sexta-feira, agosto 20, 2010

Efeito Felipão

O resultado heróico conseguido pelo Palmeiras ante o Vitória é reflexo de uma das muitas qualidades de Felipão. Não compartilho da tese de alguns que consideram o técnico apenas um grande motivador. Vejo o gaúcho como um bom montador de times e um treinador sempre atualizado com o futebol que se pratica no mundo.

Mas que Felipão sabe como incendiar (no bom sentido) um time e uma torcida, isso sabe. Seu jeitão é capaz de convencer as pessoas de que os resultados são possíveis. O que não é pouco para um técnico de futebol.

O palmeirense andava rabugento, corneteiro, de mal com o time. Felipão propôs uma trégua, pediu apoio e prometeu suor. O Pacaembu viu uma festa nas arquibancadas como há um bom tempo não via. O torcedor cantou 90 minutos, esteve ao lado do time, foi parceiro, não foi crítico.

Em campo, mesmo sem seus principais jogadores, o Palmeiras controlou o nervosismo, contou com a colaboração de um Vitória acovardado, e partiu para uma pressão incrível. Foram três gols, bola na trave, chances perdida e uma partida impecável de Marcos Assunção.

Com a saída de Pierre, que luta muito mais contribui pouco para a fluência de jogo, Felipão deu mais dinâmica ao time, com Assunção e Tinga saindo, e Edinho protegendo a zaga.

O Vitória deixou a ousadia em Salvador e viveu apenas de Ramón e suas bolas paradas. Pouco para o vice-campeão da Copa do Brasil. Chamou o Palmeiras para o sufoco e se deu mal.

O fico de Neymar

Taí uma notícia que é boa para quem curte uma bola bem jogada. Neymar fica no Santos. Para os padrões brasileiros, já estava rico e ficará ainda mais. Pode ficar riquíssimo quando for para a Europa daqui a alguns anos.

O melhor disso tudo é que o futebol começa a encontrar maneiras de segurar bons jogadores, de repatriar outros. A economia mais forte, o sucesso de parcerias e a melhora na estrutura de muitos dos grandes times faz com que atletas como Fred resolvam ficar no País, que talentos como Neymar aceitem permancer por algum tempo, e que jogadores de ótimo nível como Deco e Deivid retornem.

Enfim, basta ser mais organizado, menos amador, que o negócio se mostra lucrativo. O Brasileirão, pelo menos para mim, já é o melhor campeonato nacional de futebol do mundo e tem tudo para ficar ainda melhor.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Golaço do Cruzeiro

Por falar em Cruzeiro, leio na revista Placar uma matéria que fala da escola que o clube fez para seus jogadores e funcionários estudarem. Com um gasto de apenas 18 mil reais o Cruzeiro conseguiu algo que vale ouro: proporcionar estudo e educação a seus profissionais e funcionários.

Atitude exemplar, que deveria ser seguida e, até mais, cobrada dos governos. Clubes de futebol têm muitas isenções e facilidades e devolvem pouco para a sociedade. Isso se chama responsabilidade social. Melhor do que ficar emprestando dinheiro para vândalo uniformizado. Muito melhor.
Afirmação de Roth e a

consagração de Giuliano


Festa linda da torcida do Inter numa final como costumam ser as finais, dramáticas, brigadas, amarradas.

O nervosismo traiu o Inter na primeira etapa, o time não tocou a bola, tentou correr mais do que precisava. A falha de Bolívar deu a chance do gol de Fabián.

Tensão no Beira-Rio, mas a qualidade do Inter falou mais alto no segundo tempo, além da imprevisibilidade do futebol. Sóbis não estava bem, fora de função, ia sair, mas fez o gol num cruzamento lindo de Kléber. Leandro Damião entrou e fez um golaço.

Mas o toque de classe veio com o gol espetacular de Giuliano, esse craque em formação, em explosão. Estava tudo ali: criatividade, improviso, invenção, técnica e habilidade.

No final, um boboca de um torcedor do Inter que nada tinha que estar fazendo dentro do campo foi provocar os mexicanos do Chivas e deu início àquela lamentável pancadaria.

O Inter deveria identificá-lo pelas imagens da TV e proibir essa mala de ir ao Beira-Rio.

Dois títulos de Libertadores em quatro anos, e o Inter finalmente transformou em futebol o que muita gente já falava há um bom tempo, que o elenco era forte, que era senão o melhor, um dos melhores times.

A reconstrução do clube é exemplar. Do Sul vem a lição para, principalmente, paulistas e cariocas, que deitados em mercados muito mais ricos não conseguem captar recursos ou administrá-los da maneira como o Inter e até mesmo o Grêmio têm feito.

Assim como não se deve esquecer de Cruzeiro e Atlético, com as melhores estruturas de Centro de Treinamento do País.

Prova de que nem sempre ter mais público e dinheiro serve para tratar melhor de ambos.

E finalmente Celso Roth transformou seus muitos bons trabalhos numa grande conquista. Parabéns a ele, que certamente aprendeu com os erros do passado e deve estar aliviado.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Inter e Neymar


Basta ao Inter ser Inter logo mais, no Beira-Rio, para bisar a conquista da América e se firmar como o grande time brasileiro do momento, justificando seu nome profético.

E o que é ser Inter? Tocar a bola, basear o jogo no meio-campo, em toques curtos e rápidos, pressionar a saída de bola do adversário, alugar o campo de defesa do
Chivas. Enfim, jogar como fez em Guadalajara.

O time mexicano até se vira bem fora de casa porque é de contra-ataque, de jogo esticado, rápido. Mas no quesito meio-campo está anos-luz atrás do Inter.

Devemos assistir esta noite à formatura de Celso Roth como grande técnico. Porque ele sabe montar times, estrutura bem seuas equipes, mas por algum motivo, e não sei dizer qual, não vence. Vencendo hoje ele mesmo deve encontrar essa resposta.

British Neymar

Ouço em algum programa de TV, porque de manhã só ouço alguma coisa randômica, não assisto nada, que um jornalista inglês teria dito que Neymar não iria direto ao Chelsea, faria um estágio num clube pequeno. Não entendi direito o que foi falado no programa, mas é mais uma das baboseiras da arrogância européia.

E o Chelsea é o time novo-rico mais arrogante do mundo. Superavalia a si próprio e ao furebol inglês. A bola que se joga no reino de sua majestade só melhorou graças à chegada de estrangeiros. Vimos na Copa que tirando dois ou três, o futebol inglês nativo não anda grande coisa.

Se a força da grana que ergue e destrói coisas belas tirar Neymar do Santos, ele tem tudo para jogar bem em qualquer parte do mundo. Inclusive no arrogante Chelsea.

terça-feira, agosto 17, 2010

Capacitação. Segredo

de sucesso do vôlei


O voleibol brasileiro é referência mundial, líder do ranking da Federação Internacional. Mas nada acontece por acaso. Além do talento, da renovação de sucessivas gerações de atletas, o voleibol trabalha muito forte na capacitação e no aprimoramento dos treinadores.

De hoje até o dia 22 de agosto acontece em Pomerode, Santa Catarina, o Curso Nacional de Treinadores, capitaneado por Ariovaldo Rabello. Conheço o Ari de longa data, treinador de sucesso, competente, com passagens de sucesso por muitos times, como Sadia e Pão de Açúcar . Atualmente é meu parceiro nas animadas peladas de futebol do Clube Paineiras do Morumby.

Como explica o prório Ari: "Às vezes me perguntam o por que do sucesso do voleibol brasileiro. Um dos motivos é a preocupação da Confederação Brasileira em manter a qualidade dos trabalhos dos técnicos, obrigando-os a passar por esses cursoas".

Desde a década de 70 os cursos de capacitação foram instituídos pela CBV. Para se ter uma idéia do nível de exigência, para dirigir uma equipe de voleibol no Brasil até a categoria infanto, um treinador precisa ser professor de educação física com graduação de nível 2. Acima do infanto, apenas com graduação acima de nível 3.

"Isso obriga os treinadores a participarem de todos os cursos e gera um conhecimento multi disciplinar que envolve o treinamento e a direção de equipes. Os cursos são oferecidos e exigidos em todo o território brasileiro".

Mais detalhes podem ser obtidos neste endereço.

segunda-feira, agosto 16, 2010


Taí um golaço!

80 anos de

Luiz Noriega







Um dia especial para mim, para minha família, para uma geração de torcedores de futebol e esportes. Meu querido pai, Luiz Noriega, completa hoje 80 anos de vida. Mais de 50 dedicados ao jornalismo, boa parte desses 50 ao jornalismo esportivo, principalmente como narrador.
Claro que sou suspeito, mas considero meu velho um paradigma de narração esportiva. Além de um exemplo maravilhoso de pai, de amigo, de companheiro e professor.

Agradeço a Deus por ele poder estar aqui comigo, me aconselhando, vendo os netos crescerem, relembrando lindos momentos e ainda trabalhando, como sempre deve ser.

Deixo duas imagens marcantes para mim, agora muito mais como fã do que como filho. As imagens que tenho de meu pai vou atualizar logo mais, dando um abraço e um beijo no próprio.

Como fã deixo aqui uma foto da Copa de 1962, no Chile, na qual Luiz Noriega, pela equipe da rádio Tupi, entrevista o grande Alfredo Di Stéfano. Na imagem aparecem Walter Abrahão e Milton Camargo.

Na outra foto, meu pai é o segundo da esquerda para a direita. O primeiro é Carlos Eduardo Leite, o Dudu. Também aparecem Orlando Duarte e Edvar Simões, que era o entrevistado de mais uma edição do Esporte Opinião, um dos melhores programas esportivos que a TV Cultura já produziu, que ia ao ar às segundas-feiras à noite.

Valeu, pai! Felicidades!

Do filho e do fã!

sábado, agosto 14, 2010



Um lindo estádio no

México. E por aqui?






Estivemos no México, eu, Milton Leite, Edgar Alencar, Raphael Rezende e Rogério Romera, time do SporTV, para transmitir Chivas x Inter.

Impossível deixar de falar no lindo estádio do Chivas. Ainda cheirando a tinta, chamado de Omnilife, uma das muitas empresas de Jorge Vergara, dono do time, ou também de Arena de Guadalajara ou estádio do Vulcão.

Segundo li na imprensa mexicana, Vergara investiu 170 milhões de dólares no estádio. Não apenas para jogos do Chivas, mas principalmente para receber grandes shows musicais. O México é rota frequente de grandes artistas americanos, além de muitos ídolos pop/rock da cena latino-americana e de muitos ídolos locais, como Luís Miguel, Maná e tantos outros.

Por isso a opção pelo gramado sintético, que é muito mais resistente.

Agora, acho que vocês se perguntam tanto quanto eu, porque no Brasil qualquer obra de estádio, seja do zero ou reforma, custa sempre muito mais do que esses 170 milhões de dólares?

Quanto já se gastou em reformas do Maracanã, por exemplo? E vem aí mais uma. Para quê?
Não seria melhor botar abaixo e fazer outro, mais moderno?

Outro detalhe que percebemos em Guadalajara. O estádio não tem frescuras como pisos de mármore. É cimento puro, visual limpo, grandes vãos livres na área interna. Faz reaproveitamento de água e parte dele foi erguida sobre um morro de grama que circunda o campo, para captação e retenção da água da chuva.

As cadeiras são de plástico, há elevadores especiais para deficientes, rede de internet sem fio e os banheiros são limpos e confortáveis, com telas de LCD para que ninguém perca um lance da partida enquanto faz suas necessidades.

Já imaginaram o que aconteceria com umas telas de LCD nos banheiros dos nossos estádios? Se roubam fio de cobre...

Talvez o fato de o estádio e o time terem um dono ajude a evitar que aconteça superfaturamento. Afinal, o cara não vai querer roubar ele mesmo, concordam?

Mas para provar que nós e os irmãos mexicanos temos muitas coisas em comum além da alegria e o amor pelo futebol, o estádio também foi inaugurado inacabado, com acessos precários e obras em andamento. Chegar e sair de lá é complicado como chegar e sair do Engenhão, por exemplo.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Glória e fracasso

de eternos rivais


O futebol provoca os instintos mais primitivos quando se trata de rivalidades. Os deuses da bola, então, adoram aprontar algumas armadilhas para atiçar ainda mais as provocações sadias entre os torcedores de clubes de grande rivalidade.

É ou não é um capricho dos destinos do futebol o fato de o Inter ter gastado a bola em Guadalajara, jogado o fino, colocado uma mão e quatro dedos no bi da Libertadores enquanto o Grêmio era eliminado em casa da Sul-americana pelo Goiás? Justo na estreia de Renato Gaúcho como técnico do time do qual é o maior ídolo.

Que dizer da dupla Fla-Flu? Enquanto o Flamengo emenda uma contratação esquisita atrás da outra, o Fluminense coleciona reforços de sucesso e lidera o Brasileirão com um futebol pra lá de convincente.

Em São Paulo, o Quarteto Fantástico está pintado em branco e preto. O Santos já soma dois títulos na temporada que marca o ano do centenário do Corinthians, que por enquanto passou batido. Mas tem ótimas chances no Brasileirão, e vê os rivais São Paulo e Palmeiras em fase de eliminações reais e virtuais, respectivamente.

Em Minas o Galo está numa tremenda enrascada, enquanto o Cruzeiro navega em águas calmas - de rio, claro.

Na Bahia o Vitória tem feito bonito enquanto o Bahia sonha com a volta ao cenário da elite. No Ceará, o Vozão está onde o Tricolor de Aço sonha estar.

Será que tudo isso ainda vai mudar com o passar dos jogos? Há espaço para reviravoltas, ou o ano será mesmo de quem mostrou mais bola até agora?

quarta-feira, agosto 11, 2010

Inter pronto para

a primeira batalha


Guadalajara (México) - Ontem fui com o amigo Milton Leite acompanhar o treino do Inter no belíssimo estádio Omnilife, ou Arena do Vulcão, em Guadalajara.

Fica clara a certeza de que o Inter chega pronto para a decisão contra o Chivas. Percebe-se entre jogadores, dirigentes e comissão técnica o sentimento de que tudo que poderia ser feito o foi, e agora é deixar que o futebol resolva tudo onde deve ser resolvido, dentro de campo.

Campo que é tema de muitas polêmicas. O gramado é sintético, como os brasileiros conhecem muito bem das milhares de quadras de futebol society que existem no País. Este do Chivas é novíssimo, foi implantado há menos de um mês, nos informou um dos administradores do estádio, preocupado em impedir que pisássemos no gramado.

A grama ainda está alta, fofa, macia. A sensação é bem diferente da de jogar em grama sintética já gasta, mais dura, onde o pé praticamente não afunda. Em Guadalajara muitos jogadores do Inter atuarão com chuteiras comuns, de travas, não as de society, mais baixas. O gramado permite, mesmo sintético, que as travas afundem, já que a grama artifical tem a altura de um bom gramado natural.

Há muita borracha preta triturada protegendo o gramado, daquelas que quebram máquinas de lavar e nossas mulheres e mães praguejam quando tiramos nosas chuteiras de peladeiros. Essa borracha tem como objetivo, além de preservar o gramado, torná-lo um pouco mais lento, amortecendo as quedas e a própria velocidade da bola.

Ainda assim, o ritmo do jogo será outro, porque a bola corre mais e, principalmente, pula mais, já que é a bola de futebol oficial, não a bola de society, aquela mais pesada.

Sobre o time do Inter, pelo que vi do treino, Giuliano vai pro jogo. Está voando, teve o melhor aproveitamento do time nas cobranças de bola parada, não estranhou em nada o garmado. Andrezinho já teve alguns problemas. Giuliano também esteve ótimo nas conclusões.

Celso Roth valorizou muito os lances de cruzamento para a área e as finalizações de média e longa distância, acreditando que o gramado pode trair os goleiros.

Choveu forte em Guadalajara nesta madrugada, o que pode deixar o campo liso, rápido, dificultando o domínio de bola. Agora de manhã não chove, mas o tempo segue nublado, embora neste instante, 10 horas da manhã, comece a abrir.

O Chivas vai completo, exceto pelos desfalques de Esparza, que foi operado recentemente, e Medina, que se contundiu no jogo com o Manchester. É time de toque de bola, rápido, que também enfrentará problemas no gramado sintético, onde atuou apenas uma vez.

Vejo o Inter com mais talento indiviudal para resolver a parada ou levar um belo resultado para Porto Alegre.

Nos vemos logo mais na transmissão do SporTV, com Milton Leite, Edgar Alencar, Rogério Romera e Raphael Rezende.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Rumo a Guadalajara


Viajo nesta segunda para Guadalajara. Quarta-feira o SporTV transmite para todo o Brasil a primeira partida da final da Libertadoers, entre Chivas e Internacional. Com Milton Leite e Edgar Alencar.

sexta-feira, agosto 06, 2010

Trampolim Colorado


Mais do que comemorar a terceira final de Libertadores de sua história e o fato de ser o primeiro time brasileiro a disputar dois Mundiais de Clubes da Fifa neste novo formato, o Internacional festeja seu estabelecimento como instituição de padrão que está à altura de seu nome. O Inter é um time do mundo, definitivamente.

Pelo jeito que as coisas andam no futebol brasileiro, o Colorado dos Pampas é o clube que mais se aproxima do patamar atingido pelo rival que eliminou ontem na semifinal da Libertadores, o São Paulo. Está deixando o Cruzeiro um pouco para trás nessa equação que soma conquistas, presenças constantes em competições internacionais e estrutura fora de campo.

Os outros bicampeões de Libertadores que o Brasil tem, Santos e Grêmio, também ensaiaram essa situação. O Grêmio ao quase tocar o céu com as mãos em 1995 (no que seria o bi mundial) e 2007 (no quase tri da Libertadores), e o Santos em 2003 e, quem sabe agora, com a nova geração de Meninos da Vila.

A diferença do Inter é que como clube ele cresceu demais a partir de 2003, e só por isso pôde montar times fortes e chegar a duas finais de Libertadores num período de 4 anos.

Desta vez, a classificação foi conquistada no Beira-Rio, dada a superioridade mostrada sobre o São Paulo. Mesmo no jogo do Morumbi, quando foi muito mais pressionado, o Inter fez muito mais do que o Tricolor paulsita havia feito em Porto Alegre.

Hoje o Colorado tem mais time, mais opções, um elenco mais equilibrado, motivado e bem treinado que o São Paulo.

Contra o Chivas enfrentará um adversário de toque de bola, boa técnica, entusiasmado e perigoso. Mas tem tudo para bisar a conquista continental e encaminhar uma disputa de Mundial de Clubes que projetaria uma final contra a Inter de Milão.

Tinga fará falta, mas pode perfeitamente ser substituído por jogadores como Andrézinho e, principalmente, Giuliano, numa eventual formação mais ofensiva.

O São Paulo junta os cacos de um momento especialmente complicado. Talvez até mais fora do que dentro de campo. Embriagados pelo sucesso recente, alguns de seus dirigentes acreditaram que a engrenagem tricolor sempre funcionária bem, independente de quem estivesse no comando.

Ainda hoje há gente no São Paulo que teima em não reconhecer a capacidade de Muricy Ramalho. A escolha de Ricardo Gomes para sucedê-lo foi pensada com o firme propósito de mostrar que até um treinador de currículo modesto poderia ser campeão com o São Paulo.

O que graças à falta de equilíbrio do elenco - carente em muitas posições e excedente em outras - o treinador não pôde fazer.

Ainda assim é um time com boa base, capaz de se recuperar. Mas precisa de reforços, de opções para a a lateral direita e para a armação no meio-campo. Resta saber a quem os cardeais são-paulinos entregarão a tarefa de tocar uma necessária reformulação.

quinta-feira, agosto 05, 2010

A segunda década

de ouro do Santos


A brilhante conquista da Copa do Brasil pelo Santos confirma a segunda década de ouro do time da Vila Belmiro.

A nova geração de garotos bons de bola revelada no litoral paulista confirma o ressurgimento proclamado pela turma de Diego e Robinho em 2002.

Desde então, o clube conquistou três títulos de âmbito nacional (os brasileiros de 2002 e 2004 e a Copa do Brasil), três títulos estaduais (2006, 2007 e 2010).

Esse desempenho só fica atrás, na história santista, do período entre 1957 e 1969, quando havia um extraterrestre de nome Édson Arantes do Nascimento no comando da maior geração de craques que este planeta já viu.

É por isso que os santistas devem comemorar, e muito, sua nona conquista nacional. Sim, eu sou daqueles que alguns chamam de antiquados, ultrapassados, mas para mim quem ganhou a Taça Brasil, o Robertão, foi campeão nacional, sim, senhor, não importa a nomenclatura.

Mais que isso, os santistas devem comemorar porque seu time versão 2010 mostrou que é possível sair da mesmice e ser campeão sem um caminhão de cautelas, uma legião de zagueiros e um exército de brucutus.

É possível pensar e executar o futebol de maneira diferente, arejada, ofensiva e nem por isso menos vencedora e competitiva.

Parabéns, ainda, ao Vitória, que jogou com garra, fé, e também é uma equipe que busca o gol, que ataca, que corre riscos. Só não teve a felicidade de contar com talentos à altura do time santista.

quarta-feira, agosto 04, 2010

A semifinal que

virou uma final


O São Paulo x Inter desta quinta-feira vale muito mais do que a presença na final da Libertadores. Por uma dessas muitas aberrações que acontecem no futebol sul-americano e graças à quase eterna falta de capacidade decisiva do futebol chileno, o Chivas Guadalajara está na final da Libertadores.

Como é um time, digamos, convidado, mas que está ali apenas por interesses comerciais, a equipe mexicana não pode alcançar o Mundial de Clubes via continente sul-americano. Ao qual, lembremos, ela não pertence, embora jogue a Copa Libertadores da América - do Sul. Assim como um dia o Japão jogou a Copa América de seleções.

Então, quem passar de São Paulo e Inter estará em Abu Dabi, nova pátria do Mundial de Clubes da Fifa, mesmo que perca a decisão para o Chivas.

Vale muito dinheiro e pode valer a possibilidade de conquistar um título mundial sem precisar ter sido campeão continental.

E, se não estou equivocado e se as coisas na dona Conmebol não mudaram, a final da Libertadores será no Brasil, porque o último jogo, necessariamente, tem que ser em território sul-americano.

Isso deve dar uma vitamina a mais para tricolores e colorados no jogão de amanhã.

O Inter chega mais consistente, mais firme como equipe. O São Paulo sabe que está devendo e depende da individualidade de seus jogadores.

Veremos.

Amanhã falo sobre o campeão da Copa do Brasil de 2010.

segunda-feira, agosto 02, 2010

O jogo que ofuscou

os grandes clássicos


Surpreendente esse Grêmio Prudente x Santos. Quem achava que seria o mico da rodada recheada de clássicos quebrou a cara.

Foi um jogaço, emocionante, bem disputado, e com um final digno de um Gana x Uruguai na Copa, com dois pênaltis perdidos em menos de dez minutos, bolas na trave e belas defesas. Isso tudo com o time reserva do Santos, hein!

Dos superclássicos regionais pouco vi.

Apenas o Palmeiras x Corinthians, pela TV, antes de a bola rolar em Presidente Prudente. Corinthians começou melhor, Palmeiras equilibrou e terminou superior. Paulo César de Oliveira, de novo, foi protagonista de reclamações. Acho que ele não deu um pênalti para cada lado e foi traído pelo bandeira que validou o gol ilegal de Jorge Henrique.

O Gre-Nal até que merecia gols, pelo que vi dos melhores momentos. Mas é pouco para falar mais profundamento do jogo. Sei que o Inter deve brigar pelo título, e o Grêmio tem time para dar uma reviravolta.

Assim como vi um Atlético encarando bem o Cruzeiro, mas perdendo muitas chances quando dominou. Depois que as coisas se equilibraram, de novo tendo como base os melhores momentos, o Cruzeiro fez um gol espetacular com Welington Paulista, e provocou grandes preocupações no rival e em Luxemburgo, que não consegue decolar.

No Maracanã, os melhores momentos mostraram uma atuação antológica do goleiro vascaíno Fernando Prass, dessas que devem ser emolduradas. Coisa de cinema.

domingo, agosto 01, 2010

Flu mostra sua força


Vi a convincente vitória do Fluminense sobre o Atlético Paranaense por 3 a 1 aqui de Presidente Prudente, na transmissão do SporTV, Luiz Carlos Jr., Lédio Carmona, Bruno Côrtes e Janaína Xavier.

Os adversários devem olhar com muita atenção para esse time do Flu. É fortíssimo candidato ao título. Tem muita gente boa para Muricy trabalhar. Conca, por exemplo, é um sonho antigo do treinador. Meia canhoto com a visão de jogo desse argentino é coisa rara. Tendo à sua disposição atacantes como Fred e Washington, que podem, sim, jogar juntos, fica ainda melhor para Conca.

Alan , Marquinho, Carlinhos, o próprio Belletti, enfim, o Flu tem um belo elenco que pode dar samba.

A meu ver apenas o trio de zagueiros ainda está um pouco abaixo da média do time. A bola passa com perigo perto do gol tricolor muitas vezes nos jogos, os cruzamentos sempre levam perigo. Mas defesa é o forte de Muricy, ele certamente trabalhará isso.

A nação tricolor carioca comprou essa idéia, tem ido em peso aos jogos, empurra o time.

Esses fatores somados fortalecem qualquer equipe.

Não vai ser fácil para ninguém trombar com o Fluminense pelo caminho.

quinta-feira, julho 29, 2010

1 a 0 é muito ou

pouco? E 2 a 0?


Sempre que pinta uma mata-mata e o time que joga a primeira em casa vence por 1 a 0 ou 2 a 0 aparece a discussão. 1 a 0 é pouco? E 2 a 0, garante vitória no confronto?

Durante o Arena SporTV de quarta-feira, no belíssimo Museu do Internacional, em Porto Alegre, Falcão combateu essa ideia de que deve-se jogar fora de casa para perder de pouco ou empatar sem gols. Também acho.

Time grande tem que jogar para ganhar, fazer gols, seja onde for a partida.

Temos como exemplo Inter x São Paulo. Se formos analisar o volume de jogo, 1 a 0 foi pouco para o Inter, que jogou mais, buscou mais. O resultado parece pequeno, no entanto, quando se analisa o retrospecto entre as equipes e o fato de o São Paulo, historicamente, ser muito forte no Morumbi.

Mas pode ser suficiente quando se coloca na mesa o aspecto do futebol. O São Paulo vem jogando uma bolinha ruim de doer, não ganha faz cinco jogos e precisa construir uma diferença de dois gols, desde que não sofra nenhum, para chegar à final da Libertadores.

Então, parece pouco ou muito o que fez o Inter? Depende do otimismo do torcedor e de uma série de outros fatores. Só o futebol jogado não assegura coisa alguma. Mas já é um fator considerável. Nesse ponto o Inter conseguiu um ótimo resultado.

Desde que jogue bem em seu território, o São Paulo pode tranformar esse resultado em algo que foi pouco para o Inter, concordam?

Há jogadores que podem decidir em ambos os lados. Giuliano, do Colorado, é uma jóia rara. Hernanes, apagado no Beira-Rio, pode alavancar o Tricolor. Sandro está jogando demais, assim como Alex Silva. Se Renan pouco trabalhou, Ceni mostrou que está, de novo, em grande fase.

Já nos bancos há pouco a discutir. Celso Roth deu cara de time ao Inter. Ricardo Gomes por enquanto deu apenas cara de conteúdo a suas entrevistas.

E na Vila?

Foi suficiente para o Santos? Talvez seja, se a equipe repetir o bom futebol mostrado diante do Vitória na primeira decisão. Parecia o Santos encantador do primeiro semestre. O Vitória foi apático, nem de longe lembrou o time que certamente voltará a ser no Barradão.

Agora, virar para 3 a 0 um placar de 2 a 0 não é bolinho. Principalmente sabendo que será preciso oferecer o contra-ataque a um time que tem Ganso, Robinho, André e Neymar.

E por falar em Neymar, quanta patrulha por causa de um pênalti! Torcedores e jornalistas costumam ser imediatistas. Se faz o gol é artista, se perde é moleque. Devagar com o andor. Se tiver outro pênalti, Neymar tem que bater do mesmo jeito se achar que deve.

terça-feira, julho 27, 2010

Como eu vi a

lista do Mano


O gaiato diria, com os olhos, claro! Trocadilhos à parte, gostei do que Mano soltou ontem em seu primeiro capítulo à frente da seleção.

Todo treinador tem suas cismas e manias. Ou apostas, como preferirem. O Jucilei, volante corintiano, é uma delas. Mano aposta demais no cara, por isso pega tanto no pé dele. Seria mais lógico que o Elias fosse chamado, ou até mesmo o Cristian, que jogaram com ele no Corinthians. Como foi o Lucas, ex-Grêmio.

Mas outra leitura da lista é a questão da idade, de se pensar na seleção olímpica, na longevidade de cada jogador.

Há contusões, como as de Fred, certamente uma barbada em futuras convocações.

Também temos os jogadores que foram à Copa e podem estar recebendo um descanso pela temporada cansativa na Europa.

Renovação, eu sempre achei isso, se faz do pior para o melhor. Não apenas pela idade. Se tem um cara de 21 anos que joga mais que o de 29, aí, convoca. Mas se um de 20 ainda não está no nível de um de 27, 28, que espere sua vez.

Enfim, é dar tempo ao tempo.

segunda-feira, julho 26, 2010

Mano, versão nacional

A partir das 16 horas de hoje saberemos qual será o perfil de largada da nova seleção brasileira, agora sob o comando de Mano Menezes.

Acredito numa convocação até certo ponto política, não no sentido de agradar alguém, mas de mostrar que é um trabalho aberto a uma nova composição de forças, dando mais ênfase ao futebol que se joga no Brasil, mas sem desprezar o que acontece lá fora.

O treinador da seleção deixou o Corinthians na ponta do Brasileirão, um time que oscila como qualquer outro, mas que geralmente joga bem. É mais solto do que o padrão atual, embora também seja uma equipe competitiva.

A maior diferença em relação a Dunga, a mais imediata, deve ser no meio-campo. Dunga via o da seleção à sua imagem e semelhança, um bando de guerreiros, com facas nos dentes, brigando o tempo todo pela bola e sem dar tanta importância ao que fazer com ela depois de recuperada.

Os times de Mano têm volantes que marcam bem e sabem jogar. Como Cristian e Elias foram no Corinthians e Lucas foi no Grêmio. O futebol de hoje não permite mais volantes apenas medianos. O jogo passe demais pelos pés desse tipo de jogador. Espanha está aí para provar.

Imagino uma convocação que tenha Paulo Ganso, Neymar, mas preserve alguns jogadores do time eliminado na África do Sul, até para evitar uma imagem de ruptura.

Em suma, aguardemos.

Grandes com cara de médios

Atlético Mineiro, Grêmio, Botafogo, São Paulo, Vasco, Palmeiras e Santos. Esse grupo de gigantes do futebol brasileiro vive um momento, digamos, mediano.

Alguns frequentam a zona de rebaixamento, outros a observam com temor, muito próximos.

A queda de rendimento do São Paulo foi brutal. O Santos também está longe de encantar. Luxemburgo não consegue tirar muita coisa do Galo, Felipão ainda não venceu com o Palmeiras, Joel tira sangue do Fogão, assim como PC Gusmão do Vasco. Silas patina no Grêmio.

Enquanto isso, o Ceará segue firme, surpreendendo a todos.

Seria essa a nova ordem nacional? Vamos esperar um pouco, o segundo turno costuma ser traiçoeiro.

sábado, julho 24, 2010

Boa sorte, Mano!

Mas e o entorno?


Era Muricy, acabou sendo Mano.

Dois grandes treinadores, ambos em condições de aceitar o desafio.

Mas o que interessa é saber se a seleção brasileira vai mudar no seu íntimo, na sua gestão.

Se continuaremos vendo amistosos pouco atrativos, se haverá interferência ou determinação para convocação ou não de certos jogadores.

É emblemático que o treinador seja confirmado numa sexta tendo que convocar na segunda.

Outras questões que ficam abertas?

E a seleção olímpica? O treinador da principal poderia assumir esse compromisso também, até para ficar em atividade. Porque não deve ser nada bom para um técnico de futebol trabalhar só de vez em quando, como faz o treinador da seleção brasileira.

Quem será o diretor de seleções e da seleção?

Rodrigo Paiva, competente diretor de comunicação, estava ao lado do presidente da CBF na conversa com Muricy. Será ele o homem-forte?

Enfim, o tempo dirá.

Boa sorte a Mano Menezes. Com uma Copa América na Argentina logo de cara, ele vai precisar. Competência já mostrou ter.

quinta-feira, julho 22, 2010

A bola chama de

volta ao trabalho

A Copa já é passado, uma linda lembrança. Após alguns dias de folga com a família, é hora de voltar ao trabalho.

Domingo comento Ceará x Palmeiras, 18h30, em Fortaleza, pelo SporTV, tendo o prazer de reencontrar os amigos Jota Júnior e Marco Aurélio Souza e a equipe amiga do Ceará.

Quarta-feira o destino é Porto Alegre, para o primeiro duelo das semifinais da Libertadores, entre Inter e São Paulo, com Jota Júnior, Edgar Alencar e a equipe amiga do Sul.

terça-feira, julho 20, 2010

A coluna desta terça

no Diário de S.Paulo


Tricolor e Peixe em alerta

A pausa para a Copa do Mundo fez mal a São Paulo e Santos. O futebol eficiente e objetivo mostrado pelo Tricolor nos dias que antecederam o Mundial da África virou pó. Assim como o alegre virtuosismo dos meninos da Vila.
O caso são-paulino provoca maiores preocupações. Ricardo Gomes ainda não conseguiu dar sua cara ao time. Tanto que o bom momento vivido lá pelos idos de maio era, no fundo, no fundo, uma cópia do que o time fazia nos tempos de Muricy Ramalho. Defesa forte, baseada na trinca de beques, contra-ataque rápido, muito cruzamento para a área e um grande goleiro sustentando tudo isso.
Acontece que o rastro do trabalho de Muricy já é quase imperceptível. As sucessivas falhas cometidas pela zaga, coisa rara, comprometem a instabilidade do time. Persiste a falta de opções para o lado direito, ainda mais com a saída de Cicinho. Além do velho drama: a inexistência de um organizador pelo meio, função à qual Cléber Santana não se adapta.
Gomes tentou, mexeu daqui, dali, ensaiou um 4-4-2, mas fica a cada dia mais difícil encontrar seu DNA no Morumbi.
Já o Santos trocou o sorriso pela cara fechada. O que era um prazer dá a impressão de ter se transformado em estorvo. É óbvio que toda novidade depois de um tempo vira notícia antiga. Assim foi com o Peixe. Agora os adversários já sabem de cor e salteado duas teses que incomodam o time de Dorival Júnior. O Santos não gosta de ser atacado e tem ainda menos apreço por adversários que reduzem os espaços, marcam duro no meio e apostam num contra-ataque fatal.
Ainda há tempo para que tricolores e santistas se acertem antes dos duelos decisivos contra Internacional e Vitória, respectivamente pela semi da Libertadores e final da Copa do Brasil. Além de se posicionarem melhor na disputa do Brasileirão.
Mas ambos dão pinta de que fizeram mau uso do tempo em que a Jabulani rolou una terra do grande Nelson Mandela.


Nó tático

Felipão dá outro status ao Palmeiras, mas não é Sassá Mutema, o inesquecível personagem a que Lima Duarte deu vida na novela O Salvador da Pátria. Não basta um técnico vencedor para acabar com o ranço perdedor do atual time do Palmeiras.
Pelo Palestra passaram recentemente Luxemburgo, Muricy e agora Felipão. Três dos melhores técnicos do futebol atual. Mas continuam jogadores de pouca qualidade técnica, que se escondem nos momentos decisivos das partidas e se recusam a assumir posições de protagonismo.
Em termos mais futebolísticos e menos psicológicos, falta um bom primeiro volante que saiba jogar e não apenas fazer faltas, um atacante de velocidade, um zagueiro rápido na recuperação e um meia veloz.
Sem isso, nem se juntar no banco o maior time de catedráticos do futebol o Palmeiras sairá do atual momento meio de tabela.


Quem será nosso apito em 2014?

Além das dúvidas sobre estádios e aeroportos, uma outra aflige o futebol brasileiro para a Copa de 2014? Quem será o árbitro brasileiro em nossa segunda Copa? Com a saída de cena de Carlos Eugênio Simon, o cenário é nebuloso. Não há unanimidade entre os principias sopradores de apito nacionais. Também falta, no fundo, um apito que soe incontestável.


Muda o técnico, mas os amistosos...

Até o final da semana a seleção brasileira terá um novo treinador. Mas o esquema de amistosos dificilmente será alterado até a Copa de 2014. Os adversários, em sua maioria, serão equipes do segundo escalão mundial, com uma exceção aqui, outra acolá. Seguirá sendo o modelo comercial, e não o esportivo, a definir a agenda.

Os Manos aceitarão?

Líder invicto do Brasileirão, um time que perde pouco e tem chegado muito. Será que os Manos, o bando de loucos, enfim, os milhões de corintianos aceitarão passivamente uma eventual convocação de Mano Menezes para comandar a seleção brasileira com o time em céu de brigadeiro?

sexta-feira, julho 16, 2010

Tempo para reciclagem.

Antes, uma resposta.


Uns dias para ficar em casa, matar a saudade da família e não falar de futebol. Em breve volto ao batente e ao blog.

Mas para refletir em casa, deixo uma mensagem a um blogueiro que aqui postou dizendo que pendia sobre a minha cabeça o comentário na final da Copa em que dizia que o Iniesta estava mal e uma boa possibilidade era a saída dele para a entrada do Fernando Torres.

É fácil falar depois do acontecido, mas se alguém acha que o Iniesta jogou bem durante os 90 minutos até a saída do De Jong, viu outro jogo. Iniesta arrebentou na prorrogação, quando a Holanda tinha um homem a menos e De Jong havia saído. E Iniesta é craque.

Duvido que o blogueiro lembre que antes de a bola rolar eu disse que o jogador espanhol que mais havia crescido de produção na Copa era o Iniesta. É mais fácil ser cabotino e lembrar de das derrotas, nunca das vitórias.

Se eu quisesse ser cabotino, teria dito na transmissão que quem inicia a jogada do gol da Espanha é Fernando Torres, que cruza a bola para a área, até que ela seja rebatida e caia nos pés de Fábregas.

Mas não sou cabotino.

domingo, julho 11, 2010

África fez uma Copa campeã


Claro que houve problemas. Algumas cidades sem condição alguma, aeroportos precários, falta de rede hoteleira apropriada. Houve o caos nos aeroportos de Cape Town e Durban nos dias das semifinais.

Mas para mim, após 40 dias de África, posso afirmar tranquilamente que a nossa terra-mãe, o continente de onde todos nós viemos, fez uma bela Copa do Mundo. Belíssima!

A alegria com que essa gente sofrida, a maioria negra da população africana, recebeu a todos e celebrou a presença do maior evento esportivo do mundo em seu solo foi contagiante.

Até mesmo o mais fanático dos africâneres deixou um pouco seu amado rúgbi de lado para se render ao futebol.

É preciso lembrar que estamos no país mais rico do continente mais pobre do mundo. O que reforça o fato de estarmos no continente mais pobre.

Foi emocionante perceber como a África abraçou a Copa como se fosse dela, não apenas da porção outrora branca do continente negro.

Confesso que me doeu na alma o fato de a equipe sul-africana não ter passado para as oitavas, mesmo tendo jogado um futebol de bom nível contra México e França.

Hoje, na final, esse destino, sempre aprontado das dele, colocou a Holanda, a terra dos colonizadores boêres, que tanto oprimiram os negros sul-africanos, na decisão.

Juro a todo mundo que lê essas linhas que não ouvi uma palavra de vingança dos negros sul-africanos, um desejo de que a Espanha retribua com fúria, dentro de campo, tudo que eles sofreram.

Eu diria que o sorriso perene de Nelson Mandela, um dos maiores seres humanos que já caminharam por esse planeta, é a marca registrada de uma Copa que marcará para sempre.

sábado, julho 10, 2010

A melhor seleção do mundo



Independentemente de quem vencerá o duelo deste domingo no Soccer City, a melhor seleção do mundo na atualidade é a da Espanha. Ainda que perca para a Holanda, o time espanhol terá completado um período de bom futebol que vem desde a Eurocopa de 2008.

A Espanha é o time mais regular e fluente da bola planetária. Perdeu pouco no período e manteve o estilo de jogo, mesmo tendo mudado de técnico.

Desde o dia em que bateu a Alemanha por 1 a 0, em Viena, a Espanha vem lutando contra o desdém dos críticos e dos adversários, que jamais a viram como uma seleção grande. A falta de um título mundial, se ele não vier neste domingo, continuará contribuindo para esse julgamento.

Mas acho que nenhuma equipe foi tão regular e eficiente como esse conjunto espanhol nos últimos dois anos.

O toque de bola refinado, a segurança e o entrosamento são a cara da Fúria versão século 21. Não vejo time hoje no mundo que compartilhe do posicionamento perfeito demonstrado pela Espanha. Os jogadores se aproximam com grande facilidade, trocam passes como se estivessem de olhos fechados, sem se preocupar com distância.

Falta apenas a essa equipe espanhola o instinto definidor (não quero usar o termo matador), aquela visão do toureiro na hora de resolver a tourada. Talvez seja por conta da contusão de Torres, ou até mesmo pela personalidade da equipe, que gosta tanto da troca de passes que exagera na hora de dar o último toque.

A Holanda tem seus méritos, claro. Não perde há quase dois anos, fez uma Eliminatória impecável, tem ótimos jogadores, um candidato a craque da Copa, Sneijder. Mas não flui como a Espanha, é mais conservadora, menos arejada.

Por isso resolvi escrever isso. Ainda que dê Holanda, como não sou resultadista juramentado, a melhor seleção do mundo nessa época em que vivemos é a da Espanha.

quinta-feira, julho 08, 2010

O Oitavo Elemento


Domingo o futebol conhecerá um novo campeão mundial, que se juntará aos sete ganhadores históricos anteriores, Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Françae Inglaterra.

Este oitavo elemento pode não trazer revoluções em termos de tática, nem um craque excepcional, mas tanto Holanda como Espanha, quem for o campeão, estará injetando ar fresco no jogo de bola.

No que se refere à visão geral dos sete países que já tinham conquistado a Copa, Holanda e Espanha sempre foram tratados com algum desdém. Principalmente por nós, brasileiros, sejamos jogadores, técnicos, torcedores ou jornalistas.

Quantas vezes nos pegamos chamando a Espanha de amarelona e a Holanda de time pequeno com panca de grande, eterno vice etc?

Ainda hoje vejo muitas opiniões que depreciam a campanha da Holanda e tentam chamar de casual a vitória sobre o Brasil nas quartas-de-final. Chegar a uma decisão de Copa vencendo todos os jogos não é pouca coisa. Assim como virar um jogo em cima do Brasil em um Mundial.

Fora isso, a Holanda mantém um saudável compromisso com um jogo de boa técnica, com atacantes que jogam como pontas em muitos momentos. Ato corajoso nesses tempos de cada vez mais competitividade no futebol.

A Espanha certamente é uma das seleções mais prejudicadas da história da Copa do Mundo. Em algumas ocasiões saiu prejudicada e o favorecido foi o Brasil. Ou a Itália, ou a Coréia do Sul.

Sempre sustentou uma aura de favoritismo que por duas vezes na história conseguiu justificar, nos títulos europeus de 1964 e 2008.

É um país de grande importância futebolística, pátria de duas multinacionais gigantescas do esporte, Real Madrid e Barcelona. Conta com uma geração rara de se formar. Também é louvável que mantenha um meio-campo absoultamente técnico, que consiga jogar trocando passes, sem apelar para chutões e afins.

Sobre o jogo de domingo, acho que a Espanha tem mais repertório, um número maior de jogadores que podem decidir o jogo.

Sobre a Holanda, escrevi uma citação do Brasil de 1994 que algumas pessoas não entenderam. Não falo de sistema de jogo, já que há grandes diferenças. É a ideia básica do time que abre mão de um histórico instinto ofensivo em prol de mais segurança, apostando em dois atletas que podem decidir: Robben e, principalmente, Sneijder.

A oitava cadeira dessa academia mundial da bola terá um ocupante digno no próximo domingo, em um estádio convenientemente chamado de Cidade do Futebol. Qualquer resultado será merecido.

quarta-feira, julho 07, 2010

Holanda com pinta

de Brasil de 1994


A Holanda é a primeira finalista da Copa da África. Venceu todos os seis jogos que fez na Copa. Mesmo assim , muita gente se recusa a reconhecer os méritos do time holandês.

Para mim, essa Holanda versão 2010 tem em sua proposta de jogo algo que remete ao time brasileiro campeão em 1994.

Não comparo os times e seus jogadores em termos táticos e individuais, mas em relação à postura. Essa Holanda abre mão de ofensividade e agressividade em prol de mais segurança em busca do resultado.

É uma equipe que opta por não imprimir um ritmo forte ao jogo. Pelo contrário. Cadencia, arrefece, em vez de incendiar, como sempre foi seu estilo.

As entrevistas dos jogadores holandeses deixam isso muito claro. Eles falam que em várias ocasiões o time holandês, historicamente, foi agressivo, jogou ofensivamente e não venceu a Copa do Mundo.

Há um certo exagero nisso, pois muitas seleções venceram jogando ofensivamente, mas sendo equilibradas.

Acho o time holandês bom, com alguns jogadores muito bons, um exclelente, Robben, e um craque, Sneijder.

Sneijder é aquele tipo de jogador que pega o jogo e põe embaixo do braço, praticamente obriga os outros 21 em campo a atuarem dentro do seu ritmo. Arma, lança, dribla, desarma e faz gols. Brasileiro chama de craque gente que não faz a metade disso, mas reluta em reconhecer esses méritos em um estrangeiro.

Contra o Uruguai, novamente, a Holanda não foi espetacular. Mas foi fatal e teve novamente Sneijder inspirado e um Robben mais ligado.

Acho que o segundo gol foi irregular, Van Persie estava impedido e interferiu na jogada, chamou aatenção do goleiro Muslera. No primeiro, não vejo como falta a ação de Van Bommel. Lugano, o bom zagueiro uruguaio que não jogou ontem, faz aquilo toda hora, por exemplo.

Resta agora saber quem enfrentará a Holanda. A velocidade do contra-ataque extremamente técnico danova geraçã alemã, ou o time de toque de bola preciso e envolvente da Espanha?

Quem me contará essa história serão os amigos Luiz Carlos Júnior e Lédio Carmona, na transmissão do SporTV.

segunda-feira, julho 05, 2010

Parreira e a Copa


Telefono para o Parreira, uma das melhores conversas sobre futebol que existem. Interrompo um jantar dele em Durban, mas, educadíssimo como ele é, me atende.

Seguem algumas das idéias do treinador da África do Sul em 2010 sobre a Copa africana.

Qual a cara da Copa?

"Nesse momento da competição, os times mais consistentes, melhores tecnicamente e mais organizados se impõem. Alemanha, Espanha, Holanda. Eles têm qualidade, bons jogadores experiência e juventude equilibrados"

Alemanha

"Almoçei com o Beckenbauer e ele disse que ninguém esperava que esse time alemão rendesse o que está rendendo. Há jogadores tarimbados e jovens da base que foram campeões europeus e não se assustaram pela importância da competição. Juventude com qualidade e personalidade. E a história alemã por trás"

Uruguai, Holanda...

"O Uruguai tem uma entrega maravilhosa, e uma dupla de ataque diferenciada, com Forlán, e Suáerez"

"A Holanda fez uma eliminatória maravilhosa. Tem pelo menos quatro jogadores de peso e muita qualidade técnica"

Surpresas e fracassos

"Certamente essa é a Copa que está apresentando o maior número de surpresas nos últimos tempos"

"Não é a primeira vez que grandes craques não conseguem jogar bem na Copa. Em 2002, a França era favorita e seus grandes jogadores chegaram esgotados, exauridos. Eles têm uma temporada desgastante nos clubes e chega a hora da maior competição, estão podres"

"Em 2006, Ronaldinho jogou até 17 de maio e se apresentou dia 22 para a seleção, ele não tinha reserva física e anímica. Messi estourou na Champions e agora está abaixo do que vinha jogando. Rooney também chegou ao auge na Champions. As equipes também não foram bem. Futebol se ganha em equipe, e os times não ajudaram os grandes jogadores"

sábado, julho 03, 2010

E a Alemanha, hein?

Quem diria que veríamos a Alemanha jogando como o Brasil dos bons tempos? Pois está tudo lá. Um time que toca bem a bola, que ataca com eficiência, que dribla, que tabela.

Nem sei se vai ganhar, mas essa Alemanha já merece o título de melhor time da Copa 2010. Deu pena da Argentina, foi encurralada, atropelada e goleada sem dó.

Mueller tem tudo para ser craque, assim como Oezil. Schweinzteiger, para mim, já é.

E Maradona prova que aquela máxima de que quem jogou bola sabe é uma grande besteira. Saber jogar é uma coisa, e Diego sabia demais.

Agora ver o jogo pelos olhos de um treinador é outra história.
O jogo da vida


Daqui a muito tempo eu vou sentar com minha mulher e meus filhos e contarei a eles do dia 2 de julho de 2010 em Joanesburgo, África do Sul.

Vou dizer que eu estava lá, que eu vi tudo.

Uruguai e Gana será durante muito tempo, e talvez até para sempre, meu jogo de futebol inesquecível.

Como disse meu amigo Milton Leite, nem o mais maluco roteirista de Hollywood imaginaria algo como o que aconteceu no Soccer City.

Um pênalti cometido no último segundo de jogo. Este pênalti perdido pelo melhor jogador do time, e uma decisão com a última penalidade cobrada de maneira genial (ou maluca) por um louco sensacional.

Este Gana e Uruguai é daqueles jogos que não acabam nunca. Este será jogado por décadas, está arquivado na memória deste e de milhões de fãs desse jogo de doidos, mas inigualável, chamado futebol.

A Fifa deveria dar uma medalha para todos os jogadores de Gana e Uruguai para homenageá-los por esse épico.

E que dizer de Luís Suarez? Seria ele a mão santa uruguaia? Porque recordemos que a falta é um recurso do jogo e ele foi punido como deve ser. Naquele momento ele cometeu um ato quase de desespero, que o transformaria em vilão, mas que segundos depois o projetou como herói do uruguai.

E que dizer de Gyan, talvez o melhor jogador de Gana? Estancou em minha memória a série de imagens dele chorando e se dirigindo ao torcedor de Gana quase que implorando por perdão.

Não há porque pedir perdão. Grandes jogadores perderam pênaltis. Ele certamente não dormirã por muitos dias, mas quando conseguir, terá a consciência dos que fizeram tudo que poderiam ter feito. Então dormirá tranquilo.

Mas também jamais esquecerá o 2 dejulho de 2010 no Soccer City.

sexta-feira, julho 02, 2010

Amor à camisa



É o que fizeram Uruguai e Gana. Sem precisar de discurso. Quem ama uma camisa não precisa ficar lembrando disso a toda hora. Apenas ama.
2006, versão 2010

Deu tudo no mesmo


O Brasil jogou um grande primeiro tempo e um segundo tempo ridículo. Perdeu para um bom time, com grandes jogadores. Só não admite isso quem é muito pacheco ou não entende nada de futebol. Dizer que o time da Holanda não tinha jogado bem e era fraco só pode ser brincadeira de mau gosto.

A verdade, infelizmente, é que quando o Brasil precisou do chamado plano B, ele não existia. Enquanto dá tudo certo, entram em campo os profetas do futebol de resultado, do que importa é ganhar e outras bravatas.

O Brasil tomou o gol de empate e se perdeu, psicologicamente naufragou. Aí o treinador olhou pro banco e viu quem para mudar o jogo? Alguém do seu exército de volantes que foram à Copa como gratidão pela Copa América? Quem era o jogador de meio-campo que poderia segurar a bola e acalmar o time? Júlio Batista?

Quantas vezes o Brasil inteiro alertou para o desequilíbrio emocional de Felipe Melo? Agora jogar tudo em cima dele é sacanagem. Quem o escala, vê o que está acontecendo em campo e não o tira do jogo, também deve ser responsabilizado.

Nunca o Brasil foi a uma Copa do Mundo com um meio-campo tão pouco criativo.

Elano fez muita falta? Claro que fez. Mas porque não havia no banco ninguém capaz de suprir essa ausência?

Lembremos da seleção de2006, tão atacada e criticada. Aquele grupo ganhou a Copa América, ganhou a Copa das Confederações e com toda a bagunça que foi na Alemanha, parou nas quartas-de-final. O aquartelado e raivoso time de Dunga fez exatamente a mesma campanha. Ganhou Copa América, Confederações e parou nas quartas-de-final.

É mais fácil procurar inimigos na mídia do que encontrar soluções técnicas e táticas. O torcedor, apaixonado e fiel, muitas vezes se deixa enganar por esse discurso pseudo-patriótico e presta menos atenção no que acontece em campo.

Claro que esse time teve méritos. Mas tinha seus defeitos. Quando se perde em lance de bola parada, todo mundo reclama, mas esquece quantas vezes o Brasil ganhou em lances de bola parada. Quando ganha é trabalho. Quando perde é azar?

Fica claro para mim que a lógica do futebol de resultados só se sustenta quando há, obviamente, o resultado. Continuo achando que o melhor é ganhar jogando bem, com consistência e talento. Ganhar na conta do chá, acreditando em apenas um método é muito arriscado.

Quando o jogo se ofereceu para o Brasil, o Brasil não soube ganhar. Quando se ofereceu para a Holanda, a Holanda ganhou. Um time que está invicto há dois anos merece mais respeito.

O desequilíbrio psicológico do Brasil no segundo tempo evidenciou que não havia assim tanta mentalidade vencedora.

E por fim: se falamos que Rooney e Cristiano Ronaldo foram decepcções, que dizer de Kaká em sua segunda Copa como titular? Eu esperava muito mais dele, assim como de Robinho.

Que venha 2014. Quem sabe com menos ódio no coração, menos vingança na alma e mais futebol dentro de campo.

quarta-feira, junho 30, 2010

Pontos fortes e

fracos dos melhores

times da Copa


Brasil - É letal, como muito bem definiu meu primo chileno, Rodrigo Munizaga. Ou como disse Sven-Goran Ericsson, não se pode errar contra o Brasil que o castigo é pesado.
A defesa é simplesmente espetacular, segura, entrosada. Exceto o lado esquerdo, o ponto cego do time já faz tempo.
O ponto fraco é o meio-campo, penso eu, Falta criatividade em momentos de muita marcação, como contra Portugal. Não tem armador, o que dificulta em certos momentos. Sem Ramires e Elano fica ainda menos criativo.

Holanda - Time frio, calculista e com muitos jogadores de ótimo nível. Sneijder e Robben considero craques. Kuyt, Van Persie, Van Bommel e De Jong são muito bons. Joga com uma última linha de quatro, e segura os laterais. No meio tem dois volantes e o ótimo armador Seijder. Três homens na frente, por isso os laterais não saem muito.
O ponto fraco eu acho que é a falta de intensidade de jogo, é muito fria às vezes. A zaga é um pouco pesada na recuperação.

Espanha - Melhor toque de bola da Copa. Time forte, entrosado, muito bem treinado. Tem o melhor meio-campo. Joga com um volante de marcação apenas, Busquets, e confia em Xabi Alonso, Xavi e Iniesta para a organização. Davi Villa está em grande fase.
Não tem grosso no time, todo mundo sabe jogar. O mais fraco tecnicamente, Puyol, é pelo menos bom.
O ponto fraco é a falta de capacidade de definição, dada a fase ruim de Fernando Torres. Enrola muito e define pouco.

Argentina - Do meio pra frente a artilharia é pesada. Tévez, Higuaín, Messi, Di Maria, Maxi Rodriguez. Um time que ataca muito. Tem craques, Messi e Tévez, e ainda um banco esperto, com caras do porte de Milito, Aguero e até Palermo.
O problema é a defesa. De Michelis não segura a onda, embora Otamendi esteja jogando bem, assim como Heinze. Marca no meio somente com Macherano, que está evidentemente sobrecarregado.

Alemanha - Time que é bom e está encorpando. Muito entrosado, tem um toque de bola que remete ao grande time alemão de1974, com Breitner, Muller, Overath, Vogts e Beckenbauer, entre outros grandes jogadores e craques. Schweinzteiger é um dos melhores, se não o melhor volante da Copa. Há bons jogadoers em todos os setores. Podolski, Klose. Mueller e Oezil são candidatos a craques muito em breve. Quem diria que a Alemanha teria um armador,Oezil, e o Brasil não?
Só não acho que a defesa seja muito segura. É candidata.

Uruguai - A Celeste encorpou na África. Tem um belo ataque, com Forlán e Suárez, e uma defesa firme, com Lugano e agora Victorino no lugar de Godin. O problema é o meio-campo, combativo, mas pouco criativo. Entrega nunca falta e com alguma sorte pode chegar. Talvez seja o time que mais tenha evoluído desde as Eliminatórias.

Paraguai - Bom time, ofensivamente bem abastecido. Está sentindo o peso da importância da campanha histórica e tem se mostrado nervoso na hora de finalizar, principalmente. Outro time que foi encorpando e corre por fora. A dupla Barrios e Santa Cruz merece muito respeito. Tecnicamente é o melhor time que o Paraguai já teve. O ponto fraco eu acho que ainda é esse nervosismo em alguns momentos, o que torna o time irregular.

Gana - A esperança africana é um time muito parecido com o do Uruguai em termos coletivos. Forte na defesa e no ataque, fraco no meio-campo. Boateng e Gyan são os grandes nomes de Gana no Mundial. Decisivos, fortes, atacantes de alto nível. O meio-campo tem muita dificuldade para controlar o jogo, por isso a equipe toma muito sufoco. Tem a torcida a seu favor.

segunda-feira, junho 28, 2010

Laranja tem casca grossa

Durban - Como quase sempre acontece, o Brasil passou pelo Chile sem tomar conhecimento. Foi calmo, fatal e absoluto. Em momento algum do jogo o time chileno deu pinta de que incomodaria o Brasil. Há um abismo técnico entre o jogador brasileiro e o chileno. Tão difícil de ser superado quanto a mais alta das montanhas dos Andes.
Agora vem a Holanda pelo caminho. Tem muito mais qualidade. Vi a vitória holandesa sobre a Eslováquia, em Durban. O time tem pelo menos cinco jogadores mais do que bons. Vejo o armador Sneijder e o atacante Robben como craques. Além deles, Van Persie, Kuyt e De Jong são excelentes jogadores.
Diferentemente do Chile, que praticamente não conseguiu atacar o Brasil, a Holanda pode fazê-lo. O time joga com uma linha de quatro zagueiros, dois volantes que saem bem para o jogo, Van Bommel e De Jong, e um meia, Sneijder. À frente ficam Robben, geralmente pela direita, Van Persie centralizado, e Kuyt pela esquerda.
Os holandeses ainda cultivam uma saudável utilização dos lados do campo por jogadores que lembram os pontas de antigamente. Para isso seguram bastante os laterais e marcam forte com os dois volantes.
O time de 2010 está muito longe da Laranja Mecânica de 1974, um time de movimentação alucinante e incrível liberdade tática. A Holanda versão 2010 é um time frio, calculista, disciplinado taticamente. Jogou por enquanto sem ultrapassar o limite, o chamado para o gasto.
Com Robben pela direita (embora apareça pela esquerda às vezes), Michel Bastos terá trabalho. Assim como Kuyt exigirá de Maicon uma presença mais defensiva. Sem Ramires, suspenso, será que Dunga arriscará com Felipe Mello na marcação de Sneijder? De Jong, provavelmente, se encarregará da marcação de Kaká.
O Brasil tem bola para passar pela Holanda. Mas a casca dessa laranja é grossa. A maturidade mostrada pelo time contra o Chile é uma ótima notícia. Se a Holanda der ao Brasil o contra-ataque, principalmente nas costas do limitado lateral-direito Van Der Wiell, certamente será fatiada e consumida com prazer.

domingo, junho 27, 2010

O grande jogo da Copa


Partidaço fizeram Alemanah e Inglaterra. O jogo da Copa até agora. Belas jogadas, um gol inglês que só o trio de arbitragem não viu, e uma aula de contra-ataque da Alemanha.

Mesmo jogando sua melhor partida no Mundial a Inglaterra foi goleada. Claro que se o gol de Lampard tivesse sido validado o jogo teria outro andamento. Mas não se pode contestar a vitória alemã. O time é melhor, mais encorpado e seus principais valores não estão decepcionando.

Oezil joga muito, Schweinzteiger é craque. Mueller, Podolski e Klose são muito bons.

Na Inglaterra, Lampard e Gerrard jogaram uma bela partida. Mas Rooney, claramente sem condição física, sai como uma das grandes decepções da Copa. A defesa perdeu muito sem Rio Ferdinand, e falta um grande goleiro.

A Alemanha agora pode trombar com a Argentina num clássico de arrepiar.

A Copa pegou fogo, senhores!

sábado, junho 26, 2010

Brasil x Chile,

o que esperar?


Em condições normais de temperatura e pressão, o Brasil não tem porque temer o Chile. Acontece que estamos assistindo a uma Copa que não vem sendo disputada nessas condições normais. É uma Copa diferente, esquisitona, cheia de zebras, de empates e surpresas.

Além disso, essa seleção brasileira também é uma equipe diferente do padrão do nosso futebol.

Penso o seguinte: se o Chile partir de peito aberto para encarar o Brasil, tem tudo para se dar mal. A defesa chilena é o setor mais fraco do time, falta técnica individual. Do meio-campo para frente, contudo, é um bom time, leve, insinuante, que joga quase sempre com três atacantes e dois meias ofensivos.

O Brasil é esse que conhecemos. Uma defesa sólida, excelente. Um meio-campo carente de criatividade e um setor ofensivo que é fatal no contragolpe.

Por isso acho que será bom para o Brasil se o Chile acreditar que pode encarar de igual para igual. Se decidir jogar dessa forma, o time chileno dará ao brasileiro as armas que ele usa com mais habilidade. A roubada de bola e a transição rápida, precisa, fatal.

Caso marque atrás da linha da bola como fizeram Coréia do Norte e Portugal, o Chile obrigará o Brasil a jogar com seus volantes, que têm demonstrado muita dificuldade na saída de bola.

Nesse caso caberá ao Chile o contragolpe. Provavelmente pelo lado direito do ataque, com Alexis Sanchéz, que é um ponta mesmo, driblador, vai ao fundo. Será que Dunga manterá Michel Bastos ou escalará Gilberto para duelar com Sanchéz?

Do lado esquerdo, Beausejour cumpre o mesmo papel. O centroavante costuam ser Suazo, que é trombador e pouco técnico. Contra a Espanha jogou Valdívia nessa posição, e foi mal. Rende melhor como meia pela direita, com Mark Gonzalez pela esquerda.

No Brasil, com Elano, Kaká e Robinho de volta, o time ganha muito mais qualidade se comparado ao que empatou com Portugal. Elano tem sido, taticamente, o principal jogador do time. Kaká e Robinho têm a individualiade que faltou diante dos portugueses.

A defesa chilena será a reserva. Bom para o Brasil. Carmona deve retornar ao meio-campo andino (bonito isso!) e talvez seja o encarregado de vigiar Kaká mais de perto.

Segunda-feira teremos as respostas.

sexta-feira, junho 25, 2010

Competitivo, sim.

Criativo? Não.


Era um jogo mais tranquilo para o Brasil do que para Portugal. Classificado, o time pôde poupar Robinho e Elano. Mas algumas coisas precisam ser analisadas com calma.

O Brasil segue sendo competitivo. Mas pegou um time melhorzinho e já teve problemas, foi dominado no segundo tempo. O reserva de Kaká, Júlio Batista, foi mal no primeiro teste. O meio-campo é travado, falta criatividade,não há um lançamento, uma bola enfiada, nada. Dificilmente haverá, já que é um meio-campo de volantes.

É um pecado ter Nilmar e Luís Fabiano no ataque e ninguém para abastecê-los.

Também fica no ar a pergunta: se por alguma eventualidade o Brasil não tiver Kaká e Robinho, como vai se virar?

Resta esperar o advedrsário agora, Chile, Espanha ou Suíça.

Para aqueles que me cornetam porque falo mal do futebol suíço, reforço: respeito a opinião de todos, mas mantenho a minha. A Suíça não acrescenta nada para o futebol, mesmo que venha a vencer a Copa do Mundo.