terça-feira, abril 07, 2009

Atleta não precisa
servir de exemplo


Acho tremendamente injusto quando leio alguma coisa na linha de que atleta precisa ter consciência porque precisar dar o exemplo. Discordo completamente. Exemplo de quê e para quem, cara-pálida?

É um tal de criticar daqui e dali porque fulano foi pra boate, pra balada, foi visto bebericando uma cerveja etc.

Primeiro que esse papo de servir de exemplo é muito relativo. Principalmente quando se trata de uma celebridade, de alguém cuja exposição é massiva. Muitas vezes o sujeito não bebe, não fuma chega cedo pra treinar, é o útimo a sair, mas se comporta como um tremendo mau-caráter nas entrelinhas. Ou passa uma imagem de bom moço nas entrevistas e fora delas é um pulha.

Quando o cara assina um contrato como atleta profissional o que se cobra dele é o desempenho como atleta e o respeito à instituição que ele representa. Não está escrito que ele deve ser exemplo pra ninguém em suas atitudes fora de campo, na sua vida cotidiana e pessoal.

Exemplo tem que ser o político, o funcionário público concursado. Exemplo para a maioria das pessoas são os pais, os avós, os parentes próximos, um grande amigo, um professor.

No máximo, eu acho que o atleta pode ser cobrado e copiado por um garoto que quer ser atleta como ele. O resto eu penso que é covardia.

Ronaldo, por exemplo. Precisa ser exemplo por que? Só porque é famoso e joga bola? Aliás, exemplo de que e para quem? Seja bom exemplo ou mau exemplo para quem pensa nisso.

Aí dirão que as crianças o adoram, que querem ser como ele. Criança também quer ser como o Super Homem, o Batman, e todos esses heróis, como personagens, têm alguns péssimos exemplos para dar.

Uma coisa é talento, competência, genialidade esportiva. Outra é caráter. Mesmo porque muitas vezes o caráter de um ídolo é volúvel. O cara pode ser um tremendo líder no aspecto esportivo e um fracasso como pai de família, por exemplo.

Escrevo tudo isso e tomo o tempo de vocês porque me revolta quando vejo alguém querendo cobrar de atletas certo tipo de postura e comportamento. Principalmente nesse mundo estranho em que vivemos, o tal do politcamente correto.

Houve craques velocistas que fumavam. Grandes atletas que gostavam de uma cerveja. Esportistas espetaculares que foram cidadãos irresponsáveis.

Então deixemos cada um no seu cada qual. E que cada um escolha seu exemplo de vida sem ficara analisando a fama e o número de gols marcados ou de baladas contabilizadas.

13 comentários:

Anônimo disse...

É isso ai!

Acho ate valido qndo um jogador eh sim um exemplo. É importante que haja os q sao, e bom seria se sempre fossem. Mas a obrigacao de ser exemplo eh ridicula. Ridicula eh tbm qualquer sociedade que precisa se inspirar em gente q corre atras duma bola, coisa tao futil se comparada a outros valores da vida.
E outra... exigem exemplo dos atletas enquanto q os patroes deles (cartolas) sao das piores classe de gente existende na Terra. E como q fica pra jornalista q gasta mais tempo falando das baladas de um atleta do que cobrando dirigentes por mudancas. Tivesse essa marcacao cerrada de cobertura jornalistica em cima de cada acao desses safados, e quem sabe comecaria a incomodar um pouquinho a facilidade q eles tem pra serem podres no comando do futebol. Comecem pela CBF.

Michel Costa disse...

Perfeito esse post. É exatamente o que eu penso sobre jogadores de futebol ou artistas de qualquer área. Eles não precisam ser exemplos. São pessoas normais que, pelo sucesso que tem na profissão, atraem a atenção de público e mídia.
Mas não tem que dar exemplo. São apenas pessoas submetidas às regras da sociedade como qualquer um e que ainda tem que suportar perseguições, sobretudo, de parte da imprensa (aquela que quase só vive disso).

Abraços.

PS: Noriega, na oportunidade, gostaria de convidá-lo para uma visita ao meu blog:
http://a4l.zip.net
Além das Quatro Linhas!

Luiz Augusto Lima disse...

Assino embaixo. Poucas teorias são mas enfandonhas e politicamente corretas do que este papo de atleta ter de servir de exemplo. Acho que muitos pensam mais ou menos isso: "Eu não tenho diálogo com meus filhos e ainda me aparece esse Michael Phelps fumando maconha...?!?! Ele tinha de ser o exemplo!"

Anônimo disse...

o caso do phelps, o que vc acha nori ?

Sidney disse...

Comentário perfeito Noriega. Na minha opinião, jogador só não deve matar concentração para ir pra balada e deve se apresentar em condições de trabalho após a folga. O que ele faz nas férias e nas folgas é problema, da mesma forma que a empresa que trabalho não tem nada a ver com o que eu faço fora do expediente, desde que não me atrapalhe no dia seguinte... Exemplos são pai e mãe, com raras excessões algum amigo ou parente próximo.
Abraço.

Thiago Campos disse...

Concordo em partes, mas acho que um jogador de futebol está exposto a essas cobranças sim.. Eu acho que o problema está em o atleta não corresponder.. Ou alguém pode chegar bêbado no trabalho e ficar tudo normal?

Acessem: http://cademeucamisa10.com

Robert Alvarez Fernández disse...

Maurício, muito legal seu texto, de fato há inúmeros exageros nesta responsabilização do ídolo pelo exemplo que ele teria que dar nesta época de uma pseudo-ética; concordo em condenar o duas caras e que temos que cobrar ética da administração pública e privada; porém peço licença em trazer ao amigo alguns pontos adicionais, a idéia é não ir tanto ao mar nem tanto à terra.

Em pesquisa chamada Dossiê Esporte, feita pelo SPORTV e pela IPSOS/Marplan, dois sinônimos de boa qualidade, a questão do ídolo emerge nos trazendo as seguintes mensagens :

O ídolo é um exemplo a ser seguido – 49% dos ouvidos acreditam no poder de sugestão dos ídolos, capazes de influenciar positivamente adolescentes e crianças.
Ele é um estímulo à prática – 16% consideram os campeões fonte de inspiração para a prática esportiva. Algumas meninas disseram que passaram a fazer ginástica olímpica depois de ver o sucesso de Daiane dos Santos.
• Torna-se foco da torcida - 11% afirmam que o processo de identificação com o ídolo o torna referência para o esporte que pratica e suscita o desejo de acompanhá-lo na superação de dificuldades.
Gera interesse pelo esporte – 11% dizem que o ídolo faz aumentar a audiência do esporte. A habilidade do ídolo garante o espetáculo.

Até aí nada de muito novo, abre espaço enorme na possibilidade de atrair público e gerar endossos publicitários, infelizmente um filão mal explorado no Brasil.

Quanto às questões comportamentais é que vem alguns contrapontos :

• Humildade
29% dos entrevistados acham que o ídolo sabe reconhecer e valorizar os que torcem por ele. Por ter subido na vida através do esporte, preocupa-se em ajudar os necessitados.
• Talento acima da média
26% consideram esse o atributo essencial de um ídolo do esporte. Com sua habilidade, faz parecer fácil o que todos sabem ser difícil.
• Sacrifício pessoal
18% dizem que talento
não basta, é preciso força de vontade e empenho para vencer.
• Vida pessoal equilibrada
7% pretendem que o ídolo seja um modelo a ser seguido e mostre que é possível fazê-lo. Deve dar exemplo de valores positivos: recusar drogas, ter responsabilidade familiar e postura ética.

Pode até ser um viés meio torto, vindo da nossa ética católica, que formou o país, porém é o que o público pensa. Mesmo a questão da vida pessoal ter pouca importância é um item levado em conta na adoção do ídolo esportivo de alguma forma; mais uma vez a necessidade de um acompanhamento do atleta e cuidados com sua imagem emergem, o cara pode ter a vida que ele quiser porém há de se trabalhar no posicionamento dele perante sua cadeia de valor, torcida, imprensa, patrocinadores, clubes, etc, sem ser duas caras. O automobilismo, de onde venho, é repleto de ídolos que eram BAD BOYS, ao passo que o que temos hoje é um bando de vaquinhas de presépio sem sal, sem açucar; personalidade e independência também, complemento meu, apimentam essa relação com o ídolo pro lado do bem, quando sem exageros e escândalos, de que natureza for.

Enfim, não quero ser dono da verdade ou tentar esmagar argumentos com desfile de números, nem pretendo; mas trago essas questões apenas para ajudar a evoluir o tema já que é assim que se constrói conhecimento.

Abraços,

Robert

Nori disse...

O caso do Phelps, amigo anônimo, é reflexo da hipocrisia da sociedade norte-americana. Nunca pararam para ver que alguns dos superatletas eram bombados, anaboizados, sempre cultuaram os caras, nunca foram questionar aqueles músculos numa Jackie Joyner. Aí pegaram o cara fumando maconha e cai o mundo em cima dele. Eu sou contra todas as drogas, mas até onde sei maconha não ajudou em nada o cara a ganhar. E quantos fumam maconha, cheiram pó e ninguém sabe? Cruel, muito cruel, diria Januário de Azevedo.

tribo_do_guarana disse...

Ronaldo, por exemplo. Precisa ser exemplo por que? Só porque é famoso e joga bola? Aliás, exemplo de que e para quem? Seja bom exemplo ou mau exemplo para quem pensa nisso.
__________________________________
esqueceu que ele tem filhos ????
deve ser muito bacana, o exemplo de ir pra zona...pegar 2 ou 3 mulheres numa noite...(quando é mulher né)....
discordo de vc....
o cara publico tem que dar exemplo sim cara palida....
e vc, mais que ninguem sabe que as crianças seguem sim o exemplo dado por eles..
Oras Noriega, hipocrisia agora...
nao adianta se revoltar não meu caro...
Quantas materias ja sairam que crianças, ao verem os pais fumando, acabam fumando tbm...
isso nao é exemplo ???
Pra mim vc se equivocou...
É como vc disse, tem quem se faz de santo em entrevistas e é mau carater...em todo lugar...em toda profissão...agora, dizer "exemplo pra que, pra quem "....aí vc pisou na bola mau brother...
lamentavel..
grande abraço...

PS: Ronaldo sim, nao é exemplo pra ninguem mesmo....assim como Adriano...Vampeta...Edmundo...etc....

Concorda comigo que Kaká é exemplo a ser seguido ????
abs

Everson.

Nori disse...

Oi, Everson. Valeu pela visita. Não faço idéia se o Kaká é ou não exemplo a ser seguido porque pra mim ele é só um atleta. Famoso ou não, o que me interessa é se ele joga bem e ponto. Posso divergir dele em assuntos relacionados a fé, política e outras coisas. Mas pra mim ele não é exemplo pra nada. Nem Ronaldo.
São pontos de vista, eu acho que exemplos de vida são outras pessoas, não os jogadores de futebol. E apenas defendi a tese de que eles devem ser cobrados por jogar bem e serem bons profissionais. O que cada um faz no dia-a-dia, entre 4 paredes, na vida particular, é problema de cada um.
Abs e volte sempre.

Bagarovski disse...

Olha, Noriega, sei que essa discussão veio por causa daquele meu comentário e também de um programa do Arena. Eu me referia basicamente ao exemplo para os jogadores iniciantes. Não vejo o Ronaldo um exemplo para eles. Uma pessoa que não cuida do corpo, que fuma, bebe e não dorme direito, para mim, não é exemplo para nenhum atleta. Na verdade, o Ronaldo é um contra-exemplo. Seria preocupante se os novos jogadores seguissem a vida noturna do Ronaldo. O esporte exige muito do atleta e quem não respeita o próprio corpo fica fadado a contusões e desempenho abaixo do esperado. O Ancelloti outro dia censurou o Ronaldinho Gaúcho pela sua falta de profissionalismo extra-campo, alegando quase a mesma coisa que disse antes: a competitividade atual não dá margem para esse tipo de comportamento.

Ronaldo é exemplo para a grande maioria dos jogadores iniciantes. Pergunte para 100 garotos quem é o seu ídolo. Uns 20, 30 vão dizer que é o Ronaldo. Portanto, ele é exemplo sim, infelizmente. Agora, para as pessoas comuns, como eu ou você, eu concordo que é exagero dizer que ele é um exemplo. Mas, reiterando, para a garotada do futebol, ele é um grande contra-exemplo.

Das Underground disse...

Pra min, quem fica dando disculpas pelas coisas que faz é covarde, seja, adolescente ou adulto, muita gente anda por ai fazendo coisa errada e depois da discupinha, soó pra dar um exemplo;

Cuando muleque pobre entra na droga, é por que nao tem oportunidade, e pelo mundo que a rodeia, mais e esse montao de menino de familia boa, que fica se drogando direto, é tambem por falta de oportunidade?, é tambem por culpa da familia?

É nada, e por que essa pessoa escocheu fazer isso amigo, um moleque de 10 ou 12 anos, ja sabe o que é bom e o que é ruim na vida, e a decisao de escolher é dele, tem muita gente que viveu sem condicoes, que escochei ir pelo bom caminho, por que quiz, por que sentiu que era por ali que ia mudar de vida, no Brasil tem muitos bons exemplos disso.

Fica falando que jogador nao é exemplo é papo furado amigo, e conversa de quem nao tem o que fazer.

Acima mencionarao o Kaka como exemplo, pois pra mim nao é, por que ele tem creencias religiosas diferentes da minha, e eu nao sigo ele fora dos campos, so sigo ele pelo futebol e nada mais.

parem com esse papo de velha fofoqueira, se preocupem com o que de verdade importa, que sao os politicos que roubao o dinheiro dos pobres e esse tipo de coisas.

Letícia disse...

Nori, sobre esse assunto, gostaria que vc analisasse dois casos polêmicos que eu vi esse final de semana. Primeiro, o comercial da Brahma com o Ronaldo Fenômeno(não sei se vc já viu). Segundo, a comemoração do gol feita pelo Cristian/Corinthians na semifinal contra o São Paulo, além de provocar a torcida adversária, totalmente desnecessário, afinal, ele estava em casa, tinha mais é que comemorar, ainda fez um gesto muito feio.
Beijos.


-> link do comercial: http://www.youtube.com/watch?v=gdQjJCfC45c