quinta-feira, fevereiro 01, 2007

FIQUE DE OLHO NO APITO.
PROFISSIONALISMO! E JÁ!


Adorava a musiquinha que tinha esse verso, de alguma rádio paulistana. Gostava do ritmo e da melodia. Aliás, sou fã de vinhetas de rádio. Mas não é esse o tema de hoje. Como prega a simpática musiquinha, já passou da hora de ficarmos de olho no apito.
O futebol brasileiro anda cada vez mais competitivo, tenso, equilibrado. Infelizmente, a violência acaba sendo a válvula de escape de alguns marginais infiltrados entre os torcedores legítimos, e cenas lamentáveis acabam ocorrendo. Então, arbitragem é coisa para ser levada muito mais a sério do que vemos atualmente no Brasil.
Erros acontecem e sempre acontecerão. O que eu acho inadmissível é agir de má-fé ou abusar da autoridade.
No jogo entre Corinthians e São Caetano, a arbitragem de Octávio Corrêa da Silva foi um desastre. Por omissão e abuso de autoridade. Ele se omitiu ao não dar cartões em muitas jogadas violentas e agressões de ambas as partes. Errou ao não parar uma jogada quando havia duas bolas em campo e, depois, ao parar, puniu o jogador do Corinthians que chutou a bola para longe. Nada de errado em punir o ato intempestivo, mas, naquele momento, como o erro era dele, o árbitro não precisaria exercer sua autoridade de maneira desmedida, penso eu. Depois, ele demorou para mostrar o segundo cartão amarelo para Roger, do Corinthians, que estava descontrolado e batendo muito. Assim como errou ao não mostrar cartão amarelo e até o vermelho para o zagueiro Maurício, do São Caetano. Enfim, omisso ao deixar que a violência imperasse e autoritário por abusar do direito de comandar o jogo.
No Campeonato Carioca, a partida entre Cabofriense e Botafogo, perdoem a piadinha, pegou fogo. O lance da polêmica, o gol da Cabofriense, é nitroglicerina pura. E o árbitro Fábio Calabria está sendo acusado de sacar uma arma para se defender de um torcedor. Ele é agente da Polícia Federal. Aliás, o que tem de policial, civil, militar, federal envolvido com arbitragem seja a ser intrigante.
Continuo defendendo a bandeira da profissionalização da arbitragem. O futebol cobra, exige profissionalismo a cada dia, e precisa que a arbitragem ande no mesmo ritmo. Alguns árbitros de primeira linha ganham muito bem, em especial nos jogos internacionais. Mas há casos que configuram amadorismo. Os árbitros no Brasil, em jogos da Série A, precisam cuidar eles mesmos de procurar e pagar os hotéis quando viajam, usando a verba que recebem como cachê por trabalhar em determinada partida. Recebem dos mandantes dos jogos um percentual da renda. Muitos ainda não receberam dinheiro referente a jogos de 2005 e têm receio de cobrar por temerem represálias.
Não dá para o sujeito ser policial, advogado, corretor de seguros e ser, também, árbitro de um jogo de futebol profissional. Tudo tem seu custo, mas federações ricas e a CBF têm dinheiro suficiente para profissionalizar a arbitragem. Não que isso vá acabar com os erros, mas pode disciplinar e organizar a função, além de dignificar a carreira e proteger de picaretas quem resolveu abraçá-la. Injusto, eu acho, é que todos no futebol sejam profissionais, menos quem tem o poder de tomar decisões num jogo que envolve fortunas e as paixões de milhões.

3 comentários:

Carlos Cereto disse...

A música é da rádio Globo.!!!!

Fernando Galvão disse...

Amigos, a música na verdade virou vinheta. É do Carlinhos Vergueiro, composta na década de 70 e usada pela rádio Globo desde que Scatamachia e Osmar Santos assumiram o comando, em 1977. O refrão é assim: fique de olho no apito, que o jogo é na raça e uma luta se ganha no grito. E se o juiz apelar, não deixe barato, ele é igual a você e não pode roubar. abs

Thiago Gusmão disse...

Nori, concordo plenamente com as suas colocações sobre a profissionalização da arbitragem brasileira. Acompanhei a partida entre Corinthians e São Caetano e tive a mesma impressão que você. Os árbitros podem até não agir de má fé na maioria dos casos, porém, é nítido que são, muitas vezes, mal preparados para apitar jogos de grande importância, como os do Paulistão. Talvez porque existam outras preocupações em mente, até porque, como você colocou, não é o futebol que sustenta alguns árbitros, o apito não coloca a comida na casa deles, mas sim outras atividades. Alguns árbitros têm o esporte como um segundo emprego ou uma fonte de renda secundária. É necessário, com urgêrcia, que eles se tornem profissionais e tenham uma garantia, podendo assim, ter mais preparo e diminuir os erros (sempre acontecerão, mas em menor escala), deixando as partidas para serem decididas pelos pés dos jogadores e não pelo apito.

Abraços.