quinta-feira, setembro 27, 2007


A BOLA É DAS MULHERES


Não caio na piadinha de dizer que a Marta jogaria fácil em qualquer time masculino. Ou que a Cristiane é, hoje, a melhor atacante do Brasil. Impossível comparar futebol de homens com o jogo das mulheres. Cada um no seu cada qual. Assim fica mais fácil afirmar: como joga a Seleção feminina brasileira!
A evolução das mulheres no futebol é impressionante. O jogo que antes lembrava aquelas brincadeiras de criança, com uma aglomeração correndo atrás da bola, ficou no passado. Hoje há de tudo do bom e do melhor. Organização tática, preparação física e, claro, talento. Dá para assistir um jogo de futebol feminino sem medo de ser feliz. É possível, até, afirmar que taticamente o time feminino do Brasil é, sim, mais bem resolvido que o masculino. Por que varia de posicionamento e postura dentro da partida, sem, jamais, perder a consistência.
Acompanhei a semifinal entre Brasil e Estados Unidos com a transmissão competente e muito bem informada dos amigos Luiz Carlos Jr. e Lédio Carmona, no SporTV. Um dado deixa evidente que o Brasil conquistou ontem uma vitória para os anais. O time americano não perdia desde novembro de 2004. Uma invencibilidade de 49 jogos, sendo 46 vitórias.
E como não falar de Marta? Uma brasileira que tem tudo que os grandes brasileiros do futebol sempre tiveram. Arte, talento, cadência, sentido de definição. Marta joga o futebol completo do ponto de vista técnico e tático. Suas arrancadas e dribles somam-se ao passe milimétrico feito no início da jogada do terceiro gol, da implacável Cristiane. E o quarto gol? O drible implacável, o toque de calcanhar. Não o drible como fim, mas o drible como meio, a arte de fugir da marcação, não o malabarismo narcisista, mas técnica e habilidade a serviço do objetivo maior, o gol.
Contra a Alemanha, na final, o Brasil tem a chance de consolidar sua evolução, ante um adversário de perfil oposto. Metódico, tático, forte. Baseado no jogo muscular, meio desajeitado, mas pra lá de eficiente da centroavante Prinze, um autêntico Panzer. Que os deuses da bola saibam por quem optar. As mulheres brasileiras merecem esse golaço.

A MELHOR DEFESA DO MUNDO

Foi no sufoco, com se esperava. No segundo tempo o Boca encurralou o São Paulo, dominou, apertou, pressionou. Mas esbarrou numa muralha implacável. A barreira de proteção que a defesa tricolor faz é simplesmente espetacular. O gol de Rogério Ceni é protegido como uma leoa protege seus filhotes. Apesar de toda a pressão, o Boca praticamente não finalizou. A defesa do São Paulo de 2007 é a melhor hoomenagem que o time poderia prestar a seu ídolo histórico Roberto Dias, que morreu ontem.
O resultado traz duas consequências para o São Paulo. Desgastou o time fisicamente, mas o fortaleceu ainda mais mentalmente. A questão do desgaste físico e das contusões musculares pode causar problemas. Acontece que a valorização que São Paulo e Boca deram à Copa Sul-americana deve compensar tudo isso. E, mais uma vez, os jogos eliminatórios, dos quais sou fã declarado, mostraram toda sua carga de emoção, de imprevisto e a capacidade de prender o torcedor à TV ou à arquibancada. Talvez um único jogo do Brasileirão tenha capturado tantas emoções como o São Paulo x Boca de ontem: o gigantesco clássico Cruzeiro x Atlético.

VASCO, COM AUTORIDADE

Grande vitória do Vasco. Sempre acreditei nesse resultado e, semana passada, afirmei isso durante o Arena SporTV. O Vasco é muito melhor que o Lanús, um time pequeno da Argentina. Esse resultado dá fôlego aos cruzmaltinos para voltar com tudo à disputa do Brasileirão. E, de quebra, abre uma possibilidade de retorno aos holofotes sul-americanos. Fora isso, que bela notícia para o futebol do Brasil o retorno ao futebol de alto nível de Leandro Amaral.
Já o Goiás segue sua triste realidade. Um time frágil técnica e psicologicamente. Mais uma prova de que não basta ter infra-estrutura para acontecer no futebol. Falta ao Goiás algo básico nos grandes times: alma.

5 comentários:

Fernando disse...

Nori, também acho que a defesa do São Paulo é boa, mas por que nenhum comentarista fala que, quando é preciso, eles descem a bota? Foi assim contra o Palmeiras, tanto que o Valdivia ("cai cai"?) ficou mais de 15 dias parado, e foi assim ontem também. Vão na bola, mas quando não acham, tome paulada no jogador adversário.

Nori disse...

Fernando, tudo bem? Eu já falei em alguns programas e transmissões que o São Paulo faz uso tático da falta e que cabe às arbitragens punir isso.
Abs

Anônimo disse...

Que coisa feia....Ainda tem gente que têm coragem de falar que o São Paulo é um time violento ainda mais um palmeirense...Acho que vocês não viram o jogo São Paulo e Palmeiras, o tal Valdívia simplesmente caíu de mau jeito ao tentar ludibriar o árbitro...Não adianta chorar, o certo é aprender como se jogar um futebol moderno, com ocupação de espaço, alta velocidade e compactação...Ao invés de criticar vocês deveriam fazer como os argentinos do Boca aplaudir!!!!!Eles foram tão brilhantes como o tricolor no fim venceu o grande time brasileiro...
Nori, você concorda com as críticas que o Souza fez ao Dunga???A respeito de se convocar jogadores só do exterior...Porque eu acho que ele tem toda a razão, como pode se justificar a ausência na convocação do Rogério Ceni???E a presença da Afonso(nome de dançarino do Dominó)???Acho que vocês deveriam criticar o Dunga, pois se o Pato tem que mostrar serviço e provar para estar na seleção o quê falta ao Rogério???Demonstrar mais o quê??
Abraços!!!
Um tricolor feliz!!

AlexSA disse...

O pessoal da Loucademia de futebol do palmeirinhas tem que providenciar o retorno à série B, pois lá têm chance de ganhar alguma coisa... Ou então esperem uma MSI da vida, para ganhar roubado... Pena que não existiam escutas, gravações (e etc) na época da Parmalat...

Marcelo Rayel disse...

Prezado Nori, boa tarde,

O bom do São Paulo é que eles gostam de competir. Vibram com a competição, com a disputa. Aí, Cruzeiro, Grêmio, Santos e Palmeiras não conseguem sequer alcançar o São Paulo porque, ao assistir a uma partida desses times e a uma partida do tricolor, logo se percebe a diferença de vibração dessas equipes.

Não querendo fazer poesia onde não existe, o São Paulo tem brilho no olhar quando se trata de disputa. Mesmo tendo somente Rogério Ceni como craque do time, mesmo assim, o São Paulo sempre se dá bem porque é um time vibrante, vibra com a competição. Que o jogo de ontem contra o Internacional que o diga...

Quanto a defesa, vale dizer que uma boa defesa, quando possui uma taxa baixíssima de gols sofridos como a do São Paulo, tem considerável contribuição do ataque adversário. Por melhor que seja a defesa, se pega um ataque bom, acaba sofrendo de algum jeito.

Agora, se a equipe tem uma excelente defesa (que é o caso do São Paulo) e enfrenta um ataque incapaz até de trocar o passo, meio caminho andado...

O Boca na última quarta poderia ter melhor sorte se fosse competente. Não foi. Armava bem, para dentro da defesa do São Paulo, mas quando partia para a distribuição da bola, a entrega do passe para o jogador melhor colocado visando a finalização, que desgraça... Facilitou demais a vida dos zagueiros do São Paulo, porque o Boca teve a picardia de, incompetente do jeito que estava para a distribuição da finalização, enterrar o Palermo segundo tempo inteirinho.

Ou seja, seria o Boca tão dependente do Palacio?! Id est, viúvas do Riquelme...

Já no futebol feminino, não gostei da derrota, é claro. Mas gostei do que vi. O time feminino, na minha modestíssima opinião, está melhor que o masculino. Tem cara de time, se movimenta como time, tem teamwork, bonito de se ver. E mais: se saí aquele gol de pênalti, prorrogação na certa.

Os parabéns a SporTv pela transmissão da final do campeonato paulista de futebol feminino. O Santos encontrou a difícil equipe do Jaguariúna, mas fez prevalecer sua condição de atual campeão brasileiro.

Serve como exemplo e incentivo a transmissão. Afinal, o momento é de apoio ao futebol feminino nacional...