quinta-feira, outubro 23, 2008

NÃO PAREM A PARADINHA!!!!!


Eu gosto da paradinha. Acho que é uma das últimas representações da picardia do futebol brasileiro ainda em prática. Mas nos tempos do politicamente correto, dos "táticochatos" que infestam gramados e a mídia esportiva, a paradinha virou um crime.
Pra começar, fiquemos com o que diz a regra e o que dizem os árbitros e comentaristas de arbitragem. Na regra a paradinha é chamada de finta, como qualquer drible, artifício, o ato de superar o adversário fingindo fazer alguma coisa e, de fato, fazendo outra. Se ela, a paradinha, for considerada exagerada, é classificada como atitude antidesportiva. Conversei com alguns árbitros e comentaristas e todos disseram que para ser entendida como tal é preciso que o batedor do pênalti faça algo muito acintoso, como, por exemplo, passar da bola, voltar e cobrar.
Agora, convenhamos, como se chama na regra do futebol o pênalti? Não é penalidade máxima? Pressupõe-se que é a falta mais grave do jogo. Portanto, o pênalti só surge quando houve uma oportunidade evidente de gol, de jogada aguda, por isso, punida com a penalidade máxima. Então, com todo o respeito ao goleiro, o pênalti existe para que surja o gol que a falta impediu que acontecesse. As chances devem ser maiores do time atacante, não de quem vai defender. O que não pode acontecer é pênalti mal marcado. Aí, sim, coitado do goleiro. Mas quando é pênalti que é pênalti mesmo, azar do goleiro, ele que se vire, com ou sem paradinha, ou confie na ruindade do cobrador escalado.
Fora esse "regrês" todo, a paradinha tem aquele ingrediente que faz tanta falta ao futebol datado de hoje. A discussão, a imitação (a molecada adora tentar fazer paradinha nas peladas, assim como os marmanjos boleiros de fim de semana). Só faz quem tem habilidade, enfim, eu acho um grande barato.
O caso do jogo Palmeiras e Argentinos Juniors é emblemático. Diego Souza deu a paradinha, fez o gol, o péssimo árbitro colombiano mandou voltar. O goleiro argentino foi quase até a risca da área, pegou a segunda cobrança e o jogo seguiu. Quem foi beneficiado? O infrator.
Mas os tempos são esses aí, carrancudos. Quem toma um drible enfia o dedo na cara do atacante driblador, diz que é falta de profissionalismo e ameaça com uma botinada. Cinco minutos depois, cumpre a promessa, entra de carrinho por trás sob o argumento de que futebol é coisa séria. Os árbitros colaboram para esse estado de coisas porque adoram demonstrar autoridade quando ouvem reclamações e protestos. Mas fazem que não é com eles quando o couro come em campo.
A paradinha é a resistência, a ruptura. Não me lembro como era na época de Pelé, se mandavam voltar, se reclamavam. Mas sei que Pelé ficou marcado como gênio que foi também pela paradinha. Enquanto tentam nos enfiar goela abaixo legiões de zagueiros, 4-3-1-2, 3-4-2-1 e afins, o jogador que faz a paradinha traz para o profissionalismo um pouco dos campos de várzea, de terra, das brincadeiras de criança, do lado mais lúdico do futebol. Daqui a pouco vão proibir o drible, o chapéu, uma caneta, sob o argumento de que é antidespotivo.

O CRAQUE DO BRASIL É....

Luxemburgo acha que é o Hernanes, do São Paulo. Permito-me discordar. Acho que o Douglas do Corinthians tem todo o arsenal para ser craque mais ainda não é. Craque em atividade no Brasil, para mim, tem nome e clube: Alex, do Inter.

Um comentário:

Saulo Milleri Biral disse...

Concordo com você que o craque no Brasil se chama Alex, do Inter. Esse cara está jogando muita bola.
Sobre a paradinha. Pode fazer sem nenhum problema, mas eu não concordo com essa paradinha. Eu não acho legal. Acho uma covardia com os goleiros. Se pode ter a paradinha, então deixa os goleiros de adiantarem.