quinta-feira, junho 05, 2008

AOS TRICOLORES
DE CORAÇÃO


Dedico esse post a alguns bons amigos tricolores cariocas que conheci pela vida: Garamba, Maroca, Renatinho, Mãozinha, Terezinha, Alberto Bial. Essa turma está tocando os céus com as mãos, para usar, em bom português, uma frase que é sempre muito utilizada por Diego Maradona, maior ídolo do Boca, em espanhol. O Fluminense arrebentou a boca do balão, com o perdão do trocadilho. Se desde o Santos de Pelé um time brasileiro não conseguia eliminar o Boca da Libertadores, então o Tricolor das Laranjeiras pode festejar um triunfo que merece ser chamado de histórico.
Algumas histórias desse Fluminense 2008 são dignas de registro. Cito-as com a convicção de que, se não vestir uma máscara tipo a do Flamengo antes do jogo com o América, o Flu passa pela LDU e conquista a América. Detesto afirmações definitivas do tipo fulano não tem perfil de técnico, cicrano acabou para o futebol, tal jogador não é de decisão etc. Essa miríade de chavões que infestam uma parcela do jornalismo dedicado à cobertura esportiva. Lembro que fui uma das poucas vozes discordantes quando Renato Gaúcho assumiu o Vasco. Eu e alguns outros, bem poucos, defendíamos a tese de que estava ali alguém que poderia dar bom treinador se realmente se mostrasse disposto a tal empreitada. Foi bem no Vasco e agora segue melhorando no Fluminense. Dodô quantas vezes foi chamado de ex-jogador, de artilheiro de amistoso etc. Eu já defendo há algum tempo que Dodô tem nível de Seleção Brasileira, faz gols como poucos. Assim como Washington foi aposentado precocemente, Roger foi aposentado precocemente, Conca foi chamado de argentino de segunda linha. É por isso que eu entendo que trabalhar com opinião esportiva não é apenas comentar resultado, arriscar previsões e legislar em cima do óbvio. Taí o Fluminense, para a festa dos tricolores pelo mundo afora, para provar que o futebol ainda se decide dentro de campo. E olha que quem afirma isso é um grande admirador do futebol argentino e considera o Boca, de longe, o maior time das Américas na atualidade. Outro ponto para ressaltar a fantástica vitória do Fluminense.

RECIFE VAI TREMER COM A FIEL
OU DANÇAR AO RITMO DO FREVO?

O primeiro capítulo da final da Copa do Brasil foi corintiano. Muito com base no que o time fez no primeiro tempo diante do Sport. Jogou muito, poderia ter feito 4, 5 gols (ainda que tenha ocorrido falta de Carlos Alberto no lance que originou o segundo gol). Na segunda etapa o Sport jogou bem demais, encurralou o Corinthians e, não fosse Felipe, poderia ter reduzido e até empatado o jogo, pelo que mostrou.
Para o jogo de volta, sem nenhum suspenso, a sensação que fica no ar, pelo menos para mim, é a seguinte: se o Corinthians repetir o futebol do primeiro tempo de ontem, leva. Se o Sport jogar o que jogou na segunda etapa no Morumbi, vira o resultado.
Em tempo: alguém ainda vai fazer piadinhas com o argentino Herrera?

REPERCUSSÃO DO CASO NÁUTICO

Repito aqui minha afirmação com base no que li, vi e ouvi sobre o caso Náutico/Botafogo/André Luís: não vejo por que punir o Naútico, analisando os fatos, em cima do que fizeram uma aspirante a policial despreparada e um jogador desequilibrado. Não faço jornalismo regional, nem clubístico. Procuro fazer JORNALISMO apenas, e opinar com isenção, à base de informação. Também repudio algumas manifestações exageradas de colegas paulistas e pernambucanos. Futebol não é guerra, não é disputa regional, não envolve bairrismo. Que a paz e a alegria que sempre cercaram o futebol, também em Pernambuco, estejam presentes no próximo dia 11. E que vença o melhor entre Corinthians e Sport, sem efeitos do que ocorreu nos Aflitos. O Brasil é muito maior do que bairrismos e regionalismos.

CORNETADAS ERUDITAS

Há alguns dias postei um vídeo do Pavarotti cantando a ária Nessun Dorma e afirmei que, para mim, era a máxima expressão de arte em forma de música. Recebi uma saraivada de cornetadas de alguns especialistas. Sou leigo, sim, não entendo bulhufas de ópera, música clássica, gosto de arte popular, nunca estudei música. Minha afirmação refere-se simplesmente a emoção, pura e simples, da capacidade de um artista marcar época e tocar seu público. Pavarotti popularizou a música clássica. Seu registro de Nessun Dorma é a gravação clássica mais vendida, pelo que pude pesquisar. Também consultei alguns apreciadores de ópera que o colocaram no mesmo patamar de Beniamino Gigli e Jussi Bjoerling, citado por alguns dos que me cornetaram. Pouco importa para mim, não sou muito afeito a lista de melhores. E sei que para alguns apreciadores de música erudita os artistas populares são vistos com desprezo. Prefiro continuar fiel a minhas emoções de leigo. E aproveito para deixar um pouco da arte do também fenomenal Bjoerling.

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3 comentários:

Guillermo disse...

Não é questão de fazer ou não jornalismo, mas de conhecer e cumprir as regras do jogo (mesmo que não concorde com elas).

O náutico fez algo para merecer punição? NÃO.
O náutico merece punição? SIM, pois segurança é de responsabilidade do clube mandante.

Não é o primeiro incidente com a pm pernambucana (como esquecer a Batalha dos Aflitos?) e algo deve ser feito. O certo seria dar uma punição branda ao náutico e a direção definir que a segurança será privada (afinal de contas, é um evento privado...). O problema é que o pessoal do tjd não segue muito a razão e pode vir mais lambança por aí.

DÁ-LHE GRÊMIO!!!

Eduardo disse...

Parabéns Noriega pelo registro. Jussi Björling (1911-1960) foi considerado pela revista Classic CD não só o maior tenor da história como a maior voz de todos os tempos. Ouvir ele cantando "O Helga Natt" faz bem à alma. Viva a memória de Björling e viva o Fluminense Football Club!

Joao Luis Amaral disse...

Fala, Nori!
Devo estar errado, devo ser uma anta catatônica, mas nao concordo com as pessoas que te cornetaram pelo post do Pavarotti.
Apreciar arte em suas mais puras expressões nada tem a ver com conhecer profundamente seus meios, seus protagonistas. Para mim, os grandes artistas querem mais é que o público entenda, absorva o sentimento que buscam passar através daquelas pinturas, daquelas interpretações, esculturas, o que for.
Pavarotti conseguiu isso com maestria no vídeo que vc colocou aqui.
Agora, se é necessário entender profundamente de arte para apreciar algo, estou no time errado: gosto muito, acho de arrepiar mesmo, emocionante, mas nao entendo bulufas "tecnicamente" falando...
Grande abraço,
Joao Luis Amaral