segunda-feira, março 17, 2008


A EMOÇÃO DO PRIMEIRO DÉRBI


Alguns jogos são especiais no futebol. Os clássicos, a grande rivalidade, a história. Neste domingo tive a oportunidade de trabalhar pela primeira vez em um dos grandes jogos do futebol brasileiro, o dérbi de Campinas, Ponte x Guarani, Guarani x Ponte. Ao lado de grandes amigos e companheiros, como Jota Júnior, Edison Souza, Carlos Cereto e Idival Marcusso, pude comprovar tudo que se fala desse jogo pra lá de especial.
São quase cem anos de história, uma rivalidade que divide uma das maiores cidades do Interior do Brasil, um grande pólo industrial, tecnológico e educacional como Campinas. Grandes craques fizeram a história do dérbi, que, inclusive, já foi disputado em São Paulo, em 1978, levando 40 mil pessoas ao Pacaembu. Pelo comportamento dos torcedores de Ponte e Guarani, percebe-se que está em jogo no dérbi muito mais do que uma simples vitória. Está em jogo a gozação durante uma semana, às vezes uma temporada, o domínio no território esportivo, enfim, a supremacia em um duelo entre duas grandes forças do futebol do interior do Brasil.
Confesso que fiquei emocionado de poder estar vivendo mais esta festa do futebol. Ainda quero poder ver de perto mais alguns grandes clássicos brasileiros. Já trabalhei em Sport x Santa Cruz, um jogo fantástico. Ainda pretendo trabalhar em um Gre-Nal e num Cruzeiro x Atlético que são, para mim, as duas maiores rivalidades do futebol brasileiro. Já conferi um Fla-Flu, também espetacular. Falta, também, um Atle-tiba.
No dérbi campineiro a Ponte construiu a vitória no primeiro tempo, quando foi soberana ante um Guarani acuado. Na segunda etapa houve equilíbrio, o Bugre lutou muito, mas a vantagem conquistada na fase inicial permitiu a consolidação da vitória da Macaca, que segue viva na briga pela classificação. Pior para o Guarani, que tem quatro jogos para escapar do rebaixamento e, quem sabe, iniciar um processo de recuperação que faça justiça ao seu passado de glórias.

O MAJESTOSO

Só vi os melhores momentos do clássico Palmeiras x São Paulo. Houve lances polêmicos reclamados por ambas as partes. Um gol mal anulado do São Paulo, um pênalti de Zé Luís, uma cotovelada de Kléber. Mas nos lances dos pênaltis o árbitro Flávio Guerra foi preciso na marcação. A vitoria palmeirense reflete o melhor momento do clube, que tem um elenco maior e mais equilibrado que o São Paulo. Luxemburgo recuperou a motivação pessoal e contagiou o time do Palmeiras. Algumas apostas do treinador~estão fazendo a diferença, como Kléber, Marcos e Léo Lima. A diretoria do São Paulo não está oferecendo as melhores condições para que Muricy Ramalho faça seu ótimo trabalho. Faltam peças de reposição, o elenco é pequeno e desequilibrado. Fora isso, jogadores que brilharam em 2007 andam jogando bem menos em 2008, como Richarlyson e o próprio Jorge Wagner. Juninho tem sido uma decepção, assim como Joílson. Por isso o dirigente Marco Aurélio Cunha tenta jogar o foco da derrota sobre a arbitragem, para não admitir que a direção tricolor, da qual ele faz parte, não possibilita à comissão técnica acertar alguns problemas do time. O São Paulo já chegou a ir a campo sem sete reservas no banco, o que é coisa que não pode acontecer em um time dessa envergadura. Já o Palmeiras tem utilizado bem o elenco maior e variado que montou. E, informação de fonte segura, o Verdão já acertou mais duas contratações para o brasileiro, nomes sem grande destaque, apostas, e está encaminhando uma terceira, de mais peso.

MENGÃO NO DIVÃ

É tudo que se fala no Rio. O desequilíbrio do time do Flamengo. Ficou mais evidente na derrota para o Nacional, pela Libertadores. Ontem, contra o Botafogo, era jogo para se levar em calma, para se lamentar a derrota ou festejar a vitória, não para mostrar tamanho descontrole. Joel Santana, que conhece muito bem os atalhos do futebol, terá trabalho para segurar o time, controlar os ânimos e evitar que um ou outro jogador desequilibrado jogue por terra, na Libertadores, todo o bom trabalho do clube nos últimos anos. Nitidamente, falta ao Flamengo uma grande liderança dentro e fora de campo.

8 comentários:

Robert Alvarez Fernández disse...

Caro Nori, no livro "Futebol, Cultura e Sociedade" de 2005 organizado por Jocimar Daolio existe um texto excelente de Márcio Morato Coelho chamado "A dinâmica da rivalidade entre pontepretanos e bugrinos", vale a pena dar uma conferida nele e nos demais textos, que abordam o futebol com um viés sociológico.
Abraço.

André Cintra disse...

Aposto que uma das contratações é a do Edno, do Noroeste! Abraço!

Vinicius Schmidt disse...

Amigo, estou iniciando um blog de comentários esportivos. Sou calouro de Jornalismo e quero ser comentarista esportivo. Espero que leias a mensagem, comente, critique e colabore. Muito Obrigado. http://vinisdt.livejournal.com/

Luiz disse...

Poxa, muito legal esse blog! Além da isenção que se pode notar nos seus textos, nota-se também, que tem muita competência para enxergar o jogo.

Contudo, se me permite, vou deixar aqui algumas considerações no intuito de agregar ao blog.

1 - Palmeiras x SPFC, não se chama Majestoso, chama-se Choque-Rei;

2 - Majestoso é jogo entre SCCP x SPFC;

3 - Faltou falar do derby da capital do estado, ou seja, Palmeiras x SCCP;

4 - O juiz não anulou o gol do SPFC, a jogada havia sido paralisada muito tempo antes e no momento do chute do "ricky", a zaga e o santo goleiro do Palmeiras já estava parada a muito tempo.

Bom é isso, parabéns pelo blog.

Abraço

Luiz

Anônimo disse...

Nori por que voces não discutem a agressão de Jorge Wagner a Valdivia?? Cleber errou e deve ser punido, mas e o jogador do São Paulo. Há no youtube a transmissão da Globo, e a joelhada veja

http://youtube.com/watch?v=MSee0a1saFI



Espero que o Arena "separe' o lance e discuta, assim como o fizeram com o lance de Cleber, Isonomia e isenção.


http://youtube.com/watch?v=MSee0a1saFI

Anônimo disse...

Olé e agressão: http://youtube.com/watch?v=MSee0a1saFI

Anônimo disse...

Edison Zago, o procurador do TJD-SP é presidente do Conselho de Fiscalização do São Paulo. Não há conflito de interesses?
Será por isso a omissão na joelhada de Jorge Wagner em Valdivia?

FIGA-Gambolao disse...

Parabéns Nori pelo trabalho feito no Dérbi campineiro!
No inicio do jogo voce praticamente antecipou a falha do Roger Bernardo dizendo que ele não joga na posicão.
E o seu conhecimento dos jogadores dos times foi impressionante. Normalmente o conhecimento dos comentaristas da tv se restringe aos grandes times da capital e você conhecia tudo até de alguns obscuros jogadores.
Ganhou um fã!

Abraço