terça-feira, julho 24, 2007

OS VERDADEIROS DONOS DO PAN


Talvez no afã de quererem ser mais realistas que a realidade, algumas pessoas têm desmerecido resultados de atletas brasileiros nos Jogos Pan-Americanos. Antes de mais nada, que fique claro: Pan é Pan e Olimpíada é outra coisa, outro nível. Mas nem por isso é preciso diminuir o valor de algumas conquistas. Tampouco aumentá-lo. O caso de Thiago Pereira, por exemplo. Quando se usa o exemplo do legendário americano Mark Spitz para dimensionar o tamanho do desempenho de Thiago, não se pretende comparar um e outro. Mesmo porque Thiago teve menos conquistas em revezamento no Pan de 2007 do que Spitz no de 1967. Assim como as marcas de Spitz foram fenomenais. E basta recordar que passaram-se 40 anos para que alguém, em números absolutos, fizesse o que Spitz conseguiu.
Não basta apenas gostar de esporte, é preciso dimensionar a real importância de uma competição como o Pan para quem é, de fato, o dono do mesmo: os atletas. Milhares de atletas passam por um rigoroso processo de seleção natural do esporte, até chegar ao nível competitivo regional, depois nacional e, finalmente, internacional. Em cada modalidade, são dezenas que atingem o patamar pan-americano de desempenho. Que dirá do patamar olímpico. Os campeões, então, nem se fale. Quem por um dia foi atleta, em qualquer nível de competição, sabe do que estou falando.
Uma coisa é política no esporte, outra é o atleta. E alguns resultados desse Pan são auspiciosos para o Brasil. Aqueles obtidos por Thiago Pereira e César Cielo na natação. A profusão de medalhas do judô. O bom nível de jogo do vôlei feminino, apesar da derrota na final. O ótimo padrão alcançado por garotas e rapazes no handebol.
Fora isso, há a festa que é uma competição como essa, mesmo com todos os seus defeitos, que não são poucos. Apenas a vontade de praticar esportes que o Pan está despertando em milhares de jovens e crianças já é um feito. Lembro que Janeth, nossa craque do basquete, botou na cabeça que jogaria um Mundial de basquete, uma Olimpíada, assistindo ao Campeonato Mundial Feminino de 1986.
No aspecto da promoção e organização de uma competição dessa magnitude, há aspectos positivos e negativos, como sempre. As falhas no beisebol e no softbol são imperdoáveis. Assim como a briga no judô que teve, sim, pisadas na bola de brasileiros e de cubanos. Mas o nível de algumas instalações, como as arenas do basquete e da natação, do estádio olímpico, é sensacional. Resta apenas que a utilização dos mesmos no futuro compense o investimento feito e os excessos acarretados.
O nível de segurança com que os Jogos estão sendo disputados também impressiona positivamente. Em Barcelona, por exemplo, nos Jogos Olímpicos de 1992, o número de furtos dentro e fora da Vila era parecido. E os Jogos de 92 foram considerados exemplares.
Algumas lições o público também precisa aprender, assim como algumas individualidades. Torcer não significa ofender, desrespeitar. Muito menos partir pra briga. E a vaia em esportes individuais é tremendamente cruel. O atleta não tem com quem dividir esse peso. Coletivamente, essa pressão se dilui. Mas com um atleta ali sozinho, é muita maldade.
Outro ponto positivo: o respeito dispensado à delegação cubana, apesar da rivalidade, e a ausência quase total de comentários alusivos a questões políticas. Não compartilho das idéias políticas cubanas, mas admiro profundamente o ideal esportivo e a educação de seu povo. Assim é que eu entendo que se faz esporte.
Enfim, apesar de tudo, o Pan está valendo - e muito - a pena, pelo menos para mim.

A CRISE AÉREA

Parece-me incrível como no objetivo de defender uma idéia, uma ideologia ou mesmo um governante, algumas pessoas simplesmente se transformam em torcedores. E não se torce com tragédias. Escrevi sobre a tragédia de Congonhas nesse espaço. E é impossível para quem pensa um pouco não ver a evidente culpa de governos anteriores e do atual nisso tudo, sem mesmo esperar pelas investigações. Ninguém entende mais de avião e de pista do que piloto, e pululam depoimentos dos mesmos sobre o perigo ofereceido por Congonhas. Basta lembrar que dias após a tragédia houve um deslizamento de terra na cabeceira da pista!!!!
O Brasil ostenta hoje o vergonhoso título de País a protagonizar duas tragédias aéreas num período inferior a um ano. Nesse espaço de tempo, o que foi feito para organizar, para regulamentar e para disciplinar o sistema aéreo no País? E ainda temos que suportar, horrorizados, uma foto de funcionários da Infraero sorrindo em frente ao cenário infernal de uma tragédia que vitimou 200 e poucas pessoas diretamente e outros milhares indiretamente. E tem gente que acha que tudo se resume a ser contra ou a favor de um Governo. Assim vamos mal.

3 comentários:

Daniele disse...

Espero realmente que o Pan no Brasil desperte a vontade de colocar o esporte realmente na vida do brasileiro. Mas, p/ isso acredito q as instituições de ensino deveriam apoiar jovens c/ essas aptidões. É tão comum ver ótimos estudantes deixarem de lado o esporte, pois nas faculdades o apoio e incentivo é quase zero. Não pensam que isso é ótimo até p/ a instituição ser mais valorizada e reconhecida.
bj

Humberto disse...

Noriega, você está certo, precisamos de uma política de esporte que seja base para a integração social.
No entanto, o que estamos vendo na cobertura do Pan é 80% de ufanismo, e apenas 20% de jornalismo. Exatamente como ocorreu na Copa do Mundo.
Abraço.

Anônimo disse...

Você está certissimo na base do seu comentario, mas o que irrita é ver, principalmente vcs a compararem as excelentes atuações dos nossos abandonados atletas como se estivesse tudo correto. " O Brasil está ganhando de Cuba, uma potencia Olimpica", " O Brasil está ganhando do poderoso Canada" Isto tudo é verdade nos numeros mas falso totalmente na base. Vcs estão, por conta de enaltecer o seu produto, falando inverdades para todos, com isto vcs estão prestando um desserviço ao esporte e não ajuadando. Sua frase no jogo feminino Brasil e Estados Unidos (Seleção sub-17). " Este time dos esatdos Unidos é muito bom", Voce só pode estar brincando ou então ????. Eu prefiro acreditar na primeira hipótese pois já assiti a certos comentarios seus e acredito que vc entenda de Futebol. Quanto ao PAN, inclusive serve para o Brasil é um fiasco por conta de todas as delegações, inclusive a do Brasil. Que, com exceção do PanRio envia times, não principais em suas delegações tambem. Vide o Voley Feminino na disputa anterior, era uma seleção de jovens que não ganhou. Digo mais, é mais fãcil o Cielo ganhar uma medalha olímpica do que o Thiago. Espero, na realidade ambos ganhem, mas o Thiago tem que melhorar muito. Na realidade ninguem desmereçe o que estes atletas estão fazendo. O que alguns falam é reagir a comentarios mentirosos que alguns comentaristas em nome de enaltecer seu produto fazem. Repito nada contra os atletas mas tudo contra os que tentam nos enganar, inclusive aos atletas. Acho que vc entendeu muito bem o que quero dizer por mais que discorde.