quinta-feira, novembro 16, 2006

A ARENA DO FUTURO


Estive em Curitiba na quarta-feira, para comentar, ao lado de Alex Escobar, com narração de Luiz Carlos Jr. e reportagens de Marcos Peres e Janaína Xavier, a semifinal da Copa Sul-americana. O Atlético Paranaense perdeu para o Pachuca mexicano por 1 a 0. Mas para quem vive o caos urbano que é São Paulo, uma breve passagem pela acolhedora, civilizada e limpa Curitiba é mergulhar num oásis de urbanismo.
Em 1996 fui a Curitiba cobrir um jogo da Seleção Brasileira pela Gazeta Esportiva. Eram os últimos dias do velho estádio Joaquim Américo, que começava a ser derrubado para dar lugar à Arena da Baixada. Também fui conhecer um hotel-fazenda que o Atlético acabara de comprar e que hoje é o espetacular CT do Caju. Àquela época, quando a Internet ainda era embrionária no Brasil, o Atlético me deu um CD-ROM com a história do clube e o projeto do que viria a ser o mais moderno estádio brasileiro.
Eu já tinha visitado a Arena, mas nunca havia trabalhado no estádio até esta quarta-feira. É um choque de modernidade e cultura para quem está acostumado com os ultrapassados e decadentes estádios brasileiros. A inclinação das arquibancadas lembra muito a Bombonera e confere ao estádio uma aura de caldeirão. As instalações são novas, limpas, muito bem cuidadas. Cabines com banheiro e bom espaço, praça de alimentação, orientações claras.
Tudo isso resulta numa mudança de perfil do torcedor que vai ver o Atlético. Certamente, a frequência no Joaquim Américo era mais popular (o Atlético é o time de massa em Curitiba). Agora é um público mais classe média, familiar, que consome e festeja o conforto que o estádio oferece consumindo produtos que voltarão em receita para o clube.
A Arena é a maior contratação do Atlético nos últimos anos. Faz parte do projeto de transmormar o time num grande do futebol sul-americano, mas não apenas por uma ou duas temporadas. O objetivo é firmar o Furacão como força da natureza do nosso futebol.
O estádio gera receita, o CT idem. Para completar, o Atlético tem uma bem montada rede de escolinhas pelo Brasil, além de algumas também na China.
Chega-se à Arena para trabalhar e o departamento de marketing do clube mostra ao que veio. Revistas bilíngues, camisas, brindes, tudo que possa vender a imagem do Atlético ao visitante.
Claro que o rubro-negro paranaense ainda não é uma força de grande popularidade no Brasil, mas as fundações deste edifício foram bem plantadas. Claro que há críticas, denúncias e contratempos pelo caminho. A aura profissional ainda tem um ranço de amadorismo.
Ao deixar a Arena, algumas perguntas martelavam em minha cabeça:
a) o que seria de Flamengo e Corinthians se tivessem um estádio como a Arena da Baixada?
b) por que clubes como Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro e Cruzeiro, por exemplo, não conseguem construir um estádio como a Arena?
c) numa primeira etapa de seu projeto, o Atlético conseguiu um título brasileiro e um vice da Libertadores. O que virá nas outras etapas?

9 comentários:

Marcos Silveira disse...

Excelente post, Nori!
Nesta sexta eu apresento o meu projeto de conclusão sobre concepção e gestão de arenas esportivas multiuso. Tomara que o nosso trabalho saia do papel, assim você terá outros estádios modernos e confortáveis para trabalhar! ;-)
Abs, Marcos

Arthur Virgílio disse...

Muito bom texto Noriega.
A quem diga, que ao entrar na Arena da Baixada nem parece que você está no Brasil, e sim em um dos estádios de ponta da Europa.
.
Na minha humilde opinião: São Paulo, Atlético- Pr, Internacional e Figueirense são exemplos de grandes administrações e um excelente patrimônio

Guilherme disse...

só uma correção, Noriega.

A Arena é meio-estádio.

A metade é bem bonita e moderna, mas a outra metade (inexistente) compromete o conjunto da obra. Vamos esperar pra ver quando eles terminarem as obras e tirarem os refletores de dentro do campo.

Enquanto isso os fanáticos terão que ouvir os gritos... "P.Q.P. Não tem estádio vai jogar no Beira-Rio"

Abração e DÁ-LHE GRÊMIO!!!

Edu Cesar disse...

Eu incluiria uma quarta pergunta, Nori:
d) PORQUÊ O ATLÉTICO JOGOU MUITO MAL CONTRA O PACHUCA?

Raphael disse...

O nome do estádio não é arena da baixada e sim Kyocera Arena

VICENTE BERARDI disse...

Noriega....

Esqueceu de citar a ARROGÂNCIA dos torcedores, que acham que são os melhores do mundo!!!

Carlos Eduardo disse...

Esse pessoal que fala em "meio estádio" não se conforma com a estrutura que o Atlético-PR conseguiu construir.

Mesmo não tendo o estádio completo, é o melhor da América Latina e ponto. Não tem discussão.

olivio batista disse...

Pessoa como vc. de bom gosto e visão, deveriamos ter por aqui, a mídia paranaense está longe do seu modo de ver.

Obrigado por divulgar a Arena da Baixada.

Felipe Timmermann disse...

Dalhe Noriega ! Admiro muito seu estilo de comentar o esporte. Você não fala só doque acontece dentro de campo, como os velhos comentaristas, mas comenta e comenta muito bem o extra campo.

Depois de ver você falando bem de nossa amada Curitiba e do FURACÃO DAS AMÉRICAS viro mais ainda seu fã. Oque me surpreendeu foi saber que essa foi só a primeira vez que você veio à Arena !

Agora você precisa vir à Arena como torcedor, na arquibancada, para ver realmente o processo que existe na Kyocera Arena.

Abraços.