sexta-feira, julho 27, 2007


SE A CRÍTICA ODEIA...


Nunca fui muito chegado a intelectualidades e intelectuais. Tenho interesse por cultura, é óbvio, mas esses chamados papos-cabeça, cinema iraniano, música da Islândia, nada disso faz muito a minha cabeça. Talvez eu tenha uma orientação cultural mais voltada para o pop, embora me permita gostar de alguma música mais complicada, uns discos de jazz, lamentar não ter tempo para ir ao teatro e admirar alguns filmes que não fazem parte da temática do chamado cinemão.
Tenho alguns amigos que são críticos culturais, uns de cinema, outros de música. Destaco um parceiro das antigas, Fabian Chacur, um dos pucos críticos musicais sem preconceito que já li.
Em virtude disso, resolvi adotar uma tática com relação a novas músicas e filmes. Leio alguma crítica que detona um filme que vem cumprindo uma carreira pelo menos boa e que, no boca a boca, conta com boa cotação. Vou pelo lado oposto do crítico. Aposto no que ele detona e geralmente saio feliz do cinema. Não consigo imaginar que alguns detonem a falta de filosofia ou mensagem num filme tipicamente de ação, para divertir. E aí elogiam cada coisa sem nexo.... Vá lá, talves eu não tenha o preparo intelectual para certo tipo de cinema. Embora goste de coisas como Janela Indiscreta, Blade Runner e cinemão do tipo Star Wars, De Volta para o Futuro.
Quando o assunto resvala para a música, aí chega a ser irritante. Porque falta, desculpem a força da palavra, honestidade. Boa parte dos chamados críticos músicais quer, na verdade, impor o gosto musical deles e de sua turminha em suas colunas e análises. Aí pintam aquelas bandinhas obscuras da Escócia chamadas como as melhores do mundo, em textos descaradamente copiados de revistas londrinas. Essa corrente que tenta transformar, sem sucesso, o Oasis em maior banda do mundo há uns 15 anos. Mas o mundo não é trouxa. Se a crítica músical, em especial a da Folha, excelsa um disco de rock da Escócia, passo longe. Seria, mal comparando, como um jornalista que cobre esportes querer convencer todo mundo que o melhor time é o dele só porque ele acha. Ou querer afirmar que West Ham e Southampton é melhor que um jogo do Brasileirão só porque é da Inglaterra.
Admito um certo radicalismo de minha posição, já que gosto de música velha (dos 50 aos 80, preferencialmente), acho o cenário pop-rock atual medíocre e admiro - como alguém que gostaria mas não tem o dom - músicos talentosos e criativos.
Cada um tem sua preferência. Nunca fui grande fã do Nirvana, acho Foo Fighters muito, mas muito melhor, mas como negar o poder de uma música como Come As You Are?
Depois tem gente que não entende porque bandas das antigas ainda saem em turnê, lotam estádios e são celebradas após 30, 40 anos de carreira. Tá faltando qualidade no mercado. Algo como explicar porque tem tanto jogador com mais de 30, 35 jogando direitinho no futebol brasileiro. As novas gerações não ajudam.

10 comentários:

Anônimo disse...

Noriega, acabo de descobrir seu Blog e, como assíduo espectador do Sportv, gostei muito de ler suas opiniões em um espaço mais particular. Meu nome é Chico Mello, sou carioca e há tempos admiro seu trabalho e de toda (na verdade, quase toda...) a equipe do Sportv. Gostaria de te parabenizar como comentarista esportivo (logicamente, algumas vezes não concordo totalmente com suas opiniões) e te dizer que você, sempre que acionado, mostra-se um excelente apresentador e mediador (seja no Arena, seja na cobertura do Pan). E achei legal o espaço onde você pode tecer opiniões sobre outros assuntos que não esporte, como foi o caso deste seu ultimo post. Um grande abraço.

Tiago disse...

Fala Nori, descupe a intimidade, mas é que acompanho você a um certo tempo no SPORTV, sou seu fã e acho que juntamente com o Milton Leite (esse cara é fantástico e não tem a dimensão que merece, azar dos "outros")tem-se uma das melhores duplas da imprensa esportiva. Feito essas considerações vamos aos fatos.

Concordo com boa parte do que você escreveu e lhe direi algumas coisas por experiência própria, brevemente, não quero ter mais destaque que as suas palavras.

Esse lance de cultura é interessante, sou estudante da "fábrica" de intelectuais da USP, a FFLCH, você deve conhecer. Poxa até outro dia era um cara normal (futebol, música e um certo interesse por cultura) mas com algumas inquietações. Devido aos estudos costumei desenvolver idéias em relação à cultura, lendo Escola de Frankfurt e outras "cositas más". Acho (observe o verbo)que alguns intelectuais ao exporem seus pensamentos, após entrarem em contato com idéias a respeito da indústria cultural e a crítica ao imperialismo de certas culturas, praticam conceitos que eles mesmos estudam e combatem, destaque para a imposição de culturas "aliení-
genas" e depreciação de outras culturas alheias.
Há que reconhecer que boa parte do que entendemos por cultura hoje é parte integrante de um sistema mundial (inclua-se aqui suas esferas: política, social, econômica, cultural etc...) que tende a tornar comercializável tudo que reconhece apto para tal, e a cultura não foge disso, assim como o futebol (jogo lúdico antes de mais nada, pelo menos para mim)
Há casos no futebol referentes a isso, explicitado pelo valor que damos a uma transação de um "soccer" (só pra ser contraditório) para o futebol europeu, quando este jogador vai atuar no Rangers, e dizemos: - Ele vai disputar a Champions!(???). Não damos o devido valor quando para um cara como o Riquelme vem disputar a Libertadores. Não a comparo com a Champions em termos econômicos e qualidade dos jogadores (até pelo que se passa atualmente, não preciso me alongar), mas poucos foram os que teceram comentários quanto à heterogeneidade das escolas latinas que a Libertadores abriga (argentina, brasileira, uruguaia e, agora a mexicana).
Esse lance de intelectuais é engraçado, conheço alguns, é bem o que você escreveu... eu não posso ler Tolstoi e gostar de assistir a série B (para mim é épico, a busca pelo "El Dorado"), por quê? Creio que há diversos fatores, engloba-se desde a sociedade de classes, a divisão do trabalho até o puro e simples preconceito ( não me excluo aqui, pois também tenho lá minhas "bronquinhas" contra os chamados "grandes" jornalistas que noticiam coisas importantíssimas sobre Paris Hilton e o último disco da Spears... só pra ficar na "société du spectacle" rsrs). Esse papo já ta ficando meio chato....coisa de intelectual como diria o outro...

Nori não precisa nem publicar...muito grande o texto...mas é legal trocar algumas idéias com alguém que você admira...curto jornalismo...inclusive o esportivo, que até no seu meio já foi discriminado em algumas épocas...não sei como anda hoje, porém é só se interessar um pouquinho mais, chegaremos a nomes como Nelson Rodrigues..hoje Daniel Piza, ...paro por aqui para não fazer injustiça por falta de conhecimento.

Abraços, e fala para turma do Arena que eles são dez...o Bode, Cleber... todos.

PS: Estrangeirismos do texto praticados com o auxílio de Google (o chamado recadinho da TV aberta, esses patrocinadores enchem o saco..rsrs)

Thiago G3

Clériston Cordova disse...

Nori, chegamos a mesma conclusão: falta talento!!!

No futebol, nosso "pé-de-obra" é exportado muito cedo.
Na música, não temos qualidade faz tempo. A grande mídia só da valor aos "15 minutos de fama" e depois joga fora os pseudo-famosos.

Com relação a cobertura do Pan, todos têm seus problemas. Se trabalhar num jornal do interior do Paraná é difícil, imagine lidar com os "poderosos políticos" que querem só elogios e ufanismo no Pan?

abs

Nori disse...

Chico, muito obrigado pela msg e pelo reconhecimento ao trabalho (suado) da nossa equipe no SporTV.
Abs

Nori disse...

Tiago, transmitirei o recado ao pessoal do Arena. Perfeita sua definição: qual o problema de ler Tolstói e gostar da Série B? De ver e curtir Kurosawa e Indiana Jones? O problema é querer patrulhar e pautar os outros, né? Abs, amigo.

Nori disse...

Clériston, abs e valeu por acompanhar nosso trabalho!!!!

Anônimo disse...

Nori, o Pato sera melhor jogador do mundo??

Pedro disse...

Bom comentário Nori. Gosto muito de música, sempre procuro estar antenado no que acontece. E essa bajulação em cima de algumas bandas como "salvadoras do rock mundial", também acho algo incrivelmente demasiado. Nada contra as bandas, contudo é feito enorme marketing baseado -pelo menos na minha opinião- no anonimato direto à sensação mundial. Algo como "tem uma banda nova da inglaterra que é muito boa, seja um dos primeiros a ouvir". Então milhões de primeiros transformam um conjunto normal numa jóia. Sem contar que muitas ainda são caracterizadas como se fossem "puramente independentes". Todavia com distribuição mundial de discos. Penso que aquela coisa da banda aparecer aos poucos, galgando o sucesso sem forçar a barra.

Abs

ps. falando em música atual, não sei se conheces kassin +2. Vale a pena ouvir.

Tiago Fagundes disse...

Nori,ignoro a crítica em relação a música e cinema.
Os filmes,dou uma olhada no elenco,sobre o que trata e aposto. Tenho ficado satisfeito.
Múscas tenho os meus gostos e não é um jornalista que me fará mudar de idéia,ouço coisas novas,mas só permaneço com o que me agrada.
Além disso,também queria dar os parabéns ao canal pela cobertura do Pan. Você,muito bem,sereno e competente sempre no comando dos debates.
E como já disseram aqui,Milton Leite(craque) está arrasando.NINGUÉM narra uma medalha de ouro melhor que ele.
Abraço!

Blog do Menon disse...

vc viu o bobby? é bom e acrítica bateu duro. tem uma trilha sonora do caralho.....