quarta-feira, abril 09, 2008

O QUE ESPERAR
DO CHOQUE-REI?

São Paulo e Palmeiras, Palmeiras e São Paulo. Esse duelo jamais será comum, em qualquer circunstância. Quando o Choque-Rei (apelido dado ao jogaço pelo jornalista Thomaz Mazzoni) acontece numa fase semifinal e cai num momento em que a rivalidade entre os dirigentes das duas equipes aflora, a situação fica ainda mais saborosa. Pena que exista tanto ignorante fantasiado de torcedor para atrapalhar a situação, arrumar brigas estúpidas e apagar um pouco o brilho de um clássico dessa grandeza. Porque, infelizmente, a realidade do mundo hoje é essa, a estupidez sempre arruma um jeito de se instalar.
Não curto muito o estilo de comentário que cai para a previsão pura e simples. Acho meio cabotino alguém fazer uma aposta em um resultado e depois que ele se confirma sair por aí se gabando, dizendo "não falei que ia dar time tal etc.". Prefiro a análise dos pontos fortes e fracos de cada time, o momento e as tendências. Por isso, de forma geral, vejo que, pela bola que cada um está jogando, antes de o clássico começar, o Palmeiras larga com 60% de chances, contra 40% do São Paulo. Nos recentes confrontos pela Libertadores, o São Paulo era absurdamente superior e teve enormes dificuldades para derrotar um Palmeiras apenas brigador. Agora que a diferença é mínima, é de se esperar muito mais equilíbrio.
Por falar em momento, é óbvio que o do Palmeiras é melhor. O time joga mais solto, a diretoria deu ao treinador um elenco com mais opções e, tecnicamente, a equipe está num estágio mais avançado. Mesmo com tudo isso, somou apenas dois pontos a mais que o São Paulo e conseguiu somente uma vitória de vantagem. Prova de equilíbrio. A grande diferença está no saldo de gols: o Verdão tem 11 a mais. Procurarei destacar abaixo alguns pontos que considero fortes e fracos de cada equipe, numa tentativa de analisar como chegarão para o superclássico.
Antes disso, deixo clara minha posição, que é anterior a esse jogo, bem anterior, de que cada clube tem o direito de jogar em seu estádio. Há muito tempo falo isso sobre a Vila Belmiro, por exemplo. Se houver algum problema, que o mandante seja responsabilizado. Mando de jogo pertence ao clube, não às federações. O que no caso tem pouco a ver com o resultado do confronto, pois o São Paulo já ganhou no Palestra e o Palmeiras já ganhou no Morumbi. É uma questão de conceito. Isso posto, vamos lá!

SÃO PAULO - Há muita gritaria de torcedores e analistas, mas o time continua sendo o que sempre foi com o Muricy: competitivo. Desceu alguns degraus na escala de competitividade, isso é fato, mas mesmo assim é uma equipe que perde pouco. A maneira de se defender, que era o ponto alto do time, sofreu uma drástica alteração. O São Paulo começava a marcar no campo do adversário e blindava sua defesa. Hoje marca mais atrás e a bola chega muito mais no gol do Rogério. O principal problema está nas laterais, que não funcionam como em 2007. O revezamento entre Richarlyson e Jorge Wagner pela esquerda não tem sido tão eficiente porque Jorge Wagner não conta com a colaboração de Leandro marcando na frente e, por isso, precisa jogar muito mais como volante em algumas circunstâncias. Adriano tem sido fundamental, é o jogador diferente da equipe, mas exceto em lances de bola parada, o São Paulo faz pouco a bola chegar até ele na área. Porque não encontrou um lateral ou ala pela direita e está nessa dúvida pela esquerda. Mesmo com essas alterações, ainda é um time forte, muito forte, que confia muito em sua capacidade e cresce contra adversários mais qualificados. Vide os primeiros tempos que fez contra o Santos e o Palmeiras. O grande desafio parece ser a questão dos cartões amarelos, que pode levar o time a um segundo confronto bastante desfigurado. Sem contar a dose de cansaço provocada pelo jodo de quinta-feira pela Libertadores. Para mim, a principal mudança aconteceu de fora para dentro de campo. Algumas contratações não deram certo até agora(principalmente Joílson, Juninho, Carlos Alberto e Fábio Santos) e o tamanho do elenco se mostrou pequeno para a quantidade de jogos. Fora isso, a fonte de Cotia parece estar mais seca nesta temporada. Sobre a briga na concentração, acho que só terá efeito em caso de resultados negativos. O resultado, em situações como essa, se impõe sobre a realidade. Quando se ganha, tudo é lindo. Quando se perde, só piora.

PALMEIRAS - Não há como se comparar o time de 2007 com este de 2008. O elenco é outro e mudou praticamente tudo. Entre os titulares, permanecem apenas Valdívia, Gustavo e Pierre. Leandro se firmou somente com Luxemburgo, em 2007 chegou a ficar na reserva muito tempo. A mudança, além de tática e técnica, também foi psicológica. O peso dos fracassos sucessivos em casa foi praticamente extirpado da equipe com a chegada de muitos jogadores novos. De 11 jogadores, mudaram 8. Marcos, Élder Granja, Henrique, Leandro, Léo Lima, Diego Souza, Kléber e Alex Mineiro não estavam ou não eram titulares em 2007. E as mudanças foram para melhor em todas as posições. Como todos os times de Wanderley Luxemburgo, o Palmeiras de 2008 joga, busca sempre o resultado, dá a cara para bater. Gosta de usar o lado do campo e de ter o domínio das ações a partir do meio-campo. Tem em Valdívia o jogador diferente, da jogada imprevista, do drible, do talento. E está muito mais equilibrado em todos os setores, além de ter um bom centroavante depois de muito tempo. O ponto fraco fica para o posicionamento da defesa em jogadas de bola parada (exatamente o ponto forte do São Paulo no ataque). Em compensação, a bola parada ofensiva é poderosa e ganhou opções muito boas com Henrique e Diego Souza.

7 comentários:

tina disse...

acho que a maior diferença está na vontade!
O palmeiras não ganha um titulo há muuuuito tempo e está com a faca e o queijo na mão pra ganhar esse!
Ninguém entra pra perder, e clássico é clássico e vice - versa, portanto...
Vai São Pauloooooooo

Guilherme disse...

bem, acho que o São Paulo vai ter que se desdobrar pra conseguir vencer.
Pode parecer esquisito mas eu tenho uma teoria pra esse tipo de confronto. Claro que a melhor coisa é fazer uns 4x0 e matar o jogo no primeiro confronto, mas, pro São Paulo, que tem dificuldade pra fazer gol, a melhor coisa é empatar o primeiro jogo e levar a decisão pro segundo. Tenho a impressão de que se o São Paulo faz 1x0 no primeiro jogo, o Palmeiras entra com tudo no segundo, enquanto que o 0x0 mantém uma... dúvida.

Vitor Guedes disse...

O Palmeiras, que é ligeiramente superior, tá muuuuuito melhor. A diferença diminui com a contusão de Juninho (um Gralak que não sabe bater lateral) e as ausências dos fracos Carlos Alberto e Fábio Santos. Talvez sem opção, Muricy (que é tão mala quanto os outros mas é perdoado pq supostamente sua prepotência e mau humor seja engraçadinha) opte pelo óbvio. Se fosse uma final, pelo peso da fila, diria que é 50% a 50%. Mas, como a semi (é a final, mas não é a final) dá Palmeiras. Até porque, na hora H, quem decide é jogador. E os atletas palmeirenses são superiores e menos mascarados. O que é o Ricky depois da seleça? Isso não é torcida, até pq aprendi com meu pai que tem de se torcer contra o Palmeiras sempre, mesmo contra o time do Planejamento e do Reffis, mas, para mim, qualquer coisa que não seja o título do Palmeiras será zebra! E eu lá tenho minha simpatia pelo animalzinho alvinegro...

renato disse...

Olá Nori...Quando vc digitou esta mensagem, o Parque Antartica ainda não havia sido liberado para o segundo jogo, mas finalmente fez-se justiça, e a polícia que trate de enquadrar os baderneiros de plantão...Na verdade, nada garante que o time da casa ira ganhar alguma coisa simplesmente por estar jogando em seus domínios,mas jogar os dois jogos na casa do adversário não tem cabimento...
Concordo quando vc diz que o Palmeiras larga com 60% de chance de se dar bem, mas na verdade o jogo será muito equilibrado, como sempre tem sido nos últimos anos, mesmo quando o São Paulo tinha uma flagrante superioridade...

Abraço,
Renato Molitsas

André Coutinho disse...

Fala, Nori!!!!

Quanto à sua análise dos times, concordo com 99%. Mesmo percentual, aliás, que dou ao Palmeiras nos dois clássicos. Além de tudo o que você descreveu, a diferença dos técnicos (pró Luxa) é enorme.
O que influencia mesmo os meus "99% x 1%" é o fato de o Tricolor ter nove pendurados. E um elenco diminuto. Certamente irá atuar no Palestra desfalcadíssimo... E, provavelmente, com jogadores improvisados.

Em cem situações, só vejo uma que poderá classificar o São Paulo nesta semifinal: equilibrar, como fez em Ribeirão, o primeiro jogo e, no final, vencer por uns dois ou três gols de vantagem, da mesma forma que o Palmeiras ganhou em Ribeirão _em lances fortuitos...

Mesmo assim, no segundo jogo, bastante desfalcado _ou alguém acha que uns três ou quatro pendurados não vão levar cartão em um jogo desses?_, o São Paulo terá de segurar o rival.

Por fim, para a salvação do futebol bem jogado (e contra minha paixão clubística), o Palmeiras, com um volante habilidoso, dois meias e dois atacantes, PRECISA ser campeão!

Grande abraço, Nori! E obrigado por "deixar" eu invadir seu espaço!

André Coutinho, o "Craquinho"

Anônimo disse...

Nori, concordo quando você diz que o mando de jogo é do clube mandante e ele decide onde jogar...Mas concordo principalmente quando você coloca que o mandante deve ser responsabilizado pelos incidentes provocados por sua escolha!!!Acho temerosa a escolha do Parque Antartica, não só pelos riscos de confronto entre marginais mas também pelo péssimo estado do gramado...Quanto aos times analiso de forma muito diferente, o São Paulo possui um time muito mais consistente e competitivo que o Palmeiras, individualmente o tricolor é bem melhor porém não é favorito porque vai jogar um jogo muito importante na Libertadores(ou seja, estará mais cansado) e o Palmeiras poderá empatar os dois jogos...A análise dos times feitas por comentaristas, sinceramente, são engraçadas pois vocês costumam achar que jogar pra frente leva um time ao favoritismo sendo que no futebol moderno os times que levam vantagem são os competitivos, vide São Paulo x Botafogo ano passado, Milan e Liverpool nas últimas edições da Champions League, o futebol italiano e alemão nas Copas do Mundo (pra não citar a Seleção do Parreira e do Felipão)...Pode-se dizer o seguinte: o futebol que mais te agrada é o do Palmeiras,pois é um jogo mais aberto mas também muito mais arriscado...Pode ganhar do São Paulo de 4x1 e perder para o Guara de 3x0.
Obs:A arbitragem, me preocupa...O palmeiras neste campeonato foi muito favorecido, enquanto sao paulo, corinthians e santos reclamaram em diversos jogos dos juízes, fora o número absurdo de penaltis dados ao Palmeiras, lamentavelmente acho que este confronto será decidido por erros de arbitragem e não pelos jogadores.
Abraços!
Leonardo!!!

Anônimo disse...

Em temas polêmicos geralmente são dominados por chavões clássico é classíco (e vice-versa) e por aí vai. nesta questão envolvendo Palestra Itália muito se questionou a respeito da segurança do Estádio do Palmeiras, como se o Morumbi fosse um oásis, um paraíso, livre da violência. Mas pesquisando um pouco, derruba-se facilmente este mito, e chega-se a conclusão inesperada, dita por quem entende do assunto(Polícia Militar" O Morumbi é PIOR Estádio para se fazer segurança, sobretudo nas IMEDIAÇÕES" Ora é examente este, um dos argumentos utilizados por aqueles que são contra o jogo no Palestra (inclusive seu amigo André Rizec), há falta de segurança ao redor do estádio. Porém abaixo disponibilizo alguns links que demonstram que o Morumbi sofre dos mesmos problemas, quiça mais graves, veja:

Sobre a falta de segurança do Morumbi: .................................................
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.......................... O Morumbi foi palco de cenas de pancadaria antes do jogo entre São Paulo e River Plate, nesta quarta-feira à noite, pelas semifinais da Copa Libertadores da América. Já nas arquibancadas do estádio, os torcedores argentinos entraram em confronto com a polícia e a briga deixou um saldo de 12 feridos, mas nenhum caso grave - foram 11 policiais e 1 torcedor do River, que se recusou a receber atendimento médico e foi para o vestiário da equipe argentina. (…) Mas a delegação do River foi surpreendida por um grupo de torcedores do São Paulo já perto do portão de entrada do Morumbi. O ônibus teve seis vidros quebrados por pedradas. ..........................................................
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............................... O pontapé inicial será dado no clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians, no Morumbi. O estádio do São Paulo á tido atualmente pela PM como um dos mais problemáticos em termos de segurança, sobretudo em suas imediações, pela falta de estrutura oferecida ao torcedor comum, como estacionamento e transporte público. ..................................................... .......
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.......... ....................................... Antes do início da partida, a Polícia Militar teve de conter um início de confronto entre as torcidas de São Paulo e Palmeiras. Os policiais dispersaram a multidão que ameaçava iniciar uma briga na praça Roberto Gomes Pedrosa. Segundo o major Carlos Botelho, comandante do policiamento, foi só uma ação para separar as torcidas. “Neste local há um afunilamento, e tivemos que nos posicionar entre eles.” ..........................................................
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Soldados usam gás lacrimogênio e balas de borracha para conter a confusão no Morumbi A chegada e a saída de torcedores no Morumbi, para o clássico entre Corinthians e Palmeiras, neste domingo, pelo Paulistão 2008, não foi nem um pouco tranqüila. Antes do jogo, um grupo de corintianos provocou confusão na chegada ao estádio. Entoando gritos de guerra e buscando o confrontocom cerca de 100 componentes, houve corre-corre em frente ao portão 17. Depois da partida, mais violência e até uma boma estorou nas proximidades do estádio. ............................................................
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Sobrou pancadaria entre os torcedores, no Morumbi. Uma hora antes do clássico, a Polícia Militar precisou entrar em ação para acabar com tumulto no portão principal do estádio. Pouco depois, houve mais confusão com a torcida do Corinthians na Avenida Giovani Gronchi, quando um fotógrafo tomou uma pedrada, que lhe valeu cinco pontos na cabeça. A violência se estendeu para dentro do estádio, com a volta de cena que não se via havia bom tempo: policiais, com cassetete nas mãos, correndo atrás de torcedores nas arquibancadas. Um são-paulino caiu das arquibancadas e chegou ao ambulatório desmaiado. A vitória corintiana, segundo alguns policiais, foi importante para acalmar a saída. Se o time voltasse a perder, havia temer de que se repetissem protestos e brigas. Mesmo assim, o major Tadeu Camargo, responsável pelo policiamento, temia por incidentes na cidade, em pontos de encontro de torcidas. ..........................................................
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........................................... Fonte: observatorioverde.net


Bruno Mendes