terça-feira, novembro 30, 2010

A coluna desta terça


no Diário de S.Paulo

http://migre.me/2AWx6

segunda-feira, novembro 29, 2010

Lá vai Muricy, sr.


pontos corridos


Quando publiquei o livro Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro, uma saraivada de críticas choveu sobre minha cabeça por ter listado Muricy Ramalho entre eles. À época da publicação, ele tinha acabado de ser tricampeão brasileiro de futebol por um mesmo clube, fato inédito e que dificilmente será repetido.

Agora Muricy está muito perto de faturar seu quarto título nacional, pelo Fluminense. Na era dos pontos corridos, segundo informa o site Infobola, ele reina absoluto. Deixou para trás Wanderley Luxemburgo em média de pontos conquistados e é o técnico com maior número de jogos dirigidos nesse formato.

Deve provar no próximo final de semana que é vencedor e competente, não importa a equipe, o tamanho do orçamento e a estrutura do clube. Quando o São Paulo resolveu demiti-lo, acreditava que poderia se virar com base nas ideias de seus dirigentes e nas categorias de base. Emplacou dois anos sem títulos após papar três com Muricy. O Palmeiras não teve paciência e serenidade para segurar o treinador e mudar um time com perfil perdedor. Bateu na trave em 2009 e foi parar na arquibancada em 2010.

O Fluminense,  mesmo ainda bagunçado e dividido entre o mecenas e o clube, apostou alto em Muricy. Uniu ao treinador competente o talento de Conca, com o qual ele sempre sonhou no São Paulo, mas o clube não contratou. Some-se a Conca um Fred, um Sheik, um Deco, bons laterais e mesmo a dupla e zagueiros ainda reticente dá conta do recado.

Foi quando teve mais problemas, perdendo Sheik, Fred e Deco, que Muricy mostrou toda sua capacidade e manteve o Fluminense no topo, sem enfrentar uma sequência de 7 jogos sem vitória como, por exemplo, o Corinthians.

Se confirmar o título que está próximo, Muricy poderá se dedicar a duas tarefas: capitanear o projeto de reestruturação física do Fluminense e dirigir o time na Libertadores, com boas chances de título.

Terceirização das derrotas

É sempre mais fácil reclamar de terceiros do que assumir a responsabilidade pelos erros cometidos. Palmeiras e São Paulo reclamaram do Corinthians em 2009 para se livrar da incapacidade e incompetência mostrada. Em 2010, o Corinthians reclama do São Paulo e do Palmeiras por não terem feito o serviço que ele, Corinthians, também não soube fazer.

Caso não conquiste o título, o Corinthians e alguns de seus jogadores preferirão lembrar dos jogos pra lá de desmotivados que os rivais fizeram com o Fluminense. Certamente esquecerão das duas derrotas para o Atlético Goianiense, do empate com o Ceará, da derrota para o Atlético Mineiro, do empate com o Vitória, dos sete jogos sem ganhar. Também esquecerão que titulares foram poupados em algumas rodadas por priorizar a Libertadores, o que todos acham correto.

O Cruzeiro certamente não lembrará que perdeu para o Vitória em casa e deixou pontos para o Atlético Goianiense. Ou que empatou em casa com o Prudente.

Se der Fluminense e não Corinthians ou Cruzeiro, será por méritos do Fluminense ao longo do torneio. O resto é conversinha.

sexta-feira, novembro 26, 2010

O retorno do


Rei de Copas


Sou fã declarado do futebol argentino. Para mim, não há nada melhor do que um jogo de bola entre brasileiros e argentinos, seja entre clubes ou seleções. Entre o futebol europeu e a dupla Brasil/Argentina, fico com os rivais sul-americanos, sempre. Embora seja um admirador confesso do Barcelona, por sua história de resistência, por ser a Catalunha em campo e preservar a essência do futebol bem jogado.

Por isso vejo com alegria esse projeto de retorno do Independiente na Copa Sul-Americana. O Rei de Copas, maior vencedor da Libertadores, com sete títulos, andava esquecido. O último grande time do Rojo de meu querido amigo Fernando Daniel de Oliveira foi o campeão da Supercopa da Libertadores de 1994. Treinado por Miguel Angel Brindisi, ex-craque da Copa de 1974, o Independiente era um timaço. Tinha Islas no gol, Cagna, Perico Perez e Gustavo López no meio, e uma dupla infernal na frente, Sebastián Rambert e Palomo Usuriaga.

Atropelou Santos, Grêmio, Cruzeiro e Boca para vencer a Spercopa. Também ganhou o Clausura daquele ano e o bi da Supercopa em 1995. Depois disso, houve um período de vacas magras pelos lados do Estádio Libertadores de América, em Avellaneda.

O que não apaga a mística de um grande time. Mesmo assim, o Independiente viu o Boca se aproximar perigosamente de sua marca de sete títulos continentais. O Boca já acumula seis.

A história registra uma conexão interessante entre Independiente e o futebol brasileiro. Ela atende pelo nome do grande mestre Oswaldo Brandão. Treinando o Independiente em 1967, ele conquistou o título do primeiro torneio nacional do futebol argentino. De quebra, encaixou a média de 3 gols por partida e o melhor aproveitamento da história do futebol vizinho, 86,67%.

Naquela equipe figuravam autênticos mitos do futebol sul-americano, como o uruguaio Pavoni, e uma linha de frente infernal, com Bernao, Savoy, Artime, Yazalde e Tarabini.

Mas o grande craque da história do Independiente foi Ricardo Enrique Bochini, "El Bocha". Um dos maiores ídolos de Maradona, "apenas" isso. Bochini disputou a Copa de 1986, no México, mas era reserva. Entrou em Argentina x Bélgica. Dele, Maradona disse o seguinte em seu livro "Yo Soy el Diego": "Quando fiz uma tabela com Bochini, foi como se tivesse tabelado com Deus".

Meu amigo Fernando Oliveira é fã de Bochini. Leva como talismã em sua carteira o ingresso do jogo de despedida do Bocha.

É essa instituição do futebol mundial que enfrentará o Goiás na final da Sul-americana. Adversário duro. Nada que lembre seus grandes times, mas tem bom toque de bola, jogadores de personalidade e uma torcida apaixonada. O Goiás enfrentará tudo isso com a altivez e dignidade que caracterizam seu elenco atual.

Será uma grande final.

quinta-feira, novembro 25, 2010

O Goiás ganhou. Não foi


o Palmeiras que perdeu


Antes que soem as cornetas do bairrismo xiita, deixo aqui o link de um post anterior, no qual já falava do valor e do caráter demonstrados pelo time do Goiás, mesmo naquele período à beira do rebaixamento posteriormente consumado.

Isso posto, vamos ao duelo que colocou o Esmeraldino na inédita decisão da Sul-americana. O eixo das análises quase sempre passa pelos times grandes, de mais camisa e torcida. Mas o jogo de ontem foi muito mais vencido pelo Goiás do que perdido pelo Palmeiras.

Estava tudo a favor do Verdão. Resultado no primeiro jogo, time descansado, estádio cheio, torcida em festa. A vantagem aumentou com o gol de Luan e o bom primeiro tempo que vinha jogando o time de Scolari. Não que o Goiás jogasse mal, mas o Palmeiras dominava. Até o gol de empate goiano, de Carlos Alberto, no segundo final da etapa primeira.

Foi o que bastou para que o Esmeraldino reacendesse seu fogo, e o Palmeiras reencontrasse os fantasmas de seu passado recente de fracasssos. No segundo tempo o Goiás foi de uma coragem merecedora de aplausos. Não tinha nada a perder e arriscou com as armas que tinha. Rafael Moura, sozinho, deu uma canseira nos reticentes zagueiros alviverdes.

Felpão tirou Lincoln, que era a única fonte de criatividade do time, para colocar Dinei.Talvez escorado no seu histórico de gols salvadores de cabeça. Mas Dinei não é Jardel, e o Palmeiras de hoje não tem Arce. Dinei não pegou na bola, e o Palmeiras se abriu para a única jogada aguda do Goiás, o contragolpe.

Aí, num lance de puro descontrole emocional, Márcio Araújo tomou um chapéu (lençol, balão) do gramado, numa bola que era limpa para ele, e na sequência, em grande jogada de Marcão (ex-palmeirense), Ernando fez o gol da virada.

GOL LEGAL. E puxo minha própria orelha pelo vacilo na transmissão do SporTV, pois errei feio ao dizer que havia posição de impedimento de Ernando. Lição a ser aprendida, pois, como estava na dúvida, era só ter aberto o livro de regras que levo sempre comigo. Fui confiar na memória e o cabeção me traiu. Felizmente, Arnaldo Cezar Coelho explicou a mudança ocorrida na regra após 2008, durante nossa transmissão. Isso porque o vacilão aqui cobriu a Euro 2008 (quando se precipitou a mudança) e até falou sobre isso. Devo minhas desculpas ao nosso telespectador e aprendi mais uma.

Há alguns dias disse num Arena SporTV que o Goiás tinha caído de pé e fui detonado. Mas é o que penso. O grupo de jogadores mostra profissionalismo e entrega ante um cenário de caos administrativo. E se classificou ganhando as vagas sempre fora de casa. Não vai virar um timaço, longe disso, mas seus jogadores precisam ser reconhecidos como atletas de caráter. Resta aos seus dirigentes honrar esses jogadores, a história e a torcida e reconstruir um clube que se admitiu destruído economicamente.

Ao Palmeiras resta juntar os cacos de mais um fracasso de sua enorme coleção (que nem de longe se compara ao histórico de glórias do clube, mas incomoda seu torcedor). Foi eliminado em casa, quando tinha uma enorme vantagem, fez chorar seus torcedores que haviam preparado uma festa linda, e tudo isso diante de um time que tinha sido rebaixado para a Série B do Brasileiro há dias.

Como admitiu o próprio Felipão, uma vergonha. Falta ao grupo de jogadores do Palmeiras, assim como faltou em 2009, um perfil vencedor. Os jogadores se abatem nas adversidades, muitos deles se escondem nos momentos decisivos, são traídos pelos nervos. Lutam, mas acabam derrotados por seu próprio medo de protagonizar. A maioria me parece ser assim.

O clube vive um caos político há tempos e se apega aos chamados salvadores da pátria. Felipão foi contratado para isso. É ótimo treinador, mas não é milagreiro. Desde 1977 até 2008, apenas dois treinadores  foram campeões com o Palmeiras em torneios de primeira categoria: Felipão e Luxemburgo.

Isso prova que o problema palmeirense é de estrutura de futebol, de pensamento estratégico e de direção. Falta renovação e sobram intrigas e as chamadas vendettas. Só mesmo a torcida tem sido fiel ao seu amor pelo clube. Que derroas como a de ontem podem provocar rupturas nessa relação.

Enquanto não admitir que é um clube politicamente engolido pelo atraso e pela discórdia, o Palmeiras seguirá patinando. Não adianta inventar inimigos imaginários e jogar a culpa em terceiros.

quarta-feira, novembro 24, 2010

De repente, brota

dinheiro no futebol


Durante o ano todo estamos acostumados com as ladainhas dos dirigentes de que os clubes não têm dinheiro para competir com a força das moedas europeias, que é preciso aumentar a arrecadação etc. Não são poucas as notícias de salários atrasados, de dívidas com jogadores, sem contar o enorme passivo trabalhista dos clubes e futebol do Brasil.

Mas eis que nas últimas rodadas de todos os campeonatos, no final da temporada, Papai Noel parece presentar o futebol com um saco sem fundo de dinheiro.Todo mundo tem uma graninha para oferecer como mala branca, mala preta, bicho extra, incentivo para um co-irmão despachar um rival.

Um time da Série B do Brasileirão, por exemplo, está oferecendo R$ 1 milhão aos seus jogadores pelo acesso à Série A. Fora isso, reservou uma quantia que, dependendo da combinação de resultados do outro jogo que lhe interessa, pode chegar a R$ 400 mil para jogadores de uma outra equipe. R$ 100 mil estão assegurados.

Imagine na Série A. A boleirada agradece e faz as contas para um Natal gordo e farto. É o prêmio pela incompetência que sempre chega. O time não faz nada no ano todo, fica no limbo, mas sempre pinga algum de um terceiro interessado em um suor extra.

É um banco imobiliário espetacular. O que circula de dinheiro no meio futebolístico nessa época do ano é uma grandeza.

Será que essa grana aparece nos balancetes dos clubes? Quem paga, como paga? E como justificar essa bolada extra de uma hora para outra?

O futebol brasileiro é mesmo uma mãe.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Conca muda o lado


do Gangorrão 2010


Quem não tem um grande time, caça com um grande jogador. Tem sido, basicamente, essa a história do Gangorrão 2010 em que se transformou o Campeonato Brasileiro.

Não existe um grande time, um esquadrão irresistível. Há bons times, com alguns grandes jogadores, outros em grande fase. Jonas no Grêmio, Ronaldo no Corinthians, Montillo no Cruzeiro.

E Conca no Fluminense.

Se confirmar o título que mais uma vez o corteja, o Flu deve creditá-lo em boa parte na conta de Conca. O argentino mostrou tudo que se espera de um grande jogador. Mesmo em seus momentos de baixa, que atingem todos os atletas, conseguiu ser relevante. Na maior parte do tempo foi decisivo. E muitas vezes foi espetacular.

Fluminense, Corinthians e Cruzeiro estão na Libertadores. Estiveram todos muito próximos do título. Houve momentos em que, inclusive, poderiam ter arrancado e, se o tivessem feito, já estariam comemorando a essa altura do campeonato.

Quando não teve Ronaldo, o Corinthians travou. Recuperou-se com a volta do Fenômeno e agora vive o drama de não saber se poderá contar com seu principal jogador nos dois últmos jogos. Aconteceu o mesmo com o Cruzeiro quando Montillo caiu de produção. Contra o Vasco ele retornou ao seu padrão e resolveu o jogo no primeiro tempo.

Conca foi o mais regular dos três jogadores mais importantes do campeonato. Isso pode ser o indicador de que na última rodada ele estará cofirmando o título para o Fluminense.


Apito, ah, o apito!

Como era de se esperar, houve polêmica em relação à arbitragem. Simon marcou um pênalti interpretativo para o Vitória e deixou de marcar um que era igualzinho ao de Gil e Ronaldo a favor do time baiano. De novo repito: no frigir dos ovos haverá erros para todos os lados e para todos os gostos. E serão erros, somente erros.

Entrega em domicílio

Entrega é uma coisa, falta de motivação é outra, e abandono de competição, uma terceira. A torcida do São Paulo queria que o time entregasse para o Flu. O que houve, na verdade, foi a motivação de um time buscando o título ante a desmotivação de um time sem objetivos. Já em Palmeiras x Galo havia um time lutando pela sobrevivência contra outro que abandonou uma disputa em busca de outra. Os resultados eram tão previsíveis que pareciam óbvios.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Defesa e São Marcos, 


o Assunção, garantem 


a vitória do Palmeiras


Uma das máximas aplicadas ao futebol prega o conceito de que o ataque é a melhor defesa. No caso do Palmeiras de Felipão, em sua versão 2010, a lógica é oposta: a defesa é o melhor ataque. Isso sem esquecer do pé direito calibradíssimo do novo São Marcos alviverde, o Assunção.

Este é o Palmeiras que deu passo importante rumo à final da Sul-americana ao vencer o Goiás por 1 a 0, no Serra Dourada. Um time longe de ser brilhante, mas bastante competitivo e com uma arma poderosa e decisiva.

Aí é preciso reconhecer mais uma vez que Felipão é um grande técnico. Porque o torcedor sempre quer seu time jogando pra frente, aniquilando o adversário. O Palmeiras atual não tem elenco e nem time para fazer isso. Mas se vira muito bem lá atrás, é um time disciplinado taticamente, raçudo e que tem de dois a três jogadores que podem decidir.

Basta lembrar os gols que a equipe sofria até recentemente. O Palmeiras era o rei do gol sofrido em contra-ataque, a recomposição da defesa era desastrosa. O que fez Felipão? Treinou muito posicionamento dos beques Danilo e Maurício Ramos, colocou um zagueiro-volante ou volante-zagueiro, Edinho, para protegê-los, escalou outro volante como lateral-direito e lá do outro lado fez uma dupla com Gabriel Silva e Luan. Gabriel joga a maior parte do tempo no campo de defesa, para o qual Luan retorna rápido e recompõe bem. Para completar, Deola faz justiça ao clube que é, seguramente a maior escola, de goleiros do Brasil.

Criatividade não é o forte deste elenco palmeirense. O que é compensado com entrega, compromisso e dedicação. Lincoln é um jogador talentoso mas irregular e muito aquém da capacidade física ideal. Valdívia é uma incógnita também no aspecto físico. Tinga ainda precisa e deve evoluir. Então o Palmeiras tratou, primeiro, de parar de perder para depois pensar e ganhar.

Ante um Goiás também pouco criativo e apenas veloz e dedicado, o Palmeiras teve sucesso em sua estratégia de desacelerar o jogo. Se mantiver a solidez defensiva, ainda que possa e deva enfrentar muitas dificuldades, tem tudo para confirmar a classificação para a final da Sul-americana.

terça-feira, novembro 16, 2010





Apito lá e apito cá


A discussão ainda rende. Deixo o link de Aston Villa x Manchester United. Vejam o pênalti marcado lá na Inglaterra. Talvez reflitam melhor aqueles que acreditam na tese de apito à brasileira. A regra é igual para todo mundo e permite interpretações idênticas, lá, como cá.

Abs a todos.

http://espnbrasil.terra.com.br/ingles/noticia/159737_VIDEO+EM+3+MINUTOS+UNITED+BUSCA+EMPATE+COM+VILLA+E+SE+MANTEM+INVICTO+NO+INGLES#video
A coluna desta terça (16/11)


publicada no Diário de S.Paulo


http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/11/13147-guerra+dos+estadios+no+trio+de+ferro.html

domingo, novembro 14, 2010



Flu vacila.


Timão lidera.


E a polêmica.

A rodada 35 do Brasileirão 2010 é daquelas que não termina, ficará na cabeça dos torcedores, nas páginas de jornais, ondas de rádio e imagens de TV até que o campeonato termine. Teve de tudo até agora (escrevo antes dos jogos das 19h30). Jogão, jogo mais ou menos, emoção e muita polêmica, como sempre, em torno da arbitragem.

O Fluminense foi o grande derrotado da rodada, mesmo sem ter perdido. Deixou a liderança nas mãos do Corinthians, que ganhou do Cruzeiro no jogo da polêmica. O Fluminense não cansa de perder pontos para times que estão na zona de rebaixamento e pode ver o título sair pela culatra.

Nervoso, o Tricolor carioca fez um primeiro tempo muito ruim, que mesmo a incrível pressão da etapa final não foi suficiente para compensar. A responsabilidade pesou, faltou ritmo a Deco e Fred, e tranquilidade a Washington. O Goiás mostrou, de novo, que é um time formado por profissionais dignos e dedicados, e tem Rafael Moura talvez na melhor fase de sua carreira. Mesmo assim, amargou um resultado péssimo.

Agora vem o jogo da polêmica. Vi, revi, li, ouvi, conversei sobre Corinthians e Cruzeiro com muita gente. É uma das vantagens de estar de folga e poder ver, ler e ouvir tudo que vale a pena. O pênalti em Ronaldo é, sim, discutível. Se não fosse marcado também geraria polêmica - e nem seria absurdo se não fosse marcado. Assim como não foi absurdo ter sido marcado, é lance interpretativo. Mas fico com a opinião do comentarista de arbitragem da Globo, Renato Marsiglia, de que Sandro Meira Ricci acertou ao marcar.

Para mim o maior erro da arbitragem, o que justificaria a revolta da gente do Cruzeiro, foi o árbitro não ter marcado um pênalti do goleiro Júlio César em Tiago Ribeiro, no segundo tempo do jogo. Assim como o Marsiglia, eu acho que foi pênalti no Tiago Ribeiro (no segundo tempo).

Aí entra em cena o diabo do critério. Como pode um juiz ser tão firme para marcar um pênalti e tão firme para marcar o outro quando as dificuldades envolvidas, a distância e o fato de a visibilidade não ser a melhor estarem interferindo no processo são equivalentes?

Porque Ricci estava de frente para os dois lances e foi incisivo em ambos, mas com interpretações diferentes. Faltou uniformidade de critério, porque assim como há o contato de Gil em Ronaldo, há o toque de Júlio César em Tiago Ribeiro.

Outro tema polêmico e intrigante: a quantidade de erros dos bandeirinhas em lances de impedimento daqueles fáceis, que não requerem tira-teima, replay, nem nada. No Pacaembu, foi marcado um impedimento absurdo de Montillo. Erro. Assim como o torcedor corintiano lembrará dos erros cometidos no jogo contra o o Guarani. Muitas vezes, é o bandeirinha quem enterra o trio de arbitragem.

Sobre o jogo do Pacaembu, teve todos os ingredientes de uma decisão, com grandes lances. O Cruzeiro mais técnico, dominando o meio-campo, tocando bem a bola, e o Corinthians chegando em velocidade e apostando em Ronaldo. Júlio César, goleiro corintiano, fez uma defesa decisiva em chute de Wellington Paulista.

Passei o olho pela vitória do Atlético Goianiense sobre um time reserva absolutamente desinteressado e muito ruim do Palmeiras. Assim como vi lances de Guarani e Vitória e Avaí x Inter, já sonhando com a viagem para Abu Dabi.

Não há nada decidido no campeonato. Os três postulantes ao título estão na disputa. A briga na zona da degola ainda é ferrenha e vai até o Dragão de Goiânia. O Goiás  está na UTI, Avaí e Bugre deram entrada na emergência.

Para mim, o jogo-chave será Vitória x Corinthians, em Salvador. Porque é decisão para ambos, cada um na sua luta.

Aguardemos os fatos.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Brasil começa bem

a Copa América


Pelo menos no sorteio o Brasil largou na frente na Copa América 2011. O grupo brasileiro é uma moleza, na teoria, claro. Venezuela, Equador e Paraguai, na teoria, repito, não devem incomodar a seleção brasileira. Ainda que o time paraguaio tenha feito uma bela Copa, há a questão da mudança de gerações, de renovação acontecendo. O mesmo vale para o Equador, que ainda por cima não terá seu melhor jogador, a altitude de Quito. A Venezuela segue evoluindo, mas lentamente.

Por ter muito mas jogadores para tocar uma renovação e ainda por cima uma geração promissora, o Brasil teve sorte na disputa das bolinhas.

O grupo da Argentina também soa molezinha. A Colômbia está à procura de uma boa geração, que possa ser competitiva, a Bolívia não assusta ninguém e resta o Japão, que na correria pode aprontar alguma coisa, sendo esse inexplicável convidado para jogar a Copa América sendo uma seleção asiática!

Finalmente, o melhor grupo, o mais equilibrado, é o do Uruguai. Que tem a Celeste depois de uma Copa espetacular, o bom time chileno e o convidado centro-americano, outro bom time, o México. O Peru pinta como cumpridor de tabela.

A Copa América é um baita torneio. Pena que as organizações, a começar pela dona Conmebol, o tratem como joguete político. Estive na Venezuela em 2007 e vi o que não foi feito e o que foi feito em termos de capitalização política. Teve governador de província fretando voo para jornalistas, general confiscando ingresso de convidados, enfim, a boa e velha comédia pastelão que ainda infesta esta linda América Latina.

A Argentina começou mal porque também trata o torneio muito mais politica do que esportivamente. Santa Fé, Jujuy e Salta são localidades sem muita condição de receber um torneio desse porte. Enquanto isso, uma cidade importante como Rosário fica de fora. Bem, já vimos esse filme antes.

O que importa é que para mim a Copa América precisa ser valorizada. Não faço parte do grupo de torcedores e jornalistas que desprezam o torneio. Ele é o que representa a realidade do nosso continente, e não cabe comparação com a Euro, são mundos e realidades distintas.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Lincoln foi a cereja


no bolo palmeirense

O Palmeiras confirmou seu favoritismo e se classificou cheio de méritos para as semifinais da Copa Sul-americana. Como todo bom jogo de mata-mata (sou fã declarado desse formato), houve tensão, emoção e alguns belos momentos. Sem contar o espetáculo proporcionado pela massa alviverde, que lotou o Pacaembu e teve um comportamento exemplar, jogando com o time.

O Galo foi valente, mesmo com o time reserva, e na base da velocidade deu trabalho ao Verdão, cujo time é mais pesado e compensa isso com base no bom posicionamento.

A diferença do jogo atendeu pelo nome de Lincoln. O meia fez, provavelmente, sua melhor partida desde que chegou ao Palmeiras. Entrou no lugar de Valdívia, novamente prejudicado por essa história meio sem explicação da fibrose, e foi decisivo. Participou do lance do primeiro gol e deu o toque de classe no segundo.

Lincoln tem uma característica rara nos dias de hoje. É o meia que sabe jogar e sabe ver o jogo. Ainda não recuperou a condição física ideal,  mas foi o complemento perfeito para o time palmeirense, que é muito esforçado, raçudo, mas carece de um toque de técnica no meio-campo. Valdívia e Lincoln, se puderem jogar juntos em algum momento, podem fazer boa dupla e dar mais mobilidade e criatividade ao time de Felipão.

Além disso, o Palmeiras ontem teve Danilo e Luan em boa noite, e Deola confirmando que em se plantando, goleiro bom dá no Palestra.

O Galo fez o mais correto em termos estratégicos, já que ainda corre sério risco no Brasileirão. Mas dificilmente conseguiria melhor sorte com um setor de meio-campo tão pobre tecnicamente quanto o que mandou a campo ontem.

Hoje Avaí e Goiás decidem quem vai encarar o Palmeiras. Quem passar terá problemas diante de um Verdão encorpado no melhor estilo Felipão.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Parabéns, nação Coxa!

O Coritiba está de volta à Série A, onde deve permanecer por sua grandeza e história. Tenho dois amigos coxas que gostaria de parabenizar, o professor Carlo Ramirez e o jornalista Morais Eggers, cuja paixão pelo Coritiba supera fronteiras, literalmente.

Figueirense e Bahia também estão virando a esquina da Série A. América, Portuguesa, Sport estão de olho.
Perda de mando.


Certo ou errado?


Polêmica na reta final do Basileiro. Corinthians perde um mando de jogo e Palmeiras, dois, em virtude de (mais um) ato de vandalismo de torcedores (?) no dérbi paulista.

Confesso que não conheço muito de leis, tentei consultar alguns advogados e promovi um bom debate no twitter sobre isso. Pelo regulamento, o clube mandante é responsável pelos acontecimentos dentro do estádio. Mas soa incoerente para alguns advogados que debateram que atos praticados pela torcida adversária sejam debitados da conta do mandante.

Acredito que o Corinthians deva recorrer da punição, e acho até que os próprios advogados do Palmeiras o farão. No Brasil sempre cabe recurso de tudo, o que é bom e ruim, num País de regras demais e respeito de menos às mesmas. Acredito, também, que o Corinthians tenha bons argumentos.

O que ainda não se discutiu a fundo é o que fazer com os vândalos travestidos de torcedores? Muitos deles financiados pelos próprios clubes. Fui chamado de louco e ingênuo quando disse que os clubes, quando prejudicados pelos maus torcedores, deveriam promover ações cíveis, pedindo ressarcimento dos danos. Corinthians e Palmeiras certamente perderão algum dinheiro se as punições forem mantidas. Deveriam buscar imagens de TV e de câmeras de segurança, identificar os vândalos e processá-los.

Mas parece mais fácil criticar qualquer medida punitiva que seja tomada, imaginar cenários de mutretas e afins. Alguns torcedores sérvios aprontaram num jogo que nem houve contra a Itália, e a Sérvia perdeu os pontos. O dia em que isso acontecer aqui, talvez os clubes deixem de lado a relação promiscua com alguns torcedores (?) e passem a valorizar os que simplesmente torcem de verdade.

  

terça-feira, novembro 09, 2010

segunda-feira, novembro 08, 2010

Equilíbrio total, mas a


rodada sorri para o Flu


Se o Fenômeno disse que o Basileirão é o campeonato mais difícil do mundo, só tenho que aplaudir e me sentir honrado, porque defendo essa tese há tempos, trombando de frente com os aculturados professores que grassam pela análise do ludopédio atual.

Não se vê um campeonato tão equilibrado, tão disputado em outra parte do mundo. Tecnicamente, pode-se argumentar que a Liga dos Campeões é melhor, mas nem mesmo o badalado Campeonato Inglês, que é bom mesmo, se compara ao Brasileirão. Não há no planeta bola outro torneio com dez times efetivamente em condição de disputar o título, ainda que não cheguem a disputá-lo.

Mas chega de enrolação e vamos à opinião. Ainda há muito equilíbrio entre o trio de postulantes ao título. Fluminense, Cruzeiro e Corinthians andam todos no mesmo segundo nas últimas voltas.

Mas a próxima curva é, digamos, favorável ao carro pilotado por Muricy Ramalho. Tudo no campo da teoria, claro. Isso porque o Flu recebe um Goiás que vive na UTI, no Engenhão. Um dia antes, sábado, Corinthians e Cruzeiro jogam uma decisão particular no Pacaembu. Há um cenário ideal para o time das Laranjeiras que é o seguinte: empate em São Paulo e vitória no Engenhão. O Flu chegaria a 64 pontos e Cruzeiro e Corinthians estacionariam em 61, e os cariocas livrariam uma vitória de vantagem.

Mas o cenário também pode se transformar em favor do Corinthians e do Cruzeiro. Qualquer um que vença no Pacaembu, se for brindado com um empate do Fluminense, abrirá um ponto e uma vitória. Isso sem considerar a hipótese de uma tragédia para os torcedores do Flu, uma derrota para o Goiás.

Bola por bola, os três estão no mesmo patamar, com virtudes e defeitos que variam de rodada para rodada, não se pode descartar ninguém. Talvez o campeonato até se decida, de fato, na penúltima rodada. Isso porque na última o trio de candidatos terá provavelmente advesários sem pretensão pela frente. O Cruzeiro pega o Palmeiras, provavelmente poupando jogadores para a Sul-americana. O Corinthians vai a Goiânia enfrentar o Goiás, com grande chance de já estar rebaixado, e o Flu recebe o Guarani, com alta probabilidade de estar também condenado.

Olho, portanto, na rodada 37: Corinthians x Vasco, Palmeiras x Fluminense e Flamengo x Cruzeiro.

Atrás desse trio elétrico acho que não vai mais ninguém. A distância de 5 pontos que separa o Botafogo do Cruzeiro é considerável. Ela sobe para sete no caso do Grêmio, que tem se mostrado o mais capaz dos postulantes a uma reação heróica. A quarta vaga deve ficar entre outro trio, Furacão, Bota e Grêmio. Mas os três ficarão nas mãos de Verdão, Galo, Avaí e Goiás, que lutam pela classificação pela porta da Sul-americana e, como se sabe, fecham a entrada via Brasileiro se levantarem a taça.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Furacão ainda sonha.

Verdão? Sul-americana


Saiu caro para quem pagou para assistir a Atlético Paranaense e Palmeiras. Houve o esforço de sempre, mas futebol que é bom, não teve na Arena da Baixada.

Houve polêmicas como sempre. Dois gols anulados, em, acho eu, dois erros da arbitragem. Um contra cada time.

Fora isso, o Atlético sempre quis mais a vitória que o Palmeiras. Havia desfalques nos dois times, e mesmo assim a equipe paranaense correu, tentou. Seu treinador ousou mais, colocou atacantes, tentou mudar, e foi premiado com uma vitória que mantém vivo o sonho da Libertadores, embora seja difícil. O próximo desafio é o Flamengo.

O Palmeiras mostrou que sem Kléber e Valdívia fica no esforço apenas. Quando o time coloca Pierre em campo certamente não é para tentar ganhar o jogo, ainda que Tinga não tenha correspondido mais adiantado.

Num jogo de muita dedicação apenas, o duelo dos treinadores foi vencido pelo ainda novato Sérgio Soares, que foi mais ousado e quis ganhar o jogo, ante um Felipão mais experiente, sem banco, e que não conseguiu fazer seu time atacar. Precisa fazê-lo na Copa Sul-americana, contra o Galo. Felipão já disse que 4 ou 5 titulares não jogarão contra o Guarani.

A noite marcou ainda a despedida do Grêmio Prudente da Série A. Ruim para a cidade de Presidente Prudente, mas um alerta importante para esses times ciganos, de empresários, que não ligam para torcida.
Parabéns, Ricardo Oliveira!

Certa vez, participando do Bem, Amigos, eu disse que gostaria de ver, um dia, um jogador, torcedor ou técnico brasileiro dizendo que seu time tinha vencido um jogo com um pênalti que não havia existido, algo desse tipo. Pois leio que Ricardo Oliveira, excelente atacante do São Paulo, deu essa declaração hoje, afirmando que, segundo ele, sofreu falta fora da área, e não pênalti no jogo contra o Cruzeiro.

Enfim, taí alguém que acredita que parece realmente querer o bem do futebol  e do esporte, e não apenas levar vantagem em tudo. Erros continuarão acontecendo, mas a postura de dirigentes, atletas e torcedores de apenas comentar e condenar os erros contra seus times é nociva. Geralmente, quando é a favor, eles dizem que não viram, que não podem opinar.

A postura de Ricardo Oliveira é rara e corajosa. Certamente ele será condenado por alguns dirigentes e por muitos torcedores, que sempre acham que seus times são roubados e os outros, favorecidos, criam teorias conspiratórias e parecem acreditar na nojenta tese do roubado é mais gostoso.

No lance em questão, na vitória merecida do São Paulo sobre o Cruzeiro, porque jogou melhor, no máximo houve falta fora da área em Ricardo Oliveira, no máximo. Jamais pênalti. E ele vem a público falar isso, quando o lance foi decisivo para o resultado a favor de seu time (o que não diminui o desempenho excelente de sua equipe). Enfim, é um dia histórico.

Também foi marcado um pênalti que nem duvidoso chega a ser em Dentinho, do Corinthians, contra o Avaí. Leio, também, que o árbitro desse jogo será afastado. Muitos outros pênaltis e faltas inexistentes serão marcados. Todos os times serão beneficiados e prejudicados ao final do campeonato. Erros em contratações, gols perdidos, diretoriasi ncompetentes, técnicos que trabalharam mal, tudo é esquecido, e no final a culpa será sempre da arbitragem.

Montillo parou e o Cruzeiro parou junto

Sou fão do futebol do argentino Montillo. Mas foi ele parar e o Cruzeiro também parou. Montillo joga muito mais do que tem jogado e depende dele o desempenho do Cruzeiro, ainda com grandes chances de título, nas rodadas finais. Assim como o Flu depende de Conca e o Corinthians de Elias.

Respostas no blog

Seguirei respondendo a maioria das perguntas e críticas que aqui chegam. Retiro apenas as ofensivas, xiitas e mal educadas. Também não respondo as que tentam, ainda que educadamente, criar teses fantasiosas e denegrir a imagem de terceiros, de companheiros de profissão. No mais, pode ser a maior bobagem do mundo, na minha opinião, que publico e respondo. O que é bobagem para mim pode não ser para outros.

segunda-feira, novembro 01, 2010



Felipão e imprensa


têm muito crédito


Confesso que não gosto muito de tocar no tema da relação da imprensa com os entrevistados e a notícia. Acho meio chatinho.Gosto de escrever sobre esportes, de debater idéias, interagir, ler críticas, responder aos educados e, admito, peitar alguns mais folgados. O que é errado de minha parte. Mesmo quem não me respeita merece respeito. Vou me policiar e tentarei melhorar.

Pois lá vou eu escrever algo sobre o Felipão e seus destemperos com a imprensa, que reagiu com ironia. Acho que houve excessos e ambos os lados e que todos têm muito crédito.

Lembro de uma entrevista que fizemos com o Felipão quando ele ainda treinava aquele ótimo time do Grêmio. Deve ter sido em 1996, um pouco antes de o time gaúcho ser campeão brasileiro. Eu trabalhava na saudosa Gazeta Esportiva. Fomos até um hotel no Centro de São Paulo eu, Luís Augusto Simon, o Menom, e João Henrique Pugliesi. Foi um bate-papo excelente, franco, sincero. Felipão contou que era assinante do jornal e adorava utilizá-lo para motivar seus jogadores. "Quando vocês escrevem que os times são favoritos contra o Grêmio, eu colo na parede do vestiário e mostro pros jogadores", contou, rindo.

Quando chegou ao Palmeiras, Felipão foi perseguido por alguns veículos de comunicaçãos. Porque ele tinha sido contratado pelo Palmeiras e não confirmou, mentiu por uma questão contratual. Sei do que falo porque demos essa furo na Gazeta, uma semana antes de o Felipão ser apresentado a gente já sabia. O Fábi Koff, então presidente do Grêmio, tinha me dito isso em Porto Alegre, e o Marcelo Tieppo, que cobria o Palmeiras, confirmou com suas fontes. Bancamos. Felipão negou e depois se apresentou. Muita gente não gostou e começou uma guerrinha meio besta e ambas as partes.

Certo dia estava no CT palmeirense e Felipão virou para mim: "tu és da Gazeta?" Eu disse que era. "Pois assim acho que vamos ter problemas". Aí eu disse: "Por quê? Eu nem escrevi nada ainda". Felipão não sabia que havia o jornal A Gazeta Esportiva,  a TV Gazeta e a Rádio Gazeta. Estava bravo com um repórter da TV Gazeta e foi mal informado por seu assessor que era eu. Tivemos um rápido bate-boca. No treino da tarde ele me procurou e pediu desculpas, na frente de todo mundo.

Muitas vezes o problema de Felipão é achar que o mundo é um grande Gre-Nal, que quem não é Grêmio, como ele, é Inter, ou seja, é contra. O que não é verdade. Escolado nisso, ele usa tudo como truques para buscar a vitória, motivar jogadores. Pode não ser certo, mas é válido.

Considero Felipão um grande treinador de futebol. É meio esquentado, usa métodos como os do Mestre Oswaldo Brandão, só que sem a mesma maestria. Mas é um sujeito franco, direto, o que é de se admirar atualmente. Acho até que tem razão em algumas coisas quando critica a minha área de atuação. Como, por exemplo, a insistência de alguns em dizer o quanto ele ganha. Isso é uma velha mania de alguns setores da imprensa. Cada um ganha o que ganha, é coisa pessoal. Técnico não é funcionário público e torcedor não é fiscal da receita. Nem jornalista é. Mas tem gente que acha genial a pauta de mostrar quanto ganham técnicos e jogadores. Eu acho sem graça e sem propósito.

No caso do Palmeiras, um clube que passa por um processo político quente e por uma tentativa de reestruturação do futebol, Felipão é mais que técnico, é bombeiro. Tem que ser meio dirigente numa casa onde não se sabe ao certo quem manda de verdade. Daí chegam os estouros. Acho que ele não deveria estourar quando perguntam sobre Valdívia, porque é um direito dos palmeirenses saber o que passa com o principal jogador de criatividade do time atualmente.

Enfim, tudo tem seus motivos. A mídia erra e acerta. Entrevistadores e entrevistados não precisam mesmo ser amigos. Isso, inclusive, atrapalha. Mas podem e devem se respeitar. Nesse aspecto, foi brilhante a atuação do companheiro Luiz Ademar, presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, que foi conversar com Felipão, em alto nível, como deve ser.

Todos têm muito crédito para superar o que aconteceu. Felipão sabe que a grande maioria da mídia esportiva é formada por gente séria e trabalhadora. O que todos nós sabemos que Felipão é. E todos sabem que há uma instituição por trás de ambos, uma instituição gloriosa que merece todo o respeito, que é o Palmeiras. Quando Felipão se exalta com alguém, é o técnico do Palmeiras, é a imagem do clube que está ali, também a de seus patrocinadores.

E quando Felipão fica chateado quando falam de seu salário, ele sabe que vive agora em um País perigoso, cheio de assaltos e de gente que pesquisa salários de famosos atrás de objetivos nada lícitos. De novo: se ele ganha isso é porque merece e fez muito para chegar lá. E está levando o Palmeiras adiante, com ótimas chances de ganhar a sul-americana.

Em breve acho que todos conviverão em paz. Um bom churrasco resolve tudo. E Felipão é um ótimo contador de histórias quando está relaxado.