sexta-feira, outubro 21, 2011


Um pitaco sobre a Copa


O anúncio oficial do que já se sabia extra-oficialmente deu uma aquecida no clima da ainda distante no calendário mas incrivelmente próxima pelas necessidades Copa do Mundo de 2014.

Sou a favor da Copa no Brasil, mas não gosto dos rumos que ela tomou. Muito dinheiro público quando o slogan inicial era o da Copa da Iniciativa privada. E muito dinheiro público gasto em estádio, quando o grosso deveria ser destinado a obras de mobilidade urbana e que ficariam para o cidadão após a disputa do Mundial.

Um aspecto interessante é o das críticas que geralmente são apontadas para a Fifa. A entidade tem milhões de defeitos, mas ela não pede para ninguém organizar a Copa. São os países que se candidatam. Como fez o Brasil. Que aceitou as condições ao se candidatar. Por isso criticar imposições que eram sabidas quando o país se candidatou é jogar para a torcida. Nada mais que isso.

O caos nos aeroportos continuará, a falta de investimento em transporte público na maioria das cidades-sede continuará. Era esse o ponto que o Brasil poderia aproveitar com a chegada da Copa para evoluir.

Mas há um caminhão de dinheiro sendo gasto diretamente ou na forma de isenções para a construção ou reformas de estádios, particulares ou de governos estaduais ou municipais, que, em muitos casos, ficarão com pouca ou nenhuma utilização após o Mundial.

Esse é outro ponto: sou contra dinheiro público para construir ou reformar estádio.

Um erro crasso: nenhum jogo do Brasil no Maracanã na fase de grupos. Lamentável, simbolicamente. Existe até a possibilidade de a Copa terminar sem o Brasil no estádio emblemático do futebol no País. Faltou sensibilidade e, até, inteligência. 

Cabe a nós, agora, fiscalizar o andamento das obras e cobrar a aplicação dos recursos.

Uma boa fonte de informações é o Blog Portal 2014.

terça-feira, outubro 18, 2011

sexta-feira, outubro 14, 2011



Corinthians responde

acusação de agressão


Recebi um telefonema da assessoria de imprensa do Corinthians, dando a versão do clube sobre a denúncia publicada no Blog do Nassif sobre uma agressão que teria sido sofrida por um torcedor e seus dois filhos quarta-feira, no Pacaembu. Segundo a denúncia, eles teriam sido espancados por seguranças do diretor do Corinthians, Roberto Andrade.

Segundo a assessoria de imprensa do Corinthians, realmente houve uma forte discussão entre o torcedor (que pediu para não ter seu nome divulgado) e os seguranças, com empurra-empurra e ofensas, mas não aconteceu agressão ou espancamento.

Ainda segundo a assessoria, o torcedor passou mal, foi encaminhado ao hospital Albert Einstein ainda na noite de quarta-feira, e o Corinthians se prontificou a ajudar no que for preciso. O torcedor não aceitou a ajuda oferecida pelo clube.

Sempre de acordo com a assessoria de imprensa do Corinthians, na quinta o diretor Roberto Andrade telefonou para o torcedor pedindo desculpas pelo ocorrido. O torcedor teria aceitado as desculpas e foi, segundo a assessoria, recebido pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, na sede do clube. O dirigente também teria pedido desculpas em nome do clube e convidou o torcedor a visitar o CT.

Esta á a versão dos fatos que foi apresentada pela assessoria de imprensa do Corinthians, que reproduzo aqui conforme me foi relatada por telefone.

quarta-feira, outubro 12, 2011



Carta ao verdadeiro torcedor


Prezado torcedor de futebol, peço a licença de me dirigir a você nesse espaço. Mas apenas a você que gosta de esporte, que ama seu time, que grita, chora, ri, sofre, festeja, mas sabe que o futebol é apenas uma divertida imitação da vida. Nada mais que isso. Um jogo, lazer, diversão, entretenimento.

Aprendi a gostar de esporte desde muito cedo, e com o esporte aprendi muitas coisas que utilizo até hoje na vida. E o futebol é o jogo mais apaixonante que existe, pela sua simplicidade, pelo fato de falar rápido e diretamente ao coração e à alma.

Mas um jogo de futebol não vale uma vida, não vale uma discussão. Infelizmente, por movimentar uma fábula de dinheiro e interesses esquisitos, o futebol se transformou em algo que gera e reverbera violência.

Tenho certeza que você, torcedor de verdade, por mais que esteja irritado com seu time, jamais agrediria um atleta, por pior que ele fosse. Porque antes de ser atletas, ele é filho, pai, irmão, é um profissional que trabalha, um ser humano como qualquer outro.

A questão é que para alguns que não são torcedores e desrespeitam esse termo, o futebol se transformou em desculpa para brigar, para roubar, matar, traficar e tudo mais que você possa imaginar de ruim.

Infelizmente, muitos dirigentes de futebol acham que podem comprar a paixão de torcedores e financiam o mau comportamento desses que se apropriam do termo torcedor. E muitos jogadores pagam pedágio para esses vândalos que usurpam as cores e a história dos times.

Ainda são poucos os torcedores verdadeiros que se rebelam contra esse tipo de comportamento daqueles que fazem tudo, menos torcer digna e verdadeiramente.

Infelizmente, são poucos os jogadores que se rebelam contra esse tipo de gente, que tomam atitudes, protestam. Boa parte prefere bajular essa gente, alguns dão até dinheiro para comprar o suposto apoio dessa turba.

Você, torcedor do bem, que sabe curtir o futebol, sabe que só depende de você ignorar o comportamento dessa gente. Ensine ao seu filho que o gostoso do futebol é a curtição, que não se odeia um adversário, que é apenas um jogo e que na segunda-feira todo mundo tem conta para pagar, escola para levar os filhos, a vida para seguir.

Você, jogador de futebol profissional, que já foi torcedor e, no fundo, sempre será, talvez já tenha passado da hora de se posicionar como categoria. De exigir respeito, segurança, de não calar e pensar apenas no bicho, no pagode e na maria chuteira de cada dia.

O caso de João Vítor, do Palmeiras, não foi o primeiro e nem será o último. Pouco importa saber quem está certo ou errado, quem começou etc. Perdem todos, porque lugar de cobrar atleta é na arquibancada, com vaia. Qualquer coisa que extrapole esse espaço é patológica e precisa de tratamento.

Conto com você, torcedor verdadeiro, para seguir fazendo do futebol uma festa, e não um vale-tudo sem regras e sem graça.

sexta-feira, outubro 07, 2011


A batalha das Arenas


Não deixa de ser interessante essa disputa entre os times de futebol envolvendo suas Arenas, o nome pomposo dado hoje ao que antes era conhecido como estádio ou praça esportiva.

É reflexo de um novo tempo no futebol e no esporte em geral, o tempo da busca incessante por inovações e recursos, por reforço no caixa e ampliação de negócios.

A briga é mais acirrada na cidade de São Paulo, por questões óbvias. A capital bandeirante é um dos maiores centros de negócios do mundo e, li em algum lugar, talvez o maior pólo de convenções e turismo de negócios do planeta.

Acontece tanta coisa em São Paulo, quase sempre simultaneamente, que parece sempre haver espaço para novos empreendimentos na área de entretenimento e negócios.

Essas novas arenas se enquadram nesse propósito. Não apenas para jogos de futebol ou eventos esportivos. Mas para grandes shows, convenções, apresentações de teatro, festas, feiras etc.

Por isso hoje os três grandes times de futebol da cidade travam uma espécie de disputa extra-campo por esse espaço.

O São Paulo tem o Morumbi e há muito tempo lucra com o aluguel para shows e eventos corporativos. O Palmeiras tinha o velho Palestra Itália, que gerava receita com muitos shows, mas tinha a limitação de tamanho. O Corinthians entra agora nessa disputa com a construção de seu estádio em Itaquera.

A demanda da cidade é tamanha que não é absurdo pensar em grandes eventos realizados simultaneamente nas três praças.

Mas há particularidades envolvidas.

No caso do Palmeiras, o clube e a WTorre, sua parceira na nova Arena, deram um grande passo ao assinar acordo com a AEG, empresa que administra arenas, promove shows e tem equipes esportivas em vários pontos do planeta. Também faz parte da disputa ter alguém que possa abastecer o espaço que vem sendo criado com uma linha de espetáculos e clientes.

Outro aspecto favorável ao espaço palmeirense é a localização privilegiada, de fácil acesso e com estrutura próxima de apoio, como shoppings que multiplicam a oferta de estacionamento. Além da modernidade do projeto.

Assim como o Corinthians ganha com o projeto moderno e atualizado de seu espaço. Mas deixa uma dúvida quando à infra-estrutura do local, que é distante do centro da cidade. Mas é próximo ao aeroporto e atende a uma região carente desse tipo de empreendimento. Tem o metrô próximo, mas o acesso via automóvel é bastante complicado para quem vive longe da Zona Leste.

O Morumbi ganha pelo fato de já ser um palco estabelecido e conhecido nesse tipo de evento, mas perde pelo fato de o estádio, mesmo que venha sendo constantemente modernizado, ser um projeto antigo e que necessita de uma série de adequações que, ao que parece, devem ser feitas. Outro ponto a se destacar é o acesso ao estádio, também complicado, longe de regiões como as Zonas Norte e Leste, a falta de área no entorno para ampliar estacionamento etc.

Creio que há espaço para que todos os clubes possam oferecer bons estádios aos times de futebol e boas opções para a área de entretenimento.

No Rio a situação é diferente. O Vasco pode lucrar muito se conseguir modernizar São Januário. Mas precisa resolver a questão do entorno, uma região perigosa e de difícil acesso.

O Engenhão pode oferecer ao Botafogo boa receita, mas também é preciso melhorar os acessos, já que o estádio parece ter sido encaixado a fórceps em meio a uma série de ruas minúsculas.

Em Minas o América terá no novo Independência uma excelente oportunidade de buscar recursos e crescer. Cruzeiro e Atlético podem pensar em conjunto e explorar o Mineirão, que pertence ao governo do estado.

Boa disputa se anuncia também em Porto Alegre, com Inter e Grêmio. Os tricolores investem em um estádio novo, e o Inter luta para reformar o seu palco. Resta saber se há mercado no que se refere a eventos para duas grandes arenas na capital gaúcha. Para jogos de futebol, tudo bem. Mas Porto Alegre teria demanda para eventos artísticos, feiras e convenções com dois espaços desse porte?

Temos o caso de Recife, onde o Náutico parece disposto a abrir mão dos Aflitos e utilizar o novo estádio que será construído para a Copa.

Em Curitiba a Arena da Baixada deve ganhar a concorrência do novo estádio do Coritiba, provavelmente no local onde está o Pinheirão, que foi mais um espetáculo de desperdício de dinheiro público.

segunda-feira, outubro 03, 2011



Vantagem carioca


no "Rio-São Paulo"

O duelo particular entre paulistas e cariocas, cariocas e paulistas no Brasileirão 2011 propõe uma espécie de renascimento do velho Rio-São Paulo.


A disputa entre os times do "eixo" como são tratados por alguns rivais de outros estados, apresenta até agora ampla vantagem carioca.


Foram disputados 24 jogos entre a turma da Ponte Aérea até agora no Brasileirão. Com 13 vitórias cariocas, quatro empates e sete vitórias paulistas. Os ataques do Rio somam 34 gols, contra 27 de São Paulo. A vítima  preferida dos cariocas é o São Paulo, que perdeu seis vezes nos confrontos.


Com quatro vitórias, o Corinthians é o paulista de melhor desempenho nesse duelo da Via Dutra.


Nos 24 jogos não houve uma vitória por mais de dois gols de diferença, e o jogo emblemático é o 5 a 4 entre Santos e Flamengo, na Vila Belmiro, com vitória rubro-negra. 


Dos dez primeiros colocados, sete são do "eixo", inclusive os seis primeiros. Fato que acontece, principalmente, porque os times de Minas cumprem campanha fraquíssima, e os gaúchos andam muito irregulares.



sexta-feira, setembro 30, 2011


Hino de Belém


Enquanto enfrentava o cada vez mais caótico trânsito paulistano, ouvi um comentário do excelente José Nêumane Pinto, na rádio Jovem Pan, sobre o comportamento da torcida paranese durante a execução do Hino Nacional Brasileiro antes de Brasil x Argentina.

Concordo e discordo de algumas opiniões e ideologias do Nêumane, mas o admiro profundamente como intelectual informado e articulado. Nesse caso do Hino, assino embaixo tudo que ele disse. Que foi basicamente o fato de o povo belenense e paraense ter tratado o Hino com o devido respeito e consideração.

Sou contra manifestações ufanistas e a mistura, que acho equivocada, de futebol com patriotismo. Futebol é manifestação cultural. Patriotismo não tem nada a ver com encher o peito e gritar gol do Brasil e depois sair do estádio e ser uma porcaria de cidadão. Sonegar impostos, comprar produto pirata, ser um mau chefe, um mau pai, um mau filho, um péssimo político etc. Só para exemplificar.

Claro que nem todo mundo é assim, e tem gente que é patriota de verdade por ser um bom cidadão, por respeitar seu País e respeitar seus conterrâneos e torcer pelo time de futebol.

A questão do hino é que ele foi banalizado completamente nos estádios de futebol, por causa de mais uma dessas leis inúteis que obriga a execução do mesmo antes dos jogos. Mas executam no sentido de carrasco da palavra. Tocam o hino pela metade, em alguns locais com andamento errado e acelerando a execução para ganhar tempo.

Em alguns estados da União o hino estadual também é executado e muitas vezes tocam este inteiro e o Nacional pela metade! Quando não vaiam o mesmo!

Vejam bem, acho importante que se respeite os hinos estaduais, os regionalismos e questões culturais de um País tão rico em diversidades como o nosso. Mas já vivemos num Brasil avacalhado pela politicagem, pelo descalabro, pela violência e por abrigar uma das piores classes políticas do Universo . Se avacalharmos o Hino, um dos nossos símbolos de unidade, aí vai sobrar o quê?

E repito, não sou ufanista, ultranacionalista, nem nada. Gosto de ser brasileiro, tenho verdadeiro orgulho disso e trabalho para ser um cidadão melhor e, com isso, ajudar a melhorar o País. Independentemente de a seleção ganhar ou perder jogos.

Por isso o episódio do Hino de Belém deveria ser emblemático. As pessoas ignoraram a mutilação do hino e seguiram cantando a plenos pulmões, por vontade, por alegria, por gostarem, mas foi espontâneo, genuíno, natural.

Patriotismo não é comprar camisa e fazer churrasco com amigos, depois xingar técnico e jogador de quatro em quatro anos.

Como símbolo popular de nossa cultura, a seleção brasileira pode ajudar muito nisso, desde que seja mais brasileira e menos comercial, que jogue mais no Brasil, que empreste seu prestígio para campanhas de cidadania.

Se der para jogar mais futebol a gente também agradeceria.

quinta-feira, setembro 29, 2011


Boas dores de cabeça

para Mano Menezes


Nada de entusiasmos ufanistas, exageros e aquele papinho de esse é o futebol brasileiro com muito orgulho, com muito amor. Não sou adepto do populismo rasteiro.

O bom da vitória do Brasil sobre a Argentina em Belém, acho eu, são as boas dores de cabeça que dela brotarão para Mano Menezes.

Entre elas a belíssima atuação do jovem lateral-esquerdo Bruno Cortês, do Botafogo. Fazia tempo que o Brasil não via um lateral jogar tão bem por aquele lado.

Lucas como meia, tendo espaço para fazer o que faz de melhor, arrancar com a bola dominada, também projeta uma saborosa dúvida. Daria para atuar com Ganso de um lado, Lucas do outro, Ronaldinho Gaúcho (ou quem sabe Kaká), Neymar e Damião ou Borges? Lucas como atacante perde quase todo seu encanto, mas é um ponta-de-lança que pode ser muito útil em 2014.

Falar de Neymar é chover no molhado. Só quem é muito ranzinza para não reconhecer no garoto o maior talento surgido no País em muitos anos. A seleção da estréia na Copa é ele e mais dez.

Foi tudo às mil maravilhas? Claro que não. A dupla de volantes não tem pinta de que possa reivindicar uma vaga no time da Copa. A lateral direita, em que pese o bom jogo de Danilo, em termos de Copa ainda parece aberta.

Mas o bom é que dá para imaginar um time olímpico realmente forte, e para o bem do treinador, agora muito mais aliviado, a saudável questão sobre os jogadores que atuam no País e os chamados "gringos" virou tema de ordem na pauta.

quarta-feira, setembro 28, 2011


A rodada fundamental* 
 
Embora ainda não decida o título, a etapa do fim de semana pode encaminhar muita coisa no Brasileirão

Nunca escondi de ninguém que prefiro campeonatos com final ao sistema de pontos corridos. Mas o modelo atual do Brasileiro também reserva boas emoções. A próxima rodada é um desses casos. Jogos em sua maioria valendo pela vigésima-sexta etapa e podendo encaminhar muita coisa.

Por uma dessas maravilhosas coincidências, líder e vice-líder se enfrentam no jogo que mais promete: Vasco x Corinthians, no Rio. Enquanto isso, o São Paulo, terceiro colocado, recebe o Flamengo, sexto. Luís Fabiano deve ser a atração tricolor, diante dos companheiros de Ronaldinho Gaúcho. De olho nisso tudo, com um jogo a menos, o Botafogo, quarto na tabela, enfrenta o raçudo Atlético, em Goiás. Sábado, no Rio, o Fluminense, quinto na classificação, pega o Santos, com potencial para ser o sexto se vencer os dois jogos a menos que ainda disputará.

Mais abaixo, o Palmeiras e sua irregularidade recebem o virtualmente rebaixado América, de olho na partida entre Atlético-PR e Inter e também no jogo entre Flu e Peixe. Se vencer e contar com tropeços de gaúchos e cariocas, o Verdão pode até pular para o quinto lugar. Mas se não vencer...

Enfim, juntando tudo isso e pensando nas combinações de resultados, é daquelas rodadas para o torcedor ir ao estádio e levar o radinho, ficar com o celular ligado e, quem estiver em casa, dividir a tela em quantas partes for possível para não perder nada.

O jogo com maior carga dramática é o de São Januário. Porque o Vasco pode, se vencer, abrir cinco pontos em relação ao Corinthians e seis para o São Paulo, caso haja derrota do Tricolor. Mas também corre o risco de cair para o terceiro posto se perder e der vitória paulista no Morumbi.

Bola por bola, a cruz-maltina tem sido mais redonda que a de todos os outros times. Arrumado, entrosado e confiante, o Vasco ainda conta com o goleiro Fernando Prass e o meia Diego Souza em fases inspiradas. O Corinthians pode não entusiasmar, mas segue firme na disputa pela taça e sonha com a volta de Adriano.

Na sequência dessa rodada pra lá de agitada, a seleção brasileira, de novo ela, provocará desfalques importantes em várias equipes, mexendo com a realidade da competição e apimentando ainda mais essa receita. Pode não decidir nada, mas que vai fazer barulho, isso essa próxima rodada vai.

Jejum no Coliseu

Chama a atenção a estiagem por que passa Kléber, o Gladiador palmeirense. São 20 jogos sem fazer gols pelo Brasileirão, mais que um turno, num período de tempo que chega a cem dias, um terço do ano. Neste período, ele contabilizou apenas um tento, pela Sul-americana, contra o Vasco.

Ventos da mudança

Se vencer a Argentina amanhã, em Belém, a seleção brasileira deve ser um time mais solto nas próximas partidas. Não será surpresa para este colunista se Mano Menezes colocar em campo, simultaneamente, em algum momento, Oscar, do Inter, Lucas, do São Paulo, e Ronaldinho Gaúcho. Para guardar e checar.

Lusa em alta  

A ótima fase da Lusa fez com que o clube lançasse seu programa de sócio torcedor. Com direito a um vídeo muito bem sacado na página do programa na internet. Quem quiser, pode conferir o vídeo no endereço www.eutorcojunto.com.br. O projeto tem plano único, por enquanto, pelo valor de R$ 39,00 por mês.


Nó Tático

Problemas brotam no Palmeiras como mato. Cada um tem seu diagnóstico para os motivos que levam um clube gigantesco a colecionar vexames. Meu diagnóstico é antigo e vou repeti-lo. Falta qualidade na direção. O Palmeiras tem um quadro incompetente e retrógrado de dirigentes que pararam no tempo e nos vendetas das alamedas do velho Palestra Itália.

Sempre destaco o seguinte: o último título conquistado pelos dirigentes do Palmeiras foi o Paulista de 1976. De lá para cá, o clube só venceu quando o futebol foi tocado por gente de fora, as famosas parcerias. O que indica um problema antigo. Falta humildade e união entre os dirigentes palmeirenses para reconhecer sua incompetência em administrar uma herança do tamanho deste clube glorioso.

Falta ao Palmeiras uma direção de futebol que entenda e goste de futebol e que dê a cara para bater. No vexatório empate contra nove do Atlético Goianiense, o vice Roberto Frizzo cercou-se de seguranças e preferiu o silêncio após um dos jogos mais vergonhosos da história do clube.

O resultado é a formação de grupos de jogadores sem personalidade, sem perfil vencedor e sem conexão com a história do clube. Na hora do aperto, o que mais se vê nos times recentes do Palmeiras é jogador se livrando da bola e empurrando a responsabilidade para quem estiver mais perto, esperando um salvador da pátria. Reflexo da falta de comando do clube.


A marca ainda é forte, poderosa, mas a incompetência é alarmante e contagiosa.

*coluna publicada terça-feira, dia 27/09/2011, no www.diariosp.com.br

quinta-feira, setembro 22, 2011

A tal da ética da bola


Quem curte futebol e esporte em geral está acostumado a ouvir falar sobre a tal ética do atleta, um código que não está escrito nem foi publicado, um conjunto de regras e padrões de comportamentos implícitos da profissão de atleta.

Mais ainda no futebol, onde esse código é conhecido como a tal ética do boleiro.

Ética de boteco, diga-se. A grosso modo, esse código é o seguinte: você não me sacaneia que eu não te sacaneio. Simples assim. Só não vale o que eles chamam de trairagem. Contra eles próprios, diga-se, porque quem faz a trairagem nunca se acha traíra

Só que no meio do caminho entram interesses financeiros, amizades, privilégios e uma série de outros fatores.

O caso mais recente da aplicação do tal código de ética do boleiro foi esse envolvendo o zagueiro Chicão, do Corinthians.

Sacado do time claramente por questões técnicas, Chicão se recusou a ir ao banco de reservas no clássico contra o São Paulo, alegando estar abalado emocionalmente por ter sido sacado. Mas prontamente se ofereceu para jogar contra o Bahia, na rodada seguinte.

Em se partindo de um capitão de time, de quem se cobraria, no mínimo, alguma liderança, pintam várias perguntas.

Qual o compromisso mostrado por um líder quando se comporta assim? Se foi sacado do time, sua liderança não seria útil na concentração, no banco? Ou ela só vale quando ele joga?

Que pensa um jogador se o atleta que é escolhido como capitão dá esse tipo de exemplo absolutamente individualista? Será que o compromisso dele é com a equipe ou apenas com si próprio?

Existem mil maneiras de avaliar esse caso. E há complicadores. Chicão é amigo do presidente do clube, que é chefe dele e do treinador. Há jogadores que não são amigos nem do presidente e nem de Chicão. Que foram sacados do time e estiveram no banco de reservas normalmente.

Deixo aqui minha visão dos fatos. Fosse eu o Tite e Chicão nem no banco ficaria contra o Bahia. Simples assim. Atleta não pode escolher posição e jogo para atuar. Ao se desligar do elenco para um clássico decisivo, Chicão jogou uma pressão absurda em cima de Tite e dos jogadores que atuaram nas posições de zagueiros. Qualquer falha desses atletas seria potencializada, e a culpa cairia sobre o treinador.

Tite fez uma opção técnica. Chicão é bom zagueiro mas tem falhado seguidamente. Não é nada de outro mundo ele sair do time. A opção também foi corajosa, porque o treinador está com a corda no pescoço. O Corinthians fez um jogo conservador contra o São Paulo, jogou para empatar. Empatou e a zaga com Wallace e Paulo André não foi mal.

Para mostrar ao grupo que tem comando e não faz escolhas pessoais ou preferenciais, acho que Tite deveria repetir a zaga contra o Bahia e nem relacionar Chicão para o banco. Ele mostraria aos jogadores que valoriza espírito de grupo e compromisso.

E vocês, o que acham?

segunda-feira, setembro 19, 2011



Sabe as duas linhas de quatro...


Vivemos o tempo que eu chamo de tatiquês nos comentários de futebol, seja por jornalistas ou mesmo torcedores. Brincamos na TV que é a turma das linhas de ônibus, o 4-2-3-1 e por aí vai.

Cada um faz do seu jeito e todo mundo merece respeito, existem ótimos profissionais que adotam essa linha. Mas converso demais com jornalistas, torcedores, treinadores, jogadores e ex-jogadores e compartilho da opinião da maioria de que muitas vezes nada do que se fala com certo exagero de sistemas de jogo e esquemas táticos realmente acontece num jogo de futebol.

Muitas vezes é aquela história de deitar erudição e posar de entendido. Mas cada um no seu quadrado.

Óbvio que a tática faz parte de qualquer esporte, e também do futebol, não poderia ser diferente.

Há um mantra das análises, quase um clichê de tão usado, que são as famosas duas linhas de quatro.

Pois na minha maneira de ver o futebol temos um time hoje no Brasil que executa esse esquema tático (a maneira como o time se desloca e se movimenta em campo) dentro do sistema de jogo (a formação do time de acordo com a característica e as funções dos atletas) 4-4-2. É o Vasco, do felizmente em franca recuperação Ricardo Gomes.

Gomes se formou como treinador na escola européia, que tradicionalmente usa esse sistema. Foi zagueiro, dos bons, sabe como um bom beque deve se posicionar no intuito de diminuir o campo do adversário e compactar sua equipe, reduzindo espaços.

Quem assistiu a vitória vascaína sobre o Grêmio viu um time jogando conscientemente e muito bem com duas linhas de quatro quando a equipe gaúcha tinha a bola.

Não se trata apenas de formar uma linha com dois laterais e dois zagueiros e colocar à frente dela dois volantes e dois meias, liberando dois atacantes para puxar os contra-ataques. Trata-se de de posicionar essas duas linhas de maneira com que a última, a dos zagueiros, não marque muito perto da área ou (erro grave) dentro da mesma. E com isso não trazer a segunda linha para tão perto da própria área, nem deixá-la muito longe da faixa que divide o gramado.

Com isso o adversário fica preso entre essas duas linhas, o jogo se resume a um espaço pequeno de campo. Os atacantes precisam sair da área, os laterais estão bloqueados e os meias e volantes têm a frente deles uma muralha bem postada e consistente.

Claro que não funciona sempre. Há o improviso, o talento individual. Mas o Vasco está treinado e montado para jogar dessa maneira.

Mesmo quando tem um volante improvisado de lateral, no caso de Jumar contra o Grêmio, e quado não conta com Felipe e Juninho Pernambucano, seus meias. O Vasco se fecha bem, atrai o adversário e sai em contragolpes mortais. Diego Souza é hoje um ponta-de-lança que, por ter sido volante no começo da carreira, não se incomoda em atuar mais recuado quando necessário. Na frente, quase sempre um homem de velocidade com um atacante de área. Simples e eficiente. Líder com méritos.

Pronto, dei meu pitaco no tatiquês de plantão. 

sexta-feira, setembro 16, 2011


A Seleção vai se soltar?


Perguntei isso ao Mano na volta da Argentina, já que por coincidência, viemos nos mesmos voos de Córdoba a São Paulo.

Fiquei animado com a resposta e até entendi o ponto de vista do treinador, embora discorde de algumas coisas.

Mano, basicamente, não quer perder a confiança dos jogadores. Isso, nós, torcedores, comentaristas jornalistas, comentaristas ex-jogadores, enfim, todo mundo, isso nós não conseguimos medir porque nós não estamos competindo. Só quem compete sente algumas coisas e, principalmente, a pressão.

A ideia do treinador é voltar a ganhar para que os jogadores acreditem nas suas ideias e propostas. O que, no mundo do futebol, muita gente diz, só acontece quando se ganha. Por melhor que seja o trabalho, por mais legais que sejam as ideias, se perde, o jogador começa a desconfiar do técnico. E nessa lógica dos treinadores, o primeiro passo antes de voltar a ganhar é parar de perder.

Então, penso o seguinte: o Brasil tem tudo para ganhar da Argentina em Belém, a pressão diminuirá e Mano, aos poucos, começará a soltar o time.

Para mim não será surpresa se a equipe jogar com dois meias, ou um meia e um ponta-de-lança. Tipo Ganso (ou Oscar) pela esquerda e Lucas pela direita. Com a manutenção do trio de frente com Neymar, Damião e Ronaldo Gaúcho.

Outra dúvida que tinha, quanto a Hernanes. Mano respondeou que vê o jogador hoje como um meia, não mais como volante, e que o atleta não está descartado do ciclo da seleção.

São pontos de vista distintos, de quem analisa, torce, espera melhoras, mas não compete, não depende do resultado para nada.

Todas essas visões merecem ser discutidas.

quarta-feira, setembro 14, 2011


Mano e o Superclássico



Brasil e Argenitna sempre podem fazer grandes jogos. O desta noite aqui em Córdoba tem um ingrediente à parte, o noviciado dos treinadores e da maioria dos convocados neste agora chamado Superclássico das Américas.

Boa sacada de marketing, diga-se, que poderia ser ainda melhor se homenageasse grandes nomes da cultura e da história das duas nações, e não um cartola sul-americano. Mas, vá lá, assim é o mundo de hoje.

Para Mano Menezes, segundo ele próprio, é um jogo para se ganhar. Ele sabe que vem pressionado, que precisa de resultados para ter um pouco de ar e, aí sim, buscar um time. O que deveria ser sua tarefa primordial, mais além do resultado.

O time brasileiro que deve ir a campo hoje não chega a ser brilhante. Tem um ataque poderoso, é verdade, mas poderia ter um desenho de meio-campo que respondesse aos anseios do torcedor. Por que não começar com Oscar na vaga de Renato Abreu?



Na coletiva de ontem, Mano respondeu que pretente utilizar o entrosamento de Ralf e Paulinho, do Corinthians, e também de Renato Abreu e Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo. Faz sentido se analisarmos sob a ótica da busca do resultado. Mas não faz sentido se o objetivo é buscar alguém que possa fazer a função de Ganso, fora do jogo, e de destravar nosso meio-campo. Essa, sim, uma tarefa de vulto.

A Argentina se Sabella é um time mais fraco que o do Brasil. No papel. Sem Verón e Riquelme, perde em hierarquia e criatividade.

Talvez por isso Sabella tenha optado por defender com cinco jogadores. Há muito tempo que os treinadores argentinos optam por fechar os caminhos dos brasileiros pelos lados do campo, acreditando que, assim, as equipes terão dificuldades para desafogar o jogo pelo meio.

A base argentina é o Vélez, pela primeira vez na história, com seis entre os titulares. Afinal, foi o melhor time do país no primeiro semestre. Destaques para o bom lateral-esquerdo Papa e o perigoso atacante Martinez. O problema é que o Vélez e o Estudiantes, que praticamente completa a mescla do time argentino, hoje não vivem grandes momentos, parecem estar fora de época.



Bom para o Brasil. O trio ofensico é de preocupar qualquer defesa. Neymar e Ronalidnho dispensam apresentações, e Damião é das mais gratas surpresas. Ante uma dupla de marcadores centrais como Sebá Dominguez e Desábato, que estão longe de ser espetaculares, podem dar esse ar puro de que Mano tanto precisa. 

quinta-feira, setembro 08, 2011



Encontros e despedidas
















Hoje pego carona nessa linda canção do mestre Milton Nascimento, interpretada por tanta gente boa como Simone, a gente finíssima Maria Rita e tantos outros, para falar do Brasileirão e um tantinho do basquete masculino do Brasil.

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica


Cada vez mais parece que São Paulo, Botafogo, Vasco e Corinthians mostram mais capacidade e disposição de brigar pelo título brasileiro, deixando quase todo o restante da turma a ver navios.

 Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando


Olho em Fluminense, Inter e, mais atrás, em Grêmio e Santos. Flu e Inter têm times para entrar no bolo e disputar a taça, o Grêmio ensaia uma bela recuperação e mira a Libertadores. O Santos, bem, o Santos, é o time do Neymar, do Ganso, do Borges e do Muricy. E tem dois jogos a menos. Portanto...

Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos


Parece ser o caso dos Palestras,  Palmeiras e Cruzeiro. Verdão cada vez menos inspirado, se perdendo em meio a dirigentes despreparados, time limitado e um treinador que parece não saber o que fazer. O Cruzeiro transformado em entreposto comercial pelo seu presidente, que vende muitos jogadores e desmonta times com uma rapidez impressionante.

Melhor ainda é poder voltar
Quando quero


Faço um momento Série B agora, pra reverenciar Portugesa, Ponte Preta e Náutico, firmes e fortes na onda rumo à Série A de 2012. E, como não registrar, do Botafogo na Série A, trabalhando sério e firme para voltar a ser o gigante que sempre foi.

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar


É a dura rotina de Avaí, Atlético Paranense, Atlético Mineiro e Bahia. Sobe, desce, cria esperança, a afasta. Será assim até o final?

Tem gente que veio só olhar
Parece ser o caso do simpátissísimo Coelho mineiro na Série A.

Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida


Esse é o futebol brasileiro atual, cheio de sobe-desce, de vai-e-vem, de times mais esforçados que qualquer coisa, mas capaz de produzir belas festas como a dos são-paulinos para Rogério Ceni, levar milhares de pessoas ao estádio como fizeram os botafoguenses. 

terça-feira, setembro 06, 2011




Taça solteira procura

Oferecida, a recompensa para o campeão brasileiro de 2011 espera ser conquistada. Muitos galanteiam, mas ninguém chega junto

*coluna publicada hoje no Diário de S.Paulo

 Num luxuoso condomínio empresarial da Barra da Tijuca, no Rio, dorme a taça de campeão brasileiro de 2011. Sonhadora, romântica, ela espera ser conquistada por um time forte, vencedor, competitivo, que justifique a honra de tê-la nos braços na festa de encerramento, em 5 de dezembro, provavelmente.

 O problema da taça solteira que procura um dono é a absoluta falta de firmeza e personalidade dos pretendentes. O Brasileirão 2011 é um deserto de grandes times. Muita gente ameaça, promete, mas na hora de cumprir...
        
O caso emblemático é o ainda líder Corinthians. Já poderia estar preparando a lista de convidados para a festa, mas perde pontos preciosos e a cada rodada gasta quase tudo que conseguiu economizar no começo da temporada. Deu tanto mole que, abusados, São Paulo, Vasco e Botafogo estão ali, fitando a taça com olhos de cobiça. É verdade que nenhum deles com aquela pinta de Don Juan, mas todos com reais possibilidades de dormir na liderança já na próxima rodada. Como teve o Flamengo, outro time que inspira pouca confiança.

Por falar em confiança, acreditar no próprio taco, todas essas frases de efeito usadas no jogo das conquistas (também futebolísticas), no Palmeiras tudo isso parece miragem. O time dá a impressão de ter desaprendido a vencer. Ou será que mais do que isso não pode fazer mesmo? Fica sempre armando o bote, rondando, à espreita, mas aborta a missão, tal qual a famosa mosca de padaria.

 A disputa por essa donzela que é a taça de campeão brasileiro é um retrato do nosso futebol atual. Muita correria, pouca qualidade, pobreza de ideias. O discurso parece combinado de tão chato e previsível. Equilíbrio, desgaste, muitos jogos, falta de tempo para treinar e blábláblá.

Vai que aparece um pretendente abusado, atropela por fora e deixa pelo caminho os favoritos de plantão? Na procura por uma equipe que faça justiça ao título de campeã brasileira de 2011, nossa solitária taça pode até ser surpreendida por um abusado pretendente em desabalada carreira a partir de novembro. Afinal, até agora o medo de subir ao altar parece estar prevalecendo.

Sede de história

 Rogério Ceni é um profissional iluminado. Daqueles que têm sede de fazer história. Mais de cem gols marcados e agora chega à marca de mil jogos com a camisa do São Paulo. Chega bem, diga-se. Poucos atletas conseguem manter sua regularidade, principalmente aos 38 anos. Merece todas as homenagens.

Frescura demais
           
Pipocam nos grandes times paulistas histórias de jogadores de equipes adversárias e até do mesmo time que não se falam, que não se suportam e gostam de espalhar isso. Muita frescura para pouco futebol, na maioria dos casos. Comportamento de estrela de cinema e futebol de extra.

Agora vai?
     
Vou conferir as promessas de endurecimento do Ministério Público para cima das malfadadas torcidas bandidas. Já faz mais de vinte anos que escuto essa conversa e pouca coisa de fato acontece. Por que as diretorias de clubes têm tanto carinho por esse tipo de torcedor? Ou seria medo?

Nó Tático

Não tem como fugir de uma regra em esporte de alto rendimento. Mesmo nas modalidades coletivas, quem conta com o talento individual quase sempre leva vantagem. Um Giba no vôlei, uma Hortência ou Paula no basquete. Na hora do aperto, bola para eles, que resolvem.

Aí eu me pergunto: atualmente, no Campeonato Brasileiro, alguém faz a diferença? Neymar e Ganso não têm conseguido, Ronaldinho Gaúcho vinha fazendo e deu uma parada. Quem mais?

Por mais que treinadores adorem falar de táticas, apresentar números como posse de bola, finalizações etc. eu insisto com a tese de que um grande time de futebol se faz com gente que decide jogos. Um goleiro tipo paredão, um meia que ofereça gols aos atacantes que saibam fazê-los nos momentos determinantes.

Quem decide nesse Brasileiro muito equilibrado, mas de gosto duvidoso? Talvez não seja apenas coincidência o fato de a própria seleção brasileira estar carente dessa figura. Do jogador de referência não pelo posicionamento, mas pela postura. Do cara que cresce quando o jogo fica cascudo, que gosta do clássico, do grande momento, que se acostumou a decidir e não foge desse compromisso histórico.

sexta-feira, setembro 02, 2011



O mercado da


bola no Brasil



Recebi do amigo Amir Somoggi, da BDO RCS, um excelente estudo sobre o mercado do futebol brasileiro, baseado em dados de 2010. Mostra a evolução financeira do nosso futebol, como os clubes andam faturando e não deveriam chorar de falta de dinheiro. Deveriam, sim, é investir melhor e gastar com mais inteligência.

Os dados derrubam uma velha tese de que só o dinheiro da TV sustenta bons trabalhos e mostram o Internacional faturando mais que times do chamado "eixo Rio-SP".  Basta trabalhar e procurar recursos dentro de sua realidade regional. Cada mercado tem seu tamanho, não se pode comparar Sudeste com outras regiões por uma questão de realidade econômica do próprio País.

Mas existem ferramentas capazes de colocar a competição num nível mais parelho. Temos hoje grandes empresas sediadas fora do tal "eixo Rio-SP" que são líderes em seus ramos de atividades, estando no Sul, no Nordeste, no Norte.

Seguem alguns dados do brilhante estudo, que avalia o VALOR DAS MARCAS DOS 12 CLUBES MAIS VALIOSOS DO BRASIL E foi assim dividido:


4 Clubes SP – Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos.
4 Clubes RJ – Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense e Botafogo.
2 Clubes RS – Grêmio e Internacional.
2 Clubes MG – Cruzeiro e Atlético-MG.

O volume de receitas gerado pelo futebol brasileiro em 2010 foi de 2,1 bilhões, com incremento de 172% em relação a 2003.

Os 12 clubes analisados no estudo geraram 1,52 bilhão em receitas em 2010, evolução de 199% em relação a 2003.

Em 2010, os 12 clubes citados no estudo geraram R$ 287 milhões em receita com patrocínio e publicidade. Os recursos com bilheteria de jogos alcançaram R$ 174 milhões e se for somada a arrecadação do estádio do Morumbi, do São Paulo, com shows, esse número chega a R$ 208 milhões.

Os 12 clubes levaram mais de 3,9 milhões de torcedores aos estádios em 2010. 52% do total das Séries A e B.

Os clubes com maiores torcidas representam um total de 90% dos torcedores de futebol no Brasil.

Os clubes que tradicionalmente apresentam as maiores receitas representaram 70% do total do mercado em 2010.

Numa comparação entre mercados, até 2009 os clubes que mais tinham apresentado evolução de receita foram os dois grandes do Rio Grande do Sul. Em 2010 o cenário mudou, com evolução dos quatro grandes de São Paulo.

Desde 2004 o valor consolidado das marcas dos 12 maiores clubes brasileiros aumentou 139%. Em 2010 esse valor alcança a marca de R$ 4,09 bilhões.

Os clubes que mais cresceram em valor de mercado para suas marcas foram os seguintes (ao lado a evolução do valor no período entre 2004 e 2011)

1) Corinthians - R$ 581 milhões
2) Flamengo - R$ 366,7 milhões
3) São Paulo - R$ 324,3 milhões
4) Palmeiras - R$ 244,5 milhões
5) Internacional - R$ 195, 7 milhões
6) Grêmio - R$ 157,4 milhões

Essas seis agremiações respondem por 79% da evolução de R$ 2,3 bilhões do valor de marca dos 12 entre 2004 e 2011.

Esse ranking apresenta pouca mobilidade. O Corinthians, que foi terceiro em 2004 e segundo em 2009, está em primeiro desde 2010.

O Flamengo foi líder em 2009, caiu para terceiro e agora recuperou o segundo posto.

O São Paulo liderou o ranking em 2004, caiu para terceiro em 20090, foi vice-líder em 2010 e caiu novamente para terceiro.

O Palmeiras aparece estacionado na quarta posição, assim como o Inter logo atrás. O Santos subiu de oitavo para sexto, Grêmio é o sétimo e Vasco, o oitavo. Seguem, pela ordem, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo.

O ranking do valor das marcaso dos 12 maiores clubes do Brasil em 2011 ficou assim, segundo o estudo:

1) Corinthians - R$ 749,8 milhões
2) Flamengo - R$ 659,8 milhões
3) São Paulo - R$ 625,3 milhões
4) Palmeiras - R$ 444,1 milhões
5) Internacional - R$ 268,7 milhões
6) Grêmio - R$ 222,8 milhões
7) Vasco - R$ 156,5 milhões
8) Santos - R$ 153,3 milhões
9) Cruzeiro - R$ 139,3 milões
10) Atlético Mineiro - R$ 110, 3 milhões
11) Fluminense - R$ 104,2 milhões
12) Botafogo - R$ 89,9 milhões

Segundo o estudo publicado e a metodologia utilizada pela BDO RCS Auditores, as variáveis mais significativas apresentadas foram as características e perfis de torcidas, com valor consolidado de 1,89 bilhão, receitas derivadas das marcas, com R$ 1,16 bilhão, e características do mercado local, com R$ 1,04 bilhão.

quinta-feira, setembro 01, 2011



Olho em Vascão e Fogão


O campeonato é equilibrado, está aberto para uns sete ou oito times, mas no rolar da bola pelo início do segundo turno, analisando o que aconteceu no primeiro, destaco quatro times. Dois por desempenho puro e simples, Corinthians, ainda líder sustentado no início avassalador, e Flamengo, sustentado pelo talento redivivo de Ronaldinho Gaúcho.

Os outros dois, Vasco e Botafogo, são os que, na minha análise, jogam o futebol mais eficiente e agradável de se acompahar. A concorrência deve ficar de olho na dupla alvinegra carioca, que está literalmente gastando a bola. Não será surpresa para mim se em algumas rodadas eles forem os ponteiros.

O Vasco é um time que prima pela experiência, aliada à boa técnica de jovens valores como Bernardo e Dedé, por exemplo. Tem jogadores rápidos como Fágner e Éder Luíz, talento e rodagem no meio, com Felipe, Juninho e Diego Souza, e bons jogadores de conclusão. É um time que joga simples, tem muito controle emocional e ganha confiança a cada jogo.

O Botafogo é um time veloz e fatal no contra-ataque. Sai bem pelos lados do campo, tem um volante que alia técnica e conhecimento tático, que é Renato, outro participatico como Marcelo Mattos, e laterais que chegam com frequência e qualidade ao fundo. Herrera é um atacante que sempre dá muito trabalho, e Maicossuel é ideal para contragolpes mortais. Também joga simples, sem frescura, sem esquemas mirabolantes.

O Corinthians tem tentando se superar na base da raça, muito mais do que do equilíbrio técnico e tático. O Flamengo depende muito do Ronaldinho e Tiago Neves. Não que seja ruim, longe disso, mas como time não funciona tão bem como Vasco e Botafogo, penso eu.

São Paulo e Palmeiras não são times confiáveis, oscilam demais, e carecem de algo fundamental: solidez no mieo-campo.

terça-feira, agosto 30, 2011


Fabiana Murer


Uma vez eu estava com a família abastecendo o carro, rumo ao interior para a virada de ano. Perto ali do complexo esportivo do Ibirapuera. Era dia 30 ou 31 de dezembro. Eis que passa à nossa frente uma moça esbelta, com os olhos meio perdidos no horizonte, gestos cansados, carregando duas sacolas de supermercado.

Virei para minha mulher e filhos e disse: sabem quem é essa moça? Uma das maiores atletas do Brasil e do mundo.

Era Fabiana Murer, vagando como ilustre desconhecida pela maior cidade do Brasil que agora a celebrará, certamente. Vinha cansada de treino, certamente pensando que naquela hora poderia estar viajando com os amigos, curtindo uma virada de ano na praia.

Não foi, treinou, perdeu, ganhou, se machucou.

Essa é a vida do atleta profissional. Milhares de dias de dores, de sacrifícios, frustrações, para um ou outro dia de glória, na maioria das vezes.

Parabéns, Fabiana Murer, pelo título mundial do salto com vara. Força para suportar ainda muitos dias como aquele em que você foi ao supermercado e ninguém percebeu. Tomara que isso mudem de agora em diante.


Basquete e Belucci

Hoje o Brasil começa mais uma caminhada rumo a uma Olimpíada no basquete masculino. Mais que isso, vai atrás do prestígio e da importância tão arduamente construídos por décadas e perdidos por absoluta incompetência diretiva.

Enfrenta a Venezuela no Pré-olímico de Marl Del Plata, talvez com um grupo mais comprometido, ainda que sem algumas estrelas de brilho e compromisso duvidosos. Fico na torcida. O basquete brasileiro tem um passado que não merece o presente atual.

E o Thomaz Belucci ontem no US Open? Perdeu um jogo ganho, o que acontece, faz parte. O que não pode é a atitude, a postura derrotada quando o jogo foi indo embora das mãos dele.

Não acho que ele tenha potencial para ser um top ten, mas Belucci pode render mais, pode crescer e se estabilizar como tenista de alto nível. Agora, tendo uma postura como aquela, desistindo do jogo, entregando pontos e se recusando a lutar, fica difícil. Que sirva de lição.

Até quando?


De novo a violência se intromete no meio de um espetáculo que deveria ser de paz, alegria e confraternização. De novo torcidas uniformizadas envolvidas. Tiroteio (também envolvendo policiais) em Presidente Prudente antes do maior clássico do futebol paulista, e também a morte de um torcedor, cujo corpo foi encontrado no leito do rio Tietê.

Sempre os mesmos personagens envolvidos. Até quando essa gente que se infiltra no futebol apenas para fazer o mal terá a compreensão de autoridades, o privilégio no tratamento e a complacência? Enquanto isso, ganham escolta policial, recebem visita de promotores, têm desconto e muitas vezes ganham ingresso de graça. Falta atitude por parte das autoridades. Lamentável. 

segunda-feira, agosto 29, 2011


Clássico da

Ilha da Magia

Comentar Figueirense x Avaí foi uma das melhores experiências profissionais da temporada. Jogaço, em alta velocidade, intenso, vivido pelos torcedores, pela cidade, pelos jogadores e pela mídia.

Foi dos grandes jogos da temporada, cheio de emoções, belas jogadas, rivalidade.

Floripa é um cenário perfeito para bons momentos, seja na Ilha ou no Continente. Terra de gente hospitaleira, natureza generosa e um futebol cheio de história, rivalidade e que caminha para a afirmação no cenário nacional. Conheci o Balduíno, jogador que mais vezes disputou o clássico da Ilha e hoje é comentarista de rádio. Figura sensacional.

O SporTV ontem meio que apresentou para o Brasil esse clássico da cidade. Houve um período, lá pelos anos 80 e 90, que Joinville e Criciúma ocuparam o espaço nacional como representantes do futebol catarinense. Avaí e Figueirense recuperaram tudo isso e agora pintam como forças ascendentes.

Ainda que a campanha do Avaí seja decepcionante, os clubes mostram boa estrutura, têm estádios confortáveis, torcedores fiéis. O Figueirense está melhor na tabela, mas ambos têm potencial para permanecer por muito tempo na Série A.

É mais um clássico para a galeria dos grandes jogos brasileiros.

Ainda espero poder comentar in loco jogos que só tive a oportunidade de ver pela TV e são dos maiores clássicos mundiais. Gre-Nal, Galo x Raposa, Ba-Vi. São muitos e me perdoem os que aqui não foram citados.; Em 2002, transmitimos, eu e João Guilherme, um sensacional Santa Cruz x Sport, no Arruda.

Abençoado seja o futebol brasileiro e seus clássicos e rivalidades.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Confiança


Essa é uma das palavras mágicas no esporte de alto rendimento. Pode parecer simples, mas faz uma baita diferença. Espero que essa postagem não tenha cara de auto-ajuda, mas confiança não é apenas a questão de acreditar e confiar no próprio taco.

A confiança numa equipe esportiva passa por muitas coisas. Capacidade técnica, treinamento, liderança, entrosamento.

Pego como exemplo os três esportes coletivos mais populares no Brasil, futebol, vôlei e basquete. O futebol é mais simples, mais fácil de entender. Enfrentam-se dois times semelhantes, grandes, com torcida, história, tecnicamente equivalentes. Um numa fase um pouco melhor, outro reticente. As diferenças em campo são evidentes. Aí entra a tal da confiança. A condição de poder arriscar sem medo de errar. De acreditar num bom chute, num drible. Aquela velha história do gol ficar pequeno para alguns e grande para outros.

No voleibol isso também se percebe pelo alto grau de risco aplicado pelos times brasileiros. jogam sempre no limite. Porque treinam muito, treinam bem e confiam nessa condição técnica adquirida para jogar sempre arriscando tudo. O braço do jogador e da jogadora brasileira não encurta faz tempo. Perfil vencedor.

No basquete hoje se dá o inverso. Ainda que joguem bem, nossas seleções não esbanjam confiança. Na hora de decidir, jogador que deveria fazê-lo se esconde. Poucos assumem essa condição, sem medo de errar. Porque no esporte de alto rendimento não tem jeito, antes de acertar se erra muito. O braço encurta atualmente no basquete, pegando emprestado, novamente, uma expressão do mundo do tênis.

A confiança e a tranquilidade jogam juntas. Num time confiante a bola não queima nos pés dos jogadores. Quando se perde essa capacidade de acreditar no próprio potencial, até para cobrar um lateral o jogador demonstra estar reticente.

Acho que psicologia faz parte de um bom planejamento de equipe competitiva. Tem de estar na pauta das grandes agremiações. Se não fosse assim os americanos não seriam tão bons de esporte. Mas eu acredito que a confiança vem sempre do trabalho bem feito. De um jogador bem formado, com bons fundamentos, que foi ensinado a desempenhar bem seu papel, a ser competitivo e solidário. De uma equipe na qual quem ataca sabe que pode fazê-lo tranquilo porque haverá alguém para defendê-lo. De competência.

Enfim, ficou com toda a cara de auto-ajuda, embora eu não quisesse. Mas é uma visão do esporte, essa paixão que tenho. Acompanho há mais de duas décadas e gosto de várias modalidades. Vi muitos grandes atletas, talentosos, perderm jogos ganhos por absoluta falta de confiança. Não apenas psicológica, mas técnica.

Lembro agora de um clássico desses casos. Meu amigo Jaime Oncins perdendo uma medalha que estava ganha para Andrei Cherkasov, em Barcelona/92. Fez um belo jogo, mas não conseguiu vencer, finalizar o oponente, porque não tinha confiança em seu saque. Porque sempre foi um fundamento que não foi trabalhado com todo o potencial que deveria em sua carreira. Tinha talento, bons golpes, mas faltava esse apoio. Deveria ter vencido aquele jogo, pois era melhor. Não sei se me explico.

Durante anos foi assim com o vôlei brasileiro. Jogava bem e perdia. Porque faltava esse diferencial de um treinamento específico, de aprimorar algo aqui e e ali e acumular confiança.

Fora isso, faltava o ingrediente básico: aprender a ganhar. Ou reaprender, no caso do basquete. Ganhar é um processo longo, cansativo. Ganhar muito, então, ainda mais difícil. Quem sabe ganhar muitas vezes supera adversários com mais qualidade técnica, mas que têm medo de vencer.

Ferrou, ficou muito auto-ajuda, mas espero que tenha dado o recado.

segunda-feira, agosto 22, 2011





























Moradores do Morumbi

marcam primeiro ato

pela segurança do bairro


Grupo de moradores do Morumbi, que já reúne mais de 2000 integrantes, resolve ir à luta contra a crescente violência que assola o bairro, onde está instalada sede do Governo do Estado.

O grupo intitulado "Moradores do Morumbi", originado através de um grupo de moradores que sentiram casos de violência extrema bem próximos de suas famílias - pôs em foco e ao alcance de outros moradores que não sabiam onde se expressar a grande questão vigente hoje no bairro: A FALTA DE SEGURANÇA.

O bairro do Morumbi tem sido alvo de constantes atos de violência. Infelizmente o número de B.O´s registrados não condiz com todos os relatos ouvidos e vividos todos os dias no Morumbi.

Diante disso, o grupo se reuniu no último dia 11, no auditório do CPV, e em concordância com os Conseg´s da região e os Guardiões do Morumbi, decidiu fazer seu primeiro grande ato público, pleiteando pacificamente maior efetivo policial, segurança, iluminação das ruas, uma subprefeitura própria e a instalação de uma base policial fixa dentro da comunidade de Paraisópolis.

O evento intitulado S.O.S Morumbi, mobilizará muitos moradores da região, mídia e órgãos públicos e ocorrerá no dia 28 de agosto as 10:30h na Praça Vinícius de Moraes ( em frente ao Palácio do Governo).
"A participação de todos será fundamental neste ato, que é o primeiro do nosso grupo. Estamos preparados para fazer quantas manifestações forem necessárias até que medidas eficientes sejam tomadas para aumentar de forma efetiva a segurança dos moradores do Morumbi", afirma um dos representantes do grupo.
Porta-vozes do grupo afirmam que o objetivo é promover uma manifestação pacífica, porém enérgica o suficiente para que as reivindicações sejam ouvidas pela mídia e pelos órgãos competentes.

quarta-feira, agosto 17, 2011


A Copa que o

Brasil já perdeu


Sempre entendi que o Brasil tinha e tem condições de organizar a Copa do Mundo e todo grande evento de qualquer área. Isso apesar de sermos sérios candidatos ao título mundial da corrupção.

Também achava que com eventos como o Mundial de Futebol e a Olimpíada o cidadão brasileiro poderia ser beneficiado com a realização de obras que, apesar de urgentes e necessárias, sempre são postergadas ou substituídas por outras que atendem a determinados interesses.

Seria uma maneira de darmos o troco nessa gente que, eleita para nos representar, teima em nos desonrar. Mas ando pessimista em relação a isso. Acho que a Copa no Brasil terá êxito, principalmente comercial. Assim como a Olimpíada. Mas, embora eu torça, lá no fundo, para estar errado, acho que um jogo nós já perdemos.

Que jogo? O da oportunidade para conseguir, vá lá que tendo esses eventos como desculpa, um sistema de transporte público mais moderno e eficiente. Ou então a limpeza de cartões postais do País como a Baía de Guanabara. Ou sanear essa cloaca a céu aberto que é o rio Tietê, em São Paulo. Dotar de saneamento básico decente as capitais do Nordeste. 

Destinar recursos que certamente entrarão no País para melhorar a educação de nossos jovens. Ou então utilizar a Copa e a Olimpíada para oferecer uma oportunidade de trabalho a milhões de brasileiros da terceira idade que são desprezados pelo mercado a cada ano.

Um evento de dimensões planetárias não deveria representar apenas investimentos na construção de arenas esportivas. No mundo ideal, poderia ajudar a reinventar um país, uma cidade, a projetá-lo pelo mundo com uma nova imagem. 

Talvez eu seja ingênuo, mas eu juro que esperava que com a Copa a gente conseguiria dar o troco na banda podre da política, arrancando deles a realização de dezenas de promessas urgentes.

Mas parece que virá por aí uma Copa em que grandes negócios serão feitos, grandes obras que beneficiarão construtoras, empreiteiras, mas não deixarão a semente da mudança.

O mesmo vale para a Olimpíada. Ora, o Rio é a imagem do Brasil lá fora, a paisagem clássica que vende nosso País. Será que dá tempo de reinventar o Rio como cidade, assim como foi feito com Barcelona, até 2016? Porque a maior obra da Olimpíada de Barcelona não foi um ginásio, uma piscina, uma pista, foi a reconciliação da cidade com o mar, um projeto urbanístico muito maior do que 20 dias de competições. Projeto que envolveu a limpeza de rios, a recuperação de bairros etc.

Com o que será gasto para construir ou reformar estádios que pertencem a estados e municípios não daria para tocar obras há tempos prometidas como os metrôs de Salvador e Recife, o Rodoanel paulistano, a limpeza das lagoas cariocas e a extensão de seu metrô. Ou então retirar de palafitas indignas a população ribeirinha de Manaus, reformar e modernizar portos e aeroportos para que o País não perdesse bilhões pela falta de estrutura para exportar e produzir? Eliminar os chamados gargalos?

Quem sabe aparelhar e pagar melhor nossos policiais, bombeiros e professores? Reinventar a escola pública, a universidade, criar um sistema esportivo público decente que ajude a tirar as crianças das ruas e do caminho das drogas.

Tudo isso poderia ser feito tendo Copa e Olimpíada até como desculpa. Ou então uma parte disso.

Mas acho que veremos estádios suntuosos, belíssimos, exagerados até para a nossa realidade, alguns cuja utilização ficará sem sentido. O que me incomoda é o fato de construir estádios ser considerado uma cera prioridade estatal.

Talvez eu seja mesmo pessimista, mas desconfio que essa outra Copa a gente já perdeu. Espero que dê tempo de buscarmos pelo menos o empate até 2014 ou 2016. E que pelo menos se faça bom uso da dinheirama que deve entrar no País nesse período.

Claro que uma Copa e uma Olimpíada não têm o poder de transformar uma Nação, mudar a mentalidade de um povo. Apenas poderiam dar alguns recados, acelerar alguns processos, proporcionar algumas revanches.

terça-feira, agosto 09, 2011


Patrulha da covardia

Reproduzo a coluna publicada esta semana no Diário de S.Paulo.

Odeio patrulha. Ideológica, profissional e, claro, essa de uma turminha que se diz de torcedores e se presta a fiscalizar a vida de jogadores de futebol em seu tempo livre. Minha filosofia é a seguinte: cada um cuida da sua vida, do seu quadrado.
Desde sempre o atleta profissional é cobrado em sua conduta fora de campo de uma maneira quase obsessiva. Na maioria das vezes, de forma até covarde. Porque quando o resultado aparece, ninguém pergunta onde ele esteve na noite anterior ao jogo. Em fase ruim, sobram críticas, patrulhas e, pior, muita coisa inventada.

Jogadores e noite sempre formaram uma dupla afiada. Não apenas jogadores. Advogados, engenheiros, professores, estudantes, funcionários públicos e jornalistas. Muita gente gosta da noite e não há pecado nisso.

Certa vez, nos idos dos anos 90, fui a uma pizzaria num domingo à noite. Um jogador de futebol muito conhecido, de Copa do Mundo, que jogava por um time grande de São Paulo, me viu entrando e, quando passei ao seu lado, pude ouvi-lo dizer para sua acompanhante, claramente, para eu escutar: "Vamos embora que tem urubu aqui querendo fiscalizar a minha vida". Comi minha pizza e, na manhã seguinte, estava no treino do time dele. Esperei o trabalho acabar, chamei o sujeito para uma entrevista e disse: "Cara, é o seguinte: sua vida só me interessa como jogador de futebol, não dou a mínima para o que você faz fora do campo, para mim é assunto sem a menor importância. E não sou urubu, sou jornalista". Atônito, ele não respondeu e passou a me cumprimentar efusivamente desde então.

Infelizmente, há uma dose exagerada de fanatismo cercando o futebol e o esporte hoje em dia. Torcedores falam em honra, em compromisso, em profissionalismo ?atributos que muitas vezes eles não têm. E perseguem atletas, montam redes de informantes.

Não defendo nem ataco noitadas. Acho que os jogadores se expõem demais. Deveriam se preservar, figuras conhecidas que são. Até por questão de segurança, já que vivemos num faroeste cada vez mais violento. Só não entendo a postura de certos "torcedores". Alguns vivem grudados nos jogadores, como parasitas. Outros os perseguem.

Sei de histórias de atletas que passaram a noite fora da concentração e acabaram com o jogo. Assim como de profissionais exemplares que não jogaram nada. Errado é formar guerrilhas para pressionar e julgar comportamento.

Já pensou se os jogadores resolvessem perseguir torcedores que faltam ao trabalho para ver um joguinho? Que diriam os chefes dos fanáticos perseguidores? Que, aliás, também estavam na noite, não estavam? Façam-me um favor: vão cuidar das suas vidas.

Acorda basquete!
Sou do tempo em que jogo de basquete da seleção brasileira era assunto na escola, no clube e na rua. Hoje o basquete está relegado a segundo plano na mídia, muito por culpa de seus próprios erros administrativos. Neste mês, o time do técnico Ruben Magnano disputa o Pré-Olímpico masculino, mas pouco se fala nisso. Espero que esse quadro mude.

Contra-ataque tricolor
Futebol não tem verdade absoluta, aceita todas as teses. Vai aqui a minha sobre o São Paulo: se optar pelo contra-ataque, jogando dentro ou fora de casa, tem muitas chances de ser campeão. É o DNA dos jogadores, a velocidade, a jogada rápida. Resta saber se atletas, treinadores e dirigentes aceitarão jogar assim no Morumbi. Deveriam.

Superpaulistão?
Parece que os quatro paulistas da Série A do Brasileiro estarão de novo no torneio em 2012. Pelo jeitão da Série B, a primeira divisão nacional pode ser um Superpaulistão em 2012. Portuguesa e Ponte Preta são candidatíssimos e o Americana corre por fora, no momento. O que sinaliza sete times paulistas, pelo menos, na Série A em 2012. Ou 35% de participação.

NÓ TÁTICO

A ganância e a cobiça de agentes, por um lado, ajudam os jogadores a garantir um futuro tranquilo. Mas, por outro, joga contra a imagem do próprio patrimônio.

O caso do talentoso Paulo Henrique Ganso é emblemático. Enquanto o grupo dono da maior parte dos direitos econômicos do atleta e o Santos se estapeiam, é Ganso quem sai machucado. Criou-se uma imagem de antipatia do garoto em uma boa parcela de torcedores. Isso porque toda semana fala-se numa provável saída dele da Vila, seja para a Europa, para uma ponte no Corinthians, para onde for.

Neymar talvez seja até mais assediado pelo mercado, mas sua imagem não ficou arranhada como a de Ganso. Sou desconfiado até o último fio dos cabelos que teimam em rarear. Acho que tem muita proposta inventada, forjada, forçada, na tentativa de valorizar jogadores, conseguir aumentos e vantagens na hora de fatiar os direitos econômicos dos atletas.

Deveriam pensar mais na imagem que fica do que no lucro rápido.