quarta-feira, setembro 02, 2009

Para pensar antes de

mudar o calendário


Se houver mesmo a mudança do calendário, proposta defendida por muita gente, mas da qual sou combatente assumidamente contrário, algumas situações podem se apresentar. E ninguém parou para pensar ou, no mínimo, debater sobre isso.

Entre outras coisas, poderá ser necessário realizar dois Campeonatos Brasileiros na mesma temporada para se adequar o calendário. Um só para classificar os times para a Libertadores da temporada seguinte, e outro para ser o do novo calendário propriamente dito. Com isso, um time passaria apenas seis meses na Série A se tivesse conseguido o acesso e viesse a cair em seguida. O mesmo valeria para um time que fosse rebaixado.

Haveria jogos na antevéspera de Natal e, provavelmente, no dia 1 de janeiro. Com a precariedade do nosso transporte aéreo, já imaginaram times das Séries A e B cruzando os céus do País em plena alta temporada de verão? Pode ter muito WO.

O auge da competição será disputado em plena temporada de férias e de menor atividade econômica do País.

Enfim, é um ponto de vista de alguém que é contra a adequação do nosso calendário ao europeu e não tem medo nem vergonha de assumir isso abertamente.

8 comentários:

Jesus The Lord disse...

Acho que você está mais que certo em expor suas idéias quanto à não adequeção ao calendário.

Sou extremamente a favor da adequação, apesar de saber dos contras...

Sei que para muitos será um desconforto perder suas férias costumeiras, ter que ir trabalhar num jogo às vésperas do tão celebrado Natal e Reveillon... perder um tempo maior com a família... dentre outros "poréns"...

Mas um dia teríamos que passar por isso... alguns sacrifícios têm que ser feitos em prol da higienização do futebol!

mMs acho importante você deixar sua idéia transparecer em qualquer lugar que você for argumentar, para que todos também possam discutir sobre os eventuais problemas que irão se desencadear com a adequação.. até para, quem sabe, se preparar para o "pior" e corrigí-los com o tempo!

Marcelo Laguna disse...

matou a pau, Kbça. E ainda tem uma outra questão, que ninguém está se lembrando: o que os caras vão fazer com os estaduais? Simplesmente apagar da existência, como o Stalin fazia na Rússia? (rs)

abs

Rodrigo disse...

Você está corretíssimo, Noriega. Cidades como Curitiba, onde vivo, ficam absolutamente desertas no período de férias. No calendário atual os jogos dos estaduais nessa época não têm público. Será um prejuízo enorme para os clubes, pois ninguém abrirá mão do período de descanso para acompanhar o time no campeonato brasileiro.

Michel Costa disse...

Prezado Nori,
Primeiro segue o ótimo post escrito por Paulo Vinícius Coelho:
"A falácia da Federação contra a mudança do calendário.
A Federação Paulista fará força contra a adaptação do calendário europeu ao da UEFA.
Vale o debate, sempre.
Mas o debate precisa ser leal e ter argumentos verdadeiros.
A Federação, assim como o executivo da Globo Esportes, Marcelo de Campos Pinto, repete que dos 1173 jogadores que deixaram o Brasil no ano passado, apenas 15% seguiram para o mercado europeu, adaptado ao calendário da Uefa.
É verdade.
Só que esse número não tem nenhuma importância, comparado com outro: o de jogadores que começam a Série A do Brasileirão e vão embora antes do final.
A Série A de 2009 já perdeu 27 jogadores. Desses, 63% foram para países como França, Espanha, Portugal, Itália, que seguem o calendário de setembro a maio.
Ano passado, a Série A perdeu 57 jogadores, durante a sua disputa. Desses, 40 seguiram para o calendário da UEFA, ou 70%.
A ligeira queda no número deste ano tem a ver com a crise global.
O debate é legítimo. Nem todo mundo precisa concordar que a melhor saída é a inversão do calendário. Mas para que o debate tenha alto nível, é preciso partir de informações relevantes.

Repito o que tenho dito nos programas dos canais ESPN. A inversão do calendário não vai solucionar a questão do êxodo, mas vai atenuar o impacto do êxodo sobre o Campeonato Brasileiro.
É a primeira maneira de tentar criar um ciclo virtuoso, em vez do ciclo vicioso que vivemos há anos.
O clube poderá jogar o campeonato depois de vender parte de sua equipe e decidir só vender ao final de sua campanha. Se ganhar o campeonato, poderá vender por 10. Se perdê-lo, venderá por preço mais baixo. Mantendo mais jogadores durante a temporada inteira, o campeonato poderá ficar melhor, arrecadar mais com bilheteria, receber mais de publicidade, televisão.
Desde que o ciclo virtuoso se inicie.

Michel Costa disse...

Agora, o meu comentário:
Penso que a mudança não implicaria no fim dos Estaduais, mas no seu deslocamento.
E não precisaria haver dois campeonatos num só ano. Basta utilizar o primeiro turno como base para a classificação à Libertadores do ano seguinte.
Ao fim da temporada (em maio), teríamos novos classificados para a edição seguinte e tudo caminharia normalmente a partir daí.
Sobre jogos no fim do ano, penso que eles não deveriam acontecer, assim como não acontecem na França e na Alemanha, por exemplo. Poderia haver a divisão das férias, quem sabe? É tudo uma questão de adequação.
E boa vontade, claro.
Abraços.

Nori disse...

Oi, Michel. Cada um tem sua opinião, isso '
e ótimo. O Paulo Vinícius faz parte do time que é contra os estaduais, eu não sou. Acho que eles são uma boa opção para o período de pré-temporada e fomentam a rivalidade regional, que é o berço dos grandes clubes. Quem não gosta dos estaduais deveria pensar nos estados em que não haveria futebol sem eles.
Fazer campeonato de turno único diminui sensivelmente o número de jogos e, não se iluda, time brasileiro precisa jogar para ganhar dinheiro.
O problema é querer comparar o Brasil com a Inglaterra, essa sandice que alguns fazem. Enfim, é preciso debater muito antes de simplesmente mudar. Acontece que é politicamente correto defender tudo que vem da Europa e de algumas opiniões. Eu não preciso ser politicamente correto, penso o que sempre pensei.
Abs

Michel Costa disse...

Nori,

Não sei se o PVC é contra os Estaduais. Pelo que já ouvi do jornalista, ele é contra a infinidade de jogos que os grandes times disputam nessa competição, algo que eu tbém sou. Por exemplo,23 partidas para ser vencedor num campeonato paulista que tem média de público risível é demais, não?
Com isso, o calendário fica inchado e temos rodada do Brasileirão até em data FIFA!
Além disso, com o calendário do jeito que está, os clubes ficam impossibilitados de excursionarem visando a divulgação de suas marcas, limitando-se apenas ao próprio território. E, se o mercado europeu é de difícil penetração, temos Ásia e América do Norte como regiões ainda carentes de bom futebol.
Finalizando, acho que não se trata de comparar o Brasil à Inglaterra ou qualquer outro grande centro, mas tentar uma mudança que tem tudo para dar certo.

Abraços e que o debate siga em bom nível.

LF disse...

Eu sou a favor da mudança de calendário e contra os estaduais, apesar de achar que uma coisa não tem nda a ver com a outra. Sobre o fato dos times ficarem apenas 6 meses na série A isso seria apenas uma vez, para adequar o calendário. Não acho que sirva de base para uma discussão. Precisamos analisar a coisa a longo prazo. Outra coisa para se avaliar é que se cortassem os estaduais, teríamos mais tempo para fazer uma espécia de "férias de verão", liberando os jogadores por um certo período de tempo na época de natal/ano novo. E o auge da campetição começa agora, com o calendário desse jeito, do outro modo, o auge iria começa também em fevereiro, março, abril, rumo ao fim. Eu acho que é o melhor a fazer, menos por causa da janela, mais por uma questão de temporada: com a temporada desta maneira os times podem se planejar tendo em mente que o auge da temporada vai ficar para Abril/Maio/Junho, quando tanto o Brasileirão, quanto a Libertadores se afunilariam, e até a Copa do Brasil. Essa para mim é a grande vantagem, uma equipe disputaria ao mesmo tempo seus principais torneios, sem se preocupar com o fato de poder cair se não levar o Brasileirão a sério. Seriam três meses de tirar o fôlego. Daria até para investir nisso do ponto de vista econômico.