quarta-feira, dezembro 28, 2011


Muito barulho por nada*

*Essa coluna eu escrevi para ser publicana no Diário de S.Paulo, mas esqueci que nessa época do ano as colunas deixam de ser publicadas. Efeito retardado do fuso japonês. Mas fica aqui o registro.

Por enquanto, grandes paulistas fizeram espuma. Poucas contratações e nada de protagonistas

            Se depender do que aconteceu até agora em termos de contratações, 2012 será um ano pouco auspicioso para os torcedores dos quatro grandes times de São Paulo. Em meio a promessas e ilusões, por enquanto não se concretizou nenhum reforço que merecesse manchete ou festa dos torcedores.
            A impressão que fica é que entre as assustadoras pedidas dos jogadores e de seus empresários e a realidade financeira dos clubes parece existir um oceano de incertezas. A crise econômica é uma realidade e certamente chegará ao Brasil. Os valores astronômicos que os clubes sonhavam conseguir com marketing e patrocínios estão sendo revistos sempre para baixo, o que tem impacto na política de contratações.
            Quem mais se mexeu por enquanto foi o São Paulo. Não fez contratação de impacto, é verdade. Trouxe uma promessa, o lateral Bruno Cortês, um volante experiente, Fabrício, um meia que ainda não vingou, Maicon, e zagueiros que disputaram um bom Brasileiro, Paulo Miranda e Edson Silva. Nada que justifique apresentação no Morumbi, nem que corrija o maior defeito do time em 2011, a falta de criatividade no meio-campo.

            O Corinthians busca, com tem sido sua marca registrada recentemente, uma contratação que faça barulho. No caso, o argentino Montillo, que tem potencial para conseguir mais que reverberação, porque joga muito. Mas será que vale a pena gastar quase toda a verba de contratações com apenas um atleta? Ou seria melhor reforçar as laterais, por exemplo? Ter mais atacantes que possam jogar de fato e não de vez em quando?
            O Santos deve ter se assustado com o que não fez no Japão e precisa melhorar sua frágil linha defensiva. Além de buscar gente que possa ocupar a vaga de Neymar quando ele estiver com a seleção. Mas o grande problema, de fato, é aproximar o desempenho da defesa do rendimento do ataque.
            O Palmeiras segue sendo maltratado pelos seus ultrapassados dirigentes. Não contrata e ainda faz um negócio de deixar arrepiado até o pior dos comerciantes, ao aceitar pagar uma fortuna por Valdívia, aumentando as dívidas. Em vez de trazer os camarões de Felipão, paga caro por um prato servido requentado.
            A Lusa não tem a realidade financeira dos quatro parceiros, então os sonhos são mais modestos. O que pode ser interessante, pela realidade do mercado. Pouca gente boa, muita gente média e pedindo alto demais. Com inteligência, dá para montar um time competitivo, de acordo com o que se apresenta. O mesmo vale para a Ponte Preta.

Quem procura....
            Adriano telefonou para dirigentes corintianos choramingando que é zicado, que tudo acontece com ele. Tadinho... Seria o caso de alguém lembrar ao atacante o velho ditado popular do quem procura, acha. Quem brinca com bola certamente colhe coisas bem diferentes do que quem anda com revólver no carro. Lamentável!

  Velhos fantasmas
            Em vez de renovação e ideias arejadas, eis que o noticiário político do Palmeiras aponta para uma possível volta de Mustafá Contursi ao poder. Depois o torcedor custa a compreender porque o time só patina. O tempo passou na janela e só os dirigentes palmeirenses não viram. Desse jeito a fila não anda.

 Chega de testes
            2012 é ano-chave para Mano Menezes na seleção brasileira. O time empacou em 2011, não teve quase nada de aproveitável. Hoje temos Espanha, Alemanha, Holanda e Uruguai muito à frente do Brasil. É hora de dar uma cara ao time, não apenas um uniforme. A Olimpíada será uma boa vitrine do que a nova geração pode oferecer.

Nó Tático
            A devastadora vitória do Barcelona sobre o Santos ainda renderá muito debate em 2012. Na mídia, no boteco, no clube, na praia. Mas será que onde deve acontecer o debate ele realmente surgirá? Nos clubes, nas federações, na CBF?

            Honestamente, duvido. Os dirigentes e treinadores brasileiros são dotados de tal nível de soberba atualmente que não conseguem, na maioria dos casos, enxergar um palmo adiante do nariz de Pinóquio. Poucos pensam no futuro, no que pode acontecer com seus clubes e seus negócios em quinze, vinte anos.
            O Barcelona pensou 30 anos antes para colher o que tem hoje. Enquanto os clubes brasileiros correm atrás de dinheiro para comprar jogadores, o time catalão ganha o mundo com nove atletas criados em sua base.

            Por aqui assistimos a clubes grandes verificarem, estarrecidos, que seus elencos contam com pouquíssimos atletas que pertencem a eles. Na maioria, são ativos de empresários.

            Mas o que fica de questionamento, o mais grave, é saber quem são os treinadores da base? O que podem ensinar aos jogadores? Como estão contribuindo para a formação dos atletas? Porque é como na educação formal. Não adianta querer ensinar tabuada e concordância na faculdade se isso não foi feito da maneira correta lá atrás, no ensino básico.
            Por isso muitos dos nossos zagueiros se apavoram quando recebem uma bola recuada, nossos laterais precisam ajeitar a bola dez vezes antes de cruzar, nossos atacantes cabeceiam de olhos fechados e por aí vai.
            Nada se ensina sem bons professores. Adaptando a frase do Felipão, não adianta pedir camarão se da cozinha não sai nem um feijãozinho bem temperado.

quarta-feira, dezembro 21, 2011


De 2008 a 2011,

lições do "balón"


Reproduzo aqui o texto que publiquei ainda em Viena, horas após a Espanha conquistar a Euro 2008 e iniciar seu domínio sobre o futebol mundial, referendado pelo Barcelona.

Ao retomar o texto reflito e convido os que aqui passam, para refletir sobre o que aconteceu com o futebol brasileiro desde então.

Cada vez mais me convenço que, embora ainda brotem talentos, nossos dirigentes e treinadores caminham para o lado oposto do que indica a armada espanhola com sotaque catalão.

Feliz Natal e um ótimo 2012 a todos!

http://blogdonori.blogspot.com/2008/06/fria-espanha-reina-soberana-sobre-o.html  


DOMINGO, JUNHO 29, 2008

FÚRIA

A Espanha reina soberana sobre o futebol europeu, 44 anos depois de seu primeiro título. Finalmente o futebol jogado pelos espanhóis se equivale ao bom futebol jogado na Espanha (quase sempre por estrangeiros, diga-se). Há muito o que comemorar, não apenas pelos espanhóis, com essa Uefa Euro 2008.
Pelo lado de Castela e Aragão, além da conquista, é mais do que justo celebrar o futebol de um Iniesta, rápido e habilidoso, de um Fabregas, do grande goleiro Casillas. E com a providencial ajuda brasileira, um senhor volante chamado Marcos Senna, tipo dono do time, passe preciso, marcação incansável. Se ele faz o segundo gol naquela jogada maravilhosa que ele mesmo iniciou, viraria mito na terra de Cervantes.
Que dizer de Fernanto Torres? forte como um cavalo, oportunista como o herói espanhol de 1964, Marcelino.
Da Alemanha há quase nada a destacar. Fora Schweinsteiger, craque mesmo, o time foi uma pálida lembrançda da esquadra poderosa e confiante de outras jornadas. Podolski pipocou, Ballack, se estava machucado, deveria ter pedido para sair, pois praticamente não entrou. Metzelder é fraco demais.
Para o mundo, a Europa passa a mensagem de que o futebol pode ser mais livre das amarras táticas, das teorias professorais dos treinadores, e deve ser entregue cada vez mais aos jogadores, pois talento, felizmente, ainda há de sobra. 

domingo, dezembro 11, 2011


Semifinal é desafio

psicológico no

Mundial de Clubes


Estou no meio da viagem para meu terceiro Mundial de Clubes in loco. Gosto da competição, que ainda precisa se ajustar à questão meio doida do calendário internacional do futebol. O que parece muito difícil de ser conseguido. Afinal, os interesses de cada país precisam ser respeitados, assim como suas diferenças climáticas, culturais etc.

Nessas três edições no local e em outras que vi pela TV, cheguei a uma conclusão que compartilho com vocês, teclando enquanto não chega a hora de embarcar para 14 horas de voo de Nova Iorque a Tóquio. A de que a semifinal é a partida, no fundo, mais difícil e psicologicamente complicada para os times europeus e sul-americanos.

Mas por quê? Simples, porque é o jogo que os times grandes que vão ao Mundial não podem perder. Perder a decisão em jogo único contra um rival de peso, o que vale para sul-americanos e europeus, faz parte. Duro é cair na semifinal ante um time sem grande tradição. Os colorados ainda sentem a dor da derrota para o Mazembe e seus reflexos. O São Paulo sofreu barbaridade ante um time saudita em 2005, o próprio Inter suou sangue na semi de 2006, anes da glória contra o Barça.

Testemunhei esse nervosismo dentro do campo, em 2006, quando assisti a semifinal no gelado gramado do estádio Nacional de Tóquio. O peso dessa derrota, digamos, proibida, fez o jogo ficar muito mais complicado do que deveria ser. O Al Ahly jogou leve, solto, enquanto o Colorado era um time tenso, travado. Na final, contra o Barça, os comandados de Abel Braga jogaram com mais leveza do que na semifinal.

Eis que no meio do caminho santista aparece o Kashiwa de Nelsinho Batista, de Leandro Domingues e Jorge Wagner. Sempre achei que seria mais complicado esse adversário que o Monterrey. Porque vem em ritmo de competição, joga em casa, adaptado ao clima e não tem muito a perder.

O Santos é melhor, tem craques que podem decidir o jogo, mas precisa controlar a ansiedade e essa armadilha de se falar sempre na final, de se almoçar e jantar Barcelona antes de papar a entrada, que é o time japonês. Que não pode ser tratado como aperitivo.

  

terça-feira, dezembro 06, 2011



Coluna publicada terça-feira no Diário de S.Paulo

Segredos foram

Tite e comando





Uma das muitas teorias proferidas sobre o futebol reza que jogadores ganham jogos e treinadores ganham campeonatos. Todas as teses têm certa lógica quando se trata desse jogo, mas, no caso do Corinthians campeão brasileiro de 2011, parece que essa do trabalho do técnico faz todo o sentido.
Daqui a muitos anos, quando os corintianos forem recordar esse título, dificilmente ele será associado a um jogador, especificamente. Não será o Corinthians do Neto, do Marcelinho, do Ronaldo. Mas será, sempre, o Corinthians do Tite.
Quando acontece uma conquista marcada pelo equilíbrio, pelo drama e pela incerteza até os minutos finais, sempre se procura uma explicação, um momento, a fagulha decisiva. O Timão desta temporada não teve craques. Individualmente, os maiores destaques talvez tenham sido Ralf e Paulinho, jogadores muito mais táticos do que técnicos. Não houve um artilheiro fundamental, nem um cérebro pensador.
Mas houve um olhar preciso e eficiente sobre as características do time. Esse olhar veio do banco, veio de Tite. Ele mesmo, tão criticado, chamado de burro, cuja cabeça foi pedida diversas vezes por diretores corintianos, por comentaristas e colunistas. Tite sempre soube que não tinha um esquadrão em mãos. Teve a confirmação disso quando viu a Taça Libertadores voar pela janela, com atuações sofríveis dos medalhões Ronaldo e Roberto Carlos. Sacou, naquele momento, que marketing é para os marqueteiros e, para ganhar alguma coisa, precisaria superar a falta de inspiração com excesso de transpiração.
Quando a coisa ameaçou degringolar, o Tite de voz mansa, apaziguador, discurso de motivador em formato de catequista, mostrou que mandava de fato no time. Tirou quem achou que deveria tirar e jogou a responsabilidade para os atletas antes do clássico contra o São Paulo. Ali, definitivamente, ganhou o grupo, respaldado pelo presidente do clube alvinegro.
Aliás, nos bastidores, o Corinthians teve em Andrés Sanchez e no diretor Edu Gaspar figuras fundamentais, também decisivas. Blindaram o elenco, mas também cobraram duro quando foi preciso, respaldaram o treinador e fizeram a ligação entre grupo e chefe, que costuma ser uma armadilha no futebol.
Houve outro momento fundamental: a derrota para o América Mineiro. Ali se manifestou o mortal pecado da preguiça. O time vestiu um salto alto a cujo luxo não poderia se dar. Tite passou o recado claramente, até via mídia, e quem ouviu garante que muito mais claramente para direção e jogadores.
Além disso, o Corinthians fez uma largada cinematográfica, errou pouco nas tomadas de curva e, na reta de chegada, arrancou para a conquista com desempenho superior ao dos rivais. O título é incontestável e merecidíssimo.
Que Tite saiba aproveitá-lo com a sabedoria dos grandes e não se deixe levar pela soberba que costuma afetar treinadores que deixam a turma dos bons e muito bons para ingressar no seleto clube dos ótimos.

Verdão opaco

A falta de brilho do Palmeiras em 2011 é reflexo da falta de atitude e conhecimento do tema futebol de seus dirigentes. Enquanto não entenderem que futebol se faz com gente do ramo e são eles mesmos, os corneteiros, quem mais atrapalham o clube, esses dirigentes só proporcionarão tristeza e decepção aos palmeirenses.
Fabulosa antítese
Luís Fabiano foi a antítese do elenco do São Paulo em 2011. Mesmo jogando pouco tempo, fez muito mais do que a maioria, evidenciando a diferença técnica e de personalidade que há entre ele e a maioria dos demais. Personalidade é a premissa para a montagem de um elenco melhor em 2012.
Tri é possível

Não acho que uma eventual final de Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos seja uma barbada para os catalães. Claro que o Barça é mais time, mas qualquer grande equipe brasileira provoca calafrios nos equivalentes europeus. Que a maldição de Mazembe não nos prive desse jogo espetacular.
Nó tático

Foi-se o Doutor Sócrates. Estive muitas vezes com ele, embora não possa dizer que tenha chegado a ser seu amigo. Mesmo assim, o papo era sempre franco, divertido, o que disfarçava uma grande timidez. Ele chegava para a conversa, colocava a mão no seu ombro e falava e ouvia por horas. Esse, sim, era o maior vício do Magrão, o bate-papo.
Como jogador, foi um craque improvável. Era bater o olho nele e duvidar de que pudesse ser boleiro. Magro, desengonçado, pernas finas. Mas era gênio. O que a maioria precisava de músculos, preparo físico e correria para fazer ele resolvia com um toque, de calcanhar que fosse. Sócrates representava em campo a vingança de todo garoto desengonçado que sonhava em ser jogador de futebol e era expulso de campinhos de várzea e de peneiras.
Ele provava que era possível, sim, jogar futebol, sem ser baixinho, troncudo e perna grossa. Assim como outro craque improvável tinha feito anos antes, baseado em pernas tortas angelicais.
Talvez sem querer, Sócrates deixa a lembrança de um futebol que não existe mais e provavelmente jamais volte a existir. E, também, uma mensagem subliminar contra todos os tipos de excessos que a vida, em especial a de alguém famoso e genial, possa proporcionar.

quinta-feira, novembro 24, 2011



Efeito suspensivo no Stjd!


Confesso que não aguento mais essas notícias de efeito suspensivo no futebol brasileiro. Indepentemente de camisa, de time, é um festival de desrespeito.

Como disse um twitteiro outro dia, é melhor abrir um supermercado, porque tudo vira distribuição de cesta básica.

Se é para suspender e depois conceder efeito suspensivo, melhor não suspender ninguém, porque falta uniformidade de critérios. Porque alguns são suspensos e não recebem efeito suspensivo e outros recebem?

Que os torcedores mais exaltados me perdoem, mas nessa todo mundo já foi beneficiado na história. Os vascaínos reclamam, com razão, do efeito suspensivo concedido ao Sheik, do Corinthians. Mas Edmundo jogou a final do Brasileiro de 97 numa situação em que, se não estou enganado, a nomenclatura não era efeito suspensivo, mas uma antecipação de julgamento.

Deveria ser tudo mais prático e menos ritual. Claro que todo mundo tem direito a defesa, mas é preciso terminar com essa confusão de penas em jogos ou em dias, de artigos que estabelecem suspensões que vão de 60 a 700 dias, uma coisa sem nexo, sem lógica.

Também é preciso estabalecer critérios para a procuradoria. Não adianta se basear apenas em imagens de TV, porque um dia elas podem faltar. E a lei tem que ser universal.

Talvez seja melhor conceder efeito suspensivo ao Stjd para que ele seja reciclado.

quinta-feira, novembro 17, 2011



Números falam mais

alto que a bola do líder


O Brasileirão chegou a um ponto em que resumo com a seguinte frase: agora é o Corinthians que perderá o título, não outro time que virá a ser campeão.

Explico: para deixar escapar seu quinto título nacional, o alvinegro paulista precisará cometer vacilos numa estrada que se oferece cada vez mais livre. Ou trocando em miúdos, a Fiel pode apostar mais nos números que na bola do time.

Não significa dizer que o time está blindado contra vacilos. Já cometeu vários durante a competição. Acontece que os outros vacilaram mais.

Na ponta do lápis, o Corinthians será campeão, sem precisar de tropeços dos rivais, com mais sete pontos. Um empate e duas vitórias, ou 77%,77 de aproveitamento. Cabalísticos corintianos de plantão observarão algo de cósmico nesses números, certamente. Não é pouco, mas o que os outros precisam é muito mais.

Para chegar a esse aproveitamento, o Timão jogará contra Atlético Mineiro, em casa, Figueirense, fora, e terá o clássico contra o Palmeiras. O jogo-chave parece ser o duelo contra o Galo, que luta para permanecer na Série A e tem um time que sugere mais pontos do que conquistou pela qualidade. Nova vitória, mesmo que os rivais diretos somem três pontos, deixaria o Corinthians com dois de vantagem e seis em disputa.

O Vasco, que marcou bobeira contra o Palmeiras, precisa tirar uma diferença de três pontos, porque ficou duas vitórias para trás. Enfrentará o Avaí em casa e dois clássicos: Fluminense e Flamengo.

O Flu tem o mesmo número de vitórias do líder, mas está cinco pontos atrás. Enfrenta, pela ordem, Figueirense, fora de casa, e os clássicos contra Vasco e Botafogo.

O Figueira precisa tirar seis de diferença para o líder, com o diferencial de enfrentar o Corinthians em casa e poder arrancar três desses pontos por conta própria. Antes precisa vencer o Flamengo, ainda hoje, e também buscar pontos do Fluminense.

Como se vê, muita gente que está abaixo do Corinthians se enfrentará, o que reforça minha tese de que agora o time paulista só perde para ele mesmo.

Se for campeão, o que é bastante provável, o Corinthians será um detentor de título premiado pela regularidade e não pelo bom futebol. Há pelo menos dois times que, de fato, estão jogando melhor que o Corinthians: Vasco e Figueirense. Mas o que interessa é somar mais pontos.

Contra o Ceará, o líder, novamente, ficou devendo futebol no primeiro tempo. Além de postura de líder. Foi acuado e pressionado por uma equipe seriamente ameaçada de rebaixamento. Na etapa final, mais corajoso e beneficiado pelo nervosismo evidente do Ceará, o Corinthians se soltou um pouco e venceu numa jogada individual de um atleta que anadava esquecido e marcado pela torcida, o peruano Cachito Ramirez.

Ao longo do jogo, foi salvo por Júlio César, goleiro que é outro alvo frequente de críticas por parte dos torcedores. E que encabeça a defesa que menos sofreu gols no campeonato: 35.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Emocional atrapalha

o voleibol feminino


Ainda que algumas ausências importantes e o fato de ainda estar em curso a busca por uma nova levantadora, há um problema maior que aflige a seleção feminina de vôlei na Copa do Mundo. É uma questão emocional, muitas vezes e em alguns casos pessoal.

Esse tipo de problema é o mais difícil de administrar e configura-se na principal diferença do trabalho de um treinador no comando de homens e mulheres. O homem é mais tosco e muita coisa se resolve na porrada, no grito, e tudo fica bem dez minutos depois. A mulher tem nuances com as quais os homens não sonham, e uma crise particular, de cunho pessoal, amoroso, seja lá o que for, tem contornos muito mais sérios para uma equipe.

Tecnica e taticamente, a questão de se buscar uma levantadora demanda tempo. Fofão tinha muito tempo de seleção, conhecia as jogadoras, que as conheciam. O levantador é o atleta no voleibol que precisa armazenas mais informações. Sobre o bloqueio adversário, os sacadores adversários e, principalmente, sobre os atacantes que vai abastecer em seu próprio time. Cada atacante gosta de um tipo de bola. Um mais veloz, outro mais alta e por aí vai. Quando se tem uma levantadora da longevidade e técnica de Fofão tudo fica mais fácil. A mudança demanda tempo e paciência.

A questão emocional é muito mais complicada. Muitas jogadoras são mães, esposas, namoradas, e os longos períodos de ausência criam situações cuja administração é muito difícil. Muito mais do que se formos comparar com um time de homens. Em muitos casos, as questões pessoais tornam-se coletivas e o impacto no desempenho de algumas atletas é profundo.

Ainda assim, sendo ou não via Copa do Mundo, o voleibol feminino do Brasil tem tudo para chegar a Londres com boas possibilidades de medalha.

PITACOS MUSICAIS

Sou um fã inveterado de música e de quando em vez posto algo sobre esse tema que me fascina.

Vi o show de Peter Gabriel no SWU. Quem frequenta esse espaço sabe que sou fã de Genesis. Fãzaço. Gosto muito mais do Genesis do que do Peter Gabriel solo, e mais do Genesis sem o Peter Gabriel do que com ele.

Isso posto, o show do cara é bem legal. Mas foi apresentado no local errado e para o público errado. A orquestra é excelente, ele ainda canta muito bem, embora com algumas limitações inevitáveis impostas pelo tempo. Nem todas suas músicas funcionam no formato orquestrado. Como seu trabalho sempre foi muito percursivo (ele também era baterista), em algumas canções a falta de uma percursão nervosa é evidente.

O problema é que Gabriel não fez nada de novo ao verter sua obra e a de outros para esse formato com orquestra. Ou então de pegar canções pop e rock e dar uma nova roupagem. Não há nada de aventureiro e ousado nisso.

Mas por ser um artista queridinho da crítica, Gabriel é tratado com reverência e rotulado de moderno e ousado em tudo que faz, mesmo que não seja nada disso.

Phil Collins, que herdou os vocais do Genesis de Gabriel, não conta com o beneplácito da crítica. Pelo contrário. Há alguns anos, gravou um discaço de versões para big band de canções dele e do Genesis, além de alguns clássicos do jazz nesse formato. Com Quincy Jones e Tony Bennett. Foi atacado de tudo quanto é jeito, embora tenha sido mais convincente que Gabriel nesse tipo de aventura.

Sting regravou clássicos dele e do Police em formato "clássico" e tomou porrada. Além disso, gravou um disco belíssimo de músicas sacras e folclóricas, em formato camerístico, e também tomou cacetada.

Infelizmente, a crítica musical é assim mesmo. Elege alguns e execra outros. Falta isenção à maioria. Porque analista tem que ser isento, não imparcial.  Tem que ter a capacidade de reconhecer qualidade em algo que não gosta.

Aí do Gabriel eu pulo pra Marisa Monte, cujo disco novo comprei e tenho ouvido bastante. E gostado muito. Leio aqui e ali alguns textos da crítica musical chamando o disco de cafona e brega. Se fosse não haveria problema. Para mim não é. Vejo a obra como mais popular, romântica, direta. Tem uns bolerões ali daqueles bem mexicanos. E qual o problema de ter bolero?

Gosto da produção, com a participação de Dadi, ex-Cor do Som. Marisa tem uma voz agradável, e sempre flertou com o cancioneiro popular e romântico e com o pop descarado do tempo dos Tribalistas.

Mas qualquer artista que ouse sair um pouco da linha ativista intelectualóide ou MPB cabeça defendida por uma parcela da crítica toma porrada. O que no caso de Marisa Monte não deve fazer diferença, já que ela tem uma carreira estabelecida, acima de julgamentos preconceituosos. 

sexta-feira, novembro 11, 2011



O Dia do Fico de Neymar


Existem diversas maneiras para se analisar o Dia do Fico de Neymar. Também há somente uma vontade fundamental para que tudo se resolvesse a favor da permanência: a vontade de Neymar.

Só ficou por que quis. Hoje quem manda em seu destino é o jogador. O que é extremamente saudável, embora incomode significativamente setores da mídia, da cartolagem, da torcida e de ex-jogadores. Não é todo mundo que se acostumou com essa independência dos jogadores e com o fato de atualmente eles estarem por cima da cadeia alimentar e econômica do futebol.

O mundo mudou. Recentemente, um presidente de clube grande esteve num programa de TV do qual participo e disse que estava espantado com essa mudança. Que quando ele começou no futebol eram os diretores que chegavam de carro importado, agora são os jogadores. Segundo ele, os dirigentes hoje chegam "no máximo com um Corollinha". Dá para ver o que ele pensa do futebol e como está ultrapassado só com essa frase.

Mas voltemos ao Neymar. Ele ficou no Santos porque foi bom para ele. O ser bom para ele tem nuances. Bom porque ele gosta, fato, mas bom, também, porque ficando no Brasil ele ganha mais do que receberia na Europa. Isso é fato incontestável. Mesmo já sendo uma estrela reconhecida no planeta bola, Ñeymar não chegaria para sentar na janelinha entre as estrelas da Europa. Até em virtude da lei do vestiário e das crises de ciúmes de outras estrelas. Ou alguém acha que ele chegaria no Barça ganhando mais que o Messi, ou no Real faturando mais que o Cristiano Ronaldo? Duvido!

O futebol europeu não está imune à crise econômica do continente. A grana está curta, muitos clubes estão endividados até o pescoço. Salvam-se os que têm mecenas tipo Berlusconi, algum sheik maluco ou, então, um milionário russo de origem duvidosa.

Hoje tem dinheiro circulando no Brasil. Muito dinheiro. Também no futebol. Neymar é produto de uma nova geração de jovens, da era digital, das redes sociais. Tudo que ele faz vira notícia no minuto seguinte, seja postada por ele mesmo em seu twitter, ou por um paparazzo de plantão. Neymar representa essa moçada esperta, antenada e apressada. Parafraseando e modificando uma antiga frase da juventude de outras eras, ele é o porta-voz do viva rápido e enriqueça jovem. Tudo isso sem deixar de curtir.

O jogador de futebol não é mais marginalizado como antes. Até porque, sendo bem sincero, hoje ele tem muito dinheiro, que é o que interessa para a grande maioria. A grana mudou de mão, e os bajuladores de plantão adoram quem tem a carteira forrada. Se junto com a bufunfa vier uma revista de pseudo-famosos, tá melhor. O que boleiro tem de aspone é uma grandeza. Isso sem contar no exército de parentes e ex-namoradas e futuras companheiras que surgem do nada.

Bom, mas e o moleque bom de bola, o que tem com isso? Tem que, além de jogar muito futebol, amadureceu e desabrochou na hora certa. Quando todos os fatores convergem para o sucesso que ele pilota com a bola nos pés.

Se Neymar tivesse surgido no Santos com o mesmo talento, o mesmo carisma, o mesmo cabelo, em 1995, seria vendido em seis meses. Para sorte dele e nossa, surgiu depois. Num cenário mais favorável para o Brasil e extremamente desfavorável para a Europa. Como não quer jogar num time de sheik ou milionário russo, Neymar pode ser exigente. Pode escolher jogar, se quiser, nos melhores times europeus, enquanto segue jogando no que ele faz ser o melhor da América, o Santos.

Por trás de tudo que se fala e especula, acho que há um fator que tem sido pouco avaliado para o sucesso da operação Fica, Neymar: a exploração comercial de sua imagem. Pelo que se diz na mídia, ele e seu pai conseguiram que o Santos liberasse 100% dos direitos sobre a imagem de Neymar em publicidade. O que poucos jogadores já conseguiram e conseguirão de uma equipe, em especial de Real Madri e Barcelona.

Dizia-se que Ronaldinho Gaúcho, em seu auge, tinha esse acordo com o Barcelona. O que não é pouca coisa. Geralmente, os atletas cedem percentuais ou até o total do que ganham com publicidade individual para o clube. Assim como recebem um percentual do que o clube ganha com suas imagens.

Por mais que o Santos ou qualquer time do mundo possa oferecer um salário fixo estratosférico para Neymar, a cereja do bolo é a publicidade num Brasil que deixou de ser vidraça para ser não estilingue, mas estrela principal da vitrine econômica.

O rosto de Neymar hoje é o mais requisitado da publicidade brasileira. O moleque, assim como Ronaldo Fenômeno, parece ser feito de T-Fal, nada gruda nele. Tem carisma para sair natural em propaganda de qualquer coisa e faz vender. Os torcedores adversários não odeiam Neymar, admiram. Mas talvez não ao ponto de virarem a casaca. Ou seja, Neymar não cria conflitos que espantem as vendas.

Não gosto de colocar números em textos e opiniões, porque vivemos num País violento, onde o sucesso incomoda e atiça a bandidagem. Mas calculo, de maneira geral, que Neymar vá faturar com publicidade mais do que o dobro do que recebe como salário. E não acho difícil que chegue ao final do mês faturando mais do que Messi e Cristiano Ronaldo.

Sem precisar enfrentar períodos de adaptação, invernos rigorosos, idioma pouco conhecido, distância da terrinha e outros dramas que sempre afetaram o boleiro nacional longe de casa.

Neymar em 2009, um em 2010 e outro agora. Fisicamente, tecnicamente e taticamente vê-se um jogador novo - e melhor - a cada etapa.

Se o mundo continuar girando desse jeito, com a moeda da sorte econômica caindo sempre para o nosso lado, num prazo de dez anos nossos clubes podem ser grandes de fato em nível mundial. Principalmente se tiverem juízo administrativo. Porque de nada adianta aumentar o faturamento e a dívida crescer junto.

Dinheiro há de sobra no mercado do futebol brasileiro. Com juízo, inteligência e uma dose de sorte, não é preciso ficar namorando a bola do vizinho.

segunda-feira, novembro 07, 2011



Transpiração 2011


Emocionante é. Equilibrado, idem. Mas a cara desse Brasileirão imprevisível é a transpiração. Poderia ser um pouco mais de inspiração. Tirando Neymar quase sempre, e um Thiago Neves aqui, um Ronaldinho ali, um Montillo acolá, além de alguns lances esporádicos, é um torneio, digamos, esforçado.

Time por time, o melhor ainda não pintou. Poderia ter sido o Santos, se jogasse completo o tempo inteiro. Mas o se não joga. O Neymar, esse sim, joga. E muito.

O Fluminense é o melhor do returno e tem, no momento, o maior número de bons jogadores em boa fase.

O Corinthians é regular mas depende da transpiração, pouco inspirado que é. Se não deixa tudo em campo, perde muito de sua força. Não tem bola para administrar, tem que jogar sempre no 110% de entrega.

O Vasco é equilibrado e regular. Mas depende muito de Diego Souza para ter a centelha da inspiração.

O Flamengo tem essa inspiração vez ou outra com Thiago Neves e Ronaldinho. Para ser campeão precisa que eles estejam inspirados mais vezes.

O Botafogo talvez precise que seu técnico seja mais inspirado.

O Figueirense depende menos de inspiração de um ou outro, mas mesmo assim tem em Júlio César e Fernandes jogadores que mostram essa fagulha criativa (bonito isso).

Ao Inter parece ter faltado inspiração para muitos dos seus bons jogadores quando o time mais precisou.

Embora seja um campeonato divertido, o Brasileirão mostra algo preocupante. O jogador de futebol brasileiro padrão, atualmente, é um atleta muito bem preparado fisicamente, mas com capacidade técnica limitada. Pouco ou nada preocupado com liderança ou identificação com clube ou história.

Não chego ao ponto de dizer que são extremamente frios e profissionais. Mas me arrisco a dizer que são frios. Não gostam de assumir a responsabilidade em campo, se puderem, a passam de lado para o mais próximo.

Isso talvez se reflita na dificuldade que os times enfrentam, alguns para simplesmente permanecer na Série A, outros para vencer a Série A.

Felizmente ainda temos alguns jogadores diferentes, mais ousados, de personalidade. Poucos. Sem contar Neymar, que é fenômeno.

A pergunta que me faço e aqui deixo é a seguinte: o que é melhor, um campeonato equilibrado e de média técnica baixa, ou um campeonato com algumas disparidades mas de qualidade maior como espetáculo? 

segunda-feira, outubro 31, 2011


Brasil, Cuba e o Pan

Ao final do Pan de 2007, após uma extensa cobertura no SporTV, lembro de um papo que tive com o excelente e premiadíssimo repórter Lúcio de Castro, que conhece como poucos a estrutura do esporte no Brasil e em Cuba. Chegamos à conclusão de que sobra dinheiro no Brasil, e Cuba esbanja método e especialização.

Assim como no Pan do Rio, o Brasil terminou a competição de Guadalajara atrás de Cuba no quadro de medalhas. Por mais que se procurem fórmulas que apontem vantagem do Brasil em um ou outro quesito, a constatação a ser feita é que uma ilha minúscula, de economia combalida e, a meu ver, respeitando todas as opiniões, conceitos políticos anacrônicos, tem um projeto esportivo atrelado à educação.

Pode-se contestar que o projeto esportivo cubano seja em boa parte político, propagandista. Mas qual não é? Seja o país socialista, capitalista ou desprovido de ideologia, qualquer governante pega carona no esporte para se promover.

Acontece que Cuba tem esse projeto esportivo-educacional. Não tem as instalações que o Brasil tem, não paga salários milionários a alguns atletas, mas, qualitativa e quantitativamente, forma muito mais atletas olímpicos de alto nível do que o Brasil.

Claro que o esporte brasileiro melhorou, mas ainda acho que Cuba faz mais com menos. Aqui poderíamos fazer muito mais com os investimentos que existem, e chegam à casa do bilhão no que se refere ao esporte olímpico.

Basicamente, por não ter projeto esportivo atrelado à educação, o Brasil não consegue massificar o esporte chamado amador. Depende ainda dos clubes sociais e esportivos, que abastecem as seleções que representam o país nas provas internacionais.

Como explicar que uma ilha com 11 milhões de habitantes (população inferior à da Grande São Paulo) conquiste dez medalhas de ouro a mais que uma nação de 190 milhões de habitantes e pesado investimento estatal em propaganda no esporte?

Eu acho que é competência, know-how e projeto, diretriz.

Isso sem contar os Estados Unidos, que têm um projeto ideologicamente oposto ao de Cuba, mas com a mesma base: esporte e educação. O atleta americano nasce na escola, progride na universidade e chega ao milionpario profissionalismo. Infelizmente, no Brasil, o esporte em nível colegial e universitário não existe, doa a quem doer essa afirmação.

Os americanos levam um time B, C ao Pan e nadam de braçada. Cuba forma atletas em pistas de atletismo improvisadas (o SporTV tem em seus arquivos essas imagens para quem duvida). Cuba levou 447 atletas a Guadalajara e o Brasil, 515.

Não se trata de reduzir a questão a uma disputa do Brasil contra Cuba no esporte pan-americano. Trata-se de discutir um projeto esportivo para o Brasil. Trata-se de trazer o esporte para as escolas como parte efetiva da educação de seus jovens, da formação do caráter. Então, a partir disso, incutir uma mentalidade de prática esportiva na população. Depois, tirar qualidade da quantidade, investir na excelência da formação, do fundamento, e partir para o nível olímpico.

Não existe fórmula mágica. Talento há de sobra, sempre houve. Falta dar ao País um projeto esportivo, assim como falta um projeto educacional.

Deixo aqui o link para um blog espetacular sobre esportes olímpicos, e a análise sempre precisa do amigo Marcelo Laguna.

sexta-feira, outubro 28, 2011


Vozes que jamais

deixarei de ouvir 2


Pois mal tinha batucado as linhas falando da escalação de Aluani Neto para o time dos imortais do rádio, veio a notícia de outro chamado para esse time, o do grande Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil.

Tive a felicidade de conversar com o Luiz algumas vezes e de participar de programas nos quais ele estava. Fui honrado com o convite de falar sobre ele para o livro publicado a respeito de sua vida e obra.

Recentemente conversei com ele, na verdade uma entrevista para um livro que publicarei em breve. Era de uma fluência verbal espantosa, de uma educação inacreditável para os dias de hoje, e tinha a memória intacta.

O time lá de cima fica cada vez melhor, pra tristeza de quem fica por aqui.

quarta-feira, outubro 26, 2011


Vozes que jamais

deixarei de ouvir

Sou um ouvinte inveterado de rádio AM. De Jornalismo no rádio. Isso desde muito cedo. Ouvia muito as rádios Bandeirantes e, principalmente, a Jovem Pan. Sei de cor algumas das vinhetas da emissora que o genial Fernando Vieira de Mello transformou em referência de muitas gerações de ouvintes de jornalistas.

Ainda ouço muito a Pan e cada vez menos capto o espírito do jornalismo praticado pelo Vieira de Mello. Mas essa é outra história.

Li hoje no jornal que morreu Aluani Neto, o repórter aéreo da Jovem Pan. Para quem vive numa cidade maluca e praticamente inviável como São Paulo, os repórteres aéreos das emissoras de rádio são quase anjos da guarda. Nos tiram de enrascadas, de congestionamentos e conseguem humanizar essa metrópole cada vez mais desumana.

Lembro-me de acordar antes de ir para a escola ouvindo o Aluani Neto e seus boletins sempre precisos, texto ágil, correto e informativo, indicando caminhos para escapar dos engarrafamentos. Isso há mais de 25 anos. Levava um radinho de pilha na mochila e ficava ouvindo rádio no ônibus, o saudoso Divisa Diadema, que pegava na Rafael de Barros e me levava ao ponto em frente ao ginásio velho do Colégio Arquidiocesano, na Domingos de Morais.

Aliás, devo um agradecimento eterno ao motorista que conduzia o Divisa Diadema nos primeiros anos da década de 1980, por que várias vezes ele esperava a mim e a outros alunos atrasados alguns metros abaixo do ponto, sabendo que a gente chegaria e nos livrando da falta. Parece-me algo impensável nos dias de hoje. Tanto que fizemos uma vaquinha no final do ano e compramos um presente para ele, que não era professor, mas nos ensinou muito sobre solidariedade.

De volta às vozes do rádio que me acompanham desde muito cedo. Ainda ouço muito o mestre José Paulo de Andrade na Bandeirantes, ele e seu fiel escudeiro Salomão Ésper, agora com o jovem e talentoso Rafael Colombo e o fantástico Joelmir Beting. Também na Band ouço meu grande amigo Paulo Galvão à tarde, no Três Tempos.

Mas é a velha Pan que ecoa na minha alma de ouvinte. Com Joseval Peixoto, outro mestre, no jornal que abre o dia, ancorado por algumas das velhas e inesquecíveis vinhetas.

Sempre brinco com meu amigo e colega de trabalho Milton Leite que "quando eu era criança" eu era ouvinte dele no Show da Manhã da Pan. Claro que eu já não era criança, mas sempre me divirto ao recordar o Miltão sugerindo que "a dona fulana da Vila Ré quer trocar um fogão por uma  cafeteira".

Algumas vozes marcantes da minha vida como Israel Gimpel, Realli Júnior e agora Aluani Neto se calaram nas ondas do rádio. Mas certamente estarão para sempre em minha memória de ouvinte.

  

sexta-feira, outubro 21, 2011


Um pitaco sobre a Copa


O anúncio oficial do que já se sabia extra-oficialmente deu uma aquecida no clima da ainda distante no calendário mas incrivelmente próxima pelas necessidades Copa do Mundo de 2014.

Sou a favor da Copa no Brasil, mas não gosto dos rumos que ela tomou. Muito dinheiro público quando o slogan inicial era o da Copa da Iniciativa privada. E muito dinheiro público gasto em estádio, quando o grosso deveria ser destinado a obras de mobilidade urbana e que ficariam para o cidadão após a disputa do Mundial.

Um aspecto interessante é o das críticas que geralmente são apontadas para a Fifa. A entidade tem milhões de defeitos, mas ela não pede para ninguém organizar a Copa. São os países que se candidatam. Como fez o Brasil. Que aceitou as condições ao se candidatar. Por isso criticar imposições que eram sabidas quando o país se candidatou é jogar para a torcida. Nada mais que isso.

O caos nos aeroportos continuará, a falta de investimento em transporte público na maioria das cidades-sede continuará. Era esse o ponto que o Brasil poderia aproveitar com a chegada da Copa para evoluir.

Mas há um caminhão de dinheiro sendo gasto diretamente ou na forma de isenções para a construção ou reformas de estádios, particulares ou de governos estaduais ou municipais, que, em muitos casos, ficarão com pouca ou nenhuma utilização após o Mundial.

Esse é outro ponto: sou contra dinheiro público para construir ou reformar estádio.

Um erro crasso: nenhum jogo do Brasil no Maracanã na fase de grupos. Lamentável, simbolicamente. Existe até a possibilidade de a Copa terminar sem o Brasil no estádio emblemático do futebol no País. Faltou sensibilidade e, até, inteligência. 

Cabe a nós, agora, fiscalizar o andamento das obras e cobrar a aplicação dos recursos.

Uma boa fonte de informações é o Blog Portal 2014.

sexta-feira, outubro 14, 2011



Corinthians responde

acusação de agressão


Recebi um telefonema da assessoria de imprensa do Corinthians, dando a versão do clube sobre a denúncia publicada no Blog do Nassif sobre uma agressão que teria sido sofrida por um torcedor e seus dois filhos quarta-feira, no Pacaembu. Segundo a denúncia, eles teriam sido espancados por seguranças do diretor do Corinthians, Roberto Andrade.

Segundo a assessoria de imprensa do Corinthians, realmente houve uma forte discussão entre o torcedor (que pediu para não ter seu nome divulgado) e os seguranças, com empurra-empurra e ofensas, mas não aconteceu agressão ou espancamento.

Ainda segundo a assessoria, o torcedor passou mal, foi encaminhado ao hospital Albert Einstein ainda na noite de quarta-feira, e o Corinthians se prontificou a ajudar no que for preciso. O torcedor não aceitou a ajuda oferecida pelo clube.

Sempre de acordo com a assessoria de imprensa do Corinthians, na quinta o diretor Roberto Andrade telefonou para o torcedor pedindo desculpas pelo ocorrido. O torcedor teria aceitado as desculpas e foi, segundo a assessoria, recebido pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, na sede do clube. O dirigente também teria pedido desculpas em nome do clube e convidou o torcedor a visitar o CT.

Esta á a versão dos fatos que foi apresentada pela assessoria de imprensa do Corinthians, que reproduzo aqui conforme me foi relatada por telefone.

quarta-feira, outubro 12, 2011



Carta ao verdadeiro torcedor


Prezado torcedor de futebol, peço a licença de me dirigir a você nesse espaço. Mas apenas a você que gosta de esporte, que ama seu time, que grita, chora, ri, sofre, festeja, mas sabe que o futebol é apenas uma divertida imitação da vida. Nada mais que isso. Um jogo, lazer, diversão, entretenimento.

Aprendi a gostar de esporte desde muito cedo, e com o esporte aprendi muitas coisas que utilizo até hoje na vida. E o futebol é o jogo mais apaixonante que existe, pela sua simplicidade, pelo fato de falar rápido e diretamente ao coração e à alma.

Mas um jogo de futebol não vale uma vida, não vale uma discussão. Infelizmente, por movimentar uma fábula de dinheiro e interesses esquisitos, o futebol se transformou em algo que gera e reverbera violência.

Tenho certeza que você, torcedor de verdade, por mais que esteja irritado com seu time, jamais agrediria um atleta, por pior que ele fosse. Porque antes de ser atletas, ele é filho, pai, irmão, é um profissional que trabalha, um ser humano como qualquer outro.

A questão é que para alguns que não são torcedores e desrespeitam esse termo, o futebol se transformou em desculpa para brigar, para roubar, matar, traficar e tudo mais que você possa imaginar de ruim.

Infelizmente, muitos dirigentes de futebol acham que podem comprar a paixão de torcedores e financiam o mau comportamento desses que se apropriam do termo torcedor. E muitos jogadores pagam pedágio para esses vândalos que usurpam as cores e a história dos times.

Ainda são poucos os torcedores verdadeiros que se rebelam contra esse tipo de comportamento daqueles que fazem tudo, menos torcer digna e verdadeiramente.

Infelizmente, são poucos os jogadores que se rebelam contra esse tipo de gente, que tomam atitudes, protestam. Boa parte prefere bajular essa gente, alguns dão até dinheiro para comprar o suposto apoio dessa turba.

Você, torcedor do bem, que sabe curtir o futebol, sabe que só depende de você ignorar o comportamento dessa gente. Ensine ao seu filho que o gostoso do futebol é a curtição, que não se odeia um adversário, que é apenas um jogo e que na segunda-feira todo mundo tem conta para pagar, escola para levar os filhos, a vida para seguir.

Você, jogador de futebol profissional, que já foi torcedor e, no fundo, sempre será, talvez já tenha passado da hora de se posicionar como categoria. De exigir respeito, segurança, de não calar e pensar apenas no bicho, no pagode e na maria chuteira de cada dia.

O caso de João Vítor, do Palmeiras, não foi o primeiro e nem será o último. Pouco importa saber quem está certo ou errado, quem começou etc. Perdem todos, porque lugar de cobrar atleta é na arquibancada, com vaia. Qualquer coisa que extrapole esse espaço é patológica e precisa de tratamento.

Conto com você, torcedor verdadeiro, para seguir fazendo do futebol uma festa, e não um vale-tudo sem regras e sem graça.

sexta-feira, outubro 07, 2011


A batalha das Arenas


Não deixa de ser interessante essa disputa entre os times de futebol envolvendo suas Arenas, o nome pomposo dado hoje ao que antes era conhecido como estádio ou praça esportiva.

É reflexo de um novo tempo no futebol e no esporte em geral, o tempo da busca incessante por inovações e recursos, por reforço no caixa e ampliação de negócios.

A briga é mais acirrada na cidade de São Paulo, por questões óbvias. A capital bandeirante é um dos maiores centros de negócios do mundo e, li em algum lugar, talvez o maior pólo de convenções e turismo de negócios do planeta.

Acontece tanta coisa em São Paulo, quase sempre simultaneamente, que parece sempre haver espaço para novos empreendimentos na área de entretenimento e negócios.

Essas novas arenas se enquadram nesse propósito. Não apenas para jogos de futebol ou eventos esportivos. Mas para grandes shows, convenções, apresentações de teatro, festas, feiras etc.

Por isso hoje os três grandes times de futebol da cidade travam uma espécie de disputa extra-campo por esse espaço.

O São Paulo tem o Morumbi e há muito tempo lucra com o aluguel para shows e eventos corporativos. O Palmeiras tinha o velho Palestra Itália, que gerava receita com muitos shows, mas tinha a limitação de tamanho. O Corinthians entra agora nessa disputa com a construção de seu estádio em Itaquera.

A demanda da cidade é tamanha que não é absurdo pensar em grandes eventos realizados simultaneamente nas três praças.

Mas há particularidades envolvidas.

No caso do Palmeiras, o clube e a WTorre, sua parceira na nova Arena, deram um grande passo ao assinar acordo com a AEG, empresa que administra arenas, promove shows e tem equipes esportivas em vários pontos do planeta. Também faz parte da disputa ter alguém que possa abastecer o espaço que vem sendo criado com uma linha de espetáculos e clientes.

Outro aspecto favorável ao espaço palmeirense é a localização privilegiada, de fácil acesso e com estrutura próxima de apoio, como shoppings que multiplicam a oferta de estacionamento. Além da modernidade do projeto.

Assim como o Corinthians ganha com o projeto moderno e atualizado de seu espaço. Mas deixa uma dúvida quando à infra-estrutura do local, que é distante do centro da cidade. Mas é próximo ao aeroporto e atende a uma região carente desse tipo de empreendimento. Tem o metrô próximo, mas o acesso via automóvel é bastante complicado para quem vive longe da Zona Leste.

O Morumbi ganha pelo fato de já ser um palco estabelecido e conhecido nesse tipo de evento, mas perde pelo fato de o estádio, mesmo que venha sendo constantemente modernizado, ser um projeto antigo e que necessita de uma série de adequações que, ao que parece, devem ser feitas. Outro ponto a se destacar é o acesso ao estádio, também complicado, longe de regiões como as Zonas Norte e Leste, a falta de área no entorno para ampliar estacionamento etc.

Creio que há espaço para que todos os clubes possam oferecer bons estádios aos times de futebol e boas opções para a área de entretenimento.

No Rio a situação é diferente. O Vasco pode lucrar muito se conseguir modernizar São Januário. Mas precisa resolver a questão do entorno, uma região perigosa e de difícil acesso.

O Engenhão pode oferecer ao Botafogo boa receita, mas também é preciso melhorar os acessos, já que o estádio parece ter sido encaixado a fórceps em meio a uma série de ruas minúsculas.

Em Minas o América terá no novo Independência uma excelente oportunidade de buscar recursos e crescer. Cruzeiro e Atlético podem pensar em conjunto e explorar o Mineirão, que pertence ao governo do estado.

Boa disputa se anuncia também em Porto Alegre, com Inter e Grêmio. Os tricolores investem em um estádio novo, e o Inter luta para reformar o seu palco. Resta saber se há mercado no que se refere a eventos para duas grandes arenas na capital gaúcha. Para jogos de futebol, tudo bem. Mas Porto Alegre teria demanda para eventos artísticos, feiras e convenções com dois espaços desse porte?

Temos o caso de Recife, onde o Náutico parece disposto a abrir mão dos Aflitos e utilizar o novo estádio que será construído para a Copa.

Em Curitiba a Arena da Baixada deve ganhar a concorrência do novo estádio do Coritiba, provavelmente no local onde está o Pinheirão, que foi mais um espetáculo de desperdício de dinheiro público.

segunda-feira, outubro 03, 2011



Vantagem carioca


no "Rio-São Paulo"

O duelo particular entre paulistas e cariocas, cariocas e paulistas no Brasileirão 2011 propõe uma espécie de renascimento do velho Rio-São Paulo.


A disputa entre os times do "eixo" como são tratados por alguns rivais de outros estados, apresenta até agora ampla vantagem carioca.


Foram disputados 24 jogos entre a turma da Ponte Aérea até agora no Brasileirão. Com 13 vitórias cariocas, quatro empates e sete vitórias paulistas. Os ataques do Rio somam 34 gols, contra 27 de São Paulo. A vítima  preferida dos cariocas é o São Paulo, que perdeu seis vezes nos confrontos.


Com quatro vitórias, o Corinthians é o paulista de melhor desempenho nesse duelo da Via Dutra.


Nos 24 jogos não houve uma vitória por mais de dois gols de diferença, e o jogo emblemático é o 5 a 4 entre Santos e Flamengo, na Vila Belmiro, com vitória rubro-negra


Dos dez primeiros colocados, sete são do "eixo", inclusive os seis primeiros. Fato que acontece, principalmente, porque os times de Minas cumprem campanha fraquíssima, e os gaúchos andam muito irregulares.



sexta-feira, setembro 30, 2011


Hino de Belém


Enquanto enfrentava o cada vez mais caótico trânsito paulistano, ouvi um comentário do excelente José Nêumane Pinto, na rádio Jovem Pan, sobre o comportamento da torcida paranese durante a execução do Hino Nacional Brasileiro antes de Brasil x Argentina.

Concordo e discordo de algumas opiniões e ideologias do Nêumane, mas o admiro profundamente como intelectual informado e articulado. Nesse caso do Hino, assino embaixo tudo que ele disse. Que foi basicamente o fato de o povo belenense e paraense ter tratado o Hino com o devido respeito e consideração.

Sou contra manifestações ufanistas e a mistura, que acho equivocada, de futebol com patriotismo. Futebol é manifestação cultural. Patriotismo não tem nada a ver com encher o peito e gritar gol do Brasil e depois sair do estádio e ser uma porcaria de cidadão. Sonegar impostos, comprar produto pirata, ser um mau chefe, um mau pai, um mau filho, um péssimo político etc. Só para exemplificar.

Claro que nem todo mundo é assim, e tem gente que é patriota de verdade por ser um bom cidadão, por respeitar seu País e respeitar seus conterrâneos e torcer pelo time de futebol.

A questão do hino é que ele foi banalizado completamente nos estádios de futebol, por causa de mais uma dessas leis inúteis que obriga a execução do mesmo antes dos jogos. Mas executam no sentido de carrasco da palavra. Tocam o hino pela metade, em alguns locais com andamento errado e acelerando a execução para ganhar tempo.

Em alguns estados da União o hino estadual também é executado e muitas vezes tocam este inteiro e o Nacional pela metade! Quando não vaiam o mesmo!

Vejam bem, acho importante que se respeite os hinos estaduais, os regionalismos e questões culturais de um País tão rico em diversidades como o nosso. Mas já vivemos num Brasil avacalhado pela politicagem, pelo descalabro, pela violência e por abrigar uma das piores classes políticas do Universo . Se avacalharmos o Hino, um dos nossos símbolos de unidade, aí vai sobrar o quê?

E repito, não sou ufanista, ultranacionalista, nem nada. Gosto de ser brasileiro, tenho verdadeiro orgulho disso e trabalho para ser um cidadão melhor e, com isso, ajudar a melhorar o País. Independentemente de a seleção ganhar ou perder jogos.

Por isso o episódio do Hino de Belém deveria ser emblemático. As pessoas ignoraram a mutilação do hino e seguiram cantando a plenos pulmões, por vontade, por alegria, por gostarem, mas foi espontâneo, genuíno, natural.

Patriotismo não é comprar camisa e fazer churrasco com amigos, depois xingar técnico e jogador de quatro em quatro anos.

Como símbolo popular de nossa cultura, a seleção brasileira pode ajudar muito nisso, desde que seja mais brasileira e menos comercial, que jogue mais no Brasil, que empreste seu prestígio para campanhas de cidadania.

Se der para jogar mais futebol a gente também agradeceria.

quinta-feira, setembro 29, 2011


Boas dores de cabeça

para Mano Menezes


Nada de entusiasmos ufanistas, exageros e aquele papinho de esse é o futebol brasileiro com muito orgulho, com muito amor. Não sou adepto do populismo rasteiro.

O bom da vitória do Brasil sobre a Argentina em Belém, acho eu, são as boas dores de cabeça que dela brotarão para Mano Menezes.

Entre elas a belíssima atuação do jovem lateral-esquerdo Bruno Cortês, do Botafogo. Fazia tempo que o Brasil não via um lateral jogar tão bem por aquele lado.

Lucas como meia, tendo espaço para fazer o que faz de melhor, arrancar com a bola dominada, também projeta uma saborosa dúvida. Daria para atuar com Ganso de um lado, Lucas do outro, Ronaldinho Gaúcho (ou quem sabe Kaká), Neymar e Damião ou Borges? Lucas como atacante perde quase todo seu encanto, mas é um ponta-de-lança que pode ser muito útil em 2014.

Falar de Neymar é chover no molhado. Só quem é muito ranzinza para não reconhecer no garoto o maior talento surgido no País em muitos anos. A seleção da estréia na Copa é ele e mais dez.

Foi tudo às mil maravilhas? Claro que não. A dupla de volantes não tem pinta de que possa reivindicar uma vaga no time da Copa. A lateral direita, em que pese o bom jogo de Danilo, em termos de Copa ainda parece aberta.

Mas o bom é que dá para imaginar um time olímpico realmente forte, e para o bem do treinador, agora muito mais aliviado, a saudável questão sobre os jogadores que atuam no País e os chamados "gringos" virou tema de ordem na pauta.

quarta-feira, setembro 28, 2011


A rodada fundamental* 
 
Embora ainda não decida o título, a etapa do fim de semana pode encaminhar muita coisa no Brasileirão

Nunca escondi de ninguém que prefiro campeonatos com final ao sistema de pontos corridos. Mas o modelo atual do Brasileiro também reserva boas emoções. A próxima rodada é um desses casos. Jogos em sua maioria valendo pela vigésima-sexta etapa e podendo encaminhar muita coisa.

Por uma dessas maravilhosas coincidências, líder e vice-líder se enfrentam no jogo que mais promete: Vasco x Corinthians, no Rio. Enquanto isso, o São Paulo, terceiro colocado, recebe o Flamengo, sexto. Luís Fabiano deve ser a atração tricolor, diante dos companheiros de Ronaldinho Gaúcho. De olho nisso tudo, com um jogo a menos, o Botafogo, quarto na tabela, enfrenta o raçudo Atlético, em Goiás. Sábado, no Rio, o Fluminense, quinto na classificação, pega o Santos, com potencial para ser o sexto se vencer os dois jogos a menos que ainda disputará.

Mais abaixo, o Palmeiras e sua irregularidade recebem o virtualmente rebaixado América, de olho na partida entre Atlético-PR e Inter e também no jogo entre Flu e Peixe. Se vencer e contar com tropeços de gaúchos e cariocas, o Verdão pode até pular para o quinto lugar. Mas se não vencer...

Enfim, juntando tudo isso e pensando nas combinações de resultados, é daquelas rodadas para o torcedor ir ao estádio e levar o radinho, ficar com o celular ligado e, quem estiver em casa, dividir a tela em quantas partes for possível para não perder nada.

O jogo com maior carga dramática é o de São Januário. Porque o Vasco pode, se vencer, abrir cinco pontos em relação ao Corinthians e seis para o São Paulo, caso haja derrota do Tricolor. Mas também corre o risco de cair para o terceiro posto se perder e der vitória paulista no Morumbi.

Bola por bola, a cruz-maltina tem sido mais redonda que a de todos os outros times. Arrumado, entrosado e confiante, o Vasco ainda conta com o goleiro Fernando Prass e o meia Diego Souza em fases inspiradas. O Corinthians pode não entusiasmar, mas segue firme na disputa pela taça e sonha com a volta de Adriano.

Na sequência dessa rodada pra lá de agitada, a seleção brasileira, de novo ela, provocará desfalques importantes em várias equipes, mexendo com a realidade da competição e apimentando ainda mais essa receita. Pode não decidir nada, mas que vai fazer barulho, isso essa próxima rodada vai.

Jejum no Coliseu

Chama a atenção a estiagem por que passa Kléber, o Gladiador palmeirense. São 20 jogos sem fazer gols pelo Brasileirão, mais que um turno, num período de tempo que chega a cem dias, um terço do ano. Neste período, ele contabilizou apenas um tento, pela Sul-americana, contra o Vasco.

Ventos da mudança

Se vencer a Argentina amanhã, em Belém, a seleção brasileira deve ser um time mais solto nas próximas partidas. Não será surpresa para este colunista se Mano Menezes colocar em campo, simultaneamente, em algum momento, Oscar, do Inter, Lucas, do São Paulo, e Ronaldinho Gaúcho. Para guardar e checar.

Lusa em alta  

A ótima fase da Lusa fez com que o clube lançasse seu programa de sócio torcedor. Com direito a um vídeo muito bem sacado na página do programa na internet. Quem quiser, pode conferir o vídeo no endereço www.eutorcojunto.com.br. O projeto tem plano único, por enquanto, pelo valor de R$ 39,00 por mês.


Nó Tático

Problemas brotam no Palmeiras como mato. Cada um tem seu diagnóstico para os motivos que levam um clube gigantesco a colecionar vexames. Meu diagnóstico é antigo e vou repeti-lo. Falta qualidade na direção. O Palmeiras tem um quadro incompetente e retrógrado de dirigentes que pararam no tempo e nos vendetas das alamedas do velho Palestra Itália.

Sempre destaco o seguinte: o último título conquistado pelos dirigentes do Palmeiras foi o Paulista de 1976. De lá para cá, o clube só venceu quando o futebol foi tocado por gente de fora, as famosas parcerias. O que indica um problema antigo. Falta humildade e união entre os dirigentes palmeirenses para reconhecer sua incompetência em administrar uma herança do tamanho deste clube glorioso.

Falta ao Palmeiras uma direção de futebol que entenda e goste de futebol e que dê a cara para bater. No vexatório empate contra nove do Atlético Goianiense, o vice Roberto Frizzo cercou-se de seguranças e preferiu o silêncio após um dos jogos mais vergonhosos da história do clube.

O resultado é a formação de grupos de jogadores sem personalidade, sem perfil vencedor e sem conexão com a história do clube. Na hora do aperto, o que mais se vê nos times recentes do Palmeiras é jogador se livrando da bola e empurrando a responsabilidade para quem estiver mais perto, esperando um salvador da pátria. Reflexo da falta de comando do clube.


A marca ainda é forte, poderosa, mas a incompetência é alarmante e contagiosa.

*coluna publicada terça-feira, dia 27/09/2011, no www.diariosp.com.br

quinta-feira, setembro 22, 2011

A tal da ética da bola


Quem curte futebol e esporte em geral está acostumado a ouvir falar sobre a tal ética do atleta, um código que não está escrito nem foi publicado, um conjunto de regras e padrões de comportamentos implícitos da profissão de atleta.

Mais ainda no futebol, onde esse código é conhecido como a tal ética do boleiro.

Ética de boteco, diga-se. A grosso modo, esse código é o seguinte: você não me sacaneia que eu não te sacaneio. Simples assim. Só não vale o que eles chamam de trairagem. Contra eles próprios, diga-se, porque quem faz a trairagem nunca se acha traíra

Só que no meio do caminho entram interesses financeiros, amizades, privilégios e uma série de outros fatores.

O caso mais recente da aplicação do tal código de ética do boleiro foi esse envolvendo o zagueiro Chicão, do Corinthians.

Sacado do time claramente por questões técnicas, Chicão se recusou a ir ao banco de reservas no clássico contra o São Paulo, alegando estar abalado emocionalmente por ter sido sacado. Mas prontamente se ofereceu para jogar contra o Bahia, na rodada seguinte.

Em se partindo de um capitão de time, de quem se cobraria, no mínimo, alguma liderança, pintam várias perguntas.

Qual o compromisso mostrado por um líder quando se comporta assim? Se foi sacado do time, sua liderança não seria útil na concentração, no banco? Ou ela só vale quando ele joga?

Que pensa um jogador se o atleta que é escolhido como capitão dá esse tipo de exemplo absolutamente individualista? Será que o compromisso dele é com a equipe ou apenas com si próprio?

Existem mil maneiras de avaliar esse caso. E há complicadores. Chicão é amigo do presidente do clube, que é chefe dele e do treinador. Há jogadores que não são amigos nem do presidente e nem de Chicão. Que foram sacados do time e estiveram no banco de reservas normalmente.

Deixo aqui minha visão dos fatos. Fosse eu o Tite e Chicão nem no banco ficaria contra o Bahia. Simples assim. Atleta não pode escolher posição e jogo para atuar. Ao se desligar do elenco para um clássico decisivo, Chicão jogou uma pressão absurda em cima de Tite e dos jogadores que atuaram nas posições de zagueiros. Qualquer falha desses atletas seria potencializada, e a culpa cairia sobre o treinador.

Tite fez uma opção técnica. Chicão é bom zagueiro mas tem falhado seguidamente. Não é nada de outro mundo ele sair do time. A opção também foi corajosa, porque o treinador está com a corda no pescoço. O Corinthians fez um jogo conservador contra o São Paulo, jogou para empatar. Empatou e a zaga com Wallace e Paulo André não foi mal.

Para mostrar ao grupo que tem comando e não faz escolhas pessoais ou preferenciais, acho que Tite deveria repetir a zaga contra o Bahia e nem relacionar Chicão para o banco. Ele mostraria aos jogadores que valoriza espírito de grupo e compromisso.

E vocês, o que acham?