quinta-feira, maio 15, 2008


HISTÓRIAS DA VIDA:
ADRIANO E HERRERA


Não quero comparar Adriano com Herrera, mesmo porque não há comparação. Minha intenção é falar das boas histórias que o futebol escreve. Histórias que fazem desse o esporte que é.
Começo pelo Adriano. Andava largado, esquecido pela Inter de Milão. A aposta em sua recuperação era investimento de alto risco. Houve momentos difícieis. Adriano gosta de se divertir fora do ambiente profissional, se envolveu em algumas confusões, mas no São Paulo voltou a fazer o que sabe: gols. Mais que isso, voltou a jogar bem. Muito bem, como fez diante do Nacional e do Fluminense. Ele é o fio condutor do time são-paulino. Se não joga, o time cai. Se joga mal, o time acompanha. Quando atua como fez diante do Flu, carrega o time com ele.
Adriano é jogador de nível internacional. Pode não ser craque no sentido estético. Mas é diferenciado. Sua maior virtude é saber utilizar no limite do desempenho suas qualidades. Com isso, diminui sensivelmente seus pontos fracos. Completou o ciclo da recuperação e está pronto para voltar à Seleção Brasileira. Com Ronaldo Fenômeno mais interessado em outras diversões, essa vaga é de Adriano, por merecimento.
Herrera não é Adriano, longe disso. Chegou sob um manto de dúvidas, começou a trabalhar diante de um mar de descrença. Trabalhou duro, sua entrega em campo é digna do melhor estilo argentino. Talvez o único ponto em que o futebol dele se encontre com o de Adriano seja o fato de ambos conhecerem suas limitações e explorarem ao máximo suas qualidades. Herrera é um batalhador incansável. Luta por ele e pelo time. Não virou craque por causa disso, mas conquistou o torcedor corintiano. Mesmo sem grandes atributos técnicos, tem a sensibilidade dos centroavantes de verdade, faz a leitura da jogada, sabe onde precisa estar dentro da área.
Herrera e Adriano são duas belas histórias do futebol. Histórias em que o trabalho derruba qualquer previsão pessimista ou aposta precipitada.

QUEM SEGURA O LEÃO DA ILHA?

A principal notícia do primeiro semestre no futebol brasileiro chamase Sport Club do Recife. Tricampeão pernambucano, o time é a sensação da Copa do Brasil. Deixou pelo caminho dois favoritos, Palmeiras e Inter, com vitórias categóricas e incontestáveis. Vai pegar o Vasco na semifinal e com status de favorito. Outra bela história de recuperação, agora protagonizada por Nelsinho Batista, que tocou o fundo do poço com o rebaixamento do Corinthians, mas não ficou preso na lama. O Leão da Ilha está com tudo. Uma justa alegria ao torcedor pernambucano e - por que não? - nordestino, que ama o futebol como poucos.

Um comentário:

Joao Luis Amaral disse...

Fala, Nori!
Realmente uma bela partida do Adriano ontem, e que bom saber que o SPFC nao depende apenas de jogadas e bolas alçadas na área pelo Jorge Wagner. O SPFC chega forte para o 2o. jogo e o Fluminense terá que jogar um futebol "perfeito" (se é que existe) para passar às semi.
Herrera, como bem disse, conquistou a nação Corinthiana, aos trancos e barrancos, tropeçando, trombando, mas é isso que o torcedor quer ver. E esse espírito contagiou até o Lulinha, que tem chegado ao limite do cansaço em cada jogo. Li em alguma coluna há algum tempo que o Herrera é o atleta que treina com mais empenho no time, e os resultados estão aí.
Quanto ao jogo do Sport com o Vasco, e comparando com os jogos contra Palmeiras e Inter, acho que a principal arma do time carioca será decidir em casa. Jogar a 2a. partida nos Aflitos têm sido fatal para os tidos como favoritos... Segurar um empate com gols lá e decidir em casa pode fazer toda a diferença.
Grande abraço,
Joao Luis Amaral