quinta-feira, junho 12, 2008

NINGUÉM PODE TIRAR
O BRILHO DO SPORT
NA COPA DO BRASIL


A conquista do Sport Recife na Copa do Brasil é incontestável. A campanha como mandante é irretocável, num campeonato em que todo mundo afirma que é importante sabe se impor jogando em casa. O Sport tirou do caminho os bichos-papões Palmeiras e Inter, desbancou o tradicional Vasco e protagonizou uma reviravolta histórica diante do favorito Corinthians.
Torneio com mata-mata é bom demais por causa disso, pela carga dramática, emocional, pelo imprevisto e pela possibilidade de um golzinho mudar toda a história. Como espetáculo de futebol, não há nada melhor.
Há um dado na campanha do Corinthians, se comparada à do Sport, que destaca as diferenças entre as equipes. Sempre que jogou fora de casa contra equipes da Série A pela Copa do Brasil o Corinthians perdeu: 3 a 1 para o Goiás, 2 a 1 para o Botafogo e 2 a 0 para o Sport.
Mas vamos ao jogo de ontem. Acho que o Corinthians se omitiu na tentativa de administrar o resultado. Deu a bola e o controle do jogo para o Sport desde o primeiro minuto. A equipe pernambucana pode não ter sufocado no início, mas sempre tomou a iniciativa, teve mais posse de bola e ditou o ritmo. O Corinthians só foi fazer a primeira finalização aos 45 minutos da etapa inicial. Muito pouco para um time que pretendia não passar sufoco.
Não dá para apontar uma grande atuação individual no time do Corinthians. Todo mundo ficou devendo. Alguns muito mais. Casos de Eduardo Ramos, Dentinho, André Santos, Acosta, Lulinha e até mesmo Felipe, que papou um frango no segundo gol do Sport. No banco, a estratégia de Mano Menezes mostrou-se equivocada. Era possível ouvir pela transmissão do SporTV seus pedidos para que o time desse chutão para frente em busca de Herrera. Dito e feito, a bola batia no argentino e voltava rapidinho para os pés pernambucanos.
No Sport houve muitas boas atuações individuais. Carlinhos Bala, Sandro Goiano, Diogo, o goleiro Magrão, Luciano Henrique, Enílton. Nelsinho Batista foi mais ousado que Mano Menezes e, também, mais rápido, ao sacar o inoperante Cássio (como bem observou o Muller) e colocar Enílton. E quando a vantagem passou a ser do Sport, a equipe pernambucana foi mais competente para administrá-la, ainda assim levou mais perigo que o Corinthians.
Alguns detalhes polêmicos. Que dizer de Wellington Saci? Que joga com duas pernas mas teve apenas um neurônio. Ou, como escreveu o Juca Kfouri, que ele esteve mais para Mula-Sem- Cabeça.
O lance entre Acosta e o goleiro Magrão é pura polêmcia e pura interpretação. A imagem mostra Magrão chutando a bola com o pé esquerdo, numa dividida com Acosta, que cai. O árbitro Alício Pena interpretou como lance legal (concordo). Arnaldo Cezar Coelho, na transmissão da Globo, achou que foi pênalti. Polêmica inevitável, assim como no lance do segundo gol do Corinthians em São Paulo, na jogada de falta do Carlos Alberto. Acho injusto com o Sport Mano Menezes atribuir a perda do título à arbitragem. Mania que, aliás, é de nove entre dez técnicos brasileiros. Eles nunca erram na estratégia, nas alterações, nas escalações. Tudo é culpa do juiz.
O fato é que o Sport foi mais competitivo, mais competente, trabalhou melhor que o Corinthians em três dos quatro tempos da final e merece fazer toda a festa que certamente fará por muito tempo. É uma justa conquista para o futebol do Nordeste, tão vítima de preconceito por parte da mídia do Sul/Sudeste. A paixão do torcedor nodestino pelo futebol chega a ser comovente. O Sport, com todas as dificuldades econômicas e as diferenças que existem em relação aos times grandes do Sul/Sudeste, chegou lá, marcou sua gloriosa história e vai para a Libertadores ancorado na magia da Ilha do Retiro. Isso sem falar no Brasileirão, do qual agora passa a ser integrante do grupo de favoritos.
O Corinthians tem lições a aprender e vitórias a comemorar. A equipe resgatou sua identidade com o torcedor e o trabalho capitaneado por Mano Menezes é muito sério e merece respeito. Com as chegadas de Douglas e Elias, a equipe ganhará muito mais qualidade no meio-campo, o setor mais fraco, para a sequência da Série B.

TERÁ O SENADO MAIS
VERGONHA NA CARA
DO QUE A CÂMARA?

Escondidos na covarde votação secreta, a maioria dos deputados federais brasileiros aprovou o retorno da CPMF, agora disfarçada de CSS, com o mentiroso propósito de custear a saúde. Foi assim com a CPMF e a nossa saúde pública segue doente. Resta saber se o Senado mostrará mais vergonha na cara e compromisso com o cidadão ao votar a emenda que cria mais um imposto no País dos Impostos. Repito: a saúde é desculpa para arrecadar mais, inchar a máquina estatal e preparar o terreno para a eleição que vem por aí.

5 comentários:

André Monnerat disse...

A campanha do Sport nesse mata-mata é incontestável. Mas não consigo ver esse time como favorito à ponta da tabela no Brasileiro de pontos corridos. Pode ser que eu me engane, mas tenho a impressão de que os resultados vêm muito mais de uma superação do time e da torcida que só poderia acontecer nessas circunstâncias decisivas, neste tipo de competição. Não acho que tenha time e elenco pra ganhar, com regularidade, ao longo de meses.

Ontem mesmo, no duro, o Sport não jogou bem. Tomou iniciativa, claro, teve mais a bola. Mas criou poucas chances, fez um gol meio de acaso e, mesmo com o resultado na mão, deu o contra-ataque pro Corinthians o tempo todo.

mauricioduailibi disse...

Caro Mauricio ,

No caso da Camera Federal , isso é um filme em que faltam mocinhos . Não há como separar masi quem é correto ou não , pois se tranformaram em incorretos ou omissos apenas e tão somente e o pior que continuamos a votar com uma displicência de dar medo .

Abraços

Chara

Joao Luis Amaral disse...

Fala, Nori!
Quanto à Copa do Brasil: o título está nas mãos do time que surpreendeu e soube jogar esse modelo de campeonato. Surpreendeu tanto que passou de mera surpresa a bicho-papão. Parabéns ao time e aos torcedores do Sport.
Aos Corinthianos (eu incluído), cabe apoiar o time na série B, ainda no começo, para que seja um ano em que tenhamos algo real a comemorar. Time tem, e de sobra. Resta saber se haverá motivação suficiente...
Quanto à política: acho impressionante como os personagens da Câmara têm preço para tudo... umas gorjetas aqui, uns cargos ali, alianças lá e cá, e a votação é direcionada. Danem-se os (reais) interesses para população.
Grande abraço,
Joao Luis Amaral

Vovó diet disse...

Nori:

Escreva, escreva!

Luciano disse...

Poxa Noriega, a torcida do Palmeiras faz uma homenagem aos heróis de 1993 pelo aniversário de 15 anos do fim da fila e você e o JJ acham que era um protesto contra o time.

Parece que vocês não conhecem a torida do Palmeiras, nem nos momentos mais difíceis deixamos de cantar o nome de nossos jogadores no começo do jogo. Incetivamos até o fim. E aí sim se necessário cobramos e vaiamos.

Cantamos o nome de todos, sem exceção, diferentemente de certas torcidas. Ontem foi uma homenagem. Nada mais que isso!