quinta-feira, novembro 23, 2006

O QUE ESPERAR DE 2007-PARTE 2

Segue a análise do que pode ocorrer em 2007 com os principais times brasileiros.


PARANÁ - Em 2006 mostrou que não é preciso ser gigante para se dar bem. Tem uma ótima equipe de olheiros (ou seria boa relação com empresários?), montou um time competitivo, reformou o estádio, enfim, trabalhou direito. Se chegar à Libertadores terá o grande desafio de sua história: montar um time competitivo sem contar com um orçamento importante.

GOIÁS - Desceu de patamar em relação a 2005. O problema de times como o Goiás, que são equipes médias muito bem estruturadas, é competir com outros times grandes e mais ricos quando esses tentam comprar jogadores ou tirar técnicos da equipe goiana. Se não tivesse deixado o Geninho sair, aposto que o Goiás brigaria de novo por Libertadores. Fica a lição.

FIGUEIRENSE - Outra grata surpresa em termos de resultados, mas que não é surpresa em termos de trabalho. Um time organizado, bem estruturado, que tem perto de 15 mil sócios, um belo estádio e vontade de crescer e crescer. O que está fazendo a cada ano. A reestruturação que será feita para 2007 é a chave do sucesso. Não pode enfraquecer demais o elenco só para fazer caixa.

BOTAFOGO - Nos últimos anos a temporada de 2006 foi a melhor do Botafogo. Campeão estadual e uma boa campanha no Brasileiro. Tem que seguir assim, buscando a reestruturação fora e dentro de campo. A direção e a torcida precisam ter paciência com o Cuca, que é muito bom treinador. Se mantiver a base e der uma reforçada, em especial na defesa, pode seguir avançando para voltar a ser o que sempre foi: um gigante.

FLUMINENSE - Não creio que vá cair, embora corra riscos. Em termos de administração, foi um desastre em 2006. Conseguiu a proeza de liderar um campeonato e chegar ao final do mesmo brigando para não cair. Existem dois Fluminenses, um do patrocinador e outro do clube. Sem união dessas forças, não chega a lugar algum. Também é preciso dar tempo para alguém trabalhar.

ATLÉTICO-PR - Termina o ano na zona morta. Perdeu uma ótima oportunidade na Sul-Americana, poderia ter ido mais longe. É um time que tem coisas boas e outras muito ruins. O meio-campo é fraco, sem criatividade, embora o ataque seja bom, rápido. Falta equilíbrio dentro de campo. A dúvida: vai investir no time ou na conclusão da Arena?

SPORT - Um time poderoso está voltando à Série A. Não pode arriscar a fazer feito como Santa Cruz e Fortaleza. O Sport é desses casos raros que têm torcida em todo o País. A análise é a mesma para quem sobe: Série A não é apenas correria e disposição. É, fundamentalmente, um bom elenco, coisa que o Sport ainda não tem.

NÁUTICO - A lógica do Náutico é a mesma do Sport. Mas vale o registro da recuperação do clube, que perdeu aquela batalha contra o Grêmio e se viu em frangalhos emocionalmente. Agora volta fortalecido espiritualmente, mas apenas isso não basta.

JUVENTUDE - Passou um susto em 2006. Teve problemas administrativos e futebolísticos. Falta um pouco de força por parte da torcida para fazer do Jaconi um caldeirão. Ivo Worthman é bom técnico e merece a chance de fazer um projeto de uma temporada completa.

PONTE, PAULISTA, AMÉRICA-RN - A Ponte dificilmente escapa do rebaixamento. Se isso se confirmar, precisará de seus dirigentes a paixão que têm seus torcedores. Faz tempo que a Ponte bate na trave. É preciso mudar a mentalidade de que só vale ficar à frente do Guarani. Ponte e Guarani são muito maiores que isso. E quando voltarão a revelar grandes jogadores como faziam até os anos 80?
Se subir, o Paulista precisará gastar mais para ficar. É aí que o bicho pega. Times com receita modesta e boa administração, como o Paulista, precisam de muito profissionalismo para dar um salto, reforçar o time etc. O mesmo vale para o América de Natal, que pode ser mais um representante da paixão nordestina pelo jogo de bola na Série A.

7 comentários:

Alberto Mazoni disse...

Times como Paulista, Sao Caetano e outros, nao tem como permanecer na serie A, na minha opnião.

Um time que surge como "grande" em centros que ja tem varios outros clubes, nao tem como crescer sua torcida assim.

E um time sem torcida nao tem dinheiro, seja diretamente, seja indiretamente (televisão).

O máximo que pode conseguir é aproveitar jovens ou veteranos que outros times não observaram e montarem os famosos "times competitivos", como o São Caetano fez.

Mas nunca chegarão a ser grandes, nunca terão dinheiro e mais dia, menos dia voltarão para o seu lugar.

Nori disse...

Excelente ponto de vista, Alberto. Concordo com quase tudo. A questão é saber quem banca e até quando esses times. O São Caetano, com a morte do Tortorello, perdeu um mecenas e começou a cair.
Abs

André disse...

Por outro lado, acho que times do Nordeste deveriam ser mais unidos quanto a explorar os talentos daquela região do país. Não é raro ver jogadores do Nordeste fazendo sucesso em outros centros. Ou seja, há o recurso humano, falta o dinheiro. Cansamos de ver moleques vindo tentar a sorte no interior de SP em vez de atuar nos clubes da região. desconfio que deva haver um certo coronelismo tb no futebol, afinal, o Naútico e o América-RN devem ter mais dinheiro que o União Barbarense, Burrinha ou Oeste de Itápolis, certo? O que tem que ser feito então?

Arthur Virgílio disse...

Acho que a maior prova disso é o São Paulo. Que se não me engano possui um monte de atletas de Alagoas. E adquiriu mais um recentemente, Jadílson

Nori disse...

Os empresários hoje mandam no futebol, e o time que não souber agir um pouco como empresário vai ficar pelo caminho.

André disse...

Exatamente, sou Sãopaulino e vejo isso claramente. Minha preocupação é a polarização do futebol nacional, como na Europa, onde dois ou três times se revezam pra vencer os campeonatos.

Entrando nessa história de empresário...

...Qual sua opinião? com o fim do passe, o controle só trocou de mãos?

Outra coisa: Quando os times brasileiros farão como os Europeus, e assinarão contratos longos com os atletas. Kaká, por exemplo, tem contrato até 2011!

Ainda meio ligado nisso, o torcedor Brasileiro seria capaz de torcer dois anos seguidos para a mesma equipe? Ou contratações são sempre necessárias?

Nori disse...

André, acho que as equipes de futebol hoje no Brasil vão durar isso mesmo, dois, três anos. Mais é impossível. Contratos de 5, 6 anos com um jogador? Acho impossível, porque quem não quer ganhar 4 vezes mais e viver sem medo de tomar um tiro na esquina, de ver algum parente sequestrado?
Sobre os empresãrios, eles apenas foram mais inteligentes que os cartolas e interpretaram melhor a mudança da lei. Os cartolas, como sempre, estão atrasados.