quarta-feira, março 18, 2009

A boa e velha polêmica
em relação aos títulos

Tinha certeza que o post dos títulos do Robertão e da Taça Brasil geraria um bom debate.

Vamos primeiro aos dados históricos. O Robertão foi a origem do atual Campeonato Brasileiro e o nome era uma homenagem a Roberto Gomes Pedrosa, goleiro do São Paulo Futebol Clube e da Seleção Brasileira que também foi presidente da Federação Paulista. Foi uma evolução do Torneio Rio-São Paulo. A partir de 1967 entraram na disputa Inter, Gêmio, Cruzeiro, Atlético e Ferroviário do Paraná. Em 68 vieram os clubes da Bahia e de Pernambuco.

Em 1968, com o nome Taça de Prata, o Robertão substitui a Taça Brasil como o mais importante torneio de futebol do Brasil, inclusive indicando dois participantes para a Taça Libertadores.

A Taça Brasil, disputada entre 1959 e 1968, foi criada pela extinta CBD, antecessora da CBF, como o primeiro torneio de âmbito nacional no futebol brasileiro. O objetivo era apontar o representante brasileiro na recém-criada Libertadores da América. Participavam os campeões estaduais, com o detalhe de que as equipes do Rio e de São Paulo entravam na fase semifinal (em 64 e 68 entraram nas quartas-de-final).

Agora os comentários dos internautas e o que eu penso sobre o tema.

Odeio rankings, ao contrário do meu amigo Marcelo Laguna. Também não gosto das discussões sobre critérios, se tal título vale mais que este. Acho que quem determina a importância do título é o torcedor de cada clube.

Também acho que não se pode analisar o futebol dos anos 50 e 60 sob a ótica do século XXI. Cada época é sua época, ou cada um no seu quadrado. Houve campeonatos nacionais patéticos nos anos 70. Clube passava da Taça de Prata para a Taça de Ouro na mesma edição. Em 1979 clubes se recusaram a participar por causa do regulamento. Isso diminui a importância do título do Inter? Os torneios estaduais já foram classificatórios para o Brasileirão. Houve viradas de mesa absurdas, com times sendo rebaixados e não cumprindo. O Fluminense pulou da Terceira para a primeira. E a Copa João Havelange de 2000 vale mais ou menos que o Robertão? Porque o São Caetano, vice-campeão, jogou duas divisões na mesma temporada.

Enfim, penso eu que o Robertão e a Taça de Prata representavam aquele momento do futebol brasileiro e seus vencedores merecem ser reconhecidos. Cada um tem seu critério. Questão de ponto de vista.

Sobre o livro do Mauro Beting

Que aliás, é excelente. Um anônimo escreve falando sobre o porquê de eu aceitar participar da eleição do livro do Mauro, Os Dez Mais do Palmeiras. Amigo, já participei de eleição de melhores do Corinthians, do Santos, do Grêmio, até da seleção uruguaia. Não poderia dizer não a um amigo da importância do Mauro.

8 comentários:

Anônimo disse...

Nori, você toca em uma ssunto importante, sobre o auql poucos se dão conta: como analisar no conforto do século XXI o futebol jogado com tanta precariedade nos anos 50?
A Ponte Aérea começou a funcionar apenas quatro meses antes do início da Taça Brasil de 1959. Ou seja, não havia como organizar, prever ou mesmo pagar os vôos dos times, caso se quisesse fazer uma competição de pontos corridos, por exemplo.
Não havia patrocínio de camisa ou verba da tevê. Os times viviam de rendas e os ingressos eram bem mais baratos. Os campeões do mundo em 1958 ainda andavam de bonde em 1959. A CBD fez o melhor que pôde e tanto deu certo que os times brasileiros que participaram da Libertadores nos anos 1960 chegaram a 50% das finais, índice só superado nos anos 90.
Uma final de Taça Brasil, a de 1962, teve oito titulares e três reservas da Seleção bicampeã em campo, entre eles Pelé, Garrincha, Zito, Nilton Santos, Mauro, Gylmar, Amarildo... É essa história que deve ser apagada?
Por falar em "Brasileiro", que na verdade só teve esse nome a partir de 1989, em quatro edições foram usadas regras não permitidas pela International Board (três pontos por vitória de dois e três gols de diferença e classificação por renda) e as primeiras fases tinham tantas equipes medíocres que o Flamengo e o Inetrnacional chegaram a ser campões enfrentando apenas três times do hoje chamado Clube dos Treze.
Desprezar a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (este, a competição nacional mais enxuta e com maior média de público) e querer contar os campeonatos nacionais apenas a partir de 1971 é, no mínimo, incoerente.
Parabéns por tocar nesse assunto com a isenção de sempre.

Marcelo Laguna disse...

Nori, só pra esclarecer: acho que ranking é ótimo para discussão de boteco, entre amigos, como sempre deve ser em relação ao futebol. Tem coisa melhor do que discussão numa roda de amigos sobre futebol? O que nãop dá pra levar a sério são uns rankings publicados por aí, sem pé nem cabeça. Concordo com você: não é possível comparar épocas distintas, de qualquer esporte.

Abração

Francisco Avelar (historiador) disse...

Considerar campeões brasileiros é o mesmo que considerar o Uruguai bi campeão do mundo em 1924 e 1928. O Uruguai tem não tem o direito, tem OBRIGAÇÃO de comemorar esses feitos, mas querer que a FIFA os considere mundiais, como o Uruguai tentou no passado, é ridículo. Claro que a FIFA mandou ir a merda. Mundial é Mundial, Olímpico é Olímpico. Taça Brasil é uma coisa, Robertão é outra, e Brasileiro é uma terceira coisa.

Palmeiras, Santos etc. tem a OBRIGAÇÃO de comemorar os títulos, a questão é que NÃO DÃO NENHUMA IMPORTÂNCIA a eles. Não reunem os campeões, não lançam camisetas comemorativas etc.; mas querem que a CBF transforme A em B, uma coisa em outra.

E você só defende isso porque é palmeirense.

Nori disse...

Francisco Avelar, perdoe pela indelicadeza, mas foi você quem começou. Como historiador que você afirma ser, se quiser debater, venha mais bem preparado e seja mais educado.
Antes de mais nada, você está bastante mal informado para alguém que se diz historiador.
O pleito partiu do Santos F.C, que é um dos clubes brasileiros que melhor tratam seu passado, sua história e suas glórias, até por que teve "apenas" o maior time e o maior jogador de todos os tempos. Ou só porque isso aconteceu nos anos 50 e 60 para você não tem valor algum?
Tudo que Pelé fez não vale nada? O grande time do Botafogo não vale nada. Só porque seus títulos não tinham o nome de Campeonato Brasileiro esses títulos não valem nada?
Portanto, segundo a sua lógica, Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo foram apenas campeões intercontinentais em 62/63, 81, 83 e 92/93? Eu sempre os considerei campeões mundiais. Muito antes da Fifa cair na real depois de ter desconsiderado os títulos intercontinentais como mundiais, eu disse que era um absurdo antes mesmo de a toda poderosa Fifa voltar atrás. A mesma Fifa que já anulou gol de jogo de Copa do Mundo porque um sheik árabe desceu da tribuna.
Se o seu conceito de história se resume a lançar camisetas, estamos falando de moda e marketing, não de esportes.
Havia vida no futebol brasileiro antes de 1971, e é por isso que acho que o desejo desses clubes é legítimo. Não é porque, pelo jeito, o seu time não está entre os que ganharam títulos naquela época que os outros não têm valor.

Anônimo disse...

NORIEGA,
SABE QUANDO E ONDE SERÁ O LANÇAMENTO DO LIVRO DE ANDRÉ PLIHAL SOBRE ROGÉRIO CENI?
ABRAÇOS!
ZILLO MARQUES/MOGI DAS CRUZES, SP

Blog do Raima disse...

Sabe Noriega de certa forma vc tem Razão...
Mas tb tem que ver um detalhe...
Principalmente Palmeiras e a Federação Paulista tá fazendo ações localizadas para diminuir o Tamanho do Valor do São Paulos HexaCampeão do Campeonato BRASILEIRO... mas no minha Otica Tb acho principalmente o Santos o Maior de todos... Só não se deixar levar por Jogadas de Marketing Politico... AMIGO
Cuidado para não Comprar briga... GRANDE dos outros... Não seja instrumento de CARTOLAS...
Mas acho que eles tem direitos TB!
Abraços

Nori disse...

Raima, obrigado pela visita. Não compro briga de ninguém, apenas emito uma opinião. Apenas acho que ninguém tá tentando diminuir o tamanho de ninguém. O Santos reivindica esses títulos há muito tempo. O problema é que os cartolas de hoje falam demais, aparecem demais. Culpa nossa, da mídia, que damos espaço a quem não merece tanto.
Abs

Patrícia Gomes disse...

Sou corinthiana de corpo e alma mas pelo amigo Mauro Beting fiz esse esforço e comprei um livro sobre o Palmeiras...e como ele escreve muito bem...ah pena que vc foi o único q votou no Leivinha.