terça-feira, abril 27, 2010

O fim de uma era

no vôlei do Brasil


Leio com tristeza a confirmação do fim do projeto do Brasil Vôlei, que nada mais era que a continuação do Banespa, uma das marcas mais tradicionais desse esporte no País.

É uma tristeza bastante nostálgica, pois, modesta e discretamente, eu participei dessa história. Nos meus quase dez anos como jogador de voleibol, passei pouco mais de uma temporada no Banespa. Era ainda o embrião do projeto que se confirmaria ousado e vencedor. Fui para lá em ainda na categoria juvenil, em 1984, levado pelo técnico Waldemar Talarico, com quem tinha trabalhado no Pinheiros.

Até então, o Banespa não era uma grande força do vôlei, estava muito atrás de Paulistano, Pinheiros, Pirelli, Palmeiras e Fonte São Paulo, de Campinas, por exemplo. De 1984 em diante os investimentos foram crescendo, jogadores de nome foram contratados. Chegaram Cebola, depois foram chegando Xandó, muitos outros, e o clube deu início a um espetacular trabalho e peneiras e preparação de juvenis que fez aparecerem jogadores como Marcelo Negrão, Giovane e dezenas de outros craques. Daquele tempo guardo com carinho a lembrança de ótimas amizades e de alguns treinamentos com craques do quilate do Xandó, por exemplo. Uma glória para um fã como eu era, jogador apenas esforçado.

O problema com o atual Brasil Vôlei é uma questão que aflige a modalidade. O voleibol brasileiro é um sucesso internacional, mas se transformou num produto caro, caríssimo. Alguns salários estão próximos do nível do futebol, e o retorno de mídia não se compara. Então, o que acontece? Passa-se a investir mais no topo da pirâmide e a base é deixada de lado.

A história não é de hoje. Lembram do time da Sadia, que mandou no vôlei feminino na década de 90? Não tinha categoria de base. Muitos outros eram assim, projetos de retorno imediato, visando apenas a exposição do nome na mídia e alguma isenção de imposto.

Projetos como o do Rio de Janeiro, que têm como prioridade a revelação de jogadores, como era com o Leite Moça, por exemplo, são cada vez mais raros. É uma realidade que o voleibol precisa estudar, com sua rara capacidade de organização, em se tratando de esporte brasileiro.

10 comentários:

Anônimo disse...

Realmente é muito triste, nós teremos Olimpíadas no Brasil em 2016, não é ocasião de terminar investimentos no esporte, mas sim de fomentá-los, um jovem de 14, 15 anos estará participando das Olimpíadas de 2016.
Vergonha, tristeza, irresponsabilidade,... Nori guarde essa e outras informações para seus comentários em 2016.
Abs

Mozart

Carlos Arruda disse...

Concordo plenamente com sua opinião.Gostaria de cumprimentá-lo por esses e outros comentários. Qdo sintonizo o Sportv para assistir à minha querida Ponte Preta e vejo que Milton Leite vai narrar e que você vai comentar fico feliz independentemente do resultado do jogo. É de longe a melhor dupla da TV brasileira.Continuem com a idoneidade que caracteriza a dupla e parabéns pelo trabalho.ASS: Carlos Arruda.

Daniel Cachello disse...

Nori, faltou citar o exemplo do extinto BCN, que começou com o Basquete em Piracicaba e o vôlei no Guaruja (posteriormente, ambos migrados para Osasco), que investia pesado nas categorias de base com um projeto sensacional... posteriormente, o banco foi adquirido pelo Bradesco, que manteve o projeto como Finasa Osasco mas, com o pretexto da crise, acabou com o time principal, mantendo apenas a base mas... ai saber até quando?

Júlio disse...

Nori, como morador de São Bernardo, fico ainda mais triste. Espero que a prefeitura se mobilize para manter esse ativo na cidade. Quem sabe seja possível aproveitar a festa com o futebol que chegou à elite agora.

Um abraço.

Seigi disse...

ísto é realmente triste pois tb acompanhei a ascensao do Banespa....
Aproveito o post Noriega p fazer uma critica a postura ridicula da Globo e da Sportv que simplismente ignoram o nome do time por ser de uma marca e cria coisas do tipo Rio de Janeiro contra Osasco, Sao Caetano contra Florianopolis, ou na Formula 1 inventando siglas STR, RBR, VRT... quem ira investir no esporte brasileiro se quem detem os direitos de transmissao tomam estas atitudes...
abraço!!!

André Nogueira disse...

As coisas seriam melhores se as redes de tv que transmitem os jogos valorizassem o nome dos patrocinadores das equipes.
Essa proibição faz com que os investimentos acabem.
Antigamente era o Time do Banespa, o Time da Pirelli. Hj o valor do investimento no esporte é desprezado pela Rede Globo.
Não seria melhor fazer parceria, incentivar patrocinios e levantar a audiência do Vôlei? O Brasileiro adora Vôlei. Alguém tem idéia de qto cresceu a Pirelli na época aúrea das disputas com o Banespa?

Nori disse...

André, você está mal informado sobre o contexto histórico. A Pirelli era um clube, chamava-se Associação Desportiva Classista Pirelli. O Banespa era o Esporte Clube Banespa. Seu raciocínio é equivocado nesse sentido. Ambos tinham projeto nas categorias de base e revelavam jogadores aos montes. Bem diferenete de times que aparecem a cada ano com um nome diferente e não deixam nada, apenas querem explorar o marketing agressivo.
Essa desculpa de não falar o nome é velha e não cola. A exposição da marca, sua imagem na TV, vale muito mais do que a menção do nome.

Rafael disse...

O que o Andre Nogueira disse não esta errado, a escravidao nacional pelo pacote Global irá matar o esporte brasileiro. Se o que o ^Nori^diz é verdade o que falar do FIAT MINAS, o Minas é um clube mas a Fiat era seu patrocinador. Na decada de 80 era conhecido como FIAT MINAS e não MINAS, outra coisa, falar de projeto de categoria de base e não falar novamente do Minas e usar um exemplo recente do Rio, Ridículo, no Brasil Global só existem São Paulo e Rio, é mais barato e mais fácil. O Brasil é grande vamos respeitar seu tamanho e a importância de TODOS os estados, verdade que isso não pecado único Global, mas irão progressivamente matar o esporte nacional. Se vier com a balela que O BRASIL È UM PAIS CONTINETAL, os EUA também são e apesar de polarisados os programas abrangem TODOS OS ESPORTES E TODOS OS CENTROS ESPORTIVOS, no caso nosso um programa típico de 5 blocos são 4 para o futebol sendo 3 para São Paulo e Rio e 1 para os outros estados e 1 para os esportes especialozados (se houver tempo) pois talvez o peso do Ronaldo ou a gravidez da tia do Adriano, ou quem sabe a contratação do Riquelme junto com a construção do estádio no Conrinthians pela 1000000 vez não tome mais tempo. Sei que nem tudo um jornalista pode fazer sozinho mas se não consegue ver os erros do setor não devia trabalhar no mesmo.

André Nogueira disse...

Nori,agradeço a resposta e explicação.
Acho que forma mudou por questões legais e tributárias, mas a única diferença que vejo na prática é o fato das empresas patrocinarem os clubes que formam equipes para disputar os campeonatos e não botarem a mão na massa na formação. Sem patrocínio os clubes inexistem, visto que não podem depender da esmola que as redes de tv pagam pela trasmissão. Osasco só existiu esse ano por conta do luta do técnico por patrocínio. Aí pode entrar o ditado: muito ajuda quem não atrapalha.
Outro ponto importante que vc citou "Bem diferenete de times que aparecem a cada ano com um nome diferente e não deixam nada, apenas querem explorar o marketing agressivo". Vc sabe pq tantas empresas caem fora e deixam de investir na equipes de vôlei? Troque o marketing agressivo pelo espontâneo. Afinal, as noticias dos jornais deveriam mostrar os nomes das empresas.
Pensando bem, vc tem razão. A rede Globo e a Sportv, que são exemplo de austeridade e luta contra o capitalismo selvagem, não podem dar exposição para essas empresas que sugam o sangue dos atletas e clubes.

Waldemar Talarico disse...

oi noriega
fico feliz por seus comentários, que sempre são de excelente qualidade.
agradeço a citação de meu nome, pois muita gente desconhece que larguei 7 anos e seis títulos no pinheiros, do meu querido diretor Sr. Aldo Daprá, para dar início nesse projeto do então diretor de voleibol do Banespa, Pedro.
quero citar o auxílio que sempre recebia de seu pai, Noriega, no seu programa da antiga TV Cultura me ajudando na divulgação do Voleibol.
vale como retorno dessa época, o carinho que recebo de ex jogadores, como voce, e pessoas que de formas diferentes fizeram parte de todo meu passado, uma esposa que conhecí na arquibancada de um jogo dentro do pinheiros, e que me deu 3 filhos, hoje todos jogadores que suprem a necessidade que tenho dentro do meu coração quando vejo qualquer coisa ligada a esse esporte.
parabéns sempre pela idoneidade e conhecimento.
um grande abraço com todo carinho
Waldemar Talarico