quinta-feira, agosto 07, 2008

COMO É QUE O SANTOS FOI SE
METER NESSA SINUCA DE BICO?


Imagimemos a seguinte situação: um torcedor do Santos deixou o Brasil em 2004 para viver isolado do futebol, morando em algum rincão da Nova Zelândia ou do Nepal, sem acesso a Internet, rádio, TV, nada. De repente, terminado o período sabático, ele retorna ao Brasil em agosto de 2008. Citando o famoso personagem do Jô Soares, o santista pediria: "tira o tubo!"
Em 2004 o Santos era o grande time do Brasil. Tinha sido campeão nacional daquele ano e em 2002, além de vice da Libertadores em 2003. Acabara de revelar a última grande geração de talentos do futebol brasileiro, com Robinho, Diego, Elano, Léo etc. Era um clube cheirando a tinta, com CTs, obras no estádio, patrocinadores bombando. Ainda seria bicampeão paulista em 2006 e 2007. Com poder para repatriar jogadores há muito na Europa e Wanderley Luxemburgo, após uma rápida passagem pelo Real Madrid.
Havia nos cofres do Santos uma fortuna. Só com a venda de Robinho foram cerca de 70 milhões de reais. Antes tinham saído Diego, Renato, Elano, Léo.
O Santos acabava de ressurgir de um longo período em que foi apenas coadjuvante. Uma época em que foi a negação de sua gloriosa história, do maior time do mundo, onde jogou o maior de todos, ao lado de alguns dos maiores de todos.
A pergunta que deve passar pela cabeça de todos os santistas é a seguinte: como é que tudo isso foi acontecer?
Analisando a história recente de dois dos maiores rivais, Palmeiras e Corinthians, o santista talvez encontre algumas coincidências. A maior delas é o fato de o Santos ter, literalmente, um dono, há muito tempo: o presidente Marcelo Teixeira. Como o Palmeiras tinha um dono, Mustafá Contursi, e o Corinthians também, Alberto Dualibi. O Palmeiras foi parar na Série B após um período de glórias e só agora começa a se reposicionar. O Corinthians viveu semelhante calvário, do qual começa a sair, ainda na Série B. Foram clubes tocados como estados autoritários durante um longo período.
No caso de Teixeira, é preciso reconhecer que ele teve coragem, que, pelo que se sabe, colocou muito dinheiro do próprio bolso, ou dos cofres das empresas familiares, para ajudar o Santos, que vivia uma situação terrível. Seria justo que, uma hora, ele sacasse esse investimento. A questão é que quando uma instituição é administrada por dez anos ou mais por uma mesma pessoa, ambos, instituição e pessoa, passam a se confundir em uma coisa meio amorfa, sem muita definição, que depois de um certo tempo não cheira bem. Onde termina o Santos e começa a família Teixeira?
O resultado é que o Santos, que era o maior vencedor do novo século, hoje está terrivelmente ameaçado de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Na cidade de Santos e na Vila Belmiro muita gente pergunta se acabou todo o dinheiro arrecadado com a geração de 2002. Que foi um golpe de sorte muito bem administrado pelo Santos. A sorte uma hora acaba e a competência precisa se estabelecer.
Para os santistas, infelizmente, o que se vê passa longe da competência. Pode-se falar qualquer coisa de Emerson Leão, mas ele vinha recuperando o Santos, dando alguma forma a uma equipe destroçada no início de 2008. Havia uma rota a ser seguida. Enquanto ainda era técnico do Santos, ele soube que o clube procurava outros treinadores. Veio Cuca, e sua cabeça de trevo. Bom técnico, mas um bom líder? Não tem como ser bom líder, comandante, alguém que muda de idéia a cada dia. Que entrega o cargo aqui, volta atrás ali, pensa e repensa a toda hora. Que soldado acreditaria num general reticente em pleno campo de batalha?
Ainda assim, Cuca é o menos culpado. O falecido repórter santista Ibrahim Mauá costumava pontuar seus boletins na rádio Jovem Pan chamando a cidade de Santos de "terra da caridade e da liberdade". Talvez seja um pouco disso que esteja faltando ao Santos. Liberdade para que novas caras e idéias possam gerir o clube. Caridade para que todas as pessoas envolvidas no processo do clube de futebol possam ter um pouco mais de tranquilidade.
Ir à Vila Belmiro sempre foi um prazer. É um templo do futebol, um estádio aconchegante, ótimo para se ver o jogo, numa cidade bonita e hospitaleira. Atualmente, ira à Vila é perigoso para jogadores, torcedores, dirigentes e jornalistas. Há um clima de guerra e de ameaças no ar. Só quem perde com isso é o Santos. Não tenham dúvidas de que um jogador hoje procurado para atuar no clube pensa duas, três vezes antes de aceitar.
A pressão política no clube é enorme. Envolve setores da imprensa santista. Fora isso, a cidade reúne inúmeros ex-atletas, alguns deles foram craques de nível mundial. Pela qualidade de vida, foi escolhida como residência por dezenas de treinadores. Em suma, a cada prenúncio de crise existem muitos nomes prontos para assumir o Santos, alguns se oferecendo inclusive.
De nada vai adiantar a torcida agredir dirigente, jornalista, brigar com ela mesma. Só tende a piorar as coisas para o Santos, pode gerar punições.
O Santos agora precisa dos verdadeiros santistas. De um nome de consenso para administrar a crise e evitar a mais dolorosa das consequências, o rebaixamento. Porque já passou da hora de se tomar alguma providência. E aquele papo de o time não cai já ficou pelo caminho. Tantos outros caíram em processos semelhantes. Como cantou Beto Guerdes, "a lição sabemos de cor, só nos resta aprender". Que os santistas de bem aprendam enquanto é tempo.

quarta-feira, agosto 06, 2008

CLUBES X SELEÇÕES:
A GUERRA DA BOLA


Há tempos defendo essa tese. Não é possível a coexistência pacífica entre clubes e seleções no atual cenário do futebol. Sempre que cito isso participando de algum programa no SporTV sou chamado de exagerado, de catastrofista. Pois está aí a última polêmica sobre o tema, no caso da decisão da Corte Arbitral do Esporte liberando clubes da obrigação de ceder jogadores para suas seleções nacionais nos Jogos Olímpicos.
A questão é cristalina. O futebol é um baita de um negócio atualmente. Negócio do qual a Fifa ainda é dona de uma grande e atraente fatia: a Copa do Mundo. Acontece que o dinheiro circula e rende mais entre os clubes. Basta citar como exemplo o fato, puro e simples, de que a Liga de Clubes Campeões da Europa paga mais que a Eurocopa de Seleções. Um clube de futebol bem administrado é uma máquina de fazer dinheiro na Europa. E de pagar muito dinheiro a seus principais jogadores. O atleta profissional atualmente é uma commodity. E por que diabos um clube vai ceder esse bem valioso para que ele brilhe por uma seleção nacional, usando um raciocínio puramente maniqueísta? Já estão terminando os tempos em que, para ser valorizado, um atleta precisava jogar por sua seleção nacional. Curiosamente, esse fenômeno ainda está vivo no Brasil. Muitos jogadores são convocados pela Seleção para um, dois jogos e, depois de vendidos, somem do mapa da CBF.
Fico imaginando se o Barcelona, o Real Madrid, o Chelsea, o Milan estariam preocupados com as seleções dos países em que estão situadas suas sedes. Por que essas instituições são multinacionais do esporte. A Espanha foi campeã européia e isso não muda uma vírgula na rotina do Barcelona. O clube catalão - assim como seus colegas do grupo de times mais ricos do mundo - seguramente está mais interessado em seus compromissos no torneio espanhol e na Liga dos Campeões. Aliás, tenho certeza de que, se dependesse desses clubes bilionários, eles já estariam, há tempos, jogando uma Superliga Mundial entre eles, ano a ano, sem querer saber de times médios e pequenos - ou pobres.
A Fifa, sempre esperta, percebeu que estava perdendo terreno nessa disputa por cifrões. Se assim não fosse, porque teria resolvido, depois de muitos anos de puro desinteresse, criar seu Campeonato Mundial de Clubes? Ou, então, inventar a Copa das Confederações? Ela quer as grandes estrelas atuando para os seus patrocinadores e não apenas para os clubes.
Enquanto isso, no Brasil, os grandes clubes, pessimamente administrados, ainda são escravos de práticas pré-históricas. Precisam que seus jogadores passem por um período de "engorda" na Seleção, ganhem uma suposta "valorização" por isso (como se uma convocação valorizasse alguém) e encham os bolsos de seus empresários com uma negociação.
Alguém poderia imaginar um time brasileiro entrando na Corte Arbitral do Esporte?
A guerra ainda está nas primeiras batalhas e é difícil prever algum movimento. Exauridos por um calendário que beira o irracional, os jogadores pagam um alto preço com contusões e chegam à Copa do Mundo, que ainda é a jóia da coroa, no limite de sua capacidade física. Como qualquer recurso natural, o atleta tem sua capacidade, que está próxima do esgotamento.
Mas não há limite para a ganância empresarial. Resta saber, certamente em mais alguns anos, quem levará a melhor: o dinheiro dos clubes ou o dinheiro e a política da Fifa?

NOSTALGIA OLÍMPICA

Lembro-me até hoje do momento em que pisei em Barcelona para a cobertura das Olimpíadas de 1992. Do benvinguts (bem-vindo em catalão) quando peguei minha credencial. Alguns que frequentam esse espaço sabem, muitos não. Fui atleta durante uns bons dez anos. Um razoável jogador de vôlei que até ganhou um dinheirinho com o esporte. Tive meus sonhos de, um dia, jogar uma Olimpíada. Interrompidos, claro, pela falta de talento compatível. Acabei realizando o desejo de outro modo, trabalhando como jornalista. Por vários motivos, jamais voltei a fazer parte da família olímpica. Abri mão disso para Sydney-2000, sabendo que estava tomando a medida mais justa profissionalmente e sendo o mais correto possível com dois grandes amigos que eram, naquela época, por mim chefiados. Em outras ocasiões não quiseram que eu fosse.
Lembro-me como se fosse hoje da fantástica vitória do espanhol Fermín Cacho nos 1.500 metros, da frustração com a eliminação de Sergei Bubka, da alegria incontrolável com a vitória do vôlei masculino, de ver Carls Lewis, Jim Courier, Summer Sanders, o Dream Team, grandes mitos do esporte desfilando pela Vila Olímpica.
Para quem ama o esporte de verdade, a Olimpíada é como ir à Disney. Pena que haja tanta perfumaria envolvendo a cobertura esportiva hoje em dia. Porque existem histórias maravilhosas pipocando. Felizmente, ainda existem - cada vez menos - boas penas e microfones dispostas a contá-las.

terça-feira, agosto 05, 2008

ABSURDO NA GÁVEA


Lamentável, pra dizer o mínimo, o que aconteceu no treino do Flamengo. Vaiar, tudo bem. Mas invadir o local de trabalho de um profissional para jogar um rojão e, inclusive, atingir atletas com estilhaços...
Onde essa imbecilidade vai parar?
Sinceramente, gostei da reação dos jogadores do Flamengo. Não se pode aceitar isso calado. O Flamengo parou de ganhar, mas os jogadores não deixaram de correr, de lutar e de trabalhar. O futebol é a profissão deles. E qual seria a daqueles que, durante um dia de semana, em horário comercial, têm tempo para jogar rojão em trabalhador?
Como entraram no clube? Quem autorizou? São sócios do Clube de Regatas do Flamengo?
Estou solidário aos jogadores de futebol profissional do Flamengo.

quinta-feira, julho 31, 2008

CRÍTICA MUSICAL SUBESTIMA

BANDAS COMO O MARILLION


Assim como alguns jogadores de futebol, algumas boas bandas do pop/rock são subestimadas pela crítica. Tratados com desprezo, como subproduto. Hoje cito a banda inglesa Marillion. Infelizmente, ficou rotulada pelos críticos como um grupo do segundo escalão do rock progressivo. O time de músicos é de primeiríssima linha, e a carreira já se afastou há algum tempo do que se convencionou chamar de rock progressivo.
No começo havia influências descaradas do Genesis e do Pink Floyd. Hoje o Marillion é uma banda bem estabelecida, com uma base de fãs que viabiliza literalmente sua existência. O grupo criou um sistema pela Internet em que faz uma espécie de pré-venda através de seu site oficial. Se o interesse dos fãs se traduz em viabilidade comercial, pinta um lançamento. E assim tem sido há alguns bons anos.
Não comprei o álbum mais recente da banda, mas o penúltimo, Marbles, é excelente. Disco duplo, bem tocado, composições densas, temas interessantes. Atualmente, a formação tem Steve Hogarth nos vocais, Pete Trevawas no baixo, Mark Kelly nos teclados, Ian Mosley na bateria e o excelente Steve Rothery na guitarra. Todos são muito bons, mas Rothery é craque. O Marillion foi descoberto nos anos 80, graças ao sucesso de Kayleigh, uma linda balada, e ao carisma do ex-vocalista, Fish. Mas atualmente, no século 21, a banda mostra maturidade e competência para justificar a longevidade. Pena que pouca gente preste a devida atenção e prefira acreditar em alguns rótulos maldosos.
Deixou um exemplo do que considero um bom exemplar da produção pop do Marillion, a canção No One Can.

quarta-feira, julho 30, 2008

RESPOSTA AO ANÔNIMO

GÊNIO DO BASQUETEBOL


Anônimo, ou melhor talvez você seja um auxiliar do Kanela, George Karl, Phil Jackson? Perdão por invadir o espaço de um verdadeiro sábio do esporte como vc. Identifique-se da próxima, aí quem sabe eu me inscrevo para uma de suas aulas. Respondi à pergunta sobre o jogador que mais gosto de ver jogar, que se chama Ginóbili. E felizmente, sobre gênios, tive a sorte de ver em ação os de verdade, ao vivo, em Barcelona 92. Jordan, Johnson, Byrd. Esses não perdiam para a Argentina.Abs

segunda-feira, julho 28, 2008

O BRASILEIRÃO É O
MELHOR CAMPEONATO
NACIONAL DO MUNDO

O título acima reflete exatamente o que penso. Não estou colocando nesse puçá torneios como a Liga dos Campeões, a Libertadores, ou campeonatos entre seleções. A afirmação é restrita aos capeonatos nacionais de futebol. Não existe nada que se aproxime do Campeonato Brasileiro em termos de equilíbrio de disputa. Também acho que, tecnicamente, não fica nada a dever aos principais torneios nacionais do mundo. Mesmo com a exploração quase criminosa - e as vezes criminosa de fato - dos recursos naturais. O pé-de-obra, como gosta de dizer o meu amigo Mauro Beting.
Que outro campeonato nacional do planeta bola pode ter tantos times disputando, de fato, o título como o Brasileiro? Na Espanha temos Real Madrid e Barcelona monopolizando. De vez em quando pinta um La Coruña, um Valencia, um Atlético de Madrid. Fora isso, a dupla ganha ano sim, ano também. Na Itália são aqueles três de sempre: Milan, Inter e Juventus. A Roma é bissexta. A Ingleterra tem o Chelsea como novidade, mas fica rodando entre Manchester, Arsenal e Liverpool.
Por aqui, nos últimos 20 anos, tivemos 11 times campeões. O campeonato atual mostra uma diferença de apenas 4 pontos entre o líder e o quarto colocado e, melhor ainda, de nove pontos do líder para o décimo. Dois campeões brasileiros e que recentemente foram vice-campeões da Libertadores ocupam a zona de rebaixamento. O mesmo rebaixamento que já tragou instituições como Corinthians, Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Atlético Mineiro, Coritiba.
O último colocado, o estreante Ipatinga, já arrancou um empate do atual bicampeão, São Paulo, fora de casa, e ganhou do Inter, que como o Tricolor paulista, foi campeão mundial outro dia.
Apontem-me, por favor, outro campeonato nacional que tenha tantas equipes postulantes, de fato, ao título. Por que, pelo menos para mim, no Brasileiro/2008, batendo os olhos na tabela no dia de hoje, são candidatíssimos: Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Vitória, São Pauo, Palmeiras, Coritiba e Inter. Podem sonhar pelo menos esses: Sport, Botafogo, Figueirense, Náutico, e os Atléticos. Dali pra baixo temos Goiás, Vasco, Portuguesa, Santos, Fluminense e Ipatinga, que têm coisas mais urgentes a resolver do que sonhar. Mesmo assim, são apenas seis pontos que separam o Santos de um sonhador Figueirense, por exemplo.
Tudo bem que tecnicamente há problemas, muitos problemas. Alguns jogadores estão abaixo da média que um torneio como o Brasileirão merece. Alguns estão literalmente abaixo da crítica. Mas ainda existem ótimos motivos para se acompanhar o Brasileirão. Há grandes jogadores em ação. Ótimos treinadores, torcidas apaixonadas. E pelo rolar da bola, este será o mais equilibrado torneio dos últimos tempos, sem prognósticos, arrancadas e favoritismo destacado.

HORA DA VERDADE PARA
VOLEIBOL MASCULINO

Crédito Bernardinho e cia. têm para emprestar ao mundo. Nos últimos seis anos foi a primeira vez que perderam dois jogos seguidos. Leiam bem, SEIS ANOS. Todo império vive seu momento de implantação, auge e declínio. O Brasil hoje é o império do voleibol. A capital imperial é o time do Bernardinho. Seria oportunista analisar apenas por causa das derrotas, mas o contexto é deafiador. O voleibol é um jogo complexo e entre os esportes coletivos o que mais exige taticamente. Por que não existe como anular individualmente um jogador. Ninguém ganha sozinho. Sem um bom passe, o Giba perde muito do seu fantástico potencial. Sem um bloqueio bem montado, as estatísticas de defesa do líbero Serginho caem muito. E sem um bom saque, não há bloqueio que resista. O treinador não pode falar algo como "gruda no Giba e não deixa ele jogar". É o time que tenta fazer isso.
Não há outro esporte coletivo em que a troca de informações e a pesquisa dos adversários seja tão frequente como no voleibol. Todos os times estão marcados. Os maiores levantadores do mundo ficaram marcados depois de um tempo. Ninguém tem repertório infinito de jogadas. Aconteceu com William e Maurício. Chega uma hora em que o adversário consegue antecipar todos os movimentos táticos. O Brasil só supera isso graças ao talento de seus jogadores.
Agora esse talento será desafiado em Pequim. A Liga Mundial mostrou que todos já sabem os truques brasileiros e conseguem anulá-los razoavelmente. Resta saber se ainda há truques na cartola do Império. Ainda assim, medalha é quase certa. Só não dá para cravar a de ouro.

sexta-feira, julho 25, 2008




ELES AINDA TÊM O


TOQUE INVISÍVEL



Colocar para rodar um dos três discos de When in Rome, DVD triplo que documenta o show de encerramento da turnê européia do Genesis, em 2007, desencadeou, para mim, a sensação de uma viagem no tempo. Mais precisamente para 3 de outubro de 2007, quando fui a Chicago assistir, pela primeira fez, um show de minha banda favorita. Por isso, estejam avisados, essa crítica é de um fã.

Em julho de 2007 o Genesis, reunido pela primeira vez após 15 anos em sua formação de maior sucesso comercial (Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford, mais Daryl Stuermer e Chester Thompson) encerrou uma esgostada turnê européia tocando para 500 mil pessoas, no Circo Máximo, em Roma.

When in Rome captura essa performance completa e ainda acrescenta uma série de extras (há pelo menos um para cada música) e ainda um documentário (Come Rain Or Shine - Chuva ou Faça Sol) que escancara alguns dos momentos de intimidade da banda desde os ensaios.

O Genesis versão 2007 levou aos palcos da Europa, EUA e Canadá uma mistura de sucessos dos anos pop e da fase progressiva do grupo, com e sem Peter Gabriel à frente. O inevitável passar do tempo parece não ter afetado a musicalidade e o talento da banda. Embora tenha deixado marcas, como é de se esperar.

Algumas músicas são executadas pelo menos um tom abaixo das versões originais e até de algumas interpretações de outras turnês. Nada que que arranhe a reputação do quinteto, reconhecido como uma das melhores trupes de músicos do pop/rock em apresentações ao vivo.

Em linhas gerais, o Genesis talvez nunca tenha soado tão bem como banda em cima de um palco. Houve momentos de maior virtuosismo, no já distante tempo do rock progressivo, na década de 70. Também no início dos anos 80 o Genesis era mais nervoso, rápido, passando perto do que se convencionou chamar de rock de arena naquel e período.

Mas com seus músicos na casa dos 56, 57 anos, era de se esperar que houvese mais coesão e o objetivo principal fosse não mostrar a competência musical de cada componente e, sim, a capacidade de soar bem ao vivo como conjunto. E nisso o Genesis é quase imbatível.

Phil Collins é, sem dúvida, um dos mais caristmáticos e competentes vocalistas do pop/rock. Sua voz passou por várias provações durante os anos. Collins fumava (não sei se ainda fuma) e foi afetado por um tipo de surdez temporária em um dos ouvidos o que, obviamente, acarreta dificuldades com a voz. Mas segue sem perder uma nota, sem desafinar e tem uma capacidade rara de adaptar seu tom às novas necessidades. Também mostrou que ainda é um baterista acima da média, voltando a assumir as baquetas para tocar canções do tempo em que estava no auge, há cerca de 20, 30 anos.

Ouvir as vesões 2007 do Genesis para clássicos como In The Cage (do Lamb Lies Down on Broadway, de 1974), ou Los Endos (de A Trick of The Tail, de 1976) prova que a banda justifica a longevidade com rara competência. Collins e sua trupe ainda se dão ao luxo de incluir alguns temas instrumentais, uma marca registrada da banda, em forma de medleys (outro selo do Genesis) que soam absurdamente atuais, como se tivessem sido compostos outro dia.

Mas como se trata de um DVD, a questão visual salta aos olhos, com o perdão do trocadilho. O Genesis sempre foi inovador na concepção visual de seus espetáculos. A banda inventou o conceito das Varilites, as luzes que se movem em mudam de cor nos palcos, em 1981. E ainda hoje faz uso delas e de outros truques como nenhuma outra concorrente. Para completar o pacote, um telão gigantesco pontuado por LEDs de alta definição deu o toque tecnológico e transformou o palco também numa atração. Os efeitos de luz e vídeo trazem, em certos momentos (como em I Kow What I Like) fotos e vídeos de todas as épocas da banda, além de imagens do público. Belo truque conceitual, que leva o fã, literalmente, para o centro do palco.

Destacaria alguns grandes momentos. In The Cage, com a perfeita sincronia entre som e imagem e um momento inesquecível para qualquer fã: na sessão instrumental, Collins, Banks e Rutherford, remanescentes da formação clássica do Genesis, ficam apenas os três no comando da parede sonora, mostrando competência e entrosamento raros e exalando nostalgia. Os fãs da era Peter Gabriel que me perdoem, mas In The Cage parece que foi feita para Phil Collins cantar. Ele assume a canção como dele. Los Endos mostra uma trupe de músicos veteranos curtindo como garotos o fato de estarem tocando juntos e em alto nível. Afterglow é, talvez, a mais bela das canções simples e diretas da banda. Land of Confusion mostra que das grandes bandas dos anos 70 o Genesis foi a que melhor soube passar do rock para o pop sem perder a classe. Assim como Throwing it All Away é uma gema pop que não tem o reconhecimento que merece.

Outro momento de pura nostalgia é a interpretação de Follow You Follow Me, o primeiro grande sucesso comercial do Genesis, que marca a mudança de rumos da banda. Como no clipe promocional de 1978, Collins assume as baquetas e canta tocando bateria simultaneamente.

Para fechar o espetáculo, Carpet Crawlers, canção-símbolo do Genesis, em arranjo renovado e belíssimo, também com a interpretação marcante de Collins.

Os extras e documentários mostram uma banda literamente de amigos que se reencontram para, principalmente, se divertirem. Phil Collins admite a dificuldade para retornar a temas de 30 anos atrás, principalmente como baterista e menos como vocalista, para surpresa de muitos. Além disso, fica claro que Tony Banks é o verdadeiro "dono" do Genesis.

Áudio e vídeo impecáveis. Para quem tem home-theater, prepare a pipoca, um bom vinho, e embarque nessa viagem e preste atenção no som que vem das caixas. Há detalhes surpreendentes guardados nas composições de uma carreira de 40 anos que a tecnologia do século 21 traz à tona.

quarta-feira, julho 23, 2008

UM ABRAÇO AO ETERNO
LUIZ FERNANDO BINDI



A notícia, de tão absurda, não parecia verdadeira. Voltávamos da transmissão de Santo André x América de Natal quando ouvi pelo rádio que havia falecido o geógrafo e jornalista Luiz Fernando Bindi. Tive a felicidade de conhecer o Bindi. Um apaixonado por futebol e pelo jornalismo esportivo. Figura doce, afável, gentil e extremamente competente. Se foi muito cedo, com pouco mais de 30 anos, e deixa uma lacuna irreparável para a pesquisa séria do jornalismo esportivo. O mais duro golpe, no entanto, é para a família, que perde um ente querido, jovem, participativo. Deixo aqui meus mais sinceros votos de pêsames à família do Bindi, e que se há algum conforto possível para esse tipo de situação, que ele venha. Vida besta essa, às vezes.

segunda-feira, julho 21, 2008

RÁDIO GLOBO CONTRATA

CRAQUE DO MICROFONE


Uma mexida interessante no mercado de rádio esportivo de São Paulo foi concretizada. A Rádio Globo contratou o repórter Carlos Cereto, que recentemente deixou o SporTV. Tacada de mestre da emissora da Rua das Palmeiras. Faço minhas as palavras de Milton Leite: Carlos Cereto é hoje o melhor repórter de transmissão da TV brasileira. Mas também é um cracaço no rádio, veículo pelo qual é apaixonado e do qual é profundo conhecedor. Fora isso, Ceretinho, como os amigos o chamamos carinhosamente, é repórter à moda antiga: gosta de notícia e não de perfumaria.
Com Carlos Cereto reforçando a equipe dos amigos Oscar Ulisses, Slva Júnior e tantos outros, será um prazer ouvir as transmissões da Rádio Globo.
Tive o prazer de trabalhar ao lado do Cereto durante seis anos. Foram muitas e inesquecíveis transmissões. Diria que algumas delas memoráveis.
Toda sorte do mundo ao amigo, porque o talento você tem de sobra. Resta agora explicar aos ouvintes da Rádio Globo por que ele era conhecido como Craque Torrada.
S.O.S BASQUETE MASCULINO


Escrevo esse post pensando em três grandes amigos e um ídolo. Três apaixonados pelo basquete e profundos conhecedores da modalidade. Todos jornalistas, e dos bons. Marcelo Laguna, Juarez Araújo e Luís Augusto Simon, o Menon. Amam o basquete e não se conformam com o momento atual. Viram grandes jogos, grandes craques, conhecem a fundom a realidade do basquete onde ele visceja, resitste bravamente, no Interior de São Paulo. O ídolo dispensa comentários, é o grande Wlamir Marques, gênio do esporte, a quem tenho a honra de também chamar de amigo.
Não dá para aceitar calado mais um fiasco do basquete brasileiro. Tudo bem que esse era previsível. A dura realidade é que hoje o Brasil joga, no masculino, um basquete de segunda linha. Deixamos de ser potência, de incomodar, de manter vida uma escola.
Admito que deu um baixo astral ver o Brasil perder da Alemanha no Pré-Olímpico Mundial. Por que o Brasil perde muito mais para os seus erros, sua falta de preparação adequada, pela regressão absurda por que nosso basquete masculino passou em termos de fundamento. Ver na telinha uma estatística que, em determinado momento, apontava 6% de aproveitamento em lances de 3 pontos é de doer. Isso na terra de Oscar e Marcel, para ficar em dois ídolos mais recentes.
Faz alguns meses encontrei o grande Wlamir em Ribeirão Preto. Eu trabalhando pelo SporTV, ele pela Espn Brasil. Jantamos juntos e falamos de basquete. Realista, Wlamir previa enormes dificuldades no Pré-Olímpico e falava numa longa caminhada até que o Brasil voltasse a ser grande no basquete masculino.
Sempre que encontra Laguna, Juarez e Menon, é inevitável falarmos de basquete. Laguna e Juarez são mais sonhadores, acreditam na recuperação, conseguem ver força no basquete masculino. Menon é mais realista. Todos nós fomos privilegiados. Vimos o basquete brasileiro ainda forte, vivo. Grandes duelos entre Sírio e Franca, Monte Líbano e Corinthians. A Seleção Brasileira enfrentando forças européias de igual para igual nos inesquecíveis quadrangulares internacionais no Ibirapuera.
Uma das primeiras lembranças esportivas que tenho é aquela cesta histórica do Marcel contra a Itália, do meio da quadra, que valeu o bronze no Mundial de 1978. Vi o Brasil dar canseira no Dream Team durante 10 minutos em Barcelona/92. Nem quero lembrar de 1987, de Indianápolis. Ou do Mundial do Sírio em 1979, que apresentou Oscar e Marcel, elese mesmos, ao grande público.
De volta ao interior paulista, quantos grandes times tiveram cidades como Limeira, Franca, Casa Branca, Bauru, Piracicaba, São Carlos, Araraquara, Assis e tantas outras?
Não tem como aceitar que desde 1996 o Brasil bicampeão mundial, três vezes bronze olímpico, de Algodão, Ruy, Massinet, Wlamir, Rosa Branca, Amaury, Ubiratan, Carioquinha, Adílson, Marquinhos, Oscar, Marcel, Israel e muitos outros esteja fora do basquete das Olimpíadas.
Passou da hora de uma reunião, de se deixar individualidades e panelinhas de lado. Há um trabalho duro pela frente. Coisa de, quem sabe, dez anos, para recolocar o Brasil em seu devido lugar. O preço cobrado já é muito alto. O basquete perdeu público, muito público, principalmente para o vôlei. Perdeu prestígio e até o handebol, que sempre foi tratado como primo pobre, vem trabalhando com mais competência e, justa e merecidamente, vem conquistando seu espaço.
O basquete corre o risco de ficar pelo caminho.
Se houvesse mais gente como Laguna, Juarez, Menon e, claro, Wlamir, cuidando do basquete, a situação com certeza não teria chegado até esse ponto.
O ESTADO ESPIÃO


Confesso que estou preocupado. O Brasil virou o país dos grampos, oficiais ou não. Os arapongas tomaram conta do pedaço. Conversas são ouvidas por sabe lá quem. Sejam elas oficiais, de alcova, políticas.
É ótimo que a Polícia Federal esteja agindo, buscando limpar a sujeira. Mas seria terrível se ela se transformasse numa Stasi, numa polícia secreta. Pior que isso, até onde sabemos, hoje contratar um grampo é coisa baratinha. Grampeia-se cônjuge, amante, funcionário, chefe, todo mundo. O Grande Irmão de Orwell é aqui. E chega, porque vai que alguém grampeou o blog.

quinta-feira, julho 17, 2008

FLAMENGO PODE

FAZER HISTÓRIA


Tudo que envolve o Flamengo, pela grandeza do clube e a força da paixão que desperta, provoca polêmica. No Arena SporTV de quarta-feira discutimos amplamente o momento rubro-negro. Em certo instante, pintou uma figura de linguagem que falava em termos automobilísticos. Eu disse que um dos problemas que poderiam atrapalhar o Flamengo era o fato dele "sair da pista sozinho" em algumas situações. Eu me referi a algumas trabalhadas de dirigentes e à mais recente, a trapalhada geral que antecedeu o fatídico jogo contra o América do México, na Libertadores.
Algumas pessoas não entenderam, acham que é bairrismo, torcida contra. Não torço nem contra, nem a favor. Tento opinar e comentar. As pessoas concordam e discordam. Mas a opinião procura sempre ser equilibrada e consistente dentro de parâmetros, sem preferências.
Vejo o Flamengo num momento crucial em sua história. Tudo conspira para que o clube possa se reestruturar e, com isso, o time voltar a ser o gigante que sempre foi - apenas andou adormecido em termos nacionais e internacionais por um tempo. A diretoria, enfim, parece ter deixado de lado sonhos megalomaníacos (embora vira e mexe fale em contratar Riquelme, Ronaldo, essas bobagens) e busca um caminho sólido e de longo prazo.
O time é bom, o elenco também. O treinador é competente, promissor. A torcida é espetacular, comprou a idéia de um Flamengo novamente forte, vencedor.
O que significa sair da pista? Deixar acontecer um desmanche em virtude da frágil situação financeira. Festejar antes da hora, soltar camisa comemorativa, fazer churrasco em véspera de jogo decisivo. Atrasar salário e falar em contratar Ronaldo. Vejo dessa maneira.
O Flamengo com os pés no chão e a cabeça no lugar é o maior favorito à conquista do título nacional em 2008. É perseguido de perto por São Paulo e Palmeiras, no mesmo patamar, e um pouco atrás por Cruzeiro, Grêmio e Inter. Pelo menos é o que penso nesse momento, em 12 rodadas de Brasieirão. Mas o Fla já perdeu Marcinho, Renato Augusto. Se perder Juan começa a complicar. Se não perder mais ninguém, basta não perder o juízo que 2008 será um ano em que boa parte do Brasil poderá festejar a "alegria de ser rubro-negro".

quarta-feira, julho 16, 2008

QUE PAÍS É ESTE?


Onde a Polícia mata um cidadão apenas por achá-lo suspeito?
Onde o bandido mata um cidadão apenas porque decidiu matar?
Onde a mais alta esfera jurídica parece mais preocupada em preservar a imagem de uma pessoa que está sendo detida do que em saber por que ocorre a detenção?
Onde um banqueiro bilionário tem parede falsa em casa e isso parece coisa normal?
Onde altos funcionários do governo tramam, via telefone, com altos funcionários do partido do Governo, o uso de influência para ajudar banqueiros bilionários?
Onde vira e mexe o Governo se vê metido em algum escândalo? Esse e todos os outros governos.

segunda-feira, julho 14, 2008

FLAMENGO EM VÔO

SEM TURBULÊNCIA


A vitória tranquila sobre o Vasco mostra que o Flamengo atingiu altitude de cruzeiro e segue sem turbulência na liderança do Brasileirão. Até agora ninguém mostrou futebol compatível ao do Rubro-Negro carioca. A folga na ponta fica ainda mais evidente se tomarmos como parâmetro o quinto colocado, Palmeiras, que está oito pontos atrás do líder. Para os fãs de reações heróicas, o primeiro time fora do rebaixamento na tabela atual, o Galo mineiro, está 16 pontos longe do Mengão.
Cruzeiro e Grêmio têm 21 e, claro, estão próximos na pontuação, mas ainda distantes em termos de futebol e regularidade. Ainda.
Com apenas 11 rodadas, falar de título é pura precipitação. Mas é exatamente aí que mora o perigo para os flamenguistas. Alegres, festeiros, os rubro-negros adoram comemorar antes da hora. Daqui a pouco começa aquele tradicional papo de rumo a Tóquio, tão característico da alma flamenguista. Para o Flamengo o título brasileiro é uma possibilidade concreta. Nesse momento, mais que para qualquer outro time. Mas o pessoal da Gávea precisa aprender a controlar uma certa soberba histórica, sob pena de não ver mais um desastre se consumar. Também precisa dar um jeito de segurar o técnico Caio Jr. Perdê-lo agora pode ter consequências terríveis.

MURICY SACOU MAIS
RÁPIDO QUE O LUXA

Trabalhei no clássico paulista. Vitória sem contestações do São Paulo. Muricy Ramalho levou a melhor no duelo de estratégias com Wanderley Luxemburgo. Ao saber que o Palmeiras divulgara sua escalação sem o volante Pierre, Muricy alterou o time no vestiário. Tirou Aloísio e colocou Dagoberto. Fora isso, deu mais liberdade a Zé Luís para que ele fosse lateral pela direita e revezasse com Richarlyson no apoio aos dois zagueiros. Pensou rápido o treinador são-paulino. Percebeu que o Verdão seria mais vulnerável no meio, com um jogador a menos e nenhum de características de marcação. Assim seria melhor ter a movientação de Dagoberto que a presença de Aloísio como referência. Também não faria sentido ter três zagueiros de fato e dar as laterais para o Palmeiras jogar, quando o jogo seria decidido pelo meio. Foi com base nisso que o Tricolor dominou a partida nos 30 minutos iniciais e poderia, até, ter goleado.
Na sequência do jogo, o Palmeiras equilibrou, mas sem inspiração, não chegou a ameaçar a superioridade do rival.
Algumas constatações feitas pela observação do clássico do Morumbi. A primeira é óbvia e todo mundo viu: Valdívia não está jogando nada. E sem o talento do chileno o Palmeiras perde muito de sua força. Outro aspecto que tem prejudicado o time de Luxemburgo: a concentração do jogo pelas laterais. Como Fabinho Capixaba é fraco e limitado, a bomba estourou nas mãos de Leandro, que jogou mal. O Palmeiras sem Valdívia inspirado se torna um time previsível e fácil de ser anulado pelos rivais, com uma marcação forte pelas laterais.
Outra constatação, agora sobre o São Paulo. O time caiu demais de produção na segunda etapa, recuou e chamou o Palmeiras para cima. Joílson ainda não se encontrou. Hugo idem. E Richarlyson caiu muito de produção. A marcação no meio está longe do que era em 2007.
Uma terceira constatação que vale para ambos: pelo que estão jogando, São Paulo e Palmeiras só podem sonhar com o título brasileiro. Na vida real, essa possibilidade, por enquanto, não passa disso, apenas um sonho.

IMBECILIDADE EXPLOSIVA

O que pode querer um sujeito que sai de casa com um explosivo nos bolsos, na mochila? Podem me chamar de cruel, de insensível, mas não tenho pena por esse representante dos imbecis fantasiados de torcedores que se feriu por causa do explosivo que carregava e acabou estourando em suas próprias mãos. Bem feito! Pior seria se explodisse perto de um inocente cidadão comum e de bem que tivesse dado o azar de topar com essa horda de criminosos numa estação de metrô.

quinta-feira, julho 10, 2008

O FATOR VITÓRIA E A

TÁTICA NO FUTEBOL

Pego carona em mais um ótimo post do amigo Lédio Carmona em seu Jogo Aberto . Lédio discorre com a habitual competência e conhecimento sobre o surpreendente Vitória, sensação do Brasileiro.
Ainda não vi o Vitória jogar. O repórter Marco Aurélio Souza viu e me contou maravilhas sobre jogadores e, principalmente, o padrão de jogo, o sistema tático. Segundo o Marco, o time está mais para o padrão que vimos na Euro 2008 que para o jeitão brasileiro atual. Três atacantes, pontas, jogo rápido e não apenas concentrado nas laterais.
O Marco também disse que o Wagner Mancini, técnico do Vitória, se inspirou no que viu na Europa, no futebol mostrado por lá, e que teve a sorte de encontrar no Vitória jogadores com as características para jogar dessa maneira.
O tópico do Lédio leva a uma reflexão. Taticamente, penso o seguinte: o Brasil está parado numa fórmula que não se sustentará por muito tempo. Explico. O ataque nos times brasileiros, já há muito tempo, passa quase que exclusivamente pelos laterais. Isso provoca reflexos em todo o time. Para que os laterais ataquem o tempo todo, os treinadores adotam, geralmente, duas medidas. Uma é escalar um terceiro zagueiro. A outra é colocar, no mínimo, dois volantes marcadores para proteger a subida dos laterais. Isso sacrifica o meio-campo e tira dos times um meia de armação ou criação. O resultado são times óbvios, fáceis de serem marcados e anulados taticamente por equipes que tenham bons jogadores e treinadores inteligentes. Por isso me parece tão complicado para times brasileiros ganhar do Boca Juniors, por exemplo.
Isso também explica o momento ruim da Seleção Brasileira, pelo menos para mim. Como alguns dos "atacantes" são Maicon e Gilberto, Dunga opta sempre por um exército de volantes no meio-campo, para dar suporte às descidas dos laterais. O que trava o time, tolhe a criatividade e deixa isolados os atacantes de fato.
Esse é, para mim, o grande dilema do futebol brasileiro atual. Os times ficam esperando os laterais para atacar. Quando o adversário resolve fazer o que a boleirada chama de bater lateral com lateral, trava tudo. Com três zagueiros ou dois ou três volantes (não raro quatro) a coitada da bola fica perdida, e os atacantes, abandonados.
Na Europa essa questão parece mais bem resolvida. Peguemos como exemplo a campeã Espanha. Na minha análise, o time joga com uma linha de 4 (Sérgio Ramos, Puyol, Marchena e Capdevilla), o brasileiro Marcos Senna à frente dessa linha, uma segunda linha de 4 (Iniesta, Xavi, Fabregas e Davi Slva) e Fernando Torres à frente dessa linha. Iniesta pode aparecer (e muito bem) como autêntico ponta várias vezes, assim como Davi Silva, porque Sérgio Ramos e Capdevilla não precisam ser os atacantes do time. Capdevilla raramente passa do meio-campo. Xavi e Fabregas podem ser armadores, meias de fato, embora também ajudem na marcação. Marcos Senna protege a última linha de 4 e, com isso, a Espanha raramente sofre gols de contra-ataque. Tem mais consistência como time, flui melhor.
A vice-campeã Alemanha também faz a última linha de quatro, mas com um trio no meio-campo e outro trio à frente. Mas como o trio do meio tem apenas Ballack com qualidade de armação, é um time mais óbvio, embora seja muito ofensivo com o ótimo Schweinsteiger e Podolski. A Holanda usa Kluyt como ponta e tem Sjneider como um camisa 10 das antigas, armador de verdade. De ultrapassado na Europa apenas a retrancada França e a Itália, que sacrifica o taleto de Pirlo, fazendo com que ele precise voltar quase até a sua área para organizar o jogo, por pura falta de capacidade de Gattuso e Ambrosini, por exemplo.
No Brasil, quais são alguns dos principais armadores de jogadas de ataque, raciocinemos? No Flamengo fala-se quase sempre de Juan e Léo Moura. De Jorge Wagner no São Paulo. De Leandro e Élder Granja no Palmeiras. De Alex no Inter. O Fluminense, com Thiago Neves e Conca, tentou fugir um pouco disso, mas sempre se desafogava com Júnior César e Gabriel.
O resultado prático disso é que, na minha maneira de ver o jogo, os times brasileiros acabam sendo extremamente vulneráveis aos contra-ataques pelos lados do campo. Quase todos se recompõem mal e oferecem avenidas nas laterais para os adversários. Até meso time que jogam mais abertos, como o Palmeiras, que usa dois zagueiros e apenas um volante de marcação (Pierre), jogam demais a responsabilidade de levar o time à frente para os laterais. Mesmo tendo um talento como o de Valdívia. O Inter tem em Alex uma jóia rara, cada vez mais meia e menos ala, felizmente. O São Paulo anda travadão porque Joílson parece que ainda não se apresentou e Richarlyson anda em péssima fase. Sem armadores, sem bons meias, o time fica preso às ações dos alas e vulnerável no meio-campo.
Talvez seja a hora de, a partir das categorias de base, repensar o futebol brasileiro. Pegar o bom exemplo europeu e redefinir que lateral não precisa ser atacante. Que consistência não passa por uma tropa de volantes no meio-campo. Que adaptados à modernidade, os pontas podem ser resgatados. E, finalmente, que é no meio-campo que devem jogar os talentosos, os pensadores, os que organizam o jogo. Tipo o corintiano Douglas. Ainda é tempo de recuperar a vanguarda do futebol. Basta que os professores sejam menos professorais, que mais ex-jogadores de comprovada capacidade passem a trabalhar na base, ensinando fundamentos aos jovens e preservando a escola brasileira.
Tenho certeza que ainda existem pontas e bons meias pelo vasto território nacional. Se ao chegarem aos clubes eles não forem escravizados pela tática covarde e resultadista (citando Odorico Paraguaçu), não precisaremos ficar aplaudindo a ousadia do futebol europeu.

terça-feira, julho 08, 2008

SELEÇÃO OLÍMPICA DO

BRASIL É BRINCADEIRA


Leio nos jornais de hoje que o planejamento da Seleção Olímpica masculina de futebol do Brasil não existe. Que o time não sabe ao certo quando se reunirá, onde treinará, se fará ou não amistosos. Talvez nem conte com Ronaldinho Gaúcho, convocado pelo presidente da CBF, se o jogador for negociado com o Milan.
Dunga, treinador do time principal e também do olímpico, já declarou que o que importa é a Copa do Mundo. Competição que, recordemos, já começou, pois as Eliminatórias já são a Copa. E o Brasil está fora da zona de classificação. Mas retornemos à Olimpíada. O Brasil vai, de novo, na base do improviso. Pode ser até que ganhe a medalha de ouro, pois há talento para isso. Mas o que fica é a discussão sobre os métodos, sobre o que é hoje a Seleção Brasileira de futebol, em sua versão principal e também na faceta olímpica.
O futebol tem esse lado arrogante de desprezar a Olimpíada. Assim como a Olimpíada não vê com bons olhos o futebol. Na verdade, por parte do futebol, deve ser um pequeno temor da Fifa de que, um dia, o torneio olímpico tenha importância comparável à Copa do Mundo. Uma grande bobagem, diga-se.
Num mundo ideal, não seria interessante que o Brasil tivesse uma Seleção Olímpica ativa, que nesse estágio, há poucos dias dos Jogos, já tivesse feito alguns amistosos, treinado, definido ao menos um padrão tático? A Argentina, pelo que sei, já avançou mais nesse sentido e existe um desejo sincero de grandes jogadores participarem da campanha em busca do bi olímpico.
Tudo isso somado se reflete no momento pálido da Seleção Brasileira, em qualquer de suas versões. Um time dominado pelo medo dentro de campo, entupido de volantes, refém de alguma jogada individual, que sonha com o desafogo através de laterais que não acertam cruzamentos. Um time pobre de idéias, preso à lógica do bateu, levou de seu treinador. Dunga como jogador, dentro de campo, era melhor técnico do que tem se mostrado como professor de fato. Orientava e conduzia melhor.
Talvez o imprevisto e a improvisação conduzam o futebol brasileiro a mais uma conquista em Pequim. Como foi na Copa América, quando o Brasil venceu com apenas uma grande atuação, a da final, diante da Argentina.
Mas o que deveria preocupar a CBF mas parece preocupar apenas quem de fato se preocupa com isso, é o futuro do futebol brasileiro.
Vi a Copa América e vi a Euro. Confesso que fiquei apavorado com as nossas perspectivas.

quinta-feira, julho 03, 2008

A GLÓRIA ESCAPA
DAS MÃOS DO FLU


O Fluminense esteve perto, muito perto da glória. Faltou aquele golzinho salvador, como o de Washington contra o São Paulo. O artilheiro teve uma chance cristalina logo no início do jogo, mas não foi feliz. Todo mundo terá sua explicação para a derrota tricolor nos pênaltis. Talvez todas sejam válidas. Exceto a reclamação do presidente Horcades contra a arbitragem. Que foi, sim, ruim demais, mas não foi por causa dela que o Fluminense deixou de ganhar (vejam bem, talvez seja diferente de perder).
Uma final de Libertadores não permite vacilos como o do Flu no início da partida. Ainda que a equipe tenha buscado o resultado no tempo normal. Lembremos que a LDU mandou bola na trave, teve gol anulado de forma duvidosa, assim como o Flu não teve um pênalti marcado a seu favor.
O jogo foi alucinante, disputado em alta velocidade. A superioridade do tricolor carioca não foi traduzida no placar. Thiago Neves mostrou que é craque e esteve a ponto de entrar para a história do futebol sul-americano.
Pênalti não é loteria, é competência, preparo e momento. O Fluminense sentiu o baque da prorrogação, de ter tido muito tempo para fazer apenas um gol, e não conseguiu, mesmo depois de bravamente ter marcado três. Talvez a LDU tenha ressurgido ali, pois percebeu que o jogo estava perdido e tinha sobrevivido, ganhado uma última chance nos pênaltis.
De tudo que vi, só não gostei de uma coisa: quando acaba o jogo, Renato Gaúcho busca refúgio no vestiário. A postura correta de um grande comandante seria buscar os seus jogadores dentro de campo, agradecê-los, parabenizá-los, até mesmo consolá-los, como fez o presidente Horcades com Luiz Alberto. Com o tempo, Renato, que já é bom técnico, talvez se transforme num grande comandante, deixe um pouco de lado o individualismo. Nada que borre o excelente trabalho feito com o Fluminense.

domingo, junho 29, 2008

FÚRIA

A Espanha reina soberana sobre o futebol europeu, 44 anos depois de seu primeiro título. Finalmente o futebol jogado pelos espanhóis se equivale ao bom futebol jogado na Espanha (quase sempre por estrangeiros, diga-se). Há muito o que comemorar, não apenas pelos espanhóis, com essa Uefa Euro 2008.
Pelo lado de Castela e Aragão, além da conquista, é mais do que justo celebrar o futebol de um Iniesta, rápido e habilidoso, de um Fabregas, do grande goleiro Casillas. E com a providencial ajuda brasileira, um senhor volante chamado Marcos Senna, tipo dono do time, passe preciso, marcação incansável. Se ele faz o segundo gol naquela jogada maravilhosa que ele mesmo iniciou, viraria mito na terra de Cervantes.
Que dizer de Fernanto Torres? forte como um cavalo, oportunista como o herói espanhol de 1964, Marcelino.
Da Alemanha há quase nada a destacar. Fora Schweinsteiger, craque mesmo, o time foi uma pálida lembrançda da esquadra poderosa e confiante de outras jornadas. Podolski pipocou, Ballack, se estava machucado, deveria ter pedido para sair, pois praticamente não entrou. Metzelder é fraco demais.
Para o mundo, a Europa passa a mensagem de que o futebol pode ser mais livre das amarras táticas, das teorias professorais dos treinadores, e deve ser entregue cada vez mais aos jogadores, pois talento, felizmente, ainda há de sobra.

sábado, junho 28, 2008

A FÚRIA OU A FRIEZA?


Espanha e Alemanha chegaram com méritos à final da Euro 2008. O toque de bola espanhol e a determinação aliada à qualidade de Ballack, Podolski e Schweinsteiger empurraram os alemães adiante.
O futebol da Espanha é mais agradável de se ver. Flui melhor. A Alemanha oscila dentro do jogo, mas é capaz de decidir uma partida em 5, 10 minutos.
Do lada da Fúria temos o brasileiro naturalizado Marcos Senna jogando muito. É uma espécie de dono do time. A bola passa sempre pelos seus pés. Iniesta jogou muito contra a Rússia, em Fabregas é craque de bola.
Viena já vive o clima do jogo. Há hordas de alemães pela cidade, muitos espanhóis e uma grande quantidade de russos que ainda ficam pela bela capital européia, mesmo com seu time eliminado.
Entre outros duelos e diferenças que estarão em campo amanhã, no enorme Enrst Happel Stadium,veremos de um lado a representação futebolística da maior potência européia. Riquíssimos, os alemães terão milhares de torcedores e de jornalistas em Viena. Não custa lembrar que o Euro é o marco alemão com uma nova cara, que virou a moeda européia. No futebol a competência alemã é mais um reflexo da capacidade de realização de um país que se reconstruiu do zero pelo menos duas vezes em menos de 100 anos.
A Espanha tende a ser mais artística, deslumbrada mesmo. O entusiasmo pela vitória sobre a Rússia se reflete no comportamento dos torcedore e dos jornalistas.
Já há um clima de fim de festa no ar. Liquidações nos preços das camisas dos times eliminados, ensaios para a cerimônia de encerramento. Mas esta Euro, ainda sem dono, ficará marcada como um ponto de partida para um novo momento do futebol. Mais ofensivo, menos pragmático, melhor de se assistir. Talvez inspirado pela beleza dos palácios de Viena.

terça-feira, junho 24, 2008



EURO X COPA AMÉRICA




Acompanhar as duas maiores competições continentais de futebol entre seleções é extremamente prazeroso e educativo. É um desfile de costumes, de culturas e diferentes maneiras de se demonstrar a paixão pelo principal esporte do planeta.

Comparações são sempre difíceis. Trata-se de dois continentes com quase nada em comum. A Europa rica e milenar e a América Latina lutando para deixar o subdesenvolvimento para trás. O futebol sul-americano é uma mina que está praticamente esgotada. Não há tempo para a recuperação dos recursos naturais e, principalmente, para a lapidação de diamantes brutos. A Europa tem sede de talento e tem o poder do Euro para comprá-lo. A América Latina precisa exportar parado sobreviver e sonhar com um futuro de padrão europeu. O que se aplica ao futebolvale também para o dia-a-dia, para o cotidiano.

A Copa América da Venezuela foi uma competição bastante particular. Houve excessos evidentes, dada a natureza do regime ali instalado, sua vocação propagandista e o passado de pobreza do país mais rico em petróleo do continente. Os defeitos das administrações sul-americanas de viés totalitário estavam todos ali. Estádios monumentais em cidades paupérrimas, nas quais o futebol praticamente não existe. Favorecimentos políticos, propaganda escancarada, muita confusão na venda e distribuição de ingressos.

A Euro é mais organizada, sem dúvida. O que não significa que seja perfeita. Existe um claro favorecimento a meios europeus, mesmo que veículos de outros continentes também paguem os direitos de transmissão. A segurança é extremamente falha e desorganizada. Para se ter uma ideia, o acesso ao centro de imprensa na Basiléia era assim: na primeira entrada passava-se por um aparelho de raio-x. Em todas as outras entradas o aparelho estava desligado. Ou seja, quem entrava e saía do complexo não era revistado após a primeira entrada.

A equipe do SporTV viajou da Suíça para a Áustria sem ter um pedido de observação de passaporte. Houve invasões de gramado em que torcedores ficaram cara a cara com jogadores. Enfim, há falhas. A diferença está na capacidade financeira, no poderio dos patrocinadores e nos valores praticados. A Uefa é poderosa, rica e influente politicamente. Seu presidente atual é um ex-craque de proporções planetárias, o francês Michel Platini. A Conmebol é administrada desde priscas eras pelo paraguaio Nicolás Leóz.

Quando a bola rola as diferenças também são gritantes. Infelizmente, a fantasia e o imprevisto, a capacidade de improvisação que sempre caracterizou os grandes craques sul-americanos, tudo isso parece ter feito as malas e mudado para a Europa. Basta ver em ação jogadores como o russo Arshavin, o holandês Sneijder, o português Cristiano Ronaldo e até mesmo os alemães Podolski e Schweinsteiger.

O jogador europeu é muito mais interessado em jogar do que o sul-americano, que ainda insiste em coisas ultrapassadas como catimba, simulação, dedo na cara, aquela obscura ética do boleiro, muito falada e pouco praticada no Brasil. O nível de civilidade dentro de campo na Europa supera em muito o da nossa América do Sul. Civilidade propriamente dita e também a futebolística. O jogo é mais duro, mais pegado e disputado, só que muito mais leal. As entradas maldosas por trás, os carrinhos perigosos pela frente, as agressões gratuitas, o empurra-empurra, tiudo isso acontece em proporções muito menores na Euro.

Mas o que acaba sendo mais dolorido é verificar a crueldade econômica da festa. Para o europeu, mesmo o que não tem rios de dinheiro no quintal, viajar pelo continente é mais fácil. Há trens, boas estradas, variedade de hospedagem. As distâncias, quase sempre são menores. Então vemos a Suíça e a Áustria invadidas por legiões de holandeses, croatas, turcos. Cerca de 1% da população holandesa foi até a Basiléia para ver Holanda e Rússia. Até da distante Rússia vem muita gente.

Na Venezuela, em 2007, era raro ver brasileiros, até mesmo argentinos, chilenos que tivessem se deslocado de seus países apenas para torcer. Apenas uma grande quantidade de mexicanos foi até a república chavista para torcer pela Tri (color). Não há tanto dinheiro e tanta facilidade como na Europa. E infelizmente os torcedores perderam boa parte do interesse pela Copa América, que para mim continua sendo um baite de um torneio, legal, disputado e interessante de se acompanhar. Mas será que um dia terá a qualidade e a projeção da Euro?


sábado, junho 21, 2008

A LARANJA AMARELOU



A ONDA LARANJA

Impressionante a quantidade de holandeses em Basel para o jogo de daqui a pouco entre Holanda e Rússia. Eles tomaram a cidade, numa onda de alegria, festa e muita cerveja. Deixo um instantâneo da chamada Onda Laranja na Euro 2008.

sexta-feira, junho 20, 2008

EURO NOS ENSINA

UMA DURA LIÇÃO

SOBRE O FUTEBOL



Nunca fui o que se pode chamar de um grande fã do futebol europeu. Minha tendência sempre foi de me alinhar com os sul-americanos, liderados pelos grandes times brasileiros e argentinos. Além da simpatia pelos vizinhos que não tratam a bola assim tão bem. Minha tendência sempre foi a de olhar o futebol europeu meio como o colonizador, como a metrópole que se impõe pela força política e financeira. Talvez ainda pense assim, mas essa minha estréia em coberturas de Eurocopa de Seleções tem sido uma dura lição de futebol.
Não foi preciso mais do que a primeira fase para constatar que estamos, brasileiros, parando no tempo em termos de tática no futebol. O mundo segue para um lado e nós, feito um cabo de guerra, insistimos em seguir para o outro.
A tendência que a metrópole futebolística aponta na Suíça e na Áustria é escandalosamente evidente: saem os volantes brucutus, os terceiros zagueiros de fato ou improviados e entram pontas (enfim, eles estão voltando!) e jogadores de meio-campo que saibam jogar além de marcar. No Brasil, infelizmente, ainda temos times com três zagueiros e três volantes, com apenas um atacante isolado na frente. Isso sem falar na Torre de Babel futebolística em que se transformou a Seleção Brasileira.
A Europa, que sempre pagou o preço de ter inventado a retranca, o líbero e outras artimanhas para marcar Pelé e demais gênios sul-americanos, agora tem a chance - e aproveita - de instalar a contra-revolução. Ver os jogos dessa Euro tem sido edificante. Pela informação tática e pela postura dos jogadores. Quase não há frescura, tentativas de cavar faltas, enganar a arbitragem, faltas escandalosamente violentas. A principal preocupação é jogar futebol, sem reclamações inúteis contra a arbitragem ou provocações infantis entre os jogadores.
Tomemos como exemplo três seleções: Holanda, Alemanha e Portugal. A Holanda é até mais fácil de ser elogiada pela postura, mesmo eu sendo um crítico de seu jeito meio mascarado do passado. Agora, como não se encantar com esse time dirigido pelo Van Basten? É tanta gente chegando para atacar, com tal volúpia, que finalmente eu compreendo esse jeito "orange" de ser no futebol. Kuyt, Van Nistelroy, Persie, é muito bom jogador jogando bem.
A Alemanha também está exagerando na dose, se tomarmos como ponto de partida seu passado. Ballack, Klose, Podolski, Schweinsteiger e Lahm (que é um lateral que parece muito mais brasileiro que alemão) protagonizam uma autêntica blietzkrig quando partem para o ataque.
Portugal não fica atrás. Deco, Cristiano Ronaldo, Simão, Postiga, Nani. O time terminou o jogo com a Alemanha recheado de homens de frente.
Em termos táticos, Schweinsteiger o que é? O bom e velho ponta, meus amigos. Com a diferença de que está adaptado aos tempos modernos. Não guarda posição e ajuda na recomposição defensiva. Simão é a mesma coisa.
E pergunto: por que o Brasil traiu seu passado de grandes pontas? Por que baniu essa função? Não é impossível jogar com três homens de frente e com um ponteiro. E a Europa é que está mostrando isso. O Brasil precisa ter a humildade de aprender. Os europeus não são melhores apenas na organização. Eles estão melhores dentro de campo.

GRANDE E PEQUENO

O jogo entre Alemanha e Portugal foi exemlar no sentido de mostrar as diferenças entre uma grande seleção e outra que ainda nao chegou lá. A maneira como a Alemanha se impôs em 30 minutos de jogo e deu o claro recado de que em Basiléia quem mandaria era ela, foi incontestável. Alemanha e Itália são assim. Parece que quando entra em vigor o termo eliminatório eles começam a jogar e competir. Times grandes são assim na maior parte do tempo.

terça-feira, junho 17, 2008

A SELEÇÃO BRASILEIRA

NÃO CONHECE O BRASIL



A mente está aqui na Eurocopa, mas o coração está no Brasil, com a família e, também, com a Seleção Brasileira, esse assunto que deve estar dominando as rodas de conversa pelo País a fora.
Lembro que quando eu era criança os jogos da Seleção, quase sempre no Maracanã, eram acontecimentos.Havia o ritual de ficar em frente à TV e no dia seguinte a molecada avaliava tudo no recreio da escola.
Com o tempo tudo foi mudando, não sei se para pior, mas que as diferenças são brutais, isso é fato. O negócio se impôs, mas isso é óbvio, sinal dos tempos. Mas parece que virou apenas isso, só um negócio. Essa Seleção do Dunga e a última do Parreira, elas parecem não conhecer o Brasil.
O próprio Dunga, com seu deslocado discurso meio nacionalista, meio guerreiro, sempre de mal com a vida, não parece ter noção do que seja o Brasil, nem do que o brasileiro pensa de futebol. Não o especialista, como ele, mas o brasileiro comum, que ama esse esporte como se fizesse parte da sua bandeira.
Brasileiro gosta de time que joga bem. Sem esse papo de futebol-arte, expressão que hoje é usada a torto e a direito para definir não se sabe bem o que. O que eu posso afirmar é que a maioria dos brasileiros que gostam de futebol sabe bater o olho num time e dizer se o time joga bem.
E esse time do Dunga não joga bem. Pode ter jogado bem duas vezes, três vezes, mas como equipe não se sustenta, não tem cara. Nada contra o Dunga, que acho que foi um bom jogador, melhor do que o senso comum o julgou. Tudo contra o que é hoje a Seleção. Um amontoado de jogadores dispersos, sem unidade, cujo discurso não rima com o do treinador. Que foi inventado na função, diga-se.
Claro que o Brasil pode ganhar da Argentina, e estarei torçendo por isso. Mas a vitória fara desse grupo uma Seleção Brasileira? Transformará em time uma lista de convocados? Fará com que o time que consagrou inúmeros laterais pelo tempo convença o brasileiro de que dá para seguir em frente com Maicon e Gilberto? Fará alguém acreditar que se justifica a escalação como titulares de jogadores em péssima fase?
Isso por que há vitórias que mascaram péssimos trabalhos. Assim como existem derrotas que derrubam trabalhos bem feitos. Tudo é uma questão de tempo, de momento. A Seleção Brasileira não é lugar para picuinhas ou revanchismos baratos. Não pode se prestar ao serviço de disputa de teses. Ela é o lugar do bom futebol. Costumava ser a casa do melhor futebol do mundo. Tomara que volte a ser.

PORTUGAL E ALEMANHA

Que jogo vem aí! A Alemanha do alto de suas cinco finais e três títulos de Euro e Portugal, estabelecida no grupo de grandes equipes européias, comandada por Felipão e sua alma vencedora de brasileiro. Fala-se por aqui no duelo entre Ballack e Cristiano Ronaldo, mas o jogo promete mais. A Alemanha tem os ótimos Podolski e Schweinsteiger. Assim como Deco e Pepe brilham no bom time português que tem índice de acerto de 75% dos passes e média de 8 finalizações por jogo. A Basiléia vai tremer.

segunda-feira, junho 16, 2008

SELEÇÃO PERDEU E A
EURO NEM DEU BOLA



Foi uma exproiência diferente. Acompanhar pela internet, ao lado dos amigos Telmo Zanini e Décio Lopes, a derrota do Brasil para o Paraguai, vendo ao vivo Suíça e Portugal, no Saint Jakob Park, na Basiléia, e observando lances de Turquia x República Tcheca pelo monitor da nossa posição no estádio.
O primeiro impacto foi que a derrota do Brasil não provocou nenhum impacto no centro de imprensa de Basiléia. Claro que o assunto deles é a Euro, mas o Brasil perder sempre é, ou pelo menos sempre foi, relevante. Sinal dos tempos - bicudos - de uma Seleção que emprestou o mau humor do técnico e levou para campo, pelo que pude ver dos lances na Internet.

Suíça e Portugal foi um jogo esquisito. Se fosse no Brasil, a arbitragem geraria uma polêmcia incrível. Como o jogo não valia nada, passou batido, fora a reclamação do Felipão. Mas que o juizão parecia disposto a garantir a vitória suíça, isso parecia.

E a incrível derrota dos tchecos? Que coisa! Noite desastrosa do grande Peter Czech.

Com os dias passando, tentarei abastecer o blog com pontos de vista, fotos e considerações dessa primeira cobertura de Euro. Sempre ao lado do timaço de companheiros do Sportv: Bruno Côrtes, Décio Lopes, Telmo Zanini, Jorge Bernardo, Rogério Romera e Rafael Maranhão.

sexta-feira, junho 13, 2008

CORRIGINDO UMA
PISADA NA BOLA


Recebi um simpático post do palmeirense Luciano, me alertando para um erro que cometi ontem. Entendi, equivocadamente, como protesto, o fato de a torcida do Palmeiras ter gritado o nome dos campeões de 93 antes do jogo com o Cruzeiro. Erro feio meu, afinal ontem, 12 de junho, fez 15 anos da conquista que pôs fim ao jejum alviverde. Então, aqui se erra, aqui se corrige. Era uma homenagem que a anta aqui não teve a sensibilidade de entender. Registrado.

quinta-feira, junho 12, 2008

NINGUÉM PODE TIRAR
O BRILHO DO SPORT
NA COPA DO BRASIL


A conquista do Sport Recife na Copa do Brasil é incontestável. A campanha como mandante é irretocável, num campeonato em que todo mundo afirma que é importante sabe se impor jogando em casa. O Sport tirou do caminho os bichos-papões Palmeiras e Inter, desbancou o tradicional Vasco e protagonizou uma reviravolta histórica diante do favorito Corinthians.
Torneio com mata-mata é bom demais por causa disso, pela carga dramática, emocional, pelo imprevisto e pela possibilidade de um golzinho mudar toda a história. Como espetáculo de futebol, não há nada melhor.
Há um dado na campanha do Corinthians, se comparada à do Sport, que destaca as diferenças entre as equipes. Sempre que jogou fora de casa contra equipes da Série A pela Copa do Brasil o Corinthians perdeu: 3 a 1 para o Goiás, 2 a 1 para o Botafogo e 2 a 0 para o Sport.
Mas vamos ao jogo de ontem. Acho que o Corinthians se omitiu na tentativa de administrar o resultado. Deu a bola e o controle do jogo para o Sport desde o primeiro minuto. A equipe pernambucana pode não ter sufocado no início, mas sempre tomou a iniciativa, teve mais posse de bola e ditou o ritmo. O Corinthians só foi fazer a primeira finalização aos 45 minutos da etapa inicial. Muito pouco para um time que pretendia não passar sufoco.
Não dá para apontar uma grande atuação individual no time do Corinthians. Todo mundo ficou devendo. Alguns muito mais. Casos de Eduardo Ramos, Dentinho, André Santos, Acosta, Lulinha e até mesmo Felipe, que papou um frango no segundo gol do Sport. No banco, a estratégia de Mano Menezes mostrou-se equivocada. Era possível ouvir pela transmissão do SporTV seus pedidos para que o time desse chutão para frente em busca de Herrera. Dito e feito, a bola batia no argentino e voltava rapidinho para os pés pernambucanos.
No Sport houve muitas boas atuações individuais. Carlinhos Bala, Sandro Goiano, Diogo, o goleiro Magrão, Luciano Henrique, Enílton. Nelsinho Batista foi mais ousado que Mano Menezes e, também, mais rápido, ao sacar o inoperante Cássio (como bem observou o Muller) e colocar Enílton. E quando a vantagem passou a ser do Sport, a equipe pernambucana foi mais competente para administrá-la, ainda assim levou mais perigo que o Corinthians.
Alguns detalhes polêmicos. Que dizer de Wellington Saci? Que joga com duas pernas mas teve apenas um neurônio. Ou, como escreveu o Juca Kfouri, que ele esteve mais para Mula-Sem- Cabeça.
O lance entre Acosta e o goleiro Magrão é pura polêmcia e pura interpretação. A imagem mostra Magrão chutando a bola com o pé esquerdo, numa dividida com Acosta, que cai. O árbitro Alício Pena interpretou como lance legal (concordo). Arnaldo Cezar Coelho, na transmissão da Globo, achou que foi pênalti. Polêmica inevitável, assim como no lance do segundo gol do Corinthians em São Paulo, na jogada de falta do Carlos Alberto. Acho injusto com o Sport Mano Menezes atribuir a perda do título à arbitragem. Mania que, aliás, é de nove entre dez técnicos brasileiros. Eles nunca erram na estratégia, nas alterações, nas escalações. Tudo é culpa do juiz.
O fato é que o Sport foi mais competitivo, mais competente, trabalhou melhor que o Corinthians em três dos quatro tempos da final e merece fazer toda a festa que certamente fará por muito tempo. É uma justa conquista para o futebol do Nordeste, tão vítima de preconceito por parte da mídia do Sul/Sudeste. A paixão do torcedor nodestino pelo futebol chega a ser comovente. O Sport, com todas as dificuldades econômicas e as diferenças que existem em relação aos times grandes do Sul/Sudeste, chegou lá, marcou sua gloriosa história e vai para a Libertadores ancorado na magia da Ilha do Retiro. Isso sem falar no Brasileirão, do qual agora passa a ser integrante do grupo de favoritos.
O Corinthians tem lições a aprender e vitórias a comemorar. A equipe resgatou sua identidade com o torcedor e o trabalho capitaneado por Mano Menezes é muito sério e merece respeito. Com as chegadas de Douglas e Elias, a equipe ganhará muito mais qualidade no meio-campo, o setor mais fraco, para a sequência da Série B.

TERÁ O SENADO MAIS
VERGONHA NA CARA
DO QUE A CÂMARA?

Escondidos na covarde votação secreta, a maioria dos deputados federais brasileiros aprovou o retorno da CPMF, agora disfarçada de CSS, com o mentiroso propósito de custear a saúde. Foi assim com a CPMF e a nossa saúde pública segue doente. Resta saber se o Senado mostrará mais vergonha na cara e compromisso com o cidadão ao votar a emenda que cria mais um imposto no País dos Impostos. Repito: a saúde é desculpa para arrecadar mais, inchar a máquina estatal e preparar o terreno para a eleição que vem por aí.

quarta-feira, junho 11, 2008

HORA DA VERDADE

PARA A PACWOMAN

Quem já passou dos 30 certamente lembra do PacMan, o simpático jogo da pré-história dos videogames, que por aqui era chamado de come-come. Pois no Brasil há um genérico político do joguinho famoso, a Pacwoman. É a superministra Dilma Roussef, um factóide de candidato à presidência da república criado pelo ultracompetente esquema de marketing do partido em que se transformou o PT. Dilma não tem história política como administradora, tem história e méritos e defeitos em sua vida, como todos nós. Mas em seu currículo não consta que tenha sido prefeita, governadora, senadora, nada de repercussão nacional. Foi guerrilheira, secretária do governo petista no Rio Grande do Sul (com destacada atuação na crise energética, salvando o Estado de um risco de apagão) e daí alçou vôo para o Governo Federal.
Até acho que a ministra-chefe da Casa Civil seja competente e, até por não ter passado político relevante em termos nacionais, seja o nome escolhido para concorrer à sucessão de Lula. Afinal, em linhas gerais, será a continuidade do governo e da obra de Lula até que ele possa concorrer novamente ao cargo.
Dilma, a Pacwoman, ou mãe do PAC, esse plano de investimentos em infra-estrutura que a propagada do governo afirma ser um sucesso, mas que outros números contestam, está metida nesse rolo que é a venda da Varig. Assim como foi um rolo o episódio dos cartões corporativos.
Paira sob este governo, que considero bom, uma certa suspeita de que as regras do jogo democrático, que foram tão bem defendidas pelo PT enquanto oposição, tenham perdido o sentido moral para o partido agora que virou Governo. Conheço algumas pessoas do meio aeronático, até porque me interesso pelo tema como curioso. E já ouvi de gente muito séria que tem ainda muita coisa para ser revelada na crise dos aeroportos, na crise das companhias aéreas. Se a Pacwoman escapar ilesa de mais essa, tem tudo para esquentar o trono para Lula até o seu terceiro mandato - não seguido, claro.

segunda-feira, junho 09, 2008


CORINTIANO DOUGLAS É O ELO

PERDIDO DO FUTEBOL BRASILEIRO


Trabalhei na vitória do Corinthians sobre o Barueri por 4 a 1, sábado. Triunfo incontestável, absoluto. Mas o que valeu a pena mesmo foi ver em campo o novo camisa dez corintiano, o meia Douglas. Já tinha visto grandes atuações do Douglas pelo São Caetano e, nessas ocasiões, afirmava não entender por que nenhum grande clube brasileiro tinha investido nele. Canhoto, habilidoso, técnico, visão de jogo, Douglas é o elo perdido do velho futebol brasileiro. Ele joga o futebol que era comum ser praticado por aqui, mas que parece estar quase extinto. Simples e objetivo e, por isso mesmo, bonito. Douglas executa com objetividade jogadas que parecem sofisticadas. É daqueles jogadores que fazem o time funcionar, que os companheiros procuram em campo.
Ao final do jogo encontrei o amigo Flávio Trevisan, preparador físico do Corinthians, profissional dos mais competentes. Ele me disse que os advesários estão ficando malucos com o futebol do Douglas, alguns estão até apelando para a aressão. "Estão dando de mão no Douglas", disse, sem disfarçar um sorriso de satisfação.
Que no Corinthians Douglas consiga desenvolver todo seu potencial. O futebol brasileiro precisa disso, não apenas o torcedor corintiano.

COMO EXPLICAR A
APATIA ALVIVERDE?

O Palmeiras beirou o ridículo ante o Sport. Ainda considero o time de Luxemburgo (até quando?) candidatíssimo ao título. Agora, sem tirar o mérito do Sport, os jogadores do Palmeiras deram uma aula de falta de compromisso e atitude na Ilha do Retiro. Até o treinador, sentado tranquilamente no banco, parecia contaminado pela apatia. Em certos momentos, esse time do Palmeiras parece acreditar que é um esquadrão, que pode ganhar sem esforço, que vence quando e como quer. Está muito longe disso.
Outra questão é a permanência ou não de Luxemburgo. O Palmeiras está preso a uma lógica que diz o seguinte: o time só foi campeão ultimamente com Luxemburgo e com Felipão. É preciso que o clube se estruture para não depender de um ou outro treinador e possa ser vencedor com outros profissionais.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Seria coincidência o fato de confusões e polêmicas acontecerem quase sempre com os mesmos árbitros de futebol? Por que vira e mexe tem algum problema em jogo apitado por Wilson Souza de Mendonça, Djalma Beltrami, Wagner Tardelli, Carlos Eugênio Simon, Giuliano Bozzano?

VINOTINTO

A Seleção Brasileira tipo exportação conseguiu a proeza de perder para a Venezuela por 2 a 0. Pior que a derrota é a falta de horizonte. Vitórias muitas vezes camuflam a falta de um bom rendimento. Mesmo quando vence, tirando os jogos contra a Argentina, a Seleção de Dunga quase nunca convence. O que mais incomodou nem foi a derrota para a Venezuela, mas a constatação que não existe uma idéia de time na cabeça do técnico do Brasil. Duvido que alguém consiga explicar como joga a Seleção? Não vale responder que joga mal, porque essa já sabemos.

INTER E SÃO PAULO

Favorito como o Palmeiras, o Flamengo, o São Paulo, o Inter perdeu mais uma. Perdeu Abel, perdeu a identidade. Ainda tem time e tempo para mudar isso, mas assusta a maneira como a equipe parece estar desmoronando. Já o Tricolor paulista parece, enfim, ter tirado o luto e compreendido que a vida não se resume à Libertadores. Bom para o campeonto e ruim para a concorrência.

quinta-feira, junho 05, 2008

AOS TRICOLORES
DE CORAÇÃO


Dedico esse post a alguns bons amigos tricolores cariocas que conheci pela vida: Garamba, Maroca, Renatinho, Mãozinha, Terezinha, Alberto Bial. Essa turma está tocando os céus com as mãos, para usar, em bom português, uma frase que é sempre muito utilizada por Diego Maradona, maior ídolo do Boca, em espanhol. O Fluminense arrebentou a boca do balão, com o perdão do trocadilho. Se desde o Santos de Pelé um time brasileiro não conseguia eliminar o Boca da Libertadores, então o Tricolor das Laranjeiras pode festejar um triunfo que merece ser chamado de histórico.
Algumas histórias desse Fluminense 2008 são dignas de registro. Cito-as com a convicção de que, se não vestir uma máscara tipo a do Flamengo antes do jogo com o América, o Flu passa pela LDU e conquista a América. Detesto afirmações definitivas do tipo fulano não tem perfil de técnico, cicrano acabou para o futebol, tal jogador não é de decisão etc. Essa miríade de chavões que infestam uma parcela do jornalismo dedicado à cobertura esportiva. Lembro que fui uma das poucas vozes discordantes quando Renato Gaúcho assumiu o Vasco. Eu e alguns outros, bem poucos, defendíamos a tese de que estava ali alguém que poderia dar bom treinador se realmente se mostrasse disposto a tal empreitada. Foi bem no Vasco e agora segue melhorando no Fluminense. Dodô quantas vezes foi chamado de ex-jogador, de artilheiro de amistoso etc. Eu já defendo há algum tempo que Dodô tem nível de Seleção Brasileira, faz gols como poucos. Assim como Washington foi aposentado precocemente, Roger foi aposentado precocemente, Conca foi chamado de argentino de segunda linha. É por isso que eu entendo que trabalhar com opinião esportiva não é apenas comentar resultado, arriscar previsões e legislar em cima do óbvio. Taí o Fluminense, para a festa dos tricolores pelo mundo afora, para provar que o futebol ainda se decide dentro de campo. E olha que quem afirma isso é um grande admirador do futebol argentino e considera o Boca, de longe, o maior time das Américas na atualidade. Outro ponto para ressaltar a fantástica vitória do Fluminense.

RECIFE VAI TREMER COM A FIEL
OU DANÇAR AO RITMO DO FREVO?

O primeiro capítulo da final da Copa do Brasil foi corintiano. Muito com base no que o time fez no primeiro tempo diante do Sport. Jogou muito, poderia ter feito 4, 5 gols (ainda que tenha ocorrido falta de Carlos Alberto no lance que originou o segundo gol). Na segunda etapa o Sport jogou bem demais, encurralou o Corinthians e, não fosse Felipe, poderia ter reduzido e até empatado o jogo, pelo que mostrou.
Para o jogo de volta, sem nenhum suspenso, a sensação que fica no ar, pelo menos para mim, é a seguinte: se o Corinthians repetir o futebol do primeiro tempo de ontem, leva. Se o Sport jogar o que jogou na segunda etapa no Morumbi, vira o resultado.
Em tempo: alguém ainda vai fazer piadinhas com o argentino Herrera?

REPERCUSSÃO DO CASO NÁUTICO

Repito aqui minha afirmação com base no que li, vi e ouvi sobre o caso Náutico/Botafogo/André Luís: não vejo por que punir o Naútico, analisando os fatos, em cima do que fizeram uma aspirante a policial despreparada e um jogador desequilibrado. Não faço jornalismo regional, nem clubístico. Procuro fazer JORNALISMO apenas, e opinar com isenção, à base de informação. Também repudio algumas manifestações exageradas de colegas paulistas e pernambucanos. Futebol não é guerra, não é disputa regional, não envolve bairrismo. Que a paz e a alegria que sempre cercaram o futebol, também em Pernambuco, estejam presentes no próximo dia 11. E que vença o melhor entre Corinthians e Sport, sem efeitos do que ocorreu nos Aflitos. O Brasil é muito maior do que bairrismos e regionalismos.

CORNETADAS ERUDITAS

Há alguns dias postei um vídeo do Pavarotti cantando a ária Nessun Dorma e afirmei que, para mim, era a máxima expressão de arte em forma de música. Recebi uma saraivada de cornetadas de alguns especialistas. Sou leigo, sim, não entendo bulhufas de ópera, música clássica, gosto de arte popular, nunca estudei música. Minha afirmação refere-se simplesmente a emoção, pura e simples, da capacidade de um artista marcar época e tocar seu público. Pavarotti popularizou a música clássica. Seu registro de Nessun Dorma é a gravação clássica mais vendida, pelo que pude pesquisar. Também consultei alguns apreciadores de ópera que o colocaram no mesmo patamar de Beniamino Gigli e Jussi Bjoerling, citado por alguns dos que me cornetaram. Pouco importa para mim, não sou muito afeito a lista de melhores. E sei que para alguns apreciadores de música erudita os artistas populares são vistos com desprezo. Prefiro continuar fiel a minhas emoções de leigo. E aproveito para deixar um pouco da arte do também fenomenal Bjoerling.

object width="425" height="344">

segunda-feira, junho 02, 2008


CONFUSÃO EM RECIFE: PUNIR

O NÁUTICO SERIA UM ABSURDO


O assunto renderá muita polêmica e merece muita polêmica. Foram cenas absurdas as protagonizadas pela PM pernambucana e pelo zagueiro botafoguense André Luís durante Náutico x Botafogo, nos Aflitos. Pra começar, acho que o André Luís não fez falta no lance e não precisaria ser expulso. Ainda que fosse marcada a falta (eu acho que ele tocou na bola), não seria para expulsão. E se fosse, como foi, mostrado o cartão vermelho, nada justificaria a reação do jogador, os gestos obscenos para a torcida. O torcedor até não deveria, mas pode fazer isso: zingar, ofender, ali de longe, da arquibancada. O jogador não pode responder no mesmo nível, porque ele é um profissional. O torcedor é um amador apaixonado.
Pois o que se seguiu foi um espetáculo de pavoroso amadorismo da PM de Pernambuco. Despreparo, truculência, exagero, abuso de autoridade. Jogador não é bandido e por mais alterado que estivesse, André Luís poderia ter sido conduzido com mais educação e respeito. Ainda que tivesse exagerado, como muitas vezes os jogadores exageram. Por que espera-se que um policial profissional esteja preparado para agir em situações de tumulto. Afinal, ele é pago, entre outras coisas, para controlar tumultos, não para alimentá-los.
Ouvi, na Globo News, a entrevista do procurador do STJ, Paulo Schmidt, afirmando que o Náutico seria passível de punição no caso, por ser o clube mandante. Ora, isso seria um absurdo. Leis devem ser interpretadas usando o bom senso. O Naútico mandou que os policiais usassem e abusassem da força contra os jogadores do Botafogo? Não. Ficou provado que houve pressão em cima do Botafogo provocada pela direção do Náutico, e que o clube pernambucano teve alguma participação nos acontecimentos? Pelo que se viu e ouviu, não.
Então, porque punir um clube só por ele ser mandante do jogo se o que ocorreu foi por despreparo de uma força pública?
O Botafogo, entendo eu, é vítima e deve processar a PM de Pernambuco. Mas o Náutico nada tem a ver com essa história.

O CASO ROMERITO

Pra lá de esquisito o caso Romerito-Goiás-Sport. Em 1996 aconteceu algo parecido, envolvendo o agora meu amigo e colega Muller. O contrato dele terminou antes da final da Copa do Brasil, e Muller, então um dos craques do Palmeiras, não enfrentou o Cruzeiro. Não houve acordo, seguro etc. Romerito teve seu compromisso encerrado com o Sport e o Goiás, a quem pertencem os direitos federativos do jogador, chamou o atleta de volta. Isso na semana da decisão da Copa do Brasil contra o Corinthians. Será possível que não havia outra maneira de resolver isso? Em pleno século 21. Onde estão os sindicatos dos jogadores nessa hora?

DESAFIO PALMEIRENSE

O Lyon vem com muitos euros ao Brasil para tentar tirar Luxemburgo do Palmeiras. É um grande desafio para a nova mentalidade do clube. Porque a verdade é que o Palmeiras, nos últimos 15 anos, só foi campeão sob o comando de Luxemburgo e Felipão (há os títulos da Série B e da Copa dos Campeões, menos importantes). E Luxemburgo é a palavra-chave do atual projeto palmeirense. Muitos jogadores só estão no clube por causa dele, e a parceira atual, a Traffic, idem. Sinuca de bico se Luxemburgo resolver sair.

A DANÇA DOS TÉCNICOS

O balé começou muito cedo. Leão sai do Santos, Abelão deixa o Inter. Dois nomes de peso e dois gigantes sem treinador. Isso atiça o mercado. O Inter, dizem, quer Muricy. O Santos pensa em Autuori. Serão dias de muita especulação.