segunda-feira, março 19, 2007
BEBETO DE FREITAS. MAS PODE CHAMAR
DE BEBETO DE FUTEBOL E REGATAS
Bebeto de Freitas é um gênio do esporte. Revolucionou o vôlei brasileiro, foi campeão do mundo com a seleção italiana. Botafoguense de sangue alvinegro, tem seu clube na árvore genealógica. É um dirigente raro no mundo do esporte brasileiro. Trava uma árdua batalha para manter viva e forte uma instituição brasileira de nome Botafogo de Futebol e Regatas. Domingo, ao vivo para todo o Brasil, quase chorando, Bebeto deu a cara a bater durante o Troca de Passes, do SporTV, e admitiu que o Botafogo vive, novamente, um período difícil em termos administrativos, reconhecendo atrasos em compromissos.
É desses exemplos de dignidade e sinceridade que o futebol precisa. Recentemente, dirigentes do Palmeiras falaram abertamente sobre os problemas financeiros do clube, sem meias-palavras, sem esconder nada. A razão de o Botafogo continuar de pé, ainda que cambaleante, está nessa bravura de Bebeto de Freitas. Em sua vontade de reerguer um clube que parecia fadado ao esquecimento, embora tenha uma das mais gloriosas (sem trocadilho) histórias do esporte.
Sei que é difícil cobrar ou até pedir algo mais ao torcedor botafoguense ou a qualquer torcedor brasileiro. Mas no caso de Bebeto, sem dúvida que vale a pena a nação da Estrela Solitária fazer, mais uma vez, a sua parte, encher os estádios, depositar sua contribuição nas bilheterias da forma que puder. Porque à frente do clube está um cara sério, decente, e um dos maiores botafoguenses que já passaram pelo clube.
MAGIA ANIMAL
O Palmeiras alcançou a zona de classificação do Campeonato Paulista com um futebol solidário e consistente, que atesta a qualidade do trabalho de Caio Jr. Mas uma dupla de respeito está barbarizando no Palestra Itália: Edmundo e Valdívia. O Animal é craque já faz tempo e ainda desfila um repertório invejável de gols e passes, mesmo no outono da carreira. Valdívia é um talento fora-de-série e a cada semana vai se adaptando melhor ao Brasil. Talvez influenciado por ambos, o bom Martinez tenha feito o gol mais bonito do Campeonato Paulista até agora.
O Palmeiras só depende de seu futebol para se classificar, mas a briga promete ser bonita. O Corinthians está vivo, assim como Paulista e Noroeste. Numa dessas, pode sobrar até para o São Caetano, atual terceiro colocado.
O QUE É ISSO, SOUZA?
Não combina com o muito bom futebol de Souza a entrada que o são-paulino deu em Ricardo Conceição, da Ponte Preta. Era lance pra cartão vermelho direto. Ainda bem que Souza foi criticado publicamente por Muricy Ramalho. O Conceição fazer uma falta daquelas até se entende, mas o Souza? Será efeito da inútil e estúpida troca de acusações pós-clássico San-São?
A F-1 MAIS HUMANA
Sempre achei a Fórmula 1 mundinho à parte, exclusivo e exclusivista demais. Estamos em pleno século 21, a categoria já tem mais de 50 anos de história e só no último final de semana um piloto negro estreou na F-1. Lewis Hamilton fez história de um jeito decente, honesto e talentoso. Deu humanidade e dignidade a um esporte em que filho de príncipe e de empresário pagava e paga para brincar de piloto..
terça-feira, março 13, 2007
MURICY DÁ SHOW NO ARENA
Tive o prazer de participar de uma entrevista com o técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, durante o Arena SporTV desta terça-feira. Muricy deu um show. De sinceridade, raciocínio lógico, humor e franqueza. Entre os pontos principais destacaria o fato de Muricy passar por cima das polêmicas inútesi do pós-clássico, além da sinceridade ao admitir que o Morumbi não é campo neutro e criticar os depoimentos pouco produtivos e certas vezes provocativos de jogadores como Souza.
Muricy não é um propagandista de falsas verdades, nem prega o que não faz. Ele quer o futebol competitivo e bem jogado, mas sem firulas desnecessárias nem promessas vagas de futebol-espetáculo que nunca se cumprem. Está caminhando firme para se tornar um dos pricipais, se não for o principal, técnico do País em breve.
CAVALHEIRISMO SANTISTA
Encontro Ana Paula Oliveira nos corredores da TV. Ela confirma, humildemente, o erro no clássico e conta uma história de cavalheirismo do presidente do Santos. Marcelo Teixeira, que foi ao vestiário dos árbitros após o clássico deixar claro que o Santos nada tem contra ela e entende que erros acontecem. Cosia de gente civilizada. Que beleza!!!! Como diria meu amigo Milton Leite.
UMA RESPOSTA AO LUIS HENRIQUE
Perdoem a falta de acentos, mas e problema do teclado. Caro Luis Henrique, vc chegou tarde aa discussao. No dia seguinte aa falta do Antonio Carlos eu refiz meu comentarios, em pleno Arena SporTV, dizendo que tinha errado e que era falta.
Quanto a vc achar parciais meu comentarios em relacao ao Sao Paulo, talvez seja de novo o problema da memoria seletiva.Veja o teipe de Sao Paulo x Corinthians pelo Paulista desse ano, por exemplo. Eu talvez seja um dos jornalistas que mais reconhece a qualidade do trabalho do Sao Paulo e, em especial, do Muricy.
Assim como vc me aconselha, permita-me que eu aconselhe vc tbm. Nao se deixe cegar pela paixao pelo seu time.
Abs
Perdoem a falta de acentos, mas e problema do teclado. Caro Luis Henrique, vc chegou tarde aa discussao. No dia seguinte aa falta do Antonio Carlos eu refiz meu comentarios, em pleno Arena SporTV, dizendo que tinha errado e que era falta.
Quanto a vc achar parciais meu comentarios em relacao ao Sao Paulo, talvez seja de novo o problema da memoria seletiva.Veja o teipe de Sao Paulo x Corinthians pelo Paulista desse ano, por exemplo. Eu talvez seja um dos jornalistas que mais reconhece a qualidade do trabalho do Sao Paulo e, em especial, do Muricy.
Assim como vc me aconselha, permita-me que eu aconselhe vc tbm. Nao se deixe cegar pela paixao pelo seu time.
Abs
RESPONDENDO AOS AMIGOS
Vamos lá, tocando a bola, democratica e aberamente, como sempre foi e sempre será neste blog, desde que não haja baixaria. E todos que gostamos de futebol devemos ter em mente o seguinte: estamos sentados em um barril de pólvora, com muita violência acumulada, muito ódio. Se o barril explodir, será uma tragédia. Cabe a todos, jogadores, dirigentes, técnicos, jornalistas e torcedores, evitar que isso aconteça. Futebol é uma dádiva, um elixir, mas não pode ser consumido com base no ódio e na violência.
AO ALEX S.A - Pare com essa mania de perseguição. Se você não lembra, refresque a sua memória. Quando eu comentei que o Magrão apelou feio e não soube perder no jogo em que o São Paulo venceu, tocando a bola, sem humilhar ninguém, você não lembra, né? Sua memória é seletiva, como a de qualquer torcedor que só vê um lado da coisa - o seu. Eu critiquei duramente Felipão, Roth e Geninho quando fizeram o que fizeram. Lugano é raçudo e Antônio Carlos é violento? Pois pra mim os dois chegam junto com exagero, embora o Lugano hoje jogue mais que o Antônio Carlos. Quando jogava no São Paulo, o que vc achava do Antônio Carlos? Ou do Dinho? O problema de alguns torcedores, e espero que não seja o seu, é que querem que as pessoas apenas falem bem do seu time o tempo todo, querem, eles, sim, uma cobertura de torcedor, parcial, e todo mundo que pensa diferente é chamado de parcial. O São Paulo é o time mais elogiado e destacado - justamente - pela imprensa brasileira. Não sei de onde vc tira essa idéia - ou mania - de perseguição. Em um jogo de 1991, o Raí deu um carrinho em campo molhado e quebrou a perna do Dorival Jr., hoje técnico do São Caetano. Ninguém crucificou o Raí por saber que ele não é um carniceiro, embora tenha pegado pesado naquele dia. Volte sempre ao debate que será sempre bem recebido. Agora, não dá pra concordar com tudo que vc pensa, assim como vc não concorda comigo.
AO MENON - Menon, não há como comparar Telê e Luxemburgo. Telê é infinitamente maior, mais preparado, mais ser humano e conquistou títulos com os quais o Luxemburgo apenas sonha. O próprio Luxemburgo chama o Telê de mestre. Eu nunca ouvi o Telê mandar bater e nunca ouvi um jogador dizer que o Telê mandava bater, pelo contrário. O Zico afirma que ele foi o único que não mandou bater. Mas nunca ouvi também o Luxemburgo mandar bater e dou a ele o benefício da dúvida. Assim como ao Leandro. Falar é fácil, provar é que é difícil. Agora, numa coisa os dois são idênticos: choram do mesmo jeito quando perdem e sempre culpam ou culpavam a arbitrgem.
AO RENATO - Se você viu Real x Barcelona e São Paulo x Santos, deve ter percebido que Muricy e Luxemburgo engoliram Rijkaard e Capello, com táticas mais bem aplicadas, com times mais bem treinados. E olha que o pau comeu também entre Real e Barça. O Inter não é melhor que o Barcelona no geral, mas naquela final foi muito, mas muito mais competente. E eu estava lá, vi de perto todo o trabalho do Inter. Que culpa tem o São Paulo se o Liverpool foi incompetente e não fez um gol? O São Paulo fez e se defendeu. Isso é proibido? Se você não sabe mais o que é futebol, é uma questão pessoal e eu respeito. Agora, para mim, futebol bem jogado foi o de Santos e São Paulo no domingo. Abs e volte sempre.
AO ANÔNIMO - O Flamengo tem mais time que o Paraná, agora chegar lá e ganhar é uma outra história, porque o Zetti é muito bom treinador e o Paraná tem um time muito certinho.
AO LEONARDO - Amigo Leo, se vc lembra bem, e certamente lembra, o Antônio Carlos quando jogava no São Paulo era chamado de elegante, de zagueiro técnico, que sabia sair jogando. E ele sempre jogou do mesmo jeito que joga hoje. E quando é violento, sempre é criticado. Teve um jogo do Santos na Vila, recentemente, que ele com 40 segundos deu um carrinho por trás e eu disse que ele deveria ter sido expulso na hora. Isso você não lembra. Não é preciso recorrer a Koeman, Maldini e Baresi, todos ótimos (embora o Koeman também chegasse junto). Tivemos Luís Pereira, Dario Pereyra, Oscar, Gamarra, Mauro Galvão, todos grandes zagueiros que jogavam - muita - bola. Quantas expulsões teve recentemente o muito bom zagueiro do São Paulo Alex Silva, vc lembra? E ninguém o crucificou ou o chamou de violento, embora ele também adore um carrinho?
Quem defendeu a violência, cara-pálida? Eu? Acho que vc está equivocado. Leandro é um bom jogador, mas provoca demais, se joga demais. Se faz isso, tem que aguentar o tranco. Prefiro o Josué, que joga muito mais e não enche o saco de ninguém. Abs.
segunda-feira, março 12, 2007
NA VILA,UM JOGO
PARA O MUNDO
VER E APLAUDIR
Santos e São Paulo fizeram tudo que se esperava no clássico de domingo na Vila. E muito mais. Um jogo para o mundo e, principalmente o prepotente futebol europeu, aplaudir de pé. Só mesmo o futebol brasileiro é capaz de oferecer um espetáculo como o de Santos e São Paulo. Técnica, tática, momentos de arte, precisão e também uma boa dose de polêmica.
Primeiro, vamos aos fatos do jogo puro e simples, com bola rolando. O primeiro tempo foi tricolor. Um time acostumado a jogos difíceis, que fez o que poucos conseguem fazer: dominou o Santos em plena Vila Belmiro. Técnica e tática andando juntos. A saída de Fredson, contundido, atrapalhou o ótimo planejamento tático do São Paulo, embora tenha sido de Hugo o passe para o gol de Islinho. O lateral-direito tricolor, aliás, gastou a bola na primeira etapa.
Ainda no primeiro tempo, Luxemburgo colocou Pedrinho como terceiro atacante e deslocou Maldonado para a função de terceiro zagueiro pela direita. Mas só na segunda etapa a mudança surtiu efeito, e o Santos também conseguiu o que poucos conseguem: sufocou o São Paulo, encurralando o adversário em seu campo de defesa.
ESPETÁCULO
Alguns lances ficarão por muito tempo na memória de quem foi à Vila ou viu o jogo pela TV. As defesas sensacionais de Fábio Costa em uma cabeçada de Aloísio e em dois chutes cara a cara de Hugo. A defesa espetacular de Rogério Ceni no toque de calcanhar de Marcos Aurélio. A furada na bicicleta de Zé Roberto, com o gol vazio.
POLÊMICA
O clássico foi pródigo em lances polêmicos, que abastecerão mesas redondas durante a semana. O gol de Jonas foi absolutamente legal. A ótima auxiliar Ana Paula de Oliveira errou num lance em que ela costuma tirar de letra. Jonas parte por trás da zaga e pelo menos dois são-paulinos dão condição.
No primeiro tempo, Marcos Aurélio e Miranda se envolveram num lance de pura polêmica. O zagueiro do São Paulo tenta puxar a camisa do santista, o que consegue apenas de leve. Ouvi gente dizendo que marcaria e outros que não marcariam o pênalti. Num primeiro momento, pela imagem em câmera lenta da transmissão do Première Esportes, eu marcaria o pênalti. Vendo com mais calma, porém, pode-se interpretar que Marcos Aurélio poderia seguir normalmente o lance, já que o puxão não interrompe sua trajetória. Difícil. Interpretação pura.
Fábio Costa saiu forte em Aloísio, pegou a bola e deixou a chuteira lá no alto, acertando o atacante do Tricolor. Todo goleiro sai do gol daquele jeito, se protegendo, mas Fábio foi exagerado. Na hora do jogo, vendo da caine e no replay, não achei pênalti. Mas me lembrei de um lance de 1978, final de Brasileiro, Palmeiras e Guarani. Leão pega a bola e fora da jogada dá um tapa de leve em Careca. Arnaldo César Coelho viu e deu pênalti. Poderia ter sido essa a interpretação do árbitro do clássico em relação ao Fábio Costa. Outro armazém de polêmica. Assim como o gol de Carlinhos. Há quem afirma que Zé Roberto, em posição de impedimento, participa da jogada ao abrir a perna no chute do lateral. Mas será que ao abrir a perna ele também não poderia estar dizendo que não queria participar do lance? E mesmo sem o Zé Roberto ali, aquela bola não daria pro ótimo Rogério pegar. Pra não ficar em cima do muro: eu marcaria os dois pênaltis, no Marcos Aurélio e no Aloísio e não anularia o gol do Carlinhos.
VIOLÊNCIA
Vejam o que fez algum "gênio" na Vila Belmiro. São três lances de assentos atrás do gol que dá para a torcida visitante. Aí, o genial organizador colocou torcedores do São Pauo na parte de cima e na debaixo e torcedores do Santos no meio. Tudo que os idiotas de plantão queriam para desfilar sua paixão pela violência. Lamentável!
Dentro de campo, Antônio Carlos pegou pesado várias vezes, exagerando na dose em algumas faltas e divididas. Assim como o excelente Josué, que joga muito, mas ontem também bateu feito gente grande. Os dois sabem jogar e não precisam disso.
SONHO
Corintianos e palmeirenses seguem sonhando com a classificação. São dois pontos que separam o Palmeiras e quatro o Corinthians do grupo dos semifinalistas. O Paulista de Jundiaí tem uma tabela muito boa pela frente e um time mais regular que os grandes rivais. Noroeste e São Caetano têm vacilado com frequência. Talvez sobre apenas uma vaga, já que Santos e São Paulo estão classificados. Vai sobrar faísca.
Em tempo: Valdívia está mostrando que é a melhor contratação do Palmeiras em alguns bons anos.
RIO GRANDE
Os grandes do Rio começaram vencendo no segundo turno do estadual. Assim como o América. O Flamengo já está na final, mas talvez sinta uma coçeira na mão para tentar definir tudo de uma vez, já ganhando a Taça Rio. Esse segundo turno promete.
sexta-feira, março 09, 2007
O PAN E OS ATLETAS
Entre as muitas visões e opiniões que são manifestadas diariamente sobre a realização dos Jogos Pan-Americanos no Brasil, um ponto de vista em especial tem sido pouco abordado. Pouca gente pensa na importância de um evento de tal magnitude para seus atores principais: os atletas.
A vida de um atleta tramita entre alguns sonhos. Se for um jogador de futebol, os desejos passam por jogar num grande time, defender a seleção de seu país e disputar uma Copa do Mundo. Para um atleta de outras modalidades, e vamos transformar em brasileiro esse exemplo, o sonho passa, necessariamente, por disputar um Mundial, um Pan e uma Olimpíada.
Algumas pessoas desdenham do Pan – vamos chamá-lo assim. Eu não. São poucos os atletas que conseguem chegar a uma disputa como essa, de alto nível internacional. Os que chegam ao pódio, menos ainda. Que dizer dos campeões pan-americanos?
Para um atleta, apenas o fato de ter disputado um Pan-americano já é motivo de orgulho, de histórias para recordar e contar por toda a vida. Se essa atleta consegue a glória de uma medalha, de um título pan-americano, isso já passa ao terreno do inimaginável para um atleta de fim de semana ou para alguém que vê o esporte apenas como torcedor.
Alguns dos maiores momentos do esporte brasileiro aconteceram em Jogos Pan-americanos. O inesquecível recorde mundial de João do Pulo em 1975, no México, uma marca de 17m89 que permaneceu por uma década. As vitórias do basquete em 1987 e 1991, com homens e mulheres, respectivamente. Em 1991, Paula e Hortência calaram Fidel Castro, enquanto em 1987 Oscar, Marcel e cia. destronaram a arrogância norte-americana.
Esses atletas certamente jamais esqueceram ou esquecerão a glória que os Jogos Pan-americanos proporcionaram. Como muitos outros brasileiros e irmãos das Américas que colecionaram marcas e momentos inesquecíveis do esporte. Gerações de atletas e torcedores foram formadas acompanhando esses momentos. Tente viajar no tempo e imagine-se vendo Maria Esther Bueno e Thomaz Koch jogando uma partida de duplas mistas no tênis? Ou a chamada geração de prata do vôlei se transformando em ouro no Pan de Caracas, em 1983? Ou transporte-se no tempo para um dia de 1963 na cidade de São Paulo, que recebia os Jogos Pan-Americanos. Que tal assistir à conquista pioneira das musas do vôlei em 1959, em Chicago?
Sob uma ótica esportiva e nada mais, todos aqueles que um dia sonharam disputar um Pan e todos aqueles que já disputaram estarão de pensamento e alma no Rio de Janeiro em julho de 2007. O Pan é dos atletas.
quinta-feira, março 08, 2007
MENGÃO AMADURECE
Com o perdão do trocadilho, a conquista da Taça Guanabara pelo Flamengo foi uma prova contundente de que, enfim, essa paixão de milhões está amadurecendo na maneira como trata seu futebol. Vítimas de uma surpresa em 2004, ao perder a Copa do Brasil em casa para o Santo André, os flamenguistas viveram dias de angústia entre o domingo e a quarta-feira, temendo que o Madureira aprontasse outra zebra suburbana. Mas esbanjando determinação, equilíbrio tático e superação, o Flamengo aplicou uma sonora goleada e deu um passo enorme rumo a um semestre promissor. Primeiro porque já está na final do Campeonato Carioca. E segundo porque pode poupar e recuperar jogadores durante a Taça Rio visando uma classificação segura na Libertadores.
O Flamengo pensou tudo isso antes e, com uma pitada de sorte, soube colocar em prática uma seqüência lógica: manutenção de treinador, economia na folha de pagamentos de um clube altamente endividado e fim da megalomania rubro-negra. Deu no que deu. Um Flamengo novamente forte e competitivo. O que é ótimo para o futebol brasileiro.
GANGORRA PAULISTA
Ao final desta quinta-feira faltarão apenas sete rodadas para o final da fase classificatória do Paulistão. Exceção feita a São Paulo e Santos, que vão se classificar em breve, as duas últimas vagas estão sendo disputadas a ferro e fogo por oito times: Noroeste, São Caetano, Paulista, Bragantino, Ituano, Palmeiras, Corinthians e Ponte Preta. Em ritmo de gangorra, parece que todos ainda podem sonhar, até Corinthians e Ponte, que estão a seis pontos do Azulão, atual quarto colocado.
A rodada desta quarta teve dois grandes perdedores: Palmeiras e Paulista de Jundiaí. O Verdão, se tivesse vencido o Noroeste, estaria em quarto lugar, vislumbrando um jogo ideal contra o Juventus, em casa, para assistir de camarote á briga direta entre os adversários Noroeste e Paulista. Mesmo perdendo, o Palmeiras ainda mantém chances razoáveis graças a uma coincidência da tabela, que aponta alguns confrontos diretos entre os times que estão à sua frente. Além do Noroeste, o Paulista, que deixou escapar uma vitória óbvia sobre o Azulão, ainda pega o Bragantino fora de casa, e a Ponte Preta, em Campinas. O excelente Norusca ainda tem Corinthians (fora) e Ponte (em Bauru). O São Caetano tem pela frente o Bragantino, que enfrentará o Corinthians (nesta quinta) e o Paulista. O Verdão não terá mais confrontos ante adversários diretos até o fim da etapa classificatória. Por isso a derrota para o Noroeste foi desastrosa.
Nessa briga, analisando a tabela e em teoria, Noroeste e São Caetano têm as maiores possibilidades de classificação. Mas se levarmos em consideração que, pelo caminho, todos os postulantes a essas duas vagas enfrentarão alguns integrantes da turma do desespero, os que lutam para não cair, surpresas ainda podem acontecer.
PAZ, URGENTE!!!!!!!
Um dia ainda abriremos jornais e ligaremos rádios, TVs e computadores sem nos depararmos com notícias como mortes por balas perdidas e assassinatos cruéis e banais. Gostaria que o esporte desse mais e melhores exemplos de que é possível conviver pacificamente com pessoas e opiniões das quais divergimos. Mas ao ver as cenas de selvagerias protagonizadas por "civilizados" atletas de clubes europeus e também de alguns brasileiros, me pergunto se é esse o tipo de lição que um atleta tem para dar?
Cabe, também, um puxão de orelha na parcela da mídia que opta por perguntas cretinas e pelo incentivo a provocações baratas do tipo "fulano falou isso de vc, disse aquilo do seu time". Ultimamente, parece que perguntar com inteligência e bom senso virou artigo de luxo. Cito, felizmente, um raro exemplo de repórter que sabe o que fazer com um microfone nas mãos: meu colega Carlos Cereto, do SporTV, em grande fase. Cereto pergunta, não oferece uma frase para o entrevistado comentar.
segunda-feira, março 05, 2007
O REI PELÉ MERECE
MAIS FESTA NA VILA
De repente, durante a transmissão de Santos x Paulista, na Vila Belmiro, percebo que Pelé está ocupando seu lugar no camarote real. Ele vê o jogo como se fosse um torcedor comum, certamente feliz da vida porque seu filho Joshua entrou em campo com o time do Santos. Mas algo aí não parece correto. Aquele senhor de 66 anos e corpo de 40, no máximo, é uma divindade, um semideus, o maior do mundo em seu segmento, alguém que foi capaz de tocar o céu com os pés e fazer sonhar milhões pelo mundo a fora. Sua chegada à Vila deveria ser anunciada com pompa, o público deveria ficar de pé e reverenciar sua obra em um dos palcos onde o ator principal teve suas maiores atuações. Deveria se transformar num evento, bem ao estilo dos americanos. Algo poderia sinalizar o camarote de Pelé na Vila, sua presença, e sempre que ali estivesse o Rei, o estádio e o mundo deveriam saber. A fim de que os que não o viram jogando possam perceber sua importância e, os que viram, possam pintar na memória as lembranças do mito.
Zé Roberto talvez nem soubesse que Pelé esteve na Vila. Mas jogou o fino da bola, uma atuação que honrou a camisa 10 do Santos, sob os olhos atentos de seu eterno proprietário.
OS DOIS LADOS DE UM CLÁSSICO
O lado verde festeja, com justiça, uma vitória incontestável que anuncia uma recuperação. O lado alvinegro chora e se pergunta: pode ficar pior do que isso? Futebol e seus caprichos à parte, a verdade é que o Palmeiras está se reorganizando dentro e fora de campo. Seu time tem cara disso mesmo, time, ainda que com limitações. O clube tem dirigentes que admitem problemas e trabalham para solucioná-los. O Corinthians não tem cara de time, nem careta. A bagunça administrativa contaminou Leão e os jogadores, enquanto os dirigentes vira e mexe soltam um balão de ensaio para enganar os torcedores. Para completar, Roger, o cérebro do Corinthians, refuga quando mais se espera dele, e Nilmar parece estar precisando de benzedeiras e sal grosso. Enquanto Edmundo adora brilhar em jogos decisivos, e Valdívia é um chileno que tem bola de quem nasceu na Argentina.
DEBATE SAUDÁVEL, QUE MARAVILHA
Fico feliz em saber que um comentário que postei acerca da política e da economia do Brasil gerou respostas decentes, equilibradas e que discordam do meu ponto de vista. É assim que se debate, e o mundo seria uma chatice se todo mundo pensasse igual. Mas com educação e bons argumentos tudo fica muito melhor.
AÍ VEM ELE
George W. Bush, o dono do mundo, vem aí. Eu preferia que fosse o Clinton ou o Al Gore, mas o que me incomoda mesmo é o fato de o cara vir aqui, fechar o nosso espaço aéreo, mudar a mão de nossas ruas, solicitar nossa polícia etc. Vai incomodar mais isso que suas idéias militaristas. Mas confio na habilidade de negociação do Lula para costurar um ótimo acordo no que se refere à questão do etanol e desenhar uma possibilidade real e consistente de crescimento econômico para breve. Fora isso, pode ajudar a limpar o ar desse pobre e judiado planetinha em que vivemos.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
GANHAMOS DO HAITI!!!!!!
É isso aí que você leu. Com nossos quase 200 milhões de habitantes, 8 milhões de quilômetros quadrados, a Petrobras, a Vale e tudo mais, só crescemos 2,9% e gloriosamente derrotamos o Haiti, essa potência mundial.
E o presidente já articula um terceiro mandato. Desse jeito não chegaremos ao apocalipse pelo aquecimento global. A gente acaba antes.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
LEÃO É CHATO. E DAÍ?
O assunto da vez no futebol chama-se Emerson Leão. Vira e mexe tem alguma confusão envolvendo o - bom, eu acho - treinador do Corinthians. Para mim, Leão é chato. Sempre pronto para responder atravessado, pega no pé de quem acha que deve pegar, enche o saco dos juízes o tempo inteiro. Mas trabalho como analista de futebol, de esportes, não de personalidades. Não sou psicólogo, nem psiquiatra, então, trato de estudar o trabalho de Leão como treinador de futebol, não seu comportamento.
Por isso, acho que algumas coisas estão sendo interpretadas de maneira equivocada. Claro que é um devaneio de Leão achar que alguém possa estar tramando um complô para derubá-lo, talvez faça parte de um ego que precise ser alimentado regularmente. Mas que há exageros do lado de cá do front, - já que está com cara de batalha -, o da mídia, isso há.
Questões pessoais e diferenças individuais estão sendo discutidas durante horário em que o que deveria trafegar pelas ondas, cabos e satélites era apenas informação e opinião. Se figura A não gosta de Leão, que odeia figura B e o chama para a briga, que eles se resolvam entre eles. O que eu quero saber como analista é por que Leão largou bem e depois perdeu fôlego como técnico do Palmeiras e do Corinthians? E por que, em vez de falar dos muitos erros do time, Leão insiste em bater boca com repórteres e reclamar da arbitragem?
O treinador do Corinthians duvida de qualquer profissional que faça uma pergunta e traga uma informação. Recentemente, quebrou a cara e pagou um tremendo mico. O repórter Luís Augusto Simon, do Agora SP, perguntou a ele o que achava de o Rosinei ter dito que não queria jogar na lateral, que o lugar dele era no meio. Leão duvidou, questionou o jogador que, como quase todos fazem, pipocou. Mas ficou vendido ao ouvir a gravação da declaração do jogador, cuidadosa e profissionalmente preservada pelo repórter.
Em vez de procurar fantasmas e inimigos, Leão deveria trabalhar mais em termos de qualidade. É isso e ponto final. O resto é material para revista de fofoca e manuais de boa educação, já que até isso andou faltando nos últimos atos dessa ópera-bufa.
TRÊS TIMES E NENHUM SEGREDO
Por que São Paulo, Santos e Grêmio começaram tão bem a temporada? Existem centenas de motivos e explicações. O mais simples deles talvez explique o sucesso. Nesses três times, cada um sabe muito bem o que tem de fazer e o faz com profissionalismo e competência. Da diretoria até o departamento médico. No São Paulo, zagueiro não precisa quebrar o galho de atacante, lateral sabe que pode atacar porque terá cobertura e os jogadores de meio-campo jogam como isso mesmo, jogadores de meio-campo, não como zagueiros disfarçados. O Santos vai a campo com oito reservas e taticamente joga como se todos os titulares estivessem em campo. O Grêmio faz do simples e objetivo sua grande arma, com um treinador que fala bem e pouco e sabe o que um time precisa fazer para ser competitivo, sem arroubos de estrategista. Nos três casos, técnico não quer dar uma de presidente do clube, diretor é diretor, médico é médico e tudo caminha como deve ser: simples e eficiente.
SAUDADES DO BOM BASQUETE
Vejo na Globo News um excelente programa relembrando grandes momentos brasileiros em Jogos Pan-americanos. Em especial aqueles que estão entre os maiores, ao lado de João do Pulo em 1975: as medalhas de ouro do basquete masculino em 1987 e do feminino em 1991. Depoimentos de arrepiar, pela sinceridade e paixão de gênios como Oscar, Marcel, Paula, Horência, Ary Vidal e Maria Helena Cardoso. Eram bons os tempos em que ainda se jogava basquete de verdade no Brasil.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
AS MIL E UMA CARAS
DA CRISE NO FUTEBOL
Crise e futebol brasileiro nasceram um para o outro. A cada dia essa palavra aparece em destaque nos noticiários futebolísticos. Nos quatro cantos do Brasil a crise parece onipresente. Derruba treinadores, dirigentes, desemprega jogadores e funcionários.
Tem crise que surge do nada, ganha força e provoca um tremendo estrago. É aquela que costuma pintar quando um time vence uma partida e a estrela reclama ao ser substituída, desabafa ao primeiro microfone que encontra e está materializada a dita cuja.
Há aquelas silenciosas, tramadas em noites de insônia de quartos de concentração ou em jantares promíscuos de dirigentes amadores. Quando, enfim, chegam à tona, costumam causar mais estragos que as crises de ocasião.
Mas o que anda fazendo um baita sucesso é a tal crise financeira. Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Fluminense, Santos, Flamengo, para citar os casos mais conhecidos, todos convivem com alguns problemas de caixa.
É paradoxal que clubes de futebol populares, que arrecadam fortunas, como mostrou uma reportagem da Folha de S.Paulo nesta semana, tenham problemas financeiros - graves. Ao que consta, a maioria recebe em dia gordas cotas de patrocínio, de TV e ainda conta com o ingresso do dinheiro das bilheterias, de placas de publicidade. Pelo que arrecadam, o que é mais do que muitas grandes empresas do País, não deveriam estar como estão.
Exercitando um pouco a razão, parece fácil entender por que algumas contas não fecham. Vejamos o caso do Santos. São mais de 20 - isso mesmo, você leu direito -, mais de 20 pessoas na comissão técnica! Some-se a isso o fato de que Zé Roberto, Kléber, Maldonado, Fábio Costa e o técnico Wanderley Luxemburgo têm um peso de mais de milhão na folha de pagamento. Como o time ainda não fechou contrato com um novo patrocinador de camisa, algum dinheiro deixou de entrar. A grana do Robinho parece ter acabado. E isso porque o Santos arrecadou cerca de R$ 150 milhões em seu último exercício fiscal. Ou R$ 12,5 milhões por mês. Que o futebol custe a metade, o que para padrões brasileiros já seria um assombro, o Santos deveria ter, numa conta de guardanapo, sem sofisticação alguma, uns R$ 60 milhões em caixa. Não tem. E corta salários de lendas do clube que trabalham para o mesmo, como Zito, para conter custos.
O Flamengo é um caso especial. Poderia, como o Corinthians, ser um Barcelona, uma instituição brasileira que não dependesse nem de patrocínio e vivesse apenas da arrecadação de uns milhões de sócios pelo País. Mas luta contra a insolvência e dívidas monumentais. E, como sempre, se ouve falar de altos salários, exceção feita há uma temporada, a passada, de ajuste financeiro - em princípio - muito sério.
O Corinthians, isso para mim é fato, arrendou seu futebol para salvar a pele de uma administração endividada até o último fio de cabelo. O arrendatário foi embora e o clube continua procurando alguém para saldar uma dívida. Uai, ela não tinha sido paga? Como surgiu uma nova em tão pouco tempo? E para o Corinthians vale o mesmo raciocínio do Flamengo. Um pingo de competência e seriedade e talvez nem de patrocinador o time precisasse.
Caso muito, mas muito estranho é o do Palmeiras. Há um par de anos era o time com o maior patrimônio líquido do futebol brasileiro. Hoje está se afundando em dívidas e empréstimos e até jogador está para perder por falta de pagamento. O patrimônio, pelo que sei, segue lá. Dois clubes, um social e um de campo, um estádio antigo e em péssimo estado de conservação, mas em área nobre, assim como o bem frequentado clube social. Dois CTs e um grande número de imóveis em volta de sua sede social e de seu estádio. E ainda assim, está com uma grande dívida e carrega nas costas um inútil time B, que só aumenta sua despesa.
O Botafogo navega em águas turbulentas, tentando se recuperar, sem ter patrimônio a que recorrer, a não ser a grandeza de seu passado, de seu presidente e de sua torcida.
Parece-me claro que uma conta básica nesse caso não fecha nunca. Como pagar R$ 200 mil, R$ 500 mil de salário para um jogador de futebol no Brasil? E existem alguns casos assim. Se pagam e arrecadam dezenas ou até mais de uma centena de milhões de reais por ano, porque quase nunca estão bem financeiramente?
Não que isso seja absolutamente necessário. É muito melhor um time campeão com pouco dinheiro em caixa do que um time em oitavo com boa poupança. O lucro do futebol é o título, a história, a hierarquia.
Sobram alguns exemplos de recuperação e boa gerência, como Inter, São Paulo. Ambos já andaram muito mal das pernas, mas encontraram seus caminhos com boas idéias, bom marketing e bons times. Podem não estar nadando em dinheiro, mas seus jogadores sabem que podem contar com o dinheiro caindo na conta no dia certo. Talvez isso explique muito do sucesso dos dois últimos campeões da América.
DA CRISE NO FUTEBOL
Crise e futebol brasileiro nasceram um para o outro. A cada dia essa palavra aparece em destaque nos noticiários futebolísticos. Nos quatro cantos do Brasil a crise parece onipresente. Derruba treinadores, dirigentes, desemprega jogadores e funcionários.
Tem crise que surge do nada, ganha força e provoca um tremendo estrago. É aquela que costuma pintar quando um time vence uma partida e a estrela reclama ao ser substituída, desabafa ao primeiro microfone que encontra e está materializada a dita cuja.
Há aquelas silenciosas, tramadas em noites de insônia de quartos de concentração ou em jantares promíscuos de dirigentes amadores. Quando, enfim, chegam à tona, costumam causar mais estragos que as crises de ocasião.
Mas o que anda fazendo um baita sucesso é a tal crise financeira. Palmeiras, Corinthians, Botafogo, Fluminense, Santos, Flamengo, para citar os casos mais conhecidos, todos convivem com alguns problemas de caixa.
É paradoxal que clubes de futebol populares, que arrecadam fortunas, como mostrou uma reportagem da Folha de S.Paulo nesta semana, tenham problemas financeiros - graves. Ao que consta, a maioria recebe em dia gordas cotas de patrocínio, de TV e ainda conta com o ingresso do dinheiro das bilheterias, de placas de publicidade. Pelo que arrecadam, o que é mais do que muitas grandes empresas do País, não deveriam estar como estão.
Exercitando um pouco a razão, parece fácil entender por que algumas contas não fecham. Vejamos o caso do Santos. São mais de 20 - isso mesmo, você leu direito -, mais de 20 pessoas na comissão técnica! Some-se a isso o fato de que Zé Roberto, Kléber, Maldonado, Fábio Costa e o técnico Wanderley Luxemburgo têm um peso de mais de milhão na folha de pagamento. Como o time ainda não fechou contrato com um novo patrocinador de camisa, algum dinheiro deixou de entrar. A grana do Robinho parece ter acabado. E isso porque o Santos arrecadou cerca de R$ 150 milhões em seu último exercício fiscal. Ou R$ 12,5 milhões por mês. Que o futebol custe a metade, o que para padrões brasileiros já seria um assombro, o Santos deveria ter, numa conta de guardanapo, sem sofisticação alguma, uns R$ 60 milhões em caixa. Não tem. E corta salários de lendas do clube que trabalham para o mesmo, como Zito, para conter custos.
O Flamengo é um caso especial. Poderia, como o Corinthians, ser um Barcelona, uma instituição brasileira que não dependesse nem de patrocínio e vivesse apenas da arrecadação de uns milhões de sócios pelo País. Mas luta contra a insolvência e dívidas monumentais. E, como sempre, se ouve falar de altos salários, exceção feita há uma temporada, a passada, de ajuste financeiro - em princípio - muito sério.
O Corinthians, isso para mim é fato, arrendou seu futebol para salvar a pele de uma administração endividada até o último fio de cabelo. O arrendatário foi embora e o clube continua procurando alguém para saldar uma dívida. Uai, ela não tinha sido paga? Como surgiu uma nova em tão pouco tempo? E para o Corinthians vale o mesmo raciocínio do Flamengo. Um pingo de competência e seriedade e talvez nem de patrocinador o time precisasse.
Caso muito, mas muito estranho é o do Palmeiras. Há um par de anos era o time com o maior patrimônio líquido do futebol brasileiro. Hoje está se afundando em dívidas e empréstimos e até jogador está para perder por falta de pagamento. O patrimônio, pelo que sei, segue lá. Dois clubes, um social e um de campo, um estádio antigo e em péssimo estado de conservação, mas em área nobre, assim como o bem frequentado clube social. Dois CTs e um grande número de imóveis em volta de sua sede social e de seu estádio. E ainda assim, está com uma grande dívida e carrega nas costas um inútil time B, que só aumenta sua despesa.
O Botafogo navega em águas turbulentas, tentando se recuperar, sem ter patrimônio a que recorrer, a não ser a grandeza de seu passado, de seu presidente e de sua torcida.
Parece-me claro que uma conta básica nesse caso não fecha nunca. Como pagar R$ 200 mil, R$ 500 mil de salário para um jogador de futebol no Brasil? E existem alguns casos assim. Se pagam e arrecadam dezenas ou até mais de uma centena de milhões de reais por ano, porque quase nunca estão bem financeiramente?
Não que isso seja absolutamente necessário. É muito melhor um time campeão com pouco dinheiro em caixa do que um time em oitavo com boa poupança. O lucro do futebol é o título, a história, a hierarquia.
Sobram alguns exemplos de recuperação e boa gerência, como Inter, São Paulo. Ambos já andaram muito mal das pernas, mas encontraram seus caminhos com boas idéias, bom marketing e bons times. Podem não estar nadando em dinheiro, mas seus jogadores sabem que podem contar com o dinheiro caindo na conta no dia certo. Talvez isso explique muito do sucesso dos dois últimos campeões da América.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
O CARNAVAL
TEM PRAZO
DE VALIDADE?
Às vésperas dos 40, essa pergunta é a que fica, vendo os dias de folia e comparando-os, inevitavelmente, com o que eu vivi há 20, 25 anos.
Será que o Carnaval, assim como alguns técnicos de futebol, também tem prazo de validade? Chega uma certa idade da vida que ele fica pelo caminho, lembrança dos tempos de molecada?
Bom, pra mim, pelo menos, ficou.
Nunca fui um grande carnavalesco, embora tenha participado de blocos, desfilado e tocado percussão no Carnaval de rua de Bariri, interior de São Paulo. Tínhamos uma turma maravilhosa e um bloco, o Ghererê, que foi tetracampeão do Carnaval. Mas, acreditem se quiserem, eu passava as quatro noites tomando refirgerante, sem encher a lata, e nunca cheirei nem lança perfume. Eu me divertia, assim como tempos depois, no Carnaval de Indaiatuba, também muito bom e alegre.
Hoje lembro com alegria disso tudo, mas vejo com tristeza no que se transformou o Carnaval. Muita confusão, histórias de brigas, arrastões, bebedeiras, drogas. Vejo a brincadeira em Salvador e me pergunto como pode alguém suportar aquilo? Deve ser legal pra quem aguenta, mas eu hoje preciso de paz e espaço. Agora, Cláudia Leite e Ivete Sangalo disputando pra saber qual é a mais gostosa é muito pra minha cabeça. Será que elas precisam disso?
O Carnaval de rua, o de avenida, virou um desfile de celebridades (ou algumas que se acham mas não são) cada vez menos vestidas. Fala-se demais de camarotes e de menos do samba. Que, alías, anda cada vez pior, ao ponto de se repetirem enredos de antigamente para tentar sacudir a avenida. Alguém, ainda hoje, sabe de cor e salteado um samba de enredo dos últimos dois, três anos. Eu me lembro que há uns bons anos, lá por novembro já se cantava os sambas, que eram muito bons.
Sei lá, deve ser coisa de velho, mas não jogo a toalha. Tem gente como Paulinho da Viola que ainda pode resgatar o samba melódico, harmônico.
Mas o Carnaval tem lá suas utilidades atualmente. Descanso, família, e uma constatação: vendo jogos da Liga dos Campeões e do Campeonato Inglês, atualmente o mais badalado do mundo, eu cada vez mais fico ciente que, apesar dos problemas, a nossa bola ainda é muito mais atraente. É bem melhor ver um bom jogo no Brasil do que essas babas européias.
TEM PRAZO
DE VALIDADE?
Às vésperas dos 40, essa pergunta é a que fica, vendo os dias de folia e comparando-os, inevitavelmente, com o que eu vivi há 20, 25 anos.
Será que o Carnaval, assim como alguns técnicos de futebol, também tem prazo de validade? Chega uma certa idade da vida que ele fica pelo caminho, lembrança dos tempos de molecada?
Bom, pra mim, pelo menos, ficou.
Nunca fui um grande carnavalesco, embora tenha participado de blocos, desfilado e tocado percussão no Carnaval de rua de Bariri, interior de São Paulo. Tínhamos uma turma maravilhosa e um bloco, o Ghererê, que foi tetracampeão do Carnaval. Mas, acreditem se quiserem, eu passava as quatro noites tomando refirgerante, sem encher a lata, e nunca cheirei nem lança perfume. Eu me divertia, assim como tempos depois, no Carnaval de Indaiatuba, também muito bom e alegre.
Hoje lembro com alegria disso tudo, mas vejo com tristeza no que se transformou o Carnaval. Muita confusão, histórias de brigas, arrastões, bebedeiras, drogas. Vejo a brincadeira em Salvador e me pergunto como pode alguém suportar aquilo? Deve ser legal pra quem aguenta, mas eu hoje preciso de paz e espaço. Agora, Cláudia Leite e Ivete Sangalo disputando pra saber qual é a mais gostosa é muito pra minha cabeça. Será que elas precisam disso?
O Carnaval de rua, o de avenida, virou um desfile de celebridades (ou algumas que se acham mas não são) cada vez menos vestidas. Fala-se demais de camarotes e de menos do samba. Que, alías, anda cada vez pior, ao ponto de se repetirem enredos de antigamente para tentar sacudir a avenida. Alguém, ainda hoje, sabe de cor e salteado um samba de enredo dos últimos dois, três anos. Eu me lembro que há uns bons anos, lá por novembro já se cantava os sambas, que eram muito bons.
Sei lá, deve ser coisa de velho, mas não jogo a toalha. Tem gente como Paulinho da Viola que ainda pode resgatar o samba melódico, harmônico.
Mas o Carnaval tem lá suas utilidades atualmente. Descanso, família, e uma constatação: vendo jogos da Liga dos Campeões e do Campeonato Inglês, atualmente o mais badalado do mundo, eu cada vez mais fico ciente que, apesar dos problemas, a nossa bola ainda é muito mais atraente. É bem melhor ver um bom jogo no Brasil do que essas babas européias.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
GUERRA CIVIL
Se alguém um dia já passou pela Rua Itapiru, no Rio Comprido, na Cidade Maravilhosa, sabe do que estou falando. Estamos no meio de uma Guerra Civil, tal qual Líbano, Iraque e os abandonados países africanos. A diferença é que a imensa maioria do nosso povo vive numa pobreza africana, numa ignorância haitiana, mas nossos governantes e legisladores, com seus supersalários, pensam que estão na Suíça. Querem aplicar teorias e análises de Europa do Norte a um país carcomido pela falta de educação, pela falta de decência.
Desde a permissiva e anacrônica Constituição capitaneada por Ulysses Guimarães, estamos nesse caminho de que aqui tudo pode desde que seja errado, pra tudo tem perdão.
E tome eleição de Collor, Maluf, Clodovil e essa Manuela musa do Congresso, um poço de anacronismo e atraso. Fora isso, de musa não tem nada.
E o Mercadante quer que as pessoas tenham cabeça fria quando você sai pra buscar um filho na escola, na casa de um amigo e leva pra casa um pedaço de carne sem vida.
Cada vez mais acho que isso aqui nunca vai dar certo.
Desculpem o desabafo.
Se alguém um dia já passou pela Rua Itapiru, no Rio Comprido, na Cidade Maravilhosa, sabe do que estou falando. Estamos no meio de uma Guerra Civil, tal qual Líbano, Iraque e os abandonados países africanos. A diferença é que a imensa maioria do nosso povo vive numa pobreza africana, numa ignorância haitiana, mas nossos governantes e legisladores, com seus supersalários, pensam que estão na Suíça. Querem aplicar teorias e análises de Europa do Norte a um país carcomido pela falta de educação, pela falta de decência.
Desde a permissiva e anacrônica Constituição capitaneada por Ulysses Guimarães, estamos nesse caminho de que aqui tudo pode desde que seja errado, pra tudo tem perdão.
E tome eleição de Collor, Maluf, Clodovil e essa Manuela musa do Congresso, um poço de anacronismo e atraso. Fora isso, de musa não tem nada.
E o Mercadante quer que as pessoas tenham cabeça fria quando você sai pra buscar um filho na escola, na casa de um amigo e leva pra casa um pedaço de carne sem vida.
Cada vez mais acho que isso aqui nunca vai dar certo.
Desculpem o desabafo.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
A SELEÇÃO À DERIVA
Triste momento o da Seleção Brasileira de futebol. Esse símbolo de uma arte cinco vezes consagrada mundialmente, uma marca internacional, hoje é utilizado como apenas um negócio, uma turnê internacional para arrecadação de rios de dinheiro sem outra finalidade específica.
Se alguém por aí sabe me dizer o que pretendem Dunga e a CBF com a atual Seleção, por favor, me diga. Não vejo respostas para várias perguntas:
1) O que está em andamento é uma renovação?
2) Por que não se sabe qual será e quem vai treinar a Seleção Olímpica quando temos um ano e meio para os Jogos de Pequim?
3) Dunga já apresentou um projeto, um plano de trabalho, o que pretende fazer como técnico?
4) Ronaldinho Gaúcho está no banco por birra do treinador ou porque alguém mandou Dunga deixá-lo sentadinho para pagar um castigo?
5) A quatro meses da Copa América, quem sabe qual time será o representante brasileiro?
6) O que leva um técnico a convocar o Helton para o gol quando se tem Dida, Ceni, Marcos, Júlio César?
7) Mineiro sumiu das listas da Seleção por quê?
8) Kléber e Zé Roberto, do Santos, não são convocados por quê?
9) Por que jogadores são convocados e nunca entram em campo?
10) Porque jogadores são convocados, não jogam, são vendidos e depois jamais voltam a ser convocados?
Aguardo respostas.
ZÉ ROBERTO É O CARA
Para alguns, ele é bom jogador, mas não acontece nada quando toca na bola. Discordo. Zé Roberto é hoje o melhor jogador em atividade no Brasil. O que faz do Santos o time que joga o futebol mais bonito, seguido de perto pelo São Paulo. Isso porque o Inter campeão do mundo está em recesso, sendo representado pelo fraquinho time B.
Zé Roberto pra mim é craque porque faz de tudo um pouco. Arma, combate, organiza, faz gols. Pode não ser maravilhoso em nenhum desses pontos, mas é bem acima da média.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O CÓDIGO (DA FALTA DE)
ÉTICA DOS BOLEIROS
Você certamente já ouviu falar de um tal código de ética dos jogadores de futebol, dos boleiros. Um código que não está escrito, mas é sempre citado por alguns como uma linha de conduta em algumas situações, uma maneira de se comportar em determinados momentos de um jogo. Ele sempre é lembrado por algum atleta quando seu time entra na roda ou algum jogador leva um drible humilhante e, então, tendo como base esse tal código, alguma canela, algum joelho entra na mira de uma chuteira maldosa.
Fora isso, o agressor, dedo em riste, vai pra cima do driblador perdigotando ameaças e jurando que mais adiante ele será vítima de uma dolorosa vingança.
Confesso que em 20 anos de carreira como jornalista, não ouvi uma única vez um craque de verdade ou um grande jogador, mas grande mesmo, citar esse tal código de ética do boleiro. Só o usa como desculpa algum botinudo de plantão ou alguém que não sabe perder, nem tem controle para suportar uma situação de grande pressão.
Não cabe citar jogador de time A ou B, porque em cada equipe de futebol, seja profissional ou amadora, tem ou teve alguém que, usando o tal código como bandeira, baixou o sarrafo, rasgou uma canela, estourou um joelho. Exemplos estão aí aos montes. São botinudos camuflados sob apelidos ou fama (injusta) de guerreiro, raçudo.
De cabeça quente todo mundo fica quando perde. Na pelada ou na final da Libertadores. Ninguém gosta de ficar na roda de bobinho antes do jogo, imagine cair numa dessas com a bola rolando, estádio cheio, TV pro Brasil todo ao vivo? Mas alguém lembra do Falcão apelando ao levar um drible? O Pelé tomou uma bola no meio das pernas, aplicada por um estreante Leivinha, e parabenizou o garoto. Mauro Galvão apelava?
Pode parecer fácil falar de fora e há argumentos para todos os gostos. Primeiro, o olé, em si, é propriedade da torcida, ela que transforma um toque de bola numa tiração de sarro. Evidente que o delírio da arquibancada pode não levar a lugar algum se não for traduzido em gol. É mais inteligente e objetivo, quando se está ganhando fácil, partir pra cima, aumentar o placar. Pode ser, também, mais humilhante se, va lá, o objetivo de algum jogador é esse.
Mas quem disse que ao apelar, ao meter o pé, se está cumprindo esse obscuro e jamais visto código de ética?
Para argumentar o que penso, tem um exemplo maravilhoso. Final de Campeonato Carioca, anos 90, Vasco e Botafogo, no Maracanã. Edmundo faz uma graça em frente ao zagueiro botafoguense Gonçalves. Dá a já famosa reboladinha e segue a jogada. Gonçalves segue o jogo. No final da história, o Botafogo foi campeão e Gonçalves comandou, do campo, uma reboladinha da torcida do Botafogo que reuniu milhares na arquibancada. Sem dar um pontapé, sem citar o tal código fajuto e sem ferir a verdadeira ética do ser humano.
A VERGONHA DOS GANDULAS
Ultrapassou o limite do ridículo a questão dos gandulas nos estádios brasileiros de futebol. Todos são culpados porque todos os times se valem desse artifício. O gandulas já foram garotos. De uns tempos para cá os clubes, se achando espertos, escalam seguranças ou arruaceiros para fazer a função. Em Ribeirão Preto (SP), um gandula agrediu o goleiro do Botafogo. No Morumbi, gandulas do São Paulo ironizaram e provocaram Leão, técnico do Corinthians. E quando Leão era técnico do Tricolor paulista, sempre as bolas sumiam quando o time da casa estava ganhando. Acontece o mesmo no Palestra Itália, no Pacaembu, no Olímpico, Beira-Rio, São Januário. Isso sem falar nos gandulas que xingam jogadores e até partem para a briga com os mesmos.
Basta tirar o gandula de campo? Claro que não. Por que o time mandante tem o direito de escalar gandula? Porque as federações e confederações não fazem um trabalho social, buscando jovens carentes de suas regiões, dando a eles um treinamento básico, sejam homens ou mulheres, para exercer tal função? Não é preciso que sejam crianças, já que a caolha legislação vigente proíbe, prefere que elas se matem como soldados do tráfico e não as deixa trabalhar em parte do tempo, exigindo que estudem em outra parte. Podem ser jovens de mais de 18 anos que, como milhões, não têm perspectiva. Talvez não acontecessem cenas ridículas como as que temos visto.
ÉTICA DOS BOLEIROS
Você certamente já ouviu falar de um tal código de ética dos jogadores de futebol, dos boleiros. Um código que não está escrito, mas é sempre citado por alguns como uma linha de conduta em algumas situações, uma maneira de se comportar em determinados momentos de um jogo. Ele sempre é lembrado por algum atleta quando seu time entra na roda ou algum jogador leva um drible humilhante e, então, tendo como base esse tal código, alguma canela, algum joelho entra na mira de uma chuteira maldosa.
Fora isso, o agressor, dedo em riste, vai pra cima do driblador perdigotando ameaças e jurando que mais adiante ele será vítima de uma dolorosa vingança.
Confesso que em 20 anos de carreira como jornalista, não ouvi uma única vez um craque de verdade ou um grande jogador, mas grande mesmo, citar esse tal código de ética do boleiro. Só o usa como desculpa algum botinudo de plantão ou alguém que não sabe perder, nem tem controle para suportar uma situação de grande pressão.
Não cabe citar jogador de time A ou B, porque em cada equipe de futebol, seja profissional ou amadora, tem ou teve alguém que, usando o tal código como bandeira, baixou o sarrafo, rasgou uma canela, estourou um joelho. Exemplos estão aí aos montes. São botinudos camuflados sob apelidos ou fama (injusta) de guerreiro, raçudo.
De cabeça quente todo mundo fica quando perde. Na pelada ou na final da Libertadores. Ninguém gosta de ficar na roda de bobinho antes do jogo, imagine cair numa dessas com a bola rolando, estádio cheio, TV pro Brasil todo ao vivo? Mas alguém lembra do Falcão apelando ao levar um drible? O Pelé tomou uma bola no meio das pernas, aplicada por um estreante Leivinha, e parabenizou o garoto. Mauro Galvão apelava?
Pode parecer fácil falar de fora e há argumentos para todos os gostos. Primeiro, o olé, em si, é propriedade da torcida, ela que transforma um toque de bola numa tiração de sarro. Evidente que o delírio da arquibancada pode não levar a lugar algum se não for traduzido em gol. É mais inteligente e objetivo, quando se está ganhando fácil, partir pra cima, aumentar o placar. Pode ser, também, mais humilhante se, va lá, o objetivo de algum jogador é esse.
Mas quem disse que ao apelar, ao meter o pé, se está cumprindo esse obscuro e jamais visto código de ética?
Para argumentar o que penso, tem um exemplo maravilhoso. Final de Campeonato Carioca, anos 90, Vasco e Botafogo, no Maracanã. Edmundo faz uma graça em frente ao zagueiro botafoguense Gonçalves. Dá a já famosa reboladinha e segue a jogada. Gonçalves segue o jogo. No final da história, o Botafogo foi campeão e Gonçalves comandou, do campo, uma reboladinha da torcida do Botafogo que reuniu milhares na arquibancada. Sem dar um pontapé, sem citar o tal código fajuto e sem ferir a verdadeira ética do ser humano.
A VERGONHA DOS GANDULAS
Ultrapassou o limite do ridículo a questão dos gandulas nos estádios brasileiros de futebol. Todos são culpados porque todos os times se valem desse artifício. O gandulas já foram garotos. De uns tempos para cá os clubes, se achando espertos, escalam seguranças ou arruaceiros para fazer a função. Em Ribeirão Preto (SP), um gandula agrediu o goleiro do Botafogo. No Morumbi, gandulas do São Paulo ironizaram e provocaram Leão, técnico do Corinthians. E quando Leão era técnico do Tricolor paulista, sempre as bolas sumiam quando o time da casa estava ganhando. Acontece o mesmo no Palestra Itália, no Pacaembu, no Olímpico, Beira-Rio, São Januário. Isso sem falar nos gandulas que xingam jogadores e até partem para a briga com os mesmos.
Basta tirar o gandula de campo? Claro que não. Por que o time mandante tem o direito de escalar gandula? Porque as federações e confederações não fazem um trabalho social, buscando jovens carentes de suas regiões, dando a eles um treinamento básico, sejam homens ou mulheres, para exercer tal função? Não é preciso que sejam crianças, já que a caolha legislação vigente proíbe, prefere que elas se matem como soldados do tráfico e não as deixa trabalhar em parte do tempo, exigindo que estudem em outra parte. Podem ser jovens de mais de 18 anos que, como milhões, não têm perspectiva. Talvez não acontecessem cenas ridículas como as que temos visto.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
XÔ, INTOLERÂNCIA!!!!!!
VOLTA, MILTON LEITE!!
Leio, chateado e indignado, que meu amigo e parceiro Milton Leite está encerrando, espero que temporariamente, as atividades de seu blog.
Sou leitor assíduo do Milton, que, além de escrever bem, tem sempre idéias astutas e antenadas e gosta de um bom debate, com regras: respeito à opinião alheia.
Não sei ao certo, mas desconfio que o Milton se encheu das agressões baratas e provocações infantis, algo débeis, de alguns blogueiros. Aconteceu o mesmo com Jota Júnior, a exemplo do Milton, um poço de companheirismo, competência e seriedade. Felizmente, Jotinha voltou com seu blog e, acredito, o Milton também o fará.
Infelizmente, algumas pessoas não entendem que a Internet é uma saborosa ferramente de interatividade, que permite que pessoas como nós, que trabalhamos com Comunicação, tenhamos mais tempo de trocar idéias, expor raciocínios, sem estarmos presos à ditadura do tempo e do espaço.
O futebol, um instantâneo da vida, traz em seu bojo a intolerância que aflige esse caótico mundo de hoje, ameaçado pela revolta da natureza - justa - e o iminente fracasso do ser humano como projeto. Como aceitar que alguém agrida, mate, simplesmente porque um semelhante torce por outro time? Será assim tão difícil um gremista conviver em harmonia com um colorado? Um flamenguista aceitar o vascaíno? Eu teimo em ser otimista e procuro pinçar bons exemplos, como aquela comovente iniciativa de formar uma orquestra com meninos judeus e palestinos.
Então, fica meu voto de fé: sejamos mais humanos e tolerantes. E volta, Milton Leite!!!!
CAIO NÃO DEVE CAIR
Perdoem o trocadilho, mas, se o Palmeiras acender o fogo da frigideira para o bom técnico Caio Jr. estará cometendo uma imensa bobagem, que pode custar muito caro num futuro próximo. Lembremos do exemplo de Tite, que foi defenestrado pelo ultrapassado e verborrágico Salvador Palaia. O resultado foi um Palmeiras pendurado na primeira divisão.
Caio Jr. é bom profissional, e o Palmeiras tem um elenco melhor que o de 2006. Claro que há coisas a se acertar. Pierre como zagueiro, por exemplo, é um equívoco evidente, que pode e deve ser corrigido com o retorno de Nen. Talvez não seja para esta temporada, mas em algum tempo o Palmeiras reencontrará seu caminho se deixarem a nova diretoria e o Caio Jr. trabalhar.
O BOM E VELHO LUXA
Podem não gostar dele, achar que é mala (às vezes é mesmo), mas Wanderley Luxemburgo é um tremendo técnico de futebol. Seus times geralmente ganham e convencem, jogando com um característica comum: o meio-campo impecável. O atual do Santos sobra no Brasil. Maldonado, Rodrigo Souto, Cléber Santana e Zé Roberto, com o auxílio precioso de Kléber na lateral-esquerda. A bola rola, feliz, de pé em pé, via posicionamento perfeito, evolução constante. E foi tão simples fazer com que esse meio-campo decolasse. Antes, Maldonado jogava centralizado à frente dos zagueiros, e Cléber Santana precisava ser ora volante, ora meia. Com a entrada de Rodrigo Souto, Maldonado deixou de ficar sobrecarregado e Cléber Santana virou meia de fato. Obra de Luxa, mais uma vez.
LEANDRO É FERA
O que está jogando o Leandro, do São Paulo, não é brincadeira. Contra o São Bento, ele jogou pelo ausente Souza e pelo displicente Lenílson (que fez dois gols sem fazer força). A impressão que dá vendo Leandro em campo é que de tão aplicado, ele jogaria bem em qualquer posição.
AMERIQUINHA E ZEQUINHA
Dois resultados que transpiram nostalgia: a vitória do time master do América sobre o Vasco de Romário e o empate do simpático São José, o Zequinha, com o Caxias, este pelo Gauchão. Sou daqueles que pensam que se, um dia, América e São José não existirem mais, o futebol não será o mesmo. Provavelmente esteja enganado, mas, fazer o quê?
VOLTA, MILTON LEITE!!
Leio, chateado e indignado, que meu amigo e parceiro Milton Leite está encerrando, espero que temporariamente, as atividades de seu blog.
Sou leitor assíduo do Milton, que, além de escrever bem, tem sempre idéias astutas e antenadas e gosta de um bom debate, com regras: respeito à opinião alheia.
Não sei ao certo, mas desconfio que o Milton se encheu das agressões baratas e provocações infantis, algo débeis, de alguns blogueiros. Aconteceu o mesmo com Jota Júnior, a exemplo do Milton, um poço de companheirismo, competência e seriedade. Felizmente, Jotinha voltou com seu blog e, acredito, o Milton também o fará.
Infelizmente, algumas pessoas não entendem que a Internet é uma saborosa ferramente de interatividade, que permite que pessoas como nós, que trabalhamos com Comunicação, tenhamos mais tempo de trocar idéias, expor raciocínios, sem estarmos presos à ditadura do tempo e do espaço.
O futebol, um instantâneo da vida, traz em seu bojo a intolerância que aflige esse caótico mundo de hoje, ameaçado pela revolta da natureza - justa - e o iminente fracasso do ser humano como projeto. Como aceitar que alguém agrida, mate, simplesmente porque um semelhante torce por outro time? Será assim tão difícil um gremista conviver em harmonia com um colorado? Um flamenguista aceitar o vascaíno? Eu teimo em ser otimista e procuro pinçar bons exemplos, como aquela comovente iniciativa de formar uma orquestra com meninos judeus e palestinos.
Então, fica meu voto de fé: sejamos mais humanos e tolerantes. E volta, Milton Leite!!!!
CAIO NÃO DEVE CAIR
Perdoem o trocadilho, mas, se o Palmeiras acender o fogo da frigideira para o bom técnico Caio Jr. estará cometendo uma imensa bobagem, que pode custar muito caro num futuro próximo. Lembremos do exemplo de Tite, que foi defenestrado pelo ultrapassado e verborrágico Salvador Palaia. O resultado foi um Palmeiras pendurado na primeira divisão.
Caio Jr. é bom profissional, e o Palmeiras tem um elenco melhor que o de 2006. Claro que há coisas a se acertar. Pierre como zagueiro, por exemplo, é um equívoco evidente, que pode e deve ser corrigido com o retorno de Nen. Talvez não seja para esta temporada, mas em algum tempo o Palmeiras reencontrará seu caminho se deixarem a nova diretoria e o Caio Jr. trabalhar.
O BOM E VELHO LUXA
Podem não gostar dele, achar que é mala (às vezes é mesmo), mas Wanderley Luxemburgo é um tremendo técnico de futebol. Seus times geralmente ganham e convencem, jogando com um característica comum: o meio-campo impecável. O atual do Santos sobra no Brasil. Maldonado, Rodrigo Souto, Cléber Santana e Zé Roberto, com o auxílio precioso de Kléber na lateral-esquerda. A bola rola, feliz, de pé em pé, via posicionamento perfeito, evolução constante. E foi tão simples fazer com que esse meio-campo decolasse. Antes, Maldonado jogava centralizado à frente dos zagueiros, e Cléber Santana precisava ser ora volante, ora meia. Com a entrada de Rodrigo Souto, Maldonado deixou de ficar sobrecarregado e Cléber Santana virou meia de fato. Obra de Luxa, mais uma vez.
LEANDRO É FERA
O que está jogando o Leandro, do São Paulo, não é brincadeira. Contra o São Bento, ele jogou pelo ausente Souza e pelo displicente Lenílson (que fez dois gols sem fazer força). A impressão que dá vendo Leandro em campo é que de tão aplicado, ele jogaria bem em qualquer posição.
AMERIQUINHA E ZEQUINHA
Dois resultados que transpiram nostalgia: a vitória do time master do América sobre o Vasco de Romário e o empate do simpático São José, o Zequinha, com o Caxias, este pelo Gauchão. Sou daqueles que pensam que se, um dia, América e São José não existirem mais, o futebol não será o mesmo. Provavelmente esteja enganado, mas, fazer o quê?
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
PAZ
Antes de mais nada, eu não sou contra torcida organizada, uniformizada ou qualquer que seja o nome. Acho que cada um faz o que bem entende, anda com quem quiser, se junta em grupos, torce, grita. Achar que a única culpada pela violência no futebol é esse tipo de torcida é não querer combater o problema a fundo.
Estudei e trabalhei com gente que pertencia a torcidas uniformizadas de dois grandes times de São Paulo. Um deles chegou a ser dirigente de uma delas, que é uma das maiores. Não se metia em briga, não era vândalo, estudava. Apenas curtia ir aos estádios com seus amigos e torcer pelo seu time. O outro não era dirigente, mas participava de caravanas, viajava e, até onde sei, também nunca se meteu em encrenca.
Assim como já vi muita violência em numeradas, em cadeiras cativas e até em saguões de estádios.
Não quero, com isso, eximir de culpa essas torcidas. Tem gente ruim e encrenqueira entre elas, é óbvio. Mas também tem gente que gosta da festa, dos gritos e das cantorias.
O caminho da paz só será feito quando acabar a impunidade e quem arrumar confusão em estádio ou nas proximidades for fichado pela polícia e tiver de prestar serviços à comunidade no dia de jogos de futebol. Duas horas antes, durante e duas horas depois. Se não prestar o serviço, se não aparecer, vai em cana.
Estádios são propriedades particulares na sua maioria. E brigar ou provocar arruaça em propriedade particular é passível de punição. Seja quem for o brigão, uniformizado, almofadinha, corneteiro, cardeal.
Nunca houve vontade política de acabar com as brigas e privilégios nos estádios. Tentou-se por decreto em São Paulo acabar com as torcidas organizadas. Elas continuaram existindo, mudaram de nome e os baderneiros que nela buscam abrigo foram brigar e matar longe dos estádios. Alguns tiraram proveito político disso, mas o problema continuou.
No Rio fala-se em ligação do crime organizado com grupos de torcedores. Investigação até agora, pouco ou quase nada.
Defendo que a punição deva ser aplicada a quem apronta em estádio. Seja uniformizado, organizado ou não. Quem marca briga pela Internet, idem. Quem briga na rua, também. E que os clubes, quando forem punidos por badernas de torcedores, processem os torcedores, impeçam-nos de frequentar os estádios e cobrem deles, na Justiça, o ressarcimento dos prejuízos.
Com essas medidas, acredito que haverá uma moralização e, aos poucos, as torcidas organizadas que quiserem apenas torcer, serão conhecidas e facilmente identificadas. Aí, quem sabe, voltaremos a ter apenas festas (e as torcidas ditas organizadas fazem belas festas quando querem).
Um bom exemplo foi dado entre torcedores do Noroeste e do São Paulo, em Bauru. Nenhuma confusão num estádio superlotado.
Antes de mais nada, eu não sou contra torcida organizada, uniformizada ou qualquer que seja o nome. Acho que cada um faz o que bem entende, anda com quem quiser, se junta em grupos, torce, grita. Achar que a única culpada pela violência no futebol é esse tipo de torcida é não querer combater o problema a fundo.
Estudei e trabalhei com gente que pertencia a torcidas uniformizadas de dois grandes times de São Paulo. Um deles chegou a ser dirigente de uma delas, que é uma das maiores. Não se metia em briga, não era vândalo, estudava. Apenas curtia ir aos estádios com seus amigos e torcer pelo seu time. O outro não era dirigente, mas participava de caravanas, viajava e, até onde sei, também nunca se meteu em encrenca.
Assim como já vi muita violência em numeradas, em cadeiras cativas e até em saguões de estádios.
Não quero, com isso, eximir de culpa essas torcidas. Tem gente ruim e encrenqueira entre elas, é óbvio. Mas também tem gente que gosta da festa, dos gritos e das cantorias.
O caminho da paz só será feito quando acabar a impunidade e quem arrumar confusão em estádio ou nas proximidades for fichado pela polícia e tiver de prestar serviços à comunidade no dia de jogos de futebol. Duas horas antes, durante e duas horas depois. Se não prestar o serviço, se não aparecer, vai em cana.
Estádios são propriedades particulares na sua maioria. E brigar ou provocar arruaça em propriedade particular é passível de punição. Seja quem for o brigão, uniformizado, almofadinha, corneteiro, cardeal.
Nunca houve vontade política de acabar com as brigas e privilégios nos estádios. Tentou-se por decreto em São Paulo acabar com as torcidas organizadas. Elas continuaram existindo, mudaram de nome e os baderneiros que nela buscam abrigo foram brigar e matar longe dos estádios. Alguns tiraram proveito político disso, mas o problema continuou.
No Rio fala-se em ligação do crime organizado com grupos de torcedores. Investigação até agora, pouco ou quase nada.
Defendo que a punição deva ser aplicada a quem apronta em estádio. Seja uniformizado, organizado ou não. Quem marca briga pela Internet, idem. Quem briga na rua, também. E que os clubes, quando forem punidos por badernas de torcedores, processem os torcedores, impeçam-nos de frequentar os estádios e cobrem deles, na Justiça, o ressarcimento dos prejuízos.
Com essas medidas, acredito que haverá uma moralização e, aos poucos, as torcidas organizadas que quiserem apenas torcer, serão conhecidas e facilmente identificadas. Aí, quem sabe, voltaremos a ter apenas festas (e as torcidas ditas organizadas fazem belas festas quando querem).
Um bom exemplo foi dado entre torcedores do Noroeste e do São Paulo, em Bauru. Nenhuma confusão num estádio superlotado.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
FIQUE DE OLHO NO APITO.
PROFISSIONALISMO! E JÁ!
Adorava a musiquinha que tinha esse verso, de alguma rádio paulistana. Gostava do ritmo e da melodia. Aliás, sou fã de vinhetas de rádio. Mas não é esse o tema de hoje. Como prega a simpática musiquinha, já passou da hora de ficarmos de olho no apito.
O futebol brasileiro anda cada vez mais competitivo, tenso, equilibrado. Infelizmente, a violência acaba sendo a válvula de escape de alguns marginais infiltrados entre os torcedores legítimos, e cenas lamentáveis acabam ocorrendo. Então, arbitragem é coisa para ser levada muito mais a sério do que vemos atualmente no Brasil.
Erros acontecem e sempre acontecerão. O que eu acho inadmissível é agir de má-fé ou abusar da autoridade.
No jogo entre Corinthians e São Caetano, a arbitragem de Octávio Corrêa da Silva foi um desastre. Por omissão e abuso de autoridade. Ele se omitiu ao não dar cartões em muitas jogadas violentas e agressões de ambas as partes. Errou ao não parar uma jogada quando havia duas bolas em campo e, depois, ao parar, puniu o jogador do Corinthians que chutou a bola para longe. Nada de errado em punir o ato intempestivo, mas, naquele momento, como o erro era dele, o árbitro não precisaria exercer sua autoridade de maneira desmedida, penso eu. Depois, ele demorou para mostrar o segundo cartão amarelo para Roger, do Corinthians, que estava descontrolado e batendo muito. Assim como errou ao não mostrar cartão amarelo e até o vermelho para o zagueiro Maurício, do São Caetano. Enfim, omisso ao deixar que a violência imperasse e autoritário por abusar do direito de comandar o jogo.
No Campeonato Carioca, a partida entre Cabofriense e Botafogo, perdoem a piadinha, pegou fogo. O lance da polêmica, o gol da Cabofriense, é nitroglicerina pura. E o árbitro Fábio Calabria está sendo acusado de sacar uma arma para se defender de um torcedor. Ele é agente da Polícia Federal. Aliás, o que tem de policial, civil, militar, federal envolvido com arbitragem seja a ser intrigante.
Continuo defendendo a bandeira da profissionalização da arbitragem. O futebol cobra, exige profissionalismo a cada dia, e precisa que a arbitragem ande no mesmo ritmo. Alguns árbitros de primeira linha ganham muito bem, em especial nos jogos internacionais. Mas há casos que configuram amadorismo. Os árbitros no Brasil, em jogos da Série A, precisam cuidar eles mesmos de procurar e pagar os hotéis quando viajam, usando a verba que recebem como cachê por trabalhar em determinada partida. Recebem dos mandantes dos jogos um percentual da renda. Muitos ainda não receberam dinheiro referente a jogos de 2005 e têm receio de cobrar por temerem represálias.
Não dá para o sujeito ser policial, advogado, corretor de seguros e ser, também, árbitro de um jogo de futebol profissional. Tudo tem seu custo, mas federações ricas e a CBF têm dinheiro suficiente para profissionalizar a arbitragem. Não que isso vá acabar com os erros, mas pode disciplinar e organizar a função, além de dignificar a carreira e proteger de picaretas quem resolveu abraçá-la. Injusto, eu acho, é que todos no futebol sejam profissionais, menos quem tem o poder de tomar decisões num jogo que envolve fortunas e as paixões de milhões.
PROFISSIONALISMO! E JÁ!
Adorava a musiquinha que tinha esse verso, de alguma rádio paulistana. Gostava do ritmo e da melodia. Aliás, sou fã de vinhetas de rádio. Mas não é esse o tema de hoje. Como prega a simpática musiquinha, já passou da hora de ficarmos de olho no apito.
O futebol brasileiro anda cada vez mais competitivo, tenso, equilibrado. Infelizmente, a violência acaba sendo a válvula de escape de alguns marginais infiltrados entre os torcedores legítimos, e cenas lamentáveis acabam ocorrendo. Então, arbitragem é coisa para ser levada muito mais a sério do que vemos atualmente no Brasil.
Erros acontecem e sempre acontecerão. O que eu acho inadmissível é agir de má-fé ou abusar da autoridade.
No jogo entre Corinthians e São Caetano, a arbitragem de Octávio Corrêa da Silva foi um desastre. Por omissão e abuso de autoridade. Ele se omitiu ao não dar cartões em muitas jogadas violentas e agressões de ambas as partes. Errou ao não parar uma jogada quando havia duas bolas em campo e, depois, ao parar, puniu o jogador do Corinthians que chutou a bola para longe. Nada de errado em punir o ato intempestivo, mas, naquele momento, como o erro era dele, o árbitro não precisaria exercer sua autoridade de maneira desmedida, penso eu. Depois, ele demorou para mostrar o segundo cartão amarelo para Roger, do Corinthians, que estava descontrolado e batendo muito. Assim como errou ao não mostrar cartão amarelo e até o vermelho para o zagueiro Maurício, do São Caetano. Enfim, omisso ao deixar que a violência imperasse e autoritário por abusar do direito de comandar o jogo.
No Campeonato Carioca, a partida entre Cabofriense e Botafogo, perdoem a piadinha, pegou fogo. O lance da polêmica, o gol da Cabofriense, é nitroglicerina pura. E o árbitro Fábio Calabria está sendo acusado de sacar uma arma para se defender de um torcedor. Ele é agente da Polícia Federal. Aliás, o que tem de policial, civil, militar, federal envolvido com arbitragem seja a ser intrigante.
Continuo defendendo a bandeira da profissionalização da arbitragem. O futebol cobra, exige profissionalismo a cada dia, e precisa que a arbitragem ande no mesmo ritmo. Alguns árbitros de primeira linha ganham muito bem, em especial nos jogos internacionais. Mas há casos que configuram amadorismo. Os árbitros no Brasil, em jogos da Série A, precisam cuidar eles mesmos de procurar e pagar os hotéis quando viajam, usando a verba que recebem como cachê por trabalhar em determinada partida. Recebem dos mandantes dos jogos um percentual da renda. Muitos ainda não receberam dinheiro referente a jogos de 2005 e têm receio de cobrar por temerem represálias.
Não dá para o sujeito ser policial, advogado, corretor de seguros e ser, também, árbitro de um jogo de futebol profissional. Tudo tem seu custo, mas federações ricas e a CBF têm dinheiro suficiente para profissionalizar a arbitragem. Não que isso vá acabar com os erros, mas pode disciplinar e organizar a função, além de dignificar a carreira e proteger de picaretas quem resolveu abraçá-la. Injusto, eu acho, é que todos no futebol sejam profissionais, menos quem tem o poder de tomar decisões num jogo que envolve fortunas e as paixões de milhões.
terça-feira, janeiro 30, 2007
O QUE SERÁ O FUTURO
QUE HOJE SE FAZ?
Pego emprestado esse verso que é de uma grande canção do Rei Roberto Carlos, O Ano Passado, para, humildemente, chamar a atenção de quem me dá o prazer de passar os olhos por essas linhas.
Desde muito cedo, embora ainda não soubesse, eu já era ligado em ecologia. Não gostava de rios sujos, de lixo na praia, de árvores derrubadas. Tento, no meu dia a dia, fazer algo que possa contribuir para que não cheguemos ao fim que se desenha.
Você também pode fazer alguma coisa.
Estamos juntos no mesmo barco.
Seca: entre 1,1 bilhão e 3,2 bilhões de pessoas sem água
Fome: entre 200 a 600 milhões de pessoas sem alimentos
Inundações: 7 milhões de residências podem ser afetadas
Calor: Aumento médio de temperatura de 2 ou 3 graus Celsius
QUE HOJE SE FAZ?
Pego emprestado esse verso que é de uma grande canção do Rei Roberto Carlos, O Ano Passado, para, humildemente, chamar a atenção de quem me dá o prazer de passar os olhos por essas linhas.
Desde muito cedo, embora ainda não soubesse, eu já era ligado em ecologia. Não gostava de rios sujos, de lixo na praia, de árvores derrubadas. Tento, no meu dia a dia, fazer algo que possa contribuir para que não cheguemos ao fim que se desenha.
Você também pode fazer alguma coisa.
Estamos juntos no mesmo barco.
Seca: entre 1,1 bilhão e 3,2 bilhões de pessoas sem água
Fome: entre 200 a 600 milhões de pessoas sem alimentos
Inundações: 7 milhões de residências podem ser afetadas
Calor: Aumento médio de temperatura de 2 ou 3 graus Celsius
domingo, janeiro 28, 2007
CADÊ O NOSSO PLATINI?
Uma das melhores notícias para o mundo do esporte nos últimos tempos foi a eleição de Michel Platini, genial jogador francês dos anos 70 e 80, para o cargo de presidente da Uefa, a poderosa entidade que controla o futebol europeu.
Platini ainda é jovem, mas não inexperiente. Foi um grande jogador e se preparou para ser dirigente. Portanto, conhece os dois mundos, o de dentro e o de fora dos campos, e pode trabalhar para que eles se aproximem. Espero que seja uma eleição que produza efeitos positivos para os jogadores, principalmente. E que possa se transformar num anteparo das pretensões exclusivistas e mercantilistas do G-14, o arrogante grupo formado pelos 18 times mais endinheirados da Europa.
E aqui no Brasil, quando teremos nosso Platini? Algum ex-atleta preparado para seguir no esporte, usando seu conhecimento dos tempos de competições, assumindo um cargo de comando em alto escalão? Na verdade, já temos alguns exemplos de situações parecidas. Mas não ainda no futebol. No vôlei, Carlos Nuzmann, ex-jogador olímpico, assumiu e revolucionou. Atualmente, Ary Graça, também ex-atleta, dá seqüência ao trabalho. E Nuzmann agora comanda o projeto olímpico brasileiro. Mas a prova de que não basta ter sido atleta para acertar está no basquete, comandando por Gerasime Grego, também ex-jogador, e absolutamente sem rumo.
O caso do futebol é mais complexo, pela popularidade e importância política e social. Houve tentativas de ex-jogadores chegarem ao comando, como a anticandidatura de Sócrates à presidência da CBF. Mas será que ele estava preparado para isso? Que experiência como dirigente ele teve? Quais suas idéias, seus projetos, mesmo sendo um astuto pensador do futebol e da vida?
Não basta ter sido craque ou nem tanto para saber administrar, para pensar. O problema da maioria dos ex-atletas brasileiros de futebol está exatamente na falta de formação específica. Muitos acham que apenas por terem jogado futebol já sabem tudo. Seja para serem técnicos, comentaristas, dirigentes. Acreditam que seus anos de vestiários e concentrações foram o curso de formação perfeito.
Agora, finalmente, existe um grupo ainda pequeno de ex-jogadores que estuda, se informa, se prepara em cursos de gestão e administração esportiva. Casos como o do ex-volante César Sampaio. Ele estuda e prepara-se para administrar clubes menores antes de tentar um salto maior. O caminho correto me parece ser este. Mas a maioria não pensa assim. Acha que pode pendurar as chuteiras num domingo e assumir o comando do clube na segunda, sob a singela argumentação de que "quem jogou sabe".
Por essas e outras eu acho que ainda vai demorar para termos um Platini, ou um Valdano (ex-jogador argentino e dirigente do Real Madrid) em versão brasileira. Para regozijo dos cartolas brasileiros, que continuarão desfilando seu despreparo na terra do melhor futebol do mundo.
Uma das melhores notícias para o mundo do esporte nos últimos tempos foi a eleição de Michel Platini, genial jogador francês dos anos 70 e 80, para o cargo de presidente da Uefa, a poderosa entidade que controla o futebol europeu.
Platini ainda é jovem, mas não inexperiente. Foi um grande jogador e se preparou para ser dirigente. Portanto, conhece os dois mundos, o de dentro e o de fora dos campos, e pode trabalhar para que eles se aproximem. Espero que seja uma eleição que produza efeitos positivos para os jogadores, principalmente. E que possa se transformar num anteparo das pretensões exclusivistas e mercantilistas do G-14, o arrogante grupo formado pelos 18 times mais endinheirados da Europa.
E aqui no Brasil, quando teremos nosso Platini? Algum ex-atleta preparado para seguir no esporte, usando seu conhecimento dos tempos de competições, assumindo um cargo de comando em alto escalão? Na verdade, já temos alguns exemplos de situações parecidas. Mas não ainda no futebol. No vôlei, Carlos Nuzmann, ex-jogador olímpico, assumiu e revolucionou. Atualmente, Ary Graça, também ex-atleta, dá seqüência ao trabalho. E Nuzmann agora comanda o projeto olímpico brasileiro. Mas a prova de que não basta ter sido atleta para acertar está no basquete, comandando por Gerasime Grego, também ex-jogador, e absolutamente sem rumo.
O caso do futebol é mais complexo, pela popularidade e importância política e social. Houve tentativas de ex-jogadores chegarem ao comando, como a anticandidatura de Sócrates à presidência da CBF. Mas será que ele estava preparado para isso? Que experiência como dirigente ele teve? Quais suas idéias, seus projetos, mesmo sendo um astuto pensador do futebol e da vida?
Não basta ter sido craque ou nem tanto para saber administrar, para pensar. O problema da maioria dos ex-atletas brasileiros de futebol está exatamente na falta de formação específica. Muitos acham que apenas por terem jogado futebol já sabem tudo. Seja para serem técnicos, comentaristas, dirigentes. Acreditam que seus anos de vestiários e concentrações foram o curso de formação perfeito.
Agora, finalmente, existe um grupo ainda pequeno de ex-jogadores que estuda, se informa, se prepara em cursos de gestão e administração esportiva. Casos como o do ex-volante César Sampaio. Ele estuda e prepara-se para administrar clubes menores antes de tentar um salto maior. O caminho correto me parece ser este. Mas a maioria não pensa assim. Acha que pode pendurar as chuteiras num domingo e assumir o comando do clube na segunda, sob a singela argumentação de que "quem jogou sabe".
Por essas e outras eu acho que ainda vai demorar para termos um Platini, ou um Valdano (ex-jogador argentino e dirigente do Real Madrid) em versão brasileira. Para regozijo dos cartolas brasileiros, que continuarão desfilando seu despreparo na terra do melhor futebol do mundo.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
NOVOS TEMPOS
Pego carona no genial Bob Dylan e em seu clássico Times They Are A-Changing (muito decentemente regravado por Phil Collins em 1996) para falar dos novos tempos do futebol brasileiro. Sim, ando esbanjando otimismo. Talvez pelo saudável contato com a garotada da Copa São Paulo de Juniores. Talvez pelo sopro de democracia que se abate sobre muitos dos grandes clubes brasileiros que viviam há tempos sob o manto ditatorial de alguns cartolas.
A Copa São Paulo tem sido uma agradabilíssima surpresa. Grandes jogos, talentos, poucos vícios, violência rareando. A final entre São Paulo e Cruzeiro, quinta-feira, promete ser histórica. Duas belas equipes, de toque de bola, vocação ofensiva e projetos de craques.
Para azar dos são-paulinos, o meia-esquerda Sérgio Motta não poderá jogar. Esse garoto parece ter saído de algum jogo dos anos 60 ou 70. Sabe lançar, tem visão de jogo privilegiada e consegue ser refinado e objetivo, além de fazer gols. Foi corretamente suspenso da final ao fazer uma falta dura - embora sem maldade - em Eduardo, do Atlético Paranaense. Mas no banco o São Paulo tem um garoto de 17 anos chamado Léo Gonçalves que também conhece. Embora jogue mais pelo lado direito, também pode ser improvisado pela esquerda. Ainda bem jovem, tem 17 anos, mas conhece do riscado. Todo o time tricolor paulista é bom. Os zagueiro Aislam e Breno chamam a atenção. Terça-feira, ao deixar o estádio em São Carlos, encontrei o Sangaletti, ex-Corinthians e Inter. Ele disse: - Esse Breno está pronto para jogar no time de cima.
O Cruzeiro tem um grande time. Rápido, insinuante, envolvente. O artilheiro Jonathas é uma arma poderosa. Com 1m91, também sabe jogar. Lembra um pouco o Jardel, mas me parece mais técnico. Guilherme, com sete gols, também é fera. E o Cruzeiro não terá Pablo, expulso.
Em resumo, um grande jogo, que colocará no gramado do Pacaembu uma nova imagem da Copa São Paulo. Agora sem grandes vícios, sem muitos jogadores de empresários, que a usavam apenas como vitrine, ou outros que deixavam os times profissionais para desfilar uma marra incrível entre a garotada. Excelente ideía essa de reduzir a idade dos jogadores da Copinha. Literalmente, injetou sangue novo em algo que parecia mofado.
DEMOCRACIA
Processos contra um poderoso dirigente do Paraná, questionamentos em relação ao que houve na eleição do Vasco, tão judiado por um comando ditatorial. Derrotas contundentes de dois mandas-chuvas históricos em Corinthians e Palmeiras. Enfim, parece que algo começa a mudar nos grandes clubes brasileiros que vinham sendo marcados por décadas de jugo, podemos dizer, imperialista.
O maior exemplo vem do Palmeiras. Mustafá Contursi sofreu sua maior derrota em mais de dez anos em que mandou sozinho no clube e deixou uma instituição outrora pioneira marcada pelo atraso. No Corinthians, Alberto Dualibi perdeu a eleição do Conselho e vê minar a resistência com que comandou os destinos da paixão de milhões como se fosse o quintal de sua casa.
Acho que a chuva de começo de ano está varrendo muita sujeira.
Pego carona no genial Bob Dylan e em seu clássico Times They Are A-Changing (muito decentemente regravado por Phil Collins em 1996) para falar dos novos tempos do futebol brasileiro. Sim, ando esbanjando otimismo. Talvez pelo saudável contato com a garotada da Copa São Paulo de Juniores. Talvez pelo sopro de democracia que se abate sobre muitos dos grandes clubes brasileiros que viviam há tempos sob o manto ditatorial de alguns cartolas.
A Copa São Paulo tem sido uma agradabilíssima surpresa. Grandes jogos, talentos, poucos vícios, violência rareando. A final entre São Paulo e Cruzeiro, quinta-feira, promete ser histórica. Duas belas equipes, de toque de bola, vocação ofensiva e projetos de craques.
Para azar dos são-paulinos, o meia-esquerda Sérgio Motta não poderá jogar. Esse garoto parece ter saído de algum jogo dos anos 60 ou 70. Sabe lançar, tem visão de jogo privilegiada e consegue ser refinado e objetivo, além de fazer gols. Foi corretamente suspenso da final ao fazer uma falta dura - embora sem maldade - em Eduardo, do Atlético Paranaense. Mas no banco o São Paulo tem um garoto de 17 anos chamado Léo Gonçalves que também conhece. Embora jogue mais pelo lado direito, também pode ser improvisado pela esquerda. Ainda bem jovem, tem 17 anos, mas conhece do riscado. Todo o time tricolor paulista é bom. Os zagueiro Aislam e Breno chamam a atenção. Terça-feira, ao deixar o estádio em São Carlos, encontrei o Sangaletti, ex-Corinthians e Inter. Ele disse: - Esse Breno está pronto para jogar no time de cima.
O Cruzeiro tem um grande time. Rápido, insinuante, envolvente. O artilheiro Jonathas é uma arma poderosa. Com 1m91, também sabe jogar. Lembra um pouco o Jardel, mas me parece mais técnico. Guilherme, com sete gols, também é fera. E o Cruzeiro não terá Pablo, expulso.
Em resumo, um grande jogo, que colocará no gramado do Pacaembu uma nova imagem da Copa São Paulo. Agora sem grandes vícios, sem muitos jogadores de empresários, que a usavam apenas como vitrine, ou outros que deixavam os times profissionais para desfilar uma marra incrível entre a garotada. Excelente ideía essa de reduzir a idade dos jogadores da Copinha. Literalmente, injetou sangue novo em algo que parecia mofado.
DEMOCRACIA
Processos contra um poderoso dirigente do Paraná, questionamentos em relação ao que houve na eleição do Vasco, tão judiado por um comando ditatorial. Derrotas contundentes de dois mandas-chuvas históricos em Corinthians e Palmeiras. Enfim, parece que algo começa a mudar nos grandes clubes brasileiros que vinham sendo marcados por décadas de jugo, podemos dizer, imperialista.
O maior exemplo vem do Palmeiras. Mustafá Contursi sofreu sua maior derrota em mais de dez anos em que mandou sozinho no clube e deixou uma instituição outrora pioneira marcada pelo atraso. No Corinthians, Alberto Dualibi perdeu a eleição do Conselho e vê minar a resistência com que comandou os destinos da paixão de milhões como se fosse o quintal de sua casa.
Acho que a chuva de começo de ano está varrendo muita sujeira.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
DESCONCERTANTE!!!!!!
Para algumas coisas na vida eu estou absolutamente despreparado. Hoje aconteceu uma delas. Hora do almoço em casa, enquanto tento vigiar a pestinha simpática que é meu filho mais novo, de 2 anos, ouço da minha filha mais velha, de cinco, a seguinte pergunta: - Pai, posso colocar um piercing?
Quase engasguei com a deliciosa carne de panela com batatas que comia. E ainda não sei o que responder, nem mesmo se devo responder.
Confesso que também fiquei sem palavras ao ver a Seleção Brasileira Sub-20 jogando contra o Chile. Meu Deus!!!!! -, bradaria meu parceiro Milton Leite. O que era aquilo? Um bando, com certeza. Tem gente que, quando quer dizer que um time é desorganizado taticamente, diz que tal time corre feito índio. Engano e desconhecimento. Basta ler um livro clássico e arrepiante, chamado "Enterrem Meu Coração na Curva do Rio", que conta como os índios norte-americanos foram chacinados covardemente, para saber que aqueles índios eram grandes estrategistas militares.
Agora, que a tal Seleçãozinha é um bando, isso é. Por isso eu não entendo a gritaria contra a arbitragem, por certo péssima. O primeiro pênalti não foi, a falta aconteceu fora da área. Mas o segundo, pensemos juntos. E se fosse a favor do Brasil? Se um zagueiro chileno levanta o pé no alto da Cordilheira e depois acerta o pescoço de um bravo guerreiro tupiniquim? Duvido que alguém falaria em lance perigoso.
Já a interpretação da regra é outro caso. Como cada árbitro tem a sua e a regra só é clara pro Arnaldo César Coelho, eu tento me ver no lugar do juiz. Tranquilo, em casa, eu acho que foi jogo perigoso. Lá dentro de campo, vendo aquela cena grotesca, sei não. Ainda mais no último minuto de jogo. Polêmica pura, é verdade, além de um juiz terrivelmente ruim.
Assim como é ruim essa terrível Seleçãozinha. O Chile deu um baile de organização tática e até de qualiade técnica com a bola nos pés. Se não fosse o Chile, um eterno derrotado em termos de futebol, e o Brasil tivesse enfrentado um advesário com mais estofo, teria levado uma surra. Aliás, merecida para quem faz o que alguns jogadores fizeram no final, mesmo em se tratando de um juiz despreparado.
Para algumas coisas na vida eu estou absolutamente despreparado. Hoje aconteceu uma delas. Hora do almoço em casa, enquanto tento vigiar a pestinha simpática que é meu filho mais novo, de 2 anos, ouço da minha filha mais velha, de cinco, a seguinte pergunta: - Pai, posso colocar um piercing?
Quase engasguei com a deliciosa carne de panela com batatas que comia. E ainda não sei o que responder, nem mesmo se devo responder.
Confesso que também fiquei sem palavras ao ver a Seleção Brasileira Sub-20 jogando contra o Chile. Meu Deus!!!!! -, bradaria meu parceiro Milton Leite. O que era aquilo? Um bando, com certeza. Tem gente que, quando quer dizer que um time é desorganizado taticamente, diz que tal time corre feito índio. Engano e desconhecimento. Basta ler um livro clássico e arrepiante, chamado "Enterrem Meu Coração na Curva do Rio", que conta como os índios norte-americanos foram chacinados covardemente, para saber que aqueles índios eram grandes estrategistas militares.
Agora, que a tal Seleçãozinha é um bando, isso é. Por isso eu não entendo a gritaria contra a arbitragem, por certo péssima. O primeiro pênalti não foi, a falta aconteceu fora da área. Mas o segundo, pensemos juntos. E se fosse a favor do Brasil? Se um zagueiro chileno levanta o pé no alto da Cordilheira e depois acerta o pescoço de um bravo guerreiro tupiniquim? Duvido que alguém falaria em lance perigoso.
Já a interpretação da regra é outro caso. Como cada árbitro tem a sua e a regra só é clara pro Arnaldo César Coelho, eu tento me ver no lugar do juiz. Tranquilo, em casa, eu acho que foi jogo perigoso. Lá dentro de campo, vendo aquela cena grotesca, sei não. Ainda mais no último minuto de jogo. Polêmica pura, é verdade, além de um juiz terrivelmente ruim.
Assim como é ruim essa terrível Seleçãozinha. O Chile deu um baile de organização tática e até de qualiade técnica com a bola nos pés. Se não fosse o Chile, um eterno derrotado em termos de futebol, e o Brasil tivesse enfrentado um advesário com mais estofo, teria levado uma surra. Aliás, merecida para quem faz o que alguns jogadores fizeram no final, mesmo em se tratando de um juiz despreparado.
sexta-feira, janeiro 19, 2007
E O VALDÍVIA?
Essa é a pergunta que muitos palmeirenses fazem atualmente. O chileno Valdívia, que chegou ostentando o apelido de Mago, o que esperar dele no Verdão? Ontem mesmo, na saída do Palestra Itália, muitos palmeirenses me fizeram essa pergunta.
Acho Valdívia muito talentoso. Mais do que a média. Ele tem algo que está em falta no futebol mundial: gosta de tratar bem a bola, se preocupa não apenas em jogar bem, mas em fazer bonito. Isso é bom e também ruim. Bom porque espetáculo e belas jogadas são sempre bem recebidos. Ruim porque em alguns meses de futebol brasileiro, Valdívia pode ficar marcado como um atleta pouco objetivo.
Vejo a questão da seguinte maneira: Valdívia ainda não se adaptou ao ritmo do futebol que se joga no Brasil. Aqui a marcação e a qualidade técnica e física de quem marca são muito superiores ao que ele estava acostumado a enfrentar no Chile. É mais ou menos como se o Vadívia estivesse dirigindo a 80 por hora numa estrada em que a velocidade máxima permitida é de 120. Todo mundo passa por ele e reclama. Contra o Paulista, poderia ter feito dois gols e saído consagrado se fosse mais objetivo e simples.
Acredito que com mais algum tempo e a orientação do Caio Jr (um excelente profissional, sério, moderno e dedicado) Valdívia fará em um segundo e com um toque o que ele ainda demora dois, três segundos e alguns toques pra fazer. Por que está evidente que ele sabe fazê-lo.
E O SÃO PAULO SEM O MINEIRO?
Outra pergunta que está na moda. Não vi a boa vitória tricolor sobre o Sertãozinho, então fica difícil falar sobre o jogo. Em linhas gerais, claro que o Mineiro faz falta. Considero o calado volante um craque em sua posição. A questão que o ótimo Muricy Ramalho precisa analisar é um pouco a história do cobertor curto. Recuando o Souza, ele pode formar uma boa dupla de volantes, mas quem será o meia criativo e ousado que o Souza foi em 2006? Com mais alguns jogos veremos o que vai ser feito pelo Muricy. Apesar disso, o São Paulo mostrou força e talento na estréia.
SELVAGERIA E CIVILIDADE NO SUL
Dois exemplos nos chegam do espetacular Sul brasileiro. Um deplorável, o da intolerância e da selvageria de torcedores gremistas que agrediram o ex-presidente e o presidente do Inter. Outro, de civilidade e cavalheirismo, parte da direção do Grêmio, que repudiou a atitude dos vândalos e promete expulsá-los do clube se forem sócios. Assim é que se faz. A dupla Gre-Nal é do Brasil, do mundo, e é muito grande para ficar reduzida a atitudes deploráveis de alguns idiotas.
Essa é a pergunta que muitos palmeirenses fazem atualmente. O chileno Valdívia, que chegou ostentando o apelido de Mago, o que esperar dele no Verdão? Ontem mesmo, na saída do Palestra Itália, muitos palmeirenses me fizeram essa pergunta.
Acho Valdívia muito talentoso. Mais do que a média. Ele tem algo que está em falta no futebol mundial: gosta de tratar bem a bola, se preocupa não apenas em jogar bem, mas em fazer bonito. Isso é bom e também ruim. Bom porque espetáculo e belas jogadas são sempre bem recebidos. Ruim porque em alguns meses de futebol brasileiro, Valdívia pode ficar marcado como um atleta pouco objetivo.
Vejo a questão da seguinte maneira: Valdívia ainda não se adaptou ao ritmo do futebol que se joga no Brasil. Aqui a marcação e a qualidade técnica e física de quem marca são muito superiores ao que ele estava acostumado a enfrentar no Chile. É mais ou menos como se o Vadívia estivesse dirigindo a 80 por hora numa estrada em que a velocidade máxima permitida é de 120. Todo mundo passa por ele e reclama. Contra o Paulista, poderia ter feito dois gols e saído consagrado se fosse mais objetivo e simples.
Acredito que com mais algum tempo e a orientação do Caio Jr (um excelente profissional, sério, moderno e dedicado) Valdívia fará em um segundo e com um toque o que ele ainda demora dois, três segundos e alguns toques pra fazer. Por que está evidente que ele sabe fazê-lo.
E O SÃO PAULO SEM O MINEIRO?
Outra pergunta que está na moda. Não vi a boa vitória tricolor sobre o Sertãozinho, então fica difícil falar sobre o jogo. Em linhas gerais, claro que o Mineiro faz falta. Considero o calado volante um craque em sua posição. A questão que o ótimo Muricy Ramalho precisa analisar é um pouco a história do cobertor curto. Recuando o Souza, ele pode formar uma boa dupla de volantes, mas quem será o meia criativo e ousado que o Souza foi em 2006? Com mais alguns jogos veremos o que vai ser feito pelo Muricy. Apesar disso, o São Paulo mostrou força e talento na estréia.
SELVAGERIA E CIVILIDADE NO SUL
Dois exemplos nos chegam do espetacular Sul brasileiro. Um deplorável, o da intolerância e da selvageria de torcedores gremistas que agrediram o ex-presidente e o presidente do Inter. Outro, de civilidade e cavalheirismo, parte da direção do Grêmio, que repudiou a atitude dos vândalos e promete expulsá-los do clube se forem sócios. Assim é que se faz. A dupla Gre-Nal é do Brasil, do mundo, e é muito grande para ficar reduzida a atitudes deploráveis de alguns idiotas.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
RIO E SÃO PAULO EM CAMPO
Os dois principais campeonatos estaduais do País vão começar. São Paulo e Rio, pela quantidade de times grandes, 4 em cada estado, simbolizam a rivalidade entre os dois estados que têm os maiores números de conquistas nacionais no futebol brasileiro: 15 para São Paulo e 11 para o Rio.
Sobre a rivalidade, acho que no que for saudável, divertido, tudo bem. Sou paulista, caipira do interior. Mas adoro o futebol carioca. Acho que, com todos os defeitos dos Anos Caixa D´Água, a fórmula de disputa do estadual do Rio é saborosa, está na boca do povo, motiva na medida certa. Dois torneios, a Taça Guanabara e a Taça Rio, e uma final se cada torneio tiver um campeão. E o carioca valoriza demais a conquista da Taça Guanabara, da Taça Rio. Esse toque ainda de torneio metropolitano, com os simpáticos times suburbanos, dá um charme especial ao Cariocão.
Em São Paulo há a diferença do Interior, maior e mais rico que o do Rio. Talvez isso tenha motivado um inchaço desnecessário. Vinte times é demais para um estadual, ainda que na região mais rica do País. Isso porque as equipes não enriqueceram no ritmo das cidades. Pior, muitas faliram e agora tentam se reerguer, como a Ferroviária de Araraquara.
Essa herança de uma megalomania nos anos 90 ainda prejudica o Paulistão. Com menos times, 12 ou 14, acho que seria um torneio mais rápido, equilibrado e atraente.
PITACOS
No Rio, acho que o Fluminense pinta como favorito, embora considere o Botafogo um time quase pronto e muito competitivo. Flamengo e Vasco ficam um pouco atrás, já que os rubro-negros terão a Libertadores e o Vasco se reforçou pouco, além de ficar a interrogação sobre o que poderá fazer Romário. E será que os pequenos ou o médio mais simpático do Brasil, o América, poderão aprontar?
Em São Paulo, os grandes estão muito equilibrados. O São Paulo tem uma base e tranquilidade, mas perdeu titulares importantes de 2006. O Corinthians, agora com Nilmar confirmado, tem um ataque que promete, com o protagonista da novela fica-não fica ao lado de Amoroso. O Palmeiras mudou de perfil e parece um time mais equilibrado e forte fisicamente. Por fim, o campeão Santos tem um bom elenco e carece de gente que incomode no ataque.
Pelo que vi dos times do Interior, Noroeste e Marília montaram elencos interessantes, e o Barueri pode surpreender. Claro que tudo na teoria. A partir de hoje em São Paulo e da próxima semana no Rio, a bola vai rolar. E poucas coisas na vida são melhores que isso.
Os dois principais campeonatos estaduais do País vão começar. São Paulo e Rio, pela quantidade de times grandes, 4 em cada estado, simbolizam a rivalidade entre os dois estados que têm os maiores números de conquistas nacionais no futebol brasileiro: 15 para São Paulo e 11 para o Rio.
Sobre a rivalidade, acho que no que for saudável, divertido, tudo bem. Sou paulista, caipira do interior. Mas adoro o futebol carioca. Acho que, com todos os defeitos dos Anos Caixa D´Água, a fórmula de disputa do estadual do Rio é saborosa, está na boca do povo, motiva na medida certa. Dois torneios, a Taça Guanabara e a Taça Rio, e uma final se cada torneio tiver um campeão. E o carioca valoriza demais a conquista da Taça Guanabara, da Taça Rio. Esse toque ainda de torneio metropolitano, com os simpáticos times suburbanos, dá um charme especial ao Cariocão.
Em São Paulo há a diferença do Interior, maior e mais rico que o do Rio. Talvez isso tenha motivado um inchaço desnecessário. Vinte times é demais para um estadual, ainda que na região mais rica do País. Isso porque as equipes não enriqueceram no ritmo das cidades. Pior, muitas faliram e agora tentam se reerguer, como a Ferroviária de Araraquara.
Essa herança de uma megalomania nos anos 90 ainda prejudica o Paulistão. Com menos times, 12 ou 14, acho que seria um torneio mais rápido, equilibrado e atraente.
PITACOS
No Rio, acho que o Fluminense pinta como favorito, embora considere o Botafogo um time quase pronto e muito competitivo. Flamengo e Vasco ficam um pouco atrás, já que os rubro-negros terão a Libertadores e o Vasco se reforçou pouco, além de ficar a interrogação sobre o que poderá fazer Romário. E será que os pequenos ou o médio mais simpático do Brasil, o América, poderão aprontar?
Em São Paulo, os grandes estão muito equilibrados. O São Paulo tem uma base e tranquilidade, mas perdeu titulares importantes de 2006. O Corinthians, agora com Nilmar confirmado, tem um ataque que promete, com o protagonista da novela fica-não fica ao lado de Amoroso. O Palmeiras mudou de perfil e parece um time mais equilibrado e forte fisicamente. Por fim, o campeão Santos tem um bom elenco e carece de gente que incomode no ataque.
Pelo que vi dos times do Interior, Noroeste e Marília montaram elencos interessantes, e o Barueri pode surpreender. Claro que tudo na teoria. A partir de hoje em São Paulo e da próxima semana no Rio, a bola vai rolar. E poucas coisas na vida são melhores que isso.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
A COPINHA E A NOSTALGIA
Na semana que passou fiz uma viagem nostálgica pelo interior paulista. Ao lado de grandes amigos e colegas como Jota Júnior, Bruno Côrtes, Milton Leite, Marco Aurélio Souza e Idival Marcusso, estive em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, para transmissões de jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha.
Impossível não lembrar da infância, do fascínio provocado por times tradicionalíssimos do interior paulista, como Ferroviária, Comercial, Botafogo, América, que sempre eram adversários difíceis para os grandes.
Ganhei um livro que é uma jóia de pesquisa e história: o Almanaque de 60 Anos do América de Rio Preto, dos colegas Milton Rodrigues e Vinícius de Paula. Fichas, fotos, detalhes históricos de um time simpático e tradicional, de uma cidade rica e progressista.
Sou caipira com orgulho, jauense de certidão e baririense de coração. Gostaria de, um dia, ver os times tradicionais do interior novamente fortes, contagiando as cidades. Ferroviária e Santos, em Araraquara, jogo de juvenis ainda, levou muita gente ao belo estádio da Fonte Luminosa. Fica claro que o torcedor interiorano ama o futebol e gostaria de poder ver o time de sua cidade forte, dando trabalho aos grandes, revelando jogadores.
Em Araraquara, soubemos pelo nosso colega Luís Garmendia, da EP TV de São Carlos, que pode pintar uma parceria interessante. O Inter, campeão mundial, consultou a Federação Paulista sobre a possibilidade de fazer uma parceria com o São Carlos e inscrever o time nos campeonatos como Inter de São Carlos, usando a tradicional camisa do time de Porto Alegre. O Inter daria alguns jogadores, dinheiro e ficaria com a prioridade para receber as reveleções do São Carlos. Segundo o Garmendia, o Cruzeiro também teria feito essa consulta.
Pode ser um caminho interessante. Os clubes teriam receita na venda dos jogadores e poderiam contar com bons atletas, além da torcida desses times de camisa e massa. Talvez assim possamos ver estádios enormes como os de Ribeirão Preto e Rio Preto novamente cheios, reformados, convocando novas gerações de torcedores para apreciar essa apaixonante viagem chamada futebol.
Na semana que passou fiz uma viagem nostálgica pelo interior paulista. Ao lado de grandes amigos e colegas como Jota Júnior, Bruno Côrtes, Milton Leite, Marco Aurélio Souza e Idival Marcusso, estive em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara, para transmissões de jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha.
Impossível não lembrar da infância, do fascínio provocado por times tradicionalíssimos do interior paulista, como Ferroviária, Comercial, Botafogo, América, que sempre eram adversários difíceis para os grandes.
Ganhei um livro que é uma jóia de pesquisa e história: o Almanaque de 60 Anos do América de Rio Preto, dos colegas Milton Rodrigues e Vinícius de Paula. Fichas, fotos, detalhes históricos de um time simpático e tradicional, de uma cidade rica e progressista.
Sou caipira com orgulho, jauense de certidão e baririense de coração. Gostaria de, um dia, ver os times tradicionais do interior novamente fortes, contagiando as cidades. Ferroviária e Santos, em Araraquara, jogo de juvenis ainda, levou muita gente ao belo estádio da Fonte Luminosa. Fica claro que o torcedor interiorano ama o futebol e gostaria de poder ver o time de sua cidade forte, dando trabalho aos grandes, revelando jogadores.
Em Araraquara, soubemos pelo nosso colega Luís Garmendia, da EP TV de São Carlos, que pode pintar uma parceria interessante. O Inter, campeão mundial, consultou a Federação Paulista sobre a possibilidade de fazer uma parceria com o São Carlos e inscrever o time nos campeonatos como Inter de São Carlos, usando a tradicional camisa do time de Porto Alegre. O Inter daria alguns jogadores, dinheiro e ficaria com a prioridade para receber as reveleções do São Carlos. Segundo o Garmendia, o Cruzeiro também teria feito essa consulta.
Pode ser um caminho interessante. Os clubes teriam receita na venda dos jogadores e poderiam contar com bons atletas, além da torcida desses times de camisa e massa. Talvez assim possamos ver estádios enormes como os de Ribeirão Preto e Rio Preto novamente cheios, reformados, convocando novas gerações de torcedores para apreciar essa apaixonante viagem chamada futebol.
quinta-feira, janeiro 11, 2007
SERÁ O OCASO DO FENÔMENO?
Leio que Ronaldo Fenômeno caiu em desgraça no Real Madrid. O técnico Capello o considera má influencia para os jovens, entendendo que Ronaldo, em vez de passar conhecimentos futebolísticos, mostra o mapa das minas na noite de Madri. E o futuro do Fenômeno pode ser o Al Itihad, da Arábia Saudita.
Sou totalmente contra o moralismo no futebol, esse moralismo pregado por certos setores da imprensa esportiva, que, houve época, chegaram ao ponto de escalar repórter para cobrir balada noturna só pra ver se tinha craque em campo. Acho que depois e antes do jogo e do treino, cada um cuida da sua vida. Quantas vezes o jogador já não foi pra balada e arrebentou no dia seguinte? Aí ninguém escreve nada. Portanto, cada um na sua.
Talvez boa parte do público não saiba - e jamais daria nome aos bois -, mas tem muito atleta de ponta, de altíssimo nível, que fuma, curte uma cervejinha, um bom vinho, e gosta de dançar, curtir a vida. Claro que isso tudo tem seu preço, acelera o passar dos anos em termos atléticos, mas, pelo menos para mim, não é caso de se crucificar alguém. Cada um paga o preço da vida que leva como e quando quer.
De volta o Ronaldo Fenômeno, fico aqui pensando no seguinte: será que ele não se encheu do futebol? Da vida de treinos, concentrações, entrevistas, estar sempre em forma, dormir cedo e acordar idem? Com um histórico de contusões e recuperações que muitos consideram milagrosas, Ronaldo foi submetido a uma carga de estresse emocional que poucos atletas de alto nível conhecem. Guardadas as diferenças e proporções de esportes e problemas que sofreram, sua volta e consequente conquista da Copa do Mundo de 2002 pode ter paralelo no retorno vitorioso de Lance Armstrong ao ciclismo após um diagnóstico de câncer.
Pois eu acho que o Fenômeno se encheu. Está rico, sabe que precisa conviver com a dor daqui pra frente, que seu corpo ficou forte rápido demais e sem a base necessária para suportar a nova leva de músculos que recebeu, o que acarretará um risco cada vez maior de contusões.
Se é verdade mesmo que topou ir para a Arábia, Ronaldo desistiu de vez do futebol competitivo e profissional e agora vai gozar, com todo o merecimento, do prestígio que acumulou na carreira, se exibindo em praças e menos exigentes no aspecto técnico e físico.
E para mim sobra a pergunta final: que motivação sobraria a Ronaldo para tentar uma derradeira grande temporada? Voltar à Itália? Jogar na ótima liga da Inglaterra? Retornar ao Barcelona? Atuar pelo Flamengo de seu coração? Pena que no meio disso tudo existam as mil e uma noites e a Arábia.
Leio que Ronaldo Fenômeno caiu em desgraça no Real Madrid. O técnico Capello o considera má influencia para os jovens, entendendo que Ronaldo, em vez de passar conhecimentos futebolísticos, mostra o mapa das minas na noite de Madri. E o futuro do Fenômeno pode ser o Al Itihad, da Arábia Saudita.
Sou totalmente contra o moralismo no futebol, esse moralismo pregado por certos setores da imprensa esportiva, que, houve época, chegaram ao ponto de escalar repórter para cobrir balada noturna só pra ver se tinha craque em campo. Acho que depois e antes do jogo e do treino, cada um cuida da sua vida. Quantas vezes o jogador já não foi pra balada e arrebentou no dia seguinte? Aí ninguém escreve nada. Portanto, cada um na sua.
Talvez boa parte do público não saiba - e jamais daria nome aos bois -, mas tem muito atleta de ponta, de altíssimo nível, que fuma, curte uma cervejinha, um bom vinho, e gosta de dançar, curtir a vida. Claro que isso tudo tem seu preço, acelera o passar dos anos em termos atléticos, mas, pelo menos para mim, não é caso de se crucificar alguém. Cada um paga o preço da vida que leva como e quando quer.
De volta o Ronaldo Fenômeno, fico aqui pensando no seguinte: será que ele não se encheu do futebol? Da vida de treinos, concentrações, entrevistas, estar sempre em forma, dormir cedo e acordar idem? Com um histórico de contusões e recuperações que muitos consideram milagrosas, Ronaldo foi submetido a uma carga de estresse emocional que poucos atletas de alto nível conhecem. Guardadas as diferenças e proporções de esportes e problemas que sofreram, sua volta e consequente conquista da Copa do Mundo de 2002 pode ter paralelo no retorno vitorioso de Lance Armstrong ao ciclismo após um diagnóstico de câncer.
Pois eu acho que o Fenômeno se encheu. Está rico, sabe que precisa conviver com a dor daqui pra frente, que seu corpo ficou forte rápido demais e sem a base necessária para suportar a nova leva de músculos que recebeu, o que acarretará um risco cada vez maior de contusões.
Se é verdade mesmo que topou ir para a Arábia, Ronaldo desistiu de vez do futebol competitivo e profissional e agora vai gozar, com todo o merecimento, do prestígio que acumulou na carreira, se exibindo em praças e menos exigentes no aspecto técnico e físico.
E para mim sobra a pergunta final: que motivação sobraria a Ronaldo para tentar uma derradeira grande temporada? Voltar à Itália? Jogar na ótima liga da Inglaterra? Retornar ao Barcelona? Atuar pelo Flamengo de seu coração? Pena que no meio disso tudo existam as mil e uma noites e a Arábia.
sábado, janeiro 06, 2007
2007 PROMETE!!!!!
Feliz 2007 a todos e bom futebol, bom esporte para todos nós, no ano do Pan do Brasil!
Volto ao batente amanhã depois de um período de férias e também da viagem ao Japão, onde tive o privilégio de acompanhar a conquista do Mundial de Clubes pelo Internacional, trabalhando pelo SporTV.
Vem aí a Copa São Paulo de Futebol Júnior, que o SporTV acompanhará. Muitas novidades aparecerão, tomara que a competição volte a ter o charme a importância de outros tempos.
Mas o que está interessante mesmo é o mercado do futebol brasileiro neste início de temporada. Muitas novidades, um vaivém que promete mudar a cara do Brasileirão, tendo como base os estaduais que, atualmente, são uma grande pré-temporada.
O caso do Fluminense é interessante. São 14 contratações até agora, que desenham, na teoria, um time forte e competitivo, de novo favorito ao título carioca. Resta saber se o time vinga no papel e se os apressados dirigentes das Laranjeiras darão tempo a algum treinador para trabalhar. Gosto do estilo do Botafogo atual, com Bebeto no comando e Cuca como treinador. Não é um supertime, mas tem garra e competitividade. O Vasco foi ótimo em 2006, dadas as suas limitações técnicas e econômicas, e volta a apostar em Romário. Sou fã do Baixinho, mas acho que ele emperra os times em que joga no aspecto físico, porque seu ritmo é outro. Nada que anule sua genialidade, mas até os gênios caem de rendimento. O Flamengo segue vivendo entre sonhos e realidade. Se acertar com o Nilmar terá um jogador diferenciado que pode dar outra cara ao time na Libertadores.
Os grandes paulistas estão se mexendo. Gostei das mudanças feitas pelo Palmeiras. Acho que o time está buscando um rumo e, se a política deixar, pode arrumar a casa em 2007 e projetar coisas muito maiores em 2008. Caio Jr. é excelente profissional e os dirigentes que voltam ao clube agora são da época em que o time ganhou tudo nos anos 90, são mais atualizados. Dininho, Nem e Edmílson podem formar uma grande zaga. As outras contratações são apostas, como quase todas, mas o elenco me parece mais equilibrado que o do ano passado.
O Corinthians segue sendo uma incógnita, perdendo jogadores, brigando por alguns que deseja manter e acreditando no carisma de Leão. Tem um bom time, mas nada de excepcional, pelo menos se comparado aos tempos de Tevez e Nilmar.
O São Paulo teve três perdas importantes: Fabão, Danilo e Mineiro. Pode não parecer muita coisa, mas, se lembrarmos que são dez jogadores na linha, é quase 1/3 do time titular que saiu. A "entidade" formada por Mineiro e Josué se desfez e o time deve levar algum tempo para encontrar sua nova cara. Muricy já mostrou que é capaz de remontar o time, como o fez no meio da temporada passada. Resta saber o impacto dessas três saídas no time. Como renderá Júnior sem o suporte de Danilo? Josúe é o mesmo sem Mineiro ao lado? A liderança de Fabão será assumida por quem?
O Santos parece ter pisado no freio das contratações, que foram exageradas em 2006. Mas a tensão permanente entre Luxemburgo e a imprensa santista pode atrapalhar. Luxa é craque, mas não faz milagres. O time perdeu peças importantes e precisa de mais gente no ataque.
A sempre forte dupla gaúcha terá um desafio à parte em 2007. Já imaginaram um Gre-Nal na Libertadores? Seria de arrepiar, de parar o Rio Grande e o Brasil. O Inter é um grande time, o melhor do mundo em 2006, raçudo, competitivo e ciente de sua capacidade, liderado com alma por Abel Braga. O Grêmio ressurgiu poderoso em 2006 e tem em Mano Menezes um treinador capaz de encontrar bons jogadores onde pouca gente consegue enxergá-los.
Em Minas, a volta do Galo à elite serve para turbinar o rival Cruzeiro, que foi às compras. A briga pelo título mineiro deve ser espetacular.
E aí vem o Brasileirão, em maio. Juntemos a toda essa turma, times surpreendentes de 2006 como Paraná e Figueirense. O Atlético Paranaense, o Juventude e os novatos em Série A de pontos corridos Sport, Náutico e América de Natal e está pronta a fórmula.
Continuo afirmando que o Brasileirão é o campeonato mais equilibrado do mundo.
Feliz 2007 a todos e bom futebol, bom esporte para todos nós, no ano do Pan do Brasil!
Volto ao batente amanhã depois de um período de férias e também da viagem ao Japão, onde tive o privilégio de acompanhar a conquista do Mundial de Clubes pelo Internacional, trabalhando pelo SporTV.
Vem aí a Copa São Paulo de Futebol Júnior, que o SporTV acompanhará. Muitas novidades aparecerão, tomara que a competição volte a ter o charme a importância de outros tempos.
Mas o que está interessante mesmo é o mercado do futebol brasileiro neste início de temporada. Muitas novidades, um vaivém que promete mudar a cara do Brasileirão, tendo como base os estaduais que, atualmente, são uma grande pré-temporada.
O caso do Fluminense é interessante. São 14 contratações até agora, que desenham, na teoria, um time forte e competitivo, de novo favorito ao título carioca. Resta saber se o time vinga no papel e se os apressados dirigentes das Laranjeiras darão tempo a algum treinador para trabalhar. Gosto do estilo do Botafogo atual, com Bebeto no comando e Cuca como treinador. Não é um supertime, mas tem garra e competitividade. O Vasco foi ótimo em 2006, dadas as suas limitações técnicas e econômicas, e volta a apostar em Romário. Sou fã do Baixinho, mas acho que ele emperra os times em que joga no aspecto físico, porque seu ritmo é outro. Nada que anule sua genialidade, mas até os gênios caem de rendimento. O Flamengo segue vivendo entre sonhos e realidade. Se acertar com o Nilmar terá um jogador diferenciado que pode dar outra cara ao time na Libertadores.
Os grandes paulistas estão se mexendo. Gostei das mudanças feitas pelo Palmeiras. Acho que o time está buscando um rumo e, se a política deixar, pode arrumar a casa em 2007 e projetar coisas muito maiores em 2008. Caio Jr. é excelente profissional e os dirigentes que voltam ao clube agora são da época em que o time ganhou tudo nos anos 90, são mais atualizados. Dininho, Nem e Edmílson podem formar uma grande zaga. As outras contratações são apostas, como quase todas, mas o elenco me parece mais equilibrado que o do ano passado.
O Corinthians segue sendo uma incógnita, perdendo jogadores, brigando por alguns que deseja manter e acreditando no carisma de Leão. Tem um bom time, mas nada de excepcional, pelo menos se comparado aos tempos de Tevez e Nilmar.
O São Paulo teve três perdas importantes: Fabão, Danilo e Mineiro. Pode não parecer muita coisa, mas, se lembrarmos que são dez jogadores na linha, é quase 1/3 do time titular que saiu. A "entidade" formada por Mineiro e Josué se desfez e o time deve levar algum tempo para encontrar sua nova cara. Muricy já mostrou que é capaz de remontar o time, como o fez no meio da temporada passada. Resta saber o impacto dessas três saídas no time. Como renderá Júnior sem o suporte de Danilo? Josúe é o mesmo sem Mineiro ao lado? A liderança de Fabão será assumida por quem?
O Santos parece ter pisado no freio das contratações, que foram exageradas em 2006. Mas a tensão permanente entre Luxemburgo e a imprensa santista pode atrapalhar. Luxa é craque, mas não faz milagres. O time perdeu peças importantes e precisa de mais gente no ataque.
A sempre forte dupla gaúcha terá um desafio à parte em 2007. Já imaginaram um Gre-Nal na Libertadores? Seria de arrepiar, de parar o Rio Grande e o Brasil. O Inter é um grande time, o melhor do mundo em 2006, raçudo, competitivo e ciente de sua capacidade, liderado com alma por Abel Braga. O Grêmio ressurgiu poderoso em 2006 e tem em Mano Menezes um treinador capaz de encontrar bons jogadores onde pouca gente consegue enxergá-los.
Em Minas, a volta do Galo à elite serve para turbinar o rival Cruzeiro, que foi às compras. A briga pelo título mineiro deve ser espetacular.
E aí vem o Brasileirão, em maio. Juntemos a toda essa turma, times surpreendentes de 2006 como Paraná e Figueirense. O Atlético Paranaense, o Juventude e os novatos em Série A de pontos corridos Sport, Náutico e América de Natal e está pronta a fórmula.
Continuo afirmando que o Brasileirão é o campeonato mais equilibrado do mundo.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
sábado, dezembro 16, 2006
O MUNDO
Sao quase duas semanas longe de casa, a saudade da familia bate forte, mas, antes da final de hoje, da tempo de relatar algumas impressoes finais sobre o Japao.
Primeiro, pra quem nao conhece: eh longe, muito longe. O aviao cruza os ceus a 900 km/h e vao ficando para tras a Europa, a Asia, paises, culturas, um mar de gelo.
Segundo: eh diferente, muito diferente. Prosaicas nuances culturais, tais como comer salada e peixeno cafe da manha. Ou ter um peixe ainda vivo enfeitando seu prato depois de ser devidametne fatiado em sashimis. Uma vontade indestrutivel de ajudar, de ser prestativo e fazer bem feito.
Terceiro: eh rico, muito rico. Nao se ve carro velho no Japao e a capacidade de consumo chega a ser irritante. Das 10 da manha aas 22 hs o japones compra. E muito.
O futebol tem seu espaco, mas o assunto do momento e o beisebol. A ida do arremesador Daisuke Matsuzaka para o Boston Red Sox, por um negocinho de 105 milhoes de dolares.
Quarto: o respeito pelo ser humano e pelo idoso salta aos olhos, em especial pra quem e brasileiro. Aqui ninguem fica velho, mas envelhece, com dignidade e sabedoria, preparando-se para a proxima etapa, a transitoriedade da materia.
Licoes que aprendi.
Sao quase duas semanas longe de casa, a saudade da familia bate forte, mas, antes da final de hoje, da tempo de relatar algumas impressoes finais sobre o Japao.
Primeiro, pra quem nao conhece: eh longe, muito longe. O aviao cruza os ceus a 900 km/h e vao ficando para tras a Europa, a Asia, paises, culturas, um mar de gelo.
Segundo: eh diferente, muito diferente. Prosaicas nuances culturais, tais como comer salada e peixeno cafe da manha. Ou ter um peixe ainda vivo enfeitando seu prato depois de ser devidametne fatiado em sashimis. Uma vontade indestrutivel de ajudar, de ser prestativo e fazer bem feito.
Terceiro: eh rico, muito rico. Nao se ve carro velho no Japao e a capacidade de consumo chega a ser irritante. Das 10 da manha aas 22 hs o japones compra. E muito.
O futebol tem seu espaco, mas o assunto do momento e o beisebol. A ida do arremesador Daisuke Matsuzaka para o Boston Red Sox, por um negocinho de 105 milhoes de dolares.
Quarto: o respeito pelo ser humano e pelo idoso salta aos olhos, em especial pra quem e brasileiro. Aqui ninguem fica velho, mas envelhece, com dignidade e sabedoria, preparando-se para a proxima etapa, a transitoriedade da materia.
Licoes que aprendi.
terça-feira, dezembro 12, 2006
Educar, a unica saida
A melhor conclusao a que chego conhecendo o Japao eh aquela que parece mais obviah: educacao e a saida.
Imaginar que ha 60 anos este era um pais destruido, miseravel, do qual as pessoas fugiam para tentar a sorte no Brasil me deprime. Porque em 60 anos o Japao se transformou nessa potencia humana, economica e tecnologica, e nos demos alguns passos de tartaruga.
Aqui a educacao esta em toda parte, nao apenas na cortesia e na incrivel necessidade de ajudar que norteia os japoneses.
Como desenvolver as melhores maquinas fotograficas digitais, as melhores tvs, os melhores videogames, uma engenharia sofisticada? Simples, com educacao de alto nivel. Formando os melhores profissionais. Educando geracao apos geracao,
Uma amostra deste outro mundo na foto ao lado, o bairro de Akihabara, meca da eletronica em Toquio.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
domingo, dezembro 10, 2006
sábado, dezembro 09, 2006
UM POUCO DE HISTORIA
Na foto ao lado estou encostado numa das traves do Estadio Nacional de Toquio. Foi exatamente nesse gol que as bolas chutadas por Flamengo e Gremio redundaram nos titulos mundiais dessas equipe, em 81 e 83. Tomara que o mesmo gol de sorte ao Inter. E neste estadio que o time enfrentara o vencedor de Auckland e Al Ahli.
Ao fundo, no alto, aparece a pira olimpica dos Jogos de Toquio, em 1964.
O melhor das viagens a trabalho e poder conhecer locais em que a historia do esporte foi e esta sendo construida.
Assinar:
Postagens (Atom)
