segunda-feira, outubro 23, 2006

AFINAL, O QUE É TIME BOM?
E O QUE É TIME RUIM?


Certamente, todos nós que gostamos de futebol e esportes coletivos já nos pegamos soltando essa frase: "esse time é muito bom". Ou a antítese: "baita time ruim".
Mas, afinal, o que faz de uma equipe de esportes coletivos algo bom ou ruim? Qualidade técnica individual? Trabalho coletivo, planejamento tático? Ou tudo isso misturado e bem temperado?
Vou me resumir ao futebol e colocar o que penso sobre o tema, explicando o que acho que sejam alguns times bons ou ruins do Campeonato Brasileiro.

São Paulo - Taí um time ótimo. Primeiro por que já era bom em 2005. O que faz do São Paulo o favorito ao título brasileiro é a conjunção quase perfeita dos fatores que, a meu ver, movem o futebol profissional: planejamento, estrutura e execução. Planejamento para montar bons elencos, buscando jogadores que, individualmente, podem não ser supercraques, mas que juntos formam uma equipe forte, se completando. Estrutura de primeiro mundo e dirigentes que estão mais preocupados em ganhar títulos do que aparecer.

Internacional - Outro exemplo de ótimo time. Tem praticamente as mesmas qualidades do São Paulo, estando apenas alguns passos atrás porque teve que se recuperar de muitos anos de administrações ruins. O Inter, assim como o São Paulo, é dos raros times brasileiros que atua no mesmo nível de desempenho dentro e fora de casa. Seja o time titular ou o reserva em campo, o padrão tático está mantido e os jogadores executam ações sem mesmo olhar uns para os outros.

Grêmio - Um time muito bom, comandado pela principal revelação entre os treinadores brasileiros nos últimos tempos. Lembremos que em 2004 Mano Menezes levou o 15 de Campo Bom a uma semifinal de Copa do Brasil. O Grêmio não tem tantos recursos como São Paulo e Inter, veio da Série B, mas tem um time extreamente competitivo e bem montado, com destaque para o meio-campo, forte, combativo e com bom toque de bola. Se tivesse um grande lateral pela esquerda e um zagueiro mais técnico, estaria no mesmo nível de Inter e São Paulo.

Santos - Um exemplo de time que tem tudo para ficar muito bom em breve. Tem um excelente treinador, boa estrutura e passa por um processo de reformulação. Até já poderia estar muito próximo de Inter e Santos, mas alguns problemas de contusão interromperam o process de formação do time, que precisou ser reformulado diversas vezes. Ainda falta mais unidade ao grupo para repetir fora de casa o nível de futebol que pratica na Vila Belmiro.

Corinthians - Primeiro exemplo de time ruim. Pegue os nomes e até pode-se pensar que há uma equipe. Mas em campo e fora dele é uma sucessão de erros. Elenco montado muito mais pensando no status do jogador e na possibilidade de negociação, o que desaguou em falhas terríveis, como falta de atacantes de características que se completem, carência nas laterais e zagueiros todos com o mesmo perfil: lentos na recuperação. Um time sem espelho dentro e fora de campo, dividido, sem uma liderança natural, que custa caro e rende pouco.

Palmeiras - Outro bom exemplo de time ruim. Elenco mal formado, no qual sobram volantes de características apenas de marcação e faltam atacantes de velocidade, além de centroavantes. Média de idade alta, o que dificulta a padronização da preparação física. Alguns mais jovens correm mais que a bola, os mais experientes não seguem o ritmo. Zagueiros lentos, apenas jogadores com características de ala e nenhum lateral de fato. Fora isso, os dirigentes são desatualizados e compram mal, além de não darem respaldo aos treinadores. Comprou por atacado, sem pesquisar preços ou situação de mercado, e vai terminar a temporada com vários micos na mão.

Cruzeiro - É o que foi sem nunca ter sido. Favorito de véspera, bem estruturado, financeiramente estável, montou um dos times mais sem tesão da história do futebol brasileiro. Falta compromisso, entrega, e uma equipe que poderia estar brigando por títulos fica à deriva no meio da tabela. Para mim, não se chega a lugar nenhum com elencos como este do Cruzeiro: muito jogador nota 5 que pensa que é nota 8.

Santa Cruz - Exemplo do time ruim que é escravo das circunstâncias. Deixou a Série B e não conseguiu se adequar à Série A. Se desfez dos principais jogadores da campanha da Série B e não repôs à altura. Depois ficou difícil convencer treinadores ou jogadoers a embarcar numa canoa que já foi pra água furada. Faltou critério na montagem do elenco e, certamente, também faltou dinheiro para competir com equipes de maior força econômica.

quinta-feira, outubro 19, 2006


GENESIS DE VOLTA!!!!!!!


Segundo a revista Classic Rock Magazine, em 7 de novembro haverá o anúncio oficial. A revista recebeu por e-mail este logo da turnê, com Phil Collins, Tony Banks e Mike Rutherford, em 2007. Farei de tudo para ver um show!

quarta-feira, outubro 18, 2006

ENCONTRO COM GRANDES
CRAQUES MINEIROS


Nesta terça-feira fui a Belo Horizonte participar do programa Brasil em Campo, do SporTV, apresentado pelo amigo Rogério Corrêa, parceiro de muitas transmissões. Papo solto, agradável, conteúdo excelente, uma hora que passou rápido com as companhias de Bob Faria e Márcio Rezende Freitas (não tem o de, ele exlplica). Mas o melhor de tudo foi poder, mais uma vez, encontrar e conversar com dois grandes craques eternos do futebol brasileiro, ídolos da minha infância: Nelinho e Reinaldo.
Nunca vi ninguém chutar como Nelinho. Lateral-direito de Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Seleção Brasileira, seu pé direito operava milagres, curvas de ficção científica. Quem ainda não viu, preste atenção no gol da fera contra a Itália, na decisão do terceiro lugar da Copa de 1978. Parece montagem, mas não é. A bola faz duas curvas e muda de direção. Coisa de gênio. Fora isso, Nelinho é uma figuraça, sempre alegre, contando histórias dos tempos de jogador e tirando sarro de tudo e de todos.
Reinaldo não participou do programa, chegou depois, e iliuminou o ambiente com sua simplicidade. Foi um dos maiores centroavantes do mundo. Cracaço, cheio de técnica e malícia. Tenta agora ser presidente do Atlético e vai derrotando alguns dramas pessoais.
Nelinho conta que quando enfrentava zagueiros fortes e violentos, o Rei (naldo) entrava em campo e já ia dizendo, antes de a bola rolar: "Fiquei sabendo que o Atlético vai contratar você. Vamos jogar juntos, vê se pega leve". O zagueirão acreditava e Reinaldo fazia a festa.
Outra contada pelo Nelinho com Reinaldo como protagonista: "O Galo voltava de Goiânia para BH e fizemos escala em Brasília. Entra no avião o time do América do Rio. Um negão alto e magro senta ao lado do Rei e puxa papo a viagem toda. Diz que é fã, que o Rei é craque etc. Quase no final do vôo, depois de muita conversa e elogios, o negão vira pro Rei e fala: eu sei que você não sabe quem eu sou, mas ou seu fã. O Rei responde: claro que sei quem você é: o João do Pulo, também sou seu fã. Não era o João do Pulo, mas o Gilberto, joador do América".
Em meio às gargalhadas, Reinaldo, envergonhado, mas também rindo, dá o selo de verídica à história: "foi ato falho".
Nelinho e Reinaldo, dois craques como não existem mais: bons de bola e de papo.

segunda-feira, outubro 16, 2006

ERRO MEU. FOI FALTA DO ANTÔNIO CARLOS


Vi, revi e vi de novo o lance da falta do Antônio Carlos no Aloísio. Sigo achando que não houve maldade, mas realmente houve a falta. Erro de avaliação meu por achar que foi só uma dividida. Era caso pra segundo amarelo, sim, pro Antônio Carlos. Pisada na bola. Minha.

domingo, outubro 15, 2006

NOVE RODADAS ENTRE
O GOZO E O DESESPERO

Agora faltam nove rodadas, 27 pontos em disputa, para que o Campeonato Brasileiro de 2006 chegue ao final. O roteiro prevê ainda emoção, drama e tragédia em doses para comprovar o que eu sempre defendi e defenderei: nosso campeonato é o melhor do mundo, mesmo sem os medalhões que jogam na Europa. Não há em outro rincão do planeta bola tanto equilíbrio e disputa.
O que vem por aí e o que eu acredito que já é tendência vou expor em quatro tópicos para a análise e debate dos amigos. Já agradeço a reprecussão, as críticas e até os ataques que recebi no post anterior. Debate é isso aí e, como sempre digo, não comprei a verdade e nunca é feio alguém, desde que esteja convencido, mudar de opinião.

O TÍTULO - Está 95% nas mãos do São Paulo. E com todos os méritos. O time voltou a jogar bem, superou o trauma da perda da Liberadores, passou por uma fase de mudança tática complicada e não deixou cair o aproveitamento. Os primeiros 20 minutos do São Paulo contra o Juventude foram primorosos, futebol de alto nível técnico e tático. O Grêmio tem ainda sua chance caso vença o São Paulo no Olímpico, mas ainda precisa torcer por outros tropeços do adversário e não perder mais pontos. Tarefa difícil, mas que também não tira o brilho da campanha fantástica do time gaúcho.

LIBERTADORES - São Paulo e Grêmio já chegaram. O Inter parece que vai abrir mais uma vaga, que está muito mais para Santos e Paraná, embora o Vasco ainda corra por fora, como o Cruzeiro. Santos e Paraná estão merecendo. O Santos porque em casa é muito forte, e o Paraná pela campanha surpreendente e competente.

SUL-AMERICANA - Aí a briga é complicada. Do Vasco até a Ponte Preta tá todo mundo por essa vaga. O Figueirense está merecendo, faz uma campanha excelente. O Cruzeiro melhorou muito, assim como o Botafogo. O próprio Palmeiras, se ganhar os jogos que ainda fará em casa. E até mesmo o combalido Corinthians

REBAIXAMENTO - É triste, mas o Santa Cruz já foi. Triste porque para cada torcedor seu time é o maior do mundo, mas o torcedor pernambucano é especial, e o do Santa muito especial, pela paixão, pela entrega. Mas o time é fraco e está entregue. O São Caetano, que só fez um ponto no returno, é outro paciente terminal. O Fortaleza, pela garra das últimas rodadas, ainda sonha. Mas dificilmente escapará. Então começa uma região de desespero que inclui alguns gigantes. O Corinthians e suas crises intermináveis, navegando em um mar de incompetência. O mesmo vale para o Fluminense. A Ponte Preta tem sido mais valente e brigadora que Corinthians e Fluminense e pode escapar jogando em casa. Palmeiras e Atlético Paranaense correm risco, mas pela entrega, a raça e o amor que mostraram nesse domingo, mostraram que têm caráter para escapar. O drama ficará por conta das últimas rodadas.

sábado, outubro 14, 2006

O BRASILEIRÃO TRICOLOR.
E A POLÊMICA DA FALTA

Trabalhei na transmissão de São Paulo 5 x 0 Juventude, pelo SporTV, com a agradável e competente companhia de Milton Leite, Carlos Cereto e Marco Aurélio Souza. Resultado incontestável, que deixa o Tricolor paulista cada vez mais perto do título brasileiro. Ainda que o Tricolor gaúcho, em campanha memorável, também esteja na briga e ambos se enfrentem numa final de direito, no Olímpico. O Santos, por não conseguir bom desempenho fora de casa, vai ficando pelo caminho.
São Paulo e Grêmio são os melhores times desta reta final do Braisileiro. Como Internacional e São Paulo foram os melhores do primeiro semestre, nesta ordem.
No Morumbi, o São Paulo teve 15 minutos praticamente perfeitos. Nenhum time consegue subjugar o adversário quando em seus domínios como faz o do Muricy. A goleada talvez viesse mesmo sem as expulsões do Juventude. Que, aliás, foi digno e valente, perdeu sem apelar.

FALTA OU NÃO DE AC?

A polêmica do jogo foi a falta marcada por Evandro Roman, de Antônio Carlos em Aloísio, que originou o gol de Danilo. Eu e Milton Leite, na transmissão, entendemos que não houve falta ou que, se houve, não era para expulsão. Assim como Roberto Assaf no Troca de Passes. Teixeira Heizer achou que houve falta.
Tenho absoluto respeito por opiniões divergentes e não acho que minha versão esteja certa. Mas a coloco aqui para debate. No meu entender, Antônio Carlos e Aloísio visaram a bola, ambos com muita força, muita vontade, mas ambos sem maldade. Foi uma dividida de gente grande, muito grande. Antônio Carlos, pelo movimento, tenta primeiro chutar a bola para longe da área e atinge, sim, Aloísio, que vinha com o pé um pouco alto. Repito: ambos visaram a bola. Pelos relatos de Cereto e Marco Aurélio, Aloísio machucou a canela e feio. Mas ressalto: não vi intenção de Antônio Carlos em fazer a falta e, se ainda assim, a fez, não deveria ter levado o segundo cartão amarelo.
Infelizmente, não tive tempo de comentar alguns e-mails no Troca de Passes. Uma pena, pois essa interatividade é o melhor do Jornalismo moderno. Sei que muitos são-paulinos discordam e respeito muito a opinião de todos. Por isso, debate aberto. Foi ou não falta?
E aproveito para emendar: qual Tricolor será campeão? Ou ainda dá pro Santos?

sexta-feira, outubro 13, 2006

BOA NOTÍCIA

Uma das figuras mais simpáticas e competentes do futebol está de volta ao trabalho no meio. Valdir Joaquim de Morais, ex-goleiro e preparador dos mais competentes, acertou com o São Bento de Sorocaba, do interior paulista. Ele será auxiliar de Freddy Rincón, técnico do time.
ANÁLISE DA RODADA
ANTES DE A BOLA ROLAR


Vamos a ela. Previsão não dá pra fazer, mas apenas o que eu acho que as equipes podem apresentar quando entrarem em campo.

São Paulo x Juventude - Em condições normais, dá São Paulo. Pode não ser fácil, mas o time tem mais qualidade técnica que o Juventude e agora tende a estar ainda mais concentrado jogando em casa porque basta vencer todas no Morumbi para confirmar o título.

Cruzeiro x Fortaleza - O Cruzeiro tem a chance de arrancar para uma vaga na Libertadores. É o time que mais evoluiu nos últimos jogos. O Fortaleza está no desespero e tem um time fraco.

Botafogo x Santos - Dos jogos que envolvem os líderes da competição, parece ser o mais equilibrado, na teoria. O Botafogo melhorou com o Cuca e o Santos não terá dois jogadores muito importantes, Maldonado e Dênis. Leve favoritismo para o Peixe que, se vencer, mostrará força para seguir acreditando no título.

São Caetano x Grêmio - Esse jogo o Grêmio não pode se dar ao luxo de perder. O adversário só fez 1 ponto no segundo turno. E uma derrota pode custar ao Grêmio até mesmo um lugar na zona da Libertadores. Fora isso, é um jogo de reafirmação para o tricolor gaúcho. O São Caetano está condenado. Só um milagre o salva da Série B.

Figueirense x Ponte - Jogo fundamental para ambos e decisivo para a Ponte. O Figueira precisa vencer em casa para seuir sonhando até com a Libertadores. A Ponte precisa somar alguns pontos fora de casa e ganhar todas em Campinas.

Flamengo x Corinthians - Preocupação rubro-negra e desespero alvinegro. O Corinthians anda jogando muito mal e o Flamengo, nem tanto. Vai ser a primeira decisão de ambos e uma derrota pode significar ainda mais preocupação na reta final. Tá mais pro Flamengo, na teoria.

Inter x Fluminense - O Flu entrou em parafuso e pega um Inter sempre forte em casa e muito regular. Jogo que pode marcar um compromisso definitivo do Flu com o perigo de rebaixamento. E pensar que o time já esteve entre os líderes.

Paraná x Goiás - Jogo que terá repercussão nas duas pontas da tabela. O Paraná é a melhor surpresa do campeonato e o Goiás voltou a jogar bem com Geninho. Se der Paraná, o Goiás pode voltar a ficar ameaçado de cair. Se der Goiás, o Paraná pode ver ruir um sonho. Jogaço que tende a ser um dos melhores da rodada.

Palmeiras x Atlético-PR - Jogo decisivo para ambos, de afirmação. O Palmeiras busca sair do sufoco contra um adversário direto. Em casa, o Palmeiras voltou a ser forte. O Atlético vem embalado pela classificação contra o River. Outra promessa de grande jogo, em o controle emocional pode ser determinante.

Santa Cruz x Vasco - O Santa de tanta gente é um paciente terminal, mas ainda tem fôlego para aprontar algumas surpresas. O Vasco carece de regularidade e se entrar desconcentrado por se dar mal.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A VAN

Enfim, chega a hora de relatar uma experiência de companheirismo que o convívio diário com os companheiros de transmissão no SporTV proporciona. A já famosa e histórica Van. Para os que não são iniciados, seguem algumas explicações.
Sempre que partimos para alguma transmissão, seguimos todos juntos, narrador, comentarista, repórteres, coordenadores, em um dos carros da emissora. Quase todos os carros são vans. Algumas vezes são trajetos curtos, em outras, pequenas viagens de 100, 150 km. Em comum, apenas o exercício fundamental e indispensável da amizade, do bom humor e das piadas. Fatores que ajudam a compensar a ausência da família, abdicar de momentos de descanso, uma festa, estar ausente quando um filho está com febres, esses sacrifícios impostos pela profissão.
Quem cunhou a expressão A Van foi o repórter Marco Aurélio Souza. Profissional brilhante, gaúcho da gema, que espalha expressões que vieram do frio com timming de humorista, mesmo nos momentos de mau humor. Ele, Carlos Cereto, Milton Leite e eu formamos uma das escalações mais constantes da van, pelo simples fato de estarmos mais frequentemente trabalhando juntos.
À bordo da Van Cereto e Marco protagonizam duetos de canções populares, temas do folclore gaúcho, piadas, causos. Milton Leite, nosso condutor, sempre contido, intervém com a sabedoria de sempre. Eu, que nem de longe tenho a inspiração humorística de Cereto e Marco, tampouco canto como eles, faço o que mais gosto: dou risada, me divirto e compartilho de bons momentos com os amigos.
Claro que a Van também tem outros ocupantes. Os coordenadores Will Gomes e Raphael Rezende, o maestro Idival Marcusso. Os repórteres Tiago Leifert, Marcos Peres, Alê Oliveira, Delisièe Teixeira. Amigos que mudaram de enderço como Celito Esteves.

terça-feira, outubro 10, 2006

UMA TRAGÉDIA ALVINEGRA

A possibilidade de rebaixamento para a Série B não deve ser o que tira o sono dos corintianos atualmente. O que vem por aí parece ser muito, muito pior. Já pipocam notícias sobre o último ato da ópera bufa que tem sido a parceira entre o Corinthians e a obscura MSI.
A tendência, pelo que tenho lido, é de que não resulte em coisa boa para o clube. Pode estourar na Fifa e em consequências graves no campo esportivo, policial e financeiro.
O comentário mais comum à época do anúncio da parceria era de que o torcedor não queria saber da origem do dinheiro, mas apenas queria a grana jorrando no Parque São Jorge, um grande time e títulos.
O tempo dirá o que vai sobrar da parceria. Mas o Corinthians continua cumprindo sua vocação para buscar parcerias duvidosas e não consegue de forma alguma administrar uma clientela fiel que gira em torno de 20 milhões de pessoas. Idem para o Flamengo. Nesse caso, a Série B pode não ser o fundo do poço.

quarta-feira, outubro 04, 2006

A PRÓXIMA GRANDE
BATALHA DO FUTEBOL

Há algum tempo defendo a tese de que o futebol está prestes a assistir à grande batalha de sua história. E ela não acontecerá dentro de campo, mas nos bastidores. De um lado estarão os clubes, principalmente os mais ricos e poderosos do mundo. Do outro, as confederações e federações nacionais.
Algumas pequenas rusgas do que, imagino, está por vir, já estamos testemunhando. A mais recente delas é a convocação do volante Mineiro, do São Paulo, para dois amistosos da Seleção Brasileira. Todo mundo tem razão nesse caso. Dunga quer uma Seleção forte porque sabe que só terá vida longa no cargo se vencer jogos, sejam eles amistosos ou oficiais. E Muricy Ramalho sabe que o São Paulo precisa - e muito - de Mineiro para confirmar o favoritismo rumo ao título brasileiro.
É apenas um aspecto de uma disputa cada vez mais intensa. Os clubes mais ricos do mundo, as grandes potências européias, investem rios de dinheiro nos principais jogadores. Já derrubaram as barreiras da nacionalidade e montaram autênticas multinacionais da bola. Real Madrid, Manchester, Arsenal, Barcelona, Milan. Para essas indústrias do futebol como negócio e entretenimento, o que interessa é ganhar mais, vender mais produtos e consolidar suas imagens de clubes ricos, organizados e vencedores. Valorizando-se, valorizam seus jogadores e os vendem pro milhões de euros a mais do que pagaram, em muitos casos.
Será que os donos, diretores, dirigentes do Real Madrid e do Barcelona estão preocupados com o último fiasco da seleção espanhola na Copa do Mundo? Ou mais um fracasso da Inglaterra abalou de alguma maneira o Manchester ou o Arsenal? O que pesou mais para os negócios dos clubes italianos, o escândalo de venda de resultados ou o tetracampeonato mundial na Alemanha?
Por aqui, claro que com muitos zeros a menos no final dos cheques e dos contratos, a disputa se reproduz. O São Paulo teve uma temporada fantástica em 2005, tanto esportiva como financeiramente. Mineiro foi um dos destaques do time. Agora, com 5 pontos de vantagem sobre o adversário mais próximo, o time perde por dois jogos (ou seis pontos) uma peça importante de sua engrenagem para uma Seleção que fará dois amistosos sem grande importância - a não ser para Dunga e os cofres da CBF.
Mais alguns exemplos: o Santos luta ainda com chances de conquistar o título nacional e pode ficar sem Maldonado, um de seus melhores jogadores, que é requisitado pela seleção chilena para um amistoso contra o Peru. O mesmo vale para o Palmeiras e seu chileno Valdívia. Some-se a tudo isso o fato de a ridícula campanha da Seleção Brasileira na Copa de 2006 ter desvalorizado os atletas nacionais no mercado europeu - aí, sim, há uma grande diferença entre ricos e pobres no mundo do futebol.
As reclamações dos clubes são cada vez mais constantes. O caso do inglês Owen, contundido durante a Copa, mexeu até com o mercado de seguros da Inglaterra. As agremiações protestam nem tanto contra a Copa do Mundo, mas reclamam da conveniência - ou falta - de competições como Copa das Confederações, e datas de amistosos internacionais. Aí é que fica evidente o confronto. A Fifa não manda no mundo dos clubes. Tanto que só agora conseguiu organizar um Mundial de Clubes, que ainda busca melhor formato. Do que precisa a Fifa para fazer girar sua máquina registradora? De jogos entre seleções e, principalmente, de competições que ela batiza como oficiais. Tudo que os clubes não querem. Quem viver, verá!

sábado, setembro 30, 2006

A FOGUEIRA DAS VAIDADES


Não tem nada mais chato hoje no futebol brasileiro do que picuinhas de técnicos e jogadores. Aquela coisa de ficarem mandando recado através da mídia, um cutucando o outro. E a mídia, bobinha, cai nessa, e fica dando espaço nobre a questões menores.
Na próxima semana jogam Corinthians e Santos, um clássico de hierarquia, história e que mesmo que não resolvesse nada para os dois times (mas resolve e vale muito) já mereceria ser tratado com seriedade, busca pela informação e a devida importância do fato.
Mas o que vemos? O tema adotado é a enfadonha inimizade entre os treinadores Leão e Wanderley Luxembugo. Dois excelentes profissionais, mas o que importa para a humanidade saber que um não gosta do outro? Muda a cotação do dólar, o rumo das eleições, a vida dos clubes cujos times de futebol eles dirigem? Nada disso.
Acontece que a mídia direcionada ao esporte, já há algum tempo, vem supervalorizando o trabalho dos treinadores. Sempre são os primeiros a serem entrevistados e parece que, se não falarem, não há conteúdo, não há notícia. Discordo. Muitas das entrevistas dos treinadores são um show de lugares-comuns, tentativas infrutíferas de soarem filosofais ou intelectuais ou, o que é mais comum, um desfile de evasivas que deságua num tema comum: reclamar da arbitragem.
Se Leão tem bronca de Luxemburgo, se o técnico do Santos também não morre de amores pelo do Corinthians, que tenho eu - e acho, o leitor, ouvinte, internauta e telespectador - a ver com isso? Ambos são adultos, ricos, profissionais bem-sucedidos e capazes de resolver suas diferenças.
Para mim, o que interessa saber de Leão e Luxemburgo é como vão jogar seus times e como eles, tão competentes, vencedores e senhores de si, explicam o seguinte:
a) por que o Corinthians milionário e treinado por alguém com a comprovada capacidade de Leão fica atrás - e põe atrás nisso - do Paraná, do Figueirense, do Juventude, de orçamentos e treinadores muito mais modestos.
b) por que o Santos, dirigido por um justamente aclamado estrategista não consegue sair das armadilhas montadas pelos adversários quando joga fora de casa?
A picuinha dos dois é assunto pra quem gosta de fofoca. Eu odeio.

quinta-feira, setembro 28, 2006

SOS PORTUGUESA

Instituições não deveriam morrer nunca. Principalmente aquelas que acrescentam algo à história e merecem ser assim chamadas. Sejam elas escolas, museus, entidades assistenciais ou clubes de futebol.
Dói ver uma instituição como a Associação Portuguesa de Desportos à beira de um rebaixamento para a Terceira Divisão do futebol brasileiro. Fato que, se confirmado, pode, segundo os próprios dirigentes do clube, suspender as atividades do futebol.
Presta-se pouca atenção à Lusa porque não se trata de um time de massa, de arregimentar multidões. Mas não se pode deixar de lado uma história rica em tradições, em revelar grandes jogadores e treinadores e, principalmente, um patrimônio que inclui um belo clube social e um estádio que poderia ser mais bem aproveitado.
Que saída haveria para a Portuguesa? Converso muito com dirigentes e torcedores do clube sempre que faço jogos no Caningé e parece que estão todos muito perto de jogar a toalha. Antigamente, integrantes endinheirados da colônia portuguesa professavam sua paixão pela Lusa injetando dinheiro no futebol do clube. Lembro-me que em 96, quando o clube chegou à final do Brasileiro, o empresário que patrocinava a camisa da Portuguesa à época pagou um gordo bicho em dinheiro vivo. Hoje, pelos desmandos administrativos e a interminável guerra política, esses apaixonados preferem, prudentemente, investir seu dinheiro em outros negócios.
Já pensei - e vi que essa idéia também circulou por outras tribunas e mentes - que a Lusa se arrumaria se fizesse uma troca entre sua sede (estádio incluído) e a do Corinthians. A Portuguesa poderia mandar seus jogos na Fazendinha sem problema, receberia uma compensação financeira pela diferença de proporção dos estádios, e o Corinthians teria a chance de transformar o Canindé em seu sonhado campo. Parece difícil, pois envolve paixão e história, e exige cabeça fria e profissionalismo, algo que falta aos dirigentes dos dois clubes.
A saída que vejo como a mais provável é a de algum empresário com boas intenções, seja ele do futebol ou não, comprar o departamento de futebol da Portuguesa. Algo como fez uma grande rede de supermercados com o Juventus. Ou mesmo um negócio no modelo MSI-Corinthians. Futebol é rentável, mesmo mal administrado. A Portuguesa tem patrimônio e sempre foi uma ótima porta de entrada para novos talentos.
Seria ruim para o futebol brasileiro que ela virasse apenas mais uma - ainda que bela - página de nossa história.

segunda-feira, setembro 25, 2006

DE FUTEBOL E BASQUETE


Volto ao blog depois de duas semanas de muito basquete, com a participação na cobertura do Mundial Feminino, e, como sempre, de futebo.
Deixo alguns pitacos e observações.

1) O Brasil perdeu uma rara chance de ser campeão (bi no caso) mundial feminino de basquete. A semifinal contra a Austrália estava na mão do Brasil, que, na minha modesta opinião, só não ganhou por falta de agilidade da comissão técnica e falta de variação ofensiva e defensiva nos momentos decisivos. Isso por que na final, com o apoio da torcida, a Rússia não seguraria a onda.

2) Deve ser duro para os norte-americanos engolirem o fato de que sua melhor jogadora de basquete é branca e tem sangue latino (é filha de argentina). Taurasi joga o fino e vê-la jogar é uma aula de basquete.

3) Essa eu ouvi da mestra Maria Helena Cardoso: Iziane é o mais próximo que o Brasil tem de Hortência atualmente e precisaria voltar a jogar no Brasil.

4 ) Para mim, a australiana Penny Taylor foi a grande jogadora do Mundial. Lauren Jacson é linda e joga demais, mas Penny matou a pau.

5) Voltando ao nobre ludopédio, por que será que valorizam mais o trabalho de Luxemburgo no Santos que os de Renato Gaúcho no Vasco, Caio Jr. no Paraná e de Mano Menezes no Grêmio?

6) Se continuar irregular e frágil na defesa, o São Paulo corre o risco de perder o título mais ganho da história. Mais até do que o Atlético Paranaense perdeu em 2004. Muriciy é um ótimo técnico, mas está reticente em alterar o esquema tático. O Tricolor pode se dar o direito de ser um time mais fechado e cauteloso em alguns momentos por que tem gordura pra queimar.

7) Poucos dirigentes têm mais capacidade de atrapalhar seus times que os do Palmeiras. São incrivelmente amadores e despreparados. O que Palaia fez com Tite foi patético. E os bastidores políticos do clube emperram o futebol.

8) Leão é ótimo treinador, mas o Corinthians tem conseguido os resultados muito mais na vontade do que na qualidade. E só isso é pouco.

9) Mesmo nivelado por baixo tecnicamente, o Brasileirão é muito mais interessante que qualquer outro campeonato de futebol do mundo.

10) Lucas, sobrinho de Leivinha, volante do Grêmio, é meu candidato a revelação do Brasileiro-2006. Joga muita bola.

segunda-feira, setembro 18, 2006

O CHAPA


Ser amigo de chefe, nesses tempos em que reina a desconfiança nessa terra, é complicado. Ter um chefe amigo é uma benção. E poder dizer que virei chapa de alguém que foi meu chefe é uma honra.
Li muito O Chapa antes de conhecê-lo. Eram tempos em que era obrigatório devorar A Gazeta Esportiva. Naquelas páginas históricas ele tamburilava textos inspirados e inspiradores. Como a entrevista com Bellini, o capitão de 58, que lhe rendeu o Prêmio Esso.
Depois de muito ler fui conhecer O Chapa na redação da Folha da Tarde, hoje Agora SP, em 1989. Era meu primeiro emprego e até que a gente se conhecesse e virasse chapa, eu guardava aquela distância que o fã guarda do ídolo, respeitosa, meio tímida.
O Chapa é o Nélson Nunes, um dos grandes jornalistas brasileiros. E, melhor que tudo isso, Chapa mesmo, daqueles que a gente sabe que vai ser amigo sempre, ainda que veja pouco, muito pouco. Nelsinho para os mais chegados, me ensinou muito naqueles tempos da FT. Texto objetivo, direto e refinado de um jeito que eu ainda quero poder escrever um dia. Nesses tempos de Mundial de Basquete Feminino, lembro de uma matéria dele que ganhou prêmio, Dona Hortência, a Rainha do Lar. Estava tudo ali, sem enrolações, simples direto, perfeito! Felizmente, O Chapa foi um dos responsáveis pela minha ida para o Diário Popular, onde ele era chefe de reportagem da editoria de Esportes e mentor de um caderno multipremiado.
Felizmente, logo viramos chapas, parceiros de peladas (de futebol, certo dona Cláudia e dona Isabel?). Nelsinho, como bom peladeiro, tinha suas marras. Tipo um tênis pendurado no quarto com um cartão agradecendo pelos mais de mil gols que ele nunca fez.
Parceiro de animadas viagens a Indaiatuba, Porto Belo e muitos papos pela madrugada. Atualmente é um dos principais editores do Diário de S.Paulo mas, mais que isso, é a inspiração que resta daquele velho Dipo dos bons tempos.
Chapa, apareça para botarmos a conversa em dia e juntarmos aquela seleção!

sexta-feira, setembro 15, 2006

O CHAPA

Em breve, um post exclusivo sobre ele, O CHAPA. Merecido.


EQUIPES 3,
A ERA DIPO


Entre 1991 e 1995 pude presenciar uma revolução no jornalismo - em especial no esportivo - de São Paulo. E fico feliz em saber que tive uma pequena participação nisso. O Diário Popular - hoje Diário de S.Paulo - era um jornal decadente, que se pendurava em classificados para sobreviver vendendo pífios 18 mil exemplares ao mês. Era envelhecido, feio, mal feito.
O carioca Jorge de Miranda Jordão, experiente, assumiu a missão de reestruturar o jornal. A base para isso era um noticiário popular, sem ser popularesco, calcado, principalmente, na editoria de esportes.
Sob o comando de Arnaldo Branco e Paulinho Corrêia foi criada uma equipe que, sem jogo de palavras, marcou época. Muita gente boa, muita vontade de trabalhar e muito trabalho, em quantidade e qualidade. O Dipo passou a ser o único jornal naqueles tempos que esperava todos os resultados dos jogos de futebol para ser impresso. E também cobria os treinos de sábado, que tinham sido relegados ao esquecimento. Fora isso, tinha uma sagacidade rara e exercitava todos os dias o saudável jogo da curiosidade, o fuçar e fuçar.
O resultado foi que o Dipo pulou em poucos anos, creio que dois ou três, de 18 para 180 mil exemplares diários. O esporte capitaneando tudo isso.
Naqueles anos de 1991 a 1995 convivi com um timaço de jornalistas mas havia algo que eu chamaria de espinha dorsal: Guto Mônaco, Nicolau Radamés Cretti, Marcelo Laguna e Menon (esse aí da foto, ao meu lado no Mundial feminino de basquete) .
Uma união profissional e pessoal que poucas vezes pude ver. Trabalhávamos como mouros, mas nos divertíamos feito catalães pelas ramblas de Barcelona. E tome concorrência! Era um banho, uma aula. Ouvi certa vez da amiga Abigail Costa, ex-Globo e hoje na Record, que o Diário era livro de cabeceira de todos os jornalista esportivos de São Paulo.
Disso tudo só lamento não ter podido conviver mais com o Laguna pois, como se sabe, ele trabalhava no esquema 3-5-2: três dias de trabalho, cinco de folga e dois meses de férias.
Aos poucos, como quase tudo de bom na vida e nessa profissão, o timaço foi se desfazendo e o jornal foi perdendo um pouco o fôlego.
Essa turma faz tempo que não se reúne. Mas se um dia estiver trabalhando junta novamente, sai de baixo, concorrência. Esses quatro esbanjam talento, competência e caráter. Fiz uma pós-graduação em Jornalismo e vida ao lado desse quarteto.

segunda-feira, setembro 11, 2006

EQUIPES, 2

Segue a série sobre grandes equipes das quais tive a honra e a sorte de participar. Agora falo da atual, nosso grande time do SporTV, o Canal Campeão.
Tive a felicidade de trabalhar com praticamente todos os narradores e repórteres do canal, o que é uma grande alegria e representa um enorme aprendizado. Companheiros de São Paulo, Rio, Brasília, Goiás, Rio Grande do Sul, Belém, Pernambuco.
Fiz grandes amizades, como a de meu parceiro João Guilherme, grande revelação entre os narradores brasileiros, e o super Deva Pascovici, hoje arrebentando na rádio CBN.
Nosso núcleo mais próximo é uma autêntica seleção de transmissões inspiradas e jornadas divertidas. Narrando, dois mestres: Jota Júnior e sua elegância, e Milton Leite com suas tiradas sensacionais. Com esses dois conduzindo a transmissão, comentar fica muito mais fácil. E também encontro meu amigo Osvaldo Luiz, parceiro de grandes coberturas nos nossos tempos de reportagem.
Nas reportagens, grandes figuras. Carlos Cereto, Marco Aurélio Souza, Alexandre Marcelo, Marcos Peres e Delisièe Teixeira.
Em tópicos posteriores contarei, finalmente, o que vem a ser a gloriosa VAN.

domingo, setembro 10, 2006

FRESCURA

Volta a polêmica em torno de gestos e declarações de jogadores de futebol quando são substituídos. Pra mim, tem boa dose de frescura e hipocrisia em tudo isso. E um certo desejo incontido de uma parcela do jornalismo esportivo por uma boa crise.
Eu não dou muita bola pra isso. Já vi muito time ser campeão com jogadores que se odiavam, mal se falavam e viviam alfinetando um ao outro. Quando a bola rola, se há profissionalismo, o resto fica pra trás.
Em quantos ramos de atividades temos conflitos, pessoas que não se gostam, que brigam, se acusam mas que, na hora do trabalho, comportam-se como profissionais?
A bola da vez - seria surpresa? - é o Edmundo, que saiu balançando a cabeça e teria, segundo alguns colegas, alfinetado o Juninho. Mas eu lembro - e estava no jogo - que o primeiro a abraçar o Edmundo quando este fez o gol foi o Juninho. E então?
Claro que existem casos que extrapolam, quando uma rusga eventual resulta em falta de clima no dia a dia e contamina o grupo. Ainda assm, temos casos de equipes cheias de panelinhas que foram campeãs. O mais recente foi o Corinthians do ano passado. Temos o grande Palmeiras de 93/94, cheio de briguinhas, e atá a Seleção de 70, que tinha alguns conflitos internos.
Tudo depende de como se analisa os fatos. Primeiro, jogador de bola anda muito enjoadinho pra tudo. Pra ser substituído, dar entrevista, treinar etc.
Segundo: nem tudo é o que parece à primeira vista. E falsidade e futebol andam de mãos e pés juntos.

sábado, setembro 09, 2006


UNS DIAS PORTEÑOS


Acabo de voltar da Argentina, onde estive com grandes amigos do SporTV como Milton Leite e Marco Aurélio Souza, para cobrir Boca x São Paulo.
Emocionante ver a Bombonera em dia de jogo (já conhecia o estádio, mas vazio). Tenho grandes amigos na Argentina, que é o país que mais visitei na vida. Felizmente, pude encontrá-los, ainda que rapidamente, para um churrasco, claro. A família Oliveira é uma extensão argentina da minha família.
Sobre o jogo, pouco a dizer. O torcedor do São Paulo deve estar preocupado com a evidente queda de produção do time. O Boca vive um grande momento. A diferença pode estar na motivação que eu acho que faltou aos tricolores em Buenos Aires. Se ela pintar no Morumbi, pode dar São Paulo.
De resto, é sempre bom passear por Buenos Aires e constatar que os brasileiros continuam invadindo a capital vizinha e provando da carne espetacular e de bons vinhos.
Pra completar a presença da Van em Buenos Aires faltou apenas Carlos Cereto.
Mas falarei mais do que é a Van, esta instituição de nossa TV, em outro tópico.
Fica a homenagem aos argentinos, com a imagem da bandeira. Gostam tanto ou mais de futebol do que nós.

domingo, setembro 03, 2006

TRÊS TOQUES

Bastaram três toques na bola. Um drible mágico e o lançamento perfeito para Elano. Nem preciso ver mais de Brasil e Argentina para constatar que só pode ser muito amigo do Zorro quem deixa o Robinho no banco.

sexta-feira, setembro 01, 2006


EQUIPES, parte 1


Trabalhar em equipe é um grande prazer. Não me refiro a esses papos meio furados de motivação e alcance de metas. Falo em jogo de time, em trabalho e espírito coletivos de verdade. Felizmente, pude participar de equipes inesquecíveis na minha vida, seja nos meus tempos de atleta ou agora como jornalista.
Como esquecer do time mirim de vôlei do Paulistano, que ganhou tudo em 1981? Marcelo Gordo e Ivan como levantadores (jogávamos no 4x2 com algumas infiltrações quando o Gordo estava atrás da linha dos três e o Ivan na rede), eu e Ricardo Capi nas pontas, Alex Schoulzal e Piti (cracaço) no meio. Ganhamos tudo. Ainda tínhamos o Maurão (um irmão que a vida me deu), Dante, Marquinhos, Fabinho, César, Amílcar, uma galera sensacional, comandada pelo Índio, Antônio Martins Filho. Uma escola de vôlei e de vida.
Em 1983, o time do Pinheiros, uma autêntica família, uma turma divertida, unida e que só não ganhou tudo porque o time do Paulistano era melhor. Capi e Renato levantando, eu e Ricardo Mãozinha nas pontas, Bolinha e Maurão no meio. Waldemar Talarico, uma figura sensacional, treinava a galera, que ainda tinha Amâncio, Pedro, Omar, muita gente legal. Foi um ano que pra mim, como atleta, durou 6 meses. Tive uma hepatite que me deixou de molho, mas os seis meses foram ótimos, em desempenho e convivência.
De 83 a 85 convivi com uma turma que está entre as melhores que conheci na vida, a galera dos esportes do Colégio Arquidiocesano de São Paulo. Demorou pra montarmos um bom time de vôlei, mas quando conseguimos, em 85, aí atropleamos (na foto aparecem, à esquerda, Feijão, eu carregando o fogo olímpico de abertura da Oliarqui, e o Alemâo) . Tive a oportunidade de jogar num belo time de futebol de campo do Arqui, também em 85. Perdemos para o Colégio Bilac, mas jogamos melhor, e eles tinham profissionais infiltrados. Queirós (não foi craque profissional por que não quis), Piriquito jogava muito, no gol o filho do Zé Maria de Aquino e mais muita gente boa de bola e de papo.
Na sequência falarei de grandes equipes profissionais.

sábado, agosto 26, 2006


ESPORTE É CULTURA


A foto aí ao lado é uma singela homenagem à fantástica equipe de esportes da TV Cultura nos anos 70 e 80.
Credibilidade, informação, inovação e seriedade foram as marcas daquele time que entrou para a história. Grandes jogos, os clássicos teipes das noites de domingo, a sacada de criar um noticiário esportivo no horário do almoço, o É Hora de Esporte. Além da primeira revista eletrônica esportiva da TV brasileira, o Esportevisão, sempre aos sábados. Ou ainda o ótimo Esporte Opinião, às segundas-feiras.
Tenho o maior orgulho de saber que meu velho, o grande Luiz Noriega, foi o criador e condutor de boa parte desse time, ao lado de gente da melhor qualidade, como Carlos Eduardo Leite, Pedro Tadeo, José Carlos Cicarelli, Orlando Duarte, José Góes, Jõao Zanforlim e uma equipe técnica de primeiro nível.
Deixou saudade.

sexta-feira, agosto 25, 2006

PANELA


Estar com os amigos sempre é um grande prazer. A evolução do homem se deu quando alguns passaram a se juntar em bandos, a conviver em sociedade e formar pequenas comunidades, deixando de ser nômades solitários.
O problema disso tudo é quando o ser humano transforma a convivência em panelinha, em igrejinha, turminha grupelho, em jogo de cartas marcadas.
Quando acontece no esporte, então, tira toda a graça dessa atividade que tantas lições tem a oferecer, sejam elas de companheirismo, coletividade, desprendimento etc.
Eu fico imaginando como deve funcionar a cabeça de duas categorias de treinadores esportivos do Brasil na atualiadade: de futebol e de basquete.
Sem dar um bico no respeito, eu me pergunto o que leva, hoje, um time de futebol a contratar o Antônio Lopes, por exemplo. Lopes tem uma história que não pode ser esquecida, de bons trabalhos. Não é um treinador qualquer. Mas analisemos a sua história recente no futebol. Alguém pode dizer que ele foi campeão brasileiro. Outro alguém pode argumentar que ele quase perdeu o título brasileiro, que foi salvo pelo Zveiter e pelo Edílson Pereira de Carvalho. Mas há quanto tempo Lopes não monta um bom time? E quantos outros treinadores com menos nome e que não sejam lembranças constates do grupo que hoje manda no futebol do mundo - o dos empresários - não fazem trabalhos melhores que os do Lopes? E por que gente como Caio Jr, Paulo Comelli, Ivo Worthman e outros não tem chance?
Passemos ao basquete. Lula Ferreira é um bom técnico? No Brasil, claro que sim. Mas o basquete que se joga no Brasil serve para recuperar a Seleção Brasileira? O jogo que se pratica aqui não está de costas para o resto do mundo? E por quê Lula Ferreira, que não ganha absolutamente nada de relevante com a Seleção e deixa o Brasil em décimo-nono no Campeonato Mundial, tem de ser mantido no comando da equipe? Por que o basquete brasileiro tem sempre um grupo pequeno de treinadores, quase todos paulistas, se revezando no comando das seleções? O que fazer para modernizar e recuperar esse esporte que já deu tantas glórias ao Brasil?
Por quê é tão difícil mudar os conceitos estabelecidos e o modus operandi do esporte?
Em resumo: quando a amizade vira panela, queima o filme (nossa, que porcaria de frase!)

quarta-feira, agosto 23, 2006

EU DESISTO


Não dá mais pra torcer pra Seleção Brasileira masculina de basquete.

segunda-feira, agosto 21, 2006

DE TRÊS - a menos

Não existe esporte mais emocionante que o basquete. Goste-se ou não do jogo, é preciso reconhecer que a relação tempo e espaço e a exigência de precisão do basquete são insuperáveis. Daí que em menos de um segundo conta-se uma história dentro de uma quadra desse incrível jogo.
Sou de uma geração para a qual o basquete era o segundo esporte do Brasil. O vôlei até o início dos anos 80 era menos do que é hoje o handebol. E nosso basquete masculino estava sempre ali, entre os melhores do mundo. Vira e mexe pintava um quadrangular no Ibirapuera, sempre com grandes times de várias escolas. Um bom time europeu, um bom latino-americano, uma universidade norte-americana de respeito e o Brasil.
Em outubro de 1979 vi, de dentro da quadra, o Sírio conquistar a Copa William Jones, o Mundial de Clubes de basquete, talvez o primeiro grande jogo da carreira do Oscar - antes, em 1978 , o Marcel já tinha feito uma cesta maravilhosa contra a Itália, no último segundo, garantindo o bronze no Mundial das Filipinas.
Sem falar em Ubiratan e outras feras de uma geração anterior.
Por isso eu não consigo aceitar essa condição de coadjuvante do basquete brasileiro atual. Essa coisa de aceitar derrota e achar que foi legal fazer jogo duro. Peraí! estamos falando de um bicampeão mundial, da terra de Algodão, Vlamir, Ubiratan, Amauri, Rosa Branca, Oscar, Marcel.
Escrevo antes de Brasil x Turquia e espero que eu quebre a cara, mas essa Seleção não empolga. Parece que somos no basquete o que a Coréia do Norte é no mundo: estamos na contramão da história do basquete. Não sou especialista, mas parece que o mundo joga um basquete e nossa Seleção, outro. Não que seja ruim, mas é diferente do resto. Digo isso com base nos pivôs. Reparem no peso do jogo dos adversários, na força, na intensidade e na sincronia.
Fora isso, o Brasil é o time que mais oscila em um jogo, disparado. Cinco minutos estonteantes e outros 5 de pânico. Até Angola é mais regular.
Como chegamos a isso? Quem sou eu pra responder? Mas que estendemos uma cortina de ferro em torno do nosso basqute com um pensamento provinciano e de privilégios a alguns jogadores, não tenho dúvida. Fora isso, durante anos havia um revezamento interminável entre meia-dúzia de treinadores.
O resultado é o atraso, a perda de uma geração, no mínimo. Por mais que seja - e o é - competente o nosso Lula - o do basquete - o estrago foi muito feio.
Hoje parece estranho dizer que o basquete já mexeu com esse País. Se um plano emergencial for montado, se houver paz entre dirigentes e os feudos de jogadores e treinadores que se formaram, em dez anos tiramos esse atraso e voltamos a ficar entre os quatro do mundo, que é o lugar que o basquete masculino do Brasil merece.

sábado, agosto 19, 2006


SIMPLES E MUITO BOM


Fui ao show do Simply Red no Hollywood Rock de 1988. Todo mundo queria ver o Duran Duran, que estava ainda em boa forma. Mas quem arrebentou foi o ainda desconhecido grupo do ruivo sardento Mick Hucknal, que canda demais. Aí virei fã.
Este mês, além da alegria diária que os meus pequenos me dão, ganhei pelo meu sexto dia dos Pais, o DVD Simply Red Home Live in Sicilia. Recomendo.
Assim como o CD Simplified, também excelente.

sexta-feira, agosto 18, 2006

OS NOVOS REIS DA AMÉRICA


A justa e merecida conquista do Internacional, o novo campeão da América, tem uma série de significados. Todos eles superam o simples festejar ou lamentar de uma torcida ou outra. Para o futebol brasileiro, ter mais um clube na lista de campeões do continente representa muito. Em se tratando de quem se trata, um gigante que parecia adormecido, que volta ao protagonismo 26 anos depois da trinca gloriosa de 75/76/79.
Quanto maiores forem Inter, São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Vasco, Flamengo etc., maior será o futebol brasileiro.
Tive o privilégio de assistir de perto as duas finais entre colorados e tricolores. Um banho de bola, de dedicação. Momentos do melhor futebol que se precisa jogar hoje em dia, não do futebol de sonhos e devaneios, de frases feitas, o futebol de colunas nostálgicas e perdidas no tempo.
E algumas surpresas aconteceram. O imenso respeito que existe entre os dois grandes times do momento no País. A torcida do Inter aplaudindo o São Paulo no pódio em Porto Alegre. A ausência do comentários maldosos sobre a arbitragem e o reconhecimento da superioridade do adversário. A organização dos dois times, que têm os melhores dirigentes da atualidade.
E compreende-se o êxtase dos colorados e, ainda, o orgulho dos tricolores paulistas. Não há nada como ganhar a Libertadores da América. A começar pelo nome, o mais bonito entre todos os campeonatos do mundo. Depois vem a mística, a história, a lembrança de grandes batalhas.
O próximo desafio é superar a Argentina em número de conquistas. São 20 títulos argentinos contra 13 do Brasil.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O MELHOR FUTEBOL DO MUNDO



Não é o da Itália, como pode fazer pensar a Copa do Mundo. Longe disso. O melhor futebol do mundo ainda é e, provavelmente, sempre será, o brasileiro. Mas não aquele futebol brasileiro de novo-rico da Copa, aquele futebol com ar de enfado, pose de celebridade e espírito de baladeiro.
O melhor futebol do mundo é o que se joga aqui no Brasil, ainda que vira e mexe a grana que ergue e destrói coisas belas leve pra longe a fina flor (e muitas vezes nem tanto, vide o Jonatas) da nossa bola.
O futebol que se praticou no Campeonato Brasileiro pós-Copa do Mundo supera, em muito, a qualidade técnica e a intensidade dramática do Mundial da Alemanha. Por aqui temos um surpreendente Paraná, um renovado Palmeiras, um competitivo Santos e os enormes São Paulo e Internacional.
Aliás, os finalistas da Libertadores deram uma aula na noite de 9 de agosto. Um dos grandes jogos dos últimos tempos, mostrando que times bem armados, bem treinados e concentrados não se abatem com expulsões e continuam jogando bom futebol.
Uma pitada de organização, estádios melhores e não haveira competição. Se deixarmos de fora alguns poucos jogos da Europa, um Barça x Real, um Milan x Juve ou uma final de Liga dos Campeões, não troco um Paraná x Juventude, por exemplo, por nada que venha da Europa. E não vale citar time grande euopeu, porque aí tem um monte de brasileiros e argentinos em campo.
A bola que rola por aqui é inesgotável.

terça-feira, agosto 01, 2006

COMEÇOU A ERA DUNGA


E Dunga estreou como técnico da Seleção Brasileira, soltando sua primeira lista de convocados. Pelas circunstâncias, Dunga mostrou, pelo menos, que acompanha o que acontece pelo mundo e vai tomar como base o rescaldo do trabalho de Parreira.
Alguns titulares óbvios como Kaká e Ronaldinho Gaúcho não foram chamados porque estão saindo das férias. O Fenômeno foi operado. Mas a base do time que jogou bem contra o Japão n Copa deve encarar a Noruega.
Quanto aos outros convocados, em especial os cinco que jogam por aqui, só não dá pra engolir o Jonatas. Os outros todos têm potencial.

sexta-feira, julho 28, 2006

Bens de candidatos
superam PIB
de 5 Estados


Precisa falar algo mais sobre o que é o Brasil?

quinta-feira, julho 27, 2006

RAPIDINHAS...

...pra tirar as teias de aranha.


1 - Como pode alguém fazer um laudo psiquiátrico afirmando ser recuperável um sujeito que faz sexo com o cadáver da pessoa que acabou de matar?

2 - Alguém realmente achava que na terra da máfia não haveria virada de mesa no futebol?

3 - Se vai dar certo eu não sei, mas que as entrevistas do Dunga serão bem melhores que as do Parreira, sem dúvida.

4 - Por que nenhum dos candidatos à Presidência fala em corte de impostos no País dos Impostos?

5 - Por que o condenável, detestável e abominável genocídio comandado por Israel repercute mais do que o genocídio nosso de cada dia, em que brasileiros matam brasileiros por um copo de pinga, um cigarro de maconha, um time de futebo, um olhar torto?

6 - Por que quase sempre que um jogador é convocado para a Seleção Brasileira ele é vendido pra Europa logo depois e, em muitos casos, nunca mais volta pra Seleção?

terça-feira, julho 11, 2006

DE REPENTE


De repente, um momento banal, um dia qualquer, numa hora perdida, banhada por um raio de sol, um sopro de vento. Num instante desses a gente se sente vivo, feliz, parte de alguma coisa importante.
Uma madrugada recente, dia frio, a Clara e o Rafael pularam para a minha cama e a da Isa. Eu estava com uma mão entrelaçada à da Isa. A Clara segurava a outra, e o Rafa virou pra mim e balbuciou "papai", sorrindo. Virou para o lado e dormiu.
Eu sou feliz. Muito obrigado por esse momento!

terça-feira, julho 04, 2006

QUAL SERÁ A NOVA SELEÇÃO?


Felizmente, o tempo se encarregará de cobrir com a poeira do esquecimento a lamentável Seleção Brasileira de 2006. No futuro, um parágrafo de duas linhas bastará para definir o que - não - foi esse time.
Agora, e o futuro? Há muito tempo eu defendo a tese de que o futebol que se joga no Brasil é, na pior da hipóteses, igual ao que se pratica nos mais badalados campeonatos europeus. O problema é que os gurus da superioridade européía se baseiam apenas em Barça x Real e Milan x Juventus pra analisar a bola jogada na Espanha e na Itália. Cada um na sua, mas acho que um bom jogo do Brasileirão ainda é mais programa.
Com base nisso, cabe perguntar? Por que a Seleção Brasileira não pode ter mais jogadores que atuam no Brasil? Emerson e Gilberto Silva são muito melhores que Mineiro? Nilmar, Vágner do Cruzeiro e Rafael Sóbis ficam devendo a Fred e Adriano?
A mescla talvez produza um time mais com os pés no chão do que esse bando de celebridades prepotentes e descompromissadas que desfilou pela Alemanha até ser varrido do mapa por Zidane.
Claro que a Europa continuará sendo o destino da maioria dos bons jogadores brasileiros. De bobos, eles não têm nada. Você também não teria. Quem não quer ganhar 5 vezes mais, treinar menos, viver sem preocupação com PCCs e afins?
Mas o fato é que a Seleção que vimos nesta Copa foi brasileira apenas no uniforme que vestiu. Faltaram conexões com seu país, sua gente, sua cultura e, principalmente, sua história como time de futebol.
Que a renovação comece agora. Mas seja tocada com inteligência e bases sólidas. Para que em 2010, se o Brasil tiver que perder, que seja como Brasil, não disfarçado de emigrante novo-rico.

segunda-feira, junho 26, 2006

Os pênaltis que não vimos


A Copa de 1986 foi a primeira que eu curti como torcedor de verdade. Já maior de idade, tinha aval para ver os jogos onde bem quisesse, com amigos, na balada, sozinho. O ritual daquele ano era reunir a turma a cada jogo do Brasil na casa de um amigo. Assim foi rolando. Àquela época eu já estava na faculdade, mas os amigos eram os de sempre, a turma do colégio Arquidiocesano e os amigos dos tempos de vôlei no Paulistano, Pinheiros e Banespa. Um dos rituais era vermos sempre juntos os jogos eu, Maurão e Capi, um trio que mantinha a amizade desde os tempos de mirim no vôlei do Paulistano.
E assim fomos passando de jogo em jogo até chegar a partida contra a França. O nosso calendário marcava que aquela partida seria acompanhada na casa do Eliseu Labigalini, mais conhecido entre nós como Ganso e hoje um conceituado psiquiatra. Ele morava na Vila Mariana, na descida da Loeffgren rumo à Imigrantes, depois do pontilhão. Casa grande, legal, churrasco programado.
Tudo ia bem até chegarem os pênaltis. O perdido pelo Zico e a decisão propriamente dita. Decidimos, eu, Maurão e Capi que não dava pra ver, tamanho o nervosismo. Fomos pro carro do Maurão, um possante Dodge Polara, e ficamos dando voltas pelas ruas da vizinhança, ouvindo algumas fitas (naquele tempo o CD era um feto). Uma esquina aqui, outra ali, calculamos que tudo já deveria ter acabado. Não ouvíamos rojões, porque decidimos fechar as portas e colocar a música bem alto. Após uma das curvas, entramos numa rua pequena, estreita. E eis que sai de uma casa simples, pintada de verde, uma linda garotinha de uns 7, 8 anos. Ela chora, o que basta para desligarmos o som, abrirmos as janelas e decidirmos comer alguma coisa para driblar a fossa de outra Copa perdida. Era a sina daquela geração. Ouvíamos falar de 70, da festa, víamos os gols, mas nada de comemorar uma Copa. Já eram 16 anos de fila. Ainda deu tempo de ver o pai da linda garotinha buscá-la na porta de casa, também com lágrimas nos olhos, e levá-la de volta à realidade.
Sorte teve aquela menina que chorava na tarde ensolarada de um dia de inverno de 1986 na Vila Mariana. Com 15, 16 anos, ela pôde comemorar o tetra em 94, certamente entre amigos e família, com muita festa.
Aquele trio de amigos, que ainda é amigo até hoje, não teve essa chance. Em 1994 cada um viu a Copa na sua casa, assim como em 2002. Mas até hoje lembramos de 1986 e do choro daquela criança amparado pelo pai.
Torço para que a geração que tem hoje de 8 a 15 anos possa comemorar o hexa. Ser campeão mundial como criança ou adolescente deve ser o máximo.
Um pouco dessa frustração eu tirei com a minha filha Clara.Em 2002, com um aninho, tirei uma foto dela com a imagem da TV ao fundo, mostrando o Cafu erguendo a taça. Gostaria de ter a certeza de fazer o mesmo agora com o Rafael, que tem um ano e meio, mas não consigo ter tanta fé.

domingo, junho 18, 2006

LIXO

Acabou o primeiro tempo de Brasil x Austrália. Coisa chata, feia, um lixo de jogo.
Até agora, um jogo e meio, e o time do Parreira não mostrou nada. E o Parreira se define um montador de equipes.
Tá todo mundo devendo.
Pra não dizerem que falei depois, eu tirava 3 e colocava 3. Sairiam Ronaldo, Adriano e Roberto Carlos. Entrariam Juninho Pernambucano, Robinho e Fred, com o Zé Roberto indo pra lateral esquerda.

sexta-feira, junho 09, 2006

A IMAGEM É TUDO....MENTIRA

Não existe nada que me deixe mais puto que a imagem que se vende do Brasil durante a Copa do Mundo. Um país de idiotas que só pensam em duas coisas: jogar futebol e fazer uma batucada em volta de mulheres rebolando seminuas.
As fotos e imagens estão aí, correndo o mundo, inundando páginas e minutos preciosos de noticiários de TV. Depois não querem que o Brasil seja uma das capitais do turismo sexual.
Eu fico indignado. Além da Seleção de futebol, um outro time de compatriotas invadiu a Suíça e agora toma de assalto a Alemanha. É a Seleção de Brunas Surfistinhas. Outro produto em que somos imbatíveis em termos de exportação, as profissionais do sexo. As profissionais assumidas e aquelas que se disfarçam sob a pele de outras atividades mas que no fundo, no fundo, são parceiras da Bruna.
Eu gosto de samba, adoro futebol, mas gosto mesmo é do Brasil, de ser brasileiro.
E me dá nojo saber que essas imagens difundem a idéia de que nessa terra todo mundo dá. Seja um jeitinho ou outras coisas. Principalmente sabendo das mulheres lindas e maravilhosas que temos aqui, sejam elas modelos, loiras, mulatas, peitudas, bundudas ou não. Mulheres de fibra, caráter, trabalho duro, mães de família, professoras, executivas, gente que trabalha pesado, batalha, pra depois ser jogada na vala comum de decotes e barrigas de fora.
O Brasil é muito mais que isso. E as brasileiras, então, nem se fale.

sexta-feira, junho 02, 2006

TIROS EM BARIRI


A Copa de 94 foi um pesadelo para mim. Primeiro, por que eu deveria estar lá, nos EUA, e só não fui por que meu chefe à época, no Diário Popular, preferiu atender aos interesses comerciais dele e enviou seu sócio. Segundo, por que trabalhei feito um mouro, sem ver a luz do dia, trancafiado numa redação dividida e sem um pingo de humor. Fora isso, a Copa foi um lixo tecnicamente e morreu pra mim com o doping do Maradona.
Tínhamos uma escala de folga que era escravocrata e a minha apontava justamente o dia da final como o homem que faz o meio de um ataque de três dias parado. Nem pensei duas vezes e dei de ombros para o apelo do chefe que ficou no Brasil para ajudar na cobertura da decisão: peguei minhas coisas e fugi para a laboriosa e hospitaleira Bariri, região central do Estado de São Paulo, terra das minhas raízes pelo lado materno.
Dormi o que pude, proseei com os amigos das antigas e, após um churrasco, me preparei para ver a final entre Brasil e Itália. A família se divide entre duas casas quando reunida em Bariri. A da minha avó e, ao lado, a dos meus pais, ambas unidas por um quintal comum. Ficou todo mundo na casa da minha avó e eu fui pra dos meus pais, pra ver o jogo sozinho. Joguinho chato, cochilei algumas vezes, mas eis que chegamos aos pênaltis. Quando o Baggio chutou na Lua, saí gritando feito um louco: “Fora! Fora! Brasil! Chupa, Baggio, Chupa, Baresi!” e fui correndo pro quintal. Ainda no corredor, ouço dois estrondos: PAM, PAM, seguidos de um eco impressionante. Chego ao quintal e vejo meu tio e padrinho Zeca Galizia com dois revólveres prateados à mão, voltados pra cima, descarregando os tambores, sorrindo de alegria e gritando é campeão!
Pergunto, assustado, se estava tudo bem. Ele responde: “claro! Não tinha mais rojão na cidade... Brasil, Brasil!, PAM, PAM”. E tome mais tiros no fim de tarde gelado de 17 de julho de 1994 em Bariri.

terça-feira, maio 30, 2006

ENQUANTO A COPA NÃO CHEGA


Não tem nada pior do que o vazio que antecede ao início de um grande evento. Talvez o silêncio que precede o esporro, que é o nome de um disco que é do Rappa, eu acho, porque nunca ouvi. Esses dias antes de a bola rolar na Copa do Mundo são muito chatos.
Some-se a isso uma Seleção Brasileira que tem grandes jogadores, mas em termos de personagens é muito pobre. São quase todos meninos ricos, bonzinhos, brincalhões, mas dos quais dificilmente se consegue uma boa declaração, um ponto de vista interessante, algo que acrescente, falando da Copa, do mundo. E tome transmissão de roda debobinho, aquecimento...
Não que seja o caso de cobrar posicionamentos e posturas dos jogadores de futebol. Mas sempre havia alguém que pensava em algo mais, que se incomodava com o Brasil, com o mundo. Pra um futebol que se consagrou na base da inventividade, essa Seleção me parece mecânica demais em tudo. Bom, em quase tudo. Quando a bola passa pelos pés do Kaká pra frente, tudo fica muito melhor, mais solto.
Por enquanto, me chama atenção apenas o período de preparação do Ronaldo, o Fenômeno. Tranquilo, na dele, metendo gol em todos os treinos, meio distante da badalação e do deslumbramento que cercam o xará Gaúcho. E, mesmo que o Ronaldinho cabeludo seja um jogador genial, lembremos que quem costuma decidir é o careca. Então, felizmente, olho nele.
Outra coisa que já encheu: as teorias do 13 do Zagallo. Tenho o maior respeito pelo cara. Acho que a Seleção dele em 1970 é modelo tático do futebol que se joga hoje, 36 anos depois. Mas o papinho, o conteúdo, o discurso, já envelheceram. E mal.
Agora, o pior de tudo desse período chato do pré-Copa é a trilha sonora. Haja saco pra aturar axé, rodinha de samba mal tocado, jingle de rádio, trilha de TV. A falta de criatividade é tamanha que uma rádio de São Paulo conseguiu a proeza de encaixar no verso a fantástica frase "olha nóis na fita". Quem seria o gênio?

sexta-feira, maio 12, 2006

O ESTADISTA


Eis que a cobra morde o próprio rabo aqui nos cafundós da esquerda populista e retrógrada sul-americana. Bajulador de ditadores populistas, o presidente do Brasil crava em sua já manchada biografia recente o rótulo de estadista desastrado.
Veio Evo Morales e pisou no Brasil com grande categoria. O Brasil que bajulou e sempre ajudou a Bolívia, falando em termos recentes, não me venham com histórias da anexação do Acre. Ou será que não fazemos vista grossa aos milhares de bolivianos que vivem aqui clandestinamente, irmãos latino-americanos que fogem da miséria de lá pra lutar contra a miséria de cá? Ou a Petrobrás não gastou os tubos para construir o gasoduto e dar à Bolívia um caminho para exportar a sua única riqueza natural e, praticamente, existir economicamente.
Eis que o projeto de estadista em que se transformou o presidente que nada vê, nada sabe, assiste a uma sova política internacional e não se manifesta. O País é chamado de contrabandista e caloteiro, e o estadista cala. Por quê? Já que agora ficou claro que o apoio ao líder cocalero nas eleições foi retribuído com essa punhalada pelas costas.
E agora de que vale apoiar outro tirano retrógrado como Hugo Chávez, que tem ligações políticas mais que evidentes com o partido situacionista brasileiro e fechou questão com a Bolívia contra o Brasil. Justo o Brasil que segurou a barra da Venezuela quando os ianques ameaçaram sair no braço?
Em resumo: o presidente que nada sabe, nada vê, é o estadista que sonhava com a liderança do Terceiro Mundo e acaba tomando uma sova do quinto. E pra gente sobra aturar esse inferno.

quarta-feira, maio 03, 2006

ELE PODE SER MELHOR QUE PELÉ


Nada de polêmica gratuita. É opinião sincera, de quem ama o futebol e vive o futebol. Ronaldinho Gaúcho pode alcançar o que parecia impossível: ser melhor que Pelé, o Rei do futebol.
Como também pode ficar pelo caminho. Mas não me lembro de ter visto, depois que o Rei parou, nenhum jogador que reunisse tantas qualidades e se mostrasse um candidato tão forte ao trono do futebol.
Ronaldinho ainda é jovem, tem muito que evoluir. Parece ter uma personalidade como a de Pelé: o tipo do sujeito que tem tudo para ser mascarado mas não é, que preserva alguns valores de simplicidade que sua condição de estrela teria tudo para evaporar e que tem uma constituição física privilegiada.
Mas o que mais impressiona é a capacidade que Ronaldinho Gaúcho tem de se divertir no trabalho, mesmo levando tudo muito a sério. O cara joga sorrindo. E não tem nada que ver com a arcada dentária, é sorriso mesmo.
O irmão do Assis é forte, tem boa estatura, corre muito com e sem a bola, dribla melhor e é mais habilidoso que o Rei. Pelé tinha força, estatura, corria muito com e sem a bola, driblava com incomparável habilidade, chutava bem tanto de esquerda como de direita, era mortal no cabeceio e, acreditem, sabia marcar, ainda que não precisasse. Fora isso, o Rei do futebol fazia a leitura do jogo como ninguém. Seu cérebro processava as informações do adversário, do campo, da bola, do clima, de maneira até hoje incomparável.
Eu não acho que Ronaldinho será melhor que Pelé. Mas que ele pode ser, não tenho dúvidas. Talvez o que o ajude nesse caminho é o fato de jamais ter reivindicado a coroa e, no íntimo, talvez nem dar bola pra isso. Ele está mais preocupado em brincar de ser o melhor jogador de futbol do mundo.

sábado, abril 22, 2006

TELÊ


A palavra mestre anda sendo utilizada ao acaso. Muito mais para bajulação que para reconhecimento. Fulano de tal é mestre, mestre fulano de tal. Afinal, brasileiro adora uma bajulação.
Tive a sorte de conviver com Telê Santana no período em que ele treinou o São Paulo. Fui repórter setorista do clube durante muito tempo e passei muitas manhãs (Telê adorava dar treino de manhã) vendo seu trabalho.
Era uma época em que a cobertura esportiva nos jornais andava em baixa. Quase ninguém ia aos treinos de sábado, os jornais eram fechados na véspera. Eu trabalhava no Diário Popular que, à época, era o único jornal que acompanhava as "sabatinas" de Telê.
Seu trabalho era simples, nada de treinos mágicos ou técnicas chamadas de revolucionárias. Telê adorava coletivos. E nesses treinamentos que imitam jogos, ia corrigindo tudo que podia. Um passe errado aqui, uma falta desnecessária ali, um posicionamento equivocado acolá. E tome bronca, uma atrás da outra.
Certo dia, Aílton, um meia que teve carreira razoável, corria pela lateral do campo, cansado de uma bronca atrás da outra, e disparou aos repórteres que ali estavam: - Que velho chato!
E Telê era mesmo chato no trabalho. Mas justo, honesto e respeitado.
Uma outra vez, o atacante Macedo, meio maluco, chega para o treino da manhã com um cabelo rastafári, que chamou a atenção de todos. Já no treino da tarde, o cabelo era passado. Ordem de Telê.
Mas o que mais me marcou nesse período foram duas características de Telê: adorava conversar com os repórteres de mídia impressa após os treinos e sentia prazer especial em criticar árbitros e cartolas. Não gostava de microfone e dava bronca em repórter que chegava atrasado aos treinos.
Matreiro, quando seu time era favorecido pela arbitragem, fingia que não era com ele, que não tinha visto o lance. Como qualquer um de nós. Isso o fazia, pelo menos para mim, ainda mais humano, longe da aura de perfeição que nenhum de nós, humanos, carrega.
Mas lembro especialmente de uma conversa, numa distante noite de abril 1993, em Rosário, Argentina. O São Paulo enfrentaria o Newell´s Old Boys no dia seguinte, e vejo Telê, solitário, sentado no bar do hotel, um copo de uísque a acompanhá-lo. Identifico um bom amigo por perto, Valdir Joaquim de Morais, companheirão de Telê, e pergunto se posso me juntar a eles. Telê diz que não dará entrevista. Respondo que só quero conversar. Sobre futebol e não sobre o do São Paulo, o do próximo jogo. Ele abre um sorriso e autoriza minha presença. Foram algumas horas de uma aula de futebol, de história, de lembranças de grandes jogadores e amigos dele e do Valdir, de "causos" curiosos e engraçados.
Outra lembrança foi de um dia qualquer em 1996. Ele se apresentava ao Palmeiras, como diretor técnico. Mas já era outro Telê. Olhar perdido, passos lentos e claudicantes, voz embargada. Sou capaz de apostar que ele não sabia onde estava e o que fazia. Foi amparado por Cafu, que o apresentou a todos os jogadores, um por um.
Naquele dia começava a aposentadoria de um verdadeiro e autêntico mestre.
Na última sexta-feira, faleceu um pai de família, irmão, avô e brasileiro sério, correto e honesto. Só isso já serviria para chamá-lo de mestre. Mas ele fez muito mais.

quarta-feira, abril 12, 2006

BRASILEIRÃ0 2006


Vem aí o Campeonato Brasileiro de 2006. E, acredito, vem aí o Brasileiro que tem tudo para ser o mais estranho e um dos mais disputados da história. Mais estranho por quê? Porque será um torneio disputado entre 20 clubes, em pontos corridos, turno e returno - até aí tudo normal, cara-pálida - mas com um porém: haverá uma Copa do Mundo entre a primeira e a segunda metades do primeiro turno.
Serão dez jogos e, depois, uma parada de um mês para a Copa. No retorno, tudo pode mudar. Façamos um pequeno exercício de imaginação. Nenhuma viagem, mas algumas possibilidades bastante plausíveis. Se a Argentina fizer uma grande Copa, será que Tevez continuará no Corinthians? E o que será do Corinthians sem o Tevez?
Quem garante que após a Copa, se o Parreira sair da Seleção, o Luxemburgo não estará em seu lugar? E o que será do Santos sem o Luxemburgo?
Depois do Mundial, que acontecerá com os jogadores que atuam no País que estarão com a Seleção na Alemanha? Ou será que muitos dos "veteranos" em Europa não gostariam de voltar a jogar no Brasil antes de encerrar a carreira?
Será que Leão terá paciência de aguentar o Palmeiras sem reforços depois de dez rodadas e uma parada para a Copa? E o que será do Palmeiras sem Leão?
Isso sem falar no São Paulo, em sua campanha na Libertadores, e também em Inter, Goiás, Corinthians e Palmeiras, que também disputam a competição continental.
Será que os clubes grandes do Rio, que mostraram preocupante fragilidade no campeonato estaudal, terão fôlego para suportar uma disputa de 20 clubes em que 4 serão rebaixados?
Vou me arriscar e farei algumas análises prévias. Nada que seja parecido com previsão.
Vejo o São Paulo como o melhor time brasileiro do momento. Depois, no mesmo nível, estão Cruzeiro, Corinthians, Internacional e Santos. Aí vem um pelotão intermediário que tem Goiás, Palmeiras, Fluminense e Grêmio. Esses quatro podem surpreender se os outros cinco marcarem bobeira. Sobram 11 times que estão no mesmo nível. Desses 11 4 devem cair.
A briga pelo título, teoricamente, ficará entre esses 9 times dos três primeiros pelotões. Assim como a disputa pelas vagas na Libertadores.
Mas depois de dez rodadas e uma Copa do Mundo, muita coisa pode mudar.
Só sei que vai valer a pena ficar ligado.
Continuo achando que o Brasileirão é o melhor campeonato de futebol do mundo.

terça-feira, abril 04, 2006


MÚSICA - BOA- COM
PAIXÃO E COMPETÊNCIA



Vou indicar um disco, coisa sempre complicada. Quando é de uma banda vista com preconceito e enquadrada em certo tipo de música, fica pior. Mas vou correr o risco.
O disco se chama Marbles e a banda, Marillion. Quem quiser arriscar tem de optar por lojas que tenham o CD - que é duplo - importado ou então o site oficial da banda.
Estou ouvindo aos poucos, como quem descobre um novo vinho. É um disco de uma banda que ainda faz música com paixão - e competência.
Quem arriscar, preste atenção em músicas como Fantastic Place, You're Gone, Angelina e Ocean Cloud provam que ainda é possível se fazer música de qualidade sem que os músicos tentem se enquadrar em estereótipos ou modismos.

segunda-feira, março 20, 2006

NOVA ESTAÇÃO

Não sei por que, mas gosto do outono. Talvez seja pela luz dos sol. A tonalidade muda um pouco. Nos fins de tarde fica mais pálida, algo melancólica.
Pena que em São Paulo o outono esteja perdendo a cara de....outono. Por culpa da poluição, talvez. Ou do desmatamento. Os verões agora invadem o outono e, por vezes, resolvem, de surpresa, visitar o inverno.
E, quem sabe, este outono mande pra bem longe a maior praga do verão que se acaba: os pernilongos. Foi uma guerra lá em casa e sinto dizer que perdemos. Matamos dezenas, acho até que centenas deles. Mas no final, desistimos. Brindaram ao nosso sangue noite após noite.

segunda-feira, março 13, 2006

TÔ FAZENDO ATÉ PROMESSA.....



Music news
Genesis eye comeback
Genesis are set to reform to record a new album and go on tour, according to reports.
Peter Gabriel and Phil Collins are reportedly planning to make the announcement at a press conference on Tuesday in Los Angeles.
Gabriel left Genesis in 1976 and has since had a successful solo career.
Genesis' last studio album, 'Calling All Stations', was released in September 1997, reaching number two in the album chart.
A new album from a reformed Genesis would surely prove a hit with the band's legion of fans.

quinta-feira, março 09, 2006

VOTO NULO É UTILIDADE PÚBLICA


1 minuto de sua atenção, pode salvar 4 anos de Brasil, incluindo seus pais, seus filhos e seus avós...
Como eliminar 90% dos políticos corruptos em uma única vez??? Isso mesmo,em uma única vez...
Preste muita atenção:::
Você sabe pra que serve o VOTO NULO ???
Então, eu vou te dar um exemplo: Imagine uma eleição qualquer onde os candidatos sejam: Paulo Maluf, José Dirceu, Marcos Valério, Delubio Soares, Roberto Jefferson... (uuuuaaaaauuuuuu...)
Entre outros...
Campanha vai e campanha vem, você se acha na obrigação de escolher uma dessas figuras (o tal do "menos pior" ), e com isso acaba afundando com seu país... Mas ai você me diz: "Nesse caso, não temos saída"... Engano seu...
VOCÊ SABIA QUE SE UMA ELEIÇÃO FOR GANHA POR "VOTOS NULOS" É OBRIGADO HAVER UMA NOVA ELEIÇÃO COM CANDIDATOS DIFERENTES DAQUELES QUE PARTICIPARAM DA PRIMEIRA?
Ainda não entendeu??? Se no exemplo de eleição acima você e todo mundo votasse nulo seria obrigado haver uma nova eleição e esses pilantras não poderiam concorrer ao mesmo cargo político por pelo menos mais 4 anos...

quarta-feira, março 08, 2006

CRÍTICO OU FÃ DISFARÇADO ?

Acho que crítica de música é uma atividade meio sem sentido. Por que música é muito gosto, meio intangível. Ou você gosta ou não gosta. Existem músicos fracos que criam belas melodias, e outros com grande formação que não conseguem compor grandes canções. Então, a crítica fica quase sempre subjetivo.
Agora, o que me irrita é quando a crítica tenta empurrar alguma coisa. Quando o sujeito acha um disco ou banda do cacete e quer vender a idéia de que só por que ele acha todo mundo tem que achar também. Aí não é crítica, é fã travestido.
Pois aí vem o Oasis, uma banda que não me diz nada, da qual eu não gosto, mas que tem algumas (poucas) boas músicas. E chovem linhas e linhas de críticas tentando, de alguma maneira, vender o Oasis como uma superbanda. Existem alguns truques nesses textos. Como dizer que "todos os 14.600 ingressos foram vendidos". Se é uma banda da qual o carinha não gosta, ele escreveria que "apenas 14.600 ingressos foram vendidos". Principalmente se formos comparar com o U2, com os Stones e até mesmo com bandas fajutas como aqueles RBD que deram confusão outro dia num shopping. O que eu acho é que quando o crítico gosta da banda, ele acha um absurdo que alguém não goste e que a banda não faça sucesso.
Há algum tempo, li uma crítica sobre o Cure, banda que acho legal. O cara dizia que eles estavam comemorando o sucesso de vendas: 700 mil. No mesmo jornal, tinha uma nota sobre o Phil Collins, de quem sou fã declarado, dizendo que o último disco dele tinha sido um fracasso de vendas. Sabe quanto vendeu? 5 milhões.
O problema com o jornalismo de música popular no Brasil é que falta senso e critério, eu acho. No que se refere ao pop/rock, os caras chupam tudo que se escreve em Londres ou em Nova Iorque. Faz quase 15 anos que tentam emplacar o Oasis como superbanda e aqui não faz eco. Tem um público mais pra cult que pra sucesso. E quando falamos em música brasileira, aí só vale medalhão da MPB ou novos queridinhos como Seu Jorge.
Aí eu pergunto, quantas linhas você já leu sobrea o tal do Calypso, que eu acho horrível, mas que é o maior fenômeno recente da música popular brasileira? Não interessa se é bom ou ruim, mas é um fenômeno, o povo gosta, por que não informar sobre isso?
Em compensação, meia dúzia de críticos leu em algum jornal londrino que Franz Ferdinand e Artic Monkeys são os novos revolucionários do rock. E resolveram republicar tudo por aqui. E não faz eco. Fica aquele clubinho. Acho que crítico de música escreve pra outros críticos de música.
Mas respeito alguns, entre eles Fabian Chacur, um dos poucos críticos músicais que conheci que parte de uma premissa que acredito ser fundamental: não tem preconceito. É capaz de elogiar um disco de uma banda que ele não gosta. Como um jornalista esportivo corintiano fanático é capaz de escrever que o Palmeiras ganhou merecidamente do time dele.
Ah, não serei um dos 14,600 (nossa, que multidão!) que verá o Oasis em São Paulo.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

VOU ANULAR

Tomei essa decisão já faz algum tempo. Vagabundo nenhum terá mais o meu voto. Dqui pra frente, exerço o meu direito de cidadão de não optar por a, nem b e, sim, não votar em ninguém. Primeiro por que sou obrigado a votar e que diabo de democracia é essa que me obriga a fazer algo? Segundo por que a política brasileira é um lixão.
Já votei no PT e no PSDB e quebrei a cara em ambos. E o que se apresenta agora: a mesma dúvida. Votar na turma do FHC, que empurrou o País para quatro anos de atraso só para garantir a reeleição, ou na turma do Lula, que deixaria Al Capone corado.
O mais ridículo são os argumentos dos petistas radicais, querendo justificar ou esconder o óbvio. Roubaram e muito, e ponto final. E tem gente que contra-argumenta assim: mas os outros também roubaram. O meu voto essa corja não leva mais.
A NOSSA CASA

Um dos assuntos que me fazem comprar uma revista numa banca ou parar de trocar de canal a toda hora na TV é ecologia. Passo longe de ser o que se chama de ecochato, mas, sinceramente, me preocupa o futuro do planeta, a nossa casa.
Parece-me que o senso comum é de que quem alerta para o perigo do aquecimento global, do derretimento das calotas polares, do efeito estufa são histéricos que pretendem apenas atrapalhar a marcha do progresso. Será mesmo?
A mim incomoda o fato de andar pra cima e pra baixo na cidade de São Paulo e não ver um rio limpo. Ou, quando vou ao Rio, ver o que fizeram com a bela e romântica baía da Guanabara ou a Lagoa Rodrigo de Freitas. Ou até mesmo ver os idiotas que jogam baganas de cigarro e latas de cerveja pelas janelas dos carros em ruas e estradas.
O Brasil, ainda assim, é um oásis em termos de natureza. Mas até quando ainda teremos rios limpos, praias limpas, florestas intactas?
O que me incomoda é que ninguém parece se incomodar muito com o tema. Espero que não seja tarde demais.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

OS FANÁTICOS

Tabalho com esporte, na maior parte do tempo com futebol, então é natural que esteja em contato com o fanatismo, de uma forma ou de outra.
Perambular por estádios do Brasil oferece uma rara oportunidade de analisar os torcedores e suas paixões, seus comportamentos.
No Norte e no Nordeste acho que ainda vemos uma paixão genuína e menos virulenta. É divertido ver um jogo em Belém ou Recife, Fortaleza. Na Bahia, antes da era de terceira divisão, era comum ver torcedores de Bahia e Vitória juntos em um clássico.
Triste é constatar que quanto maior o time, menor a compaixão. Nos grandes centros já não se torce, se odeia, se provoca. Se mata.
Imagino o que seja essa provocação elevada a enésima potência que nos deixe hoje à beira de um conflito religioso sem proporções.
Por isso que não entendo como os fanáticos possam ter dominado duas coisas tão belas como o esporte e a religião.
Quem sabe no futuro as coisas melhorem.

sábado, janeiro 21, 2006

O CORDÃO AUMENTA CADA VEZ MAIS


Li no excelente blog do mais que excelente Jota Jr. um tópico sobre os puxa-sacos. Incrível como cresce e se multiplica essa raça. São cada vez mais profissionais e treinados na arte de grudar as mãos nas genitálias dos chefes e poderosos.
Dá asco, nojo, tudo mais.
Tem gente que dedica a vida a bajular poderosos e, com isso, disfarçar sua incapacidade e falta de moral. O chefe ou poderoso pode ser um crápula, uma merda, um bosta, mas a qualquer hora do dia o puxa-saco está a postos, sacando um elogio inimaginável, puxando uma cadeira, soltando uma risadinha escrota após uma piada idem.
No Brasil, o cordão, como cita a marchinha carnavalesca, cada vez aumenta mais.
Lamentável.

sábado, janeiro 14, 2006

SÃO PAULO ERA ASSIM. ACREDITEM!

O Jornal da Tarde está com uma bela série, na última página do primeiro caderno, trazendo paulistanos que falam sobre seu amor pela cidade de São Paulo. Alguns paulistanos por adoção, imagino. Sou paulista, caipira, com muito orgulho, da cidade de Jaú. Baririense de coração. Mas morei a vida toda em São Paulo. E me chama atenção a coincidência de alguns depoimentos nessa série do JT. Todos os entrevistados lembram com saudade do tempo em que se podia caminhar em paz, à noite, pela ruas da metrópole.
Tive a sorte de compartilhar dessa época. Estou com 38 e até os meus 18, pelo menos, ou seja, há 20 anos, essa cidade era uma ilha de tranquilidade comparando-se com o que temos hoje. Primeiro, dava pra jogar bola na rua, imaginem! Morei grande parte da vida no bairro do Paraíso e era comum a molecada ficar conversando na rua, em frente às casas e prédios, até altas horas nas noites quentes de verão.
Saíamos em bando, não para saquear ou pilhar, mas para andar pela cidade, procurar uma lanchonete, um fliperama (moda naqueles tempos pré-Internet). E voltávamos tranquilos. Quando muito tinha um trombadinha, mas era raro. Dava para andar a Paulista todinha, ida e volta, sem medo de ser feliz.
Nas noites de Natal e Ano Novo, quando não chovia, as pessoas confraternizavam na rua. Em algumas ruas a festa era no asfalto mesmo, cheia de improvisos, todo mundo junto.
Eu ia de ônibus ou metrô para a escola nos tempos de colegial, no Arqui. De ônibus, pegava o Divisa Diadema, ali na Rafael de Barros, e descia em frente ao colégio. Sempre que atrasava, e não era pouco, o motorista dava uma parada um quarteirão abaixo do ponto e esperava. Imagine hoje? Eu e ele seríamos linchados.
Havia casas sem grades, ruas sem seguranças, enfim, era uma cidade mais humana. E isso logo ali atrás, apenas 20 anos. Hoje vivemos com medo, vizinhos entram nos elevadores e abaixam as cabeças, com medo de um bom dia. As ruas ficam desertas às vezes antes do anoitecer, o pavor se impôs sobre a cordialidade.
Pra fechar, lembro de um show histórico, pros idos de 1984. Virou Brasil, no Anhembi. Época das Diretas, Já! Fomos eu e dois grandes amigos, Ton e Rago. Showzão. Beto Guedes no auge, 14 Bis, Sá e Guarabira e Renato Teixeira. Acabou tarde, metrô parado e não passavam ônibus. Não tivemos dúvidas: voltamos a pé, e em perfeita segurança, do Anhembi até a Vila Mariana, casa do Ton. Bons tempos.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

EM 2006 EU QUERO.....


....que todas as pessoas que eu conheço, as que eu conheci e as que eu vou conhecer sejam felizes.
....ficar mais tempo em casa com a Isabel, a Clara e o Rafael (que no dia desse post faz 1 ano).
....realizar o sonho de construirmos nossa nova casa.
....trabalhar muito mais e melhor do que em 2005.
....que não aconteça nenhuma onda assassina como a da Ásia.
....que o papa pare de falar bobagem e ponha os cristãos católicos no rumo da modernidade.
....que as religiões sejam menos religiosas e mais espirituais.
....ver quantos escândalos forem precisos pra gente limpar o Congresso.
....ver menos crianças nas ruas.
....mais paz e tolerância nas pessoas.
....mais gols e menos brigas no futebol.
....ir para Bariri.
....passar pelo menos uma semana na praia.
....fazer decolar de vez o projeto do meu livro.
....namorar muito a minha mulher.
....babar muito nos meus filhos.
....ampliar minha atuação profissional.
....ver um grande show de pop/rock (ah, se fosse o Genesis...)
....poder estar com os amigos de sempre e com os que vejo pouco.
....ver a descoberta para a cura de várias doenças.
....em resumo....
quero que nós todos sejamos felizes e vivamos em paz.

FELIZ 2006 PRA TODOS NÓS.

quarta-feira, dezembro 21, 2005


O MOZART DO POP/ROCK


8 de dezembro de 2005 marcou os 20 anos da trágica morte de John Lennon, levando com ele para a eternidade o sonhos dos Beatles. John foi um genial compositor, uma alma inquieta e um mito do cenário pop/rock.
Mas lembrando Lennon me veio à mente o gênio de Paul McCartney. A saudade de Lennon faz muita gente minimizar a qualidade da obra do velho Macca. Não leio música, não estudei, mas sou fã, não vivo sem. E tenho a impressão que McCartney é capaz de transformar em melodia uma receita de médico. Ou um atestado de óbito.
Esse cara tem o dom raro de fazer música pop de grande qualidade, de criar melodias inesquecíveis, daquelas que ficam e não apenas grudam em nossos ouvidos.
Hoje vinha dirigindo e ouvindo No More Lonely Nights. Quem fizer o mesmo vai perceber que Macca é o Mozart da música pop.

quarta-feira, dezembro 14, 2005


EMOÇÕES

5 de dezembro de 2005. A foto registra um momento mágico para mim e para minha família. No mesmo dia em que recebi o prêmio Ford/Aceesp como melhor comentarista de TV, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo fez uma - justíssima - homenagem ao meu pai, Luiz Noriega. E tive a honra de entregar o prêmio a ele.
Registro na foto à esquerda.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

BENGALADA NELES!

Quem sabe se todo mundo der a sua bengalada eles não criam vergonha na cara!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Lista de shows que eu ainda quero ver. E outros que nunca vou ver


Adoro música, adoro shows de música. Pop, rock, música brasileira. Ainda não vi um show de um grande nome do jazz, mas já vi bons shows de músicos anônimos de jazz. Faço uma pequena lista do que ainda quero ver ao vivo um dia. Pela ordem de preferência, claro.

Alguns ainda possíveis

Genesis (qualquer formação que inclua o Phil Collins)
Phil Collins solo
The Who
The Police
Fito Paez
Ricardo Arjona
Marisa Monte
Leoni
Roberto Carlos (vi mas faz muito tempo)
Zeca Pagodinho
Spyro Gira
Pink Floyd
Olivia Newton-John

Esses não dá mais

Beatles
Ray Charles
Nat King Cole
Elis Regina
Miles Davis

sexta-feira, novembro 18, 2005

Um convite à impunidade


Liderado por uma jovem rica o trio executa com frieza o assassinato de um casal, os pais da moça. Dias depois faz churrasco, uma celebração macabra na cena do crime. Cai por terra a mentira, o crime é confessado, o trio é preso.
Pouco tempo depois, o trio está aí, frequentando as mesmas ruas que nós, desfrutando de prazeres prosaicos como um sorvete, um sanduíche, uma brisa.
Há versões afirmando que até se encontram. Eu imagino quão comovente deve ser a cena, o clímax do sucesso da empreitada covarde e maldosa. Planejaram, executaram e hoje tomam sorvete juntos.
O sujeito que está balançando na vida, tentado pela criminalidade, não precisa mais do que esse "fantástico'' exemplo. Afinal, está tudo ali, claro. Ele pode cometer o crime que vai ficar pouco tempo preso e, logo depois, estará livre para fazer tudo o que faz alguém que sempre andou na linha.
Definitivamente, aqui o crime compensa.
E não me venham com esse papo de que um dia a Justiça tarda mas não falha. Nesse caso ela tardou e já falhou.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Uma bronca no mestre Telê

Menom é um grande amigo e um jornalista diferenciado. Um dos últimos repórteres que dorme e acorda abraçado com a notícia, 24 horas por dia pensando em algo diferente, uma sacada, uma notícia exclusiva.
Além disso, é um dos caras mais engraçados que conheço. Alguém que esbanja ironia mas cultiva uma aura de mal-humorado que conquista mais e mais admiradores.
Direto em respostas e provocações, é daqueles que prefere ser do contra - mesmo que não seja -só para não deixar a discussão terminar.
Coleciona histórias e me permito contar aqui uma delas.
Era o ano de 1994, se não me engano. O São Paulo tinha passado o cetro de rei de futebol brasileiro ao Palmeiras de Wanderley Luxemburgo. Mestre Telê vivia, apesar disso, um momento sereno. Ele adorava jogar conversa fora com os jornalsitas de mídia impressa após os treinos. Não gostava muito de microfones e gravadores.
Certo dia, conversa já no fim, o sol descendo vagaroso numa tarde quente de verão, e mestre Telê vai proseando para uma platéia atenta.
Eis que chega o Menom, passos largos, sorriso de quem vai aprontar alguma disfarçando uma carranca de bravo. Sem cerimônia, dispara:
- Que beleza, hein, seu Telê! Quem vê pensa que o seu time está ganhando de todo mundo!
Silêncio total. Podia-se ouvir a respiração tensa dos colegas, esperando um estouro do Telê.
Mas nada disso. O mestre sempre gostou do Menom, reconhecia nele o grande jornalista que é. E como estava de bem com a vida, retrucou:
- Pois é, agora o time da moda está aí do outro lado, é o do Luxemburgo, referindo-se ao vizinho de muro.

quarta-feira, novembro 09, 2005

A vergonha das
concessionárias de
serviços públicos

Enfrentei alguns problemas com os serviços oferecidos pela Comgás. A conta relativa ao mês de setembro foi aferida em 27 m3 de consumo e R$ 69,78. Abaixo da média que consumimos. A conta referente ao mês de outubro foi aferida com o consumo de 114 m3 e R$ 336,27, valor que considerei absurdo. Entrei em contato com a companhia no dia 23 de outubro. No dia 25 um técnico veio até a minha residência e verificou que não havia problemas de vazamento. Fiquei aguardando um contato prometido pela Comgás, o qual só ocorreu depois de sucessivos telefonemas de minha parte, no início de novembro. Foi-me informado por uam funcionária da empresa que estava sendo feita a verificação pelo departamento competente. No dia 7 de novembro me ofereceram a solução (??) do problema. A Comgás havia errado na leitura do mês de setembro e, por isso, a conta de outubro estava tão alta, para compensar o erro de leitura para menos feito em setembro.
Argumentei que parecia interessante apenas para a empresa que o erro de leitura tivesse ocorrido para baixo. Por quê não poderia ter ocorrido o erro de leitura para mais? Claro que a empresa argumentou que para ela só poderia haver o erro para baixo, em virtude da média de consumo etc.
Aí veio o absurdo maior. A empresa oferece, toda gentil, que eu parcele a diferença em 3 vezes sem juros. Afirma, ainda, que parcelamento maior, apenas cobrando juros. Sensacional!!!!! A Comgás erra e ao reparar seu erro embute possibilidade de cobrança de juros. O que virou essa concessionária de serviços públicos? Um banco? Uma factoring? Para tentar reparar um erro a empresa precisa ganhar dinheiro com juros?
Entendo que, em meu direito, eu poderia escolher o parcelamento em quantas vezes eu entendesse. Afinal, quem cobrou errado, quem foi incompetente, foi a Comgás, que cometeu equívocos desde a leitura até a demora para oferecer uma reparação ou solução ao caso.
Felizmente, cancelei o débito automático da minha conta de gás. Se não o fizesse, a Comgás poderia continuar errando seguidamente na leitura e tungando o consumidor sem que esse tenha direito a defesa própria ou atendimento correto por parte de uma CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇOS PÚBLICOS.
Que pelo menos sirva de alerta para outros consumidores que passarão, com certeza, por problemas como esse.

segunda-feira, novembro 07, 2005


20 ANOS DEPOIS

Essa galera aí ao lado se reuniu em 2 de novembro para celebrar os 20 anos de formatura do teceiro colegial do Colégio Arquidiocesano. Muita gente não se via ou nem se falava desde 1985. Mas a semente foi bem plantada. Em julho fizemos uma primeira reunião, houve uma segunda, uma terceira, e esse almoço reuniu um contingente considerável de pessoas que compartilharam de uma saborosa e inesquecível aventura.
Faltaram muitos, que esperamos reunir na próxima.
Mas o melhor de tudo é saber que duas décadas se passaram, hoje nossos filhos brincam juntos, mas o espírito que transformou aquela turma em algo especial para todos nós está mantido.
Que assim continue!

sexta-feira, novembro 04, 2005

DIEGOOOOOOOOOOOOOO! DIEGOOOOOOOOOOOO!

E lá vai Maradona para mais uma batalha. Dessa vez, contra o presidente da maior potência planetária, um império cuja arrogância e idiotice colocam em perigo a própria sobrevivência da humanidade.
Mas o quê Maradona, um jogador de futebol, um dos melhores, diga-se, tem a ver com isso? Tudo, como qualquer um de nós. Mas ele não abaixa a cabeça e nem o rabo. Muito embora seja um poço de contradições - como todos nós, latino-americanos - e ande de braços dados com um cara que manda matar opositores tal como o Bush, o ex-guerrilheiro e atual ditador Fidel Castro.
Mas Maradona vai à luta, compra brigas, expõe suas opiniões. Brigou como poucos pelos direitos dos jogadores de futebol, tentou fundar um sindicato, mas, para sua tristeza, seus colegas de profissão estão mais interessados em falsas loiras, carrões e pagar dotes valiosos para modeletes casadoiras.
Se aqui no Brasil, terra do maior futebol do mundo, houvesse um jogador com um terço da coragem do Maradona, muita sacanagem envolvendo o Campeonato Brasileiro não teria passado impune.
E lá vai Diego, o maior argentino vivo, trombando de frente contra um dos maiores cretinos vivos.
Eu estou com ele.
Fora, Bush!