Sexta-feira, Fevereiro 10, 2012



Alguém ainda duvida?


Como lembrou hoje cedo na redação o amigo Tiago Leifert, foram necessários apenas 54 segundos para que Neymar transformasse um jogo fadado a a ser depositado num canto da memória em um fato digno de registro. Foi nesse espaço de tempo que o garoto, que vinha jogando mal, é verdade, fez um gol de cabeça, roubou uma bola, entortou dois marcadores dentro da área, sofreu o pênalti e o converteu, virando o jogo para o Santos contra o Botafogo de Ribeirão Preto.

Num total de não mais de 15 minutos ele ainda fez mais um gol, num toque à la Messi, e construiu uma linda jogada para Felipe Anderson marcar.

Não consigo entender a implicância de uma parcela de torcedores e analistas com Neymar. Só o vejo evoluir, mês a mês. Deu agora para fazer gols de cabeça como se fosse centroavante, bem colocado na área. Cai cada vez menos e tem uma característica fundamental: não se esconde, não encosta o corpo, não desiste nunca.

Neymar deve chegar na Copa de 2014 mais forte, mais experiente e melhor técnica e taticamente. Terá 23 anos e poderá, aí, sim, embarcar na aventura europeia, na hora certa.

O que importa é que, felizmente, existe um jogador atuando no Brasil capaz de transformar um modorrento jogo de estadual em assunto.

Neymar saiu justamente aplaudido de campo, até por torcedores do Botafogo.

Se alguém ainda duvida, é bom deixar de ser ranheta e perseguidor. O garoto é craque.

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012



Atleta não nasce dirigente


Admito minha decepção com Patrícia Amorim na presidência do Flamengo. Conheci a Patrícia no Pan do Rio. Já tinha entrevistado a atleta e, naqueles dias, convivi com a então comentarista. Quando assumiu a presidência do time de maior torcida do País, imaginei que fosse aquela tão esperada lufada de ar fresco, a renovação com o toque da competência da mulher.

Mas o que vejo agora é um rumo oposto. Tudo bem que as pessoas que administram o Flamengo há muitos anos estão desonrando essa instituição maravilhosamente popular, nascida nas ruas e espalhada pelo Brasil. Mas Patrícia, por ter sido uma atleta de alto nível, só não poderia cair nos pecados dos cartolas de baixo nível.

O que se vê é uma presidente deslumbrada pela convivência com celebridades de chuteiras, inebriada pela sedução que o poder emana, confusa politicamente e com atitudes descabidas para alguém que tem o passado de atleta.

Direito de mandar embora o treinador qualquer dirigente tem. O que não cabe é espalhar o rastilho de pólvora da notícia, usando inclusive os próprios atletas, e depois negar, chamar quem noticiou de mentiroso, para um dia depois passar o carão de ter que confirmar tudo aquilo que negara na maior cara de pau.

Há tempos Luxemburgo não apresenta o desempenho que o projetou justamente como um dos maiores treinadores brasileiros. Não penso como aqueles que o consideram decadente. Afinal, foi campeão brasileiro em 2003 e 2004, conquistou títulos estaduais nas temporadas seguintes. Pode não estar no topo do rendimento, mas merece respeito como treinador, e críticas quando extrapola essa função.

Mas não se justifica tal comportamento por parte de uma presidente que opta claramente por um jogador que recentemente desrespeitou as regras internas do próprio clube que ela comanda. E, convenhamos, se Luxemburgo para alguns está decadente, Ronaldinho há muito tempo não é o craque que o Flamengo acreditava ter contratado.

Isso posto, registro aqui com tristeza minha constatação de que uma das máximas que muitas vezes nós, jornalistas, gostamos de espalhar é a de que é preciso dar espaço paras os atletas no comando de federações, confederações e clubes. Mas estamos aprendendo que há atletas e atletas, e que um craque na competição não é garantia de outro craque na administração.

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012


Dia em Memória ao Futebol

Incansável batalhador em preservação da memória e do conhecimento no futebol, o amigo José Renato Santiago conseguiu, com muitos outros lutadores dessa batalha, uma importante vitória, a instituição do Dia em Memória ao Futebol.

Transcrevo abaixo o texto do prório José Renato.

Você pode acompanhar o trabalho dele através do site www.jrsantiago.com.br


Por José Renato Santiago

 Ainda era 2010, quando juntamente com John Mills, biógrafo de Charles Miller, e Marcelo Unti, meu parceiro de projetos esportivos, nos reunimos com alguns colegas para tentarmos viabilizar a adoção de um dia em homenagem a Memória do Futebol.

Conseguimos levar uma proposta em prol da Memória do Futebol ao vereador Floriano Pesaro, que investiu todos os seus esforços por esta causa.

Pois bem, acabamos de ser informados sobre a promulgação da LEI 15.522, que institui o Dia em Memória ao Futebol a ser comemorado no dia 24 de novembro (data de aniversário de Charles Miller)

A comemoração deste dia visa perpetuar os marcos históricos do futebol brasileiro:

- Antiga Várzea do Carmo, área entre as ruas do Gasômetro e Santa Rosa, local do primeiro jogo sob regras;

- Rua Três Rios, área do Colégio Santa Inês, local do primeiro campo exclusivo para a prática do futebol;

- Rua Visconde de Ouro Preto, onde se localiza o Clube Atlético São Paulo - SPAC, o primeiro clube de São Paulo, cuja equipe foi a primeira campeã de uma competição oficial no Brasil;

- Área em torno da Praça Roosevelt, local do primeiro estádio de futebol, o antigo Velódromo, entre as ruas Nestor Pestana e Consolação;

- Museu do Futebol, localizado na Praça Charles Miller, que é o primeiro museu público exclusivo em prol da memória do futebol brasileiro

Segue abaixo o texto original

(PROJETO DE LEI Nº 474/11)

(VEREADOR FLORIANO PESARO - PSDB)

Altera a Lei nº 14.485, de 19 de julho de 2007, com a finalidade de incluir no Calendário Oficial de Eventos da Cidade de São Paulo o Dia em Memória ao Futebol

Brasileiro, a ser comemorado no dia 24 de novembro, e dá outras providências.

José Police Neto, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, faz saber que a Câmara Municipal de São Paulo, de acordo com o § 7º do artigo 42 da Lei Orgânica do Município de São Paulo, promulga a seguinte lei:

Art. 1º Fica acrescido inciso ao art. 7º da Lei nº 14.485, de 19 de julho de 2007, com a seguinte redação:

“- 24 de novembro: o Dia em Memória ao Futebol Brasileiro, a ser comemorado no dia do nascimento de Charles Miller, que introduziu o esporte sob regras no Brasil, e cuja celebração visa perpetuar os marcos históricos do futebol brasileiro formados pela antiga Várzea do Carmo, área entre as ruas do Gasômetro e Santa Rosa, local do primeiro jogo sob regras, Rua Três Rios, área do Colégio Santa Inês, local do primeiro campo exclusivo para a prática do futebol, Rua Visconde de Ouro Preto, onde se localiza o Clube Atlético São Paulo - SPAC, o primeiro clube de São Paulo, cuja equipe foi a primeira campeã de uma competição oficial no Brasil, área em torno da Praça Roosevelt, local do primeiro estádio de futebol, o antigo Velódromo, entre as ruas Nestor Pestana e Consolação, e o Museu do Futebol, localizado na Praça Charles Miller, que é o primeiro museu público exclusivo em prol da memória do futebol brasileiro, mediante comunicação ao Poder Executivo, quando couber.”

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Câmara Municipal de São Paulo, 12 de janeiro de 2012.

JOSÉ POLICE NETO, Presidente

Publicada na Secretaria Geral Parlamentar da Câmara Municipal de São Paulo, em 12 de janeiro de 2012

Terça-feira, Janeiro 31, 2012



Procuram-se ídolos

desesperadamente


Esporte e negócio cada vez mais se fundem, num processo irreversível. O esporte faz parte da indústria do entretenimento, da qual passou a ser protagonista. Grandes personalidades esportivas disputam espaço com estrelas da música, do cinema, da TV.

Um grande ator puxa bilheteria e até premiações para um filme teoricamente modesto. Uma grande banda pode vender milhões de cópias mesmo de um disco fraco. Muitas vezes um maestro midiático acaba chamando a atenção para uma orquestra que talvez não merecesse tanto.

O jogo hoje tem essas regras. O termo marketing é onipresente e, em certos casos, quem cuida dele nos dois lados do negócio se acha onipotente.

Os ídolos são fundamentais nesse processo. Eles puxam a venda de ingressos para jogos, espetáculos musicais e teatrais, alavancam a venda de produtos relacionados, tais como camisas de times, de bandas, cantores etc. Muitas vezes um clube de futebol fatura alto com a exploração da imagem de um jogador, assim como uma produtora cinematográfica pode ganhar mais dinheiro vendendo bonecos dos personagens de um filme do que com a história filmada propriamente dita.

No Brasil, em virtude de tudo isso colocado acima, nossos clubes de futebol e seus marqueteiros vivem procurando ídolos desesperadamente. Em alguns casos tentam até forjá-los ou exageram na avaliação. Como diz meu amigo e excelente jornalista e blogueiro Luís Augusto Simon, o Menom, o Deus Mercado aponta seu dedo para tudo e para todos.

Está cada vez mais difícil saber o que é verdade. A própria mídia, porque também se beneficia de ídolos, muitas vezes perde a sagrada isenção e acaba embarcando nesse processo, exagerando nos termos craque e herói, quando eles não se aplicam necessariamente.

Empresários super valorizam seus jogadores, tentando transformá-los em craques cobiçados por causa de meia-dúzia de boas atuações. Fala-se em propostas milionárias que chegaram, mas que não resistem a uma simples checagem.

Hoje em dia os clubes preparam festas cinematográficas para bons jogadores como se eles fossem mitos, semideuses. No caso de alguns retornos fica evidente essa forçação de barra. O São Paulo fez uma festa belíssima para Luís Fabiano, que tinha saído do clube meio pela porta dos fundos, e retornou com status de ídolo que talvez não tivesse tido tempo de construir. Se ainda fosse a volta de Raí em 1998, essa sim muito mais impactante, e Raí muito mais importante como atleta para o clube. Ou mesmo o retorno de Muller. Luís Fabiano é muito bom jogador, mas não é Raí.Nem jogando, nem vendendo.

Vágner Love no Flamengo é outro caso. Não se discute a qualidade do jogador, que é muito boa, embora ele esteja longe de ser craque. Mas seu rendimento anterior e sua história como atleta justificam tamanho frenesi? Ou seria uma forma de vitaminar ações de mercado, venda de camisas, obtenção de patrocínio etc?

Isso sem contar o investimento que os clubes fazem para repatriar esses jogadores, que voltam ao Brasil já em curva descendente na carreira e querendo ganhar salários de Europa pré-crise. O quadro que vemos hoje pinta uma realidade mais austera e menos barulhenta. As grandes camisas muitas vezes vão a campo por vários e vários meses sem exibir patrocínio máster. Quando o patrocínio é fechado, geralmente tem sido por valores abaixo do que se pedia.

Até com ídolos que superam a rivalidade clubística é difícil os clubes conseguirem grandes valores com ações de marketing e produtos. O Santos e o Palmeiras tentaram com bonecos de alguns jogadores e, embora houvesse algum sucesso, não foi nada de parar o trânsito.

Enfim, os clubes muitas vezes fecham negócios pagando salários estratosféricos para jogadores que tentam transformar em ídolos que talvez não sejam. Depois que o Corinthians apostou alto e se deu bem com Ronaldo, seus adversários achavam que fosse dar certo toda hora e que seria possível fazer jorrar ouro. Em alguns casos, por enquanto, parece mais ouro de tolo, principalmente com o próprio Corinthians no que se refere a Adriano. E Ronaldo é um só. Como atleta e como carisma.

Não me interessa quanto um atleta ganha de salário e tomara que todos recebam muito. Mas a relação custo/benefício e o que esse investimento traz de retorno para o clube, isso, sim, interessa. Quando leio notícias de jogadores pedindo 600 mil reais mensais e ainda exigindo bônus de produtividade, fico imaginando como os marqueteiros dos clubes tentariam obter retorno. Porque na maior parte dos casos fala-se de jogadores bons, no máximo muito bons. Não são craques, grandes ídolos, usinas de gols, títulos e retorno financeiro.

É preciso que os clubes brasileiros acordem do seu sonho de novo-riquismo enquanto ainda é tempo. Porque não faz sentido bater o bumbo e festejar contratações ao mesmo tempo em que se passa o pires pelo mercado ou não se consegue pagar salários em dia.

O negócio precisa de ídolos e eles realmente são bem vindos. Mas ídolos de verdade, não fabricados em reuniões de diretoria de marketing.

Domingo, Janeiro 29, 2012



Paixão contada com

talento e bom humor




















Vitor Guedes é um legítimo representante da boa família marista e da boa pena jornalística. Além de ser uma figuraça, que anima qualquer ambiente em que esteja.

Se você ainda não lê, deveria começar a ler a coluna diária que ele assina no jornal Agora São Paulo, chamada Caneladas do Vitão. Ali ele desfila bom humor de maneira talentosa, para contar sua paixão pelo futebol e, em especial, por um time de futebol.

Nesta segunda-feira, o Vítor lança "Paixão Corintiana", livro em que ele conta a história do Corinthians à sua moda. Com o prefácio luxuoso de outra craque, a jornalista Marília Ruiz, irmã do Vítor e também representante legítima da família marista nas letras jornalísticas.




Anote abaixo endereço e horário, e não perca.

Lançamento de Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes

Artilheiros Bar

Rua Mourato Coelho, 1194

Segunda-feira, 30 de janeiro, 19h

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012


O drama da

aposentadoria




Com o fim da carreira de Marcos, o santo goleiro palmeirense, e as seguidas contusões de Rogério Ceni, o mito são-paulino, um dos assuntos mais dramáticos do futebol, e do esporte em geral, volta à tona: aposentadoria.

Enquanto a maioria dos trabalhadores vê na aposentadoria, se tiver alguma sorte, a possibilidade de um descanso merecido, no caso do atleta profissional, o dia de terminar a carreira assemelha-se a uma sentença de morte. Porque o atleta profissional, principalmente o jogador de futebol, morre duas vezes. Quando pára de jogar e quando parte dessa para a melhor.

Muitos depoimentos importantes já foram dados sobre esse tema. O filme Boleiros, o primeiro, aborda, de maneira tocante, esse drama.

Mas eu nunca tinha visto, lido ou ouvido um relato tão fundamental e verdadeiro do que seja a vida de um ex-jogador de futebol, das boas e das más lembranças, antes de ler o belo livro "Crônicas de Um (ex) Jogador, de autoria de José Roberto Padilha, publicado pela editora KBR.

Ganhei o livro do próprio Zé Roberto, que enviou através de um amigo comum, o grande Tiãozinho, o "Imperador de Três Rios", parceiro de memoráveis rachões no Clube Paineiras do Morumby.

Em sua dedicatória, Zé Roberto classifica o livro como o "ocaso de um jogador de futebol". Simples e direto.

Zé Roberto foi ponta-esquerda da Máquina Tricolor, o sensacional time do Fluminense de meados dos anos 70 do século passado. Era bom jogador em uma época em que era muito mais difícil ser chamado de bom jogador. Passou com sucesso por Flamengo e Santa Cruz. Fora isso, estava muito bem acompanhado na Máquina, por gente como Edinho, Félix, Toninho, Rivellino, Marco Antônio, Zé Mário, Gil, Manfrini.

Jornalista formado, treinador de futebol, Zé Roberto conseguiu a rara façanha de capturar a essência da vida de um jogador brasileiro e transmiti-la de forma direta, agradável, bem escrita e fluente. Desde as lembranças gostosas como as eternas resenhas, brincadeiras e aventuras, até a angústia dos contratos, das mudanças de cidade e ambiente, do desemprego.

Há dois momentos, entre muitos outros, que me tocaram em especial. Num deles, Zé Roberto recorda uma noite, quando jogava pelo Santa Cruz, na qual ele entende ter feito, talvez, a grande atuação da carreira. Mas era um jogo a mais, sem TV em rede nacional, um Santa Cruz x CRB. Zé Roberto gastou a bola e, recordando no livro, se pergunta por que aquela atuação perfeita não aconteceu no Maracanã, num Fla-Flu, com toda a grande mídia por perto.

Mas se contenta ao final da partida, no vestiário, com o reconhecimento de Amauri, funcionário do Santa, que reconheceu seu grande jogo.

Outro trecho em que Zé Roberto consegue passar, sem se fazer de vítima, todo o desrespeito e a politicagem que envolvem os ex-jogadores de futebol no Brasil, é o de uma festa nas Laranjeiras. Festa cujo objetivo "oficial" era celebrar o título brasileiro de 2010 e homenagear o time campeão brasileiro de 1970. O objetivo "real" era turbinar a campanha política de um candidato à presidência do clube.

Zé Roberto pinta de nostalgia sua viagem pela aristocrática sede do Fluminense, carregando em lembranças e memórias a cada rosto amigo que cruzava. Mas é cirúrgico ao descrever o desprezo do clube, que sequer deixou seu nome na portaria - foi salvo e autorizado a entrar na sede por um ex-massagista que o reconheceu. Em resumo: deixou a festa antes da metade, maltratado, mal alimentado e quase despercebido

Também descreve com rara sinceridade o sentimento de abandono ao ouvir o seguinte diálogo entre dois roupeiros do Flamengo, quando de sua passagem pelo clube: "Sabe quem está aí fora? O Liminha (volante de passagem importante pelo Rubro-Negro e jogador admirado por Zé Roberto, mesmo sendo ele torcedor confesso do Fluminense)." A resposta do segundo roupeiro tirou o chão de Zé Roberto, que se preparava para deixar o vestiário e conhecer o ídolo. "Deve estar desempregado. Ex-jogador quando vem ao clube é para pedir dinheiro".

Naquela abjeta festa nas Laranjeiras, Zé Roberto afirma ter sentido na pele o comentário preconceituoso daquele roupeiro.

Mais não conto porque o livro vale a pena ser saboreado por quem ama o futebol e respeita os verdadeiros autores de suas histórias: os jogadores. 

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012


Pitacos da rodada


E lá vou eu, tirando a ferrugem, preparando a volta ao trabalho, curtindo os últimos dias de férias e, claro, vendo a bola rolar.

Duas rodadas só reforçam minha tese sobre esse início de temporada nos estaduais, em especial o de São Paulo, atração da telinha do SporTV nesse período. Deixo aqui o link para a coluna que publico às terças nos jornais da Rede Bom Dia.

A oscilação é mais do que normal entre os chamados grandes nesses primeiros dias. O Corinthians, por exemplo, jogou mais contra o time de empresários que agora se instalou em Guaratinguetá do que tinha feito contra o Mirassol. Para isso, se aproveita da boa organização tática que trouxe de 2011.

Oeste e São Paulo fizeram um jogo disputado em alta velocidade, mas desorganizado. Muita correria atrás da bola, parecendo pelada de criança. Onde estava a bola, tinha um monte de jogadores correndo em volta. Porque tem jogadores melhores, o Tricolor levou essa, mas poderia não ter levado, já que houve um gol mal anulado do Oeste. Destaque para o belo jogo do volante Wellington.

Palmeiras e Lusa fizeram um clássico gostoso de assisitir, pegado, disputado, embora pobre tecnicamente. A Portuguesa mostrou uma forte marcação na saída de bola, escancarando a dificuldade palmeirense nesse tema. O Verdão, no entanto, criou mais oportunidades, perdeu muitas chances e até poderia ter vencido.

A Lusa carece de criatividade no meio-campo, embora seja um time muito organizado e rápido. Quem oferecer o contra-ataque para a equipe do Canindé pode se dar mal. Henrique foi o mais atuante jogador da equipe. O Palmeiras sentiu a falta de um Valdívia mais atuante, teve Maikon Leite entrando muito bem no jogo, mas segue cometendo erros bobos na defesa. Tinga esteve perdido como sempre e Daniel Carvalho mostrou inteligência e técnica, embora ainda sobrem quilos.

Como não vi os jogos de Inter e Flamengo na Libertadores, falo dos resultados e das projeções. Pela fragilidade do Potosí, a tarefa do Flamengo, por ter marcado fora de casa, parece mais tranquila na volta. O Inter enfrentará um adversário melhor, mais tradicional, jogando fora, mas mesmo assim tem bola e elenco para passar.