sábado, julho 21, 2007


BRASIL X CUBA NO PAN


Lá se foi uma semana de Pan no Rio e repete-se uma rivalidade que já é tradicional nas disputas pan-americanas: Brasil contra Cuba. No judô, no vôlei, no handebol, no basquete. Como já virou piada nesses tempos de 24 horas de esporte, para a Argentina o Brasil deixa apenas o Thiago Pereira, que já basta.
Cuba é uma potência esportiva, e o Brasil caminha para isso. Existe uma diferença enorme de propostas, de desempenho e participação entre as duas nações. O esporte de competição em Cuba é um instrumento para a divulgação do regime e tem como base uma premissa que considera uma honra ser atleta, sem contar a excelência em técnica e conhecimento de algumas modalidades, sem que isso represente ter muito dinheiro ou tecnologia. No Brasil, o esporte de competição é um poderoso intrumento de inclusão social e acaba cumprindo, ainda que em pequena escala, o papel que deveria ser de todos os Governos de fomentar a prática esportiva.
O atleta de sucesso em Cuba vira herói nacional e goza de privilégios a que o restante da população não tem acesso. O atleta de sucesso no Brasil ganha dinheiro, fama e conquista privilégios a que a maioria da população não tem acesso. E os diversos regimes de Governo que o País já teve sempre encontram uma maneira de usar o esporte como propaganda.
O que causa espanto é o fato de uma minúscula ilha ser uma potência olímpica se comparada ao Brasil, que tem e aplica muito mais recursos em esportes de competição. O primeiro passo para tentar entender a diferença é a participação. Cuba participa de uma gama maior de modalidades com chances de medalha. Levantamento de peso, boxe, judô, atletismo, tiro e outros esportes nos quais o Brasil tem pouca ou nenhuma tradição e número de praticantes. Há alguns buracos na estrutura esportiva cubana como, por exemplo, a natação, o futebol. O Brasil concentra sua força em um número menor de modalidades e, lentamente, começa a ampliar esse espectro. Handebol e natação crescem, o judô se reafirma, o vôlei é uma realidade e o basquete busca reencontrar seu rumo. Pela imensa tradicão histórica, o atletismo brasileiro deveria chegar com mais possibilidades ao Pan, afinal são mais de 50 medalhas em disputa.
O segundo passo é a excelência na formação do atleta, que passa pela simples valorização da prática esportiva pelo regime cubano. Pela lógica de que, além da glória, a vitória no esporte vende a imagem de um projeto vencedor, então faz sentido que o atleta seja parte de uma elite cubana. Assim como o sucesso financeiro e de mídia faz do grande atleta brasileiro um integrante da elite em seu país. E não vai aqui nenhuma análise política, apenas uma tentativa de entender as diferenças e consequências de cada projeto. O Brasil importou e importa know-how cubano para diversas modalidades, assim como muitos atletas e treinadores cubano, quando optam por deixar seu país, são extremamente valorizados no mercado esportivo. Em algumas modalidades, atletas e treinadores brasileiros também são requisitados mundo afora. As diferenças de cada país e de cada sistema político facilitam e dificultam essas movimentações. Um atleta brasileiro que sai do País bucando uma outra realidade não é considerado um desertor, o que é uma particularidade do regime cubano.
Em resumo, o sucesso cubano é fruto de uma idéia muito bem executada. O Brasil tem algum sucesso com algumas idéias muito bem executadas no esporte. Tem muito o que aprender com Cuba, desde que adapte seus ensinamentos à realidade brasileira.
Para um fã do esporte, contudo, sem entrar no mérito político, ver lendas como Alberto Juantorena, Teófilo Stevenson, Raul Diago e outros ex-atletas cubanos participando do projeto esportivo e vibrando comose fosse uma competição escolar, causa uma ponta de inveja. O esporte brasileiro só ganharia se a maioria de seus ídolos também participasse do processo de formação de novos atletas e fizesse parte de um grande time. No caso do Brasil, Oscar, do basquete, tem se revelado um torcedor sincero e apaixonado. Mas não faz parte do processo técnico ou administrativo sequer de suaq modalidade.

5 comentários:

Rubão disse...

diminiu o corpo das letras, Nori.

Anna Barros disse...

Noriega, a rivalidade se acirrou depois que as cubanas provocaram as brasileiras na fatidica e triste derrota do volei fem no Pan.eue stava torcendo por Cuba em outros confrotnos exceto com o brasil ate aquele instante pq aquela derrota me entristeceu pq o Brasil nao soube decidir,mias uma vez e pq elas provocaram mto,irritaram mesmo sem necessidade. E ai ninguem e de ferro e se esqueceu ate a tradicional rivalidade com a Argentina.Bom te ver no Redacao e Ta na Area.Estou acompanhando sua otima perfomance como sempre.Beijo,Anna

Daniele disse...

Adorei este texto. Estava procurando saber mais pq Cuba consegue bons resultados no esporte.
Gostaria até de saber, se existe algum programa especial no Sportv q já falou sobre isso.

Rubão disse...

Nori, você devia falar um pouco da palhaçada que Aurélio Miguel fez contra o mesmo Teófilo Stevenson. Um ex-esportista, vira comentarista, assume a condição de paladino da jusitça e sai dando uma de machão contra dirigentes de outros países. Uma das imagens mais deprimentes vistas nos últimos tempos.

Nori disse...

Rubão, conversei com pessoas que presenciaram o ocorrido e elas me disseram que Aurélio foi apenas apartar, tentou ajudar a acabar com a confusão e aí um cubano tentou invadir o ponto de transmissão e ele não deixou, nada mais que isso. Também foi lamentável a provocação de um integrante da delegação de Cuba que foi flagrado pelas câmeras.