terça-feira, fevereiro 17, 2009

Muito mais defeitos que
virtudes na derrota do
Palmeiras na Libertadores


O Palmeiras tem muitas lições para tirar de sua estréia na fase de grupos da Libertadores. A primeira delas é que Campeonato Paulista não serve de parâmetro para competições internacionais. Como diria o filósofo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Outro aspecto é que em jogo internacional os erros têm um peso muito maior. E o Palmeiras errou demais, principalmente em seu sistema defensivo. Erros individuais e principalmente táticos. Que podem passar despercebidos contra um Mogi Mirim, mas ficam evidentes em jogos contra equipes mais gabaritadas e experientes.

Os gols surgiram de erros individuais provocados por equívocos táticos. Pierre ficou (e geralmente fica) sobrecarregado na marcação do meio-campo, o que deu muto espaço ao meio-campo da LDU. Espaço que o esperto argentino Manso aproveitou. O Palmeiras precisa mais de um segundo volante para marcar ao lado de Pierre do que de um terceiro zagueiro. Mesmo porque os alas palmeirenses não são jogadores que façam a diferença que justifique a última linha de três defensores.

Desde o início do Paulistão que a defesa palmeirense mostra problemas nas bolas cruzadas para a área. Exceto Edmílson, os outros zagueiros do time são, quando muito, apenas razoáveis e têm problemas de recuperação. Marcos, que voltou fora de ritmo, demonstra claramente que não confia na defesa e se precipita em algumas saídas por causa disso. O lance do segundo gol da LDU foi a prova disso. Dois campeoes mundiais na bola e erro duplo.

A juventude do time cobrou seu preço, o que serve de experiência e aprendizado. Keirrison jogou mal e foi mal aproveitado pelo time. Cleiton Xavier não assumiu a responsabilidade de organizar o meio-campo, assim como Diego Souza. Mesmo contra um adversário inferior tecnicamente e visivelmente assustado no início do segundo tempo, o Palmeiras não soube se impor. E houve alguns exageros em faltas desnecessárias, provocadas por erros infantis de passes, como o de Marquinhos, que originou a jogada que culminou no terceiro gol equatoriano.

O time mostrou potencial para evoluir e se classifcar, mas há questões táticas e técnicas a serem resolvidas. Contra adversários um pouco melhores ficou claro que o time marca mal no meio-campo e se expõe demais quando sai com os alas. O que evidencia a falta de equilíbrio do time, que é leve, ofensivo, insinuante, mas ainda está longe de ser confiável.

8 comentários:

fabiano disse...

Então Nori muitos erros de dar medo, será que a altitude não anulou o Keirrison e outros?
Mas essa derrota serve tb para dar um sacudida no time que não pode ficar bobeando não?
Abraços
Fabiano

Lucas disse...

Do mesmo modo que o Campeoanato Paulista não pode servir de parâmetro. A amostra de um jogo também não pode. Engraçado como um time apontado por muitos carnavalescos da imprensa como o "melhor do Brasil" agora se torna "não-confiável". O Palmeiras jogou de igual para igual com o campeão da América no território deles. Contou com uma rara falha do Marcos e também com uma falta cobrada com rara competência. Do mesmo modo que nao se pode endeusar o time após uma vitória, também não se deve crucificá-lo após uma derrota. O Palmeiras é sim, um time leve, ofensivo e insunuante. E não provou ainda que não é confiável. Que tal esperar mais um pouco?

Nori disse...

Oi, Lucas. Como não sou carnavalesco e nunca disse que o Palmeiras era o melhor do Brasil, acho que concordamos na análise. Se você leu com atenção, o que acredito que tenha feito, eu escrevo que o time mostrou potencial para se classificar, mas que precisa corrigir alguns defeitos. Aliás, como todos os outros.
Abs

Dalla Valle disse...

É verdade, Noriega! Tanto que o Pierre fez muitas faltas por chegar atrasado na marcação. Minha dúvida recai sobre o técnico. Mesmo com um assistente passando informação as alterações não foram para corrigir o meio-campo. Será que o filho do A. Lopes fez falta, Nori?

Pedro disse...

Nori, concordo com sua análise sobre o meio campo alviverde. Tenho a impressão que no papel cleiton xavier deveria marcar um pouco mais, o que vezes acaba não acontecendo no campo. De qualquer forma nem ele nem keirrison fizeram boa partida, sem contar as falhas de marcos.

Sim, o palmeiras não é um time perfeito nem ficaria eternamente invicto. Porém, acho que as apresentações do paulistão com um futebol rápido e com toques precisos ainda são válidas. O paulistão pode não ser parâmetro, porém um time não é lider isolado com um jogo a menos a toa. Mostrou qualidade e acho que desta derrota tirará grande aprendizado.

Abs

Juninho disse...

Excelente analise Nori.

alias, poucos enxergam o futebol tao bem qto vc.

qto ao segundo volante, talvez para jogos fora de casa seja uma boa mesmo, principalmente se a postura for jogar no contrataque.

se o luxa coloca por exemplo o jumar apos o segundo empate, a falta para o terceiro gol talvez nao aconteceria.

alias, nao gosto qdo ele abre o time inteiro atras da vitoria. quase nunca da certo. de que adianta 5 atacantes se a bola nao sai da defesa com qualidade? a LDU marcou a saida de bola e a zaga passou a dar chutoes.

carlos pizzatto - blog do carlão disse...

Luxemburgo não deve ter visto a LDU no Mundial de Clubes do ano passado. Tivesse ele assistido àquela competição, teria identificado que Manso, o principal jogador da Liga, merece atenção especial. É do pé esquerdo do argentino que saem as boas jogadas da equipe equatoriana.

http://carlospizzatto.blogspot.com/2009/02/ldu-acaba-com-invencibilidade.html

Abraços.

Alex Alvarez disse...

O Palmeiras não fez uma boa partida, mas poderia ter ficado pelo menos com um empate, se não fossem os erros da defesa. Edmílson teve responsabilidade no segundo e no terceiro gol da LDU também, pois foi ele que deu o carrinho em Bieler, falta que terminou no gol de Manso. Esses detalhes definiram o jogo. Neste tipo de torneio, quem erra menos chega mais longe, principalmente no mata-mata.