terça-feira, maio 18, 2010

Bagunça, teu nome é Palmeiras


Estarrecedora a situação em que se encontra o futebol do Palmeiras. Um clube desse tamanho, com essa história, não pode ficar largado como está. É isso mesmo, está largado, sem rumo.

Não há voz de comando, não há rumo de trabalho, diretriz, nada. É uma camisa histórica vagando perdida, amparada apenas pela paixão de milhões de torcedores.

É notória a incompetência da maioria das pessoas que conduzem o futebol do Palmeiras. Basta lembrar de um fato histórico. De 1976 a 2008 apenas dois treinadores conseguiram ser campeões com o Verdão: Luxemburgo e Felipão. Sempre com administrações terceirizadas, diga-se, com ótimas parcerias.

Recorro ao contexto histórico. O Palmeiras sempre foi um clube rico, poderoso, que comprava os melhores jogadores onde eles estivessem. Também foi um clube ousado e inovador nos anos 60 e 70. Mas o futebol foi mudando e em meados dos anos 70 o clube tomou um desfalque de um presidente e entrou em crise financeira. Dizem que esse presidente devolveu tostão por tostão, mas o tempo passou na janela e os dirigentes palmeirenses não viram.

Quando a ordem era investir na formação de jogadores, o Palmeiras achava que sempre teria dinheiro para comprar quem bem quisesse. Não teve. Amargou uma grande fila, montava e desmontava times e via apenas sua torcida crescer. E não revelava ninguém.

Mas ainda naquela época havia gente ousada no Palmeiras e o clube costurou o acordo de co-gestão com a Parmalat, que administrava o futebol. Foi um sucesso. Títulos aos borbotões. Mas o clube não se preparou para viver sem a parceira. E precisou recorrer a outra, a Traffic, para ser campeão paulista em 2008.

O que parece faltar aos dirigentes do Palmeiras são duas coisas: humildade e unidade. Humildade para reconhecer que atualmente não possuem em seus quadros gente qualificada para tocar o futebol e deveriam contratar pessoas do ramo para isso. Unidade para deixar de lado as divisões políticas e pensar no clube, em sua torcida. Porque a política palmeirense é uma guerra fratricida.

Enquanto isso não for resolvido, situações esporádicas podem se apresentar, tipo a sonhada volta de Felipão. Mas quando ele for embora de novo - isso se retornar um dia -, o Palmeiras seguirá carente de lideranças, de inteligência voltada para o futebol. E viverá apenas do peso de sua camisa e da paixão de sua torcida.

7 comentários:

Cougar disse...

Sad como torcedor do futebol. Very very sad como palmeirense. But true :(

Raul Torres disse...

Noriega queria poder mandar um arquivo de audio para você com as minhas palmas. Seu post foi SENSACIONAL!!

@loucodo13 disse...

Perfeito.

Fulvio7 disse...

triste. mas é verdade. tudo isso aí. O vazio nos coroções verdes é imenso.

Sandra disse...

Sou realmente apaixonadíssima pelo Palmeiras, mas chego a ter medo de assistir aos jogos, pois sempre acho que meu coração não vai aguentar, rs. Torço pela volta do Felipão para, ao menos, colocar um pouco de ordem no barraco.
Acho que o verdão ainda tem jeito.........
Tô sonhando, né?
bjs.

Alcides Drummond OAV disse...

Excepcional postagem. Objetiva, verdadeira. A gente lê e diz: era tudo o que eu gostaria de escrever sobre o assunto. A verdade é que os
caras que estão hoje no poder conseguiram superar Mustafá. Belluzzo vai para história como o mais incoerente entre todos os presidentes do Palmeiras, ao menos entre os que eu conheci desde a década de 50. Quem diria que isso viesse a acontecer? Nori, por justiça histórica acrescente em sua lista de técnicos campeões o Murtosa. Sei que ele representou um apêndice de Scolari, mas os méritos da conquista daquela longínqua copa dos campeões em 2000 foram dele que conseguiu motivar e levar ao título um grupo limitadíssimo, do ponto de vista técnico. Abs Alcides

Renato disse...

Faltou algo a ser mencionado. O cancer que o Palmeiras tem e que não se ve falar em programas de futebol:

A área social.