sexta-feira, novembro 17, 2006

O ZÉ E AS MENINAS SÃO DE OURO


Não me lembro de uma derrota recente do esporte brasileiro que tenha sido mais doída que a do vôlei feminino para a Rússia, na final do Mundial deste ano. Alguém pode argumentar que a derrota nas semifinais de Atenas foi mais dramática, o jogo estava na mão etc. Mas a dor dessa derrota é porque nunca o vôlei feminino do Brasil esteve tão perto e nunca mereceu tanto.
E que ninguém agora seja oportunista e comece a criticar as jogadoras e, principalmente, o técnico José Roberto Guimarães. O Brasil ficou com a prata mas foi o melhor time do Mundial, jogou o voleibol mais completo e teve, na história, o melhor desempenho coletivo desde que o vôlei feminino é com F e V maiúsculos no Brasil. Já tivemos equipes mais talentosas, mas nunca uma que funcionasse tão bem como time.
Em dois anos, o trabalho do Zé Roberto fez com que uma nova geração vencesse praticamente todas as competições que disputou. Aí o gaiato vai argumentar que perdeu a mais importante. Pois é, faz parte. Perder no tie-break uma final não é demérito pra ninguém. Ainda mais quando do outro lado tem duas gigantes que atacam, literalmente, como homens.
Zé Roberto é um treinador revolucionário. O vôlei que se joga hoje no masculino se deve à alteração tática feita por ele na seleção brasileira de 92. Ao encontrar uma maneira de escalar, juntos, Tande, Marcelo Negrão e Giovane, Zé Roberto reinventou taticamente o vôlei. Ninguém achava que fosse possível colocar os três em quadra, um tinha de ir pro banco etc. A partir dessa resposta encontrada pelo Zé Roberto, passava a ser possível e indispensável ter três atacantes de força em quadra, três definidores. E o que era chamado de jogador universal, ou saída de rede, passaria logo depois a ser o oposto. O atleta que cruza com o levantador não precisava mais ser um jogador completo, de passe perfeito e recursos para ser levantador na hora do aperto. Podia ser mais um gigante com capacidade para virar todas as bolas na hora do sufoco. Esse vôlei em que o oposto é o homem do desafogo nasceu com a mudança do Zé Roberto em 92. Mais do que o ouro que o título olímpico proporcionou, ele inscreveu seu nome na história do esporte por essa mudança.
Por isso, Zé Roberto e as meninas do vôlei merecem todo o nosso respeito pelo vice-campeonato mundial. As circunstâncias agora são muito diferentes das de 94, quando o Brasil perdeu para Cuba, que era imbatível. Para Pequim o time feminino pode ir mais forte ainda e conquistar o ouro tão sonhado, já que nunca um esporte coletivo feminino do Brasil foi campeão olímpico (o vôlei de praia não conta para isso).

6 comentários:

Anônimo disse...

Amarelarada sim!! quado se tem um título na mão e prede-se é AMARELADA, em 1994 contra Cuba não tinha o que fazer mas nessa foi a pura e famosa AMARELADA

Guto disse...

Com todo o respeito, o vôlei de praia não conta pra nada - assim como o chatíssimo 'beach soccer'

Blog do Menon disse...

Cabeça, eu concordo. Só não gosto quando chamam atletas de MENINAS. o COISA CHATA

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

É... mas o Vôlei de praia é esporte olímpico...

Maurício Alejándro Kehrwald disse...

Mais uma derrota deste naipe, e a geração da Mari estará fadada ao ostracismo eterno.

Rubão disse...

Valeu Nori, se quiser fazer alguma modificação, me avise...abração

http://www.beatrix.pro.br/mofo/genesis.htm