quinta-feira, outubro 30, 2008

O BRASILEIRÃO DO FOTOCHART*


*Está no dicionário olímpico da Folha Online. FOTOCHART - Método fotográfico usado para definir o vencedor de uma prova de atletismo em que dois ou mais corredores cruzam a linha de chegada praticamente juntos. A primeira utilização da câmera que fazia um “mapeamento” em fotos de uma cena foi em Los Angeles-1932, quando o olho humano não teve capacidade de decidir qual dos americanos, Eddie Tolan ou Ralph Metcalfe, havia vencido os 100 m. Mas um filme fotográfico foi oferecido por uma agência de notícias aos juízes. Muitas horas depois, deu-se o ouro a Tolan. Tanto Tolan quanto Metcalfe bateram o recorde mundial à época: 10s3.

Rodada vai, rodada vem e parece que, como vaticina o amigo Marco Aurélio Souza, repórter dos bons, o Brasileirão de 2008 será decidido no Fotochart, ou seja, nos critérios de desempate. Haja equilíbrio! Como falta um grande time, um esquadrão que se imponha, e não existem grandes craques, os cinco postulantes ao título seguem muito vivos e, literalmente, tudo pode acontecer.
Grêmio e São Paulo seguem com as melhores possibilidades. O que é muito, mas também não é. Porque têm 61% de aproveitamento, contra 60% de Cruzeiro e Palmeiras, um pontinho de diferença. Nos critérios de desempate o Grêmio sustenta a ponta que segurou em boa parte do torneio porque tem uma vitória a mais que o São Paulo. Mas o Cruzeiro já tem uma vitória a mais que Grêmio e Palmeiras e duas a mais que Flamengo e São Paulo. O número de vitórias é o primeiro critério de desempate.
Matemáticos de plantão não chegam a dar 30% de chances para o maior favorito entre os cinco, o que mostra o equilíbrio.
Pipocam teses para justificar apostas. Muita gente adora chutar e depois que seu chute entra no ângulo corre para o abraço afirmando que acertou. O famoso "como eu tinha dito, time tal foi o campeão". Prefiro tentar a análise dos fatos. O time que vive o melhor momento em resultados é o São Paulo. A equipe que joga o melhor futebol é o Cruzeiro. Grêmio, Flamengo e Palmeiras oscilam feito a Bovespa. Um dia em alta, outro em queda.
O Cruzeiro enfrenta ainda um adversário direto, o Flamengo. O Palmeiras enfrenta dois, Grêmio e Flamengo. O São Paulo não enfrenta mais adversários diretos, o que pode ser uma grande vantagem. Ou nem tanto, já que não poderá mais tirar, ele, pontos dos rivais. Todos os times jogam três vezes em casa e três fora, menos o Flamengo, que joga quatro em casa, sendo uma delas o clássico contra o Botafogo.
Há tempos defendo a seguinte tese, de que o campeonato não se decide nos confrontos diretos, mas sim nas partidas entre os times que estão à frente e os que estão lá atrás. Time do G-4 que perde para equipe que está no G menos 4 ou perto dele vai dançar. Uma tese, apenas.
Da rodada de ontem, entre os líderes, algumas observações. Primeiro, a precisão cirúrgica do São Paulo para aproveitar duas falhas do Botafogo num jogo absolutamente equilibrado, igual. Segundo, concordo com Arnaldo César Coelho e acho que o segundo gol do Botafogo foi mal anulado, porque Wellington Paulista não atrapalhou em nada Rogério Ceni, embora estivesse impedido. Tiremos o Wellington da imagem e a jogada teria o mesmo desfecho. Embora seja um time frio e decisivo, o Tricolor paulista não está jogando grande coisa e vem sendo sucessivamente salvo pelo excelente Hernanes. Não altera a cotação do dólar porque ninguém está jogando muita coisa. Fora o Cruzeiro, que atropelou o Grêmio com belos gols e tem um projeto de craque chamado Guilherme. Se sair bem da prancheta, vai dar o que falar.
O Palmeiras conseguiu algo que não vinha fazendo: ganhar jogando mal. Ponto positivo. O problema do time do Luxa é que tem um saldo de gols baixo em relação aos rivais.
O Grêmio joga um segundo turno fraquinho, fraquinho, e se segura na mística do Olímpico. O Flamengo pulsa graças à tabela favorável e ao bom desempenho ofensivo dos laterais. Mas segue sendo vulnerável no meio-campo.
Enfim, tem tudo para ser no fotochart mesmo.


DIEGO ARMANDO MARADONA

Sou fã do Dieguito jogador por ele ser genial e ter sempre combatido a cartolagem de plantão. Agora, acho que ele está se arriscando muito com essa história de treinador. Penso o seguinte: não basta ter jogado muita bola para exercer qualquer outra função ligada ao futebol. Eu acho que ninguém pode sair da faculdade de jornalismo para apresentar o Jornal Nacional. Tudo na vida tem seu tempo, seu aprendizado. Ou algum conselho de administração daria a presidência de uma multinacional para o melhor aluno da GV? Diego conhece futebol, mas não sei se está pronto para ser técnico. Deveria rodar mais. Já exerceu a função com apenas três vitórias. É polêmico, está doente, racionalidade para administrar crises nunca foi seu forte. Num dia elogia, no outro chama pra briga. Só vejo uma vantagem em relação ao Dunga no Brasil. Maradona fala de futebol sorrindo. Dunga fala com a faca nos dentes.

3 comentários:

Rodrigo disse...

Caro Noriega..

por onde anda o grande narrador Milton Leite??sumiu do mapa??
Abraço

Saulo disse...

Cada rodada que se passa, o campeonato fica cada vez mais emocionante, eletrizante e só vamos ter uma definição na última rodada.
Sobre o Maradona, não achei legal essa idéia dele de ser treinador da seleção argentina. Olha o exemplo do Dunga.

Anônimo disse...

Ola Nori...
Discordo quanto a ausência de craques no brasileiro...
Hernanes, Miranda, Alex, Nilmar, Rogério Ceni, Marcos, Juan, Leo Moura, Washington, Thiago Silva, Guiñazu, D´Alessandro, Fábio Luciano, Wágner, Guilherme, entre outros... Daqui uns dias eles brilham em times europeus e "viram" craques...