sexta-feira, fevereiro 11, 2011


O medo de Roberto Carlos

A entrevista de Roberto Carlos no Diário de S.Paulo retrata uma praga que assola o futebol brasileiro. O jogador do Corinthians relata ameaças que ele e sua família estão sofrendo e praticamente dá adeus ao clube, sinalizando uma negociação com clube do exterior.

Sitiados por um pequeno grupo de torcedores que denigrem o sentido dessa palavra, alguns clubes permitem que seus jogadores e dirigentes sejam alvo de ameaças terroristas como essas.

Há alguns anos, Edílson deixou o Corinthians por causa disso. E, diga-se, acontece em todos os clubes. Pasmem, até em clubes pequenos de cidades pequenas há relatos parecidos.

Pode-se justamente questionar a qualidade do futebol apresentado por Roberto Carlos no Corinthians. Quem contrata um jogador como ele, pelo salário que recebe, não espera um atleta regular, nota 6. Quer um jogador para decidir partidas e campeonatos, o que ele não fez. Mas daí a ameaçá-lo na rua é uma outra história.

Qual o resultado imediato disso? Afugenta o torcedor verdadeiro, da paz, e espanta jogadores que eventualmente tenham sido procurados pelo clube.

Fica a lição para alguns dirigentes de clubes que acham que é a coisa mais normal do mundo o relacionamento com alguns marginais que tomaram de assalto as torcidas outrora uniformizadas.

E Roberto Carlos tem o dever cívico de acionar a polícia e tentar identificar os terroristas que o ameaçam antes de seguir para lugares em que o futebol não representa perigo de vida.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011



Mano tem muito crédito


Não posso levar a sério que alguém já esteja querendo esquentar a chapa de Mano Menezes na Seleção Brasileira.

O treinador tem muito crédito e competência para levar adiante o processo de renovação. Seu desempenho não é nem fantástico, nem horroroso. Amistosos servem para observações, para analisar desempenho.

O Dunga tinha um aproveitamento fantástico em amistosos, ganhava jogos em cima da hora, na bacia das almas, e a Seleção não fez o que dela se esperava, que era, pelo menos, jogar bem na Copa do Mundo. O que interessa agora é montar um time que possa jogar uma boa Copa do Mundo no Brasil, sendo mais fiel ao   estilo de jogo brasileiro e menos antipático. Pelo menos é o que espero como torcedor.

Perder da Argentina é normal, o jogo é sempre muito equilibrado. Da França já somos fregueses preferenciais, estamos estourando no cartão de milhagem, de tanto bônus que recebemos. E ganhar de seleções fracas também está no roteiro.

Mas eu tenho cá minhas perguntas, como qualquer torcedor brasileiro. Lá vão elas:

1) Por que Robinho tem tanta moral na Seleção?

2) Com Ganso e Neymar o time terá a fluência que não teve ontem?

3) O Lúcio não tem bola para ser, ainda, titular absoluto de qualquer time que se forme?

4) Quem da sub-20, tirando o Neymar, entraria direto no time principal?

5) Já se vislumbra uma base?  


quarta-feira, fevereiro 09, 2011



Ódio não será


a sua herança


Reproduzo aqui no blog o texto que abriu minha coluna de terça-feira no Diário de S.Paulo.

São tempos estranhos esses. Tempos em que torcedores um dia choram de alegria com a vitória do seu time, fazem juras de amor eterno, tatuam o distintivo na pele para toda a vida. Dias depois, esses torcedores pulam cedo da cama para destilar ódio contra os mesmos jogadores que eles juravam amar incondicionalmente.

Há um rastro de ódio contaminando o futebol brasileiro. O que era esporte, diversão, gozação sadia, está sendo transformado em sangue, ameaças, violência e radicalismo por um grupo de pessoas que acredita poder mudar o sentido da palavra torcedor.

Corintianos fizeram uma ação de guerrilha contra o ônibus do clube. O time ganhou o clássico contra o Palmeiras e esse grupo, que nem de longe representa o torcedor como um todo, declarou trégua, certamente achando que se impôs pelo terror.

Palmeirenses viram uma bandeira do Corinthians no alto de um prédio residencial e tentaram tomar de assalto o local para capturar o pavilhão inimigo.

Parece difícil de acreditar, mas houve um tempo, há uns 20 e poucos anos, em que palmeirenses e corintianos assistiam a um dérbi misturados em pleno tobogã do Pacaembu e tudo acabava bem, independentemente do resultado.
Vi isso com meus próprios olhos.

Essa gente que se fantasia de torcedor fanático não ama clube algum. Aliás, não amam, não têm essa capacidade. Devotam seu ódio ao que conseguiram desfigurar: organizações que nasceram para celebrar a alegria de torcer juntos por um time de futebol.   

Fazem dirigentes e autoridades como reféns. Expulsam os verdadeiros apaixonados pelo jogo de bola dos estádios.
Nada acontece.

Que as futuras gerações possam recuperar a paixão pelo futebol, pelos clubes, e não façam do ódio sua herança, como vimos nos últimos dias.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011



A Geração do Penta

e o futuro da sub-20


No Arena SporTV desta sexta falamos da geração do penta, do fato de muitos jogadores campeões mundiais em 2002 ainda estarem aí, como ídolos, atrações e em alguns casos como os principais nomes de seus clubes, não apenas no marketing, mas também tecnicamente.

Por uma dessas felizes coincidências da vida, pensamos no programa antes da estreia de Rivaldo pelo São Paulo, e a estreia nos ajudou a esquentar a pauta.

Rivaldo merece respeito e calma nas avaliações. Um jogo é muito pouco para se vaticinar o que ele poderá fazer na temporada. Sua qualidade técnica é inquestionável.

Essa é a marca dos "sobreviventes" da geração de 2002. Só jogam ainda porque tecnicamente são acima da média, por isso conseguem driblar o tempo.

Também jogam no Brasil pela diferença de estilo em relação à Europa. Como disse no programa o Roque Jr., no Brasil o jogo ainda permite muito o mano a mano, e quem tem técnica, nessa situação, sobressai. O espaço para o mano a mano na Europa praticamente não existe, e aí a limitação física imposta pela idade começa a pesar.

Enfim, a geração do penta rendeu frutos, trouxe um pavimento para a melhora do calendário brasileiro e inspirou uma outra geração, a da molecada sub-20 que pode ser parte do que teremos em campo em 2014.

Não que o time que joga o Sul-americano no Peru esteja entusiasmando, mas é uma boa geração, com Neymar já sendo uma realidade, e uma série de boas promessas.

O time de 2002, como explicou bem o Roque Jr., tinha um perfil definido, com a maioria dos jogadores tendo atuado por um tempo no Brasil e depois partido para o sucesso na Europa.

Essa turma de 2010, a molecadinha do sub-20, tem um novo perfil. Alguns já muito bem remunerados, mesmo sem ainda terem alcançado o sucesso técnico que podem alcançar. Certamente, até 2014, quem vingar na Seleção estará jogando na Europa, na Ásia, onde estiverem pagando mais.

Que pelo menos tecnicamente essa geração seja uma geração marcada por talento, por um estilo brasileiro, como Neymar e Ganso fazem. Que as gerações de 2006, aquela que ficou na promessa, e a de 2010, aquela que se deixou contaminar pelo rancor, não sejam exemplos.

Que 2002 inspire a turma de 2014.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011


O Gaúcho rubro-negro

Um jogo é pouco para qualquer coisa. Vi apenas os melhores momentos, adianto. Mas confio nas fontes que consultei. O melhor da estreia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo foi a torcida rubro-negra, como já era de se esperar. Uma linda festa.

Ronaldinho não foi contratado para abrilhantar festa de torcida, mas para dar motivo para a torcida fazer festa. É preciso dar um tempo a ele para que esteja realmente em forma e readaptado. Quem contrata Ronaldinho Gaúcho não quer malabarismos, quer que ele ganhe jogos ou ajude a ganhar jogos.

Com o tempo saberemos se ele ainda pode fazer isso. A massa rubro-negra faz festa mas também cobra. Como Ronaldo Fenômeno está sentindo agora no Corinthians.

Grêmio confirma, e o

Corinthians dá vexame


Para o Grêmio era só mais um jogo de Libertadores (atenção, coleguinhas, não existe pré-Libertadores, essa fase já faz parte da competição continental). Acostumado que está a jogar o torneio, ambientado, mesmo ainda sem se refazer da perda de Jonas, tomou um susto mas passou sem atropelos pelo Liverpool.

Na teoria, o grupo do time gaúcho é bem tranquilo, com Oriente Petrolero, Júnior Barranquilla e León de Huánuco. Com a contratação de Escudero, a função que era exercida por Jonas pode ser pelo menos ocupada por alguém, sem comparar desempenhos individuais.

O Grêmio confirmou seu espírito copeiro e a competitividade, seguindo adiante, sem grandes surpresas, tratando o jogo como apenas mais uma etapa a ser cumprida.

Bem diferente do Corinthians, que transformou num drama de proporções bíblicas seu confronto diante do modesto Tolima colombiano.

O vexame alvinegro tem uma série de motivos. Tal qual uma enchente, uma inundação, que começa com pequenas incompetências e termina numa tragédia.

A primeira é a postura. Digam o que quiserem, mas o Corinthians não se sente confortável na Libertadores, sempre joga como se as chuteiras estivessem apertadas ou dormindo na casa de parentes. Isso passa pela direção, pela comissão técnica e pelos jogadores. O clima de incerteza contamina todo mundo e estoura no desespero do torcedor.

Os erros somaram-se e estão sendo apontados há tempos. Primeiro, o time caiu na fase preliminar por pura incapacidade de derrotar o time reserva do Goiás, na última rodada do Brasileirão. Soube nesse mesmo dia que perderia seu melhor zagueiro e capitão, William, e seu principal jogador, Elias. Não contratou ninguém com as mesmas características para substituí-los.

Ciente disso, Tite insistiu em tentar montar um time como se William  e Elias ainda pairassem pelo Parque São Jorge.

E para ornar esse bolo de equívocos estão cerejas das mais caras do mundo: Roberto Carlos e Ronaldo. Quem contrata jogadores desse quilate e desse preço, espera que eles sejam decisivos. Ronaldo foi em 2009, e Roberto Carlos não conseguiu ser até agora. Fora isso, um jogador da experiência dele vir a público e dizer que está com medo antes de um jogo contra o Tolima é qualquer coisa.

Ronaldo foi um dos maiores atacantes de todos os tempos, mas é uma peça inútil atualmente. Mais atrapalha do que ajuda. Roberto Carlos tem sido um jogador nota 6, 6,5. Isso Fábio Santos também é e custa um terço, se custa. São problemas que o Corinthians terá de administrar agora. Como bem frisou o Caio Ribeiro, não adianta o Ronaldo dizer que está atordoado e continuar se arrastando em campo.

Assim como Tite. Sem tomar gols fora de casa, o Corinthians sabia que qualquer empate com rede balançando era dele. Mas só foi ser ousado no segundo tempo. Por que? Tite é bom treinador, mas preso demais a pranchetas voadoreas e teorias táticas. O futebol não vive apenas disso, tem observações mais práticas e menos teóricas e muitas vezes o individual quebra o galho do coletivo.



Verdão e Peixe (ou Elano?) na boa

E lá vai Felipão, quietinho, quietinho, pacificando o Palmeiras e levando o time à ponta do Paulista. O time jogou mais que o Mirassol, mostrando algo que não tinha em 2010: finalizações sem a bola parada de Assunção. E o próprio técnico deu uma pista: pernas. Com muitos jovens em campo, o time corre mais e melhor. Os resultados desanuviam o clima. O time chega encorpado para o clássico contra o destroçado Corinthians. Mas clássico é clássico e vice-versa, dizem os filósofos.

O Santos ganhou um ponto no divertido empate com a Ponte, em Campinas. Jogo bom de se ver, animado, movimentado. A Ponte jogou melhor, mas no meio do caminho tinha uma pedra chamada Elano. Dá gosto de ver esse rapaz jogando bola. Fez um de falta, e deu uma arrancada épica para finalizar com um toque genial de calcanhar para Maikon Leite empatar. Elano é simples, direto e objetivo.

Ponte e Santos mostraram que mesmo bastante desfalcadas são capazes de oferecer um bom jogo de futebol. Foi o que fizeram.

E hoje tem Rivaldo em campo, aos 38 anos, estreando pelo São Paulo contra o Linense.

Aproveito e convido os frequentadores do blog para acompanhara nesta sexta-feira, a partir das 14 horas, um Arena SporTV especial sobre a geração do penta de 2002. Espero vocês. Abraços.

segunda-feira, janeiro 31, 2011


Corrigindo informação


Há dias, no post sobre a crise do Vasco, escrevi que não havia rebaixamento para os grandes no Rio. Realmente, não havia, por força de um aditivo no regulamento, que caiu com o advento do Estatuto do Torcedor. Portanto, errei e agora corrijo. Cai quem tiver que cair no Rio.


Estaduais em banho-maria

Mesmo eu sendo um defensor assumido dos estaduais e de seu lugar na realidade econômica do futebol brasileiro, a coisa andaem banho-maria, cozinhando lentamente nesse início de temporada.

Não se viu ainda algo que empolgue. Pelo contrário, estamos assistindo ao drama de um gigante, o Vasco, e a um desfilar de times médios e pequenos abaixo da crítica.

Por dever do ofício, acompanho mais o futebol paulista no início da temporada, já que comento mais jogos dessa competição até que comecem Libertadores e Copa do Brasil.

Fui brindado com duas óperas-bufas de futebol mal jogado na semana passada. Prudente x Botafogo e Ponte x São Caetano fizeram com que a bola cobrasse adicional de insalubridade.

Com o tempo as coisas devem melhorar. Não é chororô de técnico e preparador físico o argumento de que misturar pré-temporada com jogos valendo ponto atrapalha o desempenho. É a pura verdade. O jogador na pré-temporada precisa fazer a base, forçar a preparação física, fazer trabalho muscular. O corpo fica preso e o cara tem que se virar com a bola rolando. Não tem como, o rendimento cai.

Ainda assim pintam coisas boas. Golaços como os de Cachito Ramírez, do Corinthians, e Thiago Neves, do Flamengo. Os inícios serenos de Palmeiras, Cruzeiro e Galo. O desfile de Elano, gastando a bola no Santos.

Pena que, esvaziado, o primeiro Gre-Nal do ano tenha sido frio.


sexta-feira, janeiro 28, 2011



Vascaínos, salvem o Vasco!

Ver time grande do futebol brasileiro metido numa crise como essa do Vasco me revolta. Porque é revoltante concluir que os times grandes do nosso futebol têm, na sua maioria, dirigentes pequenos. Muito pequenos.

Repito seguidamente que nenhum clube grande do futebol brasileiro sabe seu verdadeiro tamanho. Nenhum! Não conseguem se comunicar decentemente com seus torcedores, não exploram sua marca como deveriam e vivem pendurados em dívidas astronômicas. Mesmo tendo milhões e milhões de clientes fiéis.

A bola da vez é o Vasco. Um começo de ano tétrico. Uma ameaça no ar de rebaixamento moral para a segunda divisão estadual (que pelo regulamento não pode acontecer) que, espero, sinceramente, que não se concretize. Porque o Vasco dos verdadeiros vascaínos é enorme, muito maior que o Vasco dos seus dirigentes.

Confesso que alimentei esperanças e elogiei a eleição de Roberto Dinaminte para a presidência do Vasco. Pensei que haveria uma limpeza ética e de postura dos tempos de Eurico Miranda, cuja grande obra foi ter salpícado de antipatia um clube cuja história é linda.

Pois Roberto parece estar confirmando uma tese que defendo, a de que ter jogado futebol muito bem, como ele, não garante que alguém possa fazer bem qualquer coisa que não seja jogar futebol. Seja ela comentar, dirigir, treinar, empresariar, narrar etc.

O Vasco precisa de um tapa de modernidade. Em alguns aspectos é muito parecido com o Palmeiras. Ambos deixaram há muito tempo de ser times de colônia. São equipes de expressão internacional e muita torcida espalhada pelo Brasil. Mas infelizmente tem gente que acha que Vasco e Palmeiras ainda são apenas de portugueses e italianos e seus descendentes, o que apequena o pensamento e o horizonte dos clubes.

O Vasco tem nos vascaínos a solução para seus problemas. Nos verdadeiros vascaínos, não dos que usam e abusam do Vasco.

É preciso tirar a poeira do clube. Sempre que vou a São Januário fico admirado com a beleza da arquitetura do estádio, suas histórias, o conjunto aquático. Mas também fico boquiaberto com o lamentável estado de conservação do patrimônio histórico.

O Vasco não é Eurico Miranda. O Vasco não é Roberto Dinamite. O Vasco é de muita gente, faz parte da cultura brasileira. Não pode ficar escravo dos caprichos de dirigentes e de jogadores com pouco ou nenhum compromisso com coisa alguma, como sempre demonstraram ser Felipe e Carlos Alberto. O Vasco não pode ir a campo com um time tão fraco como tem ido.

Enfim, está no espírito de grande clube que foi, é e sempre será a recuperação.

Tenho muitos e grandes amigos vascaínos que estão com a alma machucada. Mas eles sabem a solução, o verdadeiro vascaíno sabe.

Enquanto não se libertarem das armadilhas de Conselhos Deliberativos presos ao passado e reféns de gente que bate no peito e diz que foi isso e aquilo, que é filho e neto de gente que foi isso e aquilo, os grandes clubes brasileiros seguirão assistindo a lamentáveis armações de dirigentes se perpetuando no poder.

Só os verdadeiros torcedores sabem o tamanho dos grandes clubes brasileiros. 

quinta-feira, janeiro 27, 2011


Grêmio: poderia ser melhor.


Corinthians: poderia ser pior.


As estreias de Grêmio e Corinthians na Libertadores deixaram algumas conclusões. O Grêmio encaminhou bem a classificação, mas poderia ter saído classificado do Centenário. O Corinthians se complicou no Pacaembu e poderia até ter se complicado muito mais pelo que não jogou.

O Grêmio pode creditar a um raro vacilo de Vítor o fato de não ter vencido o Liverpool no Uruguai. Tem mais time, teve mais bola, e tem a obrigação de confirmar no Olímpico. Renato Gaúcho tem o time do Grêmio nas mãos e com a atenção necessária em confronto eliminatório não deixará essa vaga escapar. O Grêmio tem a seu favor ainda os empates sem gols e por 1 a 1 no jogo de Porto Alegre.

O Corinthians foi um arremedo de time contra o Tolima. Deu sorte de o juiz ter marcado impedimento quando não havia num lance de gol anulado dos colombianos. Ronaldo e Roberto Carlos, que foram contratados para decidir jogos, ficaram longe, muito longe disso. E Tite segue sem saber o que fazer com o meio-campo do time em 2011.

De bom para os corintianos foi o fato de não ter sofrido gol, o que gera a situação de conseguir a vaga com um empate com gols. Mas o futebol provocou calafrios no torcedor.

Zaga complica o Santos

Uma atuação desastrosa da dupla de zaga e o bom trabalho de Luiz, goleiro do São Caetano, explicam o empate do Santos com o Azulão. Toda bola levantada entre Dracena e Durval levava pânico aos santistas. os três gols sofridos foram nessa jogada.

A variação no ritmo do time até se explica pelo início de temporada. Criou muito, perdeu um tanto e parou em Luiz e suas defesas.

Como o São Paulo obteve uma bela virada diante do Americana, a projeção de um grande clássico fica para domingo, o famoso San-São. Pela agilidade santista quando ataca e a temeridade quando defende, emoções não vão faltar.

quarta-feira, janeiro 26, 2011


Grêmio e Corinthians:


é proibido vacilar


A Libertadores começa hoje para gremistas e corintianos, já com um aviso na porta do vestiário e no coração dos torcedores: é proibido vacilar diante de Liverpool do Uruguai e Tolima da Colômbia, respectivamente.

Essa primeira fase da Libertadores pode parecer molezinha - e na teoria é mesmo para os brasileiros, na teoria - mas tem uma armadilha. É preciso entrar em campo uns 15 dias antes do previsto e do que aconteceria normalmente se os times estivessem direto na fase de grupos.

Com uma pré-temporada mulambenta como essa do futebol brasileiro, 15 dias fazem muita diferença.

O cartão de visitas de ambos não foi muito animador. O Grêmio perdeu Jonas, seu melhor jogador, de forma bizarra, numa negociação que mostrou absoluta falta de tato de todos os envolvidos para resolver de forma satisfatória econômica e esportivamente. O time gaúcho ganhou pouco dinheiro, Jonas se apresentará num momento em que a bola está rolando firme na Europa e em pleno inverno e deixará de jogar uma Libertadores no melhor momento de sua carreira.

O Corinthians jogou uma bolinha pequenininha contra o Noroeste e ainda não conseguiu encontrar uma peça que solucione o quebra-cabeças deixado com a saída de Elias.

Mesmo com tudo isso, tem que dar Grêmio e Corinthians no confronto. O Grêmio joga fora de casa e mesmo assim tem muito mais time que o Liverpool para resolver a parada hoje mesmo.

O Corinthians, no Pacaembu, também ostenta superioridade para aplicar um resultado suficiente para transformar em mera formalidade o jogo da volta.

Vamos ficar de olho.

Peixe Grande e a surpresa

Hoje volto ao trabalho de cabine com o companheiro Milton Leite para transmitir Santos x São Caetano, pelo Paulistão, em Barueri, 19h30.

O Santos tem sido um alívio futebolístico nesse início de temporada. Livre, leve e solto. Tomara que repita as atuações hoje, diante de um São Caetano que costuma dar trabalho ao Peixe.

Outro jogo interessante reúne Americana, a sensação do interior nesse começo de campeonato, e o reticente São Paulo, que em breve terá Rivaldo. O Americana é o Guarantinguetá que passou por uma operação de mudança de identidade e endereço, coisa normal nos dias de hoje, do futebol-empresário. Será o primeiro teste de verdade para o time, ante um São Paulo ainda mal resolvido, que vem de uma derrota no dia do aniversário de Rogério Ceni, para a Ponte. Deve dar bom caldo.

terça-feira, janeiro 18, 2011

sexta-feira, janeiro 14, 2011

De quem é a culpa?

Da natureza humana 


Desde sempre chove muito no verão no Brasil. Alguns anos mais, outros menos, mas sempre chove. No ano em que nasci, 1967, um naco gigante da Serra do Mar veio abaixo na altura de Caraguatatuba, provocando uma tragédia semelhante a essa que se repete agora na região serrana fluminense.

Já vimos esse cenário de horror, de flagelo e sofrimento em Santa Catarina, em Minas, em São Paulo, em quase toda parte desse País de gente cuja maioria é séria, sofrida, trabalhadora.

E o que foi feito nesse tempo todo? Desde que a ocupação urbana começou o caminho mais fácil foi ocupar, sem planejamento, sem análise, as áreas de várzeas de rios e suas margens.

Falo de São Paulo, onde moro. O Rio Tietê, essa cloaca urbana nojenta a atestar a roubalheira de décadas de dinheiro ali afundados para nada mudar, só alaga porque a cidade roubou uma área que era dele, as várzeas. A natureza é sábia, e o homem é estúpido. Não vê os sinais claros da natureza e teima em fazer tudo errado, sempre pensando em lucrar com uma comissãozinha aqui e outra ali.

Teresópolis, uma cidade linda, acolhedora, de paisagens deslumbrantes, não tem rede de esgoto, leio no noticiário. Também não tem política pública de ocupação de encostas, de construção em áreas de nascentes e florestas. Como quase todo o País não tem.

Angra dos Reis também não tinha, imagino. Como São Paulo não tem. E quem tem, não aplica, e o povo, vamos dizer a verdade, também não obedece, não colabora. Faz das ruas sua lixeira particular. Brasileiro joga bituca de cigarro pela janela do carro, papel de bala, de sorvete, de salgadinho, lata de cerveja. Já vi madame de BMW tragar e mandar a bituca voando pela fresta do vidrão blindado, enquanto certamente seguia para gastar milhares de reais na Daslu. Deu ao povo a bituca e os brioches.

Mas essa falta de educação é de rico e é de pobre. Não tem jeito. Somos um povo ainda incipiente na arte de respeitar o próximo.

Some-se a isso décadas de descaso do Estado, sob todas as legendas e ideologias. O presidente que saiu defendia a compra de um novo avião para a nova mandatária, argumentando que 12 horas de autonomia era uma vergonha. Pergunto eu, e a vergonha de quem teve a autonomia de vida reduzida por uma avalanche de lama e água numa madrugada escura?

O Brasil tem um déficit habitacional de 5,8 milhões de moradias. Quase 24 milhões de vidas. Mais que um Chile, quase uma argentina, se colocarmos 4 pessoas em cada moradia, em média.

Será que os mensaleiros, os aloprados, os lobistas de empreiteiras dormem tanquilo sabendo que com parte da propina que eles pedem se poderia construir milhares de casas?

E o que dizer da maior cidade do País, que tem 400 mil imóveis desocupados (1,6 milhão de brasileiros poderiam viver neles) e a cada dia sobe um prédio novo, no insaciável avanço da especulação imobiliária. Aqui perto de onde moro os prédios tomam área das calçadas, das ruas e ninguém faz nada.

Sempre é mais fácil culpar a Natureza por uma chuva espetacular, acima da média, imprevista, inesperada. Os governos de todas as esferas devem gastar mais com a propaganda dizendo que construíram duzentas casas populares do que com a construção das mesmas.

As tragédias são tão mais competentes que os governantes brasileiros que são democráticas. Elas ceifam vidas pobres, de classe média e ricas. Do pó viemos, mas isso não quer dizer que precismos voltar para baixo de toneladas de lama, com nossas famílias e amigos, enterrados nesse mausoléu de roubalheira, no esgoto político-administrativo do Brasil.

Mas assim é a natureza humana. A culpa é de São Pedro! Nunca choveu tanto assim! Onde foi parar a Mata Atlântica que segurava as águas, que devolvia as mesmas limpas? No bolso dos grileiros, dos empreiteiros, dos mateiros.

Roberto Carlos, profético na belíssima O Ano Passado, já avisava: quem briga com a natureza/envenena a própria mesa.

Já pensaram no que pode acontecer em mais 50 anos de destruição? A mudança no regime das chuvas no Sudeste pode ser dramática se a Amazônia for desmatada e virar um cerradão.

Enfim, tem tanta coisa para reclamar que resolvi dar uma passada no blog e interromper as férias para dar meu grito. Que por sorte não é de dor, de pavor, é de alerta. De solidariedade, de tristeza.

Não pode ser sorte ou azar estatístico que morra menos gente na enchete da Austrália do que na brasileira.  Foram mais de 800 mortos em um terremoto no Chile e enquanto escrevo esse texto mais de 500 pessoas perderam a vida no Rio em virtude da chuva. Os números gritam, esperneiam.

Mas é muito mais urgente aumentar o salário dos deputados, depressinha, porque ninguém é de ferro.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Feliz Natal!

Até 2011!!

O blog volta no ano que vem. Futebol e esporte agora, só na próxima temporada.

Paz, saúde e felicidades para todos.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Dubai


Já que o Inter brasileiro não ajudou muito, pegamos o carro e fomos até Dubai, conhecer esse novo ícone do turismo mundial. Viagem rápida, estrada espetacular. A execução das obras nos Emirados Árabes Unidos deveria servir de exemplo para o Brasil. Asfalto sem buracos, viadutos perfeitamente projetados e executados. Nada que lembre nossas obras tipicamente brasileiras, que precisam de remendos a cada ano para sustentar empreiteiras e políticos.

Mas e Dubai? É uma mistura de Miami, Las Vegas e a Metrópolis de Fritz Lang no cinema. Você passeia por Dubai e quase é possível ouvir o Queen cantando Radio Gaga, no clipe que usa as imagens do filme de Lang.

Parece uma cidade cenográfica, mas é bem interessante, reconheço. Parece ser mais cidade, com alma, pulsação, que Abu Dabi, sua irmã.

Há em Dubai aquele ingrediente kitsch que os novos-ricos adoram, um exagero proposital que tem como único objetivo dizer ao mundo o seguinte recado: vinde endinheirados, que aqui seu dinheiro será bem gasto.

Mas há algo com um objetivo mais nobre por trás dessa aparente sandice de erguer catedrais do turismo e do consumo em meio às dunas do deserto. Garantir uma sobrevida aos Emirados Árabes Unidos. Os emires ou xeques detectaram que há petróleo para sustentar mais 20 anos de riqueza. Depois disso, esperam eles, será o turismo de eventos e negócios que sustentará o pequeno país de 39 anos de história.

Dizem que Dubai está quebradinho, e que o xeque que manda em Abu Dabi e é o presidente do país emprestou 50 bilhões de dólares ao irmão que administra a outra cidade e é o primeiro-ministro.

Só sei que Dubai me pareceu mais viva que Abu Dabi.

Mas são dois dos novos pontos de encontro e geração de emprego, de vida e cultura no mundo. Há gente de toda parte, de todas as raças.

É salutar ver povos de diferentes crenças e costumes dividindo o mesmo espaço sem probelmas. Não se vê aqui o radicalismo e a intolerância religiosa. Pelo menos na vida pública.

Há variadas opções de turismo. Deserto, mergulho, cavalos. Mas parece que os shoppings substituem os poços de petróleo.

Há de todos os tamanhos. O Dubai Mall pareceu ser o mais impressionate, com um show de águas dançantes e prédios que parecem disputar a tapa qual é o mais alto.

Enfim, um lugar para o qual deu vontade de voltar.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Abu Dabazo

Não há como negar. Eu achava que o Inter ganharia sem grandes problemas do Mazembe. Eu e muita gente, com certeza. Até o mais gremista dos gremistas não sonharia com o Abu Dabazo Colorado.

Juro que não é preconceito, longe disso. Passei 43 dias na África, feliz e contente de conhecer o continente, ver a alegria do povo, o respeito tão raro de acontecer por parte do mundo.

Mas não dá, simplesmente não dá para um grande time brasileiro ser derrotado por uma equipe do Congo. Não pode. Aconteceu e foi merecido por parte do Mazembe. Mas eu não me iludo. O Inter perdeu muito mais do que o Mazembe e seu endiabrado goleiro venceram.

Meu primeiro post aqui de Abu Dabi dizia que o Inter precisava se impor. Não se impôs, mesmo quando jogou melhor, mesmo quando criou e desperdiçou chances.

Aí o gaiato peruntaria, mas o que é se impor, comentarista?

No caso em questão é ser Inter, ser time brasileiro, ser o time melhor. Fazer o adversário engolir seu estilo, entrar em campo e madar o recado: seguinte, vocês vão jogar o jogo que eu quero e não tem discussão. Isso o Inter não fez em momento algum.

Celso Roth, que é bom técnico, teve uma noite péssima em termos de leitura de jogo. Isso Lédio Carmona e eu dissemos ainda antes de o Mazembe fazer 1 a 0, na transmissão de ontem do SporTV. Sóbis tinha perdido gols? Tinha, mas era o único atacante que levava perigo. Tinga jogou o fino? Não, mas desempenhava mais que o sumido D'Alessandro. Alecssandro, tão criticado, jogou bem? Longe disso, mas lembremos que a grande chance de Sóbis logo no começo foi passe dele.

Estrategicamente, o Inter foi desastroso. Com dois homens de contenção não se pode tomar dois gols como o Inter tomou. No primeiro, a zaga desprotegida e Bolívar e Índio admirando apenas a matada e a finalização de Kabangu. No segundo, chutão do goleiro e Kaluyiutuka fez o que quis de Guiñazu (irreconhecível) e tocou no canto de Renan.

A dor colorada jamais será superada. Eu sempre achei essa semifinal da Copa do Mundo de Clubes mais traiçoeira que a final. Em 2005 o São Paulo tomou sufoco do time árabe, em 2006 o Inter suou com os egípcios, e agora veio a consagração africana. '

É muita concentração para um jogo só. A preparação começa no dia seguinte à conquista da Libertadores, e a bola só rola seis meses depois. E não tem jogo de volta. Vacilos são imperdoáveis.

Sobre o Mazembe, dizer o que? Não é um grande time, está longe até de ser um bom time. Tem as características básicas do jogo africano. Preparo físico, força e coragem. Taticamente foi deisciplinado, mas mesmo assim o Inter esteve várias vezes na cara do gol. Kidiaba, mesmo meio sem jeito, pegou muito.

A questão que fica do estilo africano é o jogo dos duelos individuais, o chamado mano a mano. Nessa, quase sempre o atacante africano leva vantagem. Aprimorando a técnica, o futuro pode ser mais sorridente.

Apesar de que vimos a história ser feita em Abu Dabi. Futebol olímpico é uma coisa, futebol com o carimbo da Fifa é outro. E a África chegou pela primeira vez a uma final sob a chancela da Fifa.

Será a vez da Coréia do Sul esta noite?

terça-feira, dezembro 14, 2010

CBF respeitou a história

Mas faço apenas um reparo à decisão de reconhecer os títulos nacionais a partir de 1959. A Taça Brasil deveria ser equivalente à Copa do Brasil


Sou daqueles que concordam com a decisão que a CBF deve referendar em breve, de reconhecer como títulos nacionais os torneios disputados entre 1959 e 1970, que eram chamados de Robertão, Taça Brasil e Taça de Prata.

Assim como o mundo não começou depois de Cristo, o futebol brasileiro também não brotou em 1971 em termos de disputas nacionais. Havia vida antes disso.

Ou como diz meu companheiro de transmissão aqui em Abu Dabi Lédio Carmona, "será que nossos avós e pais eram todos otários ao comemorar aqueles títulos?''

Para mim, seria o mesmo que achar que o primeiro brasileiro nasceu na madrugada de 8 de setembro de 1822, depois de Dom Pedro cortar os laços que nos uniam a Portugal. Antes disso eram todos portugueses desterrados para além-mar, ou nascidos no desconhecido Novo Mundo?

Pena que tudo que envolve discussão de futebol no Brasil acabe caindo no clubismo raso. Quem torce para um time que não ganhou nada entre 1959 e 1970, acha ridículo que esses títulos sejam reconhecidos. Quem torce para os times que ganharam muito naquele período, concorda, mas não argumenta.

Eu passo por cima dessa história de torcida e de clube. O que me interessa é argumentar historicamente com o que eu penso ser o correto.

A partir de 1959, o Brasil deixou de ser o Rio-São Paulo em termos de futebol. Tanto que foi o Bahia o primeiro time a conquistar um torneio realmente nacional e disputar a primeira Libertadores, em 1960.

Não acho que se possa jogar na mesma vala o Brasil de 1959 com o do século 21. Naquele tempo, era daquele jeito que dava para se fazer um torneio nacional e ponto. Alguns dos maiores times do futebol brasileiro em todos os tempos foram formados naquela época. O Santos de Pelé, a Academia do Palmeiras, o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes.

O Nordeste, sempre esquecido pelo Sul Maravilha, também merece ser lembrado. Com o Bahia em 1959, com o Náutico vice-campeão da Taça Brasil de 1967.

Era aquela a representatividade do futebol brasileiro naquela época, em perspectiva histórica.

O que houve a partir de 1971 foi um projeto de adequação política do futebol a uma realidade ditatorial, usando a paixão como propaganda. O tal do onde a Arena vai mal, um time no Nacional. Houve edições com mais de 90 times.

Discordo, também, dos que arguentam que a questão é de nomenclatura. Porque o Campeonato Brasileiro, esta vaca sagrada tida desde 1971, foi chamado de Campeonato Nacional, Copa Brasil, Copa União e João Havelange. Porque todos esses seriam mais ou menos legítimos que os dos anos 60?

É algo como comprar um Gol em 1985 e um Gol atualmente. Óbvio que não é o mesmo carro, a tecnologia mudou, o motor, o preço. Mas é o Gol.

Enfim, na verdade eu nunca entendi direito porque a CBD e posteriormente a CBF demoraram tanto para reconhecer o óbvio e chamar de campeões nacionais os times que ganharam esses torneios.

A ressalva que faço é em relação à Taça Brasil, que acho que deveria ser equiparada à Copa do Brasil e reconhecida como tal.

Mas isso é uma outra história.

segunda-feira, dezembro 13, 2010


Inter precisa se impor



Abu Dabi- Na teoria, claro que o Inter tem tudo para atropelar o Mazembe, do Congo, e partir para a final do Mundial de Clubes, provavelmente contra seu xará italiano de Milão. Mas como dizem, na teoria, a prática é outra coisa.

Acho que o segredo para o time do Celso Roth é se impor desde o início. Vi alguma coisa do treino dito secreto de ontem, por uma fresta da grade de proteção, que na verdade protege pouca coisa.

Fica evidente que a intenção do treinador é impor a pressão desde o início, jogar no campo do adversário, driblar uma provável retranca e evitar os contragolpes. Foi isso que vi em pouco tempo de treino, o objetivo era claramente esse.

Guinãzu era o homem mais recuado, embora já dentro do campo adversário. Tinga recuando para buscar jogo, Nei e Kléber bem abertos pelos lados e todos os outros jogadores do meio para a frente se mexendo muito. Apenas os zagueiros estavam fora desse trabalho.

Também pareceu claro que Roth tentará usar Alecsandro como isca, puxando a marcação para fora da área, atraindo os zagueiros e abrindo espaço para Tinga e D'Alessandro. Ainda que eu prefira Giuliano no time titular, é uma boa estratégia.

Nunca vi o Mazembe jogar ao vivo, mas os comentários são de que o meio-campo Sunzu, que foi expulso, era o melhor jogador do time. Também argumentam os que viram o jogo contra o Pachuca (eu estava viajando para Abu Dabi) que a equipe cansa rápido e não tem um preparo físico exuberante.

Tudo isso é válido, mas a questão fundamental, acredito eu, está na administração da ansiedade. O Internacional precisa saber que é melhor e valorizar isso com posse de bola e pressão na dose certa. Não pode ter pressa, mas também precisa saber que não dá para ser preguiçoso e quanto antes resolver a parada, melhor.

Em 2006, vi de dentro de campo, em Tóquio a semifinal entre Inter e Al Ahli, do Egito. Pato fez 1 a 0 e o jogo parecia calmo. Flávio empatou e houve um período de insegurança do Inter que quase custou caro. O time egípcio teve chance de virar, até que Luís Adriano fez 2 a 1. Jogo que era para ser fácil, mas que ficou difícil pela ansiedade e o nervosismo.

O torcedor colorado em Abu Dabi esbanja confiança. Nesta terça o time deve confirmar.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Se você pudesse definir


o futebol em uma frase?


Eu acho praticamente perfeita a definição de Léo Júnior, o Júnior, um dos grandes da lateral esquerda e do meio-campo no Flamengo, na Seleção Brasileira e no mundo.

Diz o nosso Léo:

"Quem tem a bola se diverte, quem não tem, corre atrás".

É isso. Simples, direto. Quem fica com a bola faz o adversário correr atrás, se cansar e, principalmente, não se divertir, porque a bola nuca está com ele.

Básico. Embora existam muitos "professores" de futebol formados por escolas não se sabe de onde que insistam em negar essa máxima.

Longa vida ao Léo!
Goiás: sonho e pesadelo


Foi uma pena. Pelo que jogou em 210 minutos, o Goiás merecia o título da Copa Sul-americana. Mas futebol não é merecimento, é competência e eficiência.

O sonho do primeiro grande título esteve palpável para os esmeraldinos. O segundo tempo do período normal teve várias chances claras de gol, ante um adversário com pouco futebol e menos pernas. A sorte que sobrou nos dois gols marcados em Goiânia faltou em um par de lances.

Vieram os pênaltis, que são qualquer coisa, menos loteria. Felipe pegou mal demais na bola, mascado, prensado na grama, o que tirou o esférico (essa é boa!) da trajetória pensada e prevista.

Foi o que bastou para que o Goiás e sua torcida despertassem do sonho da glória para a dura realidade da Série B do Brasileirão em 2011.

Não se pode criticar o time, que foi guerreiro, foi digno e honrou o clube, que não havia honrado a torcida e sua história com uma sucessão de barbaridades administrativas.

No futebol brasileiro é quase sempre assim, um pequeno número de cartolas compromete a instituição, arrebenta com qualquer planejamento, mas a dor da derrota, o sofrimento, ficam para os torcedores e os jogadores.

Ainda assim, esse grupo de jogadores que conquistou o vice-campeonato da Sul-americana merece todo o respeito e reconhecimento da torcida esmeraldina.

Enquanto isso, lá vai o Grêmio, premiado pela desgraça goiana, para mais uma Libertadores. Estava na lista de espera, os esmeraldinos perderam o voo e deu no que deu. Grêmio e Libertadores na mesma frase provocam alerta na concorrência.

Será que 2011 verá o primeiro Gre-Nal em Libertadores da história? Seria espetacular.

terça-feira, dezembro 07, 2010

A coluna desta terça


no Diário de S.Paulo


http://bit.ly/fyvuVD

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Flu, incontestável


A nação tricolor das Laranjeiras exulta. O Fluminense retornou ao seu lugar, o de grande campeão que sempre foi. Mais um gigante do futebol brasileiro que desperta do sono. Bom para o futebol brasileiro, ruim para a concorrência.

O Flu ganhou a Copa do Brasil em 2007, foi vice da Libertadores em 2008, vice da Sul-americana em 2009 e campeão brasileiro de 2010.

Ou seja: está chegando quase sempre, disputando. Ganhar não é fácil. Mas só ganha quem disputa títulos com frequência, o que o Fluminense voltou a fazer. nas últimas quatro temporadas.

Os números comprovam que, de fato, o Flu foi o time campeão. Maior número de vitórias, menor número de derrotas e melhor saldo de gols, defesa menos vazada. Só não foi o melhor ataque .

Um título incontestável, que premia a capacidade também inquestionável de Muricy Ramalho. Quatro títulos em seis temporadas do torneio nacional mais difícil do planeta.

Houve quem argumentasse que Muricy só ganhava com o São Paulo por causa da estrutura do São Paulo. Ele saiu do clube, que não ganhou mais nada, e ele faturou mais uma.

Houve quem dissesse que se fosse bom mesmo teria sido campeão com o Palmeiras em 2009, que teria dado ao time o perfil vencedor que parece ter perdido. Pois o Palmeiras segue perseguindo o perfil vencedor, que Muricy deu ao Fluminense nessa temporada.

Mais uma vez, a competência falou mais alto. E de novo um grande clube com administração problemática acaba se encontrando graças a uma parceria ou patrocinador forte, como é o caso atual do Flu.

Cruzeiro e Corinthians merecem aplausos também. Chegaram vivos à rodada final e estiveram perto de vencer uma competição que cairia bem em qualquer dos três colos.

O Corinthians demonstrou uma inexplicável falta de apetite no jogo final. Parecia anestesiado, esperando por uma brecha que o Goiás raramente deu, mesmo com os reservas. Ou então confiando que o Guarani fizesse o serviço que não fez.

O Cruzeiro, que para mim foi o time que mostrou os momentos de melhor futebol do campeonato, também suou para ganhar dos reservas do Palmeiras. Mesmo assim, ainda beliscou um vice pra lá de honrado.

O que fica de um Brasileiro cada vez mais equilibrado, embora nem por isso brilhante, é que há hoje um treinador que parece ter a fórmula mágica de conquistá-lo.

Não acho que seja segredo, mas Muricy tem um ponto em que demonstra estar afiadíssimo. Tirando o Palmeiras de 2009, ele consegue manter seus times razoavelmente equilibrados até nos momentos de baixa. Por isso acaba conquistando muito.

Fora isso, tem caráter e seriedade, em um meio no qual tudo mundo acha mala branca normal e torcida pede para o time entregar o jogo para prejudicar o rival.

Não é à toa que ele merece.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Copa vai aonde


o dinheiro estiver


Não vi como grande surpresa as escolhas de Rússia e Catar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Até no Twitter a notícia já havia vazado antes de ser oficializada. E quem a vazou acertou em cheio.

O futebol é um dos negócios mais lucrativos do mundo e certamente um dos mais influentes politicamente. A Fifa até que tenta disfarçar bem com o lance do Fair Play, projeto social daqui e dali, mas no fundo é uma grande multinacional interessada em ganhar mais e mais dinheiro como qualquer outra empresa.

Trabalha com essa história de rodízio de continentes, que é conversa para torcedor dormir. Fez um agrado politicamente correto ao levar a Copa do Mundo para a África do Sul, mas ciente de que estava negociando com o governo do país que é considerado o mais propício para negócios no continente africano.

O quadro político e econômico internacional jamais será ignorado pela Fifa. Tenho certeza de que se dependesse da vontade político-esportiva, a entidade realizaria todas as Copas na Europa. Agora existia essa questão por causa do tal rodízio. Uma Copa na África, uma na América do Sul, e a Europa? Mas como fazer o Mundial na chamada Zona Sul do Velho Continente, que está quebradinha, quebradinha? Que tal pedir socorro para a periferia endinheirada?

Pois foi isso que fez a Fifa. Levou a Copa para o Leste Europeu, para um país gigantesco e riquíssimo em recursos naturais. No qual em algumas partes é muito mais Ásia do que Europa, pegando emprestado o conceito de Eurásia que aprendemos na escola. Fica na Europa, ainda que disfarçadamente.

É a tal história do bairro que pega emprestado o nome do vizinho mais famoso e valorizado, vejo eu. Espanha e Portugal diziam estar prontos como infra-estrutura. Mas e os governos passando o pires? Como garantir o dinheiro que só o Estado pode assegurar para certo tipo de investimento? Com Estados falidos ou em grave crise financeira como boa parte dos europeus, foi preciso pensar na boa e velha Mãe Rússia, seus campos de gás e petróleo, minerais etc.

E o Catar, o que tem a ver com tudo isso? A questão do dinheiro é mais do que óbvia. Os pequenos países do Oriente Médio têm recursos quase que ilimitados graças ao petróleo, que ainda vai dar as cartas por muito tempo. Seus emires ou sheiks adoram gastar e ostentar na tentativa de minimizar, para o estrangeiro, a imagem que ainda é vendida de seus países. Viraram destinos turísticos de primeira linha, com hotéis luxuosos, parques mirabolantes.

Sempre é bom agradar quem tem dinheiro e poder. E isso a Fifa faz como ninguém.

Agora resta esperar pela vez da China, que deve ser a nova dona do mundo muito em breve.

Dos Bric, o grupo de países que vai puxar o desenvolvimento econômico mundial nos próximos anos, segundo os gurus economistas, Brasil e Rússia já levaram a Copa. Faltam China e Índia. O tempo e o cofre de ambos vão responder.

quinta-feira, dezembro 02, 2010





Goiás flerta com


com a História


No mais evidente caso de dupla personalidade futebolística dos últimos anos, lá vai o Goiás flertando animadamente com a história. Fez 2 a 0 em cima do Independiente, se impondo com autoridade, não dando a mínima para o Rei de Copas. Um empate ou até uma derrota por um gol (não há gol qualificado fora de casa nas finais sul-americanas) levará o Esmeraldino a seu primeiro títulocontinental.

Muitos farão desdém. Mas por pura inveja. Grandes times brasileiros jamais tiveram uma conquista continental. Liste-se nessa ilustre relação os prováveis campeão e vice do Brasileiro de 2010, Fluminense e Corinthians.

O Goiás da personalidade ativa, vencedora e guerreira está pertinho desse feito. Em nada lembra o Goiás reticente, perdedor e rebaixado do Brasileirão.

É alentador ouvir as entrevistas de Artur Neto, treinador do Goiás. Pés no chão, nada de provocações ridículas e rasas, um observador correto e atento do que ocorre em campo.

Se vencer a Sul-americana, o Goiás precisará pensar em outro conflito de interesses e personalidades em 2011. Como montar um elenco para participar bem da Libertadores e jogar a Série B? Vale a pena fazer um time de aluguel por alguns meses e preparar outro para a dura realidade da segunda divisão?

Enfim, desafios que podem ser deixados para depois se na próxima quarta o time mostrar a personalidade que vem apresentando na Sul-americana e conquistar sua primeira glória internacional. E, de quebra, deixar sem vaga no voo continental Grêmio ou Botafogo, que ficaram secando na lista de espera.

terça-feira, novembro 30, 2010

A coluna desta terça


no Diário de S.Paulo

http://migre.me/2AWx6

segunda-feira, novembro 29, 2010

Lá vai Muricy, sr.


pontos corridos


Quando publiquei o livro Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro, uma saraivada de críticas choveu sobre minha cabeça por ter listado Muricy Ramalho entre eles. À época da publicação, ele tinha acabado de ser tricampeão brasileiro de futebol por um mesmo clube, fato inédito e que dificilmente será repetido.

Agora Muricy está muito perto de faturar seu quarto título nacional, pelo Fluminense. Na era dos pontos corridos, segundo informa o site Infobola, ele reina absoluto. Deixou para trás Wanderley Luxemburgo em média de pontos conquistados e é o técnico com maior número de jogos dirigidos nesse formato.

Deve provar no próximo final de semana que é vencedor e competente, não importa a equipe, o tamanho do orçamento e a estrutura do clube. Quando o São Paulo resolveu demiti-lo, acreditava que poderia se virar com base nas ideias de seus dirigentes e nas categorias de base. Emplacou dois anos sem títulos após papar três com Muricy. O Palmeiras não teve paciência e serenidade para segurar o treinador e mudar um time com perfil perdedor. Bateu na trave em 2009 e foi parar na arquibancada em 2010.

O Fluminense,  mesmo ainda bagunçado e dividido entre o mecenas e o clube, apostou alto em Muricy. Uniu ao treinador competente o talento de Conca, com o qual ele sempre sonhou no São Paulo, mas o clube não contratou. Some-se a Conca um Fred, um Sheik, um Deco, bons laterais e mesmo a dupla e zagueiros ainda reticente dá conta do recado.

Foi quando teve mais problemas, perdendo Sheik, Fred e Deco, que Muricy mostrou toda sua capacidade e manteve o Fluminense no topo, sem enfrentar uma sequência de 7 jogos sem vitória como, por exemplo, o Corinthians.

Se confirmar o título que está próximo, Muricy poderá se dedicar a duas tarefas: capitanear o projeto de reestruturação física do Fluminense e dirigir o time na Libertadores, com boas chances de título.

Terceirização das derrotas

É sempre mais fácil reclamar de terceiros do que assumir a responsabilidade pelos erros cometidos. Palmeiras e São Paulo reclamaram do Corinthians em 2009 para se livrar da incapacidade e incompetência mostrada. Em 2010, o Corinthians reclama do São Paulo e do Palmeiras por não terem feito o serviço que ele, Corinthians, também não soube fazer.

Caso não conquiste o título, o Corinthians e alguns de seus jogadores preferirão lembrar dos jogos pra lá de desmotivados que os rivais fizeram com o Fluminense. Certamente esquecerão das duas derrotas para o Atlético Goianiense, do empate com o Ceará, da derrota para o Atlético Mineiro, do empate com o Vitória, dos sete jogos sem ganhar. Também esquecerão que titulares foram poupados em algumas rodadas por priorizar a Libertadores, o que todos acham correto.

O Cruzeiro certamente não lembrará que perdeu para o Vitória em casa e deixou pontos para o Atlético Goianiense. Ou que empatou em casa com o Prudente.

Se der Fluminense e não Corinthians ou Cruzeiro, será por méritos do Fluminense ao longo do torneio. O resto é conversinha.

sexta-feira, novembro 26, 2010

O retorno do


Rei de Copas


Sou fã declarado do futebol argentino. Para mim, não há nada melhor do que um jogo de bola entre brasileiros e argentinos, seja entre clubes ou seleções. Entre o futebol europeu e a dupla Brasil/Argentina, fico com os rivais sul-americanos, sempre. Embora seja um admirador confesso do Barcelona, por sua história de resistência, por ser a Catalunha em campo e preservar a essência do futebol bem jogado.

Por isso vejo com alegria esse projeto de retorno do Independiente na Copa Sul-Americana. O Rei de Copas, maior vencedor da Libertadores, com sete títulos, andava esquecido. O último grande time do Rojo de meu querido amigo Fernando Daniel de Oliveira foi o campeão da Supercopa da Libertadores de 1994. Treinado por Miguel Angel Brindisi, ex-craque da Copa de 1974, o Independiente era um timaço. Tinha Islas no gol, Cagna, Perico Perez e Gustavo López no meio, e uma dupla infernal na frente, Sebastián Rambert e Palomo Usuriaga.

Atropelou Santos, Grêmio, Cruzeiro e Boca para vencer a Spercopa. Também ganhou o Clausura daquele ano e o bi da Supercopa em 1995. Depois disso, houve um período de vacas magras pelos lados do Estádio Libertadores de América, em Avellaneda.

O que não apaga a mística de um grande time. Mesmo assim, o Independiente viu o Boca se aproximar perigosamente de sua marca de sete títulos continentais. O Boca já acumula seis.

A história registra uma conexão interessante entre Independiente e o futebol brasileiro. Ela atende pelo nome do grande mestre Oswaldo Brandão. Treinando o Independiente em 1967, ele conquistou o título do primeiro torneio nacional do futebol argentino. De quebra, encaixou a média de 3 gols por partida e o melhor aproveitamento da história do futebol vizinho, 86,67%.

Naquela equipe figuravam autênticos mitos do futebol sul-americano, como o uruguaio Pavoni, e uma linha de frente infernal, com Bernao, Savoy, Artime, Yazalde e Tarabini.

Mas o grande craque da história do Independiente foi Ricardo Enrique Bochini, "El Bocha". Um dos maiores ídolos de Maradona, "apenas" isso. Bochini disputou a Copa de 1986, no México, mas era reserva. Entrou em Argentina x Bélgica. Dele, Maradona disse o seguinte em seu livro "Yo Soy el Diego": "Quando fiz uma tabela com Bochini, foi como se tivesse tabelado com Deus".

Meu amigo Fernando Oliveira é fã de Bochini. Leva como talismã em sua carteira o ingresso do jogo de despedida do Bocha.

É essa instituição do futebol mundial que enfrentará o Goiás na final da Sul-americana. Adversário duro. Nada que lembre seus grandes times, mas tem bom toque de bola, jogadores de personalidade e uma torcida apaixonada. O Goiás enfrentará tudo isso com a altivez e dignidade que caracterizam seu elenco atual.

Será uma grande final.

quinta-feira, novembro 25, 2010

O Goiás ganhou. Não foi


o Palmeiras que perdeu


Antes que soem as cornetas do bairrismo xiita, deixo aqui o link de um post anterior, no qual já falava do valor e do caráter demonstrados pelo time do Goiás, mesmo naquele período à beira do rebaixamento posteriormente consumado.

Isso posto, vamos ao duelo que colocou o Esmeraldino na inédita decisão da Sul-americana. O eixo das análises quase sempre passa pelos times grandes, de mais camisa e torcida. Mas o jogo de ontem foi muito mais vencido pelo Goiás do que perdido pelo Palmeiras.

Estava tudo a favor do Verdão. Resultado no primeiro jogo, time descansado, estádio cheio, torcida em festa. A vantagem aumentou com o gol de Luan e o bom primeiro tempo que vinha jogando o time de Scolari. Não que o Goiás jogasse mal, mas o Palmeiras dominava. Até o gol de empate goiano, de Carlos Alberto, no segundo final da etapa primeira.

Foi o que bastou para que o Esmeraldino reacendesse seu fogo, e o Palmeiras reencontrasse os fantasmas de seu passado recente de fracasssos. No segundo tempo o Goiás foi de uma coragem merecedora de aplausos. Não tinha nada a perder e arriscou com as armas que tinha. Rafael Moura, sozinho, deu uma canseira nos reticentes zagueiros alviverdes.

Felpão tirou Lincoln, que era a única fonte de criatividade do time, para colocar Dinei.Talvez escorado no seu histórico de gols salvadores de cabeça. Mas Dinei não é Jardel, e o Palmeiras de hoje não tem Arce. Dinei não pegou na bola, e o Palmeiras se abriu para a única jogada aguda do Goiás, o contragolpe.

Aí, num lance de puro descontrole emocional, Márcio Araújo tomou um chapéu (lençol, balão) do gramado, numa bola que era limpa para ele, e na sequência, em grande jogada de Marcão (ex-palmeirense), Ernando fez o gol da virada.

GOL LEGAL. E puxo minha própria orelha pelo vacilo na transmissão do SporTV, pois errei feio ao dizer que havia posição de impedimento de Ernando. Lição a ser aprendida, pois, como estava na dúvida, era só ter aberto o livro de regras que levo sempre comigo. Fui confiar na memória e o cabeção me traiu. Felizmente, Arnaldo Cezar Coelho explicou a mudança ocorrida na regra após 2008, durante nossa transmissão. Isso porque o vacilão aqui cobriu a Euro 2008 (quando se precipitou a mudança) e até falou sobre isso. Devo minhas desculpas ao nosso telespectador e aprendi mais uma.

Há alguns dias disse num Arena SporTV que o Goiás tinha caído de pé e fui detonado. Mas é o que penso. O grupo de jogadores mostra profissionalismo e entrega ante um cenário de caos administrativo. E se classificou ganhando as vagas sempre fora de casa. Não vai virar um timaço, longe disso, mas seus jogadores precisam ser reconhecidos como atletas de caráter. Resta aos seus dirigentes honrar esses jogadores, a história e a torcida e reconstruir um clube que se admitiu destruído economicamente.

Ao Palmeiras resta juntar os cacos de mais um fracasso de sua enorme coleção (que nem de longe se compara ao histórico de glórias do clube, mas incomoda seu torcedor). Foi eliminado em casa, quando tinha uma enorme vantagem, fez chorar seus torcedores que haviam preparado uma festa linda, e tudo isso diante de um time que tinha sido rebaixado para a Série B do Brasileiro há dias.

Como admitiu o próprio Felipão, uma vergonha. Falta ao grupo de jogadores do Palmeiras, assim como faltou em 2009, um perfil vencedor. Os jogadores se abatem nas adversidades, muitos deles se escondem nos momentos decisivos, são traídos pelos nervos. Lutam, mas acabam derrotados por seu próprio medo de protagonizar. A maioria me parece ser assim.

O clube vive um caos político há tempos e se apega aos chamados salvadores da pátria. Felipão foi contratado para isso. É ótimo treinador, mas não é milagreiro. Desde 1977 até 2008, apenas dois treinadores  foram campeões com o Palmeiras em torneios de primeira categoria: Felipão e Luxemburgo.

Isso prova que o problema palmeirense é de estrutura de futebol, de pensamento estratégico e de direção. Falta renovação e sobram intrigas e as chamadas vendettas. Só mesmo a torcida tem sido fiel ao seu amor pelo clube. Que derroas como a de ontem podem provocar rupturas nessa relação.

Enquanto não admitir que é um clube politicamente engolido pelo atraso e pela discórdia, o Palmeiras seguirá patinando. Não adianta inventar inimigos imaginários e jogar a culpa em terceiros.

quarta-feira, novembro 24, 2010

De repente, brota

dinheiro no futebol


Durante o ano todo estamos acostumados com as ladainhas dos dirigentes de que os clubes não têm dinheiro para competir com a força das moedas europeias, que é preciso aumentar a arrecadação etc. Não são poucas as notícias de salários atrasados, de dívidas com jogadores, sem contar o enorme passivo trabalhista dos clubes e futebol do Brasil.

Mas eis que nas últimas rodadas de todos os campeonatos, no final da temporada, Papai Noel parece presentar o futebol com um saco sem fundo de dinheiro.Todo mundo tem uma graninha para oferecer como mala branca, mala preta, bicho extra, incentivo para um co-irmão despachar um rival.

Um time da Série B do Brasileirão, por exemplo, está oferecendo R$ 1 milhão aos seus jogadores pelo acesso à Série A. Fora isso, reservou uma quantia que, dependendo da combinação de resultados do outro jogo que lhe interessa, pode chegar a R$ 400 mil para jogadores de uma outra equipe. R$ 100 mil estão assegurados.

Imagine na Série A. A boleirada agradece e faz as contas para um Natal gordo e farto. É o prêmio pela incompetência que sempre chega. O time não faz nada no ano todo, fica no limbo, mas sempre pinga algum de um terceiro interessado em um suor extra.

É um banco imobiliário espetacular. O que circula de dinheiro no meio futebolístico nessa época do ano é uma grandeza.

Será que essa grana aparece nos balancetes dos clubes? Quem paga, como paga? E como justificar essa bolada extra de uma hora para outra?

O futebol brasileiro é mesmo uma mãe.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Conca muda o lado


do Gangorrão 2010


Quem não tem um grande time, caça com um grande jogador. Tem sido, basicamente, essa a história do Gangorrão 2010 em que se transformou o Campeonato Brasileiro.

Não existe um grande time, um esquadrão irresistível. Há bons times, com alguns grandes jogadores, outros em grande fase. Jonas no Grêmio, Ronaldo no Corinthians, Montillo no Cruzeiro.

E Conca no Fluminense.

Se confirmar o título que mais uma vez o corteja, o Flu deve creditá-lo em boa parte na conta de Conca. O argentino mostrou tudo que se espera de um grande jogador. Mesmo em seus momentos de baixa, que atingem todos os atletas, conseguiu ser relevante. Na maior parte do tempo foi decisivo. E muitas vezes foi espetacular.

Fluminense, Corinthians e Cruzeiro estão na Libertadores. Estiveram todos muito próximos do título. Houve momentos em que, inclusive, poderiam ter arrancado e, se o tivessem feito, já estariam comemorando a essa altura do campeonato.

Quando não teve Ronaldo, o Corinthians travou. Recuperou-se com a volta do Fenômeno e agora vive o drama de não saber se poderá contar com seu principal jogador nos dois últmos jogos. Aconteceu o mesmo com o Cruzeiro quando Montillo caiu de produção. Contra o Vasco ele retornou ao seu padrão e resolveu o jogo no primeiro tempo.

Conca foi o mais regular dos três jogadores mais importantes do campeonato. Isso pode ser o indicador de que na última rodada ele estará cofirmando o título para o Fluminense.


Apito, ah, o apito!

Como era de se esperar, houve polêmica em relação à arbitragem. Simon marcou um pênalti interpretativo para o Vitória e deixou de marcar um que era igualzinho ao de Gil e Ronaldo a favor do time baiano. De novo repito: no frigir dos ovos haverá erros para todos os lados e para todos os gostos. E serão erros, somente erros.

Entrega em domicílio

Entrega é uma coisa, falta de motivação é outra, e abandono de competição, uma terceira. A torcida do São Paulo queria que o time entregasse para o Flu. O que houve, na verdade, foi a motivação de um time buscando o título ante a desmotivação de um time sem objetivos. Já em Palmeiras x Galo havia um time lutando pela sobrevivência contra outro que abandonou uma disputa em busca de outra. Os resultados eram tão previsíveis que pareciam óbvios.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Defesa e São Marcos, 


o Assunção, garantem 


a vitória do Palmeiras


Uma das máximas aplicadas ao futebol prega o conceito de que o ataque é a melhor defesa. No caso do Palmeiras de Felipão, em sua versão 2010, a lógica é oposta: a defesa é o melhor ataque. Isso sem esquecer do pé direito calibradíssimo do novo São Marcos alviverde, o Assunção.

Este é o Palmeiras que deu passo importante rumo à final da Sul-americana ao vencer o Goiás por 1 a 0, no Serra Dourada. Um time longe de ser brilhante, mas bastante competitivo e com uma arma poderosa e decisiva.

Aí é preciso reconhecer mais uma vez que Felipão é um grande técnico. Porque o torcedor sempre quer seu time jogando pra frente, aniquilando o adversário. O Palmeiras atual não tem elenco e nem time para fazer isso. Mas se vira muito bem lá atrás, é um time disciplinado taticamente, raçudo e que tem de dois a três jogadores que podem decidir.

Basta lembrar os gols que a equipe sofria até recentemente. O Palmeiras era o rei do gol sofrido em contra-ataque, a recomposição da defesa era desastrosa. O que fez Felipão? Treinou muito posicionamento dos beques Danilo e Maurício Ramos, colocou um zagueiro-volante ou volante-zagueiro, Edinho, para protegê-los, escalou outro volante como lateral-direito e lá do outro lado fez uma dupla com Gabriel Silva e Luan. Gabriel joga a maior parte do tempo no campo de defesa, para o qual Luan retorna rápido e recompõe bem. Para completar, Deola faz justiça ao clube que é, seguramente a maior escola, de goleiros do Brasil.

Criatividade não é o forte deste elenco palmeirense. O que é compensado com entrega, compromisso e dedicação. Lincoln é um jogador talentoso mas irregular e muito aquém da capacidade física ideal. Valdívia é uma incógnita também no aspecto físico. Tinga ainda precisa e deve evoluir. Então o Palmeiras tratou, primeiro, de parar de perder para depois pensar e ganhar.

Ante um Goiás também pouco criativo e apenas veloz e dedicado, o Palmeiras teve sucesso em sua estratégia de desacelerar o jogo. Se mantiver a solidez defensiva, ainda que possa e deva enfrentar muitas dificuldades, tem tudo para confirmar a classificação para a final da Sul-americana.

terça-feira, novembro 16, 2010





Apito lá e apito cá


A discussão ainda rende. Deixo o link de Aston Villa x Manchester United. Vejam o pênalti marcado lá na Inglaterra. Talvez reflitam melhor aqueles que acreditam na tese de apito à brasileira. A regra é igual para todo mundo e permite interpretações idênticas, lá, como cá.

Abs a todos.

http://espnbrasil.terra.com.br/ingles/noticia/159737_VIDEO+EM+3+MINUTOS+UNITED+BUSCA+EMPATE+COM+VILLA+E+SE+MANTEM+INVICTO+NO+INGLES#video
A coluna desta terça (16/11)


publicada no Diário de S.Paulo


http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/11/13147-guerra+dos+estadios+no+trio+de+ferro.html

domingo, novembro 14, 2010



Flu vacila.


Timão lidera.


E a polêmica.

A rodada 35 do Brasileirão 2010 é daquelas que não termina, ficará na cabeça dos torcedores, nas páginas de jornais, ondas de rádio e imagens de TV até que o campeonato termine. Teve de tudo até agora (escrevo antes dos jogos das 19h30). Jogão, jogo mais ou menos, emoção e muita polêmica, como sempre, em torno da arbitragem.

O Fluminense foi o grande derrotado da rodada, mesmo sem ter perdido. Deixou a liderança nas mãos do Corinthians, que ganhou do Cruzeiro no jogo da polêmica. O Fluminense não cansa de perder pontos para times que estão na zona de rebaixamento e pode ver o título sair pela culatra.

Nervoso, o Tricolor carioca fez um primeiro tempo muito ruim, que mesmo a incrível pressão da etapa final não foi suficiente para compensar. A responsabilidade pesou, faltou ritmo a Deco e Fred, e tranquilidade a Washington. O Goiás mostrou, de novo, que é um time formado por profissionais dignos e dedicados, e tem Rafael Moura talvez na melhor fase de sua carreira. Mesmo assim, amargou um resultado péssimo.

Agora vem o jogo da polêmica. Vi, revi, li, ouvi, conversei sobre Corinthians e Cruzeiro com muita gente. É uma das vantagens de estar de folga e poder ver, ler e ouvir tudo que vale a pena. O pênalti em Ronaldo é, sim, discutível. Se não fosse marcado também geraria polêmica - e nem seria absurdo se não fosse marcado. Assim como não foi absurdo ter sido marcado, é lance interpretativo. Mas fico com a opinião do comentarista de arbitragem da Globo, Renato Marsiglia, de que Sandro Meira Ricci acertou ao marcar.

Para mim o maior erro da arbitragem, o que justificaria a revolta da gente do Cruzeiro, foi o árbitro não ter marcado um pênalti do goleiro Júlio César em Tiago Ribeiro, no segundo tempo do jogo. Assim como o Marsiglia, eu acho que foi pênalti no Tiago Ribeiro (no segundo tempo).

Aí entra em cena o diabo do critério. Como pode um juiz ser tão firme para marcar um pênalti e tão firme para marcar o outro quando as dificuldades envolvidas, a distância e o fato de a visibilidade não ser a melhor estarem interferindo no processo são equivalentes?

Porque Ricci estava de frente para os dois lances e foi incisivo em ambos, mas com interpretações diferentes. Faltou uniformidade de critério, porque assim como há o contato de Gil em Ronaldo, há o toque de Júlio César em Tiago Ribeiro.

Outro tema polêmico e intrigante: a quantidade de erros dos bandeirinhas em lances de impedimento daqueles fáceis, que não requerem tira-teima, replay, nem nada. No Pacaembu, foi marcado um impedimento absurdo de Montillo. Erro. Assim como o torcedor corintiano lembrará dos erros cometidos no jogo contra o o Guarani. Muitas vezes, é o bandeirinha quem enterra o trio de arbitragem.

Sobre o jogo do Pacaembu, teve todos os ingredientes de uma decisão, com grandes lances. O Cruzeiro mais técnico, dominando o meio-campo, tocando bem a bola, e o Corinthians chegando em velocidade e apostando em Ronaldo. Júlio César, goleiro corintiano, fez uma defesa decisiva em chute de Wellington Paulista.

Passei o olho pela vitória do Atlético Goianiense sobre um time reserva absolutamente desinteressado e muito ruim do Palmeiras. Assim como vi lances de Guarani e Vitória e Avaí x Inter, já sonhando com a viagem para Abu Dabi.

Não há nada decidido no campeonato. Os três postulantes ao título estão na disputa. A briga na zona da degola ainda é ferrenha e vai até o Dragão de Goiânia. O Goiás  está na UTI, Avaí e Bugre deram entrada na emergência.

Para mim, o jogo-chave será Vitória x Corinthians, em Salvador. Porque é decisão para ambos, cada um na sua luta.

Aguardemos os fatos.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Brasil começa bem

a Copa América


Pelo menos no sorteio o Brasil largou na frente na Copa América 2011. O grupo brasileiro é uma moleza, na teoria, claro. Venezuela, Equador e Paraguai, na teoria, repito, não devem incomodar a seleção brasileira. Ainda que o time paraguaio tenha feito uma bela Copa, há a questão da mudança de gerações, de renovação acontecendo. O mesmo vale para o Equador, que ainda por cima não terá seu melhor jogador, a altitude de Quito. A Venezuela segue evoluindo, mas lentamente.

Por ter muito mas jogadores para tocar uma renovação e ainda por cima uma geração promissora, o Brasil teve sorte na disputa das bolinhas.

O grupo da Argentina também soa molezinha. A Colômbia está à procura de uma boa geração, que possa ser competitiva, a Bolívia não assusta ninguém e resta o Japão, que na correria pode aprontar alguma coisa, sendo esse inexplicável convidado para jogar a Copa América sendo uma seleção asiática!

Finalmente, o melhor grupo, o mais equilibrado, é o do Uruguai. Que tem a Celeste depois de uma Copa espetacular, o bom time chileno e o convidado centro-americano, outro bom time, o México. O Peru pinta como cumpridor de tabela.

A Copa América é um baita torneio. Pena que as organizações, a começar pela dona Conmebol, o tratem como joguete político. Estive na Venezuela em 2007 e vi o que não foi feito e o que foi feito em termos de capitalização política. Teve governador de província fretando voo para jornalistas, general confiscando ingresso de convidados, enfim, a boa e velha comédia pastelão que ainda infesta esta linda América Latina.

A Argentina começou mal porque também trata o torneio muito mais politica do que esportivamente. Santa Fé, Jujuy e Salta são localidades sem muita condição de receber um torneio desse porte. Enquanto isso, uma cidade importante como Rosário fica de fora. Bem, já vimos esse filme antes.

O que importa é que para mim a Copa América precisa ser valorizada. Não faço parte do grupo de torcedores e jornalistas que desprezam o torneio. Ele é o que representa a realidade do nosso continente, e não cabe comparação com a Euro, são mundos e realidades distintas.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Lincoln foi a cereja


no bolo palmeirense

O Palmeiras confirmou seu favoritismo e se classificou cheio de méritos para as semifinais da Copa Sul-americana. Como todo bom jogo de mata-mata (sou fã declarado desse formato), houve tensão, emoção e alguns belos momentos. Sem contar o espetáculo proporcionado pela massa alviverde, que lotou o Pacaembu e teve um comportamento exemplar, jogando com o time.

O Galo foi valente, mesmo com o time reserva, e na base da velocidade deu trabalho ao Verdão, cujo time é mais pesado e compensa isso com base no bom posicionamento.

A diferença do jogo atendeu pelo nome de Lincoln. O meia fez, provavelmente, sua melhor partida desde que chegou ao Palmeiras. Entrou no lugar de Valdívia, novamente prejudicado por essa história meio sem explicação da fibrose, e foi decisivo. Participou do lance do primeiro gol e deu o toque de classe no segundo.

Lincoln tem uma característica rara nos dias de hoje. É o meia que sabe jogar e sabe ver o jogo. Ainda não recuperou a condição física ideal,  mas foi o complemento perfeito para o time palmeirense, que é muito esforçado, raçudo, mas carece de um toque de técnica no meio-campo. Valdívia e Lincoln, se puderem jogar juntos em algum momento, podem fazer boa dupla e dar mais mobilidade e criatividade ao time de Felipão.

Além disso, o Palmeiras ontem teve Danilo e Luan em boa noite, e Deola confirmando que em se plantando, goleiro bom dá no Palestra.

O Galo fez o mais correto em termos estratégicos, já que ainda corre sério risco no Brasileirão. Mas dificilmente conseguiria melhor sorte com um setor de meio-campo tão pobre tecnicamente quanto o que mandou a campo ontem.

Hoje Avaí e Goiás decidem quem vai encarar o Palmeiras. Quem passar terá problemas diante de um Verdão encorpado no melhor estilo Felipão.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Parabéns, nação Coxa!

O Coritiba está de volta à Série A, onde deve permanecer por sua grandeza e história. Tenho dois amigos coxas que gostaria de parabenizar, o professor Carlo Ramirez e o jornalista Morais Eggers, cuja paixão pelo Coritiba supera fronteiras, literalmente.

Figueirense e Bahia também estão virando a esquina da Série A. América, Portuguesa, Sport estão de olho.
Perda de mando.


Certo ou errado?


Polêmica na reta final do Basileiro. Corinthians perde um mando de jogo e Palmeiras, dois, em virtude de (mais um) ato de vandalismo de torcedores (?) no dérbi paulista.

Confesso que não conheço muito de leis, tentei consultar alguns advogados e promovi um bom debate no twitter sobre isso. Pelo regulamento, o clube mandante é responsável pelos acontecimentos dentro do estádio. Mas soa incoerente para alguns advogados que debateram que atos praticados pela torcida adversária sejam debitados da conta do mandante.

Acredito que o Corinthians deva recorrer da punição, e acho até que os próprios advogados do Palmeiras o farão. No Brasil sempre cabe recurso de tudo, o que é bom e ruim, num País de regras demais e respeito de menos às mesmas. Acredito, também, que o Corinthians tenha bons argumentos.

O que ainda não se discutiu a fundo é o que fazer com os vândalos travestidos de torcedores? Muitos deles financiados pelos próprios clubes. Fui chamado de louco e ingênuo quando disse que os clubes, quando prejudicados pelos maus torcedores, deveriam promover ações cíveis, pedindo ressarcimento dos danos. Corinthians e Palmeiras certamente perderão algum dinheiro se as punições forem mantidas. Deveriam buscar imagens de TV e de câmeras de segurança, identificar os vândalos e processá-los.

Mas parece mais fácil criticar qualquer medida punitiva que seja tomada, imaginar cenários de mutretas e afins. Alguns torcedores sérvios aprontaram num jogo que nem houve contra a Itália, e a Sérvia perdeu os pontos. O dia em que isso acontecer aqui, talvez os clubes deixem de lado a relação promiscua com alguns torcedores (?) e passem a valorizar os que simplesmente torcem de verdade.

  

terça-feira, novembro 09, 2010

Você acredita


em marmelada?


Leia a coluna desta terça-feira no Diário de S.Paulo. http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/11/12557-voce+acredita+em+marmelada.html

segunda-feira, novembro 08, 2010

Equilíbrio total, mas a


rodada sorri para o Flu


Se o Fenômeno disse que o Basileirão é o campeonato mais difícil do mundo, só tenho que aplaudir e me sentir honrado, porque defendo essa tese há tempos, trombando de frente com os aculturados professores que grassam pela análise do ludopédio atual.

Não se vê um campeonato tão equilibrado, tão disputado em outra parte do mundo. Tecnicamente, pode-se argumentar que a Liga dos Campeões é melhor, mas nem mesmo o badalado Campeonato Inglês, que é bom mesmo, se compara ao Brasileirão. Não há no planeta bola outro torneio com dez times efetivamente em condição de disputar o título, ainda que não cheguem a disputá-lo.

Mas chega de enrolação e vamos à opinião. Ainda há muito equilíbrio entre o trio de postulantes ao título. Fluminense, Cruzeiro e Corinthians andam todos no mesmo segundo nas últimas voltas.

Mas a próxima curva é, digamos, favorável ao carro pilotado por Muricy Ramalho. Tudo no campo da teoria, claro. Isso porque o Flu recebe um Goiás que vive na UTI, no Engenhão. Um dia antes, sábado, Corinthians e Cruzeiro jogam uma decisão particular no Pacaembu. Há um cenário ideal para o time das Laranjeiras que é o seguinte: empate em São Paulo e vitória no Engenhão. O Flu chegaria a 64 pontos e Cruzeiro e Corinthians estacionariam em 61, e os cariocas livrariam uma vitória de vantagem.

Mas o cenário também pode se transformar em favor do Corinthians e do Cruzeiro. Qualquer um que vença no Pacaembu, se for brindado com um empate do Fluminense, abrirá um ponto e uma vitória. Isso sem considerar a hipótese de uma tragédia para os torcedores do Flu, uma derrota para o Goiás.

Bola por bola, os três estão no mesmo patamar, com virtudes e defeitos que variam de rodada para rodada, não se pode descartar ninguém. Talvez o campeonato até se decida, de fato, na penúltima rodada. Isso porque na última o trio de candidatos terá provavelmente advesários sem pretensão pela frente. O Cruzeiro pega o Palmeiras, provavelmente poupando jogadores para a Sul-americana. O Corinthians vai a Goiânia enfrentar o Goiás, com grande chance de já estar rebaixado, e o Flu recebe o Guarani, com alta probabilidade de estar também condenado.

Olho, portanto, na rodada 37: Corinthians x Vasco, Palmeiras x Fluminense e Flamengo x Cruzeiro.

Atrás desse trio elétrico acho que não vai mais ninguém. A distância de 5 pontos que separa o Botafogo do Cruzeiro é considerável. Ela sobe para sete no caso do Grêmio, que tem se mostrado o mais capaz dos postulantes a uma reação heróica. A quarta vaga deve ficar entre outro trio, Furacão, Bota e Grêmio. Mas os três ficarão nas mãos de Verdão, Galo, Avaí e Goiás, que lutam pela classificação pela porta da Sul-americana e, como se sabe, fecham a entrada via Brasileiro se levantarem a taça.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Furacão ainda sonha.

Verdão? Sul-americana


Saiu caro para quem pagou para assistir a Atlético Paranaense e Palmeiras. Houve o esforço de sempre, mas futebol que é bom, não teve na Arena da Baixada.

Houve polêmicas como sempre. Dois gols anulados, em, acho eu, dois erros da arbitragem. Um contra cada time.

Fora isso, o Atlético sempre quis mais a vitória que o Palmeiras. Havia desfalques nos dois times, e mesmo assim a equipe paranaense correu, tentou. Seu treinador ousou mais, colocou atacantes, tentou mudar, e foi premiado com uma vitória que mantém vivo o sonho da Libertadores, embora seja difícil. O próximo desafio é o Flamengo.

O Palmeiras mostrou que sem Kléber e Valdívia fica no esforço apenas. Quando o time coloca Pierre em campo certamente não é para tentar ganhar o jogo, ainda que Tinga não tenha correspondido mais adiantado.

Num jogo de muita dedicação apenas, o duelo dos treinadores foi vencido pelo ainda novato Sérgio Soares, que foi mais ousado e quis ganhar o jogo, ante um Felipão mais experiente, sem banco, e que não conseguiu fazer seu time atacar. Precisa fazê-lo na Copa Sul-americana, contra o Galo. Felipão já disse que 4 ou 5 titulares não jogarão contra o Guarani.

A noite marcou ainda a despedida do Grêmio Prudente da Série A. Ruim para a cidade de Presidente Prudente, mas um alerta importante para esses times ciganos, de empresários, que não ligam para torcida.
Parabéns, Ricardo Oliveira!

Certa vez, participando do Bem, Amigos, eu disse que gostaria de ver, um dia, um jogador, torcedor ou técnico brasileiro dizendo que seu time tinha vencido um jogo com um pênalti que não havia existido, algo desse tipo. Pois leio que Ricardo Oliveira, excelente atacante do São Paulo, deu essa declaração hoje, afirmando que, segundo ele, sofreu falta fora da área, e não pênalti no jogo contra o Cruzeiro.

Enfim, taí alguém que acredita que parece realmente querer o bem do futebol  e do esporte, e não apenas levar vantagem em tudo. Erros continuarão acontecendo, mas a postura de dirigentes, atletas e torcedores de apenas comentar e condenar os erros contra seus times é nociva. Geralmente, quando é a favor, eles dizem que não viram, que não podem opinar.

A postura de Ricardo Oliveira é rara e corajosa. Certamente ele será condenado por alguns dirigentes e por muitos torcedores, que sempre acham que seus times são roubados e os outros, favorecidos, criam teorias conspiratórias e parecem acreditar na nojenta tese do roubado é mais gostoso.

No lance em questão, na vitória merecida do São Paulo sobre o Cruzeiro, porque jogou melhor, no máximo houve falta fora da área em Ricardo Oliveira, no máximo. Jamais pênalti. E ele vem a público falar isso, quando o lance foi decisivo para o resultado a favor de seu time (o que não diminui o desempenho excelente de sua equipe). Enfim, é um dia histórico.

Também foi marcado um pênalti que nem duvidoso chega a ser em Dentinho, do Corinthians, contra o Avaí. Leio, também, que o árbitro desse jogo será afastado. Muitos outros pênaltis e faltas inexistentes serão marcados. Todos os times serão beneficiados e prejudicados ao final do campeonato. Erros em contratações, gols perdidos, diretoriasi ncompetentes, técnicos que trabalharam mal, tudo é esquecido, e no final a culpa será sempre da arbitragem.

Montillo parou e o Cruzeiro parou junto

Sou fão do futebol do argentino Montillo. Mas foi ele parar e o Cruzeiro também parou. Montillo joga muito mais do que tem jogado e depende dele o desempenho do Cruzeiro, ainda com grandes chances de título, nas rodadas finais. Assim como o Flu depende de Conca e o Corinthians de Elias.

Respostas no blog

Seguirei respondendo a maioria das perguntas e críticas que aqui chegam. Retiro apenas as ofensivas, xiitas e mal educadas. Também não respondo as que tentam, ainda que educadamente, criar teses fantasiosas e denegrir a imagem de terceiros, de companheiros de profissão. No mais, pode ser a maior bobagem do mundo, na minha opinião, que publico e respondo. O que é bobagem para mim pode não ser para outros.

segunda-feira, novembro 01, 2010



Felipão e imprensa


têm muito crédito


Confesso que não gosto muito de tocar no tema da relação da imprensa com os entrevistados e a notícia. Acho meio chatinho.Gosto de escrever sobre esportes, de debater idéias, interagir, ler críticas, responder aos educados e, admito, peitar alguns mais folgados. O que é errado de minha parte. Mesmo quem não me respeita merece respeito. Vou me policiar e tentarei melhorar.

Pois lá vou eu escrever algo sobre o Felipão e seus destemperos com a imprensa, que reagiu com ironia. Acho que houve excessos e ambos os lados e que todos têm muito crédito.

Lembro de uma entrevista que fizemos com o Felipão quando ele ainda treinava aquele ótimo time do Grêmio. Deve ter sido em 1996, um pouco antes de o time gaúcho ser campeão brasileiro. Eu trabalhava na saudosa Gazeta Esportiva. Fomos até um hotel no Centro de São Paulo eu, Luís Augusto Simon, o Menom, e João Henrique Pugliesi. Foi um bate-papo excelente, franco, sincero. Felipão contou que era assinante do jornal e adorava utilizá-lo para motivar seus jogadores. "Quando vocês escrevem que os times são favoritos contra o Grêmio, eu colo na parede do vestiário e mostro pros jogadores", contou, rindo.

Quando chegou ao Palmeiras, Felipão foi perseguido por alguns veículos de comunicaçãos. Porque ele tinha sido contratado pelo Palmeiras e não confirmou, mentiu por uma questão contratual. Sei do que falo porque demos essa furo na Gazeta, uma semana antes de o Felipão ser apresentado a gente já sabia. O Fábi Koff, então presidente do Grêmio, tinha me dito isso em Porto Alegre, e o Marcelo Tieppo, que cobria o Palmeiras, confirmou com suas fontes. Bancamos. Felipão negou e depois se apresentou. Muita gente não gostou e começou uma guerrinha meio besta e ambas as partes.

Certo dia estava no CT palmeirense e Felipão virou para mim: "tu és da Gazeta?" Eu disse que era. "Pois assim acho que vamos ter problemas". Aí eu disse: "Por quê? Eu nem escrevi nada ainda". Felipão não sabia que havia o jornal A Gazeta Esportiva,  a TV Gazeta e a Rádio Gazeta. Estava bravo com um repórter da TV Gazeta e foi mal informado por seu assessor que era eu. Tivemos um rápido bate-boca. No treino da tarde ele me procurou e pediu desculpas, na frente de todo mundo.

Muitas vezes o problema de Felipão é achar que o mundo é um grande Gre-Nal, que quem não é Grêmio, como ele, é Inter, ou seja, é contra. O que não é verdade. Escolado nisso, ele usa tudo como truques para buscar a vitória, motivar jogadores. Pode não ser certo, mas é válido.

Considero Felipão um grande treinador de futebol. É meio esquentado, usa métodos como os do Mestre Oswaldo Brandão, só que sem a mesma maestria. Mas é um sujeito franco, direto, o que é de se admirar atualmente. Acho até que tem razão em algumas coisas quando critica a minha área de atuação. Como, por exemplo, a insistência de alguns em dizer o quanto ele ganha. Isso é uma velha mania de alguns setores da imprensa. Cada um ganha o que ganha, é coisa pessoal. Técnico não é funcionário público e torcedor não é fiscal da receita. Nem jornalista é. Mas tem gente que acha genial a pauta de mostrar quanto ganham técnicos e jogadores. Eu acho sem graça e sem propósito.

No caso do Palmeiras, um clube que passa por um processo político quente e por uma tentativa de reestruturação do futebol, Felipão é mais que técnico, é bombeiro. Tem que ser meio dirigente numa casa onde não se sabe ao certo quem manda de verdade. Daí chegam os estouros. Acho que ele não deveria estourar quando perguntam sobre Valdívia, porque é um direito dos palmeirenses saber o que passa com o principal jogador de criatividade do time atualmente.

Enfim, tudo tem seus motivos. A mídia erra e acerta. Entrevistadores e entrevistados não precisam mesmo ser amigos. Isso, inclusive, atrapalha. Mas podem e devem se respeitar. Nesse aspecto, foi brilhante a atuação do companheiro Luiz Ademar, presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, que foi conversar com Felipão, em alto nível, como deve ser.

Todos têm muito crédito para superar o que aconteceu. Felipão sabe que a grande maioria da mídia esportiva é formada por gente séria e trabalhadora. O que todos nós sabemos que Felipão é. E todos sabem que há uma instituição por trás de ambos, uma instituição gloriosa que merece todo o respeito, que é o Palmeiras. Quando Felipão se exalta com alguém, é o técnico do Palmeiras, é a imagem do clube que está ali, também a de seus patrocinadores.

E quando Felipão fica chateado quando falam de seu salário, ele sabe que vive agora em um País perigoso, cheio de assaltos e de gente que pesquisa salários de famosos atrás de objetivos nada lícitos. De novo: se ele ganha isso é porque merece e fez muito para chegar lá. E está levando o Palmeiras adiante, com ótimas chances de ganhar a sul-americana.

Em breve acho que todos conviverão em paz. Um bom churrasco resolve tudo. E Felipão é um ótimo contador de histórias quando está relaxado.