril 04, 2013



Hermanos


Antes de mais nada, quero deixar claro que não compartilho com essa teoria boboca de rivalidade com os argentinos.

Nem sequer é o Brasil o grande adversário do futebol para nossos vizinhos. Há jogos contra equipes e as seleções de Uruguai e Chile que são tidos como muito mais importantes para o torcedor e a mídia na Argentina.

Já trabalhei num Uruguai x Argentina eliminatório e sei bem sobre o que opino.

A questão é que, como tem virado moda, sempre se misturam as coisas no Brasil.

Em virtude do grande destempero e da violência de boa parte dos jogadores do Tigre, um time praticamente inexpressivo, e de um quebra-pau que teve um dedo de despreparo de alguns seguranças e policiais mineiros em Galo x Arsenal, a coisa descamba para alguns comentários com os quais não concordo, em absoluto.

Talvez eu seja suspeito, porque pelos menos dois de meus melhores amigos são argentinos. Quase irmãos. Fernando de Oliveira e Galatea Cristaldi. Aliás, a família Oliveira toda é como se fosse a extensão de minha família no Pampa.

Estive pelo menos uma quinzena de vezes na Argentina, se não mais. Sempre fui bem tratado, com respeito. Nas cidades pequenas e bairros afastados o povo argentino é muito, mas muito parecido com o brasileiro do interior. Convidativo, agradável, hospitaleiro.

Mesmo se não fosse, nada a generalização grosseira.

Como acontece toda hora com o Paraguai, com aquela piadinha besta, idiota do cavalo paraguaio. Principalmente se lembrarmos o peso da nossa responsabilidade como nação pelo que fizemos com o país vizinho na história.

É a mesma coisa que me irrita profundamente quando saio do Brasil e vejo nosso povo caricaturado como um bando de bailarinos descompromissados e nossas mulheres como dançarinas seminuas.

Aí vem o inevitável comercial de cerveja que pinta o povo brasileiro como vagabundos que passam o dia na praia, bebendo, olhando para a bunda das mulheres que passam e fazendo piadas de gosto duvidoso.

Nem todo brasileiro é político corrupto, imigrante ilegal ou estelionatário. Aliás, bem poucos deles o são.

Por isso acho ridícula qualquer piadinha que se faça com qualquer povo que passe por perto da generalização preconceituosa.

Ou não foi aqui, no interior de São Paulo, que um jogador de futebol deu uma voadora no peito de um juiz recentemente?

Ou não foi de mãos brasileiras que partiu o foguete que matou o garoto boliviano?

Será que só tem barra-brava, não tem uniformizada violenta?

Nunca, nenhum time brasileiro apelou ao perder um jogo?

O que acontece num campo de futebol começa e termina num campo de futebol. Nada mais do que isso.

Um grupo de profissionais de um determinado ramo não representa um povo, uma cultura.

Tampouco duas dúzias de atletas de times inexpressivos são o raio-x do comportamento de atletas profissionais de um determinado território.

Brasileiro gosta de dizer que é gostoso ganhar de argentino no futebol porque geralmente os argentinos sabem jogar bola tão bem quanto os brasileiros. Houve época em que jogavam melhor.

E tem sempre a análise preguiçosa, de quem não se dá ao trabalho de pesquisar, de ver um vídeo, de telefonar para um colega.

Aí pinta o comentário padrão, de gabarito: os times argentinos e sul-americanos só sabem catimbar. Reparam que esse comentário nos exclui do continente?

É como brinco com meus amigos de Campinas, que quando viajam no rumo Norte dizem que vão para o Interior. Porque? Têm vergonha de se inserir no contexto? Eu sou caipira de Bariri com orgulho.

Será que estamos ficando metidos a bestas, empolgados pela sensação de novo-riquismo?

Ou parece mais confortável pensar que nosso vizinho mais próximo é Miami e que apenas por um azar da geografia estamos na América do Sul?

Afinal, somos integrantes dos poderosos Brics, o futuro econômico do planeta, os próximos milionários.

Que poderiam dizer por aí os familiares de turistas uruguaios, argentinos, chilenos etc. que foram brutalmente assassinados em nossas cidades litorâneas recentemente, simplesmente por estarem passeando e por terem dinheiro na carteira?

Será que nos chamam de bárbaros por aí?

Até acho divertidas as brincadeiras sadias que rolam entre brasileiros e argentinos no futebol.

A maior das brincadeiras é afimar que o Maradona foi melhor do que o Pelé.

Enfim, é só brincar direito e levar a sério o que é para ser levado a sério.

Simples assim.

 

terça-feira, abril 02, 2013


Regras e interpretações


No Brasil é extremamente complicado falar de leis e suas interpretações. Ainda que sejam leis de um jogo simples e direto como o futebol.

Como envolve paixão, o futebol distorce a realidade ao sabor do desfecho que cada torcedor pretende para seu time de coração. Quanto mais patológico o torcedor, pior. Para ele, as regras só servem para ajudar seu time e prejudicar o adversário. O mesmo lance visto sob a ótica favorável ou desfavorável tem dúzias de interpretações.

Quase nenhum torcedor se dá ao trabalho de ler as regras do futebol.

Tem gente que troca até o que é subir e descer. 

Eles preferem perpetuar bobagens como bola na área é do goleiro, último homem, dividida é da defesa, bateu na mão é pênalti, coisas da cultura de peladeiros que permeia nossa alegre nação.  

  A polêmica da semana aconteceu no clássico entre São Paulo e Corinthians. Leandro Bizzio Marinho marcou pênalti de Rogério Ceni em Alexandre Pato. Se quem jogou sabe, adapto a frase para um quem apitou, sabe. Sálvio Spínola Fagundes Filho foi um dos principais árbitros brasileiros até 2011, quando apitou a final da Copa América. Além de estaduais, brasileiros, Libertadores, Eliminatórias e Mundiais Sub-20, sub-17. Atualmente é um requisitado professor e instrutor de arbitragem no Brasil e da América do Sul. Fui a ele.
            Foi pênalti do Ceni no Pato?
            Foi. Não é tiro livre indireto em nenhuma situação, porque a bola está em disputa. Para mim é o típico exemplo de imprudência. Rogério não quer atingir o Pato, ele simplesmente quer chutar a bola, mas tem pela frente o Pato com mais agilidade que ele. Mais veloz, ele atinge a bola e tira a bola do ângulo de chute do Rogério. Caberia ao Rogério frear, mas ele não consegue, atinge o Pato, e aí é tiro livre direto. Caracterizo como imprudência. Ele tenta chutar a bola, mas atinge o adversário.
            Caso para cartão vermelho ou não?
            Para mim é cartão vermelho, oportunidade clara de gol. Se o Rogério não toca o Pato, ele não cai. A sola do Pato já está retraída, ele chuta a bola e tira o pé. Se a bola saísse antes de o Pato poder alcançá-la, nesse caso o árbitro daria amarelo. Olha a dificuldade para interpretar.
            Muitos argumentam que foi solada do Pato. Foi?
            A regra não tem solada ou não solada. O que tem é jogo perigoso. Jogar de forma perigosa é tiro livre indireto. Isso desde que não atinja o adversário. É a famosa bicicleta. Se o adversário está disputando de cabeça e o outro tenta a bicicleta, é jogo perigoso.
            A expulsão nesse caso não é muito castigo na mesma jogada?
            Existe uma força-tarefa da Fifa formada por 21 membros que discute coisas para melhorar o futebol. Franz Beckenbauer é o presidente, Pelé e Cafu participam. Esse grupo entende que um excesso de punição para esse tipo de jogada seja pênalti, cartão vermelho e punição automática. Seriam três punições. Para esse caso do Rogério, por exemplo, seria cartão vermelho, mas sem expulsão automática, porque é uma expulsão técnica, não disciplinar.
 
Para completar, detalhes interessantes do desconhecimento puro.
 
Jogador conhece a regra do futebol?
Raríssimos são os jogadores que entendem e conhecem a regra do jogo.
Você já viveu alguma situação curiosa graças a esse desconhecimento dos atletas?
Final da Copa América, Paraguai e Uruguai. O goleiro do Paraguai, Justo Villar, teve uma falta para ele dentro da área. Ele cobra a falta para o companheiro que está dentro da área. Mandei voltar. Ele foi atrás e bateu para o companheiro dentro da área. Expliquei três vezes. No intervalo, ele me procurou e perguntou: Spíndola, tem que sair a bola da área? Eu não sabia, mudou a regra faz pouco tempo? Respondi: não, sempre foi assim.
Uma vez expulsei o Fábio Luciano, no Flamengo, e ele me disse ao sair: jogador não sabe a regra mesmo.
Mas há exceções. O Messi, os jogadores do Barcelona, todos conhecem muito a regra. Vejam o quarto gol do Barcelona contra o Santos no Mundial, como eles fogem do impedimento. Eles entendem perfeitamente a regra.  
 
 
 

sexta-feira, março 29, 2013



A triste realidade

da seleção brasileira




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comentei os amistosos do Brasil com Itália e Rússia e o jogo entre França e Espanha pelo SporTV.

O suficiente para reafirmar uma noção que não é apenas minha, mas de muita gente. Sejam analistas, torcedores, ex-jogadores.

A noção de que nossa seleção vive uma triste realidade e passa longe da lista das melhores do mundo.

Pior: até algumas das seleções que não figuram no primeiro time da bola estão mais organizadas e atualizadas do que a Brasileira.

Só a história não se perde. Mas será a história suficiente para um bom papel em 2014?

Desde a última grande fase de Ronaldinho Gaúcho que a seleção brasileira já não provoca frisson, por não ter jogadores de hierarquia e impacto internacional.

Kaká e Adriano começaram a construir esse patrimônio, mas não o sustentaram.

Felipão, treinador do Brasil, deu uma entrevista em Londres antes do jogo com a Rússia. Nenhum, repito, nenhum jornalista inglês perguntou sobre a seleção brasileira. Nem sobre jogador da seleção. Só queriam saber das lembranças do treinador brasileiro sobre o Chelsea. Haveria outro sinal mais evidente da falta de importância?

Neymar é nosso jogador mais badalado, justamente. É o que temos de melhor hoje. Mas ainda não provoca suspiros na imprensa européia e simplesmente não consegue encaixar um grande jogo pela seleção brasileira.

Nosso estilo de jogo, mesmo com a maioria dos jogadores atuando na Europa, passa longe do que se pratica mundialmente.

Ainda estamos presos a um conceito antigo, aquele que prevê um volante de marcação e outro com mais saída para o jogo.

Quase todas as seleções e grandes equipes do mundo já abandonaram essa ideia há tempos. O que está em voga hoje é algo mais total, compacto. Os volantes estão incorporados ao sistema de jogo, aparecem na área de seu time e na do adversário.

A moda entre nossos treinadores agora é armar as equipes (Felipão inclusive) com um atacante isolado e os tais dos três meias. Mesmo que para isso sacrifiquem as características individuais dos atletas, apenas para se mostrarem atualizados.

Afirmei durante Brasil e Rússia, ao vivo, no SporTV, que é um desperdício que Oscar seja cobrado como ponteiro jogando pela direita.

Aí algum gaiato perito em Premier League irá dizer que no Chelsea ele joga aberto pela esquerda muitas vezes.

Vejo diferente: ele começa aberto pela esquerda, mas participa muito mais, não é um jogador estático, procura a área, troca de posição.

O mesmo vale para Kaká. Embora esteja jogando pouco, escalá-lo como extrema, ou winger, como dizem os europeus, é ir contra a lógica de seu jogo.

Sobre tática, claro que tenho a minha favorita.

Gosto dos times no 4-4-2. Uma linha de quatro atrás, dois volantes, dois meias e dois atacantes. Simples mas bonitinho.

Acho que encaixa melhor com as características do jogador brasileiro e com nosso estilo de jogo.

Vejo como nossa melhor formação hoje: Júlio César; Daniel Alves, Davi Luis, Thiago Silva e Marcelo; Ramires, Paulinho, Oscar e Ronaldinho Gaúcho; Neymar e Fred.

Seria esse o time que eu levaria a campo se cumprisse a loucura de ser treinador de futebol. Poderia quebrar a cara, claro. Mas acho que daí poderia sair algo interessante com treinamento e repetição.

Quem não rendesse, daria linha.

Hulk pode não ser um fenômeno, mas sempre que entra corresponde, e poderia acabar encontrando seu espaço.

Isso tudo é detalhe.

O que fica é a diferença de intensidade e dinâmica de jogo.

Em França x Espanha isso ficou claro. O time francês não está entre os melhores do mundo, mas é competitivo e está definido taticamente.

A foto que posto com esse texto exemplifica uma clara diferença entre o futebol que se pratica na média dos principais times do mundo e o que se joga no Brasil.

É a tal história da compactação e da diminuição de espaço.

Reparem como espanhóis e franceses reduzem o campo de jogo para os adversários. A partida se disputa entre as intermediárias. Raros são os lances de mano a mano entre atacante e zagueiro.

A aproximação entre as linhas da equipe é natural, o que facilita a troca de passes. Chutão só em último caso.

A Espanha é ponto fora da curva. Mas dá muitas pistas do que deve ser feito. Não muda seu estilo a cada chiadeira ou protesto de torcedor ou jornalista. Não rifa a bola, não dá chutão e nem apela para chuveirinho para ganhar jogo.

Para terminar, fica a triste constatação de que, tecnicamente, nossa escola vive um momento de entressafra e queda de qualidade.

Onde foi parar o drible? Em Londres, até Marcelo acordar em campo, eram os russos que tentavam os dribles.

Lembram das tabelinhas? Quantas a seleção encaixa por jogo?

Meio-campistas lançadores, com visão de jogo e ocupação total de espaço? A Itália tinha De Rossi e Pirlo. A Rússia tenta emplacar Shirokov, que tem lampejos.

A Espanha é covardia com Xavi, Xabi Alonso e Iniesta. Até mesmo Busquets, que está longe de ser craque, é ótimo taticamente.

A França busca um pensador, que não tem sido Cabaye, para abastecer Ribery, o cara diferente da equipe. Não é um supertime, mas está se remontando e tem boas opções para o futuro.

Não se trata de excluir o Brasil da briga pela teça em 2014.

Mas hoje, em 2012, estamos fora do grupo dos favoritos.

Espanha, Alemanha, Argentina, Itália, Argentina, Holanda, todos estão muitos passos à frente do Brasil.

A Espanha é o grande time do momento. A Alemanha tem um timaço, mas ainda não aprendeu a vencer torneios. A Argentina se organizou e tem o maior jogador da atualidade, Messi, que pode resolver tudo. A Itália se reinventou e está muito competitiva. O time holandês é quase sempre muito bom.

O Brasil hoje está no bolo que tem equipes como a própria França, Inglaterra, Uruguai, a emergente Colômbia. Todos na briga por uma vaga na Copa em que o Brasil é, por enquanto, a única presença confirmada.

Citei de sopetão dez times e coloquei o Brasil entre eles. Isso representa uma ótima possibilidade de alcançar as quartas-de-final em 2014. Boa chance de semifinal. Depois é contar com a mística, a sorte, o momento, a torcida.

O tempo é curto, mas é preciso ter em mente que a coroa mudou de mão faz tempo e que não frequentamos mais os salões da nobreza do futebol.

É preciso suor e trabalho, com boa dose de humildade.

Mesmo assim será bem complicado.

sexta-feira, março 08, 2013



A vida com preço tabelado



Um jogo sem torcida e multa de US$ 200 mil. Esse é o preço - tabelado - de uma vida para a Confederação Sul-Americana de Futebol.

Ah, já estava esquecendo!

Some-se a isso o astronômico valor de US$ 10 mil de multa aplicado ao San José de Oruro, clube mandante do jogo contra o Corinthians, cuja inexistente fiscalização permitiu que um celerado entrasse o estádio e atirasse um sinalizador marítimo na rota da morte do garoto Kevin Spada.

Não discuto aqui apenas se o clube tem ou não culpa pela ausência de cérebro e de moral de um ou centenas de torcedores. A discussão é mais ampla, é macro.

Assisti, estarrecido, a uma parcela importante da opinião pública brasileira manifestar mais preocupação com o fato de a torcida do Corinthians não poder ir ao estádio (e aqui generalizo, poderia ser qualquer torcida, do Íbis, do Bambala, pouco importa) do que a morte estúpida de um ser humano inocente, provocada pela estupidez de outro ser humano (ou seria de um integrante de um grupo organizado de pretensos seres humanos?)

Pior que isso. Recebi uma enxurrada de e-mails de assessorias de imprensa oferecendo entrevistas de advogados querendo seu quinhão nos 15 minutos de fama e bradando baboseiras sobre defesa do consumidor. Típica conversa de almoço na sede da OAB. Façam-me o favor!

Sem falar naquela patética tropa de quatro torcedores que, por plantarem melancia em casa, penduraram-nas aos pescoços e foram ao Pacaembu na expectativa de virarem celebridades esporádicas nas redes sociais. Lamentável!

Confesso minha decepção com a direção do Corinthians. O clube é exemplo de revolução administrativa, marketing e exploração de receitas, mas teve um comportamento tímido, cabotino nesse caso.

Poderia ter desfraldado a bandeira da paz e do fim da violência gratuita nos estádios, das torcidas militarizadas. Seu presidente, no entanto, preferiu o discurso da fatalidade, numa constrangedora entrevista na qual parecia ter esquecido o que aprendeu na faculdade de Direito, bacharel que é.

Ora, presidente! Fatalidade é chegar ao Taiti no dia do tsunami.

A bola quicou na frente do Corinthians, que não precisa de alguns milhares de baderneiros porque tem milhões de apaixonados pacíficos e legítimos, que não merecem a comparação absurda com um bando de fanáticos violentos.

Não vou muretar. Acho que o justo nesse caso seria que o Corinthians jogasse sem torcida toda a primeira fase da Libertadores e fosse multado em US$ 1 milhão. Depois, vida que segue, e a mensagem estaria dada. E o mesmo valeria para todos os baderneiros de todas as torcidas. Sem exceção, com as penas dobrando em caso de reincidência. Além de uma cobrança feroz e ferrenha de fiscalização nos estádios.

Vou mais longe: se sou dirigente do Corinthians, processo quem levou e quem atirou o sinalizador e peço ressarcimento com base no que o clube deixou de arrecadar e no prejuízo para a imagem da instituição.

Mas haveria coragem para isso, se há conselheiros e dirigentes do clube que são das organizadas? E ajudam a eleger o presidente, conselheiros, vereadores e deputados.

Quem vai dar explicações aos pais de Kevin? A Conmebol tem seguro para os torcedores? A Federação Boliviana não deveria ser punida também? Na Bolívia a vida vale menos do que no Brasil? Porque US$ 190 mil de diferença nas multas?

Enfim...

TERROR VERDE


Que dizer do Palmeiras e da - pequena - parcela violenta e irracional de sua torcida?

Que faz da vida alguém que fica de tocaia em aeroporto para agredir jogador de futebol profissional?

E aquele papo de que clube não ajuda torcida organizada? Afinal, o próprio presidente do Palmeiras admitiu que ajuda e prometeu não ajudar mais. Porque então não ajudar outros torcedores independentes a ir aos jogos? São esses menos palmeirenses por acaso?

Presidente este que, ao assumir o cargo, foi até a sede de uma torcida dessas para mostrar os números claudicantes da economia palestrina e pedir paciência.

Pergunto: ele fez o mesmo para algum palmeirense comum, ordeiro, pacífico? Foi até a casa dele e deu satisfações? Porque, então, foi até a sede de uma torcida? Há milhões de palmeirenses espalhados pelo País, porque apenas alguns merecem explicações diretas do presidente do clube.

Novato nesse negócio de presidência de clube, Paulo Nobre adotou um discurso firme, duro. Resta saber se manterá a postura. Se efetivamente processará o agressor por ter agredido seu funcionário.

Porque este mesmo presidente oferece cargo importante a integrante de torcida em sua administração. Integrante de torcida que teve expressiva votação no Conselho Deliberativo. Ou seja: o clube está legitimando esses grupos.

Corinthians e Palmeiras são dois dos maiores clubes brasileiros, e têm a chance de dar o exemplo na batalha pelo fim da violência e pela devolução do ato de torcer ao legítimo torcedor.

O que eles fizerem certamente será imitado pelos outros clubes.

Cabe também aos jogadores uma mudança de atitude. Devem deixar de pagar pedágio para determinados grupos de torcedores e entender que jogam para muitos milhões, não apenas para alguns milhares.

Devem pensar duas vezes antes de ir a festas ou desfiles de grupos que podem ameaçá-los ou agredi-los no dia seguinte, em caso de derrota. Principalmente, devem parar de falar e escrever bobagens em redes sociais, atiçando uma violência que aflora ao menor gesto.

Enquanto escrevo essas linhas penso nos pais de Kevin Spada. Pobres seres humanos que criaram com amor uma criança para que ela morresse no chão frio de cimento de uma arquibancada, sob a irresponsabilidade de alguém (ainda duvido que tenha sido outra criança) que levou uma arma do Brasil até a Bolívia achando que era um brinquedinho.

Pior ainda é saber que a vida de um filho está tabelada em US$ 200 mil e mais um bônus de US$ 10 mil pela entidade máxima do futebol sul-americano.

Anotem aí: agora é esperar pela próxima tragédia e saber se a tabela será corrigida.

Cabe perguntar agora onde estão os promotores públicos que fizeram fama e conseguiram mandatos e cargos no Governo vendendo a falsa ideia de que tinham controlado essas gangues disfarçadas de torcedores? Sumiram?

Assim caminha a mediocridade.

quinta-feira, março 07, 2013



Venezuela



Vejo pipocar textos e opiniões, nessas onipresentes redes sociais e na mídia em geral, a respeito da Venezuela e de seu futuro após a morte de Hugo Chávez.

Permito-me compartilhar uma experiência de 26 dias na Venezuela, em 2007, para a cobertura da Copa América pelo SporTV. Não serviu para me transformar num especialista em Venezuela, o que jamais fui ou serei, mas apenas para dividir uma visão de quem passou algum tempo por lá.

A chegada foi um choque. Desembarcamos de madrugada na cidade de Barcelona, província de Anzoátegui. Na recepção, uma imagem assustadora, pelo menos para mim. Fardados com o uniforme da Guarda Nacional (uma mistura estranha de polícia civil com Exército) havia adolescentes, alguns com provavelmente 12, 13 anos, segurando fuzis mais pesados que eles próprios.

Essa Guarda Nacional é (agora era) chavista e onipresente. Desde o policiamento dos estádios, passando pelo trânsito em ruas e estradas, eles estavam em todas com seus uniformes verde-oliva.

Há também uma espécie de Guarda Civil, que em Anzoátegui vestia uniformes azuis muito semelhantes aos da Guarda Metropolitana paulista. Tem menos atribuições. Muitos deles sequer andam armados.

O povo venezuelano é de uma alegria e amabilidade contagiantes. São amáveis, falam com aquele sotaque caribenho carregado, e espalham sua expressão favorita pelo ar: chévere! Uma versão para o nosso legal!

Assim como todos os países latino-americanos, a Venezuela foi, durante séculos, uma propriedade quase exclusiva de uma elite financeira, intelectual e política. O que gerou enormes desigualdades sociais. Nada diferente do Brasil, da Argentina.

A diferença é que a Venezuela foi abençoada com rios de petróleo em seu subsolo, o que a transformaria, potencialmente, numa espécie de emirado árabe encravado no Norte da América do Sul. O que jamais se concretizou, seja nos regimes da direita conservadora ou no modelo bolivariano de Chávez.

Cabe explicar algo dessa expressão bolivariana para que não haja equívocos de interpretação e, pelo menos, quando se queira elogiar ou criticar, se faça com conhecimento do contexto histórico. Simon Bolívar, o Libertador maior da América do Sul, era um monarquista de carteirinha. Fã dos reis absolutistas. Seu maior sonho era viabilizar a Gran Colômbia, que seria uma enorme faixa de terra que iria do Panamá (quer era parte da Colômbia) até a Patagônia. Ele, é claro, seria o Rei dessa monarquia sul-americana de inspiração absolutista.

Seu problema foi ter esbarrado em outro monarquista convicto, José de San Martín. Estiveram juntos apenas uma vez, em Guaiaquil, em 1822, e, dizem os historiadores, saiu faísca. O que deixou um saldo de divisão política no que seria a Gran Colômbia. O que hoje são Equador, Venezuela e Colômbia ficou sob herança de Bolívar (tanto que as bandeiras dos três países têm as cores da bandeira da Gran Colômbia. A Bolívia e o Peru são uma espécie de marco divisório entre as áreas de influência, tendo ficado para San Martín, digamos assim, o legado de Argentina e Chile.

Ambos os libertadores sempre sonharam em trazer o Brasil para sua causa, mas sabiam ds dificuldades de cooptar o gigante vizinho, sob forte influência da Inglaterra.

Bolívar tinha mania de perseguição. Via inimigos em toda parte, até na própria sombra. O soberbo livro O General em Seu Labirinto, de Garcia Marquez, retrata isso em forma de romance. Há historiadores que, inclusive, suspeitam que o assasinato do Marechal Sucre, espécie de braço-direito de Bolívar, tenha sido tramando pelo próprio Libertador.

Essa pincelada histórica serve para mostrar que Chávez tinha um discurso coerente com o personagem que sonhava encarnar. O bolivariano não era vago, em seu caso. Venezuelano, Bolívar terminou a vida tendo contra ele a elite que o apoiou em seu próprio país, porque ele havia encampado o discurso da justiça social.

Não que Chávez seja desprovido de contradições. Tentou um golpe de estado, se deu mal, foi preso, e critivava abertamente os que eram contra ele pela via das urnas. Mesma via pela qual foi eleito, o que não pode ser desprezado.

Mas e a Venezuela que eu vi, qual foi?

Um país tremendamente desigual e tenso, como é o próprio Brasil. Mas a Venezuela é um estado petrolífero por excelência. A Venezuela é, na realidade, um departamento da Pdvsa, a Petrobrás deles. Quem não está no governo ou na Pdvsa tem grandes dificuldades para sobreviver.

Ficamos boa parte do tempo na cidade de Puerto La Cruz, decadente balenário no Caribe venezuelano. A divisão do país era escancarada nas ruas do local. O setor hoteleiro estava encravado num distrito em que o chavismo fora derrotado nas eleições. Estava largado, havia desabastecimento e muita violência. Os supermercados com prateleiras vazias, e os donos contando essa história.

A cerca de dez quilômetros dali havia uma ilha de prosperidade, uma pequena cópia de Miami. Centros de compras modernos, supermercados abarrotados com o que havia de bom e do melhor, marinas luxuosas, uma gente morena, bonita e feliz da vida. Era o reduto em que o chavismo havia garantido a eleição de Tarek, governador de Anzoátegui e chavista. Eles próprios, os moradores, nos contavam isso abertamente e sem remorso algum.

A violência está tão encravada no dia-a-dia dos venezuelanos como no Brasil. Banalizou-se. É um país até mais violento que o Brasil. Há guardas armados até os dentes protegendo açougues de bairro, por exemplo. Tiroteios e assassinatos por motivos banais são frequentes. A miséria, exemplificada nas favelas, está presente, como aqui no Brasil. Na mesma rua há prédios nababescos e barracos miseráveis. É um país machista ao extremo.

A questão da Venezuela está no fato de Chávez ter apostado que com o petróleo transformaria o país. Não conseguiu. Porque a Venezuela é petróleo e mais nada. Infra-estrutura precária, agricultura inexistente, ao ponto de importar alface do grande rival ianque do Norte. A impressão que fica é que o discurso anti-EUA de Chávez tem como objetivo agradar alguma base de apoio radical, em especial grupos de jovens universitários e estudantes chavistas. Além de acariciar o estado-amigo cubano. Porque a Venezuela tem muitos negócios com os EUA, nunca deixou de tê-los.

Nas ruas pecebia-se uma clara divisão. Os pequenos e grandes comerciantes reclamavam abertamente do bolivarianismo. Quem aparecesse com dólar no bolso conseguia conversões fantásticas, porque há em boa parte do país, em especial na classe média, um desejo quase de oposicionista cubano de emigrar para os EUA.

Viajamos uma vez 500 km do caribe venezuelano para a região do rio Orinoco, no caminho para o Brasil. Não vimos uma plantação, e isso não é figura de linguagem. Não há nada no país que não seja oleoduto.

Em Zulia, província onde fica Maracaibo, está o grosso do petróleo venezuelano. Quando estivemos lá, o estado era de oposição, mas a cidade era chavista, o que potencializava o discurso ideológico de ambas as partes. Maracaibo é a cidade mais rica do país, e faz questão de mostrar isso, gastando o dinheiro do estado de Zulia.

Nos hotéis, o turista é freqüentemente abordado por belas venezuelanas, que justificam a fama de terra de misses. Educadas, cultas, são professoras, engenheiras, advogadas, comerciantes. Após meia hora de conversa oferecem serviços sexuais para reforçar o orçamento da família e ajudar o pai desempregado, ou que teve o negócio falido. Uma prática infelizmente comum no dia-a-dia de pontos turísticos do país.

Havia uma evidente manifestação de apoio popular a Chávez nas regiões mais simples por que passávamos, com a implantação de programas de assistência social parecidos com as bolsas distribuídas pelo governo brasileiro.

O transporte público é péssimo. Existe a figura do táxi comunitário. Vai parando e pegando gente pelas ruas, lotando aqueles carrões americanos dos anos 70. Porque lá a gasolina é mais barata que a água, então as banheiras sobre rodas fazem sucesso.

Nos estádios em que houve jogos da Copa América, a propaganda chavista era ostensiva. Livros escritos pelo presidente eram distribuídos aos borbotões por jovens trajados de vermelho. A propaganda ao estilo cubano e soviético está espalhada pelo país. Enormes painéis com pinturas épicas  e discurso nacionalista militarizado. Estudantes de universidades públicas foram enviados para trabalhar como voluntários na Copa América.

Em muitos casos havia confrontos ideológicos, com alguns poucos bate-bocas entre chavistas e opositores.

Na final da competição, em Maracaibo, os organizadores sofreram com um general chavista. Havia uma reserva de 600 lugares para convidados e patrocinadores. O tal general confiscou todos e encaixou os convidados dele, na mão grande.

Chávez não apareceu. Diziam por lá que ele tinha vários sósias que apareciam em seu lugar em algumas cerimônias, porque recebia muitas ameaças de morte. Outra versão dizia que por estar em território de oposição, certamente seria vaiado pelo público, o que ele evitava a qualquer custo.


Um dia, em Puerto La Cruz, chegamos para trabalhar em nossa cabine no estádio e havia um cartaz surreal pregado na parede: essa cabine foi confiscada pelo povo da Venezuela. Lá estavam alguns figurões do governo querendo ver o jogo em meio aos nossos equipamentos. Com alguma dificuldade, conseguimos arrancá-los de lá para trabalhar, até porque os direitos de transmissão valem uma fortuna.

Foi difícil avaliar a mídia, porque os próprios companheiros jornalistas diziam que 99% dos jornais eram bancados por propaganda do governo e fechavam questão com o chavismo. Como se soube depois, quem não aceitava essa condição tinha problemas e em muitos casos fechava as portas.

A figura de Chávez era onipresente. As tvs e rádios oficiais transmitiam seus intermináveis discursos por cinco, seis horas. O noticiário girava em torno do dia-a-dia do presidente e dos aliados como Cuba e Irã, e muita coisa relativa ao Brasil, com grande ênfase na figura de Lula. Algo muito parecido com o que faz hoje na Argentina a Kirchner de plantão.

O olhar de visitante pintava um quadro de um país tenso, ao borde da explosão. A Venezuela que vi em 2007 era um país dividido, com uma herança pesada de injustiça social. Com um governo de discurso socialista e de justiça social, mas que gastava os tubos comprando armamento e ajudando países amigos, deixando de cumprir com obrigações básicas. O desabastecimento na venezuela chega próximo ao que ocorre em Cuba em determinadas regiões.

Na volta, embarcamos na base aérea de Maracaibo. A polícia venezuelana entrou no avião para retirar dois venezuelanos e um brasileiro que tentavam deixar o país de carona e ilegalmente.

Torço, sinceramente, para que a Venezuela encontre uma saída de paz e democracia para a quase certa crise que se instalará com a morte de Chávez. Seu povo realmente irmão, alegre e hospitaleiro merece isso.

É um desejo acima de qualquer ideologia. Não simpatizava com Chávez e seu discurso torto, recheado de incongruências. Mas respeitava o fato de ele ter sido eleito em pleitos nos quais não se verificou fraude. Sua figura militarizada e algo folclórica jamais inspirava temor, como muita gente pintava no Brasil. Mas seu comportamento, em especial em relação a entidades como as Farc e ao Irã, eram muito inconsequentes.

Enfim, que a paz vença na Venezuela. Chévere!

terça-feira, fevereiro 26, 2013



Desorganizar, já!



Reproduzo a coluna publicada hoje no Diário de S.Paulo e nos jornais da Rede Bom Dia.

É preciso desorganizar a torcida

Parece contraditório em tempos de profissionalismo milionário. Mas arquibancada é lugar para amadores

A lamentável tragédia que ceifou estupidamente a vida do garoto boliviano Kevin oferece uma rara oportunidade para, quem sabe, desorganizar o ato de torcer em um estádio de futebol. Vou mais longe: desorganizar a relação de alguns torcedores com seus times do coração e vice-versa.
O Corinthians, maior fenômeno midiático do futebol brasileiro, tem força de sobra para bancar essa cruzada. Para onde for o Timão, ele será seguido pela maioria dos clubes brasileiros, não tenho dúvidas.

Conversei com alguns importantes dirigentes da instituição Sport Club Corinthians Paulista e todos foram unânimes ao desvincular qualquer relação entre o clube e a viagem dos torcedores que foram até a Bolívia (a grande maioria de um grupo organizado). Existe clara preocupação em não associar o clube ao comportamento desses grupos.

Mas a realidade é diferente. Pode não existir uma relação direta neste caso e acredito nas pessoas com quem falei. Mas o relacionamento chegou a um ponto em que a ordem está se invertendo. Os torcedores que iam ao estádio para torcer pelos times, agora estão participando da vida dos clubes, como associados e até conselheiros e dirigentes. No Corinthians e no Palmeiras, essa realidade só faz aumentar. É cada vez maior a presença de integrantes de torcidas uniformizadas no Conselho Deliberativo. No caso corintiano, inclusive, dirigentes de alto escalão são oriundos desse tipo de organização.

Algumas organizações uniformizadas têm mais associados do que os próprios clubes. Ganham dinheiro vendendo produtos que contam com os símbolos e cores deles e não repassam um tostão em direitos. Todas levam os distintivos em seus uniformes. Concorrem diretamente com os produtos oficiais dos times. É a linguiça comendo o cachorro e lucrando com isso.
Esses grupos encontraram no Carnaval uma maneira de conseguir dinheiro do governo e das emissoras de TV. Transformaram-se em escolas de samba e aumentaram recursos, de forma clara e oficial, sem depender exclusivamente dos subsídios dos clubes. São associações que têm presidentes, advogados, representantes, espaço reservado em estádio e escolta da polícia para ir e vir. Ganharam privilégios. Pressionam, intimidam e, agora, podem fazer isso dentro dos clubes, de seus conselhos e, muitas vezes, diretorias.

Nada tenho contra o fato de alguém querer criar uma torcida organizada. Quando elas surgiram, o objetivo era lúdico. Entre eles, o de levar almofadas para que mulheres e crianças não tivessem de enfrentar o cimento duro das arquibancadas. A dura realidade de hoje mostra uma criança (para as leis brasileiras) levando um artefato letal do Brasil para a Bolívia, cujo uso irresponsável (não se sabe se por essa criança, ou seria uma artimanha legal apontar um menor como culpado?) tirou a vida de outra criança.

É preciso desorganizar o ato de torcer. O profissionalismo no futebol é para jogadores, técnicos e dirigentes. Fora disso, o amadorismo é a senha para se coibir certo tipo de atitude. Não existe corintiano que seja mais fiel do que outro. Palmeirense de alma mais palestrina do que outro. Nem tricolores que sejam mais são-paulinos do que alguns em grupo, tampouco santistas que sejam súditos mais leais do Rei Pelé só porque decidiram que são assim. Todos são iguais perante a paixão e perante a lei.
Situações extremas exigem medidas extremas. O problema social em que a relação de alguns grupos de torcedores com seus clubes e entre eles próprios se transformou jamais foi encarado pelas autoridades. Quem sabe agora, com repercussão negativa internacional, às portas da Copa do Mundo, aqueles que têm responsabilidades profissionais devolvam o saudável amadorismo ao ato de torcer.

Ave rara

Não se trata de Ganso, no caso do São Paulo, mas de Jadson. É o mais regular e eficiente jogador do Tricolor na temporada. Quando o caldo ameaça entornar, ele surge com um gol ou passe providencial. Nesse momento, não existe disputa entre Jadson e Ganso, porque o ex-santista não teria chance alguma.

Paz verde

Mais de 20 mil pessoas no Pacaembu e uma paciência incomum da arquibancada com o time, aguardando uma vitória que seria tranquila, tivessem os atacantes melhor pontaria. Mas ela veio suada, sofrida, com um gol do estreante Leandro, mandando para longe do Palmeiras os ventos da crise e mantendo a paz.

Diga ao povo que...

...fico. É a resposta que o Corinthians deu para a pergunta sobre a permanência ou não na Libertadores. Mas, antes, nos bastidores, lideranças políticas fizeram uma pesquisa informal, inclusive com dirigentes de outros clubes e jornalistas, para testar qual seria o impacto de uma eventual saída do torneio.

Nó tático

Não existe fórmula mágica ou prancheta milagrosa que resolva um problema recorrente e básico no futebol: jogador jogando mal. A coisa piora quando alguns deles estão mal no mesmo time.
Esse é o problema que vive, hoje, o Santos. Individualmente, acontece essa rara conjuntura de vários atletas estarem rendendo mal, o que resulta em desempenho coletivo ruim. Não tem jeito.

Há uma cobrança forte de conselheiros e até do Rei Pelé pelo uso de garotos da base. Mas nem sempre o raio acertará em cheio a Vila Belmiro, como foi com o próprio Pelé, com Robinho, com Neymar.

Neymar é a locomotiva, obviamente. Mas há vagões importantes do trem santista com problemas. Montillo ainda está tímido, sem a movimentação ideal, muito longe da área. Cícero largou bem, mas não manteve o pique. André apenas começa a recuperar a forma. Arouca e Renê Júnior não encontraram o tom correto. A questão das laterais precisa ser resolvida, porque a equipe fica vulnerável na marcação.

Enfim, problemas pelos quais passam todas as equipes. Mas é óbvio que, com a melhora do desempenho individual desses jogadores, coletivamente o Santos vai crescer durante a temporada.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013


 

Histórias de Redação


Não é um foguete!

 
 
Até para desanuviar o ambiente pesado pela notícia de mais uma morte estúpida em estádio de futebol, recorro à memória para contar mais uma história de redação.
 
Que, lamentavelmente, envolve um foguete. Ou melhor, não é um foguete! Como veremos.
 
Era dia de Brasil x Chile pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1990. Maracanã lotado, plantão concorrido na redação da Folha da Tarde (que hoje se chama Agora São Paulo). O cenário de milhões de pequenos ladrilhos coloridos que ornavam as paredes era ocupado pela correria tradicional de uma redação. O recesso, breve, permitia apenas ver o jogo e torcer.
 
De repente, silêncio! Alguns gritos de protesto! Que absurdo! Animais! O Brasil será eliminado da Copa e suspenso pela Fifa!
 
A cena na tela da TV mostrava o goleiro chileno Roberto Rojas caído em pleno gramado do Maracanã, levando as mãos ao rosto e se contorcendo em dor, em meio a uma cortina de fumaça.
 
Indignados, jogadores e dirigentes chilenos deixam o gramado bradando impropérios e protegendo o rosto banhado em sangue de Rojas.
 
Foi-se o recesso na redação. Correria, tensão, adrenalina.
 
Fulano, vá ao arquivo e puxe o perfil do Rojas!
 
Você, localize nosso repórter no Maracanã!
 
Era o José Roberto Malia, editor de esportes da velha FT, um craque nesse negócio de editar jornal, disparando ordens.
 
Vamos descobrir que tipo de foguete era esse!
 
- Não é um "fuguete", é um sinalizador!
 
A voz grave, pastosa, ecoou precisa naquele segundo de silêncio em meio ao caos. Inconfundível, o sotaque meio anasalado e algo nordestino, sentenciava, ressaltando :
 
- Não é um "fuguete", é um sinalizador!
 
O autor da frese era o João, João Faixa, como era conhecido e não consigo me lembrar por quê?
 
Recordo da figura do João. Era o revisor do jornal no past-up, onde as páginas eram montadas antigamente, momentos antes de irem para a impressão na gráfica. João, olhos de lince, encontrava erros, recortava com estilete os trechos equivocados e subia para a redação solicitando a troca.
 
Jornalista é vaidoso por contrato. Odeia que apontem seus erros. Principalmente em público e quando quem aponta o jornalista, do alto de sua arrogância, acha que é inferior a ele.
 
Era o que acontecia com o João Faixa, vítima desse preconceito bobo, com o qual nos divorciamos conforme o tempo vai passando.
 
Mas voltemos à figura do João. Barriga teimando em fugir da calçe e em não alcançar a camisa, deixando o umbigo à mostra. Camiseta básica, calça jeans e muitas vezes um chinelo de caminhar arrastado. Tudo isso ornado por um indefectível palito aos dentes.
 
- Malia, é um sinalizador, desses usados pela Marinha.
 
Naquele dia entendi a frase o silêncio que precede o esporro.
 
Coitado do João.
 
Choveram impropérios.
 
- Cala a boca! Seu ignorante! Vai lá recortar suas páginas etc.
 
Irredutível, João manteve a tese do sinalizador, argumentando que tinha servido na Marinha e sabia muito bem do que se tratava.
 
O tempo se encarregou de acabar com a farsa dos chilenos. Tudo fingido e arrumado. Rojas cortara a si próprio com uma lâmina, e arrumaram uma oportunista de plantão, posteriormente alçada aos 15 minutos de - nua - fama como Rose Fogueteira.
 
O tempo também se encarregou rapidamente de provar que João Faixa estava certo.
 
Não era um "fuguete".
 
Era um sinalizador.
 
 

ATÉ QUANDO?



Nesta quarta-feira, um telefone tocou em Oruro, na Bolívia. Um coração de mãe atendeu batendo disparado, em alerta por aquele sexto sentido que só as mães possuem. Despedaçado, esse coração de mãe foi obrigado a inverter a ordem lógica da vida e enterrar um filho. Uma criança de 14 anos que morreu estupidamente enquanto assistia a um jogo de futebol.

Um coração de pai hoje se corrói, equivocadamente arrependido por ter ensinado o filho a amar esse esporte que o mundo ama, o futebol.

Pouco importa o que apontarão as investigações, se é que apontarão alguma coisa. Se for confirmada a hipótese de crime, doloso ou não, essa morte produzirá fantasmas que assombrarão muita gente. Há uma longa fila de candidatos ao remorso.

Do alto de sua arrogância movida a interesses econômicos, a Confederação Sul-Americana de Futebol faz vista grossa, há décadas, para a barbárie que cerca seu principal produto, a Copa Libertadores. Esse objeto do desejo é palco de violências e atentados à civilidade desde sempre.

Desde as acusações jamais investigadas de doping a rodo nos anos 60 e 70, da intimidação com ajuda de forças policiais e políticas, de jogadores que atuavam com alfinetes para furar a pelo do adversário à presença de cachorros intimidadores e outros elementos em vestiários de atletas e árbitros. Passando por tentativas e sucessos em invasões de campo de jogo, batalhas campais, garrafadas, pedradas e por aí vai. Inclusive nesse Brasil varonil, que adora posar de vítima quando se trata de Libertadores, mas também já protagonizou muita barbaridade em busca de uma vitória.

É motivo de chacota mundo afora uma imagem clássica da Libertadores. Acuado, um jogador tenta cobrar um escanteio sob a proteção de escudos de policiais, em virtude da chuva de pedras, pilhas e toda sorte de objetos. E nada acontece.

Agora existe a promessa de uma Comissão Disciplinar. Depois de muito tempo os cartões amarelos, que tinham como objetivo engordar o cofre da entidade, agora são suspensivos. Mas a cobrança aumentou. Em dólar, registre-se.

As perguntas se sucedem.

Como é possível que alguém entre em um estádio de futebol com um sinalizador, um rojão, um artefato explosivo de qualquer potência?

Quem fiscaliza e determina que tipo de revista é feita em torcedores? É a polícia de cada local, de cada país?

Que graça tem levar ao estádio um sinalizador que só produz cheiro ruim, fumaça e atrapalha a visão de todos, no estádio e em casa, pela TV?

Torcedor comum, o de verdade, leva sinalizador ao estádio ou leva apenas a vontade de torcer?

Para fazer uma festa bonita é preciso sinalizadores?

Que legislação existe para a compra e venda desse tipo de artefato, no Brasil e no mundo?

Não custa nada lembrar do que aconteceu em Santa Maria recentemente, outra estúpida tragédia.

Não se trata de saudosismo. Comecei a frequentar praças esportivas em uma época na qual havia bandeiras nos estádios, baterias de rojões festejavam as entradas dos times. A festa era, sim, muito bonita. Mas os rojões eram atirados para o alto, não em direção a outros torcedores. Os paus das bandeiras serviam para bolar coreografias de pano e vento, não para rachar a cabeça de outros torcedores.

O verdadeiro problema não está nos artefatos, nos objetos. Está na peça que os conduz, no chip. O problema é o ser humano que transforma esses objetos em arma, por intenção ou irresponsabilidade.

Omissa por vocação, a Conmebol está agora diante de um dilema. Não importa a nacionalidade de um eventual culpado pela trágica morte desse jovem de 14 anos em Oruro. Ou dos culpados, porque existem erros em cascata. O que importa é o fato: morreu um torcedor em um jogo da Copa Libertadores da América.

Não me venham com o papinho de fatalidade, que pode acontecer com qualquer um, acidente, não houve intenção. É negligência. Fatalidade é o sujeito escolher o dia 11 de setembro de 2001 para visitar o World Trade Center.

Se mais uma vez a entidade resolver se calar e empurrar a barbaridade para debaixo do tapete, preocupada apenas com suas taxas e multas por cartão amarelo, esqueçam o sonho de ver a Libertadores valorizada, modernizada e profissionalizada.

O Direito Desportivo caminha, pelo menos no Brasil, para uma associação do mau torcedor ao clube que ele supostamente apóia (ou seria atrapalha?). Perdas de mando de campo e multas pesadas já foram aplicadas.

Os clubes teimam em permitir que sua imagem, seu escudo e suas cores sejam associadas a uma parcela de torcedores que muitas vezes nem sequer gritam os nomes dos clubes, mas apenas os de suas facções nos estádios. E quase sempre as tragédias se originam nos locais em que eles violentamente se instalam nos estádios ou em suas sedes ditas sociais.

Repito: o problema não está no rojão, no sinalizador, na pilha e no radinho. O problema está na mente doentia de quem olha para um objeto desses e vê uma granada, uma bomba, uma arma.

Mesmo que as investigações venham a provar que foi um acidente, que o torcedor não era "profissional da violência" etc. a memória dessa criança de 14 anos que morreu apenas porque decidiu ver um jogo de futebol precisa ser respeitada. Como a de todos que morreram em virtude de tragédias em campos de futebol. As vítimas de Heysel, Sheffield, Guatemala, Bradford, Glasgow, Moscou, Cairo clamam por justiça.

Junta-se a elas uma jovem alma boliviana.


 

quarta-feira, fevereiro 20, 2013


Lei também é

para os ídolos


Tenho procurado acompanhar com atenção o noticiário envolvendo o corredor paraolímpico sul-africano Oscar Pistorius, que está sendo apontado como autor do crime de assassinato de sua própria  -e belíssima - namorada, uma famosa modelo.

Sempre que um caso como esse ocorre existe uma certa comoção. Não apenas entre os fãs e torcedores, mas também entre os jornalistas. As reportagens ganham um tom de incredulidade, de inconformismo. Especialistas são ouvidos e se apressam a escrever um epitáfio apressado sobre o atleta em questão, ressaltando suas qualidades, importância para o esporte, contribuição, exemplo de esforço e superação. Como se fosse possível separar tudo isso do ser humano que comete (se comprovado for pela Justiça) de um crime brutal.

Creio que o motivo dessa postura incrédula está no fato de a cobertura esportiva de mídia ter uma necessidade que, sinceramente, não comprendo, de criar heróis. Ou até mesmo de chamar de herói um atleta que nada mais é do que competente, talentoso, trabalhador, dedicado e vencedor. O termo herói entra aí em que contexto, quando se trata nada mais de quem faz bem seu trabalho?

Talvez no caso de Pistorius o termo ganhe alguma justificativa. Ele, de fato, tem uma história que é um exemplo de superação, de como encarar a vida de frente, de cabeça erguida, mesmo face à crueldade com que a vida o encarou.

Há um caso que me soa muito parecido. O do pugilista argentino Carlos Monzón. Herói nacional, apontado como um dos 20 maiores boxeadores de todos os tempos, Monzón foi condenado e cumpriu pena pelo assassinato de sua esposa, Alicia Muniz. Monzón morreu em um acidente de automóvel, em 1995, durante um período em que gozava do benefício de passar alguns dias fora da prisão.

Em 2011, durante a Copa América, a equipe do SporTV foi até uma estátua que ergueram para Monzón na cidade de Santa Fé (ele é da província de Santa Fé). Enquanto tirávamos algumas fotografias, uma senhora se aproximou e disse, em tom desaprovador:

- Este não é ídolo. Não é ídolo.

Não foi preciso explicar a implícita referência ao crime por ele cometido.

Não comparo casos e histórias.

Monzón foi enterrado como um semideus na Argentina, tão cara a ídolos e figuras algo caricatas, como Perón, Maradona, Gardel, Evita e o próprio Monzón.

Outro caso que capturou a atenção da mídia e do público torcedor foi o do ídolo do futebol americano O.J Simpson. Acusado de matar a esposa Nicole e um amigo, Simpson foi absolvido no julgamento que atraiu a maior atenção da mídia na história dos EUA.

Em todos esses casos, em um momento ou outro, em tom acima do normal ou não, a biografia do ídolo se misturou com a vida do cidadão comum e suas responsabilidades.

Por isso entendo o choque.

Mas não consigo entender o tom de atenuação em algumas declarações.

Nem sequer a tentativa de justificar supostas atitudes e desqualificar eventuais equívocos apenas pelo fato de a pessoa ser ídolo.

A Lei é para todos. Ídolos ou fãs. Não deve haver benefício ou tratamento especial.

Sabemos que no Brasil não funciona desse jeito. Não apenas no Brasil.

Poder, influência política e imagem costumam se imiscuir na Justiça, eventualmente.

A tragédia de Pistorious (personagem que aos poucos tem sua biografia pessoal revelada, com tons até então obscuros) é mais um capítulo dessa novela chamada vida.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013



Entrou Arena

no Olímpico?


A pressa e a politicagem atrapalham o projeto do Grêmio na Libertadores.

Obviamente que a bela Arena foi inaugurada antes do que deveria, para que ficasse marcada a inauguração pela administração x.

Deixou-se de pensar no que é o principal foco de um clube de futebol, o futebol. Deixou-se de pensar em algo básico, o gramado, esse "detalhe" para um bom jogo.

Não acho que o Grêmio tenha perdido para o Huachipato por causa do gramado, mas certamente, um time técnico rende mais em um gramado melhor.
 

Caso de se pensar e não mais colocar o estádio na frente do futebol. Voltar ao sagrado território dos gremistas, o Olímpico, nessas circunstâncias, seria um anti marketing brutal.
 

Ainda acho que é caso de ter calma. O elenco é bom, mas ainda não existe um time, e há tempo para buscar a classificação.
 

Mas urge pensar primeiro no que é prioridade e depois nas ações extra-campo.

Lição para todos os clubes brasileiros.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013



Independência (ou) Galo



Impressionante a sequência do Atlético Mineiro em sua nova casa, o renovado estádio Independência. Desde abril de 2012, quando voltou a jogar em Belo Horizonte, o Galo disputou 23 partidas no estádio que divide com o América, venceu 16 e empatou sete.

Foi com base nessa confiança de quem realmente se sente em casa e mostra quem manda que o time de Cuca entrou em campo contra o São Paulo. Jogo pegado, brigado, gostoso de assistir. No primeiro tempo, o Galo impôs seu estilo. Muita pegada, diminuição de espaços e ritmo infernal de velocidade com Bernard, Jô, Tardelli e Ronaldinho Gaúcho.

O São Paulo não encontrava uma maneira de acertar sua saída de bola, e num vacilo incrível da retaguarda tricolor, o Atlético fez 1 a 0 num daqueles lances que não se aceita nem em pelada: gol que nasce de cobrança de lateral.

O primeiro tempo mostrou uma superioridade tática tal do time mineiro que um a zero terminou sendo pouco. Com Jádson anulado por Pierre e Douglas sem cacoete de meia, o São Paulo ficou encaixotado na marcação atleticana e se viu refém da velocidade do rival.

Na segunda etapa, até porque é praticamente impossível manter um ritmo tão veloz, o Atlético recuou em busca do contragolpe fatal, mas deu muito campo para o São Paulo jogar. Só que justamente quando o time paulista se estabelecia em campo, pintou o segundo gol, em nova jogada de Ronaldinho, em novo vacilo de Rodolpho pelo alto, gol de Réver.

Quando encontrou uma certa cadencia, diminuindo a voracidade do rival, o São Paulo foi bem. Mas há uma questão tática que Ney Franco ainda precisa resolver. A ideia é fazer uma equipe que tenha quatro jogadores mais á frente. Um avançado, Luís Fabiano, dois extremos (ou wings, como dizem os europeus), Osvaldo pela esquerda e uma vaga ainda aberta na direita, e um meia no centro, Jádson. Para que isso funcione, o treinador opta por dois volantes mais pegadores e sem grande saída de bola, Denílson e Wellington. Quando o adversário tira a velocidade pelos lados e marca Jádson, Lúis Fabiano tem dificuldades para receber a bola.

O Atlético tem um estilo de jogo parecido, só que mais bem resolvido. A diferença está em detalhes. Bernard é um jogador de mais movimentação e técnica que Osvaldo. Ele dita o ritmo frenético da equipe. Ronaldinho fica solto no meio, e tem cobertura de Leandro Donizetti e Pierre. Jô não tem a técnica de Luís Fabiano, mas compensa com maior mobilidade, e Tardelli (ainda que desentrosado) pode ser tanto segundo como primeiro atacante. Com um adendo: Leandro Donizetti sai mais para o jogo, se apresenta mais que Wellington e Denílson. Se Fabrício voltar bem, pode ajudar o São Paulo na saída de bola.

Nada se resolve em um jogo nesse grupo, no qual Galo e Tricolor devem disputar a liderança. A partida de ontem foi previsível no sentido de que um time formado há mais tempo e mais entrosado e bem resolvido taticamente saiu vencedor.

Com a força que tem no Independência, o Atlético, se tiver uma boa regularidade e souber ser competitivo fora de casa, estará muito forte na briga pelo título.

O São Paulo é sempre muito forte como mandante na Libertadores, mas ainda precisa encontrar uma forma de jogar sem Lucas, além de resolver o problema da defesa nas bolas cruzadas para a área.

Em 17 de abril, no Morumbi, Tricolor e Galo devem fazer outro jogaço, valendo o primeiro lugar do grupo.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013



A vida como ela é

no futebol de hoje



No futebol de hoje ter a casa arrumada é o primeiro passo para poder investir em bons jogadores e elencos. O caso que envolve Grêmio, Palmeiras e Barcos é um exemplo cristalino disso.
 
Escrevo após ler que o negócio está sacramentado, nas palavras do presidente do Grêmio, Fábio Koff.

Quebrado por duas administrações desastrosas e amadoras, o Palmeiras se viu obrigado a vender seu único ídolo do momento para não correr o risco de ver seu nome sujo na Fifa. Sanou uma dívida, fez um pequeno caixa e ...obteve cinco jogadores. 

Tecnicamente, perde seu principal atleta. Mas perde por culpa dos incompetentes que administraram o clube.
O Grêmio vive um momento administrativo muito melhor, tem dinheiro para investir e comprar um jogador de bom nível e ainda abrir mão de cinco peças de seu elenco.
Depois ainda tem gente que acha que administrar direito um clube de futebol é conversinha.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013



Nível Internacional



Há atletas e atletas. Entre o amador praticante de atividades recreativas e o profissional topo de linha existe um universo de diferenças. Ainda que tenham bom nível de habilidades individuais, fundamentos e algum treinamento.

Essa diferença também é gritante dentro do universo dos atletas profissionais. Não há como comparar um profissional de nível regional, ou até mesmo nacional, com um grande atleta de nível internacional. Tudo é diferente. O tempo de reação, a capacidade e o desenvolvimento técnico, o nível de treinamento, a preparação física e a experiência.

Existem ótimos atletas profissionais de nível nacional que jamais alcançaram ou alcançarão o nível internacional.

O nariz de cera serve para trazer para o texto o debate sobre Neymar na seleção brasileira. Que o menino é um fenômeno, craque de bola, só alguém muito rancoroso ou fanático ao extremo por um clube que seja rival do Santos para não reconhecer.

Neymar já é um craque indiscutível em nível nacional e continental, mas ainda não se transformou num jogador de nível internacional.

Essa é minha tese para o fato de ele não render com a camisa da seleção brasileira, em grandes jogos, o que rende quando joga pelo Santos.

Nada é definitivo quando se trata de um jovem talento de apenas 21 anos. Como bem lembrou o Juca Kfouri em seu blog, Messi também não convencia com a camisa da seleção argentina aos 21 anos. Engrenou agora, e ele irá para sua terceira Copa do Mundo em 2014. Neymar nunca foi a uma Copa.

Mas que Neymar está devendo em nível internacional, eu acho que está. Porque quando se enfrenta uma seleção grande, no mínimo de 80 a 90% dos jogadores desta equipe são de nível internacional.

Mas que diabos é esse tal de nível internacional, Noriega?

Explico: é jogar reepetidas vezes contra os melhores de várias nacionalidades, vários estilos, nos melhores campeonatos e melhores estádios. Seja em ambiente de clube ou de seleção.

Façamos uma comparação banal. Todo peladeiro que se preze já teve a experiência de, um dia, bater bola com um profissional da ativa ou ex-profissional. Essa diferença que existe entre o peladeiro amador, ainda que bom de bola, e o profisisonal, mesmo que de nível médio, é mais ou menos o que acontece quando o se confronta o aspirante ao nível internacional e o integrante deste patamar. Sem entrar no mérito do talento.

Neymar tem dificuldades nesse tipo de jogo, porque não tem almoço grátis. Ninguém dá espaço, o tranco é mais pesado, a capacidade física e muscular é diferente. O peso do chute, a matada de bola, é outro jogo. O garoto santista tem todos os elementos técnicos e inventivos para entrar nesse clube pela porta da frente, ser eleito conselheiro e fazer parte da diretoria executiva. Mas antes disso precisa se adaptar a frequentá-lo, perder a timidez e entender as regras de convivência.

Não se trata de afirmação em virtude de um jogo. Neymar está na seleção principal desde 2010 e ainda não emplacou um grande jogo contra time grande. E é nosso melhor jogador, disparado.

O que também não surpreende, porque o Brasil hoje tem pouca representatividade em nível internacional. Não temos protagonistas nos grandes times do mundo, embora tenhamos, sim, alguns bons times.

É bom que o Brasil deixe de lado os jogos inúteis contra seleções de quinta categoria, nos quais todo mundo faz gol, ensaia dancinhas e sorri para as lentes. Isso não acrescenta nada.

Com pouco tempo para achar um time e dar cancha internacional a Neymar e outros talentos, o bom mesmo é enfrentar times cascudos, grandes, recheados de atletas desse nível.

Para entender a diferença, basta reparar na naturalidade com que Oscar já enfrenta esse tipo de jogo, mesmo estando há pouco tempo jogando na Inglaterra. Nem digo isso tendo como referência o Campeonato Inglês, mas os jogos de Liga dos Campeões e, aí, sim, os grandes clássicos da Inglaterra.

Acredito que Neymar alcançará esse patamar. Com algum sofrimento, muito questionamento, mas ele tem o principal: talento. Precisa colocá-lo à prova contra os que estão no topo, com frequência cada vez maior.

Outro dia o menino foi anulado na bola pela zaga do modesto Bragantino. Ficou irritado. A vida no topo é muito mais competitiva. Todos conhecem Neymar, assistem as imagens dos seus gols. Ninguém vai esperar pelo drible. Num estadual e em boa parte do Brasileirão e da Libertadores, ele nada de braçada. Mas tem uma prova de fundo pela frente até realizar seu potencial de brilho mundial. Torço para que consiga já em 2014.

terça-feira, fevereiro 05, 2013



Xô, mau torcedor!



Coluna de 5 de fevereiro de 2012, no Diário de S.Paulo.

Você lê aqui: http://www.diariosp.com.br/blog/detalhe/17064/Mau+torcedor+ameaca+o+futebol