quarta-feira, agosto 05, 2009

Mais pitacos sobre o

tema do calendário

no futebol brasileiro


Tem sido uma discussão interessante, com muitos pontos de vista bem fundamentados e uma participação legal essa sobre o calendário do nosso futebol.

Deixo mais alguns exemplos do que penso e fundamento minha tese de que não é preciso adequar o calendário ao europeu.

Clube brasileiro só vai parar de vender jogador se houver uma significativa aproximação entre os valores do real e do euro. Isso, também, se o clube brasileiro for bem administrado e multiplicar seu faturamento. O maior faturamento no Brasil, hoje, é da casa de R$ 150 milhões, uma ninharia se comparado ao segundo e terceiro escalão da Europa.

Quem fica excitado pra vender jogador na janela do meio do ano são os empresários, que hoje são donos da maior fatia dos direitos econômicos dos atletas. Os clubes precisam se fortalecer e voltar a ser donos da maior parte dos direitos econômicos. Só assim podem fazer valer a força de serem detentores dos direitos federativos.

E se a janela abrir durantes as férias dos clubes, os jogadores podem ser negociados sem que os próprios clubes saibam. Com essa abertura no meio da temporada os clubes podem ter argumento para não vender ou até mesmo valorizar seus jogadores pedindo mais dinheiro. Dependendo de como se veja a janela, ela pode ser um instrumendo de defesa se aberta no meio do ano. E lembremos que há uma janelinha também no início da nossa temporada.

Se querem mesmo mexer no calendário e ter espaço para excursionar, os clube devem propor reduções no tempo dos campeonatos estaduais e uma adequação ao seu real tamanho. Aí seria possível disputar a Copa do Brasil durante todo o ano e com os times que estão na Libertadores participando, o que valorizaria a disputa.

Um espaço de quinze dias entre os estaduais e o Brasileiro poderia dar aos clubes a oportunidade de uma excursão ou intertemporada fora do País para buscar recursos.

Enfim, enquanto os clubes forem escravos dos empresários e dos agentes que só querem ganhar dinheiro e quanto mais e mais depressa melhor, podem inventar o calendário que quiserem. Nada mudará.

Ponto, pelo menos por enquanto, para o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, que parece disposto a sinalizar que o clube é maior que os empresários e grupos de investidores. Se outros seguirem seu caminho, em alguns anos nossos clubes estarão mais saudáveis.

7 comentários:

André Monnerat disse...

Noriega, não acho que mudar o calendário diminuiria as vendas de jogadores. Os próprios clubes querem vendê-los, hoje precisam disso pra fechar as contas. Só acho que seria melhor se isso não acontecesse sempre no meio da competição mais importante do país. A gente começa a assistir ao campeonato já sabendo que aqueles times vão todos mudar dali a três meses. É péssimo, as pessoas acompanham essas primeiras rodadas sem o mesmo envolvimento.

Quanto à sugestão da janela para excursões - como seria possível diminuir os estaduais e, ao mesmo tempo, fazer eles acabarem no meio do ano? Hoje, com a duração que têm, eles já terminam muito antes das férias européias. Quer dizer, tem um problema de encaixe aí, não tem jeito.

Se fosse pra fazer uma janela para excursões, ou se faria o contrário - aumentariam os estaduais, o que ninguém acha uma boa - ou teria que ser no meio do Brasileiro, não tem jeito. E parar o campeonato pra isso, acho muito ruim.

A adequação ao calendário europeu ainda teria a vantagem de encaixar as nossas competições com as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Hoje, a gente ou para o Brasileiro ou o deixa em segundo plano durante estes eventos, que acontecem justamente durante as férias europeias.

Se for pra manter o calendário como está, eu sugeriria dar uma olhada nos poucos países europeus que têm inverno rigoroso demais e por isso fazem o calendário anual como o nosso. Não sei exatamente como funciona por lá, valeria conhecer, acredito.

Nori disse...

André, seus pontos são interessantes e bem fundamentados. Mas basta os clubes brasileiros botarem na cabeça que não venderão jogadores na janela que a discussão fica inócua. E para não vender na janela eles precisam ser mais bem administrados, apenas isso. O Flamengo venceu mais de 400mil camisas da nova fornecedora, um sinal claro de que há mercado a ser explorado, e bem explorado.
Repito o que eu penso: se adaptarmos nosso calendário ao europeu, só os times europeus sairão ganhando.

André Monnerat disse...

Nori, em algum nível a venda de jogadores sempre vai acontecer. Não tem jeito, é uma questão de real x euro, economia brasileira x economia europeia. Enquanto a nossa realidade for a do Brasil e a deles a da Europa, a gente vai estar em condições inferiores. A diferença entre Flamengo, Corinthians, Liverpool e Real Madri já foi muito menor, mas mesmo assim o Zico e o Sócrates foram pra Europa. Antigamente, o Zico e o Sócrates ao menos saíam entre o Estadual e o Brasileiro...

Concordo que a venda acontece nesse nível tão alto por conta da pobreza e falta de organização dos clubes brasileiros, e não pelo calendário. Isso é claro, você está certo! Não tem cabimento a gente ficar vendendo jogador pra time médio da Coreia, da Ucrania ou mesmo de Portugal.

Mas o que eu digo é que o calendário faz com que as saídas - que em alguma quantidade são inevitáveis - aconteçam num momento impróprio e ainda prejudica um possível planejamento pros nossos clubes irem mostrar suas marcas lá fora. É o que eu disse, o certo era o Corinthians estar lá fora exibindo o Ronaldo, o Fluminense o Fred, o Flamengo o Adriano.

Você acha que os europeus sairiam lucrando se a gente fizesse esta mudança por quê?

Nori disse...

André, acho que lucrariam porque tudo aconteceria exatamente no ritmo que eles querem, encaixando com o esquema deles. Sem contar questões culturais, do ritmo do nosso País, da nossa vida, das nossas atividades. Lembre-se que estamos em outro hemisfério. Mas acho que, principalmente, porque se a janela abrir com um campeonato em andamento, nossos clubes podem pensar duas, três vezes antes de vender, podem pedir mais caro etc. Sei lá, só uma maneira de ver a coisa.
Abs

Michel Costa disse...

Nori,

O André já disse tudo. O problema não é impedir a saída dos atletas, mas planejar o nosso calendário de forma que eles não saiam com o campeonato em andamento. Isso é terrível. É um fantasma que ronda o campeonato e insere um fator absolutamente desagradável para quem acompanha a competição.
Agora, tardiamente, Ricardo Teixeira acena com a necessidade de mudança. Bom, antes tarde do que nunca. Quem sabe na próxima temporada não vemos um Corinthians disputando a Emirates Cup e o Flamengo a Copa da Paz? Globalização é isso...

Abraço.

Davi disse...

claro q deveriamos ser mais organizados, ter condições de segurar os craques, etc, etc. nem vou defender o conformismo que é assim msm e pronto. mas tb não é algo q muda do dia pra noite. de qq jeito, independente da situação, estar em convergência com um calendário europeu/mundial unificado é conveniente para nós. se eles estão em condição de ditar isso, é por competência deles. podemos mudar isso algum dia, mas pra isso é importante saber dançar conforme a música e dar cada passo no momento preciso. no caso somos nós q devemos nos adaptar, mas e daí? sejamos práticos um pouco mais. de qq jeito é importante colocar, como vc faz, q não podemos no iludir com isso achando q basta. ainda assim tal mudança é necessária.

Vina disse...

Deixei um comentário no post anterior sobre o calendário Noriega, aceita lá rs, e me diga o que acha, abrax