sexta-feira, novembro 06, 2009

Resposta ao internauta Ricardo


Recebi um texto agressivo de um internauta chamado Ricardo, que reproduzo aqui, antes de responder.

Ricardo disse...
Copa do Brasil, Libertadores, Sulamericana e estaduais. Todos no formato copa. APENAS o brasileiro é diputado em formato liga, no qual os clubes mais bem preparados normalmente fulguram com insistencia no toppo da tabela. A minha grande decepção nesse post não foi a defesa da mudança no formato que eu acho mais justo, e sim o fato de você Noriega, um excelente jornalista esportivo, de rara lucidez, se esconder nessa coluna terceirizada para defender seu peixe, e o peixe de seu empregador. Quem quer a volta do antigo formato deve apresentar argumentos mais palpáveis que o já batido "está sem emoção". A semana está ficando cada vez mais longa, tamanha a ansiedade pela rodada seguinte. E mais, o papo de que "a audiência está caindo" é furado, pois uma emissora concorrente da atual detentora dos direitos de transmissão está com a faca nos dentes para adquirir os direitos para 2011.


Agora respondo eu:

Caro Ricardo, seu texto foi aqui publicado duas vezes, pra que você saiba que não há censura e aceito qualquer opinião.

Agora, sua agressividade gratuita, obtusa e sem argumentos ao dizer que me escondo numa coluna terceirizada para defender os argumentos do patrão é no mínimo ridícula, para não dizer outra coisa.

Antes de mais nada, se informe. Eu gosto de mata-mata e já defendi isso aqui há muito tempo. Leia o blog antes de vociferar suas bobagens de quem vê complôs em tudo.

Meu empregador não me pede para defender nada, e se quisesse tem gente muito mais famosa e capacitada do que eu para defender seu ponto de vista. O que é legítmo, afinal a TV paga e caro para mostrar um produto em horário nobre.

Nunca falei mal do sistema de pontos corridos. Eu apenas me reservo o direito de como consumidor de futebol gostar mais dos jogos eliminatórios. Pecado? Crime? Proibido por lei? Ou dentro da sua lógica xiita quem não concorda com você é um integrante dos exércitos do Lado Negro da Força e só você e quem pensa como você faz parte do grupo dos cavaleiros Jedis do pensamento? Faça-me o favor.

Posso assegurar a você que existem dados concretos de que o Campeonato Brasileiro dá menos audiência que Libertadores, Copa do Brasil e jogos da Seleção Brasileira. Isso não é papo.

E há argumentos para todos os gostos de todos os lados, apenas tente debater sem avacalhar os outros ou acusar alguém sem saber ou sem ter argumentos.

O texto do Roberto é elegante e não ataca ninguém.

Deixo alguns argumentos que, longe de serem definitivos, que podem acrescentar ao debate. As três maiores médias de público do Brasileiro foram em campeonatos com finais, 1983 (22.953), e 1987 (20.792) e 1980 (20.792). A pior média de público até hoje foi de um campeonato disputado no sistema de pontos corridos, o de 2004, com 7.556.

Outro dados, dos 20 maiores públicos da história do Brasileiro, nenhum foi registrado desde 2003, quando começa o novo sistema. Claro que há de se ressalvar que os estádios tinham capacidades maiores há 15, 20 anos.

Vejam as melhores médias de público por time nos anos dos pontos corridos:

2003: Cruzeiro 26.366
2004: Corinthians 13.547
2005: Corinthians 27.330
2006: Grêmio 25.630
2007: Flamengo 39.221
2008: Flamengo 40.695

Agora as maiores médias de público por time de seis temporadas dos anos 80, quando havia finais em todas as edições:

1980: Flamengo 66.507
1981: Flamengo 43.614
1982: Flamengo 62.436
1983: Flamengo 59.332
1984: Flamengo 38.543
1985: Bahia 41.497

Nenhum desses números, sozinho, pode ser definitivo em qualquer análise, mas pode ilustrar um debate saudável e educado.

Portanto, Ricardo, informe-se melhor para defender suas teses, que sempre terão espaço aqui. E em sete anos de emissora, nunca me pediram para falar em nome dela. E eu gosto de mata-mata muito antes de trabalhar onde trabalho hoje.

23 comentários:

Alysson Antero disse...

Nori,

concordo com o que vc disse, principalmente com a "ignorancia" de uma pessoa escrever isso no blog.

primeiro pra mim a média de público não tem como ser comparada com mais de 15 ou 20 anos atras, pq nessa década nós tinhamos, Roberto Dinamite, Zico, Socrates, Casagrande, Romario no auge, Falcão, Dunga, Taffarel, entre outros tantos craques, esse ano provavelmente seja a melhor média de público nos pontos corridos, pq? Nós temos Ronaldo, Vagner Love, Fred, Adriano, e outros caras comendo bola.. mas mesmo assim não chegam perto de um dos que eu falei acima.

Esse seria um ponto apenas, outros 2 são preços de ingressos e segurança, ou melhor, FALTA dela. Ingresso para Palmeiras 40,00 arquibancada, Corinthians 40,00 arquibancada, Atletico 30,00 Arquibancada.. não sei os preços de ingressos no passado, pois tenho 23 anos, mas qndo comecei a frequentar estádio a 10 anos, os preços eram bem mais acessiveis.. Acho que isso somada a falta da segurança faz com que as pessoas se afastem dos jogos.

abraço Nori

Guasca Tricolor disse...

O sistema de pontos corridos é um avanço no futebol, mas outras coisas precisam avançarem para que o resultado final atinja a um nível de excelência satisfatório, tais como:
Os estádios terão que se modernizarem para acolher os torcedores e só assim serão vendidos os famosos carnês. Os clubes terão que ser administrados como empresas privadas. A violencia entre torcidas terá que ser exterminada. A imprensa esportiva em geral terá que ser mais profissional, deixando de lado o passionalismo clubístico, a divulgação de informações mentirosas e as insinuações com dupla interpletação.
Muitas atitudes ruins dos dirigentes e a violencia afastou o torcedor dos estádios, a relação custo/beneficio é muita alta. O sistema de pontos corridos vem provando ano a ano que o que não falta é emoção no campeonato inteiro e em todas as secões da tabela de classificação.

Costa disse...

eu não sei qnd foi, mas nos anos 80, os estádios não tinham uma capacidade aumentada pela existência da geral?

se sim essa comparação eh completamente equivocada

Outro fator importante... As maiores médias de público destes campeonatos estão diretamente ligadas às campanhas do flamengo, outra forma equivocada de analisar o público

De fato, um campeonato de pontos corridos é mais justo, mas para os que insistem tanto no mata-mata, porque não se cria uma copa da liga (times de primeira e segunda divisão em jogos mata-mata) no segundo semestre (e esquecemos essa sul-americana).

Poderia dar um premio relativamente igual ao do campeonato brasileiro, uma vaga na libertadores (trocaria a copa do Brasil por uma vaga na pré libertadores).

Esse campeonato deveria ser disputado com todos os clubes da primeira e segunda divisão, e sem essa lenga-lenga de qm jogou a libertadores não deve jogar a copa do Brasil (até porque isso acaba desvalorizando a competição).

Claro q isso sobrecarregaria o calendário já saturado, cheio de jogos... Mas então poderia caber uma redução dos campeonatos estaduais (falo de redução e não extinção para não ser rigoroso demais, pois para mim estaduais não servem para muita coisa).

Pode parecer um pouco utópico, mas isso ajudaria a proteger os pontos corridos e o mata-mata. Podendo-se até criar uma final entre os campeões dessas duas competições dando algum beneficio ao campeão (tlvz uma ajuda em dinheiro)

desculpe pela extensão do comentário, abraços

Cauê

Marcelo disse...

Caro Mauricio Noriega. Acredito que uma boa alternativa seria a seguinte: ao invés de mudar a fórmula do Campeonato Brasileiro poderia se enxugar tanto o Brasileirão como a Copa do Brasil e dar status equivalente às duas competições. Isso poderia ser feito com as seguintes mudanças:
1-Passar o Campeonato Brasileiro para o primeiro semestre e diminuí-lo com 16 clubes, assim as pré-temporadas e a Libertadores não afetariam os mata-mata (jogos “decisivos”) da Copa do Brasil, que no final da temporada seriam mais valorizados (podendo salvar a temporada daqueles clubes que deixaram escapar o Brasileirão ou a Liberadores). Quem quiser priorizar o Brasileirão deverá montar o time e se organizar antes.
2-Valorizar a série B que provavelmente terá sempre algum “time grande”.
3-No segundo semestre passa a ter os campeonatos regionais com a Copa do Brasil já que as tabelas destas competições podem ser mais flexíveis.
4-Adotar um critério que possibilite a participação na Copa do Brasil dos melhores times do país em sua melhor forma (desde que seja resolvido o problema da janela de transferência).
5-Dar status equivalente ao Campeonato Brasileiro e à Copa do Brasil é uma maneira de contentar as duas formas de competição, cabendo a cada clube decidir suas prioridades.

phs22 disse...

Uma coisa que não concordo é a media de publico ser feita por numeros de torcedores, o correto seria ser feita por porcentagem de lotação dos estadios. vide um exemplo.

O corinthians jogo no pacaembu e tem locatação de 100% em todos os jogos, pelos numeros seriam 30.000 de média e o Flamengo tem apenas 50% de lotação no maracanã com 35.000 de média.

Ou seja, sempre o flamengo terá a melhor média neste tipo de medição, ja que jogo no maior estadio do Brasil.

Abçs

Cláudio. disse...

Noriega, infelizmente, o texto do Roberto não é elegante e ele ataca, sim, não propriamente alguém determinado, mas muitos que preferem o sistema de pontos corridos. Ele começa seu texto afirmando que é uma defesa feita por "politicamente corretos", adeptos de uma "doutrina totalitária". Não concordo com a acusação que o internauta Ricardo fez a você, mas o Roberto também não começou seu texto com idéias e, sim, com a famosa falácia "ad hominem". Agora, seria realmente interessante que os números fossem disponibilizados. Quais números? Os da audiência a que você se refere, segundo os quais o brasileirão tem menor audiência que os demais campeonato (A quais jogos exatamente desses campeonato você se refere? Duvido muito [mas não posso afirmar, reconheço] que Copa do Brasil e estaduais [quais estaduais?] tenham maior audiência. Pode ser que os jogos decisivos tenham maior, mas duvido que um hipotético Atlético Mineiro [meu time] x Arapiraca, na 1ª fase da Copa do Brasil, tenha mais audiência que qualquer jogo do brasileirão. Igualmente, duvido que Galo e Valeriodoce, pelo campeonato mineiro, tenha mais IBOPE do que um jogo pelo Brasileirão). Os números quanto ao público nos estádios merecem análise mais cuidadosa, como você ressalta. Não é possível pinçar campeonatos e times específicos. A amostra, neste caso, não é representativa. De qualquer forma, os números que conheço sobre esse ponto não indicam diferenças relevantes neste quesito. É preciso ver também a influência das novas tecnologias: antes era apenas TV aberta, sem qualquer outra mídia "em monitor" para concorrer. Hoje há sportv, pfc, internet e por aí vai. É preciso ver também se a Globo valoriza o próprio produto. Eu acho que não: muitas vezes o melhor e mais interessante jogo deixa de ser transmitido na tv aberta para forçar a comprar de pay-per-view. Claro que a audiência cai (ao menos na tv aberta). Por fim, a meu ver, o argumento mais relevante não foi abordado pelo Roberto, pelo Ricardo e por você. Qual forma contribui mais para a organização dos clubes? Qual exige mais planejamento? Qual é mais exigente quanto ao quesito formação de elenco? Qual das fórmulas deixa mais patente uma administração ruim? Qual é mais propícia a manipulações ao torcedor? A meu ver, o formato de pontos corridos, que não tem nada a ver com justiça [isso é bobagem], favorece, e muito, o surgimento de um contexto mais exigente quanto à organização dos clubes.
No mais, GALO!
Um abraço.

Anônimo disse...

Olá Noriega
Antes de mais nada gostaria de parabeniza-lo pelos lúcidos e brilhantes comentários (Detalhe: se um dia vc se tornar técnico espero que seja do meu timão e não do seu verdinho). Sou seu fã. E olha que sou daqueles que tem preconceito com a Globo e tenho dificuldade de aceitar que há algo bom e independente por aqueles lados. Sempre fui fã da ESPN e sua independência, e acabei sendo seduzido pelo PC e pelo Milton Leite que mudaram de time. Hj admiro muito dos seus colegas da Sportv, entre eles o didi,rsrsrs e o filósofo cleber leite.
Talvez pelo meu time não ser pipoqueiro (corinthians) eu seja favorável ao mata-mata. Acho muito mais emocionante termos finais. O que é chato é que muito dos seus colegas da imprensa (juca kfouri em especial)agem como o rapaz que fez o comentário. Só eles são os jedis e nós somos soldados do Darth Vader (globo). Chega de sermos macaquitos da Europa. Nós é quem devíamos ser copiados por sermos os melhores. Chega dos patrulheiros de opinião... essa visão maniqueísta só empobrece as discussões. Parabéns Nori.
Hudson Farias - Cuiabá/MT

Anônimo disse...

Nori,

Acho que o indicador "média de público" não ajuda a medir preferência por pontos corridos ou mata x mata.

Se comparar as séries históricas de "média de público" vai ver que está caindo constantemente do auge da década de 80 até os anos 2000.

No máximo daria para comparar as médias de público de 2000-2003 para 2004-2009.

Ainda assim, estaria influenciada por outros fatores, como a violência (que tem afugentado o público dos estádios), o preço dos ingressos (que tem aumentado, especialmente em São Paulo) e até mesmo mudança cultural.

Abraços,

Vinícius

Corival disse...

Noriega, não é possível comparar o público atual com a década de 1980, deve ser compara com os anos anteriores ao início dos pontos corridos. veja que a média atual é maior que a média obtida desde 1988. A queda posterior mostra que o público alto não ocorria por causa dos pontos corridos.
Outra questão é que não faz sentido definir o sistema de uma competição com base nos índices de audiência da TV. O objetivo do campeonato é o clube de futebol. OS clubes é que devem lucrar com o campeonato. O que deve ser discutido é se os clubes ganham mais financeiramente no formato atual ou em mata-mata. Para todos os clubes, os dirigentes afirmam que o padrão pontos corridos no campeonato brasileiro melhorou o ganho e o planejamento financeiro.
Outra questão, Noriega, mesmo que pontos corridos não tiovesse emoção (o que não é verdade), a emoção do campeonato não é o critério de avaliação do produto, mas a rentabilidade.
acho que os jornalistas contra os pontos corridos em geral fazem uma argumentação desfocada, olham para questões menos importantes, quando o o critério fundamental para definir por um ou outro é o clube. Os defensores dos pontos corridas também fazem algumas distorções que favorecem esta contra-argumentação equivocada, quando falam por exemplo em justiça. Bobagem, essa não é a questão também. os pontos corridos dão vantagem para quem tem planejamento financeiro, estratégia, e isto que é positivo. se o são paulo investisse mais e tivesse de forma sistemática fracassado por causa da fórmula do campeonato igualar diferentes padrões de investimentos. o que teria feito o são paulo? reduzido seu investimento, sua organização, não tria compensado. mesma coisa os clubes do sul, a sua reestruturação bem-sucedida está diretamente relacionado ao campeonato, que demanda um desempenho relativamente homogêneo no ano.

Gilson Gustavo disse...

Oi Noriega,
Não vou entrar no debate dos pontos corridos X mata-mata, pois é possível argumentar contra ou a favor de qualquer um dos sistemas usando os mesmos dados apresentados pelos dois lados.

Várias coisas me incomodam no mata-mata:

- número de times nele: 8, acho demasiado e favorece que clubes que não foram tão bem no campeonato, sejam campeões com um crescimento no mata-mata. Não gosto disso.

- pouca vantagem dada aos times que fizeram melhor campanha na fasede pontos corridos. Jogar a 2ª partida em casa e com a vantagem de dois resultados iguais (dois empates ou uma vitória para cada lado) é pouco em minha opinião e em minha visão essa vantagem deveria ser mais acentuada. Não sei se seriam 3 partidas, não sei se o melhor colocado poderia escolher onde mandar a 1ª partida, não sei se o melhor colocado teria vantagem de pontos no mata-mata, por exemplo.

- Também poderia haver outra opção sem ser o mata-mata de 8 ou de 4.
Poderia ser o campeão do 1º turno contra o do 2º, por exemplo. Em uma autêntica final com vantagem, por exemplo para a equipe que fez mais pontos entre as duas.

- Ou até um triangular, com o campeão do 1º, do 2º e uma 3ª equipe caso fizesse mais pontos que os campeões dos turnos.

Enfim, tenho preferência pelos pontos corridos, mas não vejo com maus olhos o mata-mata, desde que com ajustes.

Por último. Discordo de você sobre a postura da Globo ter o direito de sugerir mundanças no regulamento da competição. Não acho legítimo. Acho legítimo os donos do produto (clubes) apresentarem um produto e a TV querer comprá-lo ou não, pagando X ou Y, de acordo com o produto apresentado. A Rede Globo querer mudar um regulamento esportivo não acho salutar.

Um abraço.

Jorge Leite disse...

VCS QUEREM MATA-MATA PQ MEU TRICOLOR E QUEM MANDA NOS PONTOS CORRIDOS.. MAS EM MATA-MATA NÃO SOMOS BONS, OLHA O QUE OS NUMEROS DEFENDIDOS PELO NOSSO AMIGO SO TEM FLAMENGO.. E TINHA Q SER NOS ANOS 80 UNICO PERIODO DE VIDA DESSE TIME.. VOLTAR PARA MATA-MATA E REGREDIR.. BANDO DE ATRASADOS.

Julio disse...

ja achava bem fraquinho teus comentários no SPORTV, mas depois dessa comparaçao de media de publico dos pontos corridos com a média do mata mata dos anos 80 chega a ser RIDÍCULA, SEM NEXO, SEM PROPÓSITO...entre outros.

APROVEITA AS FÉRIAS DE JA NEIRO E VAI RECICLAR MEU AMIGO!

Abraço e SRN

André Monnerat disse...

De tudo isso, achei bem infeliz essa comparação entre times com maior média de público de cada campeonato.

Naquela época, cada time disputava menos partidas pelo Brasileiro. Os que acabavam com maior média de público as tinham infladas pelos enormes públicos dos mata-matas com estádios muito "maiores" que os de hoje. Pra chegarem a esta média, tiveram diversos jogos de prejuízo nas fases iniciais. E pra cada time desses, que iam longe e acabavam com 40 mil de média, tínhamos outros 10 ou 20 com médias ridículas e que, ainda por cima, ficavam inativos por um ou dois meses justo nos momentos de maior exposição do futebol na mídia. Ou seja: lucravam pra valer poucos, preju pra maioria.

Não dá pra dizer que a média de público dos campeonatos como um todo tenha caído depois dos pontos corridos (e têm, hoje, tendência de crescimento a cada ano). E, mais importante, essas médias hoje são números mais reais - não são resultado da soma de meia dúzia de jogos com 150 mil pessoas, em que poucos lucram, com um monte de 2 mil, que eram o grosso do campeonato.

Fato é que são pouquíssimos os clubes que hoje apoiam a volta do mata-mata. Há motivos pra isso. Como negócio, para os clubes, não faria sentido. Só quem faz força pra isso, hoje, é a Globo mesmo.

Por isso, eu nem entro na questão da justiça. Pra mim, o campeão do mata-mata é tão justo quanto o de pontos corridos - são regulamentos diferentes e méritos diferentes, apenas. A questão é essa mesmo: como negócio, os pontos corridos fazem muito mais sentido. O que falta é conseguirem valorizar mais o que já existe de mata-mata no calendário.

Michel Costa disse...

Prezado Nori e amigos,
Observem as médias de público do Brasileirão ao longo da história:
1971: 20.360
1972: 17.590
1973: 15.460
1974: 11.601
1975: 15.985
1976: 17.010
1977: 16.472
1978: 10.539
1979: 9.136
1980: 20.792
1981: 17.545
1982: 19.808
1983: 22.953
1984: 18.523
1985: 11.625
1986: 13.423
1987: 20.877 (considerada apenas a Copa União)
1988: 13.811
1989: 10.857
1990: 11.600
1991: 13.760
1992: 16.814
1993: 10.914
1994: 10.222
1995: 10.332
1996: 10.913
1997: 10.497
1998: 13.487
1999: 17.018
2000: 11.546 (considerados apenas o Módulo Azul e a fase final da Copa João Havelange)
2001: 11.401
2002: 12.866
2003: 10.468
2004: 7.556
2005: 13.600
2006: 12.300
2007: 17.461
2008: 16.955
A média vem aumentando. Fora 87 (Flamengo campeão) 92 (Flamengo do novo) e 97 (Vasco), todas as médias de 1985 pra cá são mais baixas do que das últimas edições.
Na boa, média de público não é um argumento válido.

Anônimo disse...

Nori, respeito a sua opinião. Mas se o brasileirão fosse por pontos corridos desde o seu início, o meu galo seria tricampeão. O Flamengo, por exemplo, não teria nenhum...Você acha justo um sistema de disputa que não privilegia a regularidade e a competência (é o caso dos mata-matas), mas sim a sorte e o emocional?

Juliano Amorim disse...

Noriega, me permita discordar de sua coluna.

Na década de 80 não havia a quantidade de transmissões que há hoje, não havia a internet e muitos ainda acompanhavam os jogos pelo radinho. E ainda há o fato de que os ingressos eram muito mais baratos do que atualmente.

Se formos analizar a média de públicos do campeonato brasileiro é fácil de perceber o crescimento de público no campeonato brasileiro. E falo isso me baseando em dados publicados por uma das das mais conceituadas, senão a mais conceituada, revista de futebol no Brasil.

Nos últimos 6 anos de campeonato brasileiro com a fórmula de mata-mata a média de público foi a seguinte:

1997 - 10.487
1998 - 13.487
1999 - 17.018
2000 - 11.546
2001 - 11.400
2002 - 12.886

Mesmo tendo menos jogos que a atual fórmula e contando com pelo menos 14 jogos "decisivos", e de grande público, a média de torcida nesses anos foi bem, mas bem, menor que as médias de público dos anos 80, sejam eles totais ou individuais. E o motivo disso não foi a falta de jogos decisivos, e sim outros fatores que irei abordar mais a frente.

Agora as médias dos últimos 6 anos, com a fórmula de pontos corridos e com mais jogos:

2003 - 10.468
2004 - 8.805 (o campeonato tinha 21 times e foram 42 rodadas)
2005 - 13.765
2006 - 12.401
2007 - 17.461
2008 - 16.992

E nesse ano de 2009 a média de público é de 15.758 (dado colhido na internet), ou seja, atualmente a média de público do brasileirão é maior que as do final da década passada e lembrando que naqueles anos ainda não havia a facilidade de ver jogos na internet.

No inicio tudo é difícil, afinal, o brasileiro gosta e estava acostumado a campeonato com decisão. Só que os anos passam e o brasileiro está aprendendo a gostar também de pontos corridos e aprendendo que todo jogo é uma decisão pro seu time, e assim os estádios vão começando a encher de novo como na década de 80, a década de ouro.

Mas para o campeonato brasileiro voltar a ter uma média de mais de 20 mil pessoas por jogo os clubes deverão pensar em seus torcedores. E aí entra os fatores que falei acima. O que faz com que a média de público atual seja menor que as de anos anteriores não é a fórmula do campeonato, é a forma como os torcedores são tratados. Pagar 20/30/50 reais pra ficar em pé, com o sol torrando na cabeça, sem atendimento adequado, com medo de uma briga entre torcidas, sem segurança, sem saber se poderá entrar mesmo tendo ingresso. Tudo isso afasta público. Não afasta o torcedor fanático, mas afasta o pai de familia que por medo não leva seus filhos ao estádio, afasta o casal de namorados que prefere pegar um cinema do que ver o jogo do seu time. Quando finalmente o futebol for tratado como espetáculo e seus clientes, torcedores, forem bem tratados, aí sim teremos médias de público históricas.

Mas isso, infelizmente, ainda está longe de acontecer.

Nori disse...

Júlio, aproveita as suas férias e faz um curso de concordância. E volte sempre pro debate. Se não gostou, muda de canal, o controle remoto tá aí pra isso e é um direito sagrado seu.
Abs

Nori disse...

Alysson, muito legal seu ponto de vista, concordo com boa parte dele.

Nori disse...

Guasca Tricolor, quem publica notícias falsas? Quem é mentiroso? Dê nome aos bois, amigo. O que também precisa acabar é torcedor que invade o campo para bater em jogador, que mata adversário em tocaia, que vai a estádio pressionar e barbarizar e não torcer.
Avanço também é saber respeitar o ponto de vista dos outros.

Nori disse...

Cauê não concordo com o uso da palavra justiça no contexto da análise pontos corridos ou mata-mata. Justo é um campeonato decidido dentro do regulamento. Injusto é perder um jogo ou um título quando o regulamento ou a regra do jogo não é respeitada.

Nori disse...

PHs22, você tem razão na sua argumentação.
Abs

Anônimo disse...

por vc não compara média das ultimas ediçoes realizadas em Mata-mata... 2002, 2001 por exemplo?

Aloisio disse...

Oi, Noriega. Não quero entrar na duscussão, apenas fazer uma brincadeira pra acalmar os ânimos. Os três campeonatos com maior média de público que você postou não tem nada a ver com o sistema disputado. O Flamengo foi o campeão nas três oportunidades! Grande abraço.