sexta-feira, novembro 27, 2009

O futebol virou o

reino da hipocrisia


Antes de mais nada, que fique claro: o presidente do Palmeiras está sofrendo de verborragia, tem falado mais do que deve e prejudica sua imagem de dirigente arejado e diferenciado. Certas coisas qualquer torcedor pode e deve falar, mas um dirigente não deveria.

Outra coisa é confundir uma declaração oficial com um vídeo particular, privado. Lembram-se do Kléber, hoje no Inter, quando jogava no Santos, cantando musiquinhas para ironizar o Corinthians? Vazou e foi um escândalo. Ou então o Marco Aurélio Cunha, dirigeten do São Paulo, cantando o hino do Santos?

Pois é, tem gente maldosa que faz uso disso, de situações particulares que terminam sendo veiculadas como se fossem posições públicas e oficiais.

Escrevo tudo isso para dizer que o futebol está se transformando num grande reino da hipocrisia, do politicamente correto. Não há coisa mais normal do que um torcedor provocar o outro, brincar com os apelidos. Um chama de bambi, outro de porco, outro de urubu, de barbie e por aí vai. Isso é a saudável gozação do futebol. Rola até de pai para filho, que mal existe?

Há, ainda, o aspecto do mau uso desse tipo de declaração por parte da mídia. Sou da mídia mas não sou corporativista. A gente erra - e muito. Também ajudamos a acirrar os ânimos quando puxamos termos como matar ou morrer, jogo de vida ou morte, guerra, tiro de misericórdia etc.

Antigamente isso tinha outro sentido, era mais leve. Hoje os dentes rangem por qualquer coisa e pode terminar em tragédia. É preciso mais responsabilidade, mais critério. Por parte dos jogadores, dos dirigentes, dos jornalistas e, também, dos torcedores.

Há alguns anos as provocações entre dirigentes e jogadores eram mais comuns. No Rio a mídia sabia utilizar isso de maneira sadia, com bom humor, criando duelos que ajudavam a encher os estádios e manchetes sensacionais. O paulista sempre foi mais mal-humorado que o carioca. Basta ver as paisagens e o trânisto para compreender. Acontece que esse mau humor foi transferido para o futebol em forma de violência entre os estúpidos fantasiados de torcedores. Virou guerra. Para quê?

Jogadores como o ex-atacante Viola fazem falta porque gostavam das apostas, das brincadeiras, das provocações sem maldade. Entendo até que o dirigente são-paulino Marco Aurélio Cunha tente fazer isso e muitas vezes seja incompreendido. O palmeirense Belluzzo tenta o mesmo, talvez falte a ele mais apuro com a palavra falada.

Em Minas e no Sul, onde as rivalidades são mais acirradas por estarem basicamente divididas em dois, é mais complicado lidar com esse tipo de brincadeira. Mas vemos bons exemplos, mais saudáveis, embora tenhamos que conviver com mortes e brigas idiotas.

O que parece estar sendo engolido pela hipocrisia reinante é que o futebol é o terreno da brincadeira, da gozação, da picardia entre os amigos. Futebol não vale briga (quase nada vale), quanto mais uma vida?

Que problema existe em tirar um sarro, em provocar sem maldade no coração?

O futebol está longe de ser a coisa mais séria e mais importante do mundo. Não podemos transformá-lo num ringue de imbecilidades. Menos hipocrisia e mais alegria não fariam mal a ninguém.

10 comentários:

Diego Milward disse...

Muito Bom testo e totalmente apoiado !!! Pelo fim do blablabla politicamente correto no futebol... vamos brincar rir e provocar.. quem os animais que brigam e se matam fariam isso independente de tudo mais !

Eduardo Henrique disse...

Frase da semana:
“LUIZ GONZAGA BELLUZZO É A PROVA CABAL DE QUE QUALQUER IMBECIL PODE ENTENDER DE ECONOMIA”
Eduardo Leal

Anônimo disse...

Caro Nori,

O mais triste nesse episódio do video, não foram as palavras do Belluzzo, que como vc bem disse, faz parte do folclore sádio do futebol. O pior de tudo foi ver o Belluzzo ao lado, abraçado e beijado pelo sr. Paulo Serdan.

abraço
andré antunes

Domingos Arthur disse...

boa noite,

concordo com suas palavras , Noriega,
Em relação as palavras do Beluzzo, humm! e o que vamos pensar sobre as palavras do presidente da república?

E uma observação que o Luxemburgo as vezes faz, a ditatura acabou!

Não se pode falar mais nada, que tudo pode ser julgado;
Cuidado, profissionais da mídia, se o presidente do Palmeiras foi julgado, é bom tomar série de cuidados em relação as palavras;
já que esta assim;

E em relação a guerra nos estádios, muitos vezes concordo, com a idéia de que o torcedor, tem quer ser da elite;
apesar de nao saber, se iria melhorar a violencia!

Abraços

Domingos Arthur - Sp

Edgard disse...

Dois assuntos desagradáveis:
Primeiro, o comportamento infeliz do moleque Belluzo falando aquele monte de bobagens contra o SPFC, incitanto à violência, com zombaria, uma massa irracional e irresponsável. O são-paulino não deve levar em conta as declarações deste velho senil, seria nivelar por baixo. Além do mais, não vejo motivo para tanta badalação da mídia pra cima de um professor e economista – temos milhares no Brasil, de muito valor, mas que não tem articulações políticas que este senhor tem. Afinal, o que ele fez efetivamente pelo país – o Plano Cruzado?...
Segundo: é sobre a declaração idiota de um piloto de F-1 que cansamos de torcer todos esses anos mas que nunca passou de um mero coadjuvante sem carisma. Agora o corintiano Barrichello vem com essa de torcer contra o seu próprio time para ver quebrada a hegemonia do São Paulo dizendo que é Flamengo desde criança. Cretino. A partir de agora, se não der Massa ou Senna, torço para qualquer outro piloto vencer, menos pra esse bobão.

Antonio C. disse...

Bom texto.
O problema, todavia, na minha opinião é grande massa de bossais que existe no mundo do futebol.
Quem pode, por exemplo, segurar uma torcida enfurecida?
Eu já fui ver jogo do Palmeiras com um amigo palmeirense (Sou SP) e "tive que virar palmeirense" para não sofrer danos físicos.
Meu irmão, também SP, foi com amigos ver o Timão. Só porque ele não estava pulando que nem doido, levou um tapa de um sujeito desdentado (sem ofensas) que disse: "E ai, galego, não vai vibrar?"
Basta dizer que naquela noite o timão ganhou um torcedor temporário.
Assim, o problema é mais sério.
A massa de torcedores é levada pela imprensa ou pelos próprios jogadores e dirigentes a não pensar. Ela reage.
Como fazer então para restaurar a alegria do futebol?
A gente tem que entender que hoje futebol é uma desculpa, um judas, que todo mundo usa pra descarregar a raiva, a ira e o ódio.
Ah se o mundo do futebol fosse aquela coisa inocente de ver seu time ganhar ou perder, sentir a emoção do gol, da defesa ou do lance genial do atacante.
Como seria legal usar a camisa do time na segunda sem o medo de levar um facada ou um chute.
Bem acho que me delonguei...
Mas as coisas não são mais o foram no passado e talvez nunca mais vontem a ser. Sorry!
Abs
Antonio C.

Diário dos Esportes Golaço disse...

Nori, mais um texto brilhante. Sensato e contextualizado. Concordo plenamente com vc quando diz que sente falta de jogadores como Viola, Renato gaúcho, Vampeta e etc. Com a hipocrisia que atinge hhoje o nosso futebol é difícil novos desse tipo aparecerem...é raro. Hoje temos que nos contentar com uma entrevistas mal-humorada do Muricy ou um emaranhado de palavras sem propósito e pretexto de Luiz Alberto, por exmplo. Infelizmente.

Abraços

Claudio disse...

O problema é ele estar no palco da mancha verde e estar fazendo isso para fazer média com um bando que já cometeu vários crimes.
Mas você tem razão em relação ao mau humor e a hipocrisia. O clima entre profissionais de futebol deveria ser como aquele entre Milton Leite, Cereto e Rizek tirando sarro de você. Uma coisa saudável, sem perder o respeito, mas mantendo a saudável sacanagem.

Marco Antonio disse...

Eu, como flamenguista, chamo meus amigos correligionários de mulambos e meu irmão de chorão (por ser Botafoguense). Que mal há nisso, né Noriega?

Eu sempre gostei muito dessas provocações e estou sempre de saco cheio dessa onda de politicamente correto, que não está só se resumindo ao futebol.

Marco Antonio disse...

Alguns ainda disseram que o Belluzzo estava incitando a violência. Diante daquelas circunstâncias, não é o que parece. Agora não pode falar em matar, massacrar, enterrar... é incorreto.

Lembro do Souza, quando jogava pelo Flamengo e comemorou um gol como se portasse uma metralhadora. Quem nunca associou isso ao atacante que faz muitos gols. De onde vem a palavra artilheiro então? O cara não pode mais ser "matador".

Está ficando cada dia mais ridículo, né camarada?