sexta-feira, maio 23, 2008


O CLÁSSICO TRICOLOR
NUNCA VAI TERMINAR


O Fluminense e São Paulo da última quarta-feira é um jogo que jamais terminará. É daquelas partidas que permanecerão vivas durante séculos, retumbando nas memórias de jogadores e torcedores que a presenciaram. Avôs e pais a passarão em diante, para filhos e netos, que a perpetuarão como uma das maiores apresentações de futebol de todos os tempos. Pelo grau de dramaticidade, emoção e imprevisibilidade.
Quem vence um jogo desses tem sua força multiplicada e sonhará com o triunfo por muito tempo. Já o derrotado certamente terá pesadelos por longos períodos. Dificilmente veremos um jogo como esse na temporada, seja na América do Sul ou na Europa.
Explicações são difíceis de se encontrar. Não gosto de quem pensa que tem explicação para tudo. Na verdade, o debate sobre futebol se faz, na minha opinião, de análises, de pontos de vista diferentes que, confrontados, ajudam alguém a formar também a sua maneira de ver o jogo.
O Fluminense jogou muito futebol na maior parte do jogo. Teve como grande mérito o fato de acreditar sempre que era possível, isso era visível na fisionomia dos jogadores captadas pelas câmeras de transmissão de TV. O São Paulo jogou um grande segundo tempo, como talvez não tenha feito nesta temporada. Mas se já era difícil tirar o Fluminense de perto do seu gol com 11 contra 11, com um a menos foi impossível.
O Fluminense está mais forte, mais competitivo, deixou de acreditar naquelas bobagens típicas de exaltação baba-ovo. É um time mais sério. O São Paulo segue sério e forte, mas como sempre foi um time, nessa atual encarnação, que jogou no limite, sucumbiu porque seus horizontes atuais são mais limitados, frágeis. A equipe hoje erra muito mais do que errava em 2007. De Rogério ao último atacante. E o Tricolor paulista não tem um jogador como o argentino Conca, capaz de determinar qual o rumo que o jogo tomará, ao seu gosto.

O FENÔMENO BOCA JUNIORS

O diabo para o argentino das Laranjeiras e para todos os tricolores cariocas do mundo se apresenta não de vermelho, tridente e chifres. Ele veste as cores amarela e azul. Não adianta bater no peito e exaltar o futebol pentacampeão mundial. Em se tratando de disputa entre clubes, nenhum clube do Brasil chega perto do que é o Boca Juniors. Claro que o Fluminense pode eliminar o Boca e ganhar a Libertadores. Mas a média de aproveitamento dos xeneizes na Libertadores é de fazer inveja a qualquer grande time nacional. Que time brasileiro, tirando o Santos de Pelé, poderia ter ido ao México e feito o que fez o Boca? Que time brasileiro joga fora de casa com a autoridade de Palermo, Palacio e cia.? E o Boca vem se enfraquecendo tecnicamente a cada temporada, o que curiosamente não enfraquece o desempenho do time. Que se aproxima do sétimo título de Libertadores. Ou seja, São Paulo, Grêmio (ou Cruzeiro) e Santos somados. O Boca é simplesmente o dobro do maior time brasileiro na Libertadores. E pode igualar o Independiente, que não dá mostras de que voltará a ser o que era.
Taí a missão do Fluminense, difícil mas não impossível. Porque depois de quarta-feira é um outro Fluminense o que estará em campo contra o maior time das Américas.

2 comentários:

Rodrigo B. Mendonça disse...

Noriega, Bom dia !!!

Gostaria de parabenizá-lo pelo post. Sou um grande fã do seu trabalho. Sou Fluminense e tenho certeza que esse jogo ficará na nossa memória por muitos anos.

Estava no maracanã e nunca vi nada igual. E eu, que pensava que o jogo contra o Arsenal no maracanã, tinha sido o jogo da minha vida.

Só nós tricolores sabemos o quanto essa viória é importante, por tudo que passamos nos ultimos 10 anos com caída p/2ª e 3ª divisão.

Parabéns pelo seus comentários sérios e precisos. E agora, que venha o Boca !!!!

Abs !!

Joao Luis Amaral disse...

Fala, Nori!
Parafraseando uma citação sua num dos post abaixo, é ótimo ver o Boca jogar, contanto que não seja contra o MEU time...
Vai entender os caras? Jogam um futebol pífio em casa, com o apoio da torcida, vão em grande desvantagem jogar fora e arrebentam. Não tem a menor lógica, mas é a grande atração da Libertadores.
Torço para o Fluminense nesse jogo (apesar de ser Corinthiano), claro, pq entendeu o que é a competição, está lutando com garra e força, sem esquecer a técnica do bom futebol. Para mim, final antecipada...
Grande abraço.
Joao Luis Amaral