sábado, agosto 01, 2009

Um simples embarque e o

caos nos aeroportos mostra

0 longo caminho para 2014


Era um simples embarque para Recife, um voo corriqueiro que aguardava a mim e ao repórter Carlos Cereto no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Mas foi uma amostra de como o Brasil ainda está despreparado para receber a Copa do Mundo de 2014 no que se refere a infra-estrutura e logística.

Como o voo era um trecho de uma ligação internacional entre São Paulo e Paris, embarcamos no setor internacional. Antes, um festival de desinformação por parte dos funcionários da TAM. Ninguém sabia informar ao certo o portão de embarque, se era na ala nacional ou na internacional. Imagine se fosse um sueco, um japonês pedindo a mesma informação.

As filas são intermináveis, o aeroporto não suporta a demanda de um dia coalhado de voos internacionais, como era a sexta-feira 31 de julho, alta temporada turística. E estávamos no maior aeroporto do País.

Fala tudo, principalmente orientação visual, gente para dar informação correta e opções de descanso e alimentação. Há poucos restaurantes, quase todos ruins e caríssimos. As mudanças de portão de embarque são frequentes e mal informad de sinalizas. Para se ter uma idéia, os painéis de sinalização apontavam um portão, os cartões de embarque outro, e os funcionários da TAM um terceiro portão. Quem estivesse atrasado, nem que fossem cinco minutos, perderia o voo.

Pensei na hipótese de legiões de italianos desembarcando em São Paulo para um jogo da Azzurra. Os "romanos" fatalmente se transformariam em bárbaros na busca por um táxi, na batalha por informações.

São praticamente 4 anos até a Copa voltar ao Brasil e pouco se fez em infra-estrutura. Do jeito que está, será um mico de proporções mundiais para quem anda criticando a África do Sul. Estamos muito à frente, mas ainda bem longe do que se pode considerar razoável. Principalmente para um País que adora ser estilingue mas em 2014 será a vidraça do mundo.

5 comentários:

Marcelo Rayel disse...

Caro Nori,

Não sabemos exatamente se a solução desse tipo de problema, entre tantos outros, é uma questão de exercício de cidadania ou consumo, ou uma questão de crença religiosa e muita oração.

Você falou dos italianos em busca de melhor atendimento. Eu fico preocupado com os ingleses, bem mais cabeça-quente e sempre com alguns hooligans infiltrados.

É muita zona (desculpe o modo de falar), muita bagunça. Mas o brasileiro é craque em servir o primeiro mundo como primeiro mundo durante os 45 dias da Copa do Mundo em 2014. Fica a pergunta como os belorizontinos, por exemplo, vão transportar os torcedores dos principais hotéis da Savassi até a região da Pampulha sem metrô. Ou se será necessário feriado na cidade de São Paulo nos dias de jogos na capital paulista (e isso de uma cidade que tem as linhas de metrô que tem...)

Ou seja, mais do que uma vontade, Copa do Mundo é para quem pode, não para quem quer.

http://twitter.com/MarceloRayel

Luis Armando disse...

Você certinho Nori. Eu ainda nao sei como a Fifa deixou o Brasil ser cede do Mundial de 2014, não temos estrutura nenhuma, é difícil estabelecê-la em 3 anos (porque em 2013 tem a Copa das Confederações).

Gustavo disse...

Fala Nori,
cheguei recentemente de uma viagem internacional e o saguão de desembarque não suporta o número de passageiros, fiquei me pergutando a mesma coisa, como será em 2014?? que vergonha passaremos!

Núbia Tavares disse...

Noriega,
Eu também estava na mesma data, no mesmo aeroporto, com o mesmo problema de pegar um voo que era uma conexão internacional. Primeiro, a Gol nem me informou que se tratava de um voo vindo de Buenos Aires. Entrei no embarque domestico e, só quando andei por TODOS os portões, uma criatura me informou que eu precisava embarcar pelo embarque internacional. Lamentável! Sorte cheguei com muito tempo de antecedência, ou teria com certeza perdido meu voo. Terrível!

Zé Oliveira Pinto disse...

Noriega,

Concordo em 99,9%. Ano passado, na Itália que vc menciona no texto, tive duas experiências diametralmente opostas no mesmo dia, um sábado, dia 13/09/08. De manhã, saí do centro de Milão para Monza para ver o treino da F-1 (distância mais ou menos da Av. Paulista até Interlagos). Usei transporte público (trem + ônibus), posto à disposição dos que iam para a corrida. Uma lástima. E a organização dentro do Parco Di Monza, onde fica o circuito, é risível. Na volta, trens superlotados lembravam o subúrbio do Rio ou as estações da periferia de SP às 5 da manhã. Pessoas nas portas (abertas!), espremidas, etc. Interlagos dá um banho de organização. Só que no mesmo dia, às 20:30, fui a San Siro ver Inter x Catania. Ingresso comprado no Brasil, assento escolhido, tudo certo. Lá, um guichê bem sinalizado guardava um envelope com meu nome impresso e os ingressos meu e da minha mulher dentro. A revista dos carabinieri é séria, mas gentil. Há guias por toda parte te informando como chegar ao assento. Há dezenas de banquinhas vendendo tudo (oficial) da Inter. Os assentos têm uma Gazzetta Dello Sport pendurada no encosto para cada torcedor. Ninguém desrespeita lugar. A saída é fácil, de carro, a pé e metrô´(táxi só se tiver sido contratado antes, senão é impossível). E olha que havia 56 mil pessoas no estádio (estreia do Mourinho em San Siro, segunda rodada do campeonato). Ou seja,tudo isso pra te dizer que mesmo nos países desenvolvidos, é possível haver bagunça e desrespeito, como em Monza. Isso não é matemático. Assim, melhor do que ficarmos nos comparando e nos julgando inferiores sempre, é trabalhar pra arrumar. Sou radicalmente contra Copa do Mundo no Brasil (pra mim Copa tinha de ser SEMPRE na Europa), mas temos condição de no mínimo não fazer feio. Abs