quinta-feira, maio 05, 2016

A ditadura da estética ataca o Atlético de Madri


A eterna discussão entre beleza e eficiência no esporte tem uma nova vítima: o Atlético de Madri.

O tradicional time colchonero enfrenta uma terrível má vontade por parte de alguns analistas de futebol e, porque não, de estética.

Por ter eliminado Barcelona e Bayern na Liga dos Campeões o "Atleti" passou a carregar a pecha de Anticristo do futebol bonito, Judas do tiki-taka e por aí vai.

Talvez seja uma certa implicância com o argentino Diego Simeone, excelente treinador da equipe espanhola. Simeone foi um bom jogador cuja carreira foi marcada por alguma violência e doses cavalares de catimba. Como treinador, ele tem certos vícios que remetem aos piores momentos de Felipão, como jogar bolas para dentro de campo durante o contra-ataque adversário.

Isso não merece defesa, mas também não pode contaminar a análise sobre o trabalho do treinador e o desempenho do time.

Embora seja grande, forte e tradicional, o Atlético de Madri foi transformado em Patinho Feio pela imprensa esportiva espanhola, que assume uma posição descaradamente torcedora, dividida entre Real Madri, na capital, e Barcelona, na Catalunha. Para o Atleti ficam as sobras.

O time de Simeone é bom. Esteticamente pode não fazer o deleite dos analistas, não rende textos pretensamente poéticos ou teses supostamente definitivas.

Mas negar sua capacidade e sua competência parece implicância.

Ou apego exagerado a uma teoria ou à estética.

Diante do Barcelona, por exemplo, o Atlético não deixou dúvidas sobre sua capacidade.

É um time menos poético, menos Bossa Nova, menos jazz e mais rock industrial. Em campo troca longos papos de boteco sobre arte, cinema e teatro, regados a chope ou uísque,  por trabalho duro, horário a ser cumprido e contas a pagar. Se sobrar um tempo, dá para tomar um rabo de galo,

A estratégia futebolística do Atlético de Madri é primeiro anular os pontos fortes do adversário para depois explorar as próprias virtudes. A equipe marca forte - e bem - e executa um dos pilares do pensamento de Guardiola: a marcação forte no campo de defesa do adversário para recuperar a posse de bola mais próximo da meta contrária.

Vejo certo incômodo estético em alguns colegas e torcedores com o sucesso do Atlético de Madri.

Prefiro reconhecer os méritos.

5 comentários:

Carlos Motta disse...

Grande Maurício Noriega, fiquei muito irritado quando disse que o Palmeiras perdeu para ele mesmo jogando contra o Rosário na Argentina. Não pude deixar de lembrar vendo o jogo do Gremio. Você não repetiria isso agora, né? Abs

Mauricio Noriega disse...

Alguns fatos: eu não disse que perdeu para ele mesmo, porque o jogo terminou empatado, Carlos Motta. Um detalhe importante. Disse que o Palmeiras não soube ganhar o jogo. O Grêmio não teve nem chance. Situações bem distintas. Abs

Old Cricket disse...

Não me pareceu que você gosta de reconhecer os méritos ao comentar a classificação do São Paulo contra o Atlético. Não posso exigir sua imparcialidade, mas gostaria de ver você tentando ser, ao menos, coerente. Forte abraço!

Old Cricket disse...

Meu comentário não foi aprovado? Se não foi...por mais que tenha te questionado, acredito que fui educado na minha colocação. As divergências melhoram os discursos, Nori, não se feche a elas. Abraço.

Old Cricket disse...

Meu comentário não foi aprovado? Se não foi...por mais que tenha te questionado, acredito que fui educado na minha colocação. As divergências melhoram os discursos, Nori, não se feche a elas. Abraço.