sexta-feira, março 09, 2007


O PAN E OS ATLETAS


Entre as muitas visões e opiniões que são manifestadas diariamente sobre a realização dos Jogos Pan-Americanos no Brasil, um ponto de vista em especial tem sido pouco abordado. Pouca gente pensa na importância de um evento de tal magnitude para seus atores principais: os atletas.
A vida de um atleta tramita entre alguns sonhos. Se for um jogador de futebol, os desejos passam por jogar num grande time, defender a seleção de seu país e disputar uma Copa do Mundo. Para um atleta de outras modalidades, e vamos transformar em brasileiro esse exemplo, o sonho passa, necessariamente, por disputar um Mundial, um Pan e uma Olimpíada.
Algumas pessoas desdenham do Pan – vamos chamá-lo assim. Eu não. São poucos os atletas que conseguem chegar a uma disputa como essa, de alto nível internacional. Os que chegam ao pódio, menos ainda. Que dizer dos campeões pan-americanos?
Para um atleta, apenas o fato de ter disputado um Pan-americano já é motivo de orgulho, de histórias para recordar e contar por toda a vida. Se essa atleta consegue a glória de uma medalha, de um título pan-americano, isso já passa ao terreno do inimaginável para um atleta de fim de semana ou para alguém que vê o esporte apenas como torcedor.
Alguns dos maiores momentos do esporte brasileiro aconteceram em Jogos Pan-americanos. O inesquecível recorde mundial de João do Pulo em 1975, no México, uma marca de 17m89 que permaneceu por uma década. As vitórias do basquete em 1987 e 1991, com homens e mulheres, respectivamente. Em 1991, Paula e Hortência calaram Fidel Castro, enquanto em 1987 Oscar, Marcel e cia. destronaram a arrogância norte-americana.
Esses atletas certamente jamais esqueceram ou esquecerão a glória que os Jogos Pan-americanos proporcionaram. Como muitos outros brasileiros e irmãos das Américas que colecionaram marcas e momentos inesquecíveis do esporte. Gerações de atletas e torcedores foram formadas acompanhando esses momentos. Tente viajar no tempo e imagine-se vendo Maria Esther Bueno e Thomaz Koch jogando uma partida de duplas mistas no tênis? Ou a chamada geração de prata do vôlei se transformando em ouro no Pan de Caracas, em 1983? Ou transporte-se no tempo para um dia de 1963 na cidade de São Paulo, que recebia os Jogos Pan-Americanos. Que tal assistir à conquista pioneira das musas do vôlei em 1959, em Chicago?
Sob uma ótica esportiva e nada mais, todos aqueles que um dia sonharam disputar um Pan e todos aqueles que já disputaram estarão de pensamento e alma no Rio de Janeiro em julho de 2007. O Pan é dos atletas.

4 comentários:

Rodrigo Borges disse...

Nori, o Pan-Americano é de fato delicioso e muito valorizada pelos atletas latino-americanos. Eu acompanharia mesmo que não tivesse obrigação profissional.

O problema é que a competição fica esvaziada pelo fato de muitos dos atletas de ponta de outros países (em especial dos EUA) ficarem de fora.

Creio, ainda, que é forçar a barra querer dar a esta competição um status equivalente ao de uma Olimpíada, como parecem tentar as emissoras que detêm os direitos de transmissão.

[ www.estadodecirco.net ]

Fabio disse...

Olá Nori! Gosto de seus comentários, porém esse aqui infelizmente não concordo. Concordo que eventos como esses são necessários, ainda mais para atletas brasileiros que muitas vezes os vemos apenas em olimpíadas e pan-americanos, e depois entram no tradicional ostracismo, correndo atrás sozinho, pois o incentivo é pouco. Não adianta nada realizarmos um evento, se a maioria dos atletas não tem nem condições de treinamento. Se eles ganharem alguma coisa, vai ser por vontade, por garra própria, pois a simples realização do evento esconde, mais uma vez, os graves problemas em administrações arcaicas de nossos dirigentes. Gastaram mundos e fundo no Pan, mas não desenvolvemos nada na base, na formação desses atletas. No debate de idéias com profissionais de outros lugares. Agora dizer que o Pan no Brasil é uma boa, discordo em gênero, número e grau, o que ja foi gasto com esse pan americano, dinheiro nosso, fizeram um planejamento financeiro e que ja estrapolou de tanto que subiu. Fora as obras atrasadas, algumas até perigam de não ficarem prontas. A violência não é privilégio dos cariocas, porém existe um foco muito grande. Temos que assumir nossa incompetência administrativa primeiro, para depois nos tornarmos sede de alguma coisa. O país vive problemas graves, muito mais graves que esse e que nem sequer recebem a devida atenção!! Vamos ver no que vai dar, sou otimista, mas contra a realização de algum evento de grande porte no Brasil, nesse momento!! Um abraço e parabéns!!

Nori disse...

Fábio, tudo bem? Vc está muito certo em tudo. Por isso que o post se refere aos atletas. Eu fui atleta por um tempo, sonhei com um Pan, uma Olimpíada, sei o que isso representa para eles. É a vertente mais pura de tudo isso. Abs

Nori disse...

Fábio, tudo bem? Vc está muito certo em tudo. Por isso que o post se refere aos atletas. Eu fui atleta por um tempo, sonhei com um Pan, uma Olimpíada, sei o que isso representa para eles. É a vertente mais pura de tudo isso. Abs