quinta-feira, janeiro 31, 2008

AH, OS PALADINOS...


Tem muita coisa no Brasil que é irritante. Uma delas é a profusão de auto-denomidados paladinos. Gente que se arvora o direito de gritar aos quatro cantos que é mais honesta que todo mundo e que, tirando ele e seu pequeno grupo de amigos, ninguém mais presta. O Jornalismo (ou seria pseudo) tem muitos deles. Mas a praga infesta a música, o teatro, o cinema, as letras, a política (embora nessa área eu tenda a achar que quase ninguém presta mesmo).
Óbvio que nesse País carente de vergonha na cara, tem muita, mas muita pilantragem em todos os setores acima citados. Mas não se deve jogar no ventilador, muito menos agredir por atacado, na base da leviandade. Pior que tudo isso é o pré-julgamento por associação, típico de situações e países autoritários. E não há nada mais irritante do que pessoas que fazem de seu manual de vida a velha máxima do junte-se aos bons que serás um deles.

ALARDE AMAZÔNICO

Nosso presidente profere mais uma de suas pérolas. Agora diz que se faz muito alarde com a situação da Amazônia. Ora, presidente, quem fez alarde quando divulgou ao mundo que o Brasil cuidava bem da Floresta, que o desmatamento estava diminuindo, que a cana e o gado não invadiriam o mato? Agora faz alarde quem, com base na ciência, grita socorro em nome da Amazônia? Ou está certa a ministra Marina Silva, de cuja história de vida sou fã, ao dizer que quando o desmatamento cai é mérito do Governo e quando o desmatamento cresce a culpa é das commodities? O que parece fato é que não apenas este, mas todos as administrações federais deram as costas para os problemas da Amazônia, sua importância para o clima brasileiro e mundial, e agora que a terra está grilada, invadida e sitiada por bandidos não sabem o que fazer com o tesouro que herdaram. Mais um capítulo da tragédia da incompetência brasileira.

PERGUNTINHAS

A precitipação é um dos maiores pecados na análise de qualquer tema, principalmente o futebol. E olha que tem precipitado à beça. Mas algumas perguntas ficam no ar após quatro ou cinco rodadas de torneios estaduais pelo Brasil. Permito-me deixar aqui algumas delas para apreciação dos amigos, com algumas pitadas de precipitada ironia.

1 - Não era impossível para o Fluminense jogar com Dodô, Leandro e Washington?
2 - Já não se via o dedo de Wanderley Luxemburgo mudando o Palmeiras?
3 - Muricy diz que os árbitros estão com medo. Seria das suas reclamações?
4 - Por que sempre alguém tem problema com Leão?
5 - Por que sempre o Fábio Costa tem problema com alguém?
6 - Nao fazem muito barulho pelo tal do Alemão do Santos?
7 - A direção atual do Corinthians tem medo da torcida ou imigrou da torcida?
8 - O Nilmar voltará a jogar pelos menos uns 6 meses sem contusão?
9 - Quem libera os estádios no Campeonato Paulista? Estádios?
10-Sumiram as piadinhas com a prancheta do Joel Santana?

terça-feira, janeiro 29, 2008

RIO-MINAS


A bola rola pelo Brasil afora, pelo menos onde a chuva permite. Dois estaduais com muita história e tradição e sete times na Série A do Brasileiro mexem com a paixão de milhões. Acho que no Rio meteram os pés pelas mãos. O Campeonato Carioca tem a melhor fórmula entre os estaduais, o povão já conhece, curte, as disputas das Taças Guanabara e Rio são empolgantes. Agora, para quê colocar 16 times? Alguns são praticamente amadores, autênticos catados, juntados em cima da hora. Isso tudo só tira o mérito do torneio mais charmoso do futebol brasileiro, como afirma, coberto de razão, o amigo Mário Jorge Guimarães.
Neste início em que ainda não tivemos clássicos, Flamengo e Botafogo chamam mais a atenção. Pelo menos enquanto o Fluminense não se acerta. Na teoria, sobra para o Vasco o ponto de interrogação, com um elenco mais fraco que o dos rivais.
O Flamengo manteve uma boa base e deve ser reforçado em breve pelas entradas de Diego Tardelli e Kléberson. Mas, por enquanto, ambos terão de suar muito para entrar no time. Gosto muito da solução rubro-negra para as laterais, com os ótimos Léo Moura e Juan sendo atacantes de fato, respaldados pelo exército eficiente de volantes no meio-campo. Um bom time, que, se tirver os pés no chão e não se deixar levar pelo entusiasmo inconsequente de alguns, tem tudo para fazer um bom estadual e uma boa Libertadores.
O Botafogo é um time muito bem armado, que continua fazendo da troca de passes em velocidade sua principal arma. Perdeu um pouco de qualidade técnica em relação a 2007 mas ficou mais competitivo, o que é até melhor em se tratando do futebol da atualidade. O desafio virá nos momentos decisivos, nos jogos importantes, para saber se o time que é bom do pé ainda está ruim de cabeça.
O Fluminense gerou muita expectativa pelas boas contratações. Acredito que vale a pena testar o trio Dodô, Washington e Leandro Amaral, mas é preciso muito sacrifício do resto do time, em especial do meio-campo. Tempo para isso o Renato Gaúcho tem de sobra.
O Vasco está pagando o preço da administração, digamos, antiquada, a que vem sendo submetido. Aposta nos garotos, que sempre soube revelar, e no comando de Edmundo dentro de campo e de Romário, fora. Acho pouco para um time do tamanho do Vasco. Mas sendo o Vasco, nunca é demais esperar, porque há história, tradição em revelar jogadores e a mística da instituição.
Em Minas a disputa, teoricamente, se reduz a Galo, Raposa e o abusado Ipatinga. O Cruzeiro tem um time que agrada. É rápido, insinuante, embora ainda seja inconsistente. O Galo não se reforou como deveria, embora tenha alguns talentos importantes. O Ipatinga vive o ano do primeiro grande desafio, que é montar um elenco capaz de suportar o duro desafio da Série A. Some-se a esses fatores o fato de o Galo festejar seu centenário e teremos um Mineirão cheio de atrações. Para o Cruzeiro há, ainda, a Libertadores. A primeira fase contra o Cerro Porteño é um bom desafio. O adversário não é uma baba, como costumam ser os inimigos brasileiros na primeira fase da competição. Sou mais Cruzeiro nesta quarta-feiras, mas a torcida precisa empurrar o time, lotar o Mineirão, e dar suporte a um elenco jovem e promissor.

segunda-feira, janeiro 28, 2008


A POLÊMICA E OS FANÁTICOS


Polêmica pura o clássico entre São Paulo e Corinthians. Já expus minha opinião sobre os lances controversos no Arena SporTV e no Bom Dia São Paulo de hoje. Repito brevemente aqui. Acho que o gol do Adriano foi legal e que foi pênalti do Chicão no Dagoberto. E também, pelos lances que pude ver, que Richarlyson e Joílson poderiam ter sido expulsos se houvessem sido aplicados cartões amarelos em lances de falta (Richarlyson) e de mão na bola (Joílson) que culminariam em dupla advertência e consequente expulsão.
O lado bom da polêmica é que acende debates interessantes, com bons argumentos e respeito de ambas as partes. O lado ruim é que desperta a ira dos fanáticos, dos cegos pela paixão, daqueles que acreditam que o mundo é um complô e que tudo é feito para prejudicar seu time.
O juiz do clássico eu acho fraco. Desde que foi levado à categoria de pseudo-celebridade depois de expulsar um jogador que deu um carrinho num Santos x São Paulo na Vila Belmiro com alguns minutos de jogo, praticamente só se fala nele por causa de polêmica. Considero Sálvio Spinola um juiz indeciso, confuso e que perde muito tempo conversando com os jogadores.
Daí a dizer que agiu de má-fé é uma outra história. Os lances que geraram polêmica no clássico estão longe da unanimidade. Comentaristas de arbitragem não chegam a um consenso, para se ter uma idéia. Então, o erro deve ser tratado como tal, um erro. Isso porque eu acho que ele errei, mas tem gente que acha que não e, quem sou eu pra achar que eu alugei a verdade?
Hoje conversei com muitos corintianos e são-paulinos. Ouvi são-paulinos dizerem que anulariam o gol do Adriano e que não foi pênalti no Dagoberto. Também ouvi corintianos dizerem que o gol foi legal e que houve o pênalti. São torcedores apaixonados por seus times, mas que conseguem ver o futebol sem a mirada quase cega do fanatismo.

OS TÉCNICOS E O VT AMIGO

Muito perigosa a postura adotada por uma parcela dos treinadores brasileiros. Hoje todo time tem uma tv no vestiário mostrando todos os lances do jogo. No intervalo ou após o jogo, treinadores e dirigentes olham tudo nos video-tapes e deitam reclamação. Alguns pressionam os câmeras e os repórteres querendo saber se o lance foi legal ou não para poderem, aí sim, pressionar os árbitros. O juiz apita o jogo que rola dentro de campo, não o jogo que a TV mostra, com dezenas de câmeras e repetições. A reclamação faz parte do processo, mas fica muito fácil jogar o erro na cara do juiz depois de ver e rever os lances em câmera lenta. O recurso eletrônico ainda não entrou em campo.

RESPOSTA A UM ANÔNIMO

Alguns insistem em postar como anônimos, mas tudo bem, lá vai a resposta ao anônimo que postou hoje:

Lamentável é achar lamentável uma opinião só porque você não concorda. Isso porque a maioria da opinião está de acordo com o que você pensa e afirma que o seu time saiu prejudicado pelos equívocos que eu vi na arbitragem. E os que não viram equívoco algum? Quem é imparcial, só quem pensa como você? Ou quem é parcial, você que só vê o seu lado da opinião? Reflita e transforme seu fanatismo apenas em uma saudável paixão.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

VALDÍVIA

O tema é polêmico e, por isso, bom. Antes de mais nada, acho que o Valdívia, do Palmeiras, tem tudo para ser um grande craque. É inteligente, diferenciado, técnico e habilidoso. Pensa antes dos outros. Boa parte dos jogadores e técnicos de futebol com quem converso pensa o mesmo, o que mostra que ele chama atenção dos profissionais de sua área.
Valdívia ainda não se adaptou totalmente ao futebol brasileiro. Não tem a malícia natural do brasileiro, a manha, a catimba. Jogou no Chile, na Suíça e na Espanha, onde as coisas são muito diferentes. Tive a oportunidade de entrevistá-lo para a revista Placar e a impressão foi muito boa. Pareceu ser calmo, na dele, longe de ser metido ou mascarado.
Mas Valdívia já ganhou um selo no Brasil. Já foi marcado como jogador cai-cai, provocador etc. Por juízes, adversários e uma parcela da imprensa, com a qual não concordo. Trabalhei em Marília x Palmeiras. Valdívia foi duramente marcado. Uma única vez com deslealdade, no lance da expulsão do atleta do MAC. Embora eu entenda que na jogada em que é atingido no nariz pelo Vinícius o jogador do Marília devesse ser advertido com cartão amarelo.
Valdívia levou cartão amarelo num lance bobo. Muito porque já está marcado e também porque ainda não tem a malícia brasileira em todos os momentos. Naquele, ficou chamando a atenção do árbitro para a presença dos jogadores do Marília perto da bandeira de escanteio e acabou chamando a atenção para ele mesmo. Disse na transmissão que ele estava "pedindo" para tomar o cartão por causa disso. Contestável o cartão, claro. Mas também evitável se Valdívia fizesse o que fez logo depois, segurasse a bola com a rara habilidade que possui e, aí sim, gastasse o tempo com a bola em jogo.
O problema maior enfrentado por Valdívia agora é essa marcação injusta, essa pecha. Mania típica de brasileiro. Aquela coisa do fulana de tal é vagabunda, fulano é maconheiro, jogador tal é chinelinho, aquele outro é cai-cai. Poucas vezes essas acusações têm fundamento. Pior para ele por ser estrangeiro. O argentino Tevez sofreu com isso. Até mesmo alguns jogadores brasileiros se ofendem quando se elogia um estrangeiro.
Acho que o Valdívia é uma das raras fontes de espetáculo do futebol brasileiro atualmente. Seus dribles são quase sempre em direção ao gol e para retenção de bola no momento exato. Ele provoca os adversários? Nem tanto quanto um Marcelinho Carioca, um Leandro, um Beijoca. E isso faz parte do jogo, provocar e ser provocado, driblar e ser driblado. Esperto é quem escapa da provocação e quem não cai no drible e recupera a bola. Fácil escrever, mas já ouvi isso de grandes craques e apenas reproduzo.
Com Wanderley Luxemburgo Valdívia tende a desenvolver seu potencial e a entender melhor o que é o futebol jogado no Brasil, suas manhas, suas malícias. Discordo de quem não o considera importante para o Palmeiras. Acho que ele deve ser ainda mais importante e se firmar como ídolo conforme for se adaptando ao estilo de trabalho de Luxa.

BATE-BOLA

Infelizmente, alguns amigos que por aqui passam postam como anônimos. Essa resposta é para um deles, já que envolve o tema do post acima. É melhor para que todos possam ver.

Prezado anônimo, pode se identificar que o blog é democrático. Antes de mais nada, opinião cada um tem a sua e pode manifestá-la à vontade. Sobre suas opiniões, me permita rebatê-las. Vc só lembra do que discorda e que entende ser contra o seu time. Não comento contra nem a favor de time algum, apenas comento. Vc concorda ou não, mas não há intenção alguma de favorecer ou prejudicar. Por exemplo, vc não lembra que eu disse em dois lances de falta em cima do Valdívia que ambos eram para cartão. E que o jogador do Marília apelou e foi bem expulso. Só lembra do que vc acha que eu disse contra o seu time. Sua interpretação sobre o cartão é equivocada. Quando digo que pede pra tomar cartão, é porque o Valdívia está reclamando, retardando o reinício do jogo e os jogadores do Marília estão provocando essa situação. Faltou malícia a ele no lance. Não sigo ondas e talvez seja um dos comentaristas que mais elogiam o Valdívia. Portanto, não preciso em retratar. E volte sempre quando quiser opinar e, por favor, se identifique, fica mais claro pra conversar.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

CALMA, CORINTIANO


Claro que a derrota para o São Caetano deixou o sofrido torcedor corintiano encharcado de dúvidas quanto às reais possibilidades do time. Mas é cedo para cornetagens e a capacidade de Mano Menezes merece muito crédito. Dois jogos são nada em termos de um trabalho que se pretende de um ano. Mas há algumas coisas desse novo Corinthians que tendem a durar pouco.
A primeira delas é a presença de Marcel no time. Não se trata de um grande jogador, longe disso. Marcel aceita fácil a marcação, é disperso taticamente e em breve deve dar adeus ao time titular. Perdigão é outro cuja tendência é esquentar o banco de reservas. Ele tem muita utilidade no dia a dia do grupo, mas o Corinthians terá em Fabinho um volante muito mais produtivo.
Eduardo Ratinho, informou o sempre bem informado Carlos Cereto, deve ser negociado com o Toulouse, da França. Esse garoto apareceu bem em 2005, mas sempre achei que era vítima de um certo exagero, bem característico do torcedore corintiano em relação aos garotos revelados pelo clube. Falavam maravilhas dele, mas dessas maravilhas eu quase nada vi. Parece já entrar cansado em campo. Evidentemente, precisa trabalhar a questão física. Contra o São Caetano a idéia de Mano Menezes era que ele fosse um terceiro zagueiro pela direita quando o time era atacado e saísse para o ataque quando a equipe recuperasse a bola. Nada disso aconteceu e o time só foi dar uma encaixada no segundo tempo, quando Ratinho saiu.
Por fim, Acosta deixou o campo vaiado. Jogou mal, mas tem condições de brilhar. Só acho que ele renderia mais se atuasse no meio-campo e não no ataque, chegando com a bola dominada e de frente para o gol adversário.

O IMPÉRIO TRICOLOR

Fase é fase, não se discute. O São Paulo, vi pelos melhores momentos, não brilhou contra o esforçado Rio Preto. Mas foi salvo pelo gol de Souza, justamente Souza que, parece, não deve ficar no time. Quando a coisa é bem feita, a sorte tende a ajudar nesses tempos de domínio do Império Tricolor. Adriano não marcou, mas a cada rodada tira melhor proveito da temporada que vai fazer no Spa do Morumbi. Agora, só não entendo porque a torcida do São Paulo pega tanto no pé do Richarlyson. Sem ele o time fica pior, perde velocidade e consistência.

VERDE E BRANCO

Santos e Palmeiras definitivamente mudaram de posição nesta temporada em termos de conceito. O Verdão ficou mais forte e o Peixe, enfraqueceu. Mas há muito tempo que só dá empate quando se enfrentam. O deste domingo evidenciou a mudança de posições. Antes era o Santos quem jogava melhor e tomava a iniciativa. Agora é o Palmeiras. No fim, tudo igual.
O time de Luxemburgo deve ficar mais forte com a entrada de Diego Souza e, provavelmente, a saída do time de Makelelê. Pega o Marília quarta-feira, em Marília, jogo duro. O Santos precisa de mais gente para dar opção ao técncico Leão, mas só com Kléber e Rodrigo Souto de volta já fica bem melhor.

VASCO E INTER

O vascaíno deve estar assustado. Esse time é muito fraco. Edmundo talvez não seja suficiente para melhorar as coisas. O estadual deve servir para mostrar a quem manda na Colina que essa aposta é muito arriscada para um time tão grande quanto o Vasco.
Já no Sul, o Inter, time que considero o melhor do País hoje, pau a pau com o São Paulo, suou para empatar com o Santa Maria. Mas o horizonte colorado parece bem mais convidativo que o cruzmaltino.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

EU VI O GUGA

Um dos momentos mais fascinantes para qualquer fã do esporte ou de outra atividade de grande empatia popular, como música ou cinema, é quando algúem conta que viu um ídolo jogar, tocar, atuar. Tipo aquele amigo que você tem, que todo mundo tem, que conta, com os olhos cheios d´água, que viu o Pelé jogar.
Pois eu vou contar um dia pros meus filhos que eu vi o Guga jogar. Mais que isso, eu vi o Guga nascer como jogador de nível internacional. Corria o ano de 1996, o Brasil enfrantaria o Chile pela Zona Americana da Copa Davis, em Santiago, e eu estava acompanhando a delegação brasileira. O time, à época capitaneado por Paulo Cleto, tinha Jaime Oncins, Meligeni, Roberto Jábali, Guga e o então juvenil Marcos Daniel. Guga estreou nas duplas, com Jaime Oncins, e ajudou o Brasil a conquistar um ponto fundamental para a vitória sobre os chilenos, que tinham o talentoso e irascível Marcelo Ríos que, assim como Guga, foi número 1 do mundo.
Pude conviver alguns dias com aquele manezinho da ilha de Floripa, que já mostrava algumas características que o transfomariam em ídolo. Sempre simpático, sorridente, algo desligado, mas alto astral acima de tudo. Tomávamos o café da manhã juntos (o que come a criança é um absurdo) e sempre conversávamos sobre música, futebol (ele só falava no Jacaré, seu ídolo no Avaí). Guga animava o grupo com imitações hilárias das dançarinas do É o Tchan!, que estava na moda naqueles tempos.
A partir daquele confronto o tenista Gustavo Kuerten desabrochou, passou a colecionar resultados cada vez melhores e, poucos mais de um ano depois, conquistaria seu primeiro título em Roland Garros. O resto da história o mundo já sabe.
Nos últimos anos, por causa do problema físico (uma limitação de movimento na região do quadril é uma sentença de aposentadoria precoce para qualquer tenista), Guga deixou de ser o tenista fenomenal cujo pico da carreira ocorreu entre 2000 e 2001. Seu golpe de esquerda, ou revés, era invejado por todos os tenistas do circuito e imitado até por ídolos do passado, ainda que a título de brincadeira. Lembro-me que quando ele perdeu a final de Miami para Pete Sampras, em 2000, num jogo em que foi literalmente assaltado. Escrevi uma coluna no site SportsJá!, onde trabalhava, na qual cravava que ele seria o melhor do mundo. Sem qualquer exercício de futurismo, estava claro para quem via o jogo com um mínimo de atenção.
Em seu auge, Guga foi um tenista revolucionário, mudou a cara do tênis. Ganhou um Masters derrotando Pete Sampras e Andre Agassi. Ficou 43 semanas na liderança do ranking mundial, marca que o deixa à frente de tenistas como Boris Becker, Mats Wilander e Ilie Nastase. É o latino-americano que mais tempo ocupou essa posição, entre os dois únicos que alcançaram a glória. Nem o mítimo argentino Guillermo Villas conseguiu liderar o ranking.
E Guga merece ainda mais respeito e veneração porque obteve tudo isso praticando um esporte no qual o Brasil tem pouca tradição e um histórico de péssimas administrações e nenhum projeto de massificação. É, com todas as letras, um fenômeno. Está à altura de gênios como Piquet, Senna, Scheidt, Adhemar Ferreira da Silva e sua solitária parceira de feitos extraordinários nas quadras, Maria Esther Bueno.
Faz tempo que não o vejo, mas me lembro de um encontro quando ele já era o GUGA campeão de Roland Garros e estava anunciando um contrato de patrocínio. Fiquei pensando: será que esse cara, agora no topo do mundo, vai lembrar daqueles dias em Santiago? Eu, um simples jornalista, ele um tenista a mais no mundo. Enquanto pensava nisso e folheava o material de divulgação do novo contrato, sinto um tapinha nas costas. "E aí, Mauricião, tudo bem, cara? Quanto tempo!" Era o Guga de 96, pelo menos em essência e espírito. Por que nas quadras já era tudo isso e muito mais.
Valeu, Guga!!! O tênis brasileiro nunca fez por merecê-lo.

terça-feira, janeiro 15, 2008


FIM DAS FÉRIAS COM MUITAS

ORAÇÕES EM FAVOR DE NENÊ

A famosa frase tudo que é bom dura pouco deve ter sido criada ao final das férias de alguém. Sol, calor, piscina, família, amigos. Mas, como diz a frase, já era e agora é recalibrar as forças para mais um ano de trabalho, que também é muito bom. Principalmente porque no final tem férias de novo. Que beleza! É o que diria meu grande parceiro Milton Leite.
Já de cara uma notícia triste, a do problema de saúde do pivô brasileiro Nenê. Recebi por e-mail um comunicado da assessoria de Nenê confirmando que ele foi operado para a retirada de um tumor na noite de 14 de janeiro. Fico torcendo e rezando muito para que tudo corra bem para esse excelente jogador e que, principalmente, ele tenha saúde e siga sua vida. Se puder continuar no esporte, melhor ainda. E tomara que possa.

A BOLA VOLTA A ROLAR

Tenho visto pouca coisa da Copa São Paulo de juniores e agora entro na fase de pesquisa de informações sobre os campeonatos estaduais, Copa do Brasil e Libertadores. Então darei alguns pitacos sobre o que anda acontecendo.

* PATO - Eu tive a sorte de poder ver o Alexandre Pato treinando e jogando durante uns 20 dias na campanha do Inter no Mundial do Japão. É fenômeno e não duvidem disso. Há uma coisa que é fato no mundo do futebol. Quando os próprios jogadores, colegas de time, falam muito de um jogador e ficam comentando as coisas que ele faz nos treinamentos, é bom ficar ligado porque vem coisa boa. E os colegas de Inter não paravam de falar do Pato e de comentar o que ele fazia nos treinamento. E algumas coisas que eu vi o garoto fazer nos treinos e nos jogos no Japão realmente mostram que pintou mais um extra-classe. Pena que tenha ficado tão pouco tempo no Inter e no Brasil, mas essa é a regra desse jogo atualmente.

* PAULISTÃO - Eu sou do interior de São Paulo e talvez, por isso, eu veja o Paulistão com outros olhos, uma mirada de nostalgia, de minha introdução ao mundo do futebol. O campeonato, como qualquer outro, é importante dentro da sua realidade. Só não gosto do sistema de disputa e acho o número de participantes exagerado. Com 12 times e um outro formato, seria muito mais interessante. Mas que promete, não há dúvidas. São Paulo e Palmeiras, na teoria, saem na frente. O São Paulo por permanecer muito forte, e o Palmeiras por estar se reforçando muito bem. Santos e Corinthians ainda deixam perguntas para seus torcedores. Que ninguém se esqueça da Portuguesa, porque tem bom time e pode, sim, surpreender. Da turma do Interior, depois de ver o que rolou de mudança, contratações, me parece, sem a bola rolar, que Guaratinguetá, Noroeste, Barueri, Bragantino e Marília estão fortes. Ponte Preta e Guarani voltarão a fazer o famoso Derby, mas precisam melhorar muito em relação a 2007.

* CARIOCÃO - O estadual do Rio, pelo menos para mim, é o mais bem resolvido do País. A fórmula de disputa é interessante, o carioca adora seu torneio e as Taças Guanabara e Rio incendeiam a Cidade Maravilhosa e o estado fluminense, mantendo viva a chama saudável da rivalidade. A maior expectativa fica por conta do Fluminense, que vem forte. O Flamengo também está interessante, e o Botafogo, se controlar o estado emocional das pessoas que formam o clube como um todo, também é competitivo. Pelo pouco que vi até agora, o Vasco destoa, com um time fraco. Mas a bola ainda não rolou e, como cantaria Virginie nos tempos do Metrô, no balanço das horas tudo pode mudar.

quarta-feira, dezembro 19, 2007


BOCA, MILAN, KAKÁ, LUXA,

LEÃO, ACOSTA, ADRIANO.....



Antes de mais nada, sou um torcedor sul-americano, um cucaracha assumido que está de ressaca. Torci muito pelo Boca contra o Milan. Se aquela bola na trave do Ibarra tivesse entrado...
Mas como o se não joga e o Kaká, esse sim, joga muito, deu Milan. Uma vitória do império sobre a colônia, embora eu deteste esse tipo de comparação por causa da conotação política que ela tem hoje em dia em nosso pobre continente. O Milan é o comprador, o cara das fusões e aquisições, a empresa que chega ao mercado sem saber a história das que pretende encampara, comprar ou fechar. O Boca é um time sul-americano e, mesmo sendo o maior dos times sul-americanos, não é páreo para o time do Berlusconi. Mesmo tendo um magnata como o Macri fianciando. É que magnata argentino não é páreo pro Don Berlusconi. Com bom time sul-americano, o Boca vira e mexe tem algum jogador comprado por algum tubarão europeu. Tipo o Milan, uma jóia do extinto império romano que ganhou o jogo movido a um brasileiro de São Paulo e a um holandês nascido no Suriname. Por isso torci pelo Boca, como sempre torço pelo latino-americano contra o europeu. Exceto quando envolva Brasil e Argentina, quase sempre vou quebrar a cara, mas quase sempre é mais divertido. Se forem dois europeus em campo, de que lado houver mais sul-americanos, será o meu lado.

CIRANDA FINANCEIRA

Como o assunto é banco, achei bom o título aí de cima. Claro que banco de treinadores, mas pelas cifras que envolvem os ditos cujos, parecem mesmo instituições financeiras. Luxemburgo no Palmeiras, Leão no Santos. Luxa é mais técnico que Leão. Resta saber com que espírito chegará ao Verdão e qual time poderá comandar. Há quem diga que ele só sabe trabalhar com estrelas e grandes jogadores. Eu já acho que, além disso, ele tem uma grande qualidade como técnico: melhora jogadores. Os fracos viram médios e muitos dos médios viram bons jogadores. Quem lembra, por exemplo, o Bóvio que jogou muito bem no Santos? Do Amaral no Palmeiras? E como melhorou o Rodrigo Souto, por exemplo? A fila é grande e essa é uma das principais virtudes de Luxemburgo.
Leão tem experiência de sobra e seus times podem até demorar para esquentar, mas quando acontecem, costumam ser muito competitivos. Tem história no Santos e costuma se dar bem com times formados por jogadores que brilhem menos do que ele.
Os dois se dizem desafetos, numa briguinha que, pra mim, não vale nota em coluna de fofoca. Se não se gostam, problema deles, que são muito, mas muito menores que os clubes que dirigem. E por mais competentes que sejam, acho que não valem o dinheiro que se investe neles. Mas aí é uma questão de princípios e observação da vida achar que não dá pra pagar salários de meio milhão de qualquer coisa para qualquer que seja o dono do salário.

APOSTA E ACOSTA

Adriano e Acosta trafegam em universos muito diferentes. Mas representam exatamente o mesmo para São Paulo e Corinthians: uma aposta. Adriano jogou muito na Inter e na Seleção Brasileira durante que espaço de tempo? Um ano, um ano e meio? Acosta jogou muito no Náutico durante uma temporada. Aí um gaiato vai dizer que não dá pra comparar a Inter com o Náutico, a Itália com o Uruguai etc.
Mas como nenhum dos dois vem com garantia, a aposta soa igual. Adriano sumiu do mapa, é um arremedo do Imperador de outros tempos. Acosta surgiu praticamente do nada e tanto pode acontecer como voltar para o ostracismo. São Paulo e Corinthians jogaram suas fichas. A única diferença é que o cacife tricolor é muito mais alto. E o São Paulo pode se dar ao luxo de errar com Adriano. Já o Corinthians precisa que Acosta acerte todas no alvo.

quarta-feira, dezembro 12, 2007


VOVÔS BONS DE PALCO

ARRASARAM EM 2007

De vez em quando gosto de me arriscar em outros assuntos aqui no blog. Preferencialmente música, de vez em quando política. Música pelo fato de ser, pra mim, ao lado da literatura, a dupla de arte fundamental. O mundo poderia estar aí sem cinema, sem pintura, até sem teatro, mas sem livros para ler e sem músicas para ouvir, seria um saco.
Sou assumidamente um não-músico frustrado. Tentei tocar violão, fiz aulas e tudo, mas foi um desastre. Tenho um teclado Casio e até já arranhei algumas coisas. Consegui tirar de ouvido a introdução de Jump, do Van Halen, o solinho de In Too Deep, do Genesis, Hand in Hand, do Phil Collins, e uma pequena parte da abertura de Subdivisions, do Rush. Mas a coisa não anda, falta talento. Já me arrisquei como cantor amador nos festivais do Colégio Arquidiocesano (ganhamos duas vezes, com músicos bons de um grupo chamado Naphtalina, com Horácio, Richard, Calia, Pedrão; e com uma galera esperta no ano seguinte, da qual desponta hoje o excelente guitarrista Marcinho Eiras, irmão do Alemão, que você pode ver no Faustão) e uma aventura no Ginásio do Ibirapuera, pelo Fico, o Festival do Objetivo, embora eu nunca tenha estudado lá.
Pois basta de enrolar e vamos ao post. 2007 ficou marcado como o ano de grandes reuniões de grupos realmente importantes do pop-rock internacional. Genesis, Pink Floyd, The Police, Van Halen, Led Zeppelin, Eagles. Uma galera dos anos 60, 70 e 80 que ainda arrasta multidões a ginásios e estádios e hipnotiza com base em muito talento, profissionalismo e competência. Aliás, apenas duas coisas podem explicar por quê essas bandas, algumas que já curtiam a aposentadoria, tenham voltado e roubado a cena. A primeira já foi escrita, os caras são bons pacas. A segunda é que hoje em dia o cenário do pop-rock, a música do dia-a-dia, está muito, mas muito ruim.
Claro que existem coisas interessantes e legais, como o Coldplay, por exemplo. Mas em geral falta personalidade, falta talento, capacidade, competência ao vivo. Lembro-me que, nos anos 90, quando trabalhava na Gazeta Esportiva, sempre tínhamos contato com o pessoal da Folha, que era no mesmo prédio. Havia uma galera da Ilustrada que estava fazendo esporte. A moda era (tentar) levantar o Oasis, vender a banda inglesa como algo realmente bom e importante, já que eles eram muito mais que críticos, eram fãs. E tome capa disso, crítica daquilo, comparações absurdas para uma banda que, digamos, cumpre até hoje, direitinho, o papel de cover dos Beatles. Até que o Oasis veio ao Brasil, em 98, tocou em São Paulo e não conseguiu lotar o Sambódromo paulista, apesar dos esforços da turma da Ilustrada.
Nesta semana, o Led Zeppelin voltou a se reunir, depois da aventura de 1985, no Live Aid, com Phil Collins e Tony Thompson nas baterias. Collins, aliás, foi injustamente criticado por Jimmy Page à época. O baterista do Genesis tinha acabado de tocar com Robert Plant em disco e turnê e fora chamado por Plant para a reunião. Page não gostou muito e Thompson entrou numas de duelar e não compartilhar. O resultado dos bateras nem foi tão ruim quanto a pífia performance vocal de Plant e os muitos equívocos de um Page que parecia mamado.
Nesta nova reunião, no entanto, com Jason Bonham (filho de John, que aliás, ensinou o filho a tocar ao som de Turn It On Again, do Genesis, com o Phil Collins) tudo correu muito bem. Claro que Plant não alcança mais os agudos de outrora, mas valeu a espera, pelo que pude conferir no You Tube. Page estava em grande forma.
Enfim, hoje a música pop e o rock estão dominados por bandas de uma semana, superproduzidas em estúdio, que carecem de carisma e competência. Fui ver o Genesis em Chicago e, nos mesmos dias, tocava por lá o Maroon 5. A crítica fez a comparação e, óbvio, constatou que o Maroon jamais chegará a Genesis, embora hoje faça enorme sucesso. Mas com 40 anos de vida o Genesis levou mais de 3 milhões de pessoas a sua turnê de 2007, com pouco mais de 30 shows.
O Police arrebentou no Maracanã e numa grande turnê. Assim como o Van Halen. Idem para os veteranos ultracompetentes e briguentos do Eagles. Isso sem falar no ego infladíssimo do Roger Waters, que se reuniu aos inimigos de Pink Floyd. Tivemos um pouco antes o reencontro de Eric Clapton com os companheiros de Cream e atá a contribuição brasileira nisso tudo, com a volta dos Mutante. E, vá lá, até o Queen com o Paul Rodgers. São 30, 40 anos de história relembrados com absoluta competência e profissionalismo no palco. Será que daqui a 5 anos alguém ainda falará do Maroon 5? Ou então do Dream Theater, uma banda formada por ótimos músicos, mas chata pra caramba, sem alma, sem muito talento para compor?
Mas claro que nem tudo está perdido. Eu gosto muito do Foo Fighters. Acho que é a banda atual que tem mais talento e personalidade no rock. O Dave Grohl, que era o melhor músico do Nirvana, mostrou toda sua capacidade nos Foo Fighters, aliado ao excelente Taylor Hawkings na bateria. Fora isso, ainda bem que essa galera dos vovôs do rock ainda segura a onda do alto dos seus 50 e muitos ou 60 anos. Longa vida ao bom e velho pop-rock.

terça-feira, dezembro 11, 2007

MINHA LISTA DE 2007 E
MINHA LISTA PARA 2008


2007 daqui a pouco será história. Foi um bom ano profissionalmente, embora sacrificante no aspecto pessoal. Odeio listas, mas confesso que paro para ler qualquer uma que seja publicada, em jornais, revistas, internet. Sobre música, filme, esporte, política. Estranha relação essa entre ódio e amor.
A minha lista para 2007 aponta os destaques de um bom ano. A de 2008 os pedidos e desejos para um grande ano e, principalmente, um Brasil e um mundo melhores.

GRANDES MOMENTOS DE 2007


- Santos x Grêmio pela Libertadores, o melhor jogo que vi no ano

- a derrota de Hugo Chávez no plebiscito sobre a mudança constitucional

- a Seleção de futebol feminino do Brasil

- a torcida de volta aos campos no Brasileirão

- o Brasil consolidando a democracia, apesar dos problemas

- o show do Genesis em Chicago, no histórico (pra mim), 3 de outubro.

- minha família, todos os dias

- os 3 a 0 sobre a Argentina na final da Copa América

- o Pan do Rio foi bem legal

- o declínio do império americano puxado pela queda do dólar


PEDIDOS PARA 2008


- muita paz, saúde e felicidade pra todos

- minha família em paz, com saúde e feliz

- mais educação formal e informal para os brasileiros. Principalmente nas ruas

- que a preservação ambiental deixe de ser moda e vire prioridade

- pelo amor de Deus, menos violência

- um Brasileirão tão disputado como o de 2007, mas melhor tecnicamente

- algumas medalhas olímpicas

domingo, dezembro 09, 2007


ISSO, SIM, É BOA NOTÍCIA!

SP tem primeiro dia sem homicídio, anuncia governo

Sáb, 08 Dez, 08h14
No dia sete de dezembro, a sexta-feira passada, a cidade de São Paulo passou o dia inteiro sem registrar um único homicídio em seus 93 distritos policiais, fato inédito nas estatísticas criminais. Foi o que anunciou hoje o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, durante o evento Faça Esporte na PM. "Não houve nenhum homicídio da 0h do dia 7 até as 24h do dia 7", afirmou.
Segundo o secretário, desde 1999, ano em que 12.800 pessoas foram mortas em todo o Estado, o número de homicídios registrados caiu 63%. Na capital, a queda atingiu 72% no mesmo período. Marzagão disse que neste ano a queda foi acentuada, o que o levou a anunciar uma meta mais ousada para 2008. "Neste momento, são 11,6 homicídios por 100 mil habitantes. Se Deus quiser, chegaremos no ano que vem a 10 por 100 mil, que é uma marca aceita pela ONU (Organização das Nações Unidas)".
Para atingir a meta de 2008, Marzagão defendeu a manutenção de ações como a Operação Homicídio, da Polícia Militar, que consiste em fazer revistas em bares nos finais de semana. "São locais onde pessoas bebem e, muitas vezes, por motivos fúteis terminam ocorrendo homicídios. Também devemos investir muito na inclusão social. Faremos tudo que pudermos para a inclusão, porque acreditamos que o problema da violência não se resumirá só com as ações da polícia", afirmou. Entre os motivos da redução dos homicídios ele citou o recolhimento das armas ilegais, mesmo antes do Estatuto do Desarmamento, e policiamento com base no Infocrim - sistema de mapeamento criminal que permite conhecer pela Internet os lugares em que os crimes acontecem.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

É O MANO CERTO PARA

RECUPERAR OS MANOS


Pra quem não é de São Paulo, uma explicação. No linguajar da da galera esperta da periferia, um chama o outro de mano, truta, don, como afirma meu amigo Wilson Gomes. Como no Rio tem aquele lance de meu irmão, no Sul tem tchê, na Bahia meu rei, essas coisas. E como o Corinthians é imensamente popular, existe no imaginário popular aquela crença de que os corintianos se tratam por mano. Talvez nem seja assim, mas muita gente acha que é.
Então, chega de enrolar e vamos à opinião: o Corinthians deu uma belíssima cartada ao contratar Mano Menezes. Considero o ex-treinador do Grêmio a grande revelação entre os treinadores brasileiros. Sério, competente, inteligente, articulado, dá as melhores entrevistas da atualidade entre os "professores" e trabalha muito bem dentro de campo.
Mano segue a escola de sucesso dos treinadores gaúchos. Brandão, Carlos Froner, Ênio Andrade, Felipão, Renato Gaúcho, tem muita gente boa de banco que veio dos Pampas. Não por acaso. O Brasil tem muito que aprender com os irmãos do Sul. Na bola e fora dela. Educação, consciência política, força de vontade, trabalho. Herança da colonização alemã e italiana e também das duras batalhas travadas pela manutenção da independência do Brasil e pela democracia. Some-se a isso o clima muitas vezes hostil e pode-se explicar o motivo do sucesso dos técnicos gaúchos. Primeiro, não têm vergonha de ser competitivos. Afinal, quem entra num campeonato é pra competir, disputar e, se possível, vencer. E vence, geralmente, quem sua mais e joga melhor. E os bons técnicos gaúchos armam equipes competitivas e que jogam bem.
Mano Menezes já mostrava isso no XV de Campo Bom, modesta equipe gaúcha que levou ás semifinais da Copa do Brasil em 2004. Ratificou essa idéia no Grêmio imortal de 2005. E divulgou tudo isso para o País na Libertadores de 2007. Sua idéia de futebol é simples, prática e objetiva. O Grêmio está aí para provar. Os pilares são bom posicionamento, consistência tática (cada um sabe muito bem o que precisa fazer dentro da equipe) e aprimoramento da bola parada. Claro que se o time tivesse mais qualidade no material humano, iria mais longe.
No Corinthians, Mano enfrentará grandes desafios. A cobrança forte dos "manos". O noviciados dos principais dirigentes do futebol corintiano. A pressão por resultados imediatos. Mas o Corinthians deu um primeiro e importante passo para voltar à Série A em 2009 ao acertar na mosca nessa contratação. Resta fazer da teoria uma prática comprovada.


SERÁ QUE ESTOU DOPADO?

De novo insisto na tecla: é preciso rever urgentemente o conceito e a lista de remédios ou substâncias consideradas doping. Eu tomo o mesmo remédio que o Romário para prevenir uma praticamente inevitável queda de cabelos no futuro, por fator hereditário. Muitos outros o fazem. E Romário lá precisa de doping? Tá voando baixo, corre mais que os outros, está bombado? Marombado? Haja hipocrisia.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

O DIA SEGUINTE


Segunda-feira, normalmente, é um dia para reflexões. Sobre a balada do fim de semana, algum excesso aqui, outro acolá, descanso, cinema, teatro etc. E no Brasil, especialmente, é dia de falar de futebol, da resenha relativa ao domingo. Essa segunda-feira, 3 de dezembro de 2007, sem dúvida é diferente. A última rodada do Brasileirão/07 ficará eternizada pelo alto grau de emoção e por envolver paixões gigantescas.
Para mim, quando o assunto é futebol, tamanho de torcida não serve para medir sofrimento, alegria e tristeza. Por isso, vejo como um pouco exagerado o tom dramático (ou seria melodramático?) de algumas coberturas relativas ao rebaixamento do Corinthians. É tão dolorido quanto foi para Grêmo, Botafogo, Palmeiras, Fluminense, Galo, Bahia e, também, para Juventude, América e Paraná. Paixão de torcedor não se mede, não existe uma torcida mais apaixonada do que outra. Todas sofrem, vibram, choram e riem na mesma medida por seus clubes. Pode ser que alguém discorde, o que é legítimo e respeito, mas a dor de uma derrota, de um rebaixamento, não é maior para torcedor x ou y. Dói demais para todos.
Isso escrito, não há o que contestar sobre a lisura do Brasileirão. Há quem argumente que o juiz Djalma Beltrami não deveria mandar voltar as cobranças de pênalti em Goiânia. Pura paixão. Ali a regra foi cumprida. O problema não foi o ato de Beltrami, mas sempre será a omissão de todos os outros que não marcam quando os goleiros se adiantam, assim como será o erro daqueles que marcam equivocadamente quando goleiros não se adiantam.
Será um ano sofrido para os corintianos, mas, assim como os outros gigantes do futebol brasileiro, o Corinthians seguirá. Sua história é muito maior do que eventuais desmandos, desmanches e desvarios. Assim como Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Atlético Mineiro, Coritiba, o Corinthians tem um patrimônio inatingível: o amor de seus torcedores e o tamanho de sua história, de suas tradições. Resta saber trabalhar, deixar de lado as desavenças políticas, limpar a área de dirigentes retrógrados e comprometidos com esquemas obscuros.
Passado o impacto inicial, o torcedor descobrirá que ainda tem um time para torcer e que isso é que vale a pena. Foi assim com os outros grandes que caíram. Estádios cheios, provas de fidelidade, juras de amor eterno e o retorno à Série A.
A nova odisséria corintiana começa em 11 de maio, na abertura da Série B 2008. E sobem quatro para a Série A em 2009. Nada de outro mundo. A vida continua. Assim como continua para Juventude, Paraná e América de Natal. Difícil, mas continua.
O mesmo vale para o Palmeiras, que, tirando os que lutavam contra o rebaixamento, foi o grande derrotado da última rodada. Também sem coisa alguma a contestar. Faltaram alma, personalidade e superação ao Palmeiras. Já para o Galo Mineiro sobraram paciência, tranqüilidade e organização. O Cruzeiro, que parecia condenado, conseguiu uma classificação até certo ponto calma, mas nem por isso menos merecida. Que temporada a do treinador Dorival Júnior! Vice-campeão paulista com o São Caetano e classificado para a Libertadores com o Cruzeiro.
2008 chega logo, rapidinho. E trará uma Libertadores com 5 brasileiros, dos quais 4 que já conquistaram o título sul-americano (São Paulo, Santos, Flamengo e Cruzeiro) e o Fluminense em busca da conquista inédita. Tomando como parâmentro os times que terminaram a temporada 2007, vejo, nessa ordem, a lista de brasileiros com mais possibilidades na Liberadores: São Paulo, Fluminense, Santos, Cruzeiro e Flamengo. Claro que muita coisa vai mudar e essa ordem pode ser alterada.

VITÓRIA DA DEMOCRACIA

Foi pra lá de simbólica a derrota da proposta de alteração constitucional de Hugo Chávez na Venezuela. O projeto de ditador que se gabava de suas vitórias eleitorais precisa se curvar à realidade das urnas. O povo venezuelano venceu o medo, as ameaças e mostrou que o continente está firme e forte na batalha pelo sucesso da jovem democracia latino-americana.
O delírio bolivariano de Chávez tomou um banho de realidade das urnas.

quinta-feira, novembro 29, 2007


SERÁ QUE O BRASILEIRO ESTÁ

REAPRENDENDO A TORCER?

Era uma noite gelada de, se não me engano, agosto de 1998. Eu estava em Montevidéu, cobrindo para um jornal, a partida ente Nacional e Palmeiras, no Centenário, pela Copa Mercosul. O Palmeiras sapecava implacáveis 5 a 0 no time uruguaio e, mesmo assim, a torcida do Nacional não parava de cantar. Deixei a tribuna de imprensa e fui conferir o por quê de tudo aquilo, mesmo com 5 na cachola. Misturei-me aos torcedores uruguaios e ouvi a seguinte explicação de um deles: "Perder é ruim, mas eu amo o Nacional, sempre vou amar. Isso é o que importa", afirmou, dando sequência à cantoria.
O ano de 2008 tem dado amostras de que o torcedor brasileiro está, enfim, reaprendendo a torcer, como se fazia antigamente. Estariam se aproximando do fim os tempos de vandalismo, perseguição a jogadores, invasão de campo e vestiário, ameaças? Talvez eu esteja sendo precipitadamente otimista, mas há sinais de que a paixão está, digamos, cada vez mais apaixonada e menos intolerante. Temos alguns exemplos. A parceria imortal entre o Grêmio e sua torcida, selada com a impressionante demostração de apoio e carinho na Liberdadores, mesmo com derrota na final. O alucinante compromisso dos flamenguistas com sua religião, traduzido em recordes e recordes de público, um clima de paz e festa no Maracanã e uma cantoria sem fim. A até então inédita calma da Turma do Amendoim do Palmeiras, que tem tido sábia paciência com seu jovem e esforçado time e seu promissor técnico Caio Jr. O sincero agradecimento dos são-paulinos a cada um dos jogadores que conquistaram o título brasileiro.
Mas o detalhe final dessa, vá lá, suspeita de que há esperança em dias melhores, veio ontem, na derrota do Corinthians para o Vasco. Quem não esquece daquela cena asssutadora dos torcedores corintianos tentando invadir o gramado do Pacaembu após a derrota para o River, na Libertadores de 2006? Pois ontem vi torcedores chorando, rezando, gritando, esperneando, mas ao final de uma derrota que pode ser trágica (em termos de resultado), os torcedores do Corinthians cantaram o hino do clube. Tristes pelo momento atual, mas felizes pelo time, sua história, seu passado e - por que não? - seu futuro. Rebaixamento é triste, mas não decreta o fim de um clube, de uma torcida. Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Galo, Fluminense, Coritiba, Portuguesa estão aí para provar. A vida segue. Talvez mais triste por um período, mas o rio tem que cumprir seu destino de chegar ao mar. E sempre chega.
Durante muito tempo, achei que brasileiro só queria saber do seu time quando ele ganha. Que era torcedor de boa fase, de time bom, de taça, de craque. Agora começo a achar que a paixão que, no passado, construiu a base para que nossos grandes times se transformassem nesses gigantes que movem milhões está de volta. A paixão genuína, de compromisso indissolúvel, na alegria e na tristeza.
Claro que ganhar é melhor do que perder, que é duro aguentar gozações e provocações. Mas melhor que tudo isso é saber que, independente do que aconteça, esses times históricos do futebol brasileiro, suas histórias, camisas, seu passado, tudo isso sempre estará presente. E que paixão não se explica, se curte. Se espalha, se tansfere de geração em geração.
Só espero que a rodada final do Brasileirão, que decretará os dois últimos rebaixados, não me faça queimar a língua. Haverá rebaixados, mas isso não representará o fim dos tempos para corintianos, goianos ou paranistas.
Que o espírito daqueles torcedores do Nacional, que me ensinaram uma linda lição naquela gelada noite de 1998, continue iluminando os estádios do Brasil.

terça-feira, novembro 27, 2007


O POVO DA BAHIA NÃO

MERECIA A TRAGÉDIA


Foi a única coisa que me veio à mente escrever quando soube do ocorrido na Fonte Nova. Essa manchete aí em cima. Um povo que ama o futebol como poucos, que ainda consegue ver misturado nas arquibancadas o maior clássico estadual, que promove festas incríveis para o Bahia e o Vitória. Isso não poderia ter acontecido em parte alguma, mas muito menos na Bahia.
Há muito tempo não vou à Fonte Nova. A última vez acho que foi em 2004, por aí. Vendo as fotos, tenho certeza que não mudou nada. Um estádio carcomido pela inépcia de governantes e dirigentes do futebol, literalmente caindo aos pedaços. E lá acontecem algumas barbaridades que mostram como a burocracia da cartolagem se preocupa com idiotices e esquece do óbvio. Se um jornalista vai trabalhar de bermuda, numa terra calorenta como a Bahia, é barrado. Mas milhares de torcedores ficam amontoados feito bicho no corredor do sacrifício e podem morrer estupidamente. Lá na Fonte Nova Pelé já foi barrado por não estar com uma carteirinha, mas milhares entram sem pagar.
Exatamente como acontece em todos os cantos do País. E essa gente que afirma comandar o futebol ainda se preocupa com a imagem do País para a Copa de 2014. O presidente da CBF, num arroubo de sensibilidade, pede que falem de futebol com ele. E a tragédia aconteceu onde, num jogo de cricket?
Em São Paulo há estádios em que é possível ver o céu, olhando de baixo para uma arquibancada, tantos são os furos. Pedaços de ferragem, então, já fazem parte da decoração. Nacos de parede pintada já caíram muito perto de torcedores. Sem falar na imundície geral. Há lanças e espetos em forma de grades e divisórias que parecem à espera de um gladiador romano, não de torcedores.
A Copa veio para o Brasil e é preciso acabar com isso. Nossos estádios envelheceram mal e se transformaram em autênticos matadouros, armadilhas preparadas para os torcedores de bem. Dentro ou fora.
A Bahia merece nosso respeito e indignação e, quem sabe, essa tragédia não seja o marco de um 2 de Julho no futebol. Aliás, como pode um aeroporto deixar de se chamar 2 de Julho para homenagear político? A Bahia não merecia essas tragédias.

PS: A comemoração do dia 2 de Julho é uma celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, em 1823. Neste dia as tropas brasileiras entraram na cidade de Salvador, que era ocupada pelo exército português, tomando a cidade de volta e consolidando a vitória e a Independência do Brasil. Maria Quitéria é a personagem máxima dessa data.

domingo, novembro 25, 2007

A ÚLTIMA VOLTA DO PONTEIRO

PARA SEIS TORCIDAS DO BRASIL

Uma quarta-feira e um final de semana. É isso que falta para que o ano de milhões de torcedores de seis times brasileiros possam saber de o Natal será de provocador ou provocado. Foi-se o Brasileirão 2007 e me permito fazer algumas reflexões sobre a penúltima rodada, que definiu duas vagas na Libertadores, e o que espera os fanáticos seguidores dessas seis importantes camisas para a próxima rodada.

SANTOS - Justa e merecida classificação para a Libertadores de um time bem montado e que tem alguns pontos muito bons. A dupla de volantes, Maldonado e Rodrigo Souto, é ótima. Kléber Pereira é um excelente centroavante, e Kléber joga muito, na lateral ou no meio. O problema do time foi a irregularidade em certos pontos do torneio e dentro dos próprios jogos. Por que o Santos geralmente vai mal no primeiro tempo e melhora muito no segundo?

FLAMENGO - Uma reação espetacular, que carimba com merecimento e justiça a volta à Libertadores. Claro que houve algumas decisões de bastidores que até os flamenguistas acharam favoráveis demais ao seu time, e a questão da mudança da ordem dos jogos possibilitou que a equipe fosse reforçada para jogos que deveriam ter ocorrido muito antes e emendasse uma sequência improvável de partidas no Maracanã. Apesar disso tudo, a reação foi arrebatadora.

PALMEIRAS - A falta de apetite do time contra o Inter foi de assustar os torcedores. O Palmeiras entrou tranquilo demais para uma decisão e quem mordeu o jogo inteiro foi o Inter. Caio Jr. esteve num dia péssimo, insistiu com Martinez e quando mexeu no time estava tudo bagunçado. O Sport acabou quebrando o galho do Palmeiras, mas a verdade é que a equipe, quando precisou do seu futebol, andou decepcionando. Tem a chance de acabar com isso contra o Atlético Mineiro, em casa. Continua dependendo apenas de suas forças, mas é aí que mora o perigo para os palmeirenses.

CRUZEIRO - Disputa palmo a palmo com o Palmeiras a alcunha de amarelão nos momentos decisivos. Foi dado como barbada na Libertadores e agora chega à última rodada tendo que torcer pelo rival Atlético. Falta alma a esse time do competente Dorival Júnior. Falta espírito de competição. Ainda existe uma chance, mas o Cruzeiro já desperdiçou tantas que se complicou sozinho.

GRÊMIO - Mano Menezes acha que o que complicou o Grêmio foi aquela derrota para o Figueirense no Olímpico. Eu já acho que foi a campanha fraquinha como visitante. Dizem que o Mano está saindo e isso é ruim pro Grêmio, que foi um time autoral, como nos tempos de Felipão. Superou suas limitações graças a um arrumador de equipes competente. Fica como zebra, mas sabem como é, não se duvida do Grêmio.

CORINTHIANS - O drama da nação alvinegra pode acabar ou piorar na quarta-feira. O time precisa vencer o Vasco para, dependendo do resultado do Goiás, chegar tranquilo à batalha final, no Olímpico. O problema é que vencer é um verbo de difícil conjugação para esse time do Corinthians, ainda mais sem o Finazzi. Se deixar para resolver no Olímpico pode ser fatal.

GOIÁS - O time vinha bem, aí resolveu trocar o técnico e entrou em parafuso. Escolheu Márcio Araújo, gente boa, estudioso, mas que vinha de dois rebaixamentos consecutivos. É chamar muita energia negativa. Precisa ganhar do Atlético no Mineirão para chegar vivo à última rodada. Falta time, falta personalidade mas sobra esperança.

PARANÁ - A derrota para o Santos foi catastrófica pela maneira como ocorreu. O time vencia até os 34 do segundo tempo e tomou uma virada de acabar com qualquer esperança. Não basta ter o artilheiro do campeonato para compensar a ruindade da zaga e do resto do time.

quarta-feira, novembro 21, 2007


JOGAR BEM É O DESAFIO

DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Seleção Brasileira é assunto polêmico. Divertido, amado, mas polêmico. Nunca haverá unanimidade. Nem quando a Seleção, de fato, jogou bem e encantou houve. Não é agora, quando o time ainda está longe disso, que haverá.
Sou fascinado pelo tema formação de equipes, jogo coletivo, entrosamento. Em cima desse argumento, acho que o que importa quando se trata de esporte coletivo é jogar bem. Mas que diabos seria jogar bem? Existem mil definições e cada um, provavelmente, tem a sua. Para mim trata-se de observar uma equipe em ação, um conjunto de atletas bem treinados técnica e fisicamente e que, reunidos, conseguem fazer, taticamente, com que suas qualidades individuais sejam todas exploradas. Pode parecer complicado, mas na verdade não é.
Para muitos jogar bem é uma questão de discurso ensaiado, de comentários feitos sob encomenda, disfarçados sob um manto de clichês como dar espetáculo, o verdadeiro futebol brasileiro etc. Na hora de explicar o que entendem por isso, quase ninguém consegue.
Jogar bonito, então, é quase programa eleitoral. E, afinal, o que é jogar bonito?
É possível jogar bem e não jogar bonito. Mas acho que é impossível jogar bonito sem jogar bem. A não ser aqueles que acham que firulas inúteis sejam jogar bem. A Seleção do Dunga tem bons exemplos. Juan e Lúcio jogam bem. Juan joga bem e bonito. É técnico, clássico e habilidoso. Zagueiro com múltiplos recursos. Lúcio joga bem e nem tão bonito. É mais força, precisão nos desarmes, nas coberturas. Kaká joga bem e bonito. Une eficiência a uma técnica apurada. Seu gol contra o Peru é a prova disso. Desde a matada de bola até a finalização precisa.
A Seleção, como time, até que não joga feio. Mas está longe de jogar bem. Falta sincronia de movimentos, falta entrosamento e, principalmente, um posicionamento mais adequado ao modelo tático proposto pelo Dunga. Vejo o esquema tático do Brasil dessa maneira: são quatro zagueiros (dois beques e dois laterais). Dois volantes à frente dos zagueiros, três meias-atacantes e um atacante apenas (Vágner Love), jogando mais adiantado, como se fosse a ponta de um tridente. Para que funcione bem o que temos em teoria, seria preciso muito mais entrosamento e jogadas trabalhadas para que, por exemplo:
a) os laterais pudessem subir com mais frequência em jogadas de ultrapassagem com os meias-atacantes.
b) Vágner Love pudesse revezar com Robinho e Ronaldinho Gaúcho na função de homem de frente e isso confundisse a marcação.
c) Se Mineiro é, teoricamente, o volante que sai mais para o jogo, ele não pode ser uma opção de jogada de ultrapassagem pela direita com Maicon, porque fatalmente não haverá cobertura para ambos pelo setor direito. Tem de ser um ou outro, nunca os dois.
d) Ronaldinho Gaúcho gosta de jogar mais perto do gol e Kaká não gosta de ficar de costas para os zagueiros. Se a Seleção vai jogar sempre assim, com apenas um atacante isolado e três homens chegando para abastecê-lo, Vágner Love será eternamente criticado, porque não consegue jogar dessa maneira. Talvez com Robinho fazendo, de fato, uma dupla de ataque, e com Ronaldinho executando a ligação pelo lado esquerdo, as coisas funcionem melhor.
Tudo é teoria, tudo é opinião e, tomara, a prática se traduza numa vitória sobre o Uruguai e numa classificação tranquila para 2010.

DÁ-LHE, VINOTINTO!!!!

Confesso que peguei simpatia pela seleção da Venezuela, a famosa Vinotinto, durante minha estada na terra de Simón Bolívar. Pela amabilidade das pessoas e a nascente paixão dos venezuelanos pelo futebol. A vitória de 5 a 3 sobre a Bolívia foi épica. Jogo ruim tecnicamente, mas gostoso de assisitir. A Vinotinto virou graças a muita raça e ao futebol literalmente desastrado da Bolívia. Se os craques do time das alturas são Arce e Moreno, reservas no Corinthians e no Cruzeiro, tem muita coisa errada. A Venezuela tem mais ginga, tem o esperto Maldonado, o bom zagueiro Rey e até o sumidão Arango. Subiu um degrau.

VEXAME DE TEVEZ

Tevez enterrou a Argentina ontem na Colômbia. Foi flagrado dando um chute sem bola no advesário e corretamente expulso de campo. O jogo já estava complicado para os argentinos com 11 contra 11 e piorou de vez com um a menos. Acho que o Tevez é excelente, mas não se compara a Messi e Riquelme, que são CRAQUES com letras maiúsculas. Ontem, Tevez não estava conseguindo jogar e, parece, encontrou uma maneira de acabar com esse problema. Mas criou um maior para o time.

ALGO MUITO ESTRANHO
ACONTECE NA SÉRIE B

Uma avalanche de denúncias de irregularidade caiu sobre a Série B do Campeonato Brasileiro. Tudo muito esquisito. Por quê quem afirma saber de algo errado só grita depois que foram definidos os acessos e, quase definidos, os rebaixamentos? Qual o motivo por trás de tudo isso? Haveria conexão com o que acontece na Série A? Muito, mas muito esquisito.

sábado, novembro 17, 2007


ROBINHO, KAKÁ E RONALDINHO
OU MESSI, RIQUELME E TEVEZ?

A pergunta aí de cima certamente povoaria os sonhos de qualquer técnico ou torcedor de futebol. Que trio de craques você escolheria para seu time se pudesse?
Acho que eu chutaria o balde e ficaria com os seis. Os outros cinco que completariam o time que me desculpem, mas com esse sexteto tem que existir um esquema tático que funcione. Talvez eu durasse pouco como técnico (jamais tive ou terei essa pretensão e nem me considero preparado para tal). Mas eu ia me divertir à beça.
Agora falando sério, os dois trios são fantásticos. Comentei, ao lado do amigo Eduardo Moreno, Argentina e Bolívia pelo SporTV. Riquelme e Messi são espetaculares. E Tevez joga muito, embora não tenha brilhado. Messi caminha a passos largos e objetivos e uma canhota mágica para ser um dos melhores do mundo. Atualmente está jogando amis que Ronaldinho Gaúcho e só perde, na minha modesta opinião, para Kaká. A bola gruda naquela canhota e ninguém tira. Impressionante!
Riquelme é um estilista. Parece saído de um filme dos anos 50 ou 60. Na bola parada é fulminante. Craque em qualquer análise que se faça. É o mais técnico dos seis. Tevez é um lutador, um atacante daqueles que não deixa a defesa adversária respirar. E quando não joga bem compensa com uma disposição fora do comum.
Do lado de cá da fronteira temos Kaká, a definição do craque moderno. Forte, tático, objetivo e técnico. Dos seis envolvidos, ele e Riquelme, parecem, para mim, os que melhor compreendem o sentido tático de um jogo de futebol, fazem a leitura perfeita do que acontece dentro de campo. Ronaldinho Gaúcho é um artista que anda oscilando, mas um cara que, certamente, é titular de qulquer time que se forme no planeta bola, não pode ser desprezado nunca. Entre os seis, é o mais habilidoso e, também, o que apronta as mais belas surpresas.
Robinho está no limiar da explosão favorável. Tenho certeza que é o que mais se diverte jogando futebol. Quando tiver a confiança que hoje esbanja o Kaká, será um dos maiores do mundo.
Agora, pra ficar bonito mesmo eu escalaria um sétimo craque nessa lista. Ronaldo Fenômeno, o definidor por excelência, mais artilheiro que os outros seis juntos. Seria o maior desafio de todos os tempos para um treinador de futebol. E, repito, pode ser que não funcionasse, mas que seria divertido, isso seria.

quarta-feira, novembro 14, 2007


PARABÉNS, COXA, LUSA,

VITÓRIA E IPATINGA!

Antes de mais nada, parabéns aos torcedores de Coritiba, Portuguesa, Vitória e Ipatinga. Desde 2002 trabalho cobrindo, também, a Série B do Brasileirão e sei como é dura essa batalha pelo retorno ou, então, pela primeira vez na Série A. E será ainda mais complicada a luta pela permanência em 2008. Mas antes disso a festa será muito grande para essas torcidas.
O Coritiba é uma potência que voltou a seu devido lugar. Tem um lindo estádio, um título nacional, já revelou grandes jogadores. Tenho grande respeito pelo trabalho do Renê Simões, com quem já tive oportunidade de conversar muitas vezes e considero um excelente profissional e um bom amigo. Ele costuma fazer bons times e, mais que isso, equipes comprometidas com o trabalho, a torcida e a instituição. O Coxa ainda tem boas revelações para montar a base de 2008. Pedro Ken e Keyrisson são boas promessas, assim como o zagueiro Henrique.
A Lusa, para mim, é um caso à parte. Existe uma tradição na imprensa esportiva de São Paulo, carregada até de algum preconceito, de que os repórteres que começam a trabalhar nos veículos da Capital iniciem cobrindo a Portuguesa. Passei por esse processo e aprendi a admirar o clube, sua história e sua gente. Tive a sorte de acompanhar de perto a campanha do vice-campeonato brasileiro de 1996, ao lado do grande amigo Luís Augusto Simon, o Menon, pela Gazeta Esportiva. Lembro de uma matéria que fizemos com o Candinho, treinador da Lusa, no Canindé, na qual ele afirmava que o Barcelona, se jogasse o Paulistão, ficaria em quarto lugar. Demos boas risadas, e o Candinho, gaiato, tentou negar tudo. Tenho bons amigos que torcem para a Lusa. Gente que fez parte de um período muito importante da minha formação, no Colégio Arquidiocesano. Seu Zé e o filho Mário. Normandão, o Maçã. Quando a Lusa confirmou seu retorno à Série A pensei na alegria deles. Na festa no bar da Sueca, dos bolinhos de bacalhau. Quem não conhece o clube talvez não entenda isso, esses traços da herança portuguesa, a fusão de culturas e o amor pelo futebol que une dois povos.
Imagino, também, a festa da galera do Vitória em Salvador e pelo Brasil. Um clube particularíssimo, que viveu entre a modernidade de alguns projetos e o atraso de alguns dirigentes. A maneira como o baiano curte o futebol é única. Já assisti a um Ba-Vi na Fonte Nova e vi torcedores dos rivais acompanhando o jogo juntos, lado a lado. Chega a ser comovente nos dias em que vivemos. A Bahia não poderia ficar sem representante na Série A. E tomara que o Bahia em breve se junte ao rival.
A novidade fica por conta do Ipatinga. Confesso que, no início da temporada, não acreditava no potencial do time, achava fraco. Mas ali foi plantada uma boa base pelo Ney Franco e há muito dinheiro por trás do projeto. A equipe é forte fisicamente e foi das mais competitivas. Tem um quê de São Caetano, só que com mais torcida e uma cidade que parece comprar a idéia do time.
2008 já começou para as quatro caras novas - algumas nem tanto - do Brasileirão.

AH, OS TRIBUNAIS!

É, no mínimo, polêmica a decisão do STJD de permitir que o Flamengo, através de efeito suspensivo, recebe sua fantástica torcida contra o Atlético Paranaense. Vai haver chiadeira e pode criar um efeito cascata. Não creio em favorecimentos, mas que causa estranheza, isso causa. Se um torcedor atira uma garrafa ou uma lata ou qualquer outro objeto em campo, o responsável deve ser o clube mandante? Talvez. Houve casos em que o vândalo foi identificado e retirado de campo e nada ocorreu com os clubes. E houve casos de punições pesadas. Confesso que ainda não tenho opinião formada sobre o tema.

AH, A TABELA!

Seria de bom tom que todos os clubes envolvidos em classificação para a Libertadores ou na luta contra o rebaixamento jogassem no mesmo dia e no mesmo horário. E não venham culpara a TV por isso. Ela paga muito e tem o direito de mostrar seus jogos de meio de semana. Basta que os outros jogos dos envolvidos também sejam disputados no mesmo dia.

terça-feira, novembro 13, 2007




VAMOS AO QUE INTERESSA
Dia 19 chega às lojas na Europa e dia 20, nos EUA. Por aqui ainda não sei, mas deve ser em breve. Registro ao vivo da perna europeía da grande turnê Turn It On Again 2007.
Segue abaixo a lista das músicas:
Disco 1.
Duke's Intro / Behind The Lines / Duke's End (Live In Manchester)
2. Turn It On Again (Live In Amsterdam)
3. No Son Of Mine (Live In Amsterdam)
4. Land Of Confusion (Live In Helsinki)
5. In The Cage / The Cinema Show / In The Cage / Duke's Travels (Live In Manchester)
6. Afterglow (Live In Manchester)
7. Hold On My Heart (Live In Hannover)
8. Home By The Sea (Live In Dusseldorf & Rome)
9. Follow You Follow Me (Live In Paris)
10. Firth Of Fifth (Excerpt) (Live In Manchester)
11. I Know What I Like (In Your Wardrobe) (Live In Manchester)
Disco 2
1. Mama (Live In Frankfurt)
2. Ripples (Live In Prague)
3. Throwing It All Away (Live In Paris)
4. Domino (Live In Rome)
5. Conversations With 2 Stools (Live In Munich)
6. Los Endos (Live At Twickenham)
7. Tonight, Tonight, Tonight (Excerpt) (Live In Rome)
8. Invisible Touch (Live In Rome)9. I Can't Dance (Live In Munich)
10. Carpet Crawlers (Live In Manchester)