segunda-feira, julho 21, 2008

S.O.S BASQUETE MASCULINO


Escrevo esse post pensando em três grandes amigos e um ídolo. Três apaixonados pelo basquete e profundos conhecedores da modalidade. Todos jornalistas, e dos bons. Marcelo Laguna, Juarez Araújo e Luís Augusto Simon, o Menon. Amam o basquete e não se conformam com o momento atual. Viram grandes jogos, grandes craques, conhecem a fundom a realidade do basquete onde ele visceja, resitste bravamente, no Interior de São Paulo. O ídolo dispensa comentários, é o grande Wlamir Marques, gênio do esporte, a quem tenho a honra de também chamar de amigo.
Não dá para aceitar calado mais um fiasco do basquete brasileiro. Tudo bem que esse era previsível. A dura realidade é que hoje o Brasil joga, no masculino, um basquete de segunda linha. Deixamos de ser potência, de incomodar, de manter vida uma escola.
Admito que deu um baixo astral ver o Brasil perder da Alemanha no Pré-Olímpico Mundial. Por que o Brasil perde muito mais para os seus erros, sua falta de preparação adequada, pela regressão absurda por que nosso basquete masculino passou em termos de fundamento. Ver na telinha uma estatística que, em determinado momento, apontava 6% de aproveitamento em lances de 3 pontos é de doer. Isso na terra de Oscar e Marcel, para ficar em dois ídolos mais recentes.
Faz alguns meses encontrei o grande Wlamir em Ribeirão Preto. Eu trabalhando pelo SporTV, ele pela Espn Brasil. Jantamos juntos e falamos de basquete. Realista, Wlamir previa enormes dificuldades no Pré-Olímpico e falava numa longa caminhada até que o Brasil voltasse a ser grande no basquete masculino.
Sempre que encontra Laguna, Juarez e Menon, é inevitável falarmos de basquete. Laguna e Juarez são mais sonhadores, acreditam na recuperação, conseguem ver força no basquete masculino. Menon é mais realista. Todos nós fomos privilegiados. Vimos o basquete brasileiro ainda forte, vivo. Grandes duelos entre Sírio e Franca, Monte Líbano e Corinthians. A Seleção Brasileira enfrentando forças européias de igual para igual nos inesquecíveis quadrangulares internacionais no Ibirapuera.
Uma das primeiras lembranças esportivas que tenho é aquela cesta histórica do Marcel contra a Itália, do meio da quadra, que valeu o bronze no Mundial de 1978. Vi o Brasil dar canseira no Dream Team durante 10 minutos em Barcelona/92. Nem quero lembrar de 1987, de Indianápolis. Ou do Mundial do Sírio em 1979, que apresentou Oscar e Marcel, elese mesmos, ao grande público.
De volta ao interior paulista, quantos grandes times tiveram cidades como Limeira, Franca, Casa Branca, Bauru, Piracicaba, São Carlos, Araraquara, Assis e tantas outras?
Não tem como aceitar que desde 1996 o Brasil bicampeão mundial, três vezes bronze olímpico, de Algodão, Ruy, Massinet, Wlamir, Rosa Branca, Amaury, Ubiratan, Carioquinha, Adílson, Marquinhos, Oscar, Marcel, Israel e muitos outros esteja fora do basquete das Olimpíadas.
Passou da hora de uma reunião, de se deixar individualidades e panelinhas de lado. Há um trabalho duro pela frente. Coisa de, quem sabe, dez anos, para recolocar o Brasil em seu devido lugar. O preço cobrado já é muito alto. O basquete perdeu público, muito público, principalmente para o vôlei. Perdeu prestígio e até o handebol, que sempre foi tratado como primo pobre, vem trabalhando com mais competência e, justa e merecidamente, vem conquistando seu espaço.
O basquete corre o risco de ficar pelo caminho.
Se houvesse mais gente como Laguna, Juarez, Menon e, claro, Wlamir, cuidando do basquete, a situação com certeza não teria chegado até esse ponto.

3 comentários:

Luis Felipe Freitas disse...

Obrigado, Nori! Obrigado por dar esse grito de socorro que todos nós que amamos o basquete precisamos dar nesse momento. É um momento de muita tristeza, pois mais uma vez ficamos pelo caminho em um pré-olimpico. O nosso dever é cobrar desses pseudo-dirigentes do nosso basquete. Não é possível um país como o nosso não ter uma liga de basquete decente e organizada. Apesar de termos jogadores capazes de nos levarem a uma Olimpiada, eles parecem não falar a mesma língua do nosso povo. Com exceção do Nene eu não poupo nenhuma das estrelas que não se apresentou. Não me conformo com o papo de lesão ou algo do genero. Onde entra nesse contexto a realização profissional? Estou com você nesse grito por uma mudança na atitude e na direção do nosso tão amado basquetebol!
parabéns pelo comentário!
um abraço de um grande fã
Luis Felipe Freitas

Luiz de Aquino disse...

O basquete aqui é de dar dó viu...
enquanto nao tiver pelo menos um campeonato brasileiro descente
a coisa nao vai andar nao...
mas é isso ai mesmo, a gente planta o que colhe certo?
vamos ver quanto demora essa colheita agora ^^


obs.: To comentando aqui e te assistindo apresentar o Arena =D
parabens cara!

Marcelo Laguna disse...

Valeu pelas palavras, cara. Estava viajando quando vc escreveu este post e já era para ter entrado aqui e agradecido a citação.

O basquete masculino do Brasil, infelizmente, é assunto de museu e estatística. Acabou, só falta ser enterrado...

Abração e obrigado