segunda-feira, agosto 27, 2007


SUPERCLÁSSICOS AGITAM
RODADA DE QUARTA-FEIRA


Dois dos maiores clássicos do futebol mundial são as atrações desta quarta-feira no Brasileirão. Palmeiras x São Paulo e Botafogo x Flamengo monopolizam as atenções numa rodada marcada, ainda, por outros confrontos importantes.
Para a disputa, o jogo do Palestra Itália é o que mais chama a atenção. Envolve o líder e o quarto colocado. Dois times em boa fase. O São Paulo ostenta a liderança do alto de nove jogos sem derrota e uma defesa que é, de fato, a melhor do mundo em números absoluto, tendo sofrido apenas sete gols em 22 jogos! O time é o melhor visitante do campeonato e o segundo melhor mandante. O Palmeiras reagiu e venceu quatro de seus últimos cinco jogos. Só fica atrás do São Paulo quando joga fora de casa. Chegou ao quarto posto e ganhou confiança, o que sobra ao São Paul. Enfim, tem tudo pra ser o grande jogo do campeonato. Só espero que não seja tecnicamente fraco com foi outro anunciado jogão, Botafogo e São Paulo.
Favoritismo não existe em clássico e no caso deste Palmeiras e São Paulo e a regra também é essa. Sobram atrações. Os goleiros são excelentes. A defesa do São Paulo é ótima, e o meio-campo do Palmeiras tem mostrado bom futebol com Pierre, Martinez e Valdívia. A principal diferença está nas alas. O São Paulo tem mais qualidade com Souza e Jorge Wagner. O Palmeiras encontrou em Luiz Henrique um bom parceiro para Edmundo no ataque. É jogo para fortes emoções.
Discordo de quem afirma que o Morumbi é campo neutro. É o estádio do São Paulo e ali o time manda seus jogos e é mais forte. Claro que ali já perdeu, mas sempre tem vantagem quando está e sua casa. Defendo que as equipes mandem seus jogos em seus estádios e sejam responsabilizadas por eventuais problemas que ocorram. O temor da violência, hoje, está muito mais fora do que dentro dos estádios. E há brigas e pedradas fora do Morumbi e fora do Palestra Itália. Há dificuldades para se chegar nos dois estádios. A maior diferença está no fato de a parte interna do Morumbi ser muito mais moderna e confortável. Embora seja muito mais fácil alguém invadir o gramado do Morumbi do que o do Palestra. Fora isso, o São Paulo já ganhou no Palestra e o Palmeiras já ganhou no Morumbi, o que diminiu consideravelmente essa polêmica. E sobra competitividade nos dois times. Tem tudo para ser o jogo do ano.
Do outro lado da hoje perigosa Ponte Aérea se enfrentam Botafogo e Flamengo. Também sem favoritos, no renovado e sempre belo Maracanã. O Botafogo parece ter reencontrado o prumo com duas vitórias seguidas. O Flamenfo vem embalado por uma sequência de jogos em casa provocada por um problema de calendário que acabou favorecendo o time, que está muito mais forte do que quando deveria ter jogado algumas partidas. Mas não leva vantagem alguma contra o Botafogo. O equilíbrio se faz presente de 1 a 11. O Botafogo é mais forte coletivamente, mas o momento de alguns jogadores do Flamengo impressiona. Em especial do lateral Juan, que anda jogando o fino. Dois jogos para o mundo curtir.

O CORINTHIANS À DERIVA

Poucas vezes me lembro de ter visto um clube tão abandonado como está hoje o Corinthians. A sucessão de erros administrativos e a colcha de retalhos políticos, na qual situação e oposição se misturam promiscuamente, jogaram o clube numa encruzilhada. Há problemas gravíssimos dentro e fora de campo. Rubens Arpobato Machado, um renomado advogado que é conselheiro corintiano, disse no Mesa Redonda da Gazeta que o clube corre risco de rebaixamento dentro e fora de campo, por causa do mau futebol e do rolo com o Lyon, da França. E o que faz o Corinthians? Traz um nome antigo do seu futebol, um pensamento antigo, de tempos que não voltam mais, cuja primeira medida é demitir o técnico e comunicar a um grupo uniformizado, como se esse grupo fosse mais torcedor do time do que os outros. Que esperar de um clube que afasta o presidente por incompetência mas, para tomar medidas necessárias, fica com medo de melindrar quem foi afastado? De sério no Corinthians parece ter sobrado apenas o torcedor que não se mete na política do clube.

sexta-feira, agosto 24, 2007

TEM DECISÃO EM
CAMPEONATO DE
PONTOS CORRIDOS?

Antes de entrar no tema deste post, registro, mais uma vez, que prefiro campeonatos eliminatórios, o famoso mata-mata, com semifinais e finais, a torneios de pontos corridos. Isso posto, literalmente, vamos ao tema principal: num campeonato disputado em sistema de pontos corridos alguns jogos podem ser considerados decisões?
Muita gente acha que os jogos que decidem torneios desse tipo são aqueles que envolvem adversários diretos na briga pelo título, aquela partida que se convencionou chamar de "seis pontos". Tipo um São Paulo e Cruzeiro atualmente.
Penso diferente. Acho que esse tipo de campeonato se ganha ou se perde justamente nos confrontos entre os times que estão na ponta, disputando o título, e aqueles que jogam sem grandes possibilidades ou lutam para não serem rebaixados. Algo como um São Paulo x Náutico. Explico a tese, claro, com alguns exemplos. Em 2004, o Atlético Paranaense liderava e parecia caminhar para o título quando tropeçou no Grêmio, virtualmente rebaixado, em um jogo que estava ganho. Pagou caro por isso e o título ficou com o Santos. Agora em 2007 o Santos perdeu em casa para América de Natal e Náutico, times que lutam apenas para não cair. Ganhou do Botafogo, mas essa vitória não teve exatamente o mesmo peso que as derrotas, e Luxemburgo e cia estão distantes do pelotão de frente. Vejamos o caso do São Paulo, o líder atual, que dificilmente perde pontos bobos para times de menor potencial. Perdeu três para o Náutico, nos Aflitos, e não fosse isso teria uma vantagem praticamente definitiva.
Isso porque clássico, já diz a sabedoria popular, não tem favorito. E clássico se ganha, se perde, se empata, tudo isso já está contabilizado e não interfere diretamente no desempenho de um time teoricamente favorito. E time grande, normalmente, tira ponto de time grande e de time médio e pequeno.
Isso escrito, fica para mim a impressão de que o time que vence os torneios de pontos corridos é, não apenas o melhor, como seria o óbvio afirmar, mas aquele time que menos vacila, que praticamente não perde pontos para equipes mais fracas e ainda consegue ser equilibrado na disputa contra adversários do mesmo potencial. E, além disso, o time que tem um aproveitamento acima da média como mandante ou como visitante. Ou, o que é melhor, em ambos. O São Paulo é absoluto fora de casa. Já o Cruzeiro se equilibra como terceiro mais produtivo em casa e também como visitante. O Palmeiras, vacilante em casa, é segundo na campanha como visitante, o que mantém o time vivo na competição.
E há casos extremos como os do América de Natal, que não ganha quase de ninguém e começa o returno praticamente condenado. Porque tem a pior campanha como mandante e só consegue ser melhor que dois outros times quando sai de casa. Assim fica difícil.

terça-feira, agosto 21, 2007

UMA DICA PARA QUEM QUER
SER JORNALISTA ESPORTIVO

Tem um curso legal pintando no mercado, com gente séria e capacitada, que pode dar boas e úteis dicas sobre esse ramo do Jornalismo. São eles: Patrícia Rangel (FRB), Marcelo Laguna (Diário de S.Paulo), Márcio Moron (TV Record), Vitor Birner (Rádio CBN), Doro Junior (ZDL), Luciano Luiz (Site Futebol Interior). Além das aulas, o aluno poderá participar de uma cobertura ao vivo de um evento esportivo.

Conteúdo:
A rotina de um jornal
Internet e blogs
Improviso e links ao vivo
Assessoria de grandes eventos esportivos e atletas
A cobertura de competições internacionais (Copa do Mundo, Olimpíadas, São Silvestre, Super Liga de Vôlei, outras)
Ética da profissão e mershandising
Marketing Esportivo
Transmissão Esportiva
A produção
Narração, reportagens e comentários
Pauta, produção de matérias especiais: como fugir do comum
Decupagem, Off, gravação de Off
Reportagem externa
Release
Mercado de trabalho
Jornal, assessoria de imprensa, blogs, internet, rádio e TV
Local: Faculdades Integradas Rio BrancoInício: 25 de agosto
Duração: 64 horas
Informações: Faculdades Integradas Rio Branco - Telefones: 0800 16 55 21 ou (11) 3879 3105 com Juliana (das 13:00 às 21:00hs) ou pelo site: www.riobrancofac.edu.br

segunda-feira, agosto 20, 2007

CRUZEIRO E VASCO

ESTÃO NO PÁREO


O returno do Brasileirão começa com uma boa notícia para parte dos mineiros e parte dos cariocas. Os cruzeirenses e os vascaínos têm todos os motivos do mundo do futebol para acreditar numa eventual conquista do título brasileiro. O que não significa dizer que ela acontecerá. Mas não seria nada do outro mundo.
Mineiramente, comendo pelas beiradas, o Cruzeiro se fortaleceu ao longo da competição. Eliminou o descrédito inicial e apostou num treinador que é uma interessante revelação: Dorival Júnior. Discreto, sem arroubos de sabe-tudo,. Dorival Júnior não diz a cada entrevista coletiva que é muito bom ou que tem 30 anos de futebol. Trabalha sério e em silêncio. Vale lembrar que foi vice-campeão paulista eliminando o São Paulo na semifinal com uma sonora goleada de 4 a 1. Aos poucos vai acertando o Cruzeiro, embalado pela boa fase de alguns jogadores, em especial de Alecssandro. Com um jogo a menos que o líder São Paulo, o Cruzeiro pode, na teoria, estar apenas três pontos atrás do ponteiro. O que empresta outro sabor ao campeonato, principalmente porque ainda resta o confronto direto, que será realizado no Morumbi. Mas se quiser interromper a constante e impressionante caminhada são-paulina, precisa arrumar a defesa. Embora seja o melhor ataque do torneio, tendo marcado 44 vezes, já sofreu 35 gols, um número alto e que denota problemas. Mas impressiona o fato de o Cruzeiro ser um time que joga igual dentro e fora de casa. É o terceiro em aproveitamento jogando em Minas e também terceiro quando sai de seus domínios.
O Vasco é uma agradável surpresa. Primeiro porque duvido que o mais otimista dos vascaínos apostasse numa campanha tão consistente. Segundo, porque Celso Roth, o treinador, andava pra lá de desacreditado. Dele diz-se que seus trabalhos têm prazo de validade, que começam bem mas não se sustentam. Esse Vasco do Brasileiro joga por terra essa tese. Um time bem armado e que em casa se insinua irresistível, tendo por base um meio-campo que tem dois atletas com futebol de gente grande: Andrade e Conca. O dilema vascaíno está em equilibrar o fantástico desempenho como mandante (é o melhor do campeonato) com a débil produção fora de casa (é apenas o décimo-sétimo em aproveitamento longe de São Januário). A regularidade do líder São Paulo mostra o time como o melhor visitante e o oitavo em desempenho dentro de casa.
Um pouco abaixo desse autêntico trio de ferro do Brasileiro-07 aparecem Botafogo (em curva descendente) e Palmeiras, numa boa corrida de recuperação. O Botafogo ainda se sustenta no bom desempenho como mandante (é o segundo), mas seu último mês faz acender a luz vermelha. O Palmeiras tenta equilibrar seu desempenho em casa, condição na qual tem apenas a décima-segunda campanha, com o incrível percentual de aproveitamento como visitante - é o segundo convidado menos desejado.
Grêmio, Santos, Goiás e Internacional ainda podem sonhar. Não ficam nada a dever a Palmeiras e Botafogo tecnica e taticamente. Mas precisarão de uma grande sequência de vitórias para encostar no trio de cima.
A ponta de baixo da tabela promete tirar o sono de muitos torcedores. América e Náutico são os dois piores times do campeonato como mandantes e precisam, urgentemente, ganhar em casa para escapar do rebaixamento. Mas só perdem. O Juventude tem um elenco pra lá de fraco e é o pior visitante da competição. Mesmo sem ser brilhante - muito longe disso - o Flamengo é melhor que esses três e tem tudo para fugir da degola se tiver um bom desempenho em casa. Paraná e Figueirense perderam o fôlego inicial e o Atlético Paranaense não tem feito da Arena seu alçapão, o que parece ser a única alternativa.

quinta-feira, agosto 16, 2007

OS GURUS ERRARAM DE NOVO


Um dos ramos mais supervalorizados do mundo atualmente é o de guru da economia. Essas tais agências de classificação de risco praticamente decidem o meu, o seu destino avaliando países, inventando classificações como esse desprezível risco-país e, literalmente, brincando com milhões em espécie e milhões da nossa espécie, a humana.
Vomitam previsões e análises do alto de currículos que podem impressionar pela profusão de mestrados, doutorados e MBAs (outra praga do mundo mercadológico moderno). Um parecer dessa gente supervalorizada mexe com a sua vida no instante seguinte. Esses gurus do mundo globalizado e da economia de mercado (que de mercado não tem nada, mas é quase sempre economia da especulação) já previram inúmeras quebras de países (o Brasil escapou a esse vaticínio dezenas de vezes) e, por incrível que pareça, não tiveram a capacidade de prever o estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. Ou será que não quiseram prever? Pois há alguns meses, um analista de mercado imobiliário que vi em entrevista do programa da Oprah Winfrey, retransmitido com algum atraso no GNT, já avisava que havia ali algo errado. Mas ele não era um guru e nem trabalhava em agência de classificação de risco.
Pois esse festival de chutes deu no que deu, uma nova crise especulativa global. Que carregará com ela empregos, economias, sonhos e esperanças. Falo que esses caras chutam porque é isso mesmo. Muitos deles jamais vieram ao Brasil e os brasileiros que nessas agências trabalham será que vão a supermercados, pagam prestações, fazem financiamento ou vivem naquela bolha da geração MBA de jovens cujo mundo trafega entre Blackberrys e BMWs, passando por stock options? Aposto na segunda opção. Por muito menos, eu que trabalho com esporte, já fui atleta, passo boa parte do meu tempo em estádios de futebol e pesquisando já fui chamado de chutador. E essa gente?
Que não pensem que eu sou contra mercado, trabalho, investimento e investidores. Longe disso. Entendo como funciona essa engrenagem. O que sou contra é essa feroz especulação financeira, recheada de falcatruas, pareceres que vitaminam ações e países com interesses obscuros. O que eu gostaria de perguntar agora é se algum desses gurus perde dinheiro com seus pareceres ou se investe sua grana nas ações que recomendam?

RIVAL AMIGO

Em sua luta para escapar da zona perigosa no Gangorrão-07 o Corinthians deu uma tremenda forla ao rival São Paulo. Ganhou do Grêmio e do Botafogo, que eram potenciais candidatos no primeiro turno, e deu ao Tricolor uma folga considerável para o início do returno. São particularidades desse sistema de disputa. Eu ainda defendo a tese de que esse campeonato não se define nos confrontos entre os tubarões que brigam pela taça, mas sim quando esses peixes graúdos enfrentam peixinhos ornamentais ou frágeis girinos e perdem pontos que pareciam ganhos. O segundo turno vem aí pra colocar em discussão essa tese.

FOGO BAIXO

Que dizer do Botafogo, outrora esfuziante e agora quase opaco? Primeiro que nada está perdido. Segundo que em vez de espernear e se fazer de vítima, o vice-presidente do clube deveria tratar de buscar um goleiro ao menos razoável e enquadrar o Zé Roberto. Por que é fácil afastar jogador indisciplinado. Difícil é fazê-lo jogar. Talvez agora o cartola fale menos e deixe o clima mais tranquilo para que Cuca e seus jogadores possam trabalhar e recuperar o caminho das vitórias.

CRISE DO VÔLEI

Acho ótimo que tenha estourado essa crise no time masculino de vôlei do Brasil. Acaba com aquela aura pra lá de falsa de equipe perfeita, meninos maravilhosos e treinador iluminado. São todos muito competentes, mas seres humanos, com pecados e virtudes. Aquele ar de sala à prova de micróbios que havia no voleibol era meio irritante e pouco verdadeiro. Duvido que isso abale a caminhada vitoriosa do time e coloque um pingo de dúvida sobre a capacidade de Bernardinho. Melhor para todos eles que não são semideuses ou deuses, mas apenas atletas e profissionais de alto nível em suas atividades.

segunda-feira, agosto 13, 2007

A ESTUPIDEZ REINA NO FUTEBOL


Alguns acontecimentos recentes comprovam que o futebol, mesmo apaixonante, cativante e uma mania mundial, ainda está recheado de estupidez, dentro e fora das quatro linhas. Estupidez irracional como aquele chute no rosto desferido pelo Túlio, do Botafogo. Estupidez racional, como essa questão toda envolvendo o Richarlyson, do São Paulo, em que um magistrado acusa, julga e condena um ser humano com base em suposições e, ainda pior, por uma opção. Estupidez reacionária como a velada suspensão a Ana Paula Oliveira apenas pelo fato de ela ter posado nua em uma revista masculina. E aquela estupidez do dia a dia, da bagunça, da desorganização, dos treinadores mandrakes etc.
O caso do Túlio é emblemático. Bom jogador, gente boa, inteligente, Túlio certamente surtou por um segundo quando chutou o rosto do Leandro, do São Paulo. Algo que precisa ser duramente punido, como os tapinhas cafajestes do Souza, do Flamengo, no Tcheco, do Grêmio. E os coices e cotoveladas do Tcheco e do Gavilán no Alex Mineiro e no Evandro, do Atlético Paranaense.
Não adianta punir de mentirinha e depois aliviar. É preciso punir para dar o exemplo e pelo menos começar uma caçada à estupidez reinante, não apenas no mundo da bola, mas no planeta. Ou corremos o risco de ver casos como o do zagueiro Cris, hoje feliz da vida na França. Ele se meteu num quebra-pau com o goleiro Eduardo, num Cruzeiro x Atlético-MG, levou uma baita suspensão e, mesmo estando suspenso, foi convocado e participou da Copa do Mundo de 2006!!!! Uma baita punição, concordam? Uma vergonha.
O caso do Richarlyson só mostra que o futebol é um ambiente em que reina um preconceito muito mal disfarçado. Histórias de homossexualismo no esporte pululam. E o lado fofoqueiro que reside em cada torcedor, jornalista, enfim, em todo mundo, vibra com essas polêmicas pra lá de inúteis. O ser humano, e o brasileiro em especial, adora uma fofoca. Mas deveria se preocupar mais com a sua vida do que com a dos outros. Se fulano é gay, se cicrano é isso ou aquilo, problema deles. Richarlyson, ao que parece, é um profissional correto, dedicado e trabalhador. É direito dele falar ou não de suas opções de vida, inclusive a sexual. E o assunto morre ali.
Recentemente falecido, o jogador de vôlei Lilico assumiu sua homossexualidade numa entrevista à repórter Karol Knoploch, então em A Gazeta Esportiva. No vôlei todos já sabiam disso e o próprio jogador fazia questão de deixar claro sempre que começava o trabalho em um novo time. Seguiu jogando vôlei enquanto pôde e, ao que consta, sem problemas. Então, que tal deixar o Richarlyson em paz e cuidar cada um da sua vida?
Outra bobagem é essa polêmica em torno da Ana Paula Oliveira. Tem gente que acha que ela não pode bandeirar nunca mais só porque posou nua. E eu pergunto; por quê? O Vampeta posou pelado e joga bola até hoje. Hortência e Ida, craques do basquete e do vôlei, posaram nuas e seguiram suas brilhantes carreiras. O que ouvirá que já não tenha ouvido a Ana Paula só porque posou nua? Ela vai errar ou acertar menos por isso? Quanta baboseira!!!!
O certo é que no futebol as pessoas adoram falar em ética e em caráter, mas a maioria não conhece e nem sabe como utilizar essas palavras. O que interessa é vencer e se dar bem a qualquer custo. O boleiro que cai na vida tem fama de pegador e é idolatrado. A mulher que se aventura nesse meio é tachada de sapatão ou vagabunda. E é mais importante descobrir se fulano é gay do que analisar sua atuação como atleta.
Assim caminha a mediocridade.

MEIO CAMINHO ANDADO

Foi-se praticamente todo o primeiro turno do Gangorrão-07. Faltam alguns jogos atrasados que não mudarão o fato de que segue gritante a diferença entre o São Paulo e o restante dos times em termos de eficiência e competitividade. Mas há fatos novos que podem chacoalhar o segundo turno. Talvez não a disputa pelo título, mas sim pela Libertadores e contra o rebaixamento. Claro que se houver uma vitória do Botafogo sobre o Corinthians, a diferença em relação ao São Paulo seria perfeitamente contornável. Sem contar a arrancada do Cruzeiro. Mas se levarmos em conta o fato de que no returno o São Paulo joga em casa contra ambos, a teoria já se pinta de três cores.
Título à parte, a briga pela Libertadores promete. Estão nela, muito vivos, São Paulo, Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Goiás, Palmeiras, Grêmio, Santos, Inter. E lá embaixo tem muita gente preocupada. Enfim, atrações para todos os gostos, em duelos cheios de alternativas táticas, técnicas e psicológicas. Casos do Palmeiras, que adora fugir de casa. Do Inter que reatou um casamento antigo. Do Corinthians que faz do sofrimento sua religião. Do Santos que acredita na magia de um treinador. Diversão não faltará. Principalmente se a estupidez der uma trégua.

domingo, agosto 12, 2007

PISADA DE BOLA E RECADO

Cometi um erro imperdoável no último post. Esqueci de listar entre os prováveis candidatos a atrapalhar a caminhada do São Paulo rumo ao título os bons times do Grêmio e do Vasco. O Grêmio, movido pela extrema competência de Mano Menezes, e o Vasco pela regularidade do trabalho de Celso Roth e um meio-campo raro de se ver hoje em dia, com Morais, Andrade e Conca.
Sobre a mensagem que um amigo manda a respeito de citação feita sobre o meu trabalho por um colunista do Sul, digo apenas o seguinte: opinão cada um tem a sua. Mas no Sul eu não acompanho autores menores. Sou leitor fiel e fã de gente como David Coimbra e Ruy Carlos Ostermann.

quinta-feira, agosto 09, 2007


SÃO PAULO SE REINVENTA

E PARTE RUMO AO TÍTULO


Não foi um jogo daqueles para se guardar na memória, mas Botafogo e São Paulo fizeram uma partida interessante e que, vencida pelo Tricolor paulista sem contestações, fecha um ciclo do time comandao por Muricy Ramalho. Desde a conquista do Brasileiro/06, passando pelas eliminações no Paulista/07 e na Libertadores/07, o São Paulo se reinventou como time. Enfrentou um processo de transição no qual se transformou de time agressivo, que impunha seu estilo dentro do campo do adversário, marcando forte e sufocando os rivais, em equipe mais cautelosa, defensiva, calcada num sistema de marcação afiado, sem, em momento algum, deixar de ser eficiente e competitivo.
A vitória sobre o Botafogo traduz, em menor escala, esse processo de modificação do São Paulo, muito bem conduzido pela dupla Muricy Ramalho e Tata, com o auxílio luxuoso do preparador físico Carlinhos Neves. No primeiro tempo, o São Paulo aceitou a condição técnica superior do Botafogo e se deixou ser atacado, confiando na qualidade da defesa com Rogério, Miranda, Breno e Alex Silva, com Josué na proteção do setor. O Botafogo dominou, mas não foi muito superior, nem criou grandes chances de gol. Na segunda etapa, com a entrada de Júnior no meio-campo, o São Paulo adiantou seu posicionamento, passou a marcar a saída de bola do Botafogo e, logo após sua melhor jogada na partida, uma envolvente troca de passes, pintou o escanteio que Alex Silva completou como gol.
Foi a senha para que a confiança de time vencedor e eficiente do São Paulo sobrepujasse a intranquilidade de time bom mas que ainda não ganhou nada do Botafogo. O segundo gol nasce de uma roubada de bola de Júnior, que alguns interpretaram como falta (eu achei normal), que Leandro concluiu, com uma ajudazinha do goleiro Marcos Leandro. Naquele momento o São Paulo já era aquele convidado que toma conta da festa, abre a geladeira, prepara os sanduíches e ainda se dá ao luxo de cantar a irmã do dono da casa, tamanha a tranquilidade com que jogava no Maracanã.
O resultado do jogo mais importante do Gangorrão-/07 ate agora não representa a conquista antecipada do São Paulo, mas recoloca o time como principal candidato ao título. Pela eficiência e pela competitividade, mesmo com uma alteração de estilo tão drástica. Claro que o time tem defeitos e, como todos os outros, viveu momentos de instabilidade no campeonato. Certamente os viverá de novo. Além de precisar buscar uma saída para a quase inoperância de seus atacantes e a irregularidade de jogadores como Richarlyson, Hernanes, Souza, Dagoberto e Jorge Wagner. É nessa hora que pinta a vantagem de se ter um elenco completo como o do São Paulo. Completo porque há jogadores para todas as posições, o que nenhum outro time tem. Acrdito que nem todos os jogadores do São Paulo seriam titulares de todos os times do Brasil em suas posições. Mas a média geral do elenco é boa e mesmo os reservas funcionam bem coletivamente.
E quem poderia brecar o Tricolor em sua caminhada rumo ao penta? O próprio Botafogo é um candidato e poderá terminar o turno apenas dois pontos atrás do líder. O Cruzeiro impressiona pela recuperação. O Santos não pode ser esquecido, ainda que necessite de um aproveitamento espetacular. Por fim, Palmeiras, Goiás e Internacional também mostram potencial para, conseguindo uma arrancada, entrarem na briga. Mesmo assim, o São Paulo alugou a pole-position e vai ser difícil tirá-lo dali.

segunda-feira, agosto 06, 2007


BOTAFOGO X SÃO PAULO,

A PRIMEIRA DECISÃO


A tabela do Gangorrão 2007, caprichosa, reserva para uma das últimas rodadas do turno inicial a primeira decisão de verdade do campeonato. Botafogo e São Paulo, os dois principais times do Brasil na atualidade, se pegam num duelo de arrepiar, no Rio. Reza a história recente do Brasileiro por pontos corridos que o time que vira o turno na liderança fica com a taça. Por isso tem pinta de decisão, embora, de fato, não decida coisa alguma.
Mas, afinal, o que têm de tão diferente Botafogo e São Paulo? O São Paulo não é segredo para ninuguém. Tem uma boa base e alguns jogadores diferenciados. Rogério Ceni, Josué, Miranda, Alex Silva estão acima da média atual do futebol brasileiro. Há ainda bons jogadores como Souza, Jorge Wagner, Reasco, Dagoberto e uma turma esforçada que, aliada a esses acima da média ou bons sobe de produção. Casos de Leandro, Hugo, Borges, Aloísio. Some-se a isso o entrosamento de quase dois anos de trabalho e a confiança adquirida por uma sequência de bons resultados e chegamos ao que, para mim, explica o sucesso tricolor. Claro que há pontos fracos, como o desempenho ainda frágil do ataque, e a indefinição na lateral direita.
O Botafogo tem um grupo que, talvez, não conte com jogadores do porte daqueles diferenciados do São Paulo. Mas encaixou uma maneira de jogar que fez luzir alguns atletas de quem muita gente esperava pouco. Casos de Joílson, Jorge Henrique e Lúcio Flávio. O diferenciado do time, Dodô, está livre para jogar, numa decisão pra lá de polêmica e que ofusca a grande campanha botafoguense. Debilidades? A defesa e, principalmente, os goleiros, que não inspiram confiança.
Mas tem tudo para ser o jogo deste primeiro turno.

A TURMA DO BOTE

E que dizer da turma que está logo abaixo de São Paulo e Botafogo, esperando para dar o bote? Vasco, Goiás, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras ainda não mostraram consistência suficiente para dar esse salto. Oscilam muito e não conseguem o equilíbrio mostrado pelos líderes. Todos têm méritos e defeitos. O Vasco deixou de ser 100% em casa numa hora em que se esperava muito dele em São Januário. O Goiás, como quase sempre acontece, começa a perder o fôlego na reta de chegada. Ao Grêmio acho que falta a diferença que Lucas fazia no meio-campo e, também, a boa fase de Lúcio na esquerda. O Cruzeiro não oscila apenas na competição, mas principalmente dentro de cada jogo. E o Palmeiras, apesar da raça e do talento de Valdívia e Edmundo, ainda é um time muito vulnerável na defesa. Resta saber qual será o comportamento, no returno, de times como Internacional, Fluminense, Paraná e Figueirense. E, principalmente, medir o poder de reação do Santos.

quinta-feira, agosto 02, 2007

EM BOCA FECHADA....
E VIVA ZAGALLO!!!!


Qual seria o real objetivo por trás das afirmações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de que jogadores da Seleção Brasileira chegaram bêbados à concentração na Copa da Alemanha, "revelação" feita agora, um ano após o fracasso do time? Qual o sentido, qual a validade disso tudo? Sem contar a astuta observação de que Ronaldo estava acima do peso, o que era visível a um observador que estivesse assistindo a Copa desde a Lua. E mesmo assim o Gordinho foi o artilheiro do Brasil na Copa.
Se sabia de tudo isso, porque o comandante da CBF só se manifestou agora, um ano depois? Isso é comando? É autoridade? Se sabia, porque não tomou as rédeas da situação com a Copa em andamento? Um ano depois, é justo falar de coisas que são absolutamente corriqueiras (o que não significa que sejam corretas) no mundo do futebol e, quando os times vencem, ninguém fala nada? Eu não fui à Alemanha mas ouvi de fontes fidedignas - mais de uma - tudo isso que a CBF agora joga no ventilador. Todos sabiam. Mas não foi a CBF que programou tudo? Os treinos em Weggis, a badalação (a peso de dólares e euros)? Será justo agora querer falar de tudo que não foi falado há um ano? Só porque Dunga e cia. venceram a Copa América sem Ronaldo, Kaká e Ronaldinho?
Quem se saiu muito bem nisso tudo e, uma vez mais, mostrou que é uma figura importante e respeitada do futebol brasileiro, foi Zagallo. Fechou questão com os jogadores e contestou a versão oficial. Ficou ao lado de quem, de verdade, faz o espetáculo e sobre quem arrebenta o peso do fracasso. Esse tipo de coisa se resolve dentro de concentrações e de hotéis. Mesmo porque tem o seguinte: atire o primeiro copo quem pode falar com a cara lavada. O que não me parece ser o caso.

O FENÔMENO VASCO

Já que o assunto é fenômeno, que tal o Vasco? A mais agradável surpresa do Gangorrão 2007. Um time como outro qualquer, mais esforçado que capacitado. Com um treinador como outro qualquer, mais conservador do que ousado. Mas está aí o Vasco, com um desempenho surpreendente e, diga-se, merecido. Não é nada, não é nada, o Vasco já pode se dar ao luxo de sonhar com algo mais na competição. E não nos esqueçamos do seguinte: a base foi montada em 2006, por Renato Gaúcho, e mantida em 2007, com alguns ajustes. A vitória sobre o Inter em Porto Alegre, somada aos 100% de aproveitamento em São Januário credenciam o Vasco a brigar pela taça com Botafogo, São Paulo e Grêmio.

O FRUSTRANTE PALMEIRAS

Ao contrário do Vasco, o Palmeiras segue frustrando seu torcedor. Quando alguém pergunta porque o Palmeiras gera tanta desconfiança, o próprio time se encarrega de responder. Um time como outro qualquer, muito mais esforçado do que capacitado. Com um treinador como outro qualquer, cheio de boas intenções, mas ainda longe de fazer a diferença. O grande problema do Palmeiras, me parece, já vem de há tempos: se acostumou a ser coadjuvante. O time quase todo é de coadjuvantes, tirando um postulante ao estrelato (Valdívia) e a uma estrela em fim de carreira (Edmundo). Traçado o perfil da equipe, fica evidente que falta base para um salto maior.

O VACILANTE CORINTHIANS

Que esperar de um time que deposita toda a sua esperança num garoto de 17 anos? E que vê esse garoto jogar mais e com mais personalidade que alguns veteranos? Nada mais do que se tem do bagunçado Corinthians. Duro mesmo foi ver a bronca do goleiro Felipe no zagueiro Kadu, que realmente falhou no lance do segundo gol do Atlético Paranaense. E Felipe, não falhou no lance do primeiro?

OS LÍDERES DISPARAM

Botafogo e São Paulo, nessa ordem, os melhores times do Brasileirão neste momento, têm tudo para abrir distância nas próximas rodadas. O Botafogo já soma 31 pontos em 15 jogos. O Palmeiras, em oitavo, tem 23. O São Paulo pode chegar aos 31 em 16 jogos, no jogo teoricamente fácil que tem contra o Juventude. Na virada do turno podemos ter polarizada a disputa pelo título entre o alvinegro carioca e o tricolor paulista. Com o Vasco querendo entar de penetra.

segunda-feira, julho 30, 2007


RESSACA DO PAN

E O BRASILEIRÃO


Foi-se o Pan e confesso que deixa uma certa nostalgia para um fã de esportes em geral. Dentro de suas limitações e características - repito uma vez mais, Pan é Pan, não tem nada que ver com Olimpíada - foi um belo espetáculo, com grandes momentos e imagens marcantes. Como, assumidamente, foi um Pan de candidatura olímpica, resta aguardar os próximos passos no sentido de o Rio disputar a realização dos Jogos de 20016.
Muita coisa boa pode ser melhorada e muita coisa que não deu certo precisa ser repensada. Algumas das instalações são excelentes para o padrão olímpico. Engana-se quem fala que muitas delas, apesar de belas e modernas, não têm tamanho para uma Olimpíada, que gera um maior afluxo de pessoas. Em Barcelona-92, por exemplo, o time de vôlei masculino do Brasil jogou num ginásio antigo, pequeno e sem climatização na maioria da primeira fase. Assim como o ginásio de Badalona, que recebeu o basquete, não é melhor nem maior que a Arena que recebeu o basquete do Pan.
O que não se pode aceitar são vacilos como o ocorrido no beisebol. Para nós, um esporte sem grande prestígio, mas pra muita gente o beisebol é uma paixão e merecia melhor tratamento. Assim como o comportamento em geral de alguns torcedores merece repreensão. E a questão do transporte precisa ser muito, mas muito melhorada. Assim como a cidade poderia ter sido mais convidada a participar dos Jogos. Em termos gerais, como Pan, foi muito bom e ratificou, pelo menos, o direito de o Rio oferecer-se como candiato.
Entre altos e baixos, para mim, o grande momento dos Jogos foi a vitória brasileira no revezamento 4x100 do atletismo, uma prova sensacional, emocionante. E o pior foi ver atletas campeões olímpicos envolvidos num barraco na arena do judô.
Mas, com certeza, deixou saudades.

BRASILEIRÃO

Andei afastado do dia-a-dia do Brasileirão, mas pouca coisa se alterou. A pricipal mudança foi a arrancada do São Paulo para encostar no Botafogo, ainda que com um jogo a mais. Fico imaginando o que dirão agora aqueles eternos críticos do Muricy, que acham que tudo era culpa dele, que o elenco é espetacular, maravilhoso, que tudo que acontece de errado é por causa do treinador.
O Botafogo segue sendo o time mais interessante, que joga de forma mais consistente e alegre. Mas corre o risco de ver tudo isso ruir se alguém não chegar para uma conversa com o goleiro Júlio César. Ele é atabalhoado demais, não tem noção de quando e como deve sair do gol e comete algumas barbaridades. Dá pra resolver com orientação e conversa, mas que ele compromete em algumas ocasiões, isso é fato.
São Paulo e Botafogo à parte, a briga é embolada. Grêmio, Vasco, Fluminense, Palmeiras, Inter, essa turma toda está ali à espreita, preparando um bote. O Inter conta com um grande reforço, a volta de Alex, que é bom jogador e versátil taticamente. O Vasco tem um problema de dupla personalidade. Se jogasse apenas em São Januário, seria campeão. Mas tem jogo fora de casa e aí o time se complica. O Palmeiras tem mais transpiração que inspiração e vai se segurando numa raça fora do comum. O Grêmio é competitivo, mas parece faltar um algo mais, assim como no Verdão. Por fim, o Fluminense campeão da Copa do Brasil ensaia uma arrancada, mas por enquanto a banda ainda não mostrou que pode sair em turnê.
Em resumo, é um campeonato interessante como compeitção, mas que deve e muito como espetáulo. Infelizmente, a tônica do futebol brasileiro atual é a destruição. Quase todos os times têm como premissa básica não deixar o adversário jogar e acabam se esquecendo, eles, de jogar um pouquinho. Bota e São Paulo fogem a essa regra. Os outros escapam de vez em quando.
E por falar em destruição, de tanto tentarem, os dirigentes de Corinthians e Flamengo parece que, desta vez, caminham em ritmo acelerado para conseguir seu intuito de destruir esses patrimônios do nosso esporte. O caso do Corinthians é bem pior que o do Flamengo, que parece ter percebido um pouco antes que não há nada além do fundo do poço. Mas chamar Joel Santana de novo é a maior prova de que o Flamengo já pensa, de novo, apenas em não cair. O Corinthians, que virou um clone do Bragantino, não pode mesmo esperar muita coisa enquanto não se livrar desse encosto chamado MSI. Tristes dias para as maiores torcidas do Brasil.

sexta-feira, julho 27, 2007


SE A CRÍTICA ODEIA...


Nunca fui muito chegado a intelectualidades e intelectuais. Tenho interesse por cultura, é óbvio, mas esses chamados papos-cabeça, cinema iraniano, música da Islândia, nada disso faz muito a minha cabeça. Talvez eu tenha uma orientação cultural mais voltada para o pop, embora me permita gostar de alguma música mais complicada, uns discos de jazz, lamentar não ter tempo para ir ao teatro e admirar alguns filmes que não fazem parte da temática do chamado cinemão.
Tenho alguns amigos que são críticos culturais, uns de cinema, outros de música. Destaco um parceiro das antigas, Fabian Chacur, um dos pucos críticos musicais sem preconceito que já li.
Em virtude disso, resolvi adotar uma tática com relação a novas músicas e filmes. Leio alguma crítica que detona um filme que vem cumprindo uma carreira pelo menos boa e que, no boca a boca, conta com boa cotação. Vou pelo lado oposto do crítico. Aposto no que ele detona e geralmente saio feliz do cinema. Não consigo imaginar que alguns detonem a falta de filosofia ou mensagem num filme tipicamente de ação, para divertir. E aí elogiam cada coisa sem nexo.... Vá lá, talves eu não tenha o preparo intelectual para certo tipo de cinema. Embora goste de coisas como Janela Indiscreta, Blade Runner e cinemão do tipo Star Wars, De Volta para o Futuro.
Quando o assunto resvala para a música, aí chega a ser irritante. Porque falta, desculpem a força da palavra, honestidade. Boa parte dos chamados críticos músicais quer, na verdade, impor o gosto musical deles e de sua turminha em suas colunas e análises. Aí pintam aquelas bandinhas obscuras da Escócia chamadas como as melhores do mundo, em textos descaradamente copiados de revistas londrinas. Essa corrente que tenta transformar, sem sucesso, o Oasis em maior banda do mundo há uns 15 anos. Mas o mundo não é trouxa. Se a crítica músical, em especial a da Folha, excelsa um disco de rock da Escócia, passo longe. Seria, mal comparando, como um jornalista que cobre esportes querer convencer todo mundo que o melhor time é o dele só porque ele acha. Ou querer afirmar que West Ham e Southampton é melhor que um jogo do Brasileirão só porque é da Inglaterra.
Admito um certo radicalismo de minha posição, já que gosto de música velha (dos 50 aos 80, preferencialmente), acho o cenário pop-rock atual medíocre e admiro - como alguém que gostaria mas não tem o dom - músicos talentosos e criativos.
Cada um tem sua preferência. Nunca fui grande fã do Nirvana, acho Foo Fighters muito, mas muito melhor, mas como negar o poder de uma música como Come As You Are?
Depois tem gente que não entende porque bandas das antigas ainda saem em turnê, lotam estádios e são celebradas após 30, 40 anos de carreira. Tá faltando qualidade no mercado. Algo como explicar porque tem tanto jogador com mais de 30, 35 jogando direitinho no futebol brasileiro. As novas gerações não ajudam.

quinta-feira, julho 26, 2007

RESPOSTA A UM ANÔNIMO


O espaço é sempre democrático e incentiva a troca de idéias, ainda que algumas venham sob o manto do anonimato, como um comentário muito bem articulado de um internauta, falando sobre o que escrevi a respeito do Pan e dos comentários da final do futebol feminino.

1) O time de futebol feminino dos EUA que jogou o Pan é sub-20, não sub-17 como o senhor anônimo afirma. E sendo um time sub-20, reforço, é um time muito bom, sim, dentro da sua categoria. Só não se pode compará-lo ao time principal do Brasil, que é vice-campeão olímpico. Se os EUA decidiram mandar seu time Sub-20, não é problema do Brasil, ou meu, ou seu. É dos EUA, que, inclusive, são a maior potência do futebol feminino.

2) Sobre a natação, se o amigo anônimo acompanhou com atenção as análises da equipe do SporTV, todos foram unânimes ao apontar Cielo como o nadador com melhores condições para a Olimpíada. Com o que não posso concordar é com certo tipo de comentário que desmerece uma conquista de um atleta, dentro de um parâmetro. Se ganhar tantas medalhas como o Thiago Pereira ganhou é assim tão fácil, porque demorou tanto tempo (40 anos) para que alguém fizesse o que Mark Spitz fez em 1967?

3) O SporTV é um canal de gente séria e responsável, que procura informar e opinar com profissionalismo. Ninguém ali está tentando enganar no que faz, nem tem motivos para isso. Muito menos fazer comentários mentirosos, como o senhor anônimo afirma. Concordar ou não é outra história, assim como achar que eu ou algum colega meu entendemos ou não de determinado assunto. E outra coisa: não brinco quando estou trabalhando. Agora, se o senhor gosta ou não, é outra história e respeito isso. Portanto, não existe desinformação.

4) Talvez o senhor anônimo esteja um pouco desinformado sobre o Pan e as modalidades que classificam para as Olimpíadas e outras das quais participam, inclusive, campeões mundiais. Algumas delegações, como os EUA, Canadá e outras, no caso de certas modalidades, não enviam seus principais atletas. Por opção. Talvez seja preciso entender que os jogos são Pan-americanos e não Olímpicos e que cada competição tem sua importância e seu peso no aspecto técnico.

5) Cuba é, sim, uma potência olímpica. O Brasil não é.

6) A título de esclarecimento, para o COI e para a Odepa, a classificação do quadro de medalhas não existe, ela é meramente simbólcia e adotada pela imprensa de maneira geral. Cada resultados dos finalistas nas provas tem um peso que é atribuído a uma pontuação final e, encerrados os jogos, uma delegação é apontada como vencedora por esse critério. A disputa medalha a medalha é muito mais simbólica.

terça-feira, julho 24, 2007

OS VERDADEIROS DONOS DO PAN


Talvez no afã de quererem ser mais realistas que a realidade, algumas pessoas têm desmerecido resultados de atletas brasileiros nos Jogos Pan-Americanos. Antes de mais nada, que fique claro: Pan é Pan e Olimpíada é outra coisa, outro nível. Mas nem por isso é preciso diminuir o valor de algumas conquistas. Tampouco aumentá-lo. O caso de Thiago Pereira, por exemplo. Quando se usa o exemplo do legendário americano Mark Spitz para dimensionar o tamanho do desempenho de Thiago, não se pretende comparar um e outro. Mesmo porque Thiago teve menos conquistas em revezamento no Pan de 2007 do que Spitz no de 1967. Assim como as marcas de Spitz foram fenomenais. E basta recordar que passaram-se 40 anos para que alguém, em números absolutos, fizesse o que Spitz conseguiu.
Não basta apenas gostar de esporte, é preciso dimensionar a real importância de uma competição como o Pan para quem é, de fato, o dono do mesmo: os atletas. Milhares de atletas passam por um rigoroso processo de seleção natural do esporte, até chegar ao nível competitivo regional, depois nacional e, finalmente, internacional. Em cada modalidade, são dezenas que atingem o patamar pan-americano de desempenho. Que dirá do patamar olímpico. Os campeões, então, nem se fale. Quem por um dia foi atleta, em qualquer nível de competição, sabe do que estou falando.
Uma coisa é política no esporte, outra é o atleta. E alguns resultados desse Pan são auspiciosos para o Brasil. Aqueles obtidos por Thiago Pereira e César Cielo na natação. A profusão de medalhas do judô. O bom nível de jogo do vôlei feminino, apesar da derrota na final. O ótimo padrão alcançado por garotas e rapazes no handebol.
Fora isso, há a festa que é uma competição como essa, mesmo com todos os seus defeitos, que não são poucos. Apenas a vontade de praticar esportes que o Pan está despertando em milhares de jovens e crianças já é um feito. Lembro que Janeth, nossa craque do basquete, botou na cabeça que jogaria um Mundial de basquete, uma Olimpíada, assistindo ao Campeonato Mundial Feminino de 1986.
No aspecto da promoção e organização de uma competição dessa magnitude, há aspectos positivos e negativos, como sempre. As falhas no beisebol e no softbol são imperdoáveis. Assim como a briga no judô que teve, sim, pisadas na bola de brasileiros e de cubanos. Mas o nível de algumas instalações, como as arenas do basquete e da natação, do estádio olímpico, é sensacional. Resta apenas que a utilização dos mesmos no futuro compense o investimento feito e os excessos acarretados.
O nível de segurança com que os Jogos estão sendo disputados também impressiona positivamente. Em Barcelona, por exemplo, nos Jogos Olímpicos de 1992, o número de furtos dentro e fora da Vila era parecido. E os Jogos de 92 foram considerados exemplares.
Algumas lições o público também precisa aprender, assim como algumas individualidades. Torcer não significa ofender, desrespeitar. Muito menos partir pra briga. E a vaia em esportes individuais é tremendamente cruel. O atleta não tem com quem dividir esse peso. Coletivamente, essa pressão se dilui. Mas com um atleta ali sozinho, é muita maldade.
Outro ponto positivo: o respeito dispensado à delegação cubana, apesar da rivalidade, e a ausência quase total de comentários alusivos a questões políticas. Não compartilho das idéias políticas cubanas, mas admiro profundamente o ideal esportivo e a educação de seu povo. Assim é que eu entendo que se faz esporte.
Enfim, apesar de tudo, o Pan está valendo - e muito - a pena, pelo menos para mim.

A CRISE AÉREA

Parece-me incrível como no objetivo de defender uma idéia, uma ideologia ou mesmo um governante, algumas pessoas simplesmente se transformam em torcedores. E não se torce com tragédias. Escrevi sobre a tragédia de Congonhas nesse espaço. E é impossível para quem pensa um pouco não ver a evidente culpa de governos anteriores e do atual nisso tudo, sem mesmo esperar pelas investigações. Ninguém entende mais de avião e de pista do que piloto, e pululam depoimentos dos mesmos sobre o perigo ofereceido por Congonhas. Basta lembrar que dias após a tragédia houve um deslizamento de terra na cabeceira da pista!!!!
O Brasil ostenta hoje o vergonhoso título de País a protagonizar duas tragédias aéreas num período inferior a um ano. Nesse espaço de tempo, o que foi feito para organizar, para regulamentar e para disciplinar o sistema aéreo no País? E ainda temos que suportar, horrorizados, uma foto de funcionários da Infraero sorrindo em frente ao cenário infernal de uma tragédia que vitimou 200 e poucas pessoas diretamente e outros milhares indiretamente. E tem gente que acha que tudo se resume a ser contra ou a favor de um Governo. Assim vamos mal.

segunda-feira, julho 23, 2007

O PERIGO DE CONGONHAS
NAS PALAVRAS DE QUEM
O ENFRENTA TODO DIA


Reproduzo o relato de um piloto trazido no excelente site JETSITE, do Gianfranco Betting, irmão do Mauro e um especialista no assunto aeronáutico. É para que gente que acredita que a tragédia não estava anunciada e que só não foi evitada por inércia de quem deveria mandar e uma enxurrada de incompetência.

Quais as reais condições da pista principal de Congonhas?Péssimas, impróprias para utilização em caso de contaminação. Outro trecho assinado pelo comandante Paulo Marcelo Soares não poderia ser mais claro quanto à este aspecto:"Na noite do dia 16, eu pousei em CGH. Não havia chuva, mas a pista estava bastante molhada. Estava com 90 pax no meu avião. Toquei na marca de 500, o avião aquaplanou e eu tomei susto. Um dos maiores sustos em meus 17 anos de aviação profissional. Eu gostaria muito, na verdade eu daria tudo para ter no meu jump seat os (ir)responsáveis por esta crise que se arrasta há meses. Queria que eles vissem o anti-skid trabalhando, a aeronave escorregando para a lateral da pista. Queria que eles vissem as luzes da cabeceira oposta chegando rapidamente, e nós lá, sem poder fazer nada. Queria que eles sentissem a tremedeira que eu e meu copiloto sentimos quando livramos a pista lá na taxiway "E" (a última). E, acima de tudo, QUERIA QUE ELES TIVESSEM A CARA DE PAU DE DIZER QUE A PISTA DE CONGONHAS NÃO TEM PROBLEMAS!!!!!! Não varei a pista naquela noite por sorte. Não foi por habilidade, foi pura e simples SORTE. Sorte que meus colegas no MBK não tiveram."

Quem quiser ler o material na íntegra, segue o link http://www.jetsite.com.br/2006/mostra_destacando.asp?codi=96

sábado, julho 21, 2007


BRASIL X CUBA NO PAN


Lá se foi uma semana de Pan no Rio e repete-se uma rivalidade que já é tradicional nas disputas pan-americanas: Brasil contra Cuba. No judô, no vôlei, no handebol, no basquete. Como já virou piada nesses tempos de 24 horas de esporte, para a Argentina o Brasil deixa apenas o Thiago Pereira, que já basta.
Cuba é uma potência esportiva, e o Brasil caminha para isso. Existe uma diferença enorme de propostas, de desempenho e participação entre as duas nações. O esporte de competição em Cuba é um instrumento para a divulgação do regime e tem como base uma premissa que considera uma honra ser atleta, sem contar a excelência em técnica e conhecimento de algumas modalidades, sem que isso represente ter muito dinheiro ou tecnologia. No Brasil, o esporte de competição é um poderoso intrumento de inclusão social e acaba cumprindo, ainda que em pequena escala, o papel que deveria ser de todos os Governos de fomentar a prática esportiva.
O atleta de sucesso em Cuba vira herói nacional e goza de privilégios a que o restante da população não tem acesso. O atleta de sucesso no Brasil ganha dinheiro, fama e conquista privilégios a que a maioria da população não tem acesso. E os diversos regimes de Governo que o País já teve sempre encontram uma maneira de usar o esporte como propaganda.
O que causa espanto é o fato de uma minúscula ilha ser uma potência olímpica se comparada ao Brasil, que tem e aplica muito mais recursos em esportes de competição. O primeiro passo para tentar entender a diferença é a participação. Cuba participa de uma gama maior de modalidades com chances de medalha. Levantamento de peso, boxe, judô, atletismo, tiro e outros esportes nos quais o Brasil tem pouca ou nenhuma tradição e número de praticantes. Há alguns buracos na estrutura esportiva cubana como, por exemplo, a natação, o futebol. O Brasil concentra sua força em um número menor de modalidades e, lentamente, começa a ampliar esse espectro. Handebol e natação crescem, o judô se reafirma, o vôlei é uma realidade e o basquete busca reencontrar seu rumo. Pela imensa tradicão histórica, o atletismo brasileiro deveria chegar com mais possibilidades ao Pan, afinal são mais de 50 medalhas em disputa.
O segundo passo é a excelência na formação do atleta, que passa pela simples valorização da prática esportiva pelo regime cubano. Pela lógica de que, além da glória, a vitória no esporte vende a imagem de um projeto vencedor, então faz sentido que o atleta seja parte de uma elite cubana. Assim como o sucesso financeiro e de mídia faz do grande atleta brasileiro um integrante da elite em seu país. E não vai aqui nenhuma análise política, apenas uma tentativa de entender as diferenças e consequências de cada projeto. O Brasil importou e importa know-how cubano para diversas modalidades, assim como muitos atletas e treinadores cubano, quando optam por deixar seu país, são extremamente valorizados no mercado esportivo. Em algumas modalidades, atletas e treinadores brasileiros também são requisitados mundo afora. As diferenças de cada país e de cada sistema político facilitam e dificultam essas movimentações. Um atleta brasileiro que sai do País bucando uma outra realidade não é considerado um desertor, o que é uma particularidade do regime cubano.
Em resumo, o sucesso cubano é fruto de uma idéia muito bem executada. O Brasil tem algum sucesso com algumas idéias muito bem executadas no esporte. Tem muito o que aprender com Cuba, desde que adapte seus ensinamentos à realidade brasileira.
Para um fã do esporte, contudo, sem entrar no mérito político, ver lendas como Alberto Juantorena, Teófilo Stevenson, Raul Diago e outros ex-atletas cubanos participando do projeto esportivo e vibrando comose fosse uma competição escolar, causa uma ponta de inveja. O esporte brasileiro só ganharia se a maioria de seus ídolos também participasse do processo de formação de novos atletas e fizesse parte de um grande time. No caso do Brasil, Oscar, do basquete, tem se revelado um torcedor sincero e apaixonado. Mas não faz parte do processo técnico ou administrativo sequer de suaq modalidade.

quinta-feira, julho 19, 2007

É PRECISO SABER PERDER
E APRENDER A GANHAR

Histórico não é nada menos do que mereça ser chamado o jogo que decidiu a medalha de ouro do vôlei feminino nos Jogos Pan-americanos do Rio. Brasil e Cuba fizeram uma partida de técnica, entrega, superação e reviravoltas. Tudo e mais um pouco do que se pode esperar de um espetáculo esportivo de alto nível. E, sem nenhum resquício de frustração, cravo que o Brasil, como time, é muito melhor que Cuba. Por que perdeu, então? Claro que há dezenas de teorias e explicações, mas nenhuma delas será mais completa do que a que reconhece a superioridade e a superação de Cuba. Ao ótimo time do Brasil acho que, fundamentalmente, faltou saber vencer. Resta a essa equipe muito bem montada e comandada por José Roberto Guimarães ser aprovada na lição final do esporte de alto rendimento: aprender a ganhar.
O Brasil teve o jogo nas mãos várias vezes, seja em pontos do jogo ou em situações psicológicas favoráveis. Mas se deixou levar, em especial a ótima ponteira Paula Pequeno, pelas eternas e batidas provocações cubanas. Paula fazia um jogo espetacular, de antologia, até que, ao ser pega num bloqueio no quarto set, respondeu às provocações cubanas e saiu um pouco do jogo. O Brasil ainda se equilibrou com Sheila, mas faltava Paula em alto nível, o que demorou a voltar a acontecer. No set decisivo, num lance fundamental, o time brasileiro parecia já partir para a comemoração de um ponto, com Fofão e Fabi se trombando na quadra e muitas jogadoras dando as costas para o jogo. Cuba, em vez disso, disputava todas as bolas, com defesas e coberturas praticamente impossíveis.
O craque Tande disse, na transmissão da Globo, que para ganhar um jogo é preciso, na medida do possível, não pensar que se está ganhando. Não sair da concentração, não pensar no que vem depois. É naquele momento único que um ponto, um torneio se decide. Há pesquisas sérias que apontam o seguinte: 70% dos resultados em esporte de alto nível são decididos no aspecto psicológico. Assim foi ontem com o vôlei feminino. Cuba fez o que sempre soube fazer. Um jogo algo quadrado, taticamente antigo, mas consistente, recheado de provocações. Só joga provocando o tempo todo quem tem o hábito de fazê-lo. As brasileiras não o têm.
Fora isso, valeu pelo espetáculo e pela certeza de que o futuro do vôlei feminino do Brasil é muito mais brilhante que o de Cuba.

Ronaldo, sim senhor.

Recebo uma pergunda sobre a presença ou não de Ronaldo, o Fenômeno, na Seleção Brasileira. Fecho questão com Luiz Felipe Scolari. Enquanto não aparecer ninguém melhor que ele - e não apareceu - a camisa 9 da Seleção tem dono, independente de peso.

quarta-feira, julho 18, 2007


TRAGÉDIA E IRRESPONSABILIDADE


Um gesto de alento e uma oração para as famílias que agora choram mais uma tragédia áerea brasileira. Mais um fruto da irresponsabilidade das autoridades brasileiras, mais um retrato de um país apodrecido, carcomido pela corrupção. Um país que torra milhões em reformas de salas de embarque, pedras de mármore e deixa a segurança em segundo plano. Um país em que atitudes vergonhosas de políticos nojentos são defendidas por alguns que consideram tudo um plano de quem quer derrubar o governo, uma atitude reacionária, de gente que é do contra. Será que essa gente dorme tranquila? Olha para seus filhos, amigos, parentes, sem um pingo de remorso?
Andar nas ruas, viajar de carro, ônibus e voar nesse País é sinônimo de perigo.
E ainda temos de ouvir a ministra-perua, esse monumento à estupidez, ao pseudo-intelectualismo pequeno-burguês, dizendo relaxa e goza. Tremo só de pensar no que ela diria agora, com mais uma tragédia.
O caos se instalou no sistema aéreo brasileiro e o governo não fez nada em um ano. Claro que pra quem tem avião 24 horas à disposição, pra quem tem o espaço aéreo fechado quando viaja, nada disso importa. Acontece que esse País precisa de gente voando para funcionar. Tem gente que vive disso, gente que ganha a vida trabalhando, de maneira honesta, sem laranja, sem empresa de fachada, sem lobista pagando conta de amante. Então, é irresponsabilidade, é uma vergonha o superfaturamento das contas da Infraero e as pistas dos aeroportos caindo aos pedaços, os controladores fazendo greve, a falta de estrutura, tudo é nojento.
É preciso mais que decretar luto de três dias, é preciso decretar vergonha na cara. Hombridade para fechar esse aeroporto e construir outro, porque a tragédia maior ainda pode acontecer.

segunda-feira, julho 16, 2007


A DUNGA O QUE É DE DUNGA


Não há um reparo a ser feito sobre a vitória do Brasil sobre a Argentina na final da Copa América. Foi incontestável, saiu barato para os vizinhos, e mostrou, finalmente, um time brasileiro jogando bem, ao seu estilo, competitivo e executando perfeitamente um projeto tático. Pode-se argumentar que a qualidade do futebol jogando pelo Brasil em toda a competição foi ruim - e foi. Mas a final compensou tudo isso.
Sem contar o título, que é dos mais importantes, já que a Copa América, pra mim, vale muito, o que fica dessa Seleção? Pelo menos alguns jogadores se credenciaram para fazer parte do grupo que disputará as Eliminatórias. Júlio Batista, Mineiro, Josué, Maicon, Gilberto, Daniel Alves, Vágner Love, Alex, Elano, até mesmo Diego, todos eles merecem ser chamados pelo que produziram na Copa América. Robinho e Juan são titulares em qualquer formação brasileira.
E Dunga? Bem, eu ouvi dele mesmo que ainda não sabe se quer seguir a carreira de treinador. Ele diz que tem uma missão a cumprir na Seleção. Em termos gerais, a missão seria reformular o grupo de jogadores e passar um pito nas estrelas. Nisso ele foi extremamente feliz, não se discute. O Brasil, sem alguns de seus principais jogadores, deu um chocolate na Argentina. O recado está dado. Agora é hora de deixar de lado castigos de estilo colegial e trabalhar num time forte e competitivo para as Eliminatórias. A base da Copa América, com um goleiro um pouco mais seguro e mais Ronaldinho, Kaká e Ronaldo, será um ótimo time.

TREMEDEIRA ARGENTINA

Uma coisa é o povo argentino, geralmente tão amável e simpático como qualquer outro da América do Sul, tirando um ou outro porteño metido a besta. Outra é o argentino falando de futebol. Sou admirador da bola que se joga aqui ao lado, de alta qualidade. Agora, não existe qualquer condição de se comparar com o Brasil. Não apenas pelo resultado de domingo, mas a Argentina, embora seja muito competente em futebol, está "lejos, muy lejos" do Brasil. E acrescentemos a isso o ingrediente da tremedeira. A seleção argentina, hoje em dia, se borra de medo do Brasil. Fora isso, tem alguns jogadores que pipocam absurdamente em decisões pelo selecionado de seu país. Ayala e Riquelme são o maior exemplo. Messi é um fenômeno. Mascherano tem mais mídia e panca do que bola, prefiro Mineiro e Josué.
E pra fechar, tem um sujeito chamado Estean Crustille, que vive enviando mensagens de cunho racista e preconceituoso a diversos blogs, inclusive este. Ele assina como argentino de Córdoba. Tenho dezenas de amigos argentinos, todos educados, admiradores do futebol brasileiro. O problema é que alguns deles (não os meus amigos) nutrem um enorme complexo de inferioridade em relação ao futebol brasileiro de seleções. Imagino o que estaria pensando o tonto do Esteban Crustille agora. Ele deveria, se quiser tirar um sarro, falar do Boca, esse sim uma glória argentina, da qual nossos clubes são fregueses mesmo. Agora, se falarmos de Seleção, não dá nem pra começar.

terça-feira, julho 10, 2007

OS GRANDES CLÁSSICOS DA AMÉRICA


Não existe um jogo como Brasil e Argentina. Há quem considere o futebol da Holanda o máximo, quem venere a Itália, babe ovo para a Alemanha e outras seleções européias. Eu prefiro um Brasil e Argentina, para mim o maior clássico do futebol mundial. Com essas duas camisas em campo, quase sempre estarão desfilando os maiores jogadores de suas épocas. É terreno proibido para grosso, para pernas-de-pau. Podem não ser todos exatamente craques, mas ninguém ali está fora de seu terreno.
Mas como falar do que, espero, seja a final da Copa América, sem citar outro encontro de grandes, entre Brasil e Uruguai. A maior contra a primeira potência futebolística. A Copa do Mundo nasceu no Uruguai e, quem sabe, comemore cem anos daqui a 23, novamente no Ururugai. É preciso respeitar a dignidade com que sobrevive o futebol uruguaio. São 3 milhões de uruguaios pelo mundo, é impossível concorrer com Brasil e Argentina. Ainda assim, metem medo em brasileiros e argentinos quando entram em campo. Por que lutam respeitando o adversário.
Certa vez entrevistei o grande Schiaffino, maestro do time campeão do mundo em 50. Nunca vi tamanho respeito por um time como o que ele tinha pelo Brasil. Nem por um povo como ele tinha pelo nosso. Quase me pediu desculpas por ter vencido em 50. Mas respeito não significa temor. Por isso o Uruguai ainda está aí, e ainda merece, também, ser respeitado.
No meio disso tudo aparece um convidado dos mais abusados. O México melhora a cada ano e vai enfrentar a Argentina quase em condição de igualdade. Quase porque Riquelme é argentino, e Riquelme faz a diferença. Acontece que Nery Castillo, que joga no México, nasceu no Uruguai...
É por essas e outras que eu adoro a Copa América.

sexta-feira, julho 06, 2007

A COPA AMÉRICA E
O MUNDIAL DE 82


Volto a escrever da sempre abafada Venezuela, um dia após a lembrança dos 25 anos da derrota do Brasil para a Itália na Copa do Mundo de 1982, que entrou para a história do nosso futebol como A Tragédia de Sarriá. Costumo ser voto vencido nas discussões que abordam o tema. Admirava, sim, aquela Seleção com gênios como Sócrates, Falcão e Zico, mas nunca fui fã incondicional. Na minha maneira de ver o futebol, a grande equipe do Brasil foi a de 1970, não apenas porque ganhou a Copa, mas por tudo que mostrou, por ter Pelé, outros grandes jogadores e muito mais equilíbrio que o time de 82. Isso, no entanto, é uma outra história.
Qual seria a relação entre 82 e esta Copa América de 2007? Alguns estudiosos e torcedores de futebol acham que a derrota brasileira em 82 mudou para sempre alguns conceitos. Entendem que o fracasso de um meio-campo de craques (Falcão, Sócrates e Zico) e um bom jogador (Cerezo) provocou um recrudescimento do futebol e inaugurou a era dos brucutus, os volantes ou cabeças-de-área cuja missão era apenas destruir, nunca participar da criação. Jogadores como Mauro Silva, por exemplo. Ou o próprio treinador da Seleção Brasileira atual, Dunga. Embora eu ache que Dunga tenha sido um jogador de bom passe e excelente posicionamento.
É uma boa tese, mas acho que está carregada de um certo ingrediente apaixonado. A Seleção de 82 talvez tenha sido a mais adorada por aqueles que entendem o futebol mais como espetáculo e menos como competição. Eu prefiro o equilíbrio dessas duas vertentes. Por isso fecho com o time de 70, que era extremamente moderno para a época. Reparem nos vídeos que até Pelé voltava um pouco quando o time perdia a bola, assim como Tostão e Jairzinho. O quarto gol da final contra a Itália surge de uma bola roubada pelo meio-campo brasileiro, que depois passa por uma jogada de alta classe de Clodoaldo e um gol maravilhoso de Carlos Alberto. Aquilo eu chamo de futebol moderno, bem jogado e espetacular.
O time de 82 adorava jogar, mas não sabia muito o que fazer quando não tinha a posse da bola, dava espaços demais ao adversário, confiando em sua enorme capacidade técnica para vencer os jogos. É meu único ponto de divergência com aquela histórica formação. Telê Santana, dez anos mais tarde, comandou um belo time do São Paulo que era muito mais competitivo, sem abrir mão do conceito básico de jogar bem o futebol.
Felipão, tão injustamente criticado e chamado de retranqueiro, montou um grande time em 2002, uma Seleção que ganhou a Copa vencendo todos os jogos e mostrando grande equilíbrio tático. Pena que no Brasil não se dê o devido valor a um time que tinha Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos no auge de suas formas. Assim como pouca gente dá valor à sensacional dupla de zaga de 1994, Aldair e Márcio Santos, talvez a melhor que já tivemos em um Mundial, ao lado da de 1974, com Luís Pereira e Marinho Peres. Mas para sorte de Aldair e Márcio Santos, Cruyff já não estava mais em campo em 1994.
O time de 2007 ainda não existe. Parte da premissa de um treinador cujo trabalho, na maior parte da vida, foi proteger sua defesa e combater o meio-campo adversário. Parece-me óbvio, portanto, que Dunga seja um iniciante treinador que prima pela cautela. E sempre ressalta em suas entrevistas que sua maior preocupação é não dar espaço, não deixar o adversário jogar. Pois era disso que ele vivia.
Para concluir, não acho que o futebol mais pegado, marcado e menos espetacular que se joga hoje seja consequência da derrota brasileira em 82. Porque, separados, Zico, Sócrates e Falcão continuaram sendo gênios do futebol. E por pouco não acertaram contas com a história em 1986. Talvez o que falte à geração de 82 é admitir que, mesmo sendo um grande time, naquele 5 de julho a Itália jogou melhor. Talvez também falte a Dunga beber um pouco na fonte do time de 82, entender que, apesar de derrotada, aquela equipe deixou coisas boas e que, se mescladas à competitividade inevitável dos dias de hoje, podem resultar muito interessantes.
No meio disso tudo temos o Robinho, um oásis em meio a uma Seleção calada, reticente, politicamente correta e formada por uma maioria de jogadores que pouco conquistaram em termos mundiais, em glórias internacionais, mas já acumularam (com todo o merecimento) dinheiro suficiente para algumas gerações. Outra diferença básica. Em 82, Falcão, Sócratez e Zico, que jogaram mais, muito mais que os 22 convocados para a Copa América, certamente não tinham acumulado um terço do patrimônio que hoje tem o time da Copa América. Talvez seja um problema do futebol atual. Hoje em dia a riqueza chega muito antes do sucesso.

sexta-feira, junho 29, 2007

COMO É A TERRA
DA COPA AMÉRICA?


Cheguei à Venezuela com essa pergunta na cabeça. Motivada, claro, pela enorme repercussão dos acontecimentos protagonizados pelo presidente venezuelano. Não me meto em assunto interno, os problemas da Venezuela pertencem aos venezuelanos, embora eu me permita ver com preocupação o rumo que toma o país. Em geral, temos aqui o mesmo que em qualquer outro país da América do Sul: desigualdade. Muita gente pobre, favelas, mendigos. E também lindos condomínios, carros de luxo, shoppings. Algumas estradas espetaculares, outras péssimas. Puerto La Cruz, que recebe a Seleção, é uma cidade que tem trechos decadentes e outros mais vistosos, reformados ou em reforma.
Puerto Ordaz é uma cidade rica, muito rica. Lembra um pouco Goiânia, mas com enormes e caudalosos rios e algumas cachoeiras. Cidade planejada, tem apenas 40 anos, largas avenidas, parques enormes, shoppings e um calor amazônico. É cercada por refinarias e siderúrgicas que foram estatizadas pelo governo e está perto do mítico rio Orinoco, que se cruza por uma nova ponte, financiada pelo nosso BNDES e inaugurada pelo Lula.
No dia a dia aqui na Venezuela já deu para constatar algumas particularidades. Sinais de trânsito são um detalhe que os venezuelanos ignoram. Dirigem mal e de qualquer jeito, furando semáforos, fazendo conversões sem avisar, buzinando e até suportando sem ligar algumas pequenas batidas.
O câmbio oficial é de 2,16 mil bolívares para um dólar. Mas o paralelo corre solto e as cotações variam. Carros novinhos em folha convivem com banheiras dos anos 70 caindo aos pedaços. Táxis, a maioria velhos, abordam as pessoas em plena rua e, não raro, carros sem identificação de táxi se oferecem para fazer uma corrida por dez mil bolívares. A gasolina é quase de graça, então há carros por toda parte. Uma cidade pequena tem tantos carros, proporcionalmente, como São Paulo ou Rio.
Já ouvi gente falando bem e mal do governo, como acontece em toda parte. O país adora basquete e beisebol (há centenas de venezuelanos jogando nos EUA) e está na fase de paixão pelo futebol. Lojas fecham as portas mais cedo em dia de jogo da Vinotinto e restaurantes ficam lotados, com seus telões mostrando os jogos.
O povo é alegre, simpático e adora salsa. Há traços de cultura norte-americana que convivem sem problemas com as diretrizes socialistas do novo governo. Viajamos 500km de carro e vi apenas uma plantação, o que me chamou muito a atenção. Foram dezenas de refinarias pelo caminho, mas uma única plantação. Ainda há muito mato e terra sem produzir.
Parece ser um país de gente jovem, numa análise pouco científica, apenas de ver a circulação nas ruas. H';a soldados armados por toda a parte. Muito mais soldados do que policiais. Embora não aconteçam situações intimidatórias.
Por enquanto é isso.

quinta-feira, junho 28, 2007


BRASIL DÁ VEXAME
EM PUERTO ORDAZ

Claro que o Brasil pode se recuperar e vencer a Copa América, mas o que se viu ontem em Puerto Ordaz, diante do México, foi um desastre. Nem a dedicação e as chances criadas no segundo tempo servem para compensar o ridículo que foi a atuação brasileira na primeira etapa. Exceção feita a Robinho e Juan, ninguém jogou nada no primeiro tempo. O México, mais uma vez, deu uma aula de planejamento tático em cima do Brasil. Posicionamento correto, marcando atrás da linha da bola, esperando os erros frequentes de passe, forçando os defensores a iniciar as jogadas. Já aconteceu com técnicos rodados e experientes e agora foi a vez de o novato Dunga aprender a lição.
A culpa pelo fracasso deve cair em cima de Diego. O que acho injusto. Jogou mal? Sim. Mas e o gol anulado? Talvez fosse uma outras história. O que vejo é o seguinte: Diego é o único armador de fato que tema Seleção nesta Copa América. E acho está jogando fora de posição. Não apenas ele, mas o meio-campo da Seleção teve, para mim, um erro de conceito no primeiro jogo. Elano fazia o quê em campo? Não fez ultrapassagens pela direita e apareceu até pelo lado esquerdo, perdido que estava. O México deu espaço e o Brasil não soube utilizá-lo na primeira etapa. Por quê, então, não atuar com dois meias de fato? Diego pela direita, Ânderson pela esquerda? Elano é útil, muito bom jogador, mas nesse quadro, jogando ao lado de Mineiro ou de Gilberto Silva (que foi péssimo ontem). Com dois meias a Seleção, na teoria, melhora a saída de bola e pode abastecer Robinho e Vágner Love. É um pecado um jogador como Robinho voltar quase na área de defesa do Brasil para buscar o jogo. Seu lugar é lá na frente, perto do gol.
Acho Doni um bom goleiro. E ponto. Temos uma Seleção praticamente de novatos, não entendo porque nÃo conovocar e escalar um goleiro mais rodado como Rogério Ceni. Que, além de tudo, é muito melhor que Doni e Helton.
Vamos ver o que acontecerá contra o Chile, que venceu o Equador na base da raça. O time do Mago Valdívia é fraco, mas brigador. A defesa é lenta e os laterais erram demais na cobertura. Agora, se o Brasil repetir o primeiro tempo que fez contra o México....
Quanto ao Equador, tem o mesmo defeito da Colômbia, aquela indolência tipicamente tropical. Mandou no jogo, poderia ter construído uma goleada, parou no bom goleiro Bravo, mas, em suma, achou que com 2 a 1 a fatura estava liquidada. Perdeu de novo. Como quase sempre perde.

segunda-feira, junho 25, 2007


ATAQUE E DEFESA
NA VENEZUELA


Lá se vai quase uma semana de trabalho na Venezuela e aos poucos a impressão de nossa maltratada América Latina é igual de Norte a Sul aumenta. Há desigualdade por todos os lados e a mesma falta de educação e respeito pelo próximo e pelas instituições. Obras que não terminam no prazo, notícias de assassinatos cruéis nos jornais. Hugo Cháves, o presidente da Venezuela, é presença constante na teelvisão e no rádio. Todos os dias tem uma transmissão de discuros dele ao vivo na TV, ou uma entrevista. Em meio a tudo isso a bola vai rolar.
O Brasil estréia contra o México, um jogo que parece perigoso pelo retrospecto recente. Nesta terça, no úlitmo treino aqui em Puerto La Cruz, deu pra ver um entrosamento muito legal entre Robinho, Maicon, Elano e Diego pelo lado direito do ataque da Seleção. Também vimos uma palhinha do treino do México. Dificilmente o Borgeti vai jogar. Fez um testeno gramado, mas os movimentos estão muito comprometidos por causa da contusão no tornozelo esquerdo.
Por aqui as notícias do Campeonato Brasileiro provocam situações engraçadas. O Alex Silva, do São Paulo, tirando sarro do Diego e do Robinho por causa da vitória no clássico paulista. E Dunga não ficou fezli com a vitória do Grêmio no clássico gaúcho. Tudo na base da brincadeira.
Com o que não se brinca é com essa palhaçada que virou o setor de transporte aéreo do Brasil. Até onde vamos chegar? Virou terra de ninguém.
Vamos ver o que nos reserva a Copa América, com toda sua história, charme e tradição. Todos apostam em Brasil e Argentina, mas desconfio que o Uruguai veio a fim de aprontar uma surpresa. Aguardemos.

sexta-feira, junho 22, 2007

NA TERRA DE BOLÍVAR


Sempre fui um latino-americano assumido, assim como meu amigo Menon. O que os "descolados" e metidos a modernos chamam de cucaracha. Adoro a América Latina e estou tendo a oportunidade de conhecer mais um país, ou parte dele, a Venezuela.
Discussões políticas à parte, Puerto La Cruz, a cidade que recebe a Seleção Brasileira na primeira fase da Copa América, passaria tranquilamento por uma cidade brasileira do Norte ou do Nordeste. Vento quente, sol escaldante, gente alegre e simpática. E na periferia, os problemas comuns às periferias do continente, seja aqui, no Brasil, onde for na nossa América Latina. Pobreza e dificuldade. A periferia do que vi até agora da Venezuela é a mesma periferia que temos no Brasil.
Duas coisas chamam a atenção. A primeira, a ostensiva presença de forças de segurança. Polícia, Exército, Guarda Nacional, seguranças particulares, todos fortemente armados. A segunda, a também ostensiva propaganda política, os cartazes com mensagens institucionais e de forte apelo político e ideológico.
Sobre a Seleção Brasileira, parece um grupo muito mais tímido e reservado que o das superestrelas de 2006. Sobre o time, ainda não dá pra falar nada, vamos esperar os jogos e o desenvolvimento. Mas é um time em busca do sucesso e da fama que a geração de 2006 já tinha obtido.

segunda-feira, junho 18, 2007

Por enquanto, só o
Botafogo se salva


Ainda não alcançamos as dez rodadas, após as quais eu acho que será possível ter um panorama do que poderá ser o Brasileirão 2007. Mas por enquanto apenas um time tem escapado da mesmice e da irregularidade gerais. Esse time, não por acaso, é o líder do campeonato, o Botafogo. Sem segredos ou frescuras, o Fogão é de uma simplicidade cativante. O que pareceria óbvio para a maioria, só o é para o Botafogo. A defesa defende, o meio-campo marca e organiza e o ataque, ah, o ataque ataca!!!
Na maioria dos outros times do Brasileirão, há uma confusão em torno desses conceitos básicos do futebol, que seduz exatamente por isso, pela simplicidade. Há times em que o ataque provoca risos, outros em que zagueiros são artilheiros e alguns em que o meio-campo não existe. Dentro disso tudo, sobra o Botafogo. Se vai ser o campeão, ninguém pode afirmar, mas que tem feito, por enquanto, por onde, não resta dúvida.

PRESSÃO

Não será fácil a semana para Caio Jr, técnico do Palmeiras. O time não vence há quatro jogos e as cornetas devem soar. Se sucumbir às trombetas do amendoim, a nova diretoria palmeirense estará cometendo uma enorme bobagem. O fato é que o Palmeiras jogou bem, sim, contra Cruzeiro e Botafogo. E não foi de todo mal contra o Goiás. O time tem posicionamento e organização, mas peca por falhas individuais. A defesa é vulnerável pelo alto e o bom Diego Cavalieri não sai bem do gol. Para completar, o ataque é digno de riso com Florentín e Alex Afonso. O problema do Palmeiras não está no banco, mas dentro de campo. Alguns jogadores fracos e sem personalidade. E a diretoria não consegue contratar um atacante. Ano passado foram quatro treinadores e o time ficou pendurado na Série A. Não custa aprender com os erros e contratar melhor para o ataque.

APELAÇÃO

Lamentável a atitude de Souza, do São Paulo, ao protestar por ser sacado do time antes do jogo com o Vasco. Souza não tem jogado patavina e desrespeitou Muricy, que sempre o preservou, e também não foi legal com Ilsinho.
Sobre o jogo, o São Paulo ganhou sem fazer força. O time do Vasco é muito ruim, e quem disse isso durante o jogo foi o próprio técnico Celso Roth. Agora, o torcedor do São Paulo deveria tratar bem do Aloísio, que tem jogado muito e para o time. Jorge Wagner está melhorando a cada dia e o Tricolor, aos poucos, vai recuperando a consistência. Resta saber como ficará o meio-campo sem Josué. Contra o Vasco não foi preciso muita coisa, mas em outros jogos esse setor será mais testado.

ESTRÉIA

Ótima sacada de meu amigo Rogério Assis, o Canhão, para a vitória do Santos sobre o Juventude. Disse o Canhão que foi a estréia do Santos no Brasileirão. Pois é por aí mesmo, agora o time pode pensar em apenas uma competição e, assim sendo, tem tudo para voltar ao páreo.

AUSÊNCIA

Para se ter uma idéia de como pode ser duro para o Corinthians sustentar a boa arrancada do Corinthians no Brasileiro, basta ver os melhores momentos do empate sem gols com o Paraná. É rapidinho, porque não houve quase nada de bom. O Timão depende de William, quase um adolescente, para criar. Sem ele, o time é o chamado deserto de idéias.

FRANCAMENTE...

O que acontece com o Flamengo? Ney Franco é um bom técnico, acredito. Obina faz tanta falta? Ou era tudo fogo de palha?

RUMO À VENEZUELA

A partir do final desta semana estarei acompanhando a Seleção Brasileira na Copa América e, na medida do possível, atualizarei o blog de lá.

quinta-feira, junho 14, 2007


FALTOU TUDO AO GRÊMIO


Antes de mais nada, não se duvida do Grêmio. Se há um time hoje capaz de façanhas, é o Tricolor gaúcho. Portanto, é obvio que ficou difícil, mas em se tratando desse time, a chama sempre brilhará.
Agora, que o Grêmio decepcionou no primeiro duelo contra o Boca, isso é fato. Até sofrer o primeiro gol - irregular, diga-se - o Grêmio fez um bom jogo, consistente, inteligente. Depois do 1 a 0, o time descambou. Faltou tudo ao Grêmio. Coragem, atitude, organização e inteligência. Jogadores importantes como Patrício, Tcheco e Diego Souza não jogaram nada. Lúcio, sempre contestado, acabou sendo o destaque do time. Assim como Lucas, que mesmo em alguns minutos mostrou que é indispensável para a decisão.
Não se consegue um bom resultado em uma final, ainda mais contra o Boca, sem o tal espírito de decisão. Que não tem nada a ver com cara feia, botinadas e supostas demonstrações de macheza. Mas tem tudo a ver com posicionamento, atenção, detalhes. O Grêmio perdeu praticamente todas as divididas. As bolas de rebote eram sempre do Boca. Sandro Goiano conseguiu uma expulsão, no mínimo, estúpida. Era bola para disputar de cabeça e ele vai com o pé naquela altura!!!!
Retraído como estava, o Grêmio não poderia ter se dado ao luxo de observar o Boca tocando bola, variando o lado de jogo. E, o pecado supremo, proporcionar espaço e tranquilidade a Riquelme. Deu no que deu.
Óbvio que o adversário é de alta classe. Não há no futebol brasileiro um time como o Boca. Seja em tradição, conquistas, fidelidade de torcedor e presença de espírito numa decisão. Não é à toa que, mesmo sendo o país cinco vezes campeão do mundo, o Brasil não tem uma equipe com o prestígio internacional do time argentino. Basta conferir a cota de amistosos internacionais do Boca. Desde 2000, quando iniciou sua avassaladora arrancada rumo à hegemonia continental, ameaçando perigosamente os sete títulos do Independiente, o Boca mudou de time várias vezes. Mas quase nunca perdeu a força. E, novamente, os argentinos nos dão uma aula de posicionamento e postura tática. Em alguns momentos, o Boca nem correr precisou. Bastava tocar a bola de pé em pé e esperar pela brecha que o Grêmio sempre deixava.
O terceiro gol argentino foi um desastre completo da defesa gremista. A bola sai da esquerda, vai para direita, volta para a esquerda e, no retorno para a direita, um atabalhoado Patrício faz contra, numa trombada com o zagueiro. Retrato do que foi o Grêmio.
Mas como estamos falando exatamente do Grêmio, seu torcedor tem o dever de lotar o Olímpico e acreditar na virada. Por que nesse caso deixou de ser milagre. O Grêmio é capaz. Se vai conseguir é uma outra história.

MATA-MATA OU PONTOS CORRIDOS?

Fico feliz de ver o debate proliferar em altíssimo nível. Aparecem novos e bons argumentos defendendo um lado e outro. Sigo de questão fechada com o mata-mata. O que é bom para a Europa não é necessariamente para o Brasil. E o argumento comum de quem defende o sistema de pontos corridos, o planejamento e a manutenção de trabalhos, cai por terra na nossa dura realidade. Quantos treinadores já caíram em cinco rodadas de Brasileiro? E quantos cairão depois de mais cinco?
Sigo de caso com a emoção e o arrebatamento do mata-mata. E repito: em 99% dos casos vai vencer o melhor. Para aferir o real poder de fogo de um time, ele tem que ser avaliado em todas as situações. Entre elas a regularidade, mas também a superação, a bravura e o poder de decisão típicos de um mata-mata.

quarta-feira, junho 13, 2007


EU PREFIRO
CAMPEONATO
COM FINAL


Recebi uma simpática mensagem do amigo Elias Aredes que acabou por motivar esta postagem. Elias argumenta a favor dos campeonatos em pontos corridos, diz que eles ajudam os times a se estruturarem, a trabalhar melhor, e aponta exemplos como a própria recuperação do Grêmio para tal, além do crescimento de clubes como Figueirense, Paraná e Atlético Paranaense, por exemplo. Foi uma respota ,inteligente e educada, ao que falei durante a transmissão de Santos x Grêmio, na Vila. Um jogo eletrizante, que poderia ter seu destino alterado em um segundo por diversas vezes, que me fez afirmar que o sistema de jogos eliminatórios, ou o mata-mata, é insuperável nesse tipo de emoções e também como espetáculo esportivo.
Escrevo agora para defender essa tese. Já houve um tempo em que eu achava os campeonatos por pontos corridos mais interessantes, embora jamais tenha desgostado do tradicional sistema brasileiro do mata-mata. Pois agora, passados alguns anos de experiência com o modelo europeu em nosso campeonato, estou de questão fechada com o torneio eliminatório e, principalmente, com uma final, um grande jogo decisivo.
Antes de mais nada, porque esse sistema não tem nada de injusto, como atacam alguns de seus detratores. O regulamento é exposto a todos e as regras são as mesmas. Há uma fase em que todos se enfrentam e, posteriormente, um cruzamento eliminatório. Portanto, pode-se contestar, argumentar, mas jamais chamar de injusto.
Sem dúvida que o sistema de pontos corridos afere a regularidade dos times, a qualidade dos elencos, mas pergunto, até que ponto? Os times sofrem tantas alterações, o campeonato se estende por um período tão grande, que é virtualmente impossível que se mantenha um elenco minimamente equilibrado. Há um momento de limbo no Brasileirão de pontos corridos, que ocorre entre as rodadas 12 e 20, mais ou menos, em que nada acontece, não há entusiasmo, os estádios ficam vazios, enfim, o País não pulsa. No final do segundo turno há uma retomada, já que a briga pelas classificações e a fuga do rebaixamento, enfim, esquenta.
Mas e não acontece tudo isso no sistema de mata-mata? As mesmas disputas no final, mas com uma diferença fundamental: partindo da premissa de oito times disputando as quartas-de-final, há muito mais envolvimento de 20 equipes nessa disputa. Serão oito disputando o título, afinal. Não apenas dois ou três como tem ocorrido ultimamente. Há todo um envolvimento de clubes e torcedores em jogos eliminatórios. As arrecadações aumentam, a audiência sobe e adrenalina decola. E se pensarmos num sistema de três jogos, ninguém está eliminado no primeiro jogo.
Admito que esse sistema me fascina pela descarga emocional. Puxo pela memória alguns grandes jogos de futebol em que já trabalhei ou os que vi ao vivo ou pela TV e a maioria absoluta é de jogos eliminatórios ou grandes finais. Como A Batalha dos Aflitos, os duelos Palmeiras e Corinthians na Libertadores, as decisões de Copas do Mundo, Flamengo e Atlético nos anos 80. O que remete a grandes partidas de vôlei e basquete, mas claro que não existe termo de comparação.
Acredito que os confrontos eliminatórios e as consequentes finais trazem o imprevisto ao esporte. Em 99% das vezes o melhor time vencerá, seja qual for o sistema de disputa. Mas esse ingrediente da surpresa, da superação, da falha fora de hora, do golaço quase impossível, e de uma mudança de resultado ocorrer em cinco minutos ou até menos, é fundamental para a emoção no esporte. E acima de tudo, esporte é emoção.

DUNGA COMEÇA MAL

A Seleção ainda não treinou em Teresópolis, mas o início de Dunga como técnico de campo, de fato, já é lamentável. Dunga é meio revanchista, atacou Zé Roberto de graça, com argumentos desnecessários e fora de propósito. Imagino o que pode acontecer quando Dunga enfrentar uma crise de verdade no comando da Seleção.

segunda-feira, junho 11, 2007


LÁ VAI O GANGORRÃO 2007!!!!!


Cinco rodadas se foram e o que eu passarei a chamar de Gangorrão 2007 vai comprovando a tese de que será o Campeonato Brasileiro mais equilibrado e imprevisível da história. É um sobe-desce, um perde-ganha daqueles!!!! Por enquanto, apenas Vasco, Botafogo, Corinthians e Paraná escapam da gangorra e, momentaneamente, despontam como equipes algo equilibradas. O grifo no momentaneamente é proposital. Como diria a Virginie, do Metrô, no balanço das horas tudo pode mudar. Honestamente, não dá pra sentir firmeza em nenhum time.
Que dizer do Cruzeiro, que sapeca 3 a 1 no irregular Palmeiras, fora de casa, e perde do Juventude no Mineirão? Ou do São Paulo, que ganha fora do então líder Paraná e perde no Morumbi para o Atlético-MG? O Inter literalmente mergulhou em um caminho de recuperação ao bater um combalido Santos, e o Fluminense encara o Brasileiro revigorado pelo título da Copa do Brasil. Enfim, tudo muito, mas muito equilibrado.
Trabalhei em dois jogos no final de semana. O movimentado empate entre Palmeiras e Botafogo e a vitória do Galo sobre o São Paulo. De Palmeiras e Botafogo é possível concluir que são dois times muito bem treinados por Caio Jr. e Cuca. Já têm esquema tático, estão razoavelmente entrosados mas esbarram na limitação técnica de alguns jogadores. O Palmeiras criou mais chances, poderia ter construído uma vitória consistente, mas é um time sem poder de fogo, sem capacidade de definição. Tem bons jogadores, sim. Michael, Valdívia, William. Mas nenhum deles é tão objetivo quanto o velho Edmundo, que está suspenso. Mesmo já no ocaso da carreira, o Animal tem o sentido do gol que tanto falta ao Verdão. Sem atacantes, e não apenas um, e mesmo um meia mais objetivo, chutador, o Palmeiras resvala na obviedade do time arrumadinho, mas que acaba não incomodando muito. O Botafogo tem um matador, Dodô, que perdeu um gol inacreditável no Palestra Itália. E, como o Palmeiras, é um time bem posicionado em campo, mas que tem como maior defeito a incrível oscilação durante as partidas. Vai de momentos em que é absolutamente dominado a outros em que vira dominador. A zaga é lenta, pesadona, e pode comprometer diante de um ataque mais efetivo.
Domingo, no Morumbi, o Atlético Mineiro conseguiu um resultado importantíssimo. Basta lembrar que no Brasileiro do ano passado o São Paulo só perdeu quatro vezes e chegou a ficar mais de seis meses sem perder em casa. Acontece que esse São Paulo ficou em 2006. O atual é uma pálida lembrança. O time vive uma séria crise técnica. Ilsinho, Souza, Leandro, Lénilson, jogadores importantes na campanha do ano passado, não são hoje nem sombra do que foram. Hugo, Hernanes, Marcel, Richarlyson e Borges não conseguem se firmar. Idem para Jadílson. E para complicar, o time perderá Josué e Alex Silva para a Seleção Brasileira. O elenco que prometia ser o melhor do Brasil em qualidade se mostra apenas um grande elenco em quantidade. Muricy tem buscado mas não encontra uma formação ideal. As boas notícias para os tricolores Jorge Wagner e Dagoberto, que, aos poucos, mostram que a partir deles pode surgir a recuperação. Mas não será fácil.
O Galo foi tímido, estava tomando sufoco até a expulsão infantil do são-paulino Leandro. Com a entrada do habilidoso Tchô no meio-campo e a vantagem numérica, o Atlético criou coragem e encontrou seu solitário gol. É um time jovem, que alterna momentos de impetuosidade com outros de extrema timidez. Precisa de uma liderança tática no meio-campo.
O que dizer da simplicidade e da objetividade de Vasco e Corinthians? Times para os quais ninguém daria um tostão antes de a bola rolar. E, como sempre digo, só é possível analisar o momento, o futuro é coisa de astrólogo. E no momento, Vasco e Corinthians têm sido extremamente competitivos em sua simplicidade. Ambos marcam forte, muito forte. E saem em velocidade quando recuperam a bola. Ambos têm centroavantes. O Vasco tem um gênio chamado Romário. O Corinthians, um eficiente operário de nome Finazzi. Na atual escassez de atacantes que assola o País do Futebol, um camisa 9, genial ou razoável, é uma benção. Que o diga o Paraná do artilheiro Joziel.
Para fechar, três grandes interrogações. Que será do Santos? Sem Zé Roberto, Kléber e Maldonado, um definitivamente e os outros dois momentaneamente, o Peixe vira um time comum, sem brilho. E o que acontecerá com o Grêmio após a Libertadores? A pergunta final: quais serão as mudanças quando o voraz mercado europeu voltar suas baterias para o Brasil? Quem sairá? O Gangorrão 2007 será um outro campeonato após a Copa América.

quinta-feira, junho 07, 2007

RESSURGE O GRANDE FLUMINENSE


Sempre é boa notícia para o futebol brasileiro que um grande volte aos tempos de glória. Com todo o respeito que merece o Figueirense, é uma dádiva para o futebol do Brasil que o Fluminense volte a ser campeão, figure novamente como um time forte e vencedor. De tanto bater na trave, finalmente o Tricolor das Laranjeiras chegou lá. Completa-se, enfim, um ciclo de recuperação, no qual o Fluzão saiu do fundo do poço, da Terceira Divisão, com algumas passagens algo vergonhosas para a sua história, como o champanhe da virada de mesa, e um novo título fecha este capítulo. Resta aos homens que comandam o futebol do outrora aristocrático e agora popular Fluminense não cair na tentação da soberba e monte um time forte e competitivo para a Libertadores. Isso, claro, sem abrir mão do Brasileiro.

NOITE MEMORÁVEL NA VILA

Foi daquelas noites que servirão de argumento para quem, como eu, prefere um bom mata-mata, um jogaço elminatório, a um certo enfado que acomete as competições de pontos corridos. Tudo podia acontecer na Vila Belmiro e quase tudo aconteceu. Durante alguns minutos, pairou sobre o estádio que viu nascer Pelé - que, aliás, lá esteve com toda sua majestade - o silêncio da incerteza. Um gol do Grêmio sepultaria o sonho santista. Um gol santista acabaria com a imortalidade gremista. Jogo eletrizante, de raça, superação e belas jogadas. O Santos foi estóico e o Grêmio, guerreiro.
Discordo - embora respeite - da reclamação de Luxemburgo quanto à falta de Diego Souza em Adaílton. Para mim, não houve nada, lance normal de jogo. Sandro Goiano, sim, poderia ter sido expulso pelo tapa em Renatinho (esse, aliás, um lutador incansável). A reclamação de Luxa, me parece, ainda era eco pelo pênalti mal marcado de Ávalos na Vila. Mas e se lembrarmos do pênalti não marcado exatamente em Sandro Goiano, lá no Sul? Enfim, nada a contestar na classificação do Grêmio. Que, se quiser ser campeão, precisa tomar menos sufoco fora de casa, ou ser mais artilheiro em Porto Alegre. Resta ao Santos agir rápido, não se deixar abater pela ressaca da eliminação, e tentar remontar um time que, ao que parece, será desmontado. A reação amorosa do torcedor santista parece oferecer crédito para isso.

segunda-feira, junho 04, 2007

COMEÇOU A GANGORRA


A fase da gangorra do Brasileirão que promete ser o mais equilibrado da história já começou. O perde-e-ganha, imagino eu, será a marca registrada desse campeoato. O nivelamento nunca foi tão grande. Não que seja pelo alto nível técnico, mas é um nivelamento. Respira-se equilíbrio pelos quatro cantos do País do Futebol.
Estive na gelada e sempre bela Curitiba para comentar Paraná e São Paulo. Problemas no vôo de volta fizeram com que eu não pudesse conferir com calma e tempo os lances de todos os outros jogos pela Internet.
Gostei de ver a Vila Capanema reformada e a preservação do relógio histórico que presenciou Suécia 2 x 2 Paraguai e Espanha 3 x 1 EUA na Copa de 1950. O jogo não foi dos melhores tecnicamente, o gramado estava péssimo e prevaleceu a marcação. A torcida paranista reclama. Acho que tem razão no gol, que entendi como mal anulado do Luís Henrique. Mas o lance do pênalti não tem com não dar. O goleiro Marcos Leandro não tem intenção de fazer a falta, mas cai em cima do Aloísio que, esperto, fica apenas esperando que isso aconteça. O Gaciba só pode marcar o que vê, não o que mostra o replay. O Paraná é um time bem armado, rápido, com bons jogadores como Joélson e Josiel, mas tem uma defesa um pouco lenta. O São Paulo continua desencaixado, sem ritmo, mas com o Aloísio é outro time, ele segura bem os zagueiro e faz a parede com qualidade. A questão tricolor agora passa a ser a dupla de volantes. Se o Josué for à Copa América e com a contusão do Frédson (vim perto dele no avião e a coisa foi séria mesmo), esse setor ficará enfraquecido.
O jogo que simboliza a gangorra foi Palmeiras e Cruzeiro. Vi os melhores momentos. O Palmeiras atacou mais, pressionou, mas foi extremamente vulnerável na marcação no meio-campo e a bomba estourou na defesa. O Cruzeiro apostou na arma que lhe restava e foi muito competente. São dois times que estarão definitivamente na gangorra, terão bons e maus momentos, mas ainda precisam de muitos ajustes.
Assim como o Corinthians, que conseguiu um resultado que deixa perguntas no ar contra o Santos. O que seria o jogo com o Santos completo? Ninguém responderá, é óbvio, mas sem sua força máxima o Santos dominou o Corinthians no segundo tempo. Agora, a questão alvinegra é o que fazer quando William for embora para a Seleção? Quem levará abola até Everton e Finazzi? E o Santos depende do que acontecerá na Libertadores. Tenho conversado com muitos treinadores e jogadores de outras equipes e há uma unanimidade: todos acham que uma eliminaçã na Libertadores provocará uma crise no Santos. Será?
No mais, o Botafogo segue jogando bem e vencendo, mostrando que nem sempre uma derrota ou eliminação tem, necessariamente, que redundar numa crise.

IMPEDIMENTOS E ARBITRAGEM

O amigo Alexsa manda mensagem perguntando sobre a questão dos impedimentos, referindo-se ao gol anulado do Paraná. Ele acha que é correto marcar impedimento sempre que haja alguém impedido, mesmo que esse alguém não seja o autor do gol porque, segundo ele, isso atrapalha o goleiro. Discordo, respeitosamente. Há casos e casos. Ontem tivemos dois exemplos. O segundo gol do Cruzeiro é um deles. Roni estava em posição adiantada e foi na bola, o que poderia suscitar a interpretação de impedimento. No gol de Luís Henrique, do Paraná, a bola passa longe do gol de Rogério no cruzamento e ele nem sai do arco.
Mas é a regra-chave do futebol, porque deixa aberta a interpretação, e cada um tem a sua. Como diz meu amigo e parceiro Milton Leite, não existe verdade absoluta no futebol.