terça-feira, março 22, 2011



Quanto vale um técnico?


Pra quem escreveu um livro sobre técnicos de futebol, eu ando meio encafifado com a situação dos "professores". Técnico é muito importante em qualquer modalidade esportiva. Agora, será que não estamos supervalorizando os treinadores em nosso ludopédio? Digo todos, torcedores, dirigentes, jornalistas, os próprios treinadores.

Em alguns casos, com o salário de um treinador topo de linha no Brasil dá para montar quase um time. Um bom time, diga-se.

Farei uma conta meio tosca. Não me interessa quem, o rendimento individual é problema do indivíduo. Vou generalizar no exemplo. Um técnico que ganhe, como parece existir por aí, coisa de 700, 800 mil reais por mês. Para chegar a isso, deve ser merecido, não discuto. Mas dá para contratar 8 jogadores de 100 mil pratas por mês. O que monta um time bem do razoável, não acham?

Embora sea importante, o técnico não pode ser a grande estrela do futebol, o eixo central. Esse sempre precisa ser o jogador. Hoje nós da mídia damos muito espaço a entrevista de treinador. Geralmente uma coisa chata, modorrenta, até deselegante.

Alguns assessores de imprensa que são mais atrapalhadores, escondem os verdadeiros astros do espetáculo. Já aconteceu de jogador ter feito dois, três gols na partida e sequer dar entrevista após o jogo. E tome técnico falando 45 minutos.

Como disse o Juca Kfoury no comentário dele na Rádio CBN, hoje cedo, desemprego não afeta técnico de futebol. E quando afeta eles têm que receber multas rescisórias. Estão sempre por cima.

A reengenharia financeira do futebol deve passar pelos treinadores, pelas comissões técnicas infladas. Todos os bons profissionais merecem ser bem remunerados, mas há exageros evidentes que contribuem para o endividamento crescente dos clubes.

Porque treinador não tem direito federativo, o investimento não se recupera vendendo o "passe". Só se vier título.

E antes que me perguntem, acho que clube tem o direito de mandar técnico embora quando quiser, assim como técnico tem o direito de sair quando quiser. Mercado deve reger essa relação. Para isso existem as tais multas.



6 comentários:

Blog do Trétis disse...

Os técnicos estão supervalorizados mesmo. O problema é que muitas vezes, apesar dos salários milionários, não gostam de ser cobrados e acabam não correspondendo ao investimento desprendido pelo clube. Por outro lado, técnico no Brasil tem vida curtíssima, e isso pode ter contribuído para essa supervalorização de valores. É algo como "fazer o pé de meia" antes que a validade passe. Com o aumento das cotas televisivas para os clubes, penso que esses valores pagos aos técnicos, pode ficar ainda maior e mais absurdo, se comparado com o retorno que esses muitas vezes não trazem para o investidor.

Phelipe disse...

Creio que não seja somente com titulos que o treinador retorna dinheiro, quando se revela jogador também, ou quando contrata um jogador menos badalado e ele se transforma em um bom jogador ou acima da média, isso também tem que se levar em conta.

E não são todos os treinadores que conseguem revelar bons jogadores, exceto casos especiais, como o internacional em que o trabalho já vem sendo bem feito da base, inclusive esquema tático, nesses casos treinadores não tem muito mérito.

Também concordo que os salários estão exorbitantes, mas é a lei da oferta e procura, e os proprios clubes inflacionaram esse mercado, ao oferecer salarios cada vez maiores para técnicos que estão empregados.

Luis Fernando Machado disse...

Nori, gostei da sua análise e acrescento um dado. Nas comissões técnicas "infladas", o menor salário é o do médico. E se o jogador, que ganha salário milionário não se recupera...

Anônimo disse...

Noriega,

Salvo engano, não vi uma linha neste blog sobre a crise no clube dos 13 e a disputada entre emissoras pelo Brasileirão dos próximos anos. Você não considera esse assuntos relevante? Ou os jornalista da Globo não podem tocar nesse assunto?
Abraço

Marcelo Ramos

Nori disse...

Marcelo Ramos, eu trabalho numa empresa que transmite jogos de futebol, é parte interessada. Sendo funcionário, tudo que eu falar será visto com reservas sobre vocês. Muita gente disfarça isso na mídia e finge uma imparcialidade que não tem. Por isso eu, como funcionário de uma empresa envolvida, e um funcionário que não é da área de negócios, não falo sobre o tema. Eticamente não acho apropriado.

Anônimo disse...

Noriega,

Mais uma vez você demosntrou ser um jornalista diferenciado. Sua resposta e seu posicionamento estão de acordo com o seu cargo atual.
Grato pela educação com quem respondeu a questão.

Marcelo Ramos