quinta-feira, maio 08, 2008

BOCA E SÃO PAULO SABEM OS

ATALHOS DA LIBERTADORES


Todo mundo diz que a Libertadores é diferente, que é preciso saber jogá-la. Claro que cada um tem a sua explicação, mas vendo as vitórias do Boca sobre o Cruzeiro e do São Paulo sobre o Nacional dá para perceber como esses dois times entendem a competição sul-americana. Quase sempre que participam, mesmo com times e treinadores diferentes, Boca e São Paulo fazem boas campanhas.
Basicamente, o Boca joga fora de casa melhor do que ninguém, e o São Paulo é um mandante quase imbatível na Libertadores. Os jogos do torneio continental são, geralmente, de poucas chances, de espaços limitados e concentração constante. É preciso saber aproveitar as raras oportunidades e, também, não ter vergonha de passar a fechadura no time, dar de bico para onde estiver virado. Boca e São Paulo fizeram tudo isso contra Cruzeiro e Nacional. Porque os clubes se preparam para a Libertadores, as instituições compreendem o sistema de disputa e a alma que nela se coloca. Dirigentes, comissão técnica e muitos dos jogadores das duas equipes já rodaram muito pela Libertadores e já não se assustam mais com as particularidades dessa que é, para mim, a melhor competição entre clubes do mundo, por tudo que a cerca. É por isso que nem precisam estar jogando o fino, gastando a bola, para sempre serem apontados como candidatos ao título sul-americano. São seis títulos do Boca, três do São Paulo e ainda muitas finais disputadas. Isso é tradição. Como são equipes brasileiras tradicionais na Libertadores o Santos, o Cruzeiro, o Grêmio, o Palmeiras. Todos jogaram muitas finais.
O que não ocorre, historicamente falando, com o Flamengo, que foi campeão em 1981 e nunca mais disputou outra final de Libertadores. Óbvio que cada time tem sua época, que períodos não se misturam, mas o Flamengo não tem a tradição de Libertadores que ostentam os times citados acima. Talvez isso sirva um pouco para amenizar a dor rubro-negra pelo Maracanazo diante do América do México. Porque jogo de Libertadores não é palco para festinhas como aquela feita pelo Flamengo antes de a bola rolar. Claro que foi tragédia, acidente, vacilo, mas o espírito ali estava comprometido. Como fez o São Paulo em 2004, que providenciou uma bandeira do Japão para decorar o gramado do Morumbi antes da hora e teve de aturar a festa do Once Caldas. Enfim, a Libertadores é para iniciados ou para times excepcionais como era o Flamengo de 81.

UMA PROVA DE AMOR

Foi assim com Palmeiras, Grêmio, Atlético Mineiro, Coritiba, Bahia. Será com o Corinthians. Se rebaixamento fosse bom não teria esse nome. Mas não é o fim dos tempos, o time continua, a paixão se renova, há uma espécie de comunhão entre torcedor e jogadores, como velhos amigos que se ajudam na necessidade. A partir desse sábado o Corinthians mostrará, na Série B, que torcedor de verdade não abandona seu time. E, pelo jeito, esse time do Corinthians, mesmo longe de ser brilhante, mostrar-se-á digno da paixão de seus fiéis seguidores.

4 comentários:

Serginho Laurindo disse...

O que significa que o Tricolor do Morumbi vai passar com facilidade pelo Tricolor das Laranjeiras, que não tem NENHUMA tradição em Libertadores??? Hehehehehe... maldade minha, né Nori??? Concordo plenamente com o teu texto. Esses clubes têm esse espírito, em Libertadores a camisa pesa demais na hora da decisão! Do Boca é até chato falar. Pra eliminá-los tem que pelo menos arrumar um empate lá porque ganhar deles PRECISANDO ganhar é quase impossível... Já o SP, acho que apesar dos jogadores atuais não terem lá assim tanta experiência de Libertadores, o time, pela tradição que tem nessa competição, é sim favorito diante do Fluminense, que, por sua vez, tem um time bem mais técnico e vistoso. Os dois jogos prometem...

Joao Luis Amaral disse...

Fala, Nori!
Mais uma vez, disse tudo. Parafraseando Milton Leite, Noriega é o cara que mais enxerga futebol no Brasil.
Hoje em dia, além de ter uma preparação e um time diferenciados para enfrentar uma Libertadores, é preciso também contar com um "quê" de sorte, para não cruzar com os times copeiros.
Foi exatamente o que aconteceu com o Cruzeiro. Vinha bem, jogando um bom futebol, concentrado, mas cruzou, por ironia do destino, com o Boca. E incluo nesse naipe o SPFC que, a nao ser que um "Morumbinazo", sempre chega às finais (ou muito próximo delas).
Agora, segurem-se Atlas e Fluminense...
Quanto ao Timao, é frio na barriga, unhas roídas, pay-per-view na fatura e vamos em frente!!
Grande abraço,
Joao Luis Amaral

Anônimo disse...

Fala Nori, parabéns pelo blog, e pelas análises. Embora ainda não consegui encontrar uma sobre o meu time do coração, acho que vc consegue ser um pouco menos parcial do que seus coleguinhas.

Agora, uma pergunta; O que o Club de Regatas Vasco da Gama, uma instituição centenária, responsável pelo pioneirismo de aceitar negros, índios, cafuzos, mulatos e operários a praticarem o esporte que tanto amamos, fez contigo para que não o cite quando fala de Copa do Brasil, ou da Série A? Enfim, entendo que o nosso interino é uma figura ultrapassada e que mantém uma péssima relação com a imprensa em geral, mas acho que é um desrespeito com os milhões da Nação Vascaína ao redor do planeta vc não comentar a respeito.

Abraços

Daniel

Rodrigo Borges disse...

É bem legal ver time grande na Série B. Desde que não seja o meu!