quinta-feira, maio 29, 2008

DESTINO TRAÇOU GRANDE
DUELO NA COPA DO BRASIL

Tem certas coisas que acontecem no futebol que nem o mais criativo roteirista de Hollywood poderia imaginar. Essa final da Copa do Brasil, por exemplo. Corinthians e Sport. De um lado o alvinegro, recuperando o respeito e a dignidade após o rebaixamento vergonhoso. De outro, o treinador que capitaneava o time quando foi rebaixado, recuprando, ele, sua dignidade e seu respeito. O reencontro de Nelsinho Batista com o Corinthians é coisa dos melhores roteiristas americanos, com o sem greve.
Ambos mereceram chegar onde chegaram. Começo pelo Sport, representante do Nordeste, sempre tão esquecido e desprezado pela crônica esportiva do Sudeste Maravilha. O Sport é um baita de um clube, com uma torcida gigante, uma bela história e um time extremamente competitivo. A Copa do Brasil é o palco ideal para equipes com o perfil desse time dirigido pelo Nelsinho Batista. Jogadores que muita gente acreditava estarem acabados, como Leandro Machado. Outros que o senso comum classificam apenas como "jogadores de time pequeno", como Romerito. Atletas de grande prestígio no Nordeste, como Carlinhos Bala. Outros de nível nacional, com futebol para jogar em qualquer time do País, como Dutra. Um goleiro de personalidade e cuja história ficou marcada por ter sofrido o milésimo gol de Romário. No banco, Nelsinho. Teve grandes conquistas e derrotas marcantes. Ficou afastado do Brasil por algum tempo, correndo atrás do justo e merecido conforto financeiro. Quando voltou, pegou o Santos depois da rápida passagem de Alexandre Gallo. Foi condenado por ter, ele, condenado o trabalho feito por seu antecessor e carregou a cruz de ter sentado no banco no dia em que o Santos perdeu de 7 do Corinthians. Retornou ao Corinthians, onde não é apenas mais um treinador. É o treinador do primeiro título brasileiro, em 1990. Também é o treinador que perdeu o título que tirou o Palmeiras da fila, em 1993. É o treinador do título paulista do São Paulo em cima do Corinthians, em 1998, no famoso duelo do nó tático contra Luxemburgo. E, o que é mais saboroso em termos de roteiro, Nelsinho caiu com o Corinthians para a Série B do Brasileiro.
Agora o treinador e o time que o transformou em técnico de ponta estarão frente a frente numa final de Copa do Brasil. Competição que o Sport e o futebol do Nordeste jamais venceram em quase 20 anos de disputa. A campanha do Sport é sensacional. Deixou pelo caminho Palmeiras, Inter e Vasco. Jamais poderia ser considerado zebra, simplesmente por ser o Sport. Com um currículo desses, então, nem se fala.
O Corinthians tem duas conquistas de Copa do Brasil. Se papar a terceira, colocará fim a qualquer possibilidade de gozação dos torcedores rivais, a não ser que consiga a proeza de não voltar à Série A - retorno que pelo nível mostrado pelos advesários na Série B deve acontecer bem antes do final do campeonato. O time está longe de ser brilhante. Mas tem uma característica fundamental, além da luta: conhece e administra bem seu potencial. O melhor exemplo disso é o Herrera, argentino pra lá de limitado tecnicamente, que joga fazendo falta o tempo inteiro, mas que sabe se colocar bem na área, não tenta fazer o que não pode e contagia o time. A defesa é boa, todo mundo sabe. O treinador é competente, embora ande com mania de perseguição. Será uma final de arrepiar.

A HORA DO FLUMINENSE

2 a 2 com o Boca em Buenos Aires, teoricamente, seria para soltar rojão. O Palmeiras fez o 2 a 2 e soltou rojão na final de 2000 e perdeu nos pênaltis, em casa. Repetiu a dose: 2 a 2 e rojões em 2001, e caiu na semifinal, em seu estádio. Portanto, não há como festejar nada antecipadamente quando se trata de Boca Juniors na parada.
Mas que o Fluminense mostrou que pode sonhar mais alto, isso pode. Um time que tem Conca, Thiago Neves, Washington, Dodô, Júnior César (ah se ele passa aquela bola pro Washington....), se estiver num bom dia, não é parada fácil para adversário algum, mesmo para Riquelme e cia.

AJUDEM-ME A ENTENDER

O Brasil está parando de tantos congestionamentos. Seja nas metrópoles ou até mesmo em outrora tranquilas cidades do interior. Há a necessidade de incentivos para a indústria para que o bom momento econômico seja, quem sabe, perpetuado. E leio nos jornais que 53% de todos esses incentivos praprados pelo Governo vão exatamente para a indústria automobilística, que nunca vendeu tanto como agora. Tudo bem que o partido e o presidente têm origem na região de fábricas de automóveis, mas será que o Brasil vai apostar sempre nisso, em fabricar cada vez mais automóveis? E a indústria de alta tecnologia, de produção de chips, informática em geral, a Embraer, a agricultura, a indústria do verde, tão urgente e necessária? A de fabricação de equipamentos médicos, e tantas outras coisas que o Braisl não fabrica ainda e poderia fabricar, reduzindo custos, ampliando horizontes, capacitando profissionais. E o turismo, a indústria do turismo de pesquisa, preservação etc. Por fim, e a porcaria de transporte público?
Talvez eu esteja sendo um pouco preconceituoso, mas não consigo entender muita coisa do que os ministros Mantega e Mangabeira Unger falam. Talvez seja o leve sotaque do primeiro e o carregadíssimo do segundo. Mas um dia eu ainda acho que uma mente capacitada para tal vá pensar realmente o Brasil de um jeito grande.

2 comentários:

rodrigosucena disse...

Grande Noriega. Sou um grande fã seu, acompanho seu trabalho desde que tenho tv por assinatura, me divirto com as transmissões que você faz com Milton Leite(outro gênio do jornalismo). Tenho 18 anos e pretendo seguir a sua profissão, infelizmente ou felizmente em agosto estarei indo para o Canadá e não sei se voltarei, uma pena se eu não voltar pois sentirei falta das suas ótimas análises, e claro seus comentários durantes os jogos. Posso citar um que você fez no jogo do meu Corinthians contra o São Caetano na segunda partida das quartas da Copa do Brasil quando o Perdigão foi substituído e entrou o Saci, você cantou uma marchinha de carnaval, eu acabei caindo na gargalhada com esse seu comentário. Enfim fica aqui meu comentário, espero um dia ao menos te conhecer pessoalmente ou quem sabe até trabalhar com você, o que seria uma grande honra. Meu pai vive falando sobre Osmar Santos, que ele foi o maior jornalista que ele já viu, infelizmente não cheguei a pegar a fase de Osmar Santos mas posso dizer para meu filho que acompanhei Maurício Noriega. Um grande abraço, Rodrigo.

Nori disse...

Pôxa, Rodrigo, que comentário bacana. Muito obrigado mesmo. Mas quem sou eu pra ser comparado ao grande Osmar Santos, esse sim, um gênio. Fico feliz que vc tenha gostado das nossas transmissões, o Milton é um grande mestre. é muito fácil trabalhar ao lado dele. Boa sorte pra vc no Canadá e sucesso sempre.
Abs,
Nori