quarta-feira, março 30, 2011


Futebol é paixão,

não pode ser ódio


Vi trechos da linda festa que o São Paulo fez para Luís Fabiano e Rogério Ceni. Digna de aplauso. Bem organizada, esperta, inteligente. Fez o que deve fazer o clube, tratou bem seu torcedor, o exercício da paixão. Marketing bem feito não precisa ser inédito, só precisa ser bem feito, inteligente e organizado.

Essas festas são sempre saudáveis. Foi assim com Ronaldo no Corinthians, Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, Kléber no Palmeiras, as homenagens ao Marques no Atlético, Robinho voltando à Vila. AS recepções triunfais em aeroportos que fazem torcedores do Grêmio, do Inter, do Cruzeiro, em todo o Nordeste. Enfim, em todos os times e camisas. É praxe na Europa, na apresentação de novos contratados e de elencos para a temporada. Deveria virar praxe aqui também.

O SporTV tem tradição em mostrar essas festas. Fez isso com o São Paulo e o Inter nos Mundiais de 2005 e 2006, nas apresentações de Ronaldo e Ronaldinho. E tenho certeza que seguirá fazendo para todos os times que fizerem grandes festas e grandes contratações, sempre.

Quem sabe agora não pinta uma disputa saudável para saber quem fará a festa mais bonita, a mais inovadora, a que reunirá o maior número de torcedores etc? Pode virar uma tradição.

Escrevo isso para lembrar e reforçar que o futebol deveria ser sempre assim: festa e paixão. Celebrar o amor pelo clube e pelos ídolos tinha que ser a regra vigente nesse esporte que o mundo adora.

Infelizmente, o ódio tem contaminado essa relação. Para alguns, que não são poucos, mas graças a Deus também não são maioria, o que importa é disseminar o desprezo e o ódio pelo inimigo. Que deveria ser apenas adversário. Mais vale a derrota do outro que a vitória do time de coração. A provocação faz parte do jogo, na base da brincadeira, da coisa saudável. Mas a provocação descabida, gratuita, desnecessária, provoca reações dessa turma do ódio que geralmente não terminam bem. Dão nessa violência que espanta muita gente boa dos estádios.

Sou de um tempo em que os jogadores faziam apostas criativas, provocavam na boa, com humor, e promoviam o espetáculo. O que sempre se fez muito melhor no Rio de Janeiro do que em qualquer outra parte do Brasil. Até porque o carioca tem o Maracanã, que é uma catedral ecumênica do futebol.

Sou paulista, caipira orgulhoso, e falo de cátedra: nós somos mais metidos a sérios, mais carrancudos em relação ao futebol, levamos muito na base da cobrança, do resultado. Carioca se diverte mais, eu acho. E está certo nisso. Gozação tem que ser uma coisa que quem faz também precisa aceitar receber e seguir a vida.

Hoje vejo nas ruas, nos estádios, nas redes sociais, que há um ódio, uma neura que são lamentáveis. A agressividade beira o irracional, o conspiratório. Mas repito, felizmente, ainda é uma minoria. A maioria segue o lado do bom senso, da paixão pelo futebol e pelo time.

Contarei três histórias que presenciei e que mostram a maneira com a qual eu mais concordo em relação ao que deve ser a visão do torcedor sobre o futebol.

Moa e a alegria de ver futebol

Moacir Elias Jorge é um grande amigo da minha querida Bariri. A gente o chama de Moa, diminuindo o apelido de forma inversamente proporcional ao tamanho da fera. Moa é, ou melhor, era, daqueles gordões simpáticos, alegres, amigo de todo mundo. E era bom de bola, vi várias vezes o Moa jogando e bem, futebol e basquete, lá no Umuarama Clube de Campo. Digo era porque me contaram que fez uma redução de estômago e está fininho.

Formou-se em medicina e veio fazer residência em São Paulo. Corintiano fanático, Moa era, acima de tudo, um apaixonado por futebol. No estádio, fazia amizade com todo mundo, dava risada, conversava, formava uma pequena comunidade em torno dele.

Certo dia, lá pelo final dos anos 80 ou começo dos 90, toca o telefone. Era o Moa. "Vamos no jogo hoje no Pacaembu?" Eu respondo: "Mas você é corintiano, não é jogo do seu time". Ele: "que importa, vamos lá ver o jogo". Era um Portuguesa x Guarani. A Lusa tinha um bom time, ainda levava bom público ao estádio. Lá fomos nós, nos divertimos a valer, no estádio mais agradável de se ver jogo em São Paulo.

Assim era com o Moa. Ele reunia a turma para ir a jogos do São Paulo, do Palmeiras, do Santos. A gente ia numa renca, com torcedores de todos os times, reunidos. O Moa certa vez, no Morumbi, num jogo do São Paulo que a galera foi assistir, disse, no setor das numeradas, que era corintiano, mas gostava de ver futebol de todos os times. Sabem o que aconteceu? Nada. Todo mundo riu, conversou, se divertiu.

Ele foi ao Palestra Itália ver jogos do Palmeiras e fez a mesma coisa. Não havia problema. Assistiu a clássicos paulistas no Tobogã do Pacaembu, com torcidas misturadas e voltou para casa sem problemas.

Faz tempo que não vejo o Moa, um bom amigo das antigas. Sou capaz de apostar que ele parou de ir aos estádios. Mas deve nutrir o desejo de voltar, mas para uma época como aquela em que ele fazia amigos aos montes pelas arquibancadas, independente da cor da camisa. A paixão comum era o futebol.

Ba-Vi democrático

Lá pelos idos de 96 ou 97, fui fazer um jogo da seleção brasileira na Bahia, pelo jornal A Gazeta Esportiva. Emendei com um jogo do Brasileiro, acho que do Corinthians, e acabei ficando, pautado pelo jornal para cobrir o Ba-Vi, o grande clássico da Bahia.

Fui à Fonte Nova com a missão de contar como era o clima do jogo, já que naqueles tempos a violência estava comendo solta nos clássicos em São Paulo, era uma coisa terrível.

Tomei um susto. Positivo. Vi torcedores do Bahiatimes, sem encrenca. Tudo ao som dos tambores no ritmo do Olodum. Andei pelo estádio, entrevistei torcedores e pude testemunhar uma maneira diferente de ver o futebol, se comparada ao que era minha rotina em São Paulo.

Tinha uma charanga tocando, muita gente em volta, dançando, curtindo adoidado.

Já soube por amigos da Bahia que há muito tempo a coisa não é mais assim. Tem violência, divisão de torcidas, brigas e tumultos.

Mas naquele dia senti uma inveja positiva do povo da Boa Terra. Poderia ser assim sempre? Deveria, mas suspeito que talvez não seja nunca mais.

Time apanha. Torcida canta.

Em 1998 fui ao Uruguai, pelo Lance!, para cobrir Nacional x Palmeiras, pela Copa Mercosul. Conheci o Centenário, Monumento do Futebol Mundial. O jogo foi uma lavada do Palmeiras, 5 a 0, sem piedade. À época disseram que era a maior derrota do futebol uruguaio no Centenário.

Mas o que me chamou a atenção foi o comportamento da torcida do Nacional. Os caras não paravam de cantar. Era bola na rede, gol atrás de gol, e eles cantando, uma coisa linda, contagiante. Deveria haver umas 15, 18 mil pessoas no estádio. Numa das curvas atrás de um dos gols estava concentrada a maior parte da torcida. E tome cantoria, com letras que falavam de paixão pelo time, não de ódio pelo Peñarol ou coisas assim.

Saí da tribuna de imprensa e fui até aqueles torcedores. A matéria estava ali, o jogo já tinha sido resolvido faz tempo.

Encostei no grupo que puxava os cânticos, uma torcida organizada, já pensando que estava fazendo bobagem, que era melhor não ter entrado ali. Identifiquei-me como jornalista brasileiro e disse que estava impressionado com aquela festa, mesmo com o time perdendo de goleada.

Aí veio a resposta desconcertante: "Hermano, eu torço pelo Nacional, eu amo o Nacional, não importa se ele ganha ou perde. Vai ganhar, vai perder, mas eu estarei sempre aqui, porque sou um apaixonado pelo time".

Pensei comigo: cara, é isso! Tão simples, tão fácil. Fui a um senhor mais velho, que cantava feito menino, e aprofundei o tema. O jogo já tinha terminado, eles estavam indo embora, e o velhinho lá, cantando a plenos pulmões.

"Brasileño, Maracanazo! Jajajaja", riu ele, depois estendendo a mão. "Vocês são os melhores, mas o Maracanazo é uruguaio. Ah, e o Garrincha foi o maior de todos!".

Aí perguntei a ele da festa, da torcida. Ele respondeu com uma articulação incrível, sem pestanejar. "Vivi as melhores épocas do Nacional e do futebol uruguaio. Sei que elas dificilmente voltarão, mas o que importa é o sentimento. O Nacional é isso, o futebol é isso, um sentimento".

No dia seguinte, antes de voltar ao Brasil, comprei o livro do Eduardo Gaeano, El Fútbol a Sol y Sombra. Livraço, diga-se, indicado pelo grande amigo Menom. Na primeira página, ele conta, em algumas linhas, que vinha voltando para casa e cruzou com um grupo de garotos, encharcados de lama, com uma bola, voltando de algum campinho. Eles cantavam e riam. O refrão era o seguinte: "Ganamos, perdimos, igual nos divertimos".

Futebol é isso. A paixão precisa vencer o ódio. E vai, tenho fé.

terça-feira, março 29, 2011



A fábula de um


goleiro espetacular




Reproduzo a coluna publicada hoje no Diário de S.Paulo.


Todo caso de sucesso reúne talento, sorte, suor, drama e coincidências. Rogério Ceni não é diferente. Sua trajetória de jovem sonhador a atleta mais importante da história do São Paulo Futebol Clube tem contornos de fábula.

Do primeiro ao centésimo gol, Rogério pavimentou seu destino de mito do clube tricolor contando com tragédias, o acaso e ajudas providenciais. No entanto, não teria conseguido nada se não tivesse talento e uma inteligência acima da média do boleiro nacional.

A tragédia veio na morte de Alexandre, promissor goleiro do São Paulo no início da década de 90, em acidente de automóvel. Alexandre estava à frente de Rogério na escala para suceder Zetti.

O acaso ajudou Rogério a se transformar em ídolo, já que ele enfrentou um período de entressafra no Morumbi. Chegou ao time depois dos anos de glória de 1992 e 1993, quando o Tricolor conquistou a América e o mundo. Passou por dez temporadas seguidas sem participar da Taça Libertadores e com poucos títulos, até protagonizar outra época gloriosa, a partir de 2005.

A ajuda veio de Muricy Ramalho. O treinador bancou o goleiro como cobrador de faltas em 15 de fevereiro de 1997, quando Rogério marcou seu primeiro gol, diante do União São João de Araras.

Não vejo o atual camisa 1 como o melhor goleiro da história do São Paulo, tecnicamente. Acho Zetti mais completo. Dizem que Poy era fantástico. Pouco importa o que penso. Rogério é um excelente goleiro e se transformou no maior atleta de seu clube. Ousou fazer algo que poucos faziam e fez melhor.

A sua personalidade forte criou problemas. Ele muitas vezes fala como cartola e não como atleta, num discurso planejado para agradar ao torcedor são-paulino. Impetuoso, viveu dias difíceis, foi suspenso pelo clube, esteve a ponto de sair. Exerce liderança incontestável, que lhe rende apelidos como Presença, Patrão, Chefia e Abelha Rainha.

Incomoda dirigentes. Muitos acham que o goleiro extrapola o espaço do atleta dentro do clube. Ceni exala uma certa arrogância própria daqueles que sabem que são muito bons no que fazem. Não é o único, nem será o último.

Mas o que ficará é o feito inédito. Ao marcar seu gol centenário, Rogério garantiu passagem para a história, viajando em primeira classe.


Pôquer misterioso
A já famosa mesa de pôquer da casa de Ronaldo Fenômeno recebeu um encontro inusitado há alguns dias. Trocaram cartas por lá o técnico Muricy Ramalho, logo após sair do Fluminense, e Andrés Sanchez, presidente do Corinthians. O tempo dirá se era apenas jogo de baralho ou se alguém está blefando nessa mão.

Verdão em nova casa?
Líder do Campeonato Paulista, semana tranquila. Felipão deve passar por Itu, a convite de seu amigo Juninho Paulista, ex-jogador e hoje dono do Ituano. O treinador do Palmeiras vai dar uma conferida no reformado Estádio Novelli Júnior, que pode receber jogos do Verdão enquanto o Palestra Itália é reformado.

Bronca da Fifa
Gente graúda na organização da Copa de 2014 já está preparando o ouvido. Sopram maus ventos da Fifa em relação ao Brasil. Deve vir bronca pública e pesada, em breve, por causa do atraso em relação a tudo que envolve as obras para o próximo Mundial. Os pitos, espera a Fifa, servirão para acelerar o que for possível.

Nó tático
Não gosto de ver time de futebol sem meio-campo inventivo. É ali, no departamento de criação, que surge e floresce uma grande equipe. Ver a seleção brasileira com um miolo tão pobre em termos de criatividade me preocupa.

Tudo bem que temos o Ganso, titular absoluto quando voltar ao time. Mas, se ele não puder jogar, numa eventualidade, como fazer? Já basta a tristeza que foi aquele exército de volantes do Dunga na África do Sul.

Ultimamente, a seleção brasileira desenvolveu o péssimo hábito de desprezar os meias de rara estirpe. Cometeu o pecado de não levar Alex, do Fenerbahce, da Turquia, a uma Copa do Mundo, nos privando de um dos preceitos básicos do futebol brasileiro, a criatividade, o improviso.

Atacante não é problema. Isso temos aos montes, todos muito bons. O que falta é encontrar alguém para fazer par com o Ganso, jogando pelo lado direito. Com Neymar, Pato, Lucas, Robinho, essa turma toda na frente, o Ganso no lado esquerdo, se o Mano descobrir um meia destro do tipo do gringo Montillo, do Cruzeiro, aí, sim, arriscarei dizer que em 2014 vamos pras cabeças. Não sei em que estádios, mas vamos.

segunda-feira, março 28, 2011



15/02/1997


Você certamente conhece alguém cujo pai ou avô, ou até ele mesmo, afirma que estava no Maracanã em 16 de junho de 1950.

Tenho um amigo que afirma ter visto o primeiro treino de Pelé na Vila Belmiro e já vaticinou naquele dia que aquele moleque seria o Rei do Futebol.

E você, caro leitor, onde estava em 15 de fevereiro de 1997?

Eu estava em Araras, interior de São Paulo. Era um sábado calorento, abafado. Trabalhava em A Gazeta Esportiva e tinha sido escalado para o jogo União São João x São Paulo, pelo Paulistão.

Nada muito empolgante para aquele momento. O Tricolor paulista vivia um período de entressafra, de renovação, não conquistava títulos já fazia quatro anos, e via os rivais do estado ganhando taças.

O fato inusitado do jogo foi que um jovem goleiro do São Paulo, chamado Rogério, fez um bonito gol de falta na vitória são-paulina.

O fato foi digno de registro pelo inusitado. Goleiro fazendo gol de falta. Mas ninguém imaginava que naquela tarde abafada do verão ararense estávamos vendo a primeira página de uma das mais importantes histórias do futebol.

Passaram-se 14 anos. Rogério incorporou o Ceni e outros 99 gols ao currículo. E posso dizer meninos, eu vi, estava lá, quando tudo começou!

Fosse esse um país mais esportivo e menos clubista, de mais fãs de futebol e menos fanáticos por times, o feito seria muito mais reverenciado, como deve. Não que esteja sendo pouco, pelo contrário. Mas nesse aspecto precisamos ainda aprender muito com os americanos, que valorizam como ninguém esses momentos, em prol do negócio esporte, deixando de lado rivalidades infantis que só atrapalham a rivalidade saudável.

Falarei mais sobre Rogério em minha coluna de amahã, 28 de março, no Diário de S.Paulo, que reproduzirei nesse espaço.

sexta-feira, março 25, 2011


O voo (cego) do Ganso


É um dos assuntos do momento no futebol. A saída iminente de Paulo Henrique Ganso do Santos. Esse rapaz é um diamante raro, craque de bola, um meia armador como há muito não aparecia no Brasil. Óbvio que cedo ou tarde despertaria o interesse de compradores endinheirados.

A relação ainda é muito clara no mundo dos negócios da bola. O Brasil é vendedor de pé-de-obra (com a licença do amigo Mauro Beting). Compradores há muitos por aí. Europeus, russos, ucranianos etc. O dinheiro do futebol tem várias origens e muitos mistérios.

O que pega são as diferenças de postura e os interesses envolvidos, penso eu.

Vamos lá! Jogador joga onde quiser jogar, e isso é um direito do profissional do esporte que deve ser festejado, sempre. Agora, palavra e, principalmente, contrato assinado, devem ser respeitados.

Se Ganso assinou um contrato, deu sua palavra. Se mudou de ideia no meio do caminho, tem o direito de fazê-lo, mas precisa renegociar. Uma boa negociação tem que ser vantajosa para todos os envolvidos. Se ele quer sair, o que parece mais do que evidente, deveria ceder em alguma coisa, ele e seus investidores. O Santos cederia no que pode ceder agora, imagino eu, que é perder seu melhor jogador. Mas merece ser ressarcido por isso, já que investiu dinheiro na sua formação.

Aí entram os tais interesses. O cluber quer o jogador para ganhar jogos e campeonatos, antes de vendê-lo e lucrar. O investidor quer que o jogador jogue bem, faça gols e possa ser vendido. Onde o bicho pega? Investidor não torce para ninguém, não tem camisa. Sua equipe é o dinheiro. Para ele, se tiver jogadores espalhados por vários times, melhor, pois aumentam as chances de sucesso e lucro.

Investidor é ótimo para o futebol, mas não é clube de futebol. Nem pretende ser.

O Santos hoje está sofrendo porque um negócio feito anteriormente, por uma outra gestão, na tentativa - legítima - de fazer caixa, cedeu fatias importantes dos direitos econômicos de alguns de seus principais jogadores para um grupo ou grupos de investidores.

É por isso que clubes de futebol precisam ter oposição, sócios e conselhos atuantes, fiscalizadores. Para que haja um mínimo de comunicação entre uma gestão e outra, para que o clube não possa ser penalizado por erros administrativos ou rixas políticas.

Nenhum jogador de futebol é maior do que clube algum. O Santos teve o maior jogador da história. Mas já era um time importante antes de Pelé. Virou o maior time do mundo nos anos 60 com Pelé, que parou. E o Santos segue vivo, foi campeão antes, durante e depois de Pelé. Isso vale para qualquer camisa.

Assim como o jogador tem o direito de sair quando e para onde quiser, ele também precisa respeitar o compromisso que assumiu e assinou. Não tem nada de ingratidão, mercenário, isso são termos de gente que leva a coisa na base do fanatismo, que extrapola a importância do futebol.

Se Ganso quer e pode sair, ele e seus investidores precisam entender que é melhor buscar um acordo, tirar aqui, acrescentar ali, para que todos fiquem pelo menos satisfeitos, já que é impossível que todo mundo saia feliz.

PH Ganso parece ser um rapaz de cabeça boa. É profissional, não faz corpo mole em campo. Talvez esteja sendo seduzido por promessas de muito dinheiro e a possibilidade de jogar no grande centro mundial, a Europa. Isso é legítimo. Mas pode ser que o garoto esteja em voo cego pela pressão dos envolvidos. Ele deveria pensar em sair, mas numa boa, deixando as portas abertas para um retorno no futuro. Viu isso acontecer com Robinho, bem de perto.

O objetivo, lícito, do investidor, é ganhar dinheiro. O lucro do time de futebol são os títulos. Já que não podem mais viver um sem o outro, clubes e investidores precisam encontrar uma fórmula que seja boa para ambos.

quinta-feira, março 24, 2011



Há 20 anos, em Interlagos


Meninos, eu vi. Abri o Estadão de hoje e vi a matéria recordando os 20 anos da primeira vitória de Ayrton Senna em Interlagos, em 24 de março de 1991. Primeiro tomei um susto ao perceber que já estou nessa estrada há mais de 20 anos e que o próprio fato recordado tinha sido documentado muito mais em imagens em branco e preto do que qualquer coisa. Ah, esse tempo, danado!

Eu nunca fui um grande fã de automobilismo, embora tenha gostado muito de Fórmula 1 quando eu era criança, lá pelos anos 70. Sabia os nomes dos pilotos da época e os guardo até hoje. Regazzoni, Reuteman, Fittipaldi, Stewart, Ixx, Andretti, Lauda, Cevert, Peterson, toda essa turma. Eram tempos mais românticos, menos científicos e tecnológicos. Fora isso, eu era vidrado naquela Lotus preta com pintura da John Player Special, talvez o carro mais lindo da história do automobilismo. Quando ganhei um autorama de Natal e vi que o carrinho era uma reprodução da Lotus, vibrei!

Então, sem sair na curva, eu era um jovem repórter da Folha da Tarde e já seguia para minha segunda ou terceira cobertura de GP Brasil de Fórmula 1. Naqueles tempos a F-1, por causa de Senna, tinha uma cobertura até maior que a do futebol em alguns veículos. Já se vivia uma espécie de reação histérica entre torcedores e jornalistas pelo fato de Senna não ter vencido, até então, em Interlagos.

Sempre fui mais fã de Piquet do que de Senna, mesmo sem ser fanático por F-1. Eu me divertia com as tiradas do Nelson e até mesmo com suas patadas sem educação. Ele me parecia uma figura mais autêntica.

Cobrir F-1 pela FT (apelido da Folha da Tarde) era uma aventura. Jornal pequeno, sem muita estrutura, mas com uma equipe esperta, comandada pelo Zé Roberto Malia, hoje na Espn Brasil. Tínhamos o Marco Antônio Catai, que era do ramo automobilístico, e nos coordenava, e o Carlos Alencar, repórter espertíssimo o Carlão, atualmente no Diário de S.Paulo. A aposta era investir no chamado outro lado da cobertura, climão, personagens. A gente se virava direitinho.

Lembro de um detalhe interessante. Naquele tempo cobrir a F-1 dava um certo glamour na profissão. Alguns bobinhos entendiam isso como o chamado "plus a mais" e se achavam tão estrelas quanto os próprios pilotos. Viam nossas credenciais de apenas uma etapa e nos olhavam com desprezo, meio de cima para baixo. Até os baixinhos! Faziam panelinhas, grupinhos, e muitos deles ficavam sentados o tempo inteiro esperando os releases oficiais das equipes. Nada mais que isso.

Também recordo que dois monstros sagrados da profissão, esses sim feras consumadas, não botavam um pingo de banca e ajudavam a todo mundo com muita simpatia. Reginaldo Leme, que hoje tenho a honra de dizer que é um grande amigo, e Lemyr Martins. Acho que foi naquele GP que conheci o Sílvio Nascimento, grande amigo hoje na Veja, que cobria F-1 e era da turma gente fina. Também me lembro do Lito Cavalcanti dando boas dicas.

Bom, o fim de semana rolou solto e no domingo, com uma carga dramática espetacular, muita chuva e um autódromo e um País em delírio, Senna venceu pela primeira vez em casa. Lembro até hoje do Carlão, sennista fanático, arrancando o boné e jogando para cima assim que o Senna cruzou a linha de chegada.

Tarefas divididas, coube a mim acompanhar as entrevistas dos pilotos após a prova, especificamente a dos três primeiros. Pelo regulamento, os três se dirigem a uma sala no autódromo, logo após a corrida, e atendem a mídia, geralmente falando apenas em inglês.

Senna fez isso. Apareceu ali e deu uma longa entrevista em inglês. Municiado de meu reluzente minigravador Sony, apertei a tecla rec e deixei rolar, anotando e destacando pontos que considerava importante. Muitos companheiros não anotaram nada, alguns na verdade não entendiam nada de inglês, e estavam certos de que Senna falaria em português para a mídia nacional, logo após.

Não falou, exceto para a Globo. O que era praxe, aliás, na carreira de Senna. Sua assessoria de imprensa convocava a mídia para um embarque dele as 3 da manhã, por exemplo, dizendo que ele falaria. Mas Senna falava para a TV e ia embora e deixava todo mundo com cara de tacho. Era corriqueiro.

Liguei para o Malia e disse: "O Senna não vai falar para a mídia brasileira, mas eu tenho tudo gravado do que ele falou em inglês." Malia, um gênio das edições, disse para eu escrever um pingue-pongue. No nosso jargão, é o termo para as entrevistas em forma de pergunta e resposta. Na abertura do texto, destaquei que ele tinha falado em entrevista coletiva, não exclusiva, atendendo a repórteres de todo o mundo, e reproduziria as respostas dele e as perguntas dos repórteres. Não assinei o texto, evidenciando que não era material apenas meu. Demos uma página, muito bem editada pelo Malia, e as respostas de Senna eram realmente muito boas.

No dia seguinte, um nervosinho do jornalão anexo, no caso a Folha de S.Paulo, telefonou para o Malia reclamando que eu tinha inventado aquilo, que o Senna não tinha dado entrevista para ninguém do Brasil. Malia devolveu de primeira: "uai, ele falou em coletiva, temos a fita aqui com as respostas dele em inglês, se quiser eu empresto". Direto no queixo.

Aquela cobertura foi marcante. Lá se vão 20 anos. Muito por causa daquele trabalho eu recebi uma proposta para trabalhar no Diário de S.Paulo, ganhando muito mais e trabalhando muito mais, ampliando horizontes. No ano seguinte cobri a Olimpíada de Barcelona, fiz amigos eternos no Dipo, briguei, discuti, reatei amizades.

Incrível realizar que já se passaram 20 anos, e os detalhes permaneçam tão vivos na memória. Vá lá que a cabeça é grande, mas....


Pitacos da bola

*Na Vila, Ganso em dois ou três toques geniais, mostrou que é, sim, um atleta profissional, dedicado e sério. Nada a ver misturar os negócios, seu contrato etc. com o desempenho em campo. Isso ele mostrou com categoria e caráter diante do fraquinho Mogi.

*O Flu está vivo, embora ainda respire por aparelhos na Libertadores. A raiva direcionada a Muricy por parte dos torcedores tricolores me parece sem propósito. Mas assim é torcedor. No domingo o cara é endeusado, na quarta mumificado.

*Tricolor tropeçou em Jundiaí, Timão, Verdão e Peixe ganharam e os quatro seguem puxando a fila de um Paulistão modorrento. Já leio nas redes sociais críticas ao Carpegiani, que foi muito elogiado domingo. É a roda do fanatismo. Agora aguardemos os fatos sobre Adriano no Corinthians. Negócio de risco, que pode render muito ou dar preju. Como todo negócio desse tipo.

*Sou cobrado todo dia a falar sobre a questão dos direitos de transmissão de TV no Brasil. Trabalho numa empresa interessada, envolvida no processo, e qualquer coisa que eu vale será interpretada de mil maneiras pelos corneteiros de plantão. Eticamente, não acho que eu deva me manifestar porque sou parte interessada, já que obviamente, gostaria de continuar comentando os jogos onde trabalho. Por sinal, gosto muito do que faço e de onde faço. Infelizmente, muita gente que é envolvida e interessada no processo, se finge de desiteressada para professar uma imparcialidade messiânica, esquecendo de olhar para o próprio rabo e suas ramificações. Por isso, deixo a área de negócios para quem é de direito. Sou comentarista de jogos de futebol e apresentador de programas e de eventos esportivos.

terça-feira, março 22, 2011



Quanto vale um técnico?


Pra quem escreveu um livro sobre técnicos de futebol, eu ando meio encafifado com a situação dos "professores". Técnico é muito importante em qualquer modalidade esportiva. Agora, será que não estamos supervalorizando os treinadores em nosso ludopédio? Digo todos, torcedores, dirigentes, jornalistas, os próprios treinadores.

Em alguns casos, com o salário de um treinador topo de linha no Brasil dá para montar quase um time. Um bom time, diga-se.

Farei uma conta meio tosca. Não me interessa quem, o rendimento individual é problema do indivíduo. Vou generalizar no exemplo. Um técnico que ganhe, como parece existir por aí, coisa de 700, 800 mil reais por mês. Para chegar a isso, deve ser merecido, não discuto. Mas dá para contratar 8 jogadores de 100 mil pratas por mês. O que monta um time bem do razoável, não acham?

Embora sea importante, o técnico não pode ser a grande estrela do futebol, o eixo central. Esse sempre precisa ser o jogador. Hoje nós da mídia damos muito espaço a entrevista de treinador. Geralmente uma coisa chata, modorrenta, até deselegante.

Alguns assessores de imprensa que são mais atrapalhadores, escondem os verdadeiros astros do espetáculo. Já aconteceu de jogador ter feito dois, três gols na partida e sequer dar entrevista após o jogo. E tome técnico falando 45 minutos.

Como disse o Juca Kfoury no comentário dele na Rádio CBN, hoje cedo, desemprego não afeta técnico de futebol. E quando afeta eles têm que receber multas rescisórias. Estão sempre por cima.

A reengenharia financeira do futebol deve passar pelos treinadores, pelas comissões técnicas infladas. Todos os bons profissionais merecem ser bem remunerados, mas há exageros evidentes que contribuem para o endividamento crescente dos clubes.

Porque treinador não tem direito federativo, o investimento não se recupera vendendo o "passe". Só se vier título.

E antes que me perguntem, acho que clube tem o direito de mandar técnico embora quando quiser, assim como técnico tem o direito de sair quando quiser. Mercado deve reger essa relação. Para isso existem as tais multas.



quinta-feira, março 10, 2011


O bom, o acima da média,


o craque, o gênio, o mito...


É sempre uma boa discussão essa do quem é craque, quem é acima da média, gênio, mito, apenas bom jogador etc.

Não existe verdade absoluta no futebol que não se resuma a uma palavra, um nome: Pelé. O resto é discutível.

Infelizmente, é difícil de sustentar um debate em alto nível, dado o estado de fanatismo e clubismo de algumas pessoas, que andam infestando em especial as redes sociais. É um tal de complexo de inferioridade, de superioridade, mania de perseguição, uma falta de educação assustadora.

Mas não desanimo, sigo acreditando que, embora esteja em fase beta, o ser humano é um projeto que ainda pode dar certo no futuro.

Isso posto, voltemos ao tema do post.

Antes de mais nada, a maioria das pessoas, em especial os torcedores, não faz ideia de como é difícil ser um atleta profissional, como é complicado atingir tal status. São pouquíssimos que conseguem, em qualquer modalidade. Ser um bom atleta profissional é para um grupo ainda mais restrito de pessoas. Colocar-se acima dessa média dos bons, então, é um desafio. Ser craque é para poucos. Gênio ou mito, para alguns.

Muita gente espinafra atletas, em especial os jogadores de futebol. Chamam de pernas-de-pau, isso e aquilo. Ignoram o fato de que se for montado um time com os mais fracos entre os profissionais do futebol, certamente ganhará com requintes de crueldade da melhor seleção de craques de clubes sociais, peladeiros de fim de semana etc. É outro patamar de técnica, preparo físico, força.

Já vi casos de peladeiros que saem seriamente machucados de uma dividida leve com um ex-profissional e futebol. Assim como vi grandes times sociais serem espancados sem dó por equipes de veteranos com dez, quinze anos a mais de idade, com o detalhe de terem sido profissionais.

O futebol brasileiro é, certamente, um dos melhores do mundo. O Campeonato Brasileiro é, seguramente, um dos melhores do mundo. Mas com o êxodo de jogadores, o nível técnico tem diminuído de forma preocupante. Jogadores com 16, 17 anos precisam entrar nos times principais para resolver e acabam se queimando. Atletas com enorme potencial saem muito cedo do País.

Ficam muitos bons jogadores, alguns acima da média vigente e poucos craques, infelizmente.

Claro que essa nomenclatura é absolutamente pessoal. Eu posso achar alguém acima da média e outros, não. Faz parte.

A média tem caído, o que provoca muitas alterações de classificação por parte de cada um que analise. Há jogadores que estão acima da média no Brasil e estariam na média ou até abaixo dela numa Champions League, numa Copa do Mundo.

Mas o que seria o cara acima da média? Eu vejo como o jogador com capacidade técnica que supera o padrão comum do atleta daquela competição ou daquele país, o cara que tem condição individual, técnica e tática para desequilibrar jogos ou contribuir para que seu time ganhe jogos de maneira fundamental.

Desses, cada um dentro de seu estilo, temos muitos ainda no Brasil.

Posso fazer uma lista e certamente me esquecerei de alguém. Considero acima da média brasileira jogadores como Henrique, Montillo e Fábio (Cruzeiro), Douglas, Vítor e Borges (Grêmio), D´Alessandro (Inter), Valdívia e Kléber (Palmeiras), Lucas, Miranda, Alex Silva (São Paulo), Liédson (Corinthians), Fred e Deco (Fluminense), Thiago Neves e Felipe (Flamengo), Loco Abreu (Botafogo), Elano, Maikon Leite e Arouca (Santos), Diego Tardelli (que deixou o Galo agora há pouco). Felizmente tem muitos. Paulo Baier, por exemplo, tem técnica acima da média, por isso ainda joga em alto nível no Atlético Paranaense.

Há jogadores que podem não ser um primor de técnica, mas arrumam times, taticamente são acima da média, como Jorge Henrique, do Corinthians, Maldonado, no Flamengo, Guiñazu, no Inter, Zé Luís, no Atlético, Marquinhos Paraná no Cruzeiro. Desempenham funções para o time que outros jogadores, até com mais capacidade técnica individual, não conseguem fazer.


Certamente me esqueci de alguns e para outras pessoas tem gente que não estaria nesse grupo, outros deveriam estar etc. Pura opinião e todas merecem respeito.

O que vale é o tema, a essência da discussão.


Antes desses há uma vasta gama de bons jogadores.

Craque é mais complicado ainda de avaliar. Mas temos inegavelmente Neymar e Ganso, do Santos. Lucas, do São Paulo, já é acima da média e pode ser craque em breve. Conca fez um Brasileiro e algumas temporadas de craque e é bem acima da média. Não se é o melhor jogador do Brasileirão por acaso. Ronaldinho Gaúcho obviamente é craque. Pode ainda não estar craque de novo, mas o é na essência.

Temos em atividade dois mitos de seus clubes, Marcos e Rogério Ceni, goleiraços, com história, participações decisivas em torneios importantes e marcas individuais de respeito.

Há brasileiros atuando fora do País com enorme qualidade. Impossível deixar de considerar jogadores convocados regularmente para a Seleção Brasileira como atletas acima da média. Há até quem não esteja sendo convocado mais que eu acho craque, como Alex, do Fener. Há os que ainda não conseguiram ser os craques que prometiam, como Pato e Robinho. O mesmo vale para Kaká. Tomara que ainda possa ser.

Temos o Lúcio, seguramente se não o melhor, mas um dos melhores zagueiros do mundo. Maicon, Daniel, Alves, Júlio César. Mas não temos jogadores que façam regularmente o que andam fazendo Xavi, Iniesta e Davi Villa, por exemplo. Neymar está cehgando lá e Ganso tem tudo para fazê-lo.

Não há um brasileiro, contudo, que se aproxime, que rabisque, arranhe atualmente o nível de futebol do argentino Messi, cracaço e fortíssimo candidato a gênio. Como foram gênios Ronaldo Fenômeno, Zidane, Platini, Zico, Falcão, Beckenbauer, Cruyff, Van Basten, Puskas, Romário e mais gente. Como foram mitos gente como Ademir da Guia, Pedro Rocha, Leônidas, Tostão, Dirceu Lopes, Dinamite, Rivellino, Fontaine, Gerd Muller, Obdulio Varela, Gigghia e tantos outros.

Pelé não tem termo de comparação. Maradona quase não tem termo de comparação, como Garrincha, Di Stéfano.

Enfim, é apenas uma maneira de ver esse apaixonante jogo de bola e seus artistas.


sexta-feira, março 04, 2011


Pão de queijo


com chimarrão

A Libertadores já andou um pouco e para os clubes brasileiros tem, por enquanto, sabor de pão de queijo com chimarrão. Se os campeões nacionais de 2010, Santos e Fluminense, entraram na competição com pinta de favoritos, por enquanto ainda decepcionam. Inter, Grêmio e Cruzeiro, em contrapartida, viajam tranquilos pelo continente, como se jogassem mais uma Sul-Minas.

Explicações são coisas complicadas, cada um tem a sua. Confesso que é difícil entender por que o Fluminense vai tão mal e os motivos das derrapadas do Santos. Assim como considero raso o argumento da tradição. Tradição é para clubes, mas muitas vezes não se aplica aos momentos dos times.

Não quero explicar porque não tenho essa pretensão, mas vou colocar o que acho.

O Cruzeiro é o time, entre os brasileiros na Libertadores, que está jogando o melhor futebol. Gosto da proposta do Cuca, do meio-campo fluente, onde todo mundo sabe jogar. Ajudou muito isso a vitória sobre o Estudiantes na estréia, dessas que enche o time e a torcida de moral. O Guarany parece frágil, e o Tolima merece respeito. Ainda assim, é o Cruzeiro quem tem tudo para terminar até como melhor da primeira fase se mantiver o ritmo. E tomara que o Cuca pare com essas coisas de ônibus entrando de marcha-a-ré, coração de boi no vestiário etc. Ele é bom técnico, não precisa disso.

O Grêmio vem colado no Cruzeiro. Se não fosse aquele jogo vergonhoso em Barranquilla, estaria ainda melhor. Em casa deve ser 100% e pode disputar a condição de melhor da primeira fase, que dá a possibilidade de jogar em casa os jogos de volta dos mata-matas. O grupo é fácil, o que não é demérito algum, afinal, é o time que transforma o grupo teoricamente fácil em molezinha de fato. Mesmo já tendo perdido um jogo, lidera a chave sem atropelos. Como todos os times, ainda busca mais equilíbrio, o Santo Graal do futebol.

O Inter também caiu em um grupo no qual sobra tecnicamente e, embora ainda não tenha jogado muito bem, reúne condições de se classificar sem sustos e com boa pontuação, também pensando no primeiro lugar entre os 16 da etapa seguinte. Resta saber qual será a reação da torcida e da direção em caso de algum tropeço, já que Celso Roth será para sempre assombrado pelo fantasma do Mazembe.

E Fluminense e Santos?

O Flu decepciona no conjunto da obra, seja no estadual carioca ou na América. Mesmo tendo caído em um grupo difícil, equilibrado, não poderia se dar ao luxo de jogar tão pouco e ficar pendurado no desempenho dos outros logo na primeira fase. O desafio agora não é apenas encontrar futebol, mas desanuviar um ambiente pesado e de forte apelo de derrota. Os chavões já começam a pipocar, tipo Muricy só é bom em pontos corridos e outras bobagens desse tipo. O que falta mesmo é jogar bola. Conca quando sobe leva o time, e quando cai é a mesma coisa.

O Santos talvez esteja cometendo um erro de análise. Tem um bom time, com alguns grandes jogadores, mas não tem apenas grandes jogadores, que possam ganhar qualquer jogo quando queiram, sem uma dose mínima de organização e comando. O empate com o Táchira foi uma derrota moral, e Cerro Porteño e Colo Colo são adversários de respeito, que equilibram o grupo. A decisão parece ser contra os chilenos, em Santiago. O Colo Colo já ganhou do Táchira fora de casa, e o Cerro já ganhou do Colo Colo. Para o Santos, mais do que nunca, Neymar e Ganso precisarão jogar o que valem em contrato.

terça-feira, março 01, 2011